Esta história do holandês que fez um filme anti-islâmico faz-me uma confusão do escapeta.
É evidente que o tal filme não contribui para amansar as feras que por aí andam. Até aí toda a gente está de acordo. É evidente que o homem perdeu uma bela ocasião para estar calado, quer tenha razão quer não tenha.
Quando uns tipos fizeram umas caricaturas do Maomé com uma bomba no turbante, levantou-se, no Ocidente, um coro generalizado de repúdio contra as reacções à coisa por parte do fundamentalismo islâmico: estava em causa a liberdade de expressão e a civilização. A turba-multa que, nas ruas de Beirute, de Ramala e mais não sei de onde, queimava as bandeiras dos faróis da Liberdade e dos direitos humanos, mais não era que a barbárie a opor-se à razão. Acho muito bem.
E agora? Agora, o mesmo coro de justamente indignados, indigna-se outra vez. Só que ao contrário. O tal holandês passa a ser o mau da fita, e os fundamentalistas islâmicos os melhores do mundo, com direito ao mais justo repúdio dos insultos do canalha.
Em que ficamos? O tipo do filme é um bandido, os das caricaturas uns heróis? Porquê? É capaz de fazer sentido pensar um bocadinho no assunto, a fim de tentar descobrir quem são, e porquê, os donos da moral.
António Borges de Carvalho

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