IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • VENDA DA CRIANÇAS

     

    Na sôfrega ânsia de extorquir dinheiro às pessoas, o governo socialista acaba de lançar um imposto sobre… a adopção!

    Os candidatos a pais adoptivos deixaram de ser pessoas que ajudam o Estado e as crianças à sua guarda a resolver o problema dos bebés sem família. Para o socialismo, as crianças à guarda do Estado são uma mercadoria que se vende aos interessados. Ainda não se chegou ao ponto de as entregar a quem der mais, mas lá chegaremos. Deus queira que o senhor Santos não leia este post, senão entramos na era dos leilões não tarda nada.

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. Parece que, afinal, o governo recuou nesta matéria, como em muitas outras. A bronca era grande. A ver vamos como o senhor Santos vai compensar o recuo.
  • INFORMAÇÃO?

    1. O interessantíssimo jornal SOLcrates é tão socrista que, quando lhe foge a boca para a verdade, acaba por meter os pés pelas mãos. Este Sábado, o senhor Ramires, num assomo de argúcia, ou de inteligência, escreve sobre o apetite do PS pela comunicação social e sobre a forma, carregada de êxito, como a domina. O leitor fica, encantado, na ilusão de que o periódico possa ter mudado de política. Baldada esperança! Duas páginas depois, o relatório da ERC é classificado de “rematado disparate”, chegando o SOLcrates ao ponto de dizer que, se o senhor Meneses aparece pouco na RTP, ainda bem, porque devia aparecer ainda menos!

    O Irritado não acha que o senhor Meneses apareça pouco, acha é que o senhor Pinto de Sousa aparece muito. Portanto, o senhor Meneses devia aparecer muito mais. Não é? Não é não senhor. Pelo menos no parecer do SOLcrates

     

    2. O camarada Costa foi contratado pela SIC para substituir o camarada Coelho, o qual, impoluto e sério, vai dedicar-se a tempo inteiro ao mais alto pato-bravismo.

    Se houvesse alguma independência na SIC convidar-se-ia o senhor Alegre, a fim de compensar a fúria histérico-cómica do senhor Pereira contra o PSD. Mas o raciocínio é outro, e tem a sua lógica: se se vai embora um aparatchick, há que substituí-lo por outro, que garanta o mesmo. Agora, na doce presença do barbas da SIC, continuarão a alinhar dois ferozes inimigos do PSD – leia-se amigos do PS – e um anodino barbaças do PP/FCP. O ramalhete fica completo.

    E ainda há quem diga que é só a RTP a ser dominada pelo senhor Pinto de Sousa!

     

    António Borges de Carvalho
  • HISTERISMOS

    A dona Ana Gomes anda completamente desvairada – desvairada anda sempre, completamente é que não – com as bocas do senhor Gama na pérola do Atlântico. Diz que se trata de humor negro. Diz que o homem perdeu a cabeça.

    Afinal, o que o senhor Gama disse foi que o senhor Jardim era um político combativo e que tinha origem democrática, duas verdades verdadinhas, absolutamente incontroversas.

    A dona Ana Gomes, na distinta companhia da dona Edite, entrou em histérico parafuso, como é aliás seu nobre hábito. Que interessa a verdade se a verdade não interessa?

    O pobre senhor Gama chegou à Madeira e viu o que toda a gente vê, até a dona Ana Gomes. Não resistiu e reflectiu a verdade em palavras. A dona Ana Gomes não é, porém, de verdades propriamente ditas. Verdade é o que interessa, o que não interessa não pode sê-lo, nem se deve falar nisso.

    A coisa propagou-se. Inúmeros membros do partido socialista que temos entraram no baile da dona Ana. O histerismo tem sido devastador. As hostes tremem, escandalizadas, ofendidas, com os mais íntimos pelinhos a eriçar-se. Então o senhor Gama não sabe que é proibido ver o que é verdade, e que muito mais proibido é dizer o que se vê, caso tal não seja conveniente para as hostes? Não sabe que a filosofia socrélfia impõe que só se veja o que, independentemente de ser verdade ou mentira, interessa ao social-cretinismo em vigor?

    O senhor Gama ou é um idiota, ou ainda não percebeu que as águas em que navega estão eutrofizadas.

     

    António Borges de Carvalho
  • SOCORRO! O SOCIALISMO ESTÁ EM CAUSA!

     

    O camarada Raul Castro, diz-se, está a tomar medidas “liberalizantes” em Cuba. Liberalizantes? Que ideia! O ilustre tirano perdeu a cabeça. As novas regras são libertárias, se não libertinas.

    Um escândalo, disse o senhor Jerónimo, para já off the record.

    Então não é que aquele louco autorizou os cubanos a ter um telemóvel? Então, céus!, não é que os autorizou a comprar um microondas? Então, ó desgraça!, não é que permitiu que frequentassem hotéis? Valha-nos São Carlos(Marx)!

