IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CONTAS PRESIDENCIAIS E CONTAS REAIS

    Um dado precioso, para reflexão de V. Exas.:

     

    A Presidência da República (orçamento de 2008) custa a módica quantia de

     

    16.000.650 Euros

     

    Outro dado:

     

    A Casa Real espanhola custa ao Estado

     

    9.050.000 Euros

     

    Ou seja, per capita, os portugueses pagam, pela chefia do Estado

     

    sete vezes mais que os espanhóis

     

    Aos custos da Presidência, acrescentem V. Exas. agora os das campanhas eleitorais (uns milhõezitos), que se gastam todos os cinco anos, mais o que custam os antigos Presidentes (gabinete, comunicações, economato, automóvel, secretária, motorista, contínuo…), multipliquem por 3 Presidentes vivos, e considerem que, em Espanha, estes custos não existem.

     

    Se nos reportarmos aos últimos 30 anos, teremos, grosso modo, que os portugueses gastaram com a Presidência da República mais de

     

    Quinhentos milhões de euros

     

    No mesmo período, os espanhóis terâo gasto, com a Casa Real

     

    Duzentos e setenta e um milhões de euros

     

    O afastamento entre as duas somas crescerá brutalmente, como é óbvio, à medida que formos elegendo presidentes e que formos passando os anteriores à reforma.

     

    Some-se a estes números a resposta a estas perguntas:

     

    – Quem é mais bem representado, interna e externamente: os

       espanhóis ou os portugueses?

    – Quem ama o seu Chefe de Estado: os portugueses ou os espanhóis?

    – Quantos governos houve nos últimos 30 anos em Portugal?

    – Quantos houve em Espanha?

    – Quem tem tido mais estabilidade política: Portugal ou Espanha?

    – Quem está melhor na vida: os portugueses ou os espanhóis?

    – Quem tem problemas orçamentais?

     

    … e mais uma interminável série de questões a que, por certo, V. Exas. não deixarão de saber responder.

    Se tiverem os neurónios a funcionar a contento, tirem as devidas conclusões.

     

    António Borges de Carvalho
  • NICOLAU TINHA UMA FLAUTA

     

    Depois do advento do senhor Pinto de Sousa foi-se gerando no espírito de cada um a sensação, ou a certeza, de que poucas notícias podem já causar espanto. Todos os dias, os jornais se fazem eco das coisas mais inacreditáveis. O que é verdade hoje é mentira amanhã, o que se julgaria impossível, afinal acontece.

     

    Apesar disso,  continua a haver coisas que nos põem de boca aberta.

    O suplemento de economia do “Expresso”, magistralmente dirigido pelo inacreditável senhor Nicolau Santos, apresentou ontem, como manchete, os milhões que os portugueses enviam para paraísos fiscais. Até aqui, tudo bem. Os paraísos fiscais existem, goste-se ou não são legais, a liberdade de circulação de capitais, felizmente, também o é.

     

    Sensacional, no entanto, é o facto, a acreditar no “Expresso”, de o governo do senhor Pinto de Sousa também andar a pôr uns trocos nos paraísos fiscais. Gente que passa a vida a criticar os “criminosos fiscais” que põem o deles a salvo, acaba por ser apanhada com a boca na botija. Interrogada sobre o assunto, segundo o “Expresso”, tal gente diz coisa nenhuma, o que, como é óbvio, confirma a notícia.

     

    A coisa encerra outros motivos de preocupação, desta vez não por causa do caroço “fugitivo”, mas pela forma como a é apresentada.

    Vejamos.

    Rezam as manchetes que “mais de um terço” dos alegados 23,7 mil milhões de dólares em fuga foi “investido por particulares” portugueses. O jornal põe a negro particulares, evidentemente por considerar que, se fosse por entidades públicas, bancos ou quejandos, não teria importância nenhuma. Um favorzinho subliminar ao senhor Pinto de Sousa.

    Depois, o suplemento afirma que a verba investida é dez vezes superior à que era em 1997. Não se sabe por que carga de água o distinto jornal foi buscar o ano de 1997 para encontrar um termo de comparação. Mais uma vez, um favorzinho encapotado. É que a escolha de tal ano só pode servir para disfarçar que o exponencial aumento de exportações se deu durante o consulado do senhor Pinto de Sousa, e é uma evidente e directa consequência da política socialista que arruína o país.

    A notícia tem outros contornos altamente suspeitos. O “Expresso” faz a conversão dos vinte e três mil e setecento milhões de dólares para euros, e chega à brilhante conclusão de que tal soma equivale a 14 mil milhões, ou seja, põe o euro a valer 1,7 dólares, a “câmbios actuais”. Não se sabe se se trata, realmente, de câmbios actuais, ou se  quem lhe deu tal taxa de câmbio foi alguma bruxa que o senhor Nicolau Santos consultou sobre o futuro do dólar .

    A coisa prossegue. Para o senhor Nicolau Santos, os 6,3 mil milhões de euros que os “particulares” puseram off shore equivalem a 10 mil milhões de dólares, o que faz o câmbio descer, de um parágrafo para outro, de 1,7 para 1,58 dólares por euro, ou seja, numa coluna de jornal, o dólar valoriza-se 7,59 por cento!

    Demos de barato o facto de o senhor Nicolau Santos achar que 6,3 é “mais de um terço”, quando é quase metade de 14, uma vez que qualquer máquina de calcular, ao dividir 14 por 6,3, encontra 2,33…

    Continuando a esta pequena análise, tropeçamos outra vez em favores. Diz o “Expresso” que o caroço em causa seria “praticamente suficiente para pagar o projecto de alta velocidade”. O que serve para enviar aos portugueses a mensagem de que, se o senhor Pinto de Sousa está à rasca para financiar o projecto, a culpa é dos “particulares” que puseram o taco nas ilhas… Notável, não é?

    Mas a notícia vai muito mais longe. O senhor Nicolau Santos informa o povo que o FMI diz que há, nas ilhas Caimão – “destino preferido dos portugueses” – 16,4 mil milhões de dólares depositados, ou seja, segundo o senhor Nicolau Santos, 10 mil milhões de euros. Como por encanto, o câmbio passa para 1,64 dólares por euro. Por outro lado, esta informação do FMI equivale a dizer, se a compararmos com os números do “Expresso”, que só os portugueses têm mais dinheiro off shore que a totalidade dos depósitos existentes nas ilhas Caimão!!! Grandes portugueses! Nobre povo!

    Somados os diversos investimentos que o “Expresso” diz que os portugueses têm nos paraísos fiscais listados (9, dos 80 existentes), encontramos a verba de 24.035 milhões de dólares, o que pode ser, em euros, o que o senhor Nicolau Santos quiser, uma vez que os câmbios que utiliza são “flutuantes”. Não se compreende, porém, é como é que a soma dos investimentos, feita pelo “Expresso”, dá, com apurada precisão, 23.700 milhões. Uma irrisória diferença de 335 milhões de dólares… E ainda: se os 23,7 mil milhões se referem a 9 paraísos fiscais, dará o “Expresso” de barato os outros 71?

    Para chegar aos tais 23,7 mil milhões (que deveriam ser 24.035, segundo a máquina de calcular…) serve-se o “Expresso” das contas nas seguintes off shores: Caimão (16.000 milhões), Jersey (5.100 milhões), Ilhas Virgens Britânicas (1.356 milhões), Antilhas Holandesas (540 milhões), Guernsey (287 milhões), (Gibraltar 290 milhões), Bahamas (210 milhões), Bermudas (162 milhões), e Chipre (90 milhões). Exclui, como já disse, as outras. Mas, ó maravilha, não conta o “Expresso” com a zona franca da Madeira, “através da qual saem 27% das aplicações da banca no exterior” (?).

    Os números do “Expresso” fazem inveja à taxa de insucesso escolar em matemática. Melhor dizendo, em mera aritmética.

     

    Não vale a pena prosseguir. A não ser para tentar tirar conclusões políticas desta inenarrável pessegada. Para o Irritado, tudo isto não passa de (mais) um “recado”, coisa em que o “Expresso” em geral e o senhor Nicolau Santos em particular são peritos. Assim: as finanças devem estar a preparar-se para uma investida em força sobre os dinheiros em off shores. Daí que seja preciso incutir na opinião pública um ódio visceral, profundo, à coisa. Nem que para isso seja preciso ocupar primeiras páginas, repetir manchetes, manipular números e informações, atirar inexactidões à cara das pessoas, como se isto tudo não passasse de um bando de idiotas. Se calhar, não passa mesmo.

