O fantástico socialista (ex-fascista, ex-PPD, ex-ex) J.M. Júdice, conhecido advogado/hoteleiro da nossa praça, está “desvanecido” (sumido, apagado, desbotado, desmaiado, dissipado, ufano, vaidoso, presunçoso) com a amorosa atitude do senhor Pinto de Sousa, que consistiu em re-re-convidá-lo para vir a ser o dono e senhor da zona ribeirinha da cidade de Lisboa. O homem, generosamente, tinha achado que era importante ir almoçar com o senhor Pinto de Sousa, afim de lhe dar parte da modesta intenção de pôr à disposição de Sua Excelência o lugar que ainda não tinha mas era suposto vir a ter.
Entre duas garfadas de filet mignon e dois goles de Chateau Neuf du Pape, antes dos crêpes suzette, o senhor Pinto de Sousa, possuído de profunda generosidade e acendrado amor à cidade e ao seu nóvel camarada, reiterou o convite, disse que tudo estava bem, que até 15 de Abril se constituiria a sociedade de que o hoteleiro ex-fascista seria o impoluto chefe, que mundos de maravilha se esperam de sua futura acção e que, chefiada por ele, pelo Costa e pelo Fernandes, Lisboa, a curto prazo, virá a estar aos pés do senhor, prenhe de gratidão pela sua obra e pelo socialismo.
A ver vamos o que esta pessegada da zona ribeirinha vai dar. Para já, o que se passa é o que segue: a Administração do Porto de Lisboa estava, de há anos a esta parte, a realizar nela uma obra notabilíssima. Tal obra causou a inveja do Costa, do Fernandes, da maralha da CML e, como é óbvio, do senhor Pinto da Sousa. Era preciso acabar com ela, buscar os louros onde eles estavam, tomar as rédeas da coisa. Vai ser bonito!
António Borges de Carvalho

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