    Como pode o socialismo viver, ou sobreviver, se às massas for dado o uso de tais e tão corruptos instrumentos de perversão capitalista? Como pode o glorioso caminho para o comunismo ser compatível com fins de semana em hotéis? Como pode a revolução triunfar se for dado ao proletariado o uso de instrumentos tão contra-revolucinários como uma chaleira eléctrica ou uma gillette com quatro lâminas e uma pilha AA?

     

    Consta que o Comité Central do PC já foi convocado pelo Jerónimo para discutir os desvios do regime cubano e para estudar as medidas a tomar, com carácter de urgência, para ajudar o povo cubano a voltar à pureza dos princípios e a libertar-se da arrancada fascizante de que as medidas do Raul são sinal tão claro como inquietante.

     

    O Irritado aguarda com a maior ansiedade os resultados da elaboração teórica e das medidas práticas que saírem da magna reunião.

     

    António Borges de Carvalho

     

       
  • POLICIAMENTO DE PROXIMIDADE

     

    O Irritado tem-se irritado recorrentemente contra os malefícios da polícia. Às vezes, quando, no que diz respeito à vigilância das ruas, a acusa de integrar um bando de inúteis, sente o Irritado que talvez esteja a ser um bocadinho injusto.

    Quantas vezes, porém, a realidade ultrapassa as nossas mais negras opiniões?

     

    Passo a contar uma história absolutamente extraordinária:

     

    Às quartas-feiras, costumo ir buscar três das minhas netas ali para a Lapa. Anteontem, as pequenas insistiram em ir dar uma volta pelo jardim da Estrela. E lá fomos. A passeata não teria história não fora dar-se o insólito caso da presença da PSP. Insólito porque, entre criancinhas aos pulos, velhotes a jogar à sueca, mamãs a empurrar carrinhos de bébé, estudantes a ler compêndios, namorados em tórridas poses, surgiu, de sopetão, um Smart profusamente decorado com frases do tipo eco-idiota. Lá dentro, imperiais, dois guardas “vigiavam” a turba, tipo Dom João V no seu coche, a olhar o povo ignaro. Majestoso, o Smart percorreu as umbrosas áleas até se perder lá para os lados do Cabral.

     

    E é assim que se faz o chamado “policiamento de proximidade”, expressão tão cara à propaganda do senhor Pereira. Os senhores guardas, certamente para de poder reservar energias para perseguições a terríveis bandidos, não podem cansar-se. Por isso, andam de automóvel, até nos locais onde jamais deveria entrar um automóvel.

    De certa forma, compreende-se. Segundo a filosofia do governo, é preciso “prestigiar a polícia”, impondo-a à admiração das pessoas. Ora não se prestigia um polícia fazendo-o andar a pé no meio da multidão e podendo, assim, descer ao seu estatuto de ralé. Não é? Aliás, se os senhores guardas atropelarem uma criancinha no Jardim da Estrela, a culpa será, ou do Smart, cujos travões falharam, ou da própria criancinha, que não tem nada que andar a brincar no Jardim da Estrela, impedindo ou atrapalhando o “policiamento de proximidade”.

     

    Eu, que me atrevia a escandalizar-me ao ver os polícias a passear de segway no Chiado, não estava, ainda, psicologicamente preparado para a presença de Smarts no Jardim da Estrela. O defeito deve ser meu, que não percebo que a rua do Carmo é a subir, que o Jardim da Estrela tem dois mil metros de perímetro (colossal distância!), e que seria de uma violência inaudita fazer os aristocratas da PSP andar a pé em tão cansativos teatros de operações.

     

    António Borges de Carvalho
  • PROPAGANDAS

    Não haverá, julgo, ninguém que negue que, com o ministro Morais Sarmento, se assistiu, pela primeira vez durante a III República, a uma efectiva situação de independência e responsabilidade informativa na RTP. Anos e anos de influência do poder na informação do Estado conheceram o seu fim naquela altura, honra seja ao dito ministro.

    Não haverá, também, seja quem for que não tenha dado pelo facto, claríssimo, de tal independência ter acabado, graças ao senhor Pinto de Sousa e ao abominável senhor Silva. A administração da RTP foi posta na rua. O seu presidente levou um pontapé pela escada acima. O senhor Rodrigues foi “reabilitado”. O povo assistiu, impotente, à re-governamentalização da RTP.

    Agora, uma daquelas coisas a que se chama “entidade” veio produzir e publicar um relatório que confirma as mais negras impressões do respeitável público, e que demonstra, com números, a desvergonha do senhor Pinto de Sousa e dos seus sequazes, para além da subserviência rasteira dos profissionais envolvidos na marosca.

     

    O gosto pela propaganda faz as delícias dos governos injustos, ineficazes e autoritários. É o truque ideal para disfarçar a incompetência pesporrente que os caracteriza.