     

    António Borges de Carvalho
  • DA ROUBALHEIRA INSTITUCIONALIZADA

    Como se fosse uma grande novidade, um fulano da CGTP divulgou umas contas que demonstram que os portugueses pagam, per capita, mais 53,31 euros por ano de electricidade que os seus “compatriotas” europeus.

    O ilustre economista esqueceu-se de referir que as nossas magníficas autoridades continuam a dizer que facturam menos 320 milhões do que deviam, ou seja, que aos tais 51,31 euros deviam, se houvesse “justiça”, ser acrescidos 32. Esquece-se, também, de dizer que, de uma forma ou de outra, acabamos, ou acabaremos, por pagar esses 32 milhões a mais, uma vez que a sacrossanta EDP não pode, como é óbvio, ficar prejudicada no meio disto tudo. Esqueceu-se de mais uma série de pormenores, mas demos isso de barato.

    Aliás, não é preciso fazer contas, basta ler as facturas e compará-las com as de França e de outros países “caros”, ou com as da Grécia e de outros países “baratos”, para concluir pela absurda e tirânica exorbitância dos preços da nossa electricidade.

    Reconhece o brilhante economista que uma das razões para a carestia é a ausência do nuclear, a mais barata, a mais segura das formas de produzir energia, e uma das menos poluentes, se não a menos poluente delas todas (as chamadas energias alternativas – solar e eólica – se não poluem com CO2, poluem, e não pouco, a paisagem, poluem pela ocupação de áreas absurdas, poluem os bolsos dos cidadãos e produzem pouco, o que é uma “incontornável” forma de poluição económica).

     

    Diante deste admirável quadro, o que faz o governo? O que faz a EDP?

    Para o governo, o nuclear está fora da agenda, por isso nem se discute. A EDP gaba-se de enxamear o país com florestas de moinhos de vento e de querer ocupar milhares de hectares com painéis solares. Nesta matéria, dizem, somos os maiores. Como sempre.

    É o fado: miseráveis, mas os maiores. Já o doutor Oliveira Salazar dizia o mesmo.

     

    António Borges de Carvalho

    E.T.

                                Uma notinha sobre os combustíveis

    – Em 2000, um barril de petróleo custava 63USD, ou seja, 70.00€ (1.00Eur=0.90USD).
    – Em 2008, um barril de petróleo custa 100USD, ou seja,
    66.6€(1.00Eur=1.520USD).

    Dados de 03.03.2008.

             Pergunta estúpida: então porque é que aumentam os combustíveis?

     

  • PEQUENINOS E ESTUPIDINHOS

    Muita gente vai a Bilbau ver o museu que ali foi construído com desenho de Franck Ghery, estrutura que se transformou em indiscutível ex-libris da cidade, e que representa, para ela e para a região uma monumental fonte de receita, directa e indirecta.

    Lá está, bem patente, ou “transparente”, como se diz em politicamentecorrectês, quem financiou o projecto, quem pagou a obra, quem a gere, os seus resultados, etc.

    Assinale-se antes de mais que a magnífica construção se fica a dever a um extraordinário fenómeno de coesão regional, comum em países de tradição anglo-saxónica mas não tanto na “latinolândia”. Os grupos económicos, os munícipes, as associações, os intelectuais, os mecenas aliaram-se às autoridades e conseguiram financiar uma infra-estrutura cultural e turística que atrai milhões de visitantes e de euros.

    Foi preciso visão, arrojo, capacidade de realização. Mas os resultados estão à vista. Quem se lembrava de ir a Bilbau antes de o museu estar a funcionar? Só em negócios ou de passagem se conhecia a cidade, abafada por outras bem mais interessantes.

     

    E por cá? Por cá houve um homem que teve uma ideia da mesma grandeza para Lisboa. Esse homem foi Santana Lopes. O local escolhido foi o Parque Mayer. Arquitecto, o mesmo de Bilbau. O financiamento, esse, era mais simples. Chegaria um casino (como os números já provaram) para prover à realização do sonho.

    O que aconteceu? Antes de mais, o Presidente da República, dr. Jorge Sampaio, não deixou passar o decreto. Não por se opor a um casino em Lisboa, como se veio a provar, mas porque não queria “aquele” casino, não gostava “daquele” presidente da câmara, não queria “aquela” solução. Ou seja, uma birra. Ou (mais) um favor com que Sampaio nos brindou a todos. Depois, nacional intelectualidade foi pelo mesmo caminho, como era de esperar. O provincianismo bacoco costuma ganhar todas as batalhas. Apesar disso, Santana Lopes perseverou. Longe da pequenez sampaísta e da arrogância intelectualóide, tratou de arranjar uma solução que mantivesse o rasgo, a ambição, a visão de futuro, o respeito pelo futuro da cidade, a sustentabilidade do projecto.

     

    São conhecidas as vicissitudes políticas que se seguiram. Não vale a pena rememorá-las. O que vale a pena é notar como o socialismo camarário veio a pôr o arquitecto na rua e a pedir uns projectinhos a uns gabinetes que para aí vegetam. Os resultados já começam a estar à vista. Não se trata de dotar a cidade de uma infra-estrutura que possa ser “atirada à cara” do mundo, como aconteceu em Bilbau. Trata-se, simplesmente, de proteger um mamarracho do modernismo salazarista (o Capitólio), de fazer mais uns apartamentinhos e uns escritóriozinhos, uns “equipamentos culturais”, e de “ligar” o Jardim Botânico à avenida da Liberdade. É evidente que a coisa vai primar pela inviabilidade, pela insustentabilidade, pela degradação. Isto se a chegarem a fazer.

     

    A pequenez mental triunfou mais uma vez. Não haverá remédio?

     

    António Borges de Carvalho
  • CHEGA-TE A ELES, OU DOS NOVOS SOCIALISTAS

     

    Há já muitos anos, apareceu em cena um ilustríssimo causídico, de seu nome Daniel Proença de Carvalho. Situando-se numa direita politicamente liberal, o homem foi director do Jornal Novo, grande folha de luta contra o totalitarismo do PC e o seguidismo do PS, Presidente da RTP com a AD, talvez ministro (já não me lembro), e muitas outras coisas que não saberei elencar, sempre ligado ao centro ou ao centro direita, ou à “ala liberal” da III República, ou ao que lhe queiram chamar.

    Nos últimos tempos, porém, foi tal a atracção que o poder exerceu sobre o douto democrata, ou foi tal o peso da idade, o inevitável colesterol, a chatice da arteriosclerose, ou ainda, na pior das hipóteses, alguma “hipótese” que não me atreverei a formular, que resolveu, primeiro, apoiar o costo-fernandismo lisboeta, depois o regime socretino, o qual, segundo apregoou, é a única alternativa em presença, ou seja, é a desejável alternativa a si próprio.

     

    Há mais ou menos os mesmos anos, um jovem jurista, de seu nome José Miguel Júdice, militava com fervor em áreas nacionalistas. Depois, democratizou-se. Apareceu no PSD, onde fez parte de várias alternativas tidas por de direita, colaborou no lançamento do “Semanário”, e em muitas outras coisas ligadas à direita do centro. Prosperou como advogado, armou-se em empresário, fez uma espécie de pousada em Coimbra – que não recomendo a ninguém – meteu-se na indústria dos comes e bebes e, segundo se diz para aí, até comprou um hotel no Porto.

    Tal como o colega Daniel, o José, nos últimos tempos, teve um ataque de situacionismo. Primeiro, lá vai ele apoiar o emergente costo-fernandismo. Depois –honni soît qui mal y pense – aceitou uma prebenda  de vastas consequências, ou seja, foi automaticamente convidado pelo senhor Pinto de Sousa para presidir à “zona ribeirinha”, ideia que parece ter ficado pelo caminho por intervenção de SEPIIIRPPDAACS. Mas o convite continua de pé.

     

    Não se percebe bem a estrutura mental, ou ideológica desta gente. A estrutura óssea, essa, deve estar com uma tal carga de osteoporose que as espinhas dos senhores perderam a força e se deixaram possuir por uma variedade terrível da doença, a socialistose aguda, que provoca deformação colunar grave, ainda que reversível. A melhor solução para este tipo de doença é, ou seria, uma boa viragem nas caldeirinhas do poder. Este tipo de colunas vertebrais reage muito bem a esta terapêutica, segundo um estudo da universidade de Cacilhas.

