IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UMA PROFISSIONAL EMBLEMÁTICA

    Ontem, caso raro, passei pelo concurso da RTP. Com tanto azar que bati logo, sabem em quê? Numa professora. Sabem de quê? De português. A fulana, toda pespineta, rebolava-se em piadas e dichotes.

    O pior foi quando lhe perguntaram o que queria dizer “tartamudear”. A rapariga entupiu. A pergunta era por demais difícil, rebuscada, traiçoeira. Ajeitou os intelectualíssimos e profissionalíssimos óculos, pensou, pensou, e não foi lá. Decidiu eliminar duas das respostas que lhe eram propostas. Depois, ficou perante este terrível dilema: tartamudear quererá dizer gaguejar, ou fazer bifes tártaros? A mulher estrebuchou. Como boa professora de português, fez alguns brilhantes raciocínios sobre a etimologia das palavras, tendo chegado à conclusão que, segundo os seus profundos conhecimentos filológicos, fazer bifes tártaros deveria ser tartarizar, e não tartamudear. Mesmo assim, continuou hesitante. Só depois de o não-sei-quantos a aconselhar várias vezes a não gaguejar é que chegou à conclusão de que gaguejar seria a resposta certa. A medo, lá a escolheu. Toda a gente viu o alívio da “docente” quando lhe disseram que a resposta estava certa. Até ao último segundo, coitada, teve as suas fundadas dúvidas.

     

    Ou muito me engano, ou a distinta criatura andou a protestar contra a “avaliação”. Deve ser daquelas que andam todas contentinhas por, depois do acordo entre o xarroco dos bigodes e a ministra que tínhamos, a coisa ter ficado em águas de bacalhau. Fez-se Justiça!

    Por mim, apaguei a televisão, não fora ficar ainda mais esclarecido sobre a qualidade da classe “docente”.

     

    António Borges de Carvalho
  • ADEUS Ó VAI-TE EMBORA! (POR FAVOR!)

    O Meneses, finalmente, chegou à conclusão que não tinha estaleca para o cargo. O homem disse que queria novas eleições e que não ia entrar na corrida.

    Logo a seguir, a menina da SIC (santa inocência!) repetiu o que o homem tinha dito: que queria novas eleições e que não ia entrar na corrida.

    O senhor Crespo ficou à rasca e, para evitar equívocos, luminosamente, disse aos seus amigos, camarada Octávio Teixeira e companheiro Ângelo Correia, que a sua colega se tinha enganado e que o Meneses estava na corrida. Os tipos, que já não percebiam nada do que se estava a passar, caíram na esparrela e começaram a titubear alarvidades sobre a entrada do Meneses na corrida.

    O Crespo desatou então a dizer que