    Auxiliado por várias instâncias do socialismo, a começar pelo Banco de Portugal, o governo socretino começou o consulado por aldrabar os números com a célebre história do inexistente défice. Três anos depois, e depois de extorquir ao povo vários milhares de milhões de euros sem reduzir despesas nem cumprir promessas, o governo continua a repetir a aldrabice, de tal forma que, para a maior parte das pessoas, ela já se transfigurou em verdade. Propaganda bem sucedida. Nesta matéria a SIC colabora activamente com a RTP e a socialista/espanhola TVI deve, et pour cause, fazer o mesmo, embora não o possa afirmar de ciência certa porque só ligo para lá quando há futebol.

    Um pormenor, digno de grande destaque: o que o relatório da "entidade" diz acerca das regiões autónomas. Ao contrário do que todos, todos os dias, ouvimos e lemos – que, na Madeira é uma desgraça, que o Dr. Jardim domina tudo e todos, sobretudo a informação – é no socialismo açoreano que a RTP é parcial, e não no jardinismo madeirense!!!

     

    Não se sabe o que nos espera no futuro. Certo é que, quando os governos alicerçam o seu poder na propaganda, não há forma de parar o processo. Quanto pior estiverem as coisas, quanto mais propaganda se fará.

     

    Para já, os senhores da “entidade” não tarda levem um pontapé no cu, ou seja, vão demitir-se por “razões pessoais” e deixar que os arrumem num sítio simpático, bem pago e discreto. “Quem se mete com o PS, leva”, dizia o tenebroso Coelho, em magistral síntese da filosofia triunfante.

    Depois, a propaganda continuará como se não tivesse havido nenhum relatório.

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. A propósito, o Coelho foi promovido a presidente da Mota Engil! Ah! Ganda socialismo!

  • SOARADAS

     

    O senhor Sakozy tem os seus defeitos. Casou-se com uma fulana um tanto duvidosa, o que vem causando as maiores reticências, sobretudo, sabe-se lá porquê, aos que acham a pederastia uma coisa normalíssima, louvável até, e que têm do casamento uma noção de material de consumo, tipo esfregão.

    Na opinião do presidente Mário Soares, e para seu confesso horror, Sarkozy ainda é pior do que diz a esquerda “fracturante”. Sarkozy anda a pôr em causa a tradicional política gaulista, que consistia na grandeur da le France contra tudo e contra todos. O senhor Soares não tolera a ideia de ver os franceses fazer as pazes com os americanos, que ameaça!, e, ainda pior, com Sua Majestade Britânica.

    Mas o que é isto?, perora o extraordinário socialista. Que é isto de a França querer reentrar nas estruturas militares da Aliança? Que é isto de a França abandonar o nariz arrebitado e começar a lidar com os outros de forma abertamente cooperante? O que nos vai suceder se o maravilhoso eixo franco-alemão deixar de ser o (único) “motor da Europa”, ou se meter mais uns cavalos na maquinaria? Que horrível futuro teremos nós se os dois lados da Mancha e os dois lados do Atlântico se re-aproximarem? Que malvada coisa esta de o senhor Sarkozy andar a preparar a Europa para a era pós-Bush? Que inspiração demoníaca levará o senhor Sarkozy a tentar alargar a sua cooperação com a Grã-Bretanha, designadamente no plano militar?

    Colossais ameaças se acastelam no horizonte do senhor Soares. Os franceses, pensa ele, estão aflitos. Com questões internas, direi eu, não tanto com o regresso da França ao “Ocidente”. Os medos do senhor Soares não teriam importância nenhuma se se tratasse de um comentador qualquer. Sendo ele, são de uma tristeza a toda a prova. A verdade é que um bom socialista, como o senhor Soares, não aguenta ver um tipo da direita a fazer coisas certas.

     

    António Borges de Carvalho

     
  • NOS MEANDROS DA (IN)SEGURANÇA

     

    Várias são as notícias com que o ilustre ministro do interior nos tem brindado.

     

    1. Como o Irritado já referiu e toda a gente sabe, o homem cedeu aos sindicatos e vai meter mais dois mil polícias.

    São precisos? É evidente que não. Se se fizer as contas aos efectivos que estão sentados nos escritórios em vez de andar no giro, fácil será perceber porquê. Se se puser os polícias a policiar, em vez de andar de cu tremido a passear de automóvel, fácil será perceber porquê. Se se pensar que, para já, e só este ano, vamos gastar mais 65 milhões de euros, é fácil perceber porquê. Se se pensar que, hoje em dia, o número de polícias por habitante é cerca de 44%(!) mais alto o average europeu – 0,0044 polícias por cabeça em Portugal, 0,0028 na Europa -, então, meus amigos, percebe-se, e bem, a monumentalidade da asneira e o que ela significa como fuga para a frente, como recusa de enfrentar os verdadeiros problemas e como irresponsabilidade orçamental.

     

    2. O espantoso ministro, ex-chefe dos serviços de informações, de braço dado com o estranho ministro da (in)justiça, anda a propor uma revisão constitucional que torne legítimas as escutas telefónicas feitas pelas “secretas”, quando quiserem e muito bem lhes der na gana. O homem serve-se da sua experiência na espionagem para fundamentar a não necessidade de decisão judicial a tal respeito.