     

    O Irritado deseja as melhoras aos dois ilustres cavalheiros.

     

    António Borges de Carvalho
  • RECOMENDAÇÃO

    Querem um bom livro? Vão a www.independent.org, e comprem “The Che Guevara Myth and the Future of Liberty”, de Álvaro Vargas Llosa.

    Mostra à saciedade que as ideias do Guevara se resumem à defesa do poder centralizado – a maior fonte de sofrimento e de miséria para os pobres. Llosa põe os pontos nos is sobre o legado assassino do Che, fundado na subserviência da Lei aos mais poderosos, no esmagamento brutal da dissidência e na concentração do poder nas mãos de uma elite.

    É radical e chic andar de Tshirt com a cara do canalha aos gritos contra a pena capital, sem considerar que o homem foi um carrasco ao serviço de Fidel Castro, como o próprio admite no seu diário. O seu interminável rol de assassinatos atinge o clímax no abate de cerca de 400 prisioneiros políticos (há quem diga que foram "só" 200…), quando foi nomeado por Fidel para dirigir a cadeia de San Carlos de La Cabana, após a queda do regime corrupto de Fulgêncio Baptista.

    Llosa analisa também os atentados contra a Liberdade perpetrados pela esquerda e pela direita, apontando, fundamentadamente, para a verdadeira revolução que pode favorecer os pobres – a libertação do indivíduo dos constrangimentos do poder estatal em todas as esferas.

     

    A não perder.

     

    António Borges de Carvalho
  • PRÓS E PRÓS

     

    Mais um brilhante exemplo da “isenção” que o governo do senhor Pinto de Sousa soube introduzir no “serviço” público de televisão.

    O último “Prós e Contras” parecia um programa inventado pelo doutor Oliveira Salazar. Uma panóplia de ilustres senhores foi reunida para dar da Nação uma imagem de progresso, de estabilidade económica, de segurança financeira, de riqueza a rodos.

    Um ministro do governo, um banqueiro adepto das soluções socialistas para a banca privada, três ilustres manda-chuvas empresariais cheios de caroço, compunham a bancada dos VIP’s. A assistência afinava pelo mesmo diapasão. Chefes de “multinacionais” lusitanas, dos chapéus texanos(!) aos barracões de lata, tudo era festa. Um desgraçado de um rapazola quis, a certa altura, dizer que não era bem assim. Dona Fátima, prontamente, pô-lo na prateleira. Querias, filho, dizer mal do governo? Não querias mais nada? Ele há cada um!

     

    Uma vez, um ministro mais ou menos piadético disse que Portugal era um oásis. Durante anos andou a levar pancadaria e a ser ridicularizado por causa disso pela “comunicação social” e pela nacional bem-pensância. E, no entanto, nesse tempo o desemprego era um dos mais baixos da Europa, o crescimento era o dobro do de hoje, as contas do Estado não andavam mal… Chamar-lhe oásis era um exagero, com certeza. Mas tinha alguma razão de ser.

     

    Hoje, que estamos no estado em que estamos, o desemprego nos píncaros, centenas de milhar de portugueses a emigrar outra vez, um défice inventado a ser falsamente reduzido, um crescimento ridículo, uma desbragada tirania fiscal, uma segurança quase inexistente, uma justiça em cacos, um ensino aos tombos, há um monte de craques que passa três horas na televisão do Estado a dizer que vivemos no melhor dos mundos, que isso do desemprego é sinal de progresso, que tanto faz crescer um por cento como três, e mais o que lhes veio à cabeça para convencer as pessoas da excelência do senhor Pinto de Sousa e dos seus sequazes.

    E não há uma voz, um jornalista, um comentador, que se erga contra a governamentalização da RTP (e, já agora, da SIC, que vai pelo mesmo caminho), contra o optimismo aldrabófono de elites endinheiradas ansiosas por agradar ao governo, contra a manipulação descarada da realidade que pesa sobre todos nós.

     

    Quem disse que havia em Portugal massa crítica, líderes de opinião, informação propriamente dita, isenção, uso criterioso do que resta da Liberdade?

     

    António Borges de Carvalho
  • IRRITAÇÕES DOMINGUEIRAS

    CAMBADA DE INCOMPETENTES

    “Os professores são os bodes expiatórios da incompetência do governo”, disse um tipo qualquer, desses das manifestações. A contrária bem podia ser usada pelo senhor Pinto de Sousa: “ O governo é o bode expiatório da incompetência dos professores”.

    E eu, que não sou nem governo nem professor diria: “somos todos vítimas da incompetência do governo e da incompetência dos professores”.

     

     

    BIG BROTHER PARLAMENTAR

    É evidente que não é bonito que os parlamentares percam o seu tempo a ver pornografia nos computadores que a sociedade põe, generosamente, à sua disposição. A não ser que seja (fosse) para fazer algum estudo sobre tal comércio e a sua influência na saúde mental e sexual da Nação.

    Deve ser por isso que uma ignota funcionária, ao que parece poderosíssima (deve ser do PS) resolveu bloquear os ciber sítios onde se publicam as porcarias que os deputados vêm. O que levanta várias questões, qualquer delas muito mais grave que o facto de os senhores deputados terem entretenhas menos “ortodoxas”. Primeiro, para que a tal moralizante criatura saiba o que os deputados vêm, é preciso que tenha acesso ao que eles vêm, isto é, que seja utilizadora de um sistema informático que lhe permite saber para onde liga quem. Segundo, para que a dita funcionária bloqueie seja o que for, é preciso que para tal tenha poder. Quem lho deu? Com que legitimidade? Por alma de quem?

    É evidente que quem pode fazer tal coisa, pode entrar no correio de cada um – o que é proibido pela Constituição – e saber dos segredos de cada um, pessoais ou políticos. Sem mandato judicial, sem que ninguém seja suspeito seja de que malfeitoria for.

    Se, para os deputados, está em acção esta bigbrotherzinha do parlamento, imaginem o que o senhor Pinto de Sousa e o senhor Gama (inacreditável!) andam a fazer às nossas mensagens, aos nossos amigos, às nossas mulheres…

    A fulana deveria, se houvesse lei e ordem, e Democracia, em vez de prepotência e pidismo e autoritarismo, ir parar à cadeia, para já em prisão preventiva e, mais tarde, ao degredo, quiçá na Bielo-Rússia, em Cuba ou similares sítios onde as suas práticas são perfeitamente aceites e louvadas.

    Será que Portugal, por este andar, se está a tornar “similar”? A resposta é sim.

     

     

    GRANDE CAVACO

     

    Andaram para aí os costas, as rosetas, os fernandes e quejandos a gritar que a zona ribeirinha devia ficar sob a alçada da Câmara Municipal de Lisboa. Isto, apesar do evidente e profícuo trabalho que respectiva autoridade legítima tem vindo a fazer ao longo dos anos para pôr os alfacinhas a gozar as maravilhas do Tejo.

    Aquela gente quer poder. O que já tem, e que transforma a câmara num burocraticíssimo inimigo público, não lhes chega.

    Não, meus amigos, não se trata de fazer com que uma parte substancial dos proventos da APL sejam afectados a fins de qualificação das áreas não afectas ao serviço portuário propriamente dito, de acordo com planos para os quais a Câmara fosse consultada. Trata-se de poder. O poder de transferir para uma entidade arruinada as prerrogativas de poder que estão nas mãos de outra que, excepcionalmente neste pobre país, dispõe de meios financeiros, de tecnologia e de know how para fazer alguma coisa de jeito.

    Imagine-se o que seria a zona ribeirinha de Lisboa a ser discutida pelo saco de gatos da CML, com o Fernandes a dar ordens ao Costa, com a Roseta a “consultar o povo”, com a Sociedade Recreativa do Pontapé no Cu a ter o direito de gritar e esbracejar sobre o assunto…

     

    Bem fez SEPIIIRPPDAACS em mandar o decreto de volta. Espera-se que as manobras costo-socrafífias não lhe dêem a volta.

