Andam por aí umas contas mais ou menos escanifaubéticas sobre os preços da gasolina.
A primeira verdade a reter é que sessenta e um por cento do preço da gasolina 95 – a mais vendida – vão direitinhos para a “gerência” do senhor Pinto de Sousa e do senhor Teixeira dos Santos. Notável. Mais notável ainda é que, sendo o ISP calculado em função do preço, cada vez que este aumenta, aumenta o imposto. Não é?
Ora bem. Entre 2004 e o fim de 2007, dizem eles, o petróleo, subiu de 23 para 66 euros, multiplicando-se, grosso modo, por 2,8. Se as gasolineiras tiverem uma margem de lucro de dez por cento do seu preço e o crude representar cinquenta por cento na formação do preço antes de impostos, teremos que a sua incidência no preço será de doze vírgula cinquenta e cinco por cento. Assim, para um preço de um euro por litro, aplicando o factor 2,8 a tal percentagem teremos uma incidência no preço final de doze cêntimos vírgula cinquenta e cinco. Ora como a gasolina aumentou, no mesmo período, de noventa e cinco cêntimos para um euro e trinta e seis (quarenta e um cêntimos), verifica-se que o preço final do combustível está inflaccionado, sem justificação, em mais de vinte por cento.
Ou seja, o nosso distinto governo, com tantas “autoridades” a mandar nos preços, na concorrência, no raio que os parta, fez uma espécie de sociedade tácita com as gasolineiras para sacar mais vinte e três vírgula quarenta e cinco cêntimos por litro do que a subida do petróleo justificaria, sendo cinquenta e cinco por cento destes dinheiros para o governo e quarenta e cinco para as gasolineiras! Ao governo do senhor Pinto de Sousa convém, como é evidente, que as gasolineiras abusem. Quanto mais abusarem, mais o governo lucra. E para as gasolineiras, é galinha da perna que as coisas continuem tal e qual como estão.
É fartar vilanagem!
António Borges de Cravalho

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