    Num país onde as escutas telefónicas, provadamente, já vão muito para além do que podia ser considerado legítimo ou aceitável num estado de direito, onde já se chegou, impunemente, ao ponto de escutar as conversas do procurador geral e do presidente da República, esta gente não pensa noutra coisa senão em “legitimar” mais e mais escutas, em vez de fazer o contrário. Querem substituir o estado de direito pelo estado policial? Tudo indica que sim.

     

    3. O senhor Costa extinguiu a DGV e criou a ANSR. O senhor Pereira criou os CCSR, em vez das CSR, que tinham sido extintas pelo senhor Costa. Utilidade? Cobrar mais multas. Estão a perceber? O Irritado propõe aos insignes governantes que substituam tudo pela SEDPECCCRPEP – Secretaria de Estado Destinada a Perseguir, Encerrando-os num Campo de Concentração, os Cidadãos que se Recusem a Perceber esta Porcaria.

     

    António Borges de Carvalho
  • PALERMICES LINGUISTICO-POLÍTICAS

    Acreditar que a língua portuguesa tem um grande futuro é coisa que não faz parte das convicções do Irritado. Com a parvoíce do acordo ortográfico ainda menos.

    O segredo da expansão da língua inglesa é contrário do “nosso” acordo. Cada um, quer dizer, cada comunidade, fala e escreve inglês como lhe apraz, dentro e fora do Reino Unido. A “mãe pátria” conserva um núcleo fortíssimo de académicos e de universidades que podem servir, e servem, de orientação quanto a uma versão “pura” da língua. Assim, para quem quiser, há sempre uma referência, um recurso. A língua inglesa, por outro lado, é uma língua com poucas regras, uma língua que se aprende de memória, não, como, maxime, o alemão, ou francês e o português, por recurso à gramática. Breve, a língua inglesa é defendida pela liberdade, enquanto a portuguesa “precisa”, no parecer de alguns bem sucedidos políticos e académicos, de um espartilho universal que a “unifique”. A asneira é livre, mesmo ao nível destes altos cérebros.

    É evidente que, com acordo ou sem ele, a língua portuguesa viverá e evoluirá de formas diversas nos diversos teatros onde actua. Daí não vem mal, nem ao mundo, nem aos países que falam português, nem a Portugal, nem à língua. A língua que os académicos querem impor nada tem a ver com a defesa do português, por isso o seu futuro será tanto mais sombrio quanto mais o quiserem determinar. Não seria uma póstuma honra para todos nós se, daqui a uns séculos, se pudesse falar de línguas lusas como hoje se fala de línguas latinas? Porque será que os mesmos que tanto se afadigaram em dar independência política aos falantes da sua língua, se histerizam desta forma à procura de um qualquer “colonialismo” linguístico? Porque será que Portugal continua a viver o sonho de um império que deitou pela borda fora, em vez de perceber que o fim do império foi a oportunidade de uma nova universalização, em termos diversos dos do Infante, mas com ambição paralela, como se atreveram a preconizar tantos dos seus proscritos intelectuais? Porque será que Portugal, em vez de alargar horizontes, tende a fechar-se nos estultos limites de uma comunidade linguística que existe quer se queira quer não, para tal não sendo determinantes acordos ortográficos ou loas políticas? Porque será que Portugal insiste na sua própria decadência, que começou com Dom João III, quando deixámos de perceber que o mundo andava para a frente e que nós, se perdêramos a liderança do movimento, podíamos, ao menos, acompanhá-lo?

     

    Perguntas que ficam, para reflexão dos leitores do Irritado.

     

    António Borges de Carvalho

     

  • AL(ar)VICES

    A propósito desta história da língua, vem à colação uma coisa que ouvi ontem da boca da intelectualíssima e correctíssima senhora dona Clara Ferreira Alves. “Moçambique está completamente colonizado pela África do Sul”, disse a senhora do alto da sua colossal sapiência.

    É evidente que, agora como no passado, Moçambique não pode deixar de ter, como principal parceiro e mais óbvia influência, a República Sul Africana. Mete-se pelos olhos dentro. Mas é preciso não ter a mais remota noção do que se passa em Moçambique para não saber que a influência portuguesa já não é influência. É, sim, um dos vectores culturais próprios daquele país, de “expressão moçambicana”, como disse um ministro qualquer lá do sítio. Ou seja, a “portugalidade” deixou de ser uma imposição ultramarina para se transformar numa característica intrínseca dos costumes e da individualidade locais, como, para nós, é a “latinidade”. Falar português é, para os moçambicanos, um precioso factor de unidade nacional e de personalidade social própria. Não é preciso ir ao ponto de  verificar com “orgulho” o gosto deles pelo bacalhau com batatas ou o seu desprezo pelo râguebi e amor ao futebol, a sua fé no Benfica ou a sua predilecção (os que podem) pela RTP Internacional. Tudo isso faz parte das idiossincrasias locais, não os costumes e cânones culturais sul-africanos, ou as imposições de tratados ou acordos. É assim porque é assim.