     

     

    ORTOGRAFIAS

     

    Aqui, no dicionário do meu computador, se escrever em inglês, é-me dado escolher entre o inglês do Reino Unido, o inglês da África do Sul, da Austrália, do Belize, do Canadá, das Caraíbas, dos EUA, das Filipinas, da Índia, da Indonésia, da Irlanda, da Jamaica, da Malásia, da Nova Zelândia, de Hong-Kong, de Singapura, de Trinidad e Tobago e do Zimbabué.

    Os ingleses não estão nada preocupados com as variantes da sua língua praticados por esta enorme série de países, ainda que com variantes próprias da sua circunstância, das suas raízes históricas e da sua livre e própria evolução. Daí mal não vem, antes pelo contrário, para os ingleses ou para os outros.

    Por cá, é ao contrário. Ou por saudade imperial, ou por inultrapassável estupidez, os nossos políticos e os nossos intelectuais têm a estulta pretensão de uniformizar a língua em vez de deixar que ela se enriqueça com os contributos de terceiros a nós ligados por razões históricas e linguísticas. Que mal haveria para esta chafarica se, nos dicionários informáticos, aparecesse português de Portugal, de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de São Tomé, de Timor, ou até de Goa e de Macau? Que mal haveria em dar, electronicamente, ao mundo, a ideia, tão mal espalhada, de que o português é falado em todos os continentes?

     

    Lá ratificaram o acordo ortográfico. Contra os mais evidentes interesses da Nação, a bem da afirmação da nossa pequenez, em vez de da nossa grandeza, ou do que dela resta.

    A coisa nada me afectará. Jamais utilizarei a “nova língua”. Escreverei como me ensinaram, ficarei fiel à lógica intrínseca que há na minha maneira de escrever a minha língua. Morrerei, certamente, antes que o flagelo do acordo ortográfico tenha produzido o seu monstro. Mas os meus netos, esses, herdarão do senhor Pinto de Sousa e de SEPIIIRPPDAACS uma confusão trafulha que inquinará a sua língua para todo o sempre se algum bom senso não vier a prevalecer daqui até à entrada em vigor da porcaria.

     

    António Borges de Carvalho

     

  • É FARTAR VILANAGEM!

    Andam por aí umas contas mais ou menos escanifaubéticas sobre os preços da gasolina.

    A primeira verdade a reter é que sessenta e um por cento do preço da gasolina 95 – a mais vendida – vão direitinhos para a “gerência” do senhor Pinto de Sousa e do senhor Teixeira dos Santos. Notável. Mais notável ainda é que, sendo o ISP calculado em função do preço, cada vez que este aumenta, aumenta o imposto. Não é?

    Ora bem. Entre 2004 e o fim de 2007, dizem eles, o petróleo, subiu de 23 para 66 euros, multiplicando-se, grosso modo, por 2,8. Se as gasolineiras tiverem uma margem de lucro de dez por cento do seu preço e o crude representar cinquenta por cento na formação do preço antes de impostos, teremos que a sua incidência no preço será de doze vírgula cinquenta e cinco por cento. Assim, para um preço de um euro por litro, aplicando o factor 2,8 a tal percentagem teremos uma incidência no preço final de doze cêntimos vírgula cinquenta e cinco. Ora como a gasolina aumentou, no mesmo período, de noventa e cinco cêntimos para um euro e trinta e seis (quarenta e um cêntimos), verifica-se que o preço final do combustível está inflaccionado, sem justificação, em mais de vinte por cento.

    Ou seja, o nosso distinto governo, com tantas “autoridades” a mandar nos preços, na concorrência, no raio que os parta, fez uma espécie de sociedade tácita com as gasolineiras para sacar mais vinte e três vírgula quarenta e cinco cêntimos por litro do que a subida do petróleo justificaria, sendo cinquenta e cinco por cento destes dinheiros para o governo e quarenta e cinco para as gasolineiras! Ao governo do senhor Pinto de Sousa convém, como é evidente, que as gasolineiras abusem. Quanto mais abusarem, mais o governo lucra. E para as gasolineiras, é galinha da perna que as coisas continuem tal e qual como estão.

     

    É fartar vilanagem!

     

    António Borges de Cravalho
  • MENTES PORNOGRÁFICAS

     

    Se vossa excelência for credor do Estado terá, por lei de iniciativa do PP, o direito de ver os seus créditos publicados.

    Mas a Lei é uma coisa e o socretinismo outra. O governo resolveu regulamentar o diploma, informando, em comunicado oficial, que os cidadãos credores têm um “novo direito de requererimento”.

    Antes de mais, observe-se este primor de pidismo: aos cidadãos, o socretinismo generosamente confere a extraordinária benesse de os superiormente autorizar a requerer. Quer dizer, cada vez que um cidadão achar que precisa de requerer seja o que for ao Estado, terá que se informar previamente se lhe assiste o direito de requerer, especificamente, essa coisa. Ou seja, acabou o direito de requerer o que muito bem apetecer a cada um. É o governo quem determina o que cada um tem o direito de requerer. Nem no auge do seu autoritário poder, ou nalgum momento de mandona paranóia,  passou uma destas pela cabeça do chefe da II República. A mente salazarista era o que lhe quiserem chamar, mas não era, como a desta gente, pornográfica.

    A brilhante maravilha legislativa do governo do senhor Pinto de Sousa não acaba aqui. Há credores e credores. Ao contrário do que a Lei postula, o Estado só publicará a suas dívidas àqueles que que assim o requeiram. E que o requeiram respeitando rigorosamente as formalidades para tal estabelecidas. Para já, têm que ter um computador e pagar o acesso à Internet. Quem não estiver familiarizado com as novas tecnologias não tem o direito de requerer. Essa de pegar numa folha de papel, escrever o que se pretende e mandar pelo correio, acabou. Mais. O Estado só publicará as suas dívidas se estas forem devidamente identificadas pelo requerente. E este arrisca-se a ver o requerimento indeferido. Que quer isto dizer? A resposta tem várias facetas. A primeira, evidente, é que o Estado não sabe o que deve nem a quem. A segunda é que o Estado quer identificar os credores que fazem o requerimento, com os fins de “persuassão” que também são evidentes. Quem não tem medo? A terceira é que cada informação pública das dívidas do Estado, ao contrário do que acontece com as dos contribuintes que são publicadas quer as aceitem quer não, são escrutinadas pelo devedor, sendo publicadas as que, provenientes de requerimentos, mereçam o reconhecimento do dito.

    Em resumo, a mente desta gente é de tal maneira pornográfica que pega numa Lei que o parlamento aprovou e trata de inviabilizar os seus objectivos por via administrativa, a qual – et pour cause… – não é passível de ratificação parlamentar, nem passa por Belém.

     

    Bem visto, não é?

     

    António Borges de Carvalho
  • DA DESCREDIBILIZAÇÃO DO SISTEMA

    Andam as distintas forças partidárias que temos à rasca com um problema que arranjaram, o do financiamento dos partidos políticos.

    Longe vão os velhos tempos em que se arranjava dinheiro onde o houvesse e cada um era livre de contribuir como lhe aprouvesse. Havia empresários que contribuíam para todos os partidos, eventualmente segundo a sua representatividade. As pessoas em geral davam os seus dinheiritos ao que mais lhes agradava. Da Suécia vinham umas massas e uns Volvos para o PS. Da Alemanha, as fundações políticas financiavam organizações ligadas ao PS, ao PSD e ao CDS. O PC sacava fortunas aos camaradas soviéticos. E por aí fora.

    Hoje, segundo o politicamente correcto, as coisas são totalmente diferentes. A “teoria geral” é a de que os partidos, como insubstituíveis pilares do sistema, devem ser financiados pelo Estado, segundo a expressão eleitoral de cada um. Tudo o resto, das quotas dos filiados às ofertas de empresas ou de quem quer que seja, deve ser minuciosamente escrutinado, se não proibido, a fim de evitar “favores” que a moral vigente supõe, com foros de certeza, estar por trás de cada donativo. Isto é, parte-se do princípio que ninguém dá nada sem pedir troco. Mesmo que se prove que não houve troco, ou que ninguém prove que o houve, para a moral vigente, houve, ou podia haver, o que é, em si, imoral e condenável.

    Compreende-se que o Estado dê uma ajuda aos partidos políticos. Mas a tendência para achar que tudo o que não vem do Estado é suspeito e condenável leva ao absurdo de todos acabarmos por sustentar, via impostos, organizações que consideramos abomináveis, exactamente como sustentamos as que nos agradam. Por outro lado, as limitações aos donativos levam ao inevitável divórcio entre os partidos e as pessoas, que passam a ter medo de passar a objecto de condenação se, voluntariamente, ajudarem quem lhes agrada.

    A confusão é total. Argumenta-se com a “promiscuidade” entre o que é público e o que é privado, como se o público fizesse algum sentido se não existisse o privado, como se os partidos não fossem organizações “privadas” com intervenção institucional no que é “público”, segundo a Constituição e a Lei.

    Mas parece que o politicamente correcto consiste em descredibilizar e suspeitar de tudo e de todos, em considerar os políticos e os respectivos partidos como suspeitos dos maiores crimes pelo simples facto de ser o que são.

    Tudo podia ser simples e claro como a água se quem quisesse, como quisesse, contribuísse para os partidos políticos, desde que “transparentemente”, como agora se diz. Isto é, desde que fosse obrigatória a publicação das listas dos doadores e das dádivas, como acontece nos EUA. As infracções a esta simples regra poderiam assim ser severa e justamente punidas.

    Enquanto se mantiverem as limitações e as suspeições que, com hipocrisia ou sujeição ao "correcto", andam na cabeça dos senhores deputados a este respeito, mais não se faz que fomentar as jogadas por baixo da mesa.

    Ao contrário do que parece estar na forja, a lei devia incentivar, por via fiscal, ou seja por via das disposições que favorecem o mecenato, os donativos aos partidos. Seria uma forma de tornar o sistema mais próximo das gentes.

    Mas, como de costume, nada de bom há a esperar desta gente, da maioria hipócrita do PS, da minoria estúpida do PSD, das mesnadas totalitárias dos partidos comunistas, ou da ausência de guts do PP. As suspeições, as condenações apriorísticas, as guerrinhas surdas, a caça às manchetes, a descredibilização do sistema, continuarão a fazer lei e a comprometer a liberdade do futuro.

     

    Quem não se respeita a si próprio como é que quer dar-se ao respeito dos demais?

     

    António Borges de Carvalho
  • FEITOS DO SOCRETINISMO

    FALTA DE TEMPO

    O fantástico aparatchick que dá pelo não menos extraordinário nome de Vitalino anunciou às ignaras gentes que o governo esteve ocupadíssimo a analisar os “aspectos positivos” da governação, não sendo interessante fazer de outro modo.

    Compreende-se.

    Se o governo analisasse os aspectos negativos, nem as vinte e quatro horas de todos os dias que faltam para o fim do mandato chegariam. Por isso, o senhor Pinto de Sousa e os seus ministros, tudo gente que não perde tempo com ninharias, “analisou” os aspectos positivos em dois minutos e, como já não tinham mais nada que fazer, puseram-se aos beijinhos de parabéns enquanto o senhor Vitalino anunciava ao povo a boa nova.

    Obrigado!

     

    RECUOS

    A ministra da deseducação, ou seja, dos professores, voltou atrás. À boa maneira socrélfia, o seu respeito pela verdade fê-la dizer que não voltava atrás ao mesmo tempo que anunciava que voltava atrás. Não há, nisto, nem novidade nem surpresa. A filosofia do chefe comunica-se aos subordinados.

    Surpreendente é que a ministra, apesar dos bons conselhos do Irritado, ainda não tenha percebido que pode voltar atrás à vontade sem que isso contribua minimamente, para aplacar a “justa” fúria dos sindicatos, do PC e dos “professores” que andam para aí aos gritos.

    Se ela não fosse membro do governo do senhor Pinto de Sousa, o Irritado até tinha pena dela.

     

    DA JUSTIÇA DO SOCIALISMO

    Os pobres não têm imaginação nem dinheiro para investir em coisas complicadas. Aliada a uma histórica quão absurda confiança no Estado, esta circunstância leva-os a comprar “certificados de aforro”, a embarcar (pouco) nos novos PPR’s estatais, e a outros infelizes actos de má gestão das suas magríssimas poupanças.

    Sabido isto, o governo socrapífio não está com meias medidas. Vai-se aos certificados e dá-lhes um porradão de meia-noite. Uma nova e genial “fórmula de cálculo” – horrível maquinação – atira os juros dos certificados para o nível mais baixo da história. Há certificados que, num só mês, viram a taxa de juro descer de 3,7 para 2,4 por cento, isto é, uma descida de 54 por cento! Isto, enquanto sobem as prestações da habitação, os preços de produtos e serviços, etc.

    Ponham-se a pau os que cometem o monumental erro de apostar nos novos complementos de reforma oferecidos pelo socialismo. De falsas promessas está o socrapifiosismo cheio.

    É assim o socialismo. Esmagar a classe média, alargar a miséria, enaltecer o partido, alargar os tentáculos do Estado, espartilhar a economia, meter os ricos na sua órbita, tudo isto a bem do povo, como é de ver.

    António Borges de Carvalho
  • VÊM COMO É?

     

     

    Num gesto bem demonstrativo das ingentes preocupações que o governo socretino tem com a nossa segurança, foi, com magna pompa, anunciado que vamos ter nada mais nada menos que mais dois mil polícias. Dias antes, o senhor Pinto de Sousa tinha, com igual pompa, dito que meter mais polícias seria “uma irresponsabilidade”. Como o homem não costuma dizer verdades, tanto faz. Ninguém poderá saber o que é irresponsável: se metê-los, se não os meter. Trata-se de um mero teasing destinado a manter o povo suspenso das palavras dos fulanos. Nunca se sabe o que sai daquelas privilegiadas cabecinhas. Ou então a coisa é mais sofisticada: o que eles querem é contribuir com dois mil postos de trabalho para a conta dos cento e cinquenta mil que prometeram. É claro que também prometeram diminuir o número de funcionários públicos e que, de uma assentada (dizem que) vão admitir dois mil. Enfim, dentro da lógica socretina, tudo encaixa.

    A malta já não liga. Digam lá o que lhes apetecer que nós já sabemos que o que vocês dizem hoje é o contrário do que disseram ontem, duas vezes mentira, sem que, nas vossas altas mentes, isso tenha importância alguma.

     

    O que estaria em causa, se o socretinismo tivesse pensamento em vez de popagandite aguda, seria esta coisa simples de as pessoas, ao contrário do que acontece nalgumas cidades civilizadas, terem que andar feitas Diógenes para descobrir um polícia na rua. E, no entanto, polícias há muitos. O nosso mal é que, ou andam, imponentes, a passear, devidamente motorizados, ou estão nas secretarias a fazer cera ou a preencher formulários. Só se dignam aparecer, parando as suas viaturas aqui e acolá, de preferência nas faixas de rodagem ou em cima dos passeios, quando se trata de caçar multas. Para o cidadão comum, é mais fácil encontrar um perneta que um polícia. A função de vigilância dissuassora e de auxílio público deixou, há muitos anos, de existir. Já não há uma mãe que diga ao filho “se te perderes pede ajuda a um polícia”, pela simples razão que a criancinha iria de Lisboa a Santarém sem encontrar um só que fosse.

     

    Não descansa ninguém que o governo contrate mais dois mil polícias. O que ia coisa significa para o comum dos mortais é que se vai gastar mais uns milhões em vencimentos, subsídios, pistolas, cacetes, algemas, fardamentos, formulários, instalações, escritórios e, sobretudo, motocicletas e automóveis. De maneira nenhuma significa que as condições de segurança de cada um vão melhorar.

    É claro que mudar o status quo significaria ver os sindicatos, as associações, o PC e associados na rua, aos gritos que se está a mexer em “direitos”, a dar cabo das “carreiras”, a faltar ao “respeito” à classe, etc. blá blá. Também é claro que o governo se está a encolher todo, borrado de medo da rua. Por conseguinte, minhas senhoras e meus senhores, esta nobre iniciativa tem um só significado: vai ficar tudo na mesma. C’est la vie.

     

    *

     

    Não resisto a contar uma pequena história, a título de apontamento.

    Numa aldeia do concelho de Cascais onde costumo passar os fins de semana, a Guarda Republicana, após uma sucessão de assaltos, resolveu, generosamente, colocar um “posto móvel” (uma carripana) na rua, a fim de prover à segurança dos cidadãos. Muito bem.