    Não é sensato incensar a nossa “influência” como se de um novo império se tratasse. Mas também não se pode ignorar a simples verificação dos factos, como, ignorantemente, o faz a poderosa intelectual.

     

    António Borges de Carvalho

     
  • AI O GELO!

    Miguel Portas, grande intelectual comunista de origem latifundiária, está aflito com os malandros dos canadianos porque, diz ele, se preparam para vir a tomar conta do novo continente que o aquecimento global (se houver) porá, no Ártico, à disposição da humanidade. Muito bem. O homem vê as expedições canadianas como um acto bélico, uma vez que integram soldados, por acaso os mais preparados do mundo para lidar com aqueles climas, em paz e na guerra. O homem insurge-se contra eventuais alegações em favor de “direitos de extracção” de petróleo, um crime de que os canadianos são, evidentemente, culpados, porque organizaram a tal expedição.

    Esquece-se, et pour cause, que os Russos andam há dezenas de anos a fazer o mesmo, que os dinamarqueses querem alargar os seus direitos a partir da Groenlândia, que não falta quem, há anos e anos, ande a tentar abrir o “canal” do Mar do Norte através do gelo, que não há companhia de navegação que não sonhe com ir da América do Norte à Ásia pela rota polar e vice-versa.

    Que interessa isso ao grande intelectual? Que interessa que haja países quem vêm como seus os territórios árticos incluídos nas suas duzentas milhas, que haja quem se proponha explorar as eventuais novas potencialidades do planeta de que a humanidade tanto precisa? Nada. Para o grande inteletual, importante é pôr em causa um país ocidental, súbdito, ainda por cima, de Sua Majestade Britânica, acusando-o de belicismo e ganância. Tudo o que sirva para pôr em causa a civilização capitalista é bom, ou seja, acha o homem, pode favorecer o socialismo. Idiota!  

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. Já agora, que a língua portuguesa está na moda pelas piores razões, valerá a pena dizer ao ilustre comunista que não se diz, nem devia escrever, “fez os canadianos entrarem em polvorosa”, mas sim “fez os canadianos entrar em polvorosa”, que não se diz, nem devia escrever, “seis navios que se propõem aproveitar… para o explorarem… para construirem…” , mas sim “para o explorar” e “para construir”.

    Intelectuais e língua portuguesa são coisas que, manifestamente, não jogam uma com a outra.

    Nem as bordoadas na língua que o “SOL”crates dá servem de desculpa.

    ABC
  • DO DESVANECIMENTO POLÍTICO

    O fantástico socialista (ex-fascista, ex-PPD, ex-ex) J.M. Júdice, conhecido advogado/hoteleiro da nossa praça, está “desvanecido” (sumido, apagado, desbotado, desmaiado, dissipado, ufano, vaidoso, presunçoso) com a amorosa atitude do senhor Pinto de Sousa, que consistiu em re-re-convidá-lo para vir a ser o dono e senhor da zona ribeirinha da cidade de Lisboa. O homem, generosamente, tinha achado que era importante ir almoçar com o senhor Pinto de Sousa, afim de lhe dar parte da modesta intenção de pôr à disposição de Sua Excelência o lugar que ainda não tinha mas era suposto vir a ter.

    Entre duas garfadas de filet mignon e dois goles de Chateau Neuf du Pape, antes dos crêpes suzette, o senhor Pinto de Sousa, possuído de profunda generosidade e acendrado amor à cidade e ao seu nóvel camarada, reiterou o convite, disse que tudo estava bem, que até 15 de Abril se constituiria a sociedade de que o hoteleiro ex-fascista seria o impoluto chefe, que mundos de maravilha se esperam de sua futura acção e que, chefiada por ele, pelo Costa e pelo Fernandes, Lisboa, a curto prazo, virá a estar aos pés do senhor, prenhe de gratidão pela sua obra e pelo socialismo.

     

    A ver vamos o que esta pessegada da zona ribeirinha vai dar. Para já, o que se passa é o que segue: a Administração do Porto de Lisboa estava, de há anos a esta parte, a realizar nela uma obra notabilíssima. Tal obra causou a inveja do Costa, do Fernandes, da maralha da CML e, como é óbvio, do senhor Pinto da Sousa. Era preciso acabar com ela, buscar os louros onde eles estavam, tomar as rédeas da coisa. Vai ser bonito!

     

    António Borges de Carvalho
  • OS DONOS DA MORAL

    Esta história do holandês que fez um filme anti-islâmico faz-me uma confusão do escapeta.

    É evidente que o tal filme não contribui para amansar as feras que por aí andam. Até aí toda a gente está de acordo. É evidente que o homem perdeu uma bela ocasião para estar calado, quer tenha razão quer não tenha.