    Vejamos agora como é que a coisa funciona:

    Chegado a casa na sexta-feira passada, dou com dois vidros destruídos à pedrada. Os assaltantes não tinham chegado a entrar, felizmente, talvez porque as portadas interiores resistiram à investida.

    Ainda bem, pensei eu, ainda bem que temos o “posto móvel”. E lá fui, parvalhão, até à carripana. A coisa tinha uma porta lateral aberta. Lá dentro, uma mesa. Sentados frente a frente dois GNR’s, gordos e bigodaças. Um lia uns papéis. Outro fazia bonecos numa folha A4. Em cima da mesa, uma profusão de telemóveis, walky talkies e outros instrumentos que não identifiquei.

    Cumprimentei os senhores e contei a minha história.

    – Terá que ir a Cascais apresentar queixa.

    – Mas… se os senhores estão aqui…

    – Não temos computador, não podemos tomar conta da ocorrência.(!!!)

    – Bom, enfim, mas… se quiserem vir ali a casa ver o que se passou… eu agradecia.

    – Não vale a pena.

    – São só uns trezentos metros!

    – Não podemos abandonar o posto.

    – Bem, então… mas… não podiam tomar nota, a fim de que as vossas patrulhas, ao menos, passassem pelo local?

    – Está bem, vou deixar nota para os meus camaradas da noite.

    E o homem garatujou uma coisa qualquer na folha dos bonecos. Não me perguntou, sequer, onde era a casa.

    – Mas… o senhor não quer vir ver onde é?

    – É ali para cima, não é?

    – É, é…

    – Então fique descansado. Boa tarde.

    – Boa tarde.

    E lá ficaram os dois barrigudos, muito bem sentadinhos, um a fazer bonecos num papel, outro a ler as NEP’s (?).

     

    Vêm como é?

     

     António Borges de Carvalho
  • CORPORAÇÕES

    A ditadura consagrou, na Constituição de 1933, o chamado regime corporativo. Segundo ele, a sociedade organizava-se em “corporações”, e estas eram formadas pelos vários corpos sociais de cada sector, reunindo sindicatos, organizações patronais e todas as forças vivas relacionadas com uma mesma actividade. Havia a corporação da indústria, a do comércio, e por aí fora. É evidente que se tratava de uma forma engenhosa de controlar as forças sociais. Os sindicatos e as associações eram comandados por comissários políticos do governo, a greve era um crime. Não havia direito de manifestação, a não ser que fosse a favor do governo. Ao chamado povo era dada a ilusão de uma paz social permanente e desejada. A fictícia construção tinha representação política, na Câmara Corporativa, integrada também pelos inevitáveis comissários políticos de nomeação governamental.

     

    A Democracia, como é óbvio, acabou com tudo isso. Os sindicatos, depois da tentativa de monopolização do PC, passaram a ser livres, a eleger os seus dirigentes, o mesmo se passando, do outro lado, com as associações patronais. A greve passou a ser legal, o direito de manifestação também. Os partidos políticos, sequiosamente, passaram a disputar influência nas organizações profissionais. O PC apoderou-se de uma central que continua a controlar com estalinista mão de ferro, o PS, o PSD e o CDS conseguiram uma influência mais modesta. Nos últimos tempos, assiste-se ao espernear do BE, a querer meter-se onde o PC acha que não é chamado.

     

    As corporações do salazarismo desapareceram. Mas, ao longo dos anos, começaram a surgir, espontâneas, novas corporações. Defendem interesses particularistas por todos os meios e acções, não deixando ou não querendo deixar acabar, ou cair em mãos alheias, qualquer direito ou privilégio, por insignificante que seja. 

    É vê-las todos os dias, ferozes e influentes, na televisão, nos jornais, na rua, chegando a ultrapassar os partidos sempre que se trate de defender o status quo e de condenar seja que reforma for. Para as corporações todas as reformas são más, todas as mexidas no que consideram “direitos” são condenáveis, tudo o que ofenda as capelinhas corporativas é obra demoníaca.

     

    O que se está a passar com os professores, sob o comando de um feroz leninezinho bigodaças, é bem o exemplo do que acima digo. O homem conseguiu reunir, atrás da sua bandeira, que é a bandeira do “social-fascismo” disfarçada de “justa indignação” e de defesa do direito e do “respeito” virtualmente devido à nobre classe dos “professores”.

    É evidente que, se o ensino está como está, e há tantos anos, não pode deixar de haver culpas, e não poucas, dos chamados professores. Isto mete-se pelos olhos dentro. Basta olhar. Basta ouvir “professores” a clamar na televisão, dando horríveis pontapés na gramática, para ajuizar da qualidade geral da classe.

    Pode dizer-se, e com razão, que ao alargamento exponencial do número de alunos, de escolas, de cursos, não podia deixar de corresponder alguma desqualificação do ensino. Pode dizer-se, e com razão, que as mitigadas exigências curriculares dos professores têm o mesmo resultado. O que se não pode dizer, ou disfarçar, é a necessidade de pôr alguma ordem na casa, com o mais que legítimo objectivo de elevar o nível da docência em Portugal. Mas a corporação não está para isso. Consegue, para além dos partidos e dos sindicatos, reunir dezenas de milhares de pessoas e uni-las na nobre intenção de conseguir a continuação do sistema de promoções por antiguidade, sem qualquer influência da prestação de cada um na progressão profissional.

    Não sei se o sistema inventado pela ministra é bom ou mau. Para o Irritado, o que vem do governo do senhor Pinto de Sousa é, por princípio, mau. Mas, goste-se ou não, o que está em causa não é “esta” avaliação. É toda e qualquer avaliação que passe a condenar o mau trabalho de tantos e a introduzir alguma justiça no sistema.

     

    As outras corporações (médicos, magistrados…) praticam a mesma “religião”, ainda que não consigam a mobilização que o PC e os seus aliados ocasionais vão conseguindo. Não nos toquem, que nos desafinam. As coisas estão muito bem assim. Qualquer mexida pode ser a morte do artista, porque o artista está adaptado ao que existe e não tem disponibilidade a não ser para o imobilismo.

     

    Morreram as corporações salazaristas. A trinta e tal anos de distância, já não se sabe o que é pior, se a ficção político-social da ditadura se a realidade das novas corporações, claramente apostadas em paralisar toda e qualquer evolução da sociedade, assim cortando as pernas ao futuro.

     

    António Borges de Carvalho
  • BESTIALIDADE PARANÓICA

    O jornal privado que se chama “Público” arranjou uma forma original de comemorar os dezóito anos, ou seja – nas palavras do próprio – “a maioridade”.

    Consistiu tal celebração em dirigir um convite ao eminente intelectual, emérito historiador do comunismo e inimigo figadal do PSD, que dá pelo histórico nome de Pacheco Pereira.

    Até aqui, tudo bem.

    Julgar-se-ia que tão ilustre personagem aproveitaria a ocasião para expender as suas não menos ilustres ideias sobre o “estado da Nação”, o nosso presente e o nosso futuro. Mas não. Possuído da mas rebuscada raiva, o homem resolveu repisar o assunto do Casino de Lisboa, mexendo e remexendo no que já está dito e redito por inúmeros perseguidores profissionais do PSD e do CDS e pondo em causa a honorabilidade de uma data de gente. O homem espiolhou datas e contra datas, telefonemas e outras indiscrições pidescas, decretos e portarias, cartas e contra cartas, tudo com o nobre propósito de dar pancadaria nos drs. Santana Lopes, Paulo Portas e Telmo Correia.

    Diria algum desprevenido observador que, sendo o inigualável académico membro de um partido da oposição, dedicaria a mente e a pena a criticar o senhor Pinto de Sousa e os seus apaniguados e seguidores. Qual quê! Importante, para ele, é dar cabo do próprio partido e ajudar o dr. Menezes a fazer mais asneiras. Ainda mais importante, porém, parece ser rebentar com os governos anteriores. Parece um tarado a pisar a sepultura do inimigo. Ainda por cima não arranjou outra coisa para zurzir senão a repugnante e requentadíssima história do casino, a fazer lembrar a fábula do lobo e do cordeiro: se não foste tu foi o teu pai, o teu irmão, o teu amigo, hei-de os comer a todos!