    Quando uns tipos fizeram umas caricaturas do Maomé com uma bomba no turbante, levantou-se, no Ocidente, um coro generalizado de repúdio contra as reacções à coisa por parte do fundamentalismo islâmico: estava em causa a liberdade de expressão e a civilização. A turba-multa que, nas ruas de Beirute, de Ramala e mais não sei de onde, queimava as bandeiras dos faróis da Liberdade e dos direitos humanos, mais não era que a barbárie a opor-se à razão. Acho muito bem.

    E agora? Agora, o mesmo coro de justamente indignados, indigna-se outra vez. Só que ao contrário. O tal holandês passa a ser o mau da fita, e os fundamentalistas islâmicos os melhores do mundo, com direito ao mais justo repúdio dos insultos do canalha.

    Em que ficamos? O tipo do filme é um bandido, os das caricaturas uns heróis? Porquê? É capaz de fazer sentido pensar um bocadinho no assunto, a fim de tentar descobrir quem são, e porquê, os donos da moral.

     

    António Borges de Carvalho
  • O PS TRATA DISSO

    O facto de o casamento civil ser um contrato anda para aí nas bocas do mundo. Os comunistas do BE, intelectualmente capitaneados por aquele rapaz, sobrinho do Dias Rosas, que usa o cabelinho à menina de Odivelas, perora que um contrato só é válido se as partes estiverem de acordo. Pois é. Quando as pessoas fazem um contrato de casamento estão de acordo. Até aqui tudo bem.

    O problema é que não há contratos que as partes possam rescindir como quiserem nem quando quiserem. A não ser, ou nas condições que o próprio contrato estabelece, ou por ausência de objecto, ou noutros casos que a lei prevê. Não se pode virar costas à outra parte só porque não nos apetece continuar, ou por alegação de que “se alteraram substancialmente as condições que informaram a vontatde das partes” (das duas).

    Olhem se os comunistas do BE aplicassem o princípio às leis do trabalho? Talvez não fosse mau. Os patrões, quando lhes apetecesse, poriam na rua os trabalhadores que lhes não agradassem. Os trabalhadores mudariam para a concorrência, vendendo-lhe à vontade o know how do ex-patrão. E por aí fora. Um bom desafio para o BE, não é?

    As “questões fracturantes”, como próprio nome indica, servem para “fracturar” a sociedade, ou seja, servem para impedir a sua natural evolução, a paz do devir social e o progresso. A peregrina ideia do BE, logo seguida pela demagogia “social” do PS, não se destina, como as estatíscas comprovam à saciedade, a colmatar qualquer omissão legislativa, isto é, a ir ao encontro de alguma evolução dos costumes. Destinam-se a conquistar tempo de antena e espaço nos jornais. E, se derem ao BE a oportunidade de criar mais problemas do que os que já existem, terá sido atingido, em pleno, o objectivo. Estejam descansados que o PS trata disso.

     

    António Borges de Carvalho
  • FADISTICES

    A dona Ana Moura, muito conhecida lá em casa, deu um concerto algures nos EUA, fazendo-se acompanhar, honra das honras, pelo saxofonista do Mike Jeagger, ou coisa do género. Até aqui, muito bem. O saxofone tem boa voz para o fado, como o Rão Kiao há muitos anos demonstrou. Só que… os outros acompanhantes tocavam viola. De guitarra portuguesa, nem sombra. A televisão do Estado considerou a história digna de cinco ou seis telejornais seguidos, na 1 e na 2.
    Registe-se.

    António Borges de Carvalho

  • ANALFABRUTISMO

    O notável jornal “SOL”crates insurge-se contra o primitivismo analfabruto do senhor Mendes Bota. Até aqui, tudo bem.

    O problema é que a folheca, ou quem se insurge, é tão analfabruta como o Bota. Diz o insigne jornalista que “o ridículo é… de difícil plagiamento". Ora toma! Neologismos deste calibre, nem o Bota!

     

    António Borges de Carvalho
  • ENDOIDECERAM!

     

    É sabido que o governo do senhor Pinto de Sousa tem transformado a Liberdade numa coisa duvidosa. Um ou outro intelectual digno desse nome, como António Barreto, já o denuncia abertamente, ciente de que, por este andar, não faltará quem comece a pensar que isso de Liberdade pouco quer dizer se nos cercearem as liberdades. Daí a preferir uma ditadura que, excluindo a política das nossas vidas, nos desregulamente o dia-a-dia, vai um pequeno passo.

     

    A história das novas normas acerca dos casamentos demonstra que a autoritarite aguda do governo chegou aos píncaros da insanidade mental. Já não se trata de cobrar impostos, mas de entrar na mais horrível das paranóias fiscais. Os tipos ENDOIDECERAM!

    Não, não é ridículo, como se diz para aí. É muito pior que isso. É demencial.

     

    Quem viu, ontem, armado em secretário de Estado, um rapazola careca, com um fatinho cinzento com bandas de fraque, camisinha branca, e uma inacreditável gravata de cetim verde – impõe-se imitar o chefe, pois – a dizer parvoíces sobre o assunto, ficou com uma ideia clara de que o governo, em bloco, a começar pelo careca e a acabar no senhor Pinto de Sousa, melhor estaria no Júlio de Matos que por aí, à solta, a esmagar as pessoas com a sua abominável paranóia.

     

    O pior, meus amigos, é que o nosso nobre povo, que é capaz de sair à rua, aos muitos milhares, para protestar contra coisas basicamente justas, mesmo que canhestras, como a avaliação dos professores, não mexe uma palha para pedir aos tribunais uma junta médica que mande o governo para a reforma, não por desgoverno do país, não por nos estar a arruinar, não por ser autoritário, pesporrente, desagradável, narigudo, prepotente, mas, simplesmente, por não estar no uso de um mínimo de faculdades mentais.

     

    Aqui fica a sugestão para um abaixo-assinado a pedir que os internem.

     

    ABC
  • QUEM PENSA NÃO CASA

     

    E se a prima da amiga do cunhado do noivo lhe der um penico de esmalte para fazer xixi na noite de núpcias?

    E se o homem da mercearia lhe der uma garrafa de espumante?

    E se a futura sogra der à noiva um colar de conchinhas?

    E se o noivo der uma gorjeta ao motorista do carro que o levar ao copo de água?

     

    A perguntas como estas, responderá o governo:

     

    a) Deve exigir à prima da amiga do cunhado que meta no embrulho a factura do penico, em três vias, original e duas cópias devidamente autenticadas pelo notário, ;

    b) É obrigado a exigir ao homem da mercearia, acompanhada da respectiva guia de transporte em cinco exemplares carimbados, a factura do fornecedor de espumantes e derivados;

    c) Tem o “dever de cooperação” de exigir à sogra a entrega da factura do colar, passada pela vendedora de conchinhas da Ericeira;

    d) Compulsivamente, tem de guardar um recibo verde, com IVA, passado pelo motorista, pelo valor da gorjeta entregue.

     

    E mais impõe a maioria socialista. Terão os noivos de:

     

    c) Fazer uma relação nominal e exaustiva dos convidados, especificando as respectivas idades, o número exacto de funcionários públicos e privados, de trabalhadores por conta própria, de desempregados, da orientação sexual de cada um (neste caso para efeitos estatísticos, a entregar à Juventude Socialista e ao Dr. Louça), tudo acompanhado por um gráfico das idades e dos sexos;

    d) Especificar os presentes que cada convidado deu, fazendo acompanhar cada um da identificação completa do ofertante, da respectiva factura, da guia de remessa e da guia de transporte, dos justificativos a atestar onde foi o dito buscar o dinheiro para a compra e da conta bancária de cada um, a fim de, praticando assim do “dever de colaboração” com as autoridades e facilitando a estas a investigação de tais contas, a fim de evitar que o casamento seja pretexto para lavagem de dinheiro;

    e) Declarar por sua honra quantos croquetes comeu cada convidado – para facilitar esta parte, pode indicar-se apenas a média estatística, em vez da obrigatória lista nominal, isto mediante requerimento a dirigir a Sua Excelência o Ministro das Finanças. O mesmo em relação aos pastéis de bacalhau e aos rissóis, acompanhado dos seguintes dados:

    – se os croquetes forem de carne com origem na UE, deve fazer acompanhar o dossier de uma declaração, passada pela direcção geral da veterinária, atestando a origem de tal carne e a sua compatibilidade sanitária, bem como a prova do pagamento do respectivo IVA:

    – se for carne de fora da UE, deverá apresentar prova do pagamento dos direitos aduaneiros;

    – deve proceder de igual forma em relação aos demais componentes da festividade prandial ou jantarística;

    f) Fazer a relação, em detalhe, do vestuário usado pela noiva, tanto na cerimónia como na “saída” e na noite de núpcias, respectivos preços, facturas e origem de cada peça, com identificação completa de cada ofertante, no caso de terem sido objecto de oferta;

    g) Convidar para o casamento pelo menos dois fiscais das finanças, devidamente identificados, e fornecer a cada um, gratuitamente, dois croquetes, um pastel de bacalhau, uma tapa e um copo de sumo de tomate;

    h) Facilitar, no cumprimento do “dever de cooperação”, as actividades dos fiscais, os quais deverão dançar com a noiva para poder testar a qualidade do respectivo sutian e demais pertences, com o fim de verificar se os mesmos se atêm aos padrões de qualidade e preço declarados nas facturas

     

    Opinião

    Se, após tomar conhecimento das suas obrigações fiscais, insistir em casar, não há dúvida: é parvo. Em todo o caso, se for mesmo parvo, tome nota do que segue.

     

    Nota

    As obrigações acima descritas não são exaustivas, não representam na sua íntegra a correcta interpretação das nobres intenções do governo em relação ao seu casamento. Pretendem tão só, dar-lhe uma pálida imagem do carácter verdadeiramente patriótico que o seu casamento pode ter.

     

    Sugestões

    Se o seu casamento for modesto, faça uma provisão de caixa de 100 a 200 euros.