    A raivosa paranóia do fulano agarra-se a tudo. Ele é a história de uma carta que o homem do casino escreveu, como se, todos os dias, não houvesse tipos a escrever aos membros do governo a propor isto e aquilo. Os governantes do tempo são culpados, imagine-se, não de escrever uma carta, mas de a mesma lhes ter sido enviada! Agora, é a macacada de um despacho inconclusivo que parece ter sido assinado em data diferente da que nele consta. O Irritado desafia todos, mas todos os membros de todos, mas todos os governos, a declarar que nunca o fizeram. Toda a gente sabe que, as mais das vezes por razões ou buracráticas ou absolutamente inócuas, se assinam despachos com a data que mais convém. Haverá alguém que o não tenha feito? Não há. O que, manifestamente,  pouca importância tem. Mas, se se tratar de alguém do PSD ou do CDS, ou que tenha feito parte dos negregados governos da direita democrática, para o senhor Pacheco a coisa passa a nefando crime.

    O senhor Pacheco bateu no fundo. Não há quem ainda não tenha percebido que o Estado não foi, bem pelo contrário, prejudicado pelo negócio do casino. Mas é preciso, pensa a paranóica criatura, continuar, ad nauseam, a bater em tais governos. Para isto, é preciso  ser uma besta. Ou não?

     

    O senhor Pinto de Sousa, nos durados corredores da sua dourada residência, rebenta a rir. Se não fosse a ajuda dos Pachecos onde é que ele já iria?

     

    António Borges de Carvalho
  • DO AQUECIMENTO GLOBAL

     

    Quando o Irritado se revoltou contra os negócios do senhor Al Gore, não faltaram almas puras a chamar-lhe nomes. Houve até quem lhe mandasse literatura vária sobre o assunto, na esperança de o fazer alterar as suas incorrectas posições. O Irritado não cedeu. Continuou a achar que se assiste, acefalamente, ao espalhar mundial do terror, com o inconfesso, ou insuspeitado, objectivo de proporcionar chorudos lucros aos algores deste mundo e a muitos outros interessados, cientistas, jornalistas, industriais, comerciantes, bancos, etc.

    Tornou-se “correcto”, “bem”, “de esquerda”, aceitar sem comentários, meter nos neurónios a nova “verdade inconveniente” do senhor Al Gore e dos seus apaniguados, que descobriram o belo nicho de mercado que põe a humanidade num transe, num pânico, numa ansiedade.

     

    Por cá, à custa do futuro, proliferam os novos moinhos de vento, a estragar a paisagem e a implicar investimentos cujo retorno se fará à custa de uma inaudita brutalidade nos preços da energia. Vão ver. Portugal orgulha-se dos mamarrachos que rodam ao vento por esse país fora. Prepara-se, por outro lado, para ser bom aluno na luta contra o aquecimento global, sem que ninguém tenha provado que Terra aquece por obra humana. Os bio-combustíves, mais um fruto do “correcto”, vão dar cabo do que resta de auto-suficiência alimentar do país. O nuclear, a forma mais limpa e mais barata de produzir electricidade, está “fora da agenda” do governo. Lá virão as inevitáveis barragens, isto se não lhes acontecer o que se passou com Foz Côa e os interesses dos vivos e dos vindouros não forem sacrificados aos do mesozóico inferior.

     

    Mas há sinais de esperança. Finalmente, um académico, o professor Delgado Domingos, insuspeito ecologista e anti-nuclearista, veio pôr em causa a demagogia populista do algorismo. Lá fora, há já quem estude o enorme potencial económico, territorial e humano do novo continente que o degelo do Ártico poderá pôr à luz do sol. Nos EUA, o Heartland Institute reuniu um painel de cientistas que analisou os dados disponíveis e concluiu que o aquecimento global não tem nada a ver com a actividade humana, mas sim com questões muito mais vastas e completamente fora do nosso alcance e da nossa influência.

     

    É claro que as almas correctas e bem pensantes, sobretudo de esquerda, dirão que o Professor Domingos está louco e que o Heartland Institute, sendo de tendência liberal, não é digno de confiança. A esquerda militante ladrará que são os interesses do capitalismo global quem põe em causa a filosofia do pânico, a fim de explorar os povos mais à vontade. Nem sequer são capazes de perceber que quem põe em causa os pobres deste mundo são as interesseiras teorias do algorismo e da coorte de oportunistas que atrás dele se acotovela, à procura de subsídios, indústrias e empreitadas.

       

    O Irritado recomenda, como literatura sobre o assunto, o livro “States of Fear”, www.amazon.co.uk , onde muitas das teorias algóricas são devidamente tratadas.

     

    António Borges de Carvalho
  • NOTÍCIAS DESTA COISA E DO MUNDO

    Podem os nuestros hermanos estar descansados. O senhor Sapateiro, ontem, no debate com o senhor Rajoi, garantiu ao povo que criaria dois milhões de novos postos de trabalho.

    O socialismo é assim! Por cá, como somos mais pequenos, o socialismo ficou-se por uma promessinha de cento e cinquenta mil.

    A avaliar pelos resultados, a coisa, em Espanha, vai dar em mais uns três milhões de desempregados, largamente compensados por uns cem mil novos empregos.

    Os números não enganam, quem engana é o socialismo.

     

    O senhor Crespo, grande defensor da língua portuguesa, disse ontem que “é preciso pôr um fim terminal à violência”. Antes isso. Se fosse um fim inicial era pior.

     

    O mesmo senhor Crespo acha um escândalo que os adeptos do Benfica tenham, ao Domingo, “obrigado” a fechar a segunda circular. Num país onde qualquer manifestação, pequena ou grande, obriga a fechar artérias vitais para quem trabalha em dias úteis, compreende-se o horror do senhor Crespo. Se for o PC, o sindicato dos dentistas ou a semana académica, tudo bem. Se se tratar de futebol, tudo mal. Ora bolas para a bola… do senhor Crespo.

     

    Em notável demonstração de portuguesismo, o novel escritor Paulo Catarro, no lançamento de um seu livro sobre não sei quê, afirmou que nele podem-se ler… não sei o quê.

    Não cabe ao Irritado explicar ao senhor Catarro porque se diz pode ler-se, já que isto de sujeitos indeterminados, concordâncias, etc., é coisa que, certamente, o ultrapassa. Espera-se, ainda que seja altamente improvável, que os revisores da editora do senhor Catarro saibam alguma coisa do ofício.

     

    Dona Edite, muito conhecida por, como o senhor Catarro, pôr no plural infinitivos impessoais, declarou, em nome dos eurodeputados portugueses do PS, o seu apoio incondicional ao senhor Sapateiro, nas eleições espanholas. É óbvio que, logo a seguir a este importantíssimo apoio ter sido divulgado em Espanha, o senhor Sapateiro subiu vertiginosamente nas sondagens. Outra coisa não era de esperar, dada a cósmica importância da dona Edite.

     

    A Igreja Católica parece estar a proceder a mudanças de fundo na sua política externa. O número um da Cúria Romana apressou-se a apresentar, pessoalmente, as suas saudações apostólicas ao novo ditador de Cuba. Foi o primeiro “político” mundial a fazê-lo. Agora, o mesmo reverendíssimo senhor vai ao Azerbeijão, país muçulmano governado por uma horrenda dinastia de tiranos comunistas. Não se percebe bem porque há-de a Igreja, tão acusada, às vezes injustamente, de pactuar com regimes paranóicos e desumanos, se presta a estas coisas. A não ser que queira demonstrar a real existência do inferno.

     

    Por critérios que a razão desconhece mas o orçamento consagra, o IMI vai aumentar. Assim: em 2008, 120 euros; em 2009, 135; em 2010, 150; em 2011, 165.

    Mais um inestimável contributo do socrelfismo para o bem-estar do povo. Tanto mais, diz o governo, que se trata de um aumento progressivo, protegendo a carteira do cliente, por intermédio de uma generosíssima “cláusula de salvaguarda” que sobre todos lança a mão protectora do senhor Pinto de Sousa.

    Gratias agamus tibi, ó grande benfeitor das gentes!

     

    A DGV foi substituída ela ANSR e pelo IMTT. A ANSR, coitada, não pode mexer nos arquivos do IMTT, onde estão as multas do trânsito da DGV. Daí que o governo, numa genial inspiração, em vez de pôr o computador da ANSR em sintonia com o do IMTT, ambos ex-DGV, tenha resolvido contratar a ordem dos advogados para processar vinte mil tenebrosos cidadãos que não pagaram as multas (contra-ordenações!!!) do estacionamento. Saúde-se mais esta preciosa iniciativa das autoridades competentes. Em vez de pôr as coisas (os computadores e os funcionários)a funcionar,  vai pagar outsourcing aos advogados.

    Quanto ao que as siglas querem dizer, bem como para saber porque se fez mais esta brilhante “reforma do Estado”, queiram V.Exas contactar o “site” do governo. O Irritado não está para isso.

    ABC

     

     
  • ZANGAS

    Anda tudo à bordoada.

    O ministro da agricultura, um imbecil (quem ainda não deu por isso?) diz asneiras e graçolas. O primeiro-ministro não se importa e chega ao ponto de pôr as culpas ao ofendido.

    A ministra de educação leva pancada de meia-noite dos professores (professores?). A ex-secretária de estado da educação, horribile visu!, uma fulana que se queixava dos paginadores dos jornais que a deixavam fora da fotografia, desanca a ministra com os mais vis epítetos.

    O procurador geral está zangado com os polícias. Os polícias odeiam o procurador geral. O chefe da polícia também. O ministro assobia para o ar. Os sindicatos dos magistrados estão cronicamente zangados com o governo. Os dos polícias também. Os advogados, zangadíssimos, processam-se uns aos outros.

    A ponte, que tinha um sítio escolhido deixou de o ter e passou a três pontes e um túnel, não se sabendo ao certo, neste caso, quem se zangou com quem, ou se as pontes e o túnel são para comboios ou para automóveis, ou para o ex-PR Sampaio fazer maratonas, lado a lado com o afilhado Pinto de Sousa.

    O senhor Pacheco Pereira está permanentemente zangado, desancando na família como um desvairado. Um dia destes começa a deitar fumo pelos ouvidos. Outros o seguem, em grande alarde de fervor partidário. O clínico Meneses zanga-se com os pactos. Os parceiros dos pactos desatam à martelada na cabeça do clínico.

    O senhor Alegre zanga-se por achar que há falta de esquerdismo. O senhor Pinto de Sousa, zangado, gostava de limpar o sarampo ao senhor Alegre, mas tem medo de ficar mal na fotografia.

    Os arquitectos estão zangados com o primeiro-ministro, sem qualquer dúvida culpado dos mais desbragados pontapés na paisagem, no urbanismo e num mínimo de bom gosto.

    Um tipo que levou um enxerto de bordoada sem saber porquê (ou sabendo?) viu o processo arquivado. A malta zanga-se com os juízes que fazem destas e começa a pensar que a cambada de assassinos que para aí anda à solta vai ver os crimes prescritos.

    O senhor Valentim está zangado com a morgadinha dos processos, e ela com toda a gente.

    O senhor Isaltino zangou-se com o juiz, e até lhe aplicou a receita do costume por causa de um bidé fora do sítio.

    O camarada Jerónimo está, cartilha oblige, irreversivelmente zangado com o senhor Pinto de Sousa.

    O camarada Loiça está perdido de fúria, de tal forma que até acha que o senhor Pinto de Sousa é liberal!

    Os tipos da Madeira deram um porradão ao ministro das finanças. O ministro das finanças, para se vingar, diz que vai meter sessenta e tal mil contribuintes na cadeia.

    Os jornais, ainda que já tenham percebido que o casino de Lisboa foi o melhor negócio que o Estado fez nos últimos cento e cinquenta anos, continuam a encher papel com a história. Têm que se zangar com alguém. Uma questão de marketing.

    Os desempregados estão zangados com o governo, ou seja, ainda não perceberam que o que o governo só tem a ver com emprego (não foi isso o que prometeu?), não lhe dizendo respeito essa estúpida história do desemprego. Burros.

    Os tipos do taco zangam-se uns com os outros e põem-se a lavar roupa suja no meio da rua. Depois abaixam-se, e lá vem o governo dar uma ajudinha. Com esses é melhor não se zangar. Se o taco começa a fugir (ainda não começou?) é o fim da macacada.

     

    Enfim, estejam descansados. O senhor Pinto de Sousa, extremoso pai do socretinismo, vela sobre nós.   

     

    António Borges de Carvalho
  • CULPAS

    Esta coisa – Portugal – tem várias vantagens comparativas em relação à demais “Europa”. Não, não estou a falar do sol, nem da luz de Lisboa, nem dos brandos costumes. O que sublinho, desta vez, é a extraordinária capacidade dos portugueses para identificar com precisão quem não está na origem dos seus males.

    Assim:

    – Se a Justiça anda de rastos, é evidente que a culpa não é dos juízes, nem dos procuradores, nem dos funcionários, nem dos advogados; andam todos preocupadíssimos com assuntos mais relevantes;

    – Se cada vez há mais assaltos e mais assassínios, é evidente que a culpa não é dos polícias, que andam a passear de automóvel em vez de fazer rondas;

    – Se a educação não presta, é evidente que a culpa não é dos professores, que mal têm tempo, coitados, para fazer manifestações:

    – Se a saúde dá raia, é evidente que a culpa não é dos médicos, nem dos enfermeiros, nem das empregadas da limpeza, todos eles demasiado ocupados com a defesa das respectivas carreiras;

    – Se as pontes caem, é evidente que a culpa não é dos engenheiros (engenheiros?);

    – Se ninguém sabe se se deve, ou não, reconhecer o Kosovo, é evidente que a culpa não é do governo, que se está nas tintas para o assunto;

    – Se as ruas estão sujas, é evidente que a culpa não é dos almeidas, que têm uma vida muito dura;

    – Se as sarjetas estão entupidas, é evidente que a culpa não é da câmara, que é um conjunto de celebridades, não uma equipa de desentupidores de sarjetas;

    – Se não há investigação científica, é evidente que a culpa não é dos investigadores, que até queriam, mas…

    – Se os impostos aumentam todos os dias, a culpa não é do governo que, coitado, mais não faz que obter meios para pagar as despesas que o povo ignaro lhe arranja.

     

    A culpa disto tudo, garanto, também não é do Irritado, que não tem culpa nenhuma de ser português.

     

    E, embora alguns ignaros digam o contrário, a culpa não pode ser do senhor Pinto de Sousa, coitado, que só quer o nosso bem. Não é?

     

    António Borges de Carvalho

     

     
  • ALGUMAS PROPOSTAS ACERCA DA PERIGOSA MARIA DA FONTE

     

     

    Ontem, num programa da SIC Notícias dedicado a temas económicos e dirigido por aquele rapaz simpático de olhar fixo e ausente, o genial professor Campos e Cunha afirmou que a SEDES, ao “ameaçar” o Povo e a Democracia com uma golpada, não se referia, nem pensar, a um golpe militar, mas a qualquer coisa tipo Maria da Fonte. O Irritado, modestamente mas com conhecimento de causa, propõe a sua excelência que acrescente os Cabrais, o João Brandão e o Zé do Telhado à lista dos eventuais golpistas.

     

    Outra notável e insistentíssima afirmação do professor, bem como do seu acompanhante, tem a ver com a “comunicação social”, que a SEDES acusou de estar por detrás de muitas das milongas com que o país se vai entretendo, e enterrando. Opinam repetidamente os ilustres académicos que, ao dizê-lo, a SEDES se referia a “certa comunicação social”, e não à comunicação social em geral. Compreende-se que os senhores quisessem excluir a SIC das malfeitorias que à “comunicação social” atribuem, uma vez que seria indelicado acusar a estação anfitriã de tais malfeitorias. O Irritado, a fim de poder dar algumas orientações aos seus leitores e evitar confusões, propõe a suas excelências que especifiquem quais os órgãos de comunicação que consideram “bons”, e quais os que, na sua douta opinião, constituem a legião dos maus.

     

    Finalmente, perante a desdita do chefe do programa acerca do facto de as denúncias da comunicação social, às vezes, não darem em nada, o Irritado propõe que, de acordo com o referido senhor, todos os acusados pela comunicação social sejam imediatmente presos e enviados ao establecimento prisional competente (talvez um campo de concentração), o que aliviaria os polícias, os procuradores, os advogados e os tribunais, poupando tempo ao Estado e dinheiro ao contribuinte.

     

    E mais não propõe o Irritado, na esperança que a comunicação social – sem que os doutos académicos nos esclareçam não se sabe se a má se a boa –  o não condene por ofensas ao respeito intelectual sem dúvida devido aos intervenientes no debate.

     

    António Borges de Carvalho