    Se for remediado, aprovisione 250 a 1000.

    Se for de estadão, acautele uns 2.500.

    Quando os tipos das finanças o vierem chatear, mande-os à merda. Utilize a provisão para pagar a multa, se tiver por bem. Queixe-se, depois, ao Tribunal Europeu dos direitos do homem – abuso de autoridade, inversão do ónus da prova e invasão da privacidade. Em alternativa, poderá queixar-se à secção de psiquiatria da Ordem dos Médicos, pedindo que uma junta especializada examine todos os membros do governo. Poderá também dirigir-se à Direcção Geral de Saúde solicitando mande internar os doidos varridos que para aí andam a dizer que governam, com o argumento de que são um perigo eminente, e evidente, para a saúde pública e para a segurança das pessoas.

    Se não fizer queixa a ninguém ficará, pelo menos, com a consciência tranquila. Pagou o que o Estado lhe disse que devia, e não sujeitou a sua dignidade pessoal a ser espezinhada pela corja.

     

    Conselho

    Pense duas vezes. Não será melhor, se se quiser mesmo casar, dar uma festa de arromba no dia 1, e casar-se sem festa nenhuma, nem vestidos, nem fatinhos, nem prendas, nem padrinhos, no dia 30? Com muitas fotografias. Só os noivos e os pais, o padre ou conservador, para provar às finanças que não houve festa. Também pode trocar os dias. Tanto faz. Desde que não faça festa no dia do casamento nem convide bufos ou tipos do governo.

     

    ABC
  • DOS CRIMES DO SOCIALISMO

    Há treze anos, o governo socialista do senhor Guterres mandou parar as obras da barragem de Foz-Côa, onde o Estado (todos nós) já tinha enterrado, ou escavado, uns bons milhões de contos.

    À altura, entusiasmado com a descoberta de uns bonecos pré-históricos e empurrado por uma chusma de “arqueólogos” a quem cheirava a tacho, o socialismo achou politicamente correcto esbanjar o nosso dinheirinho em favor da alegada idade dos mamarrachos.

    A partir daí, criaram-se não se sabe quantos lugares de directores, subdirectores, técnicos de primeira, de segunda, de terceira, administrativos, motoristas, etc., compraram-se instalações, móveis, viaturas, secretárias, maquinaria diversa, botas e luvas, equipamento científico, hardware e software, e por aí fora. Legislou-se a criação de um “parque arqueológico”, ou coisa que o valha, mais de um museu, e mais, e mais, e mais. Grandes intelectuais foram promovidos, elogiados, agraciados.

    Não se sabe quantos milhões haverá a somar aos que foram para o cano com a barragem.

    O que se sabe é que ninguém põe os pés na coisa. O pessoal está-se nas tintas para os alegados bonecos dos trogloditas de antanho, e ainda mais para os dos nossos dias. Pois é. Ninguém está para andar aos baldões pelas pedregosas arribas para ver uns bonecos, arriscado a partir uma perna. Só os radicais, e esses não rendem um chavo.

    O pessoal da região, privado do trabalho que a barragem lhe dava e viria a dar, foi endrominado com promessas de grande progresso regional. Tudo mentira. Agora, as câmaras protestam porque o governo – mais uma vez socialista – arranjou uma tramóia tal com as contas que estão em risco uns milhões de que estavam à espera, vindos de Bruxelas.

    Tudo isto leva à simples conclusão de que quem tinha razão eram os que se propunham cortar umas fatias às pedras e fazer um museu com elas. Hoje, haveria a barragem a produzir electricidade e a dar emprego, mais o tal museu, coisa cómoda e esclarecedora, em vez das picadas alcandoradas pelas ravinas que abertas foram para construir a barragem, à custa dos milhões do povo.

    Poder-se-ia pensar que alguma iluminação divina cairia sobre o nobre intelecto do senhor Pinto de Sousa, e que se voltaria atrás, acabando de construir a barragem e fazendo o museu. Cais quê! Nem pensar! Iluminação é coisa que não entra no cérebro do homem. A chulice continuará, a malta pagará, e o crime ficará por expiar. Bonito!

     

    António Borges de Carvalho
  • APONTAMENTO

    O dr. Jorge Sampaio declarou não ter saudades da política activa.

    Compreenda-se. Docemente reclinado nas facilities da Senhora Dona Amélia – devida e requintadamente restauradas à sua medida – cercado pelo pipilar das avezitas e pelo murmúrio das frondosas árvores da Tapada, o senhor contempla o buliçoso Tejo em suave e delicada meditação. Crime seria perturbá-lo. O que muito nos deve alegrar a todos. Deixe-se estar sossegadinho, dr. Sampaio. A malta agradece.

     

    Se vier uma chamada das Nações Unidas, então sim. Ele pôr-se-á, de alma e coração, ao serviço da humanidade. Pode ser que lhe tenha dado algum, quiçá bem pago, impulso de bem-fazer. Mal, já fez que bastasse..

     

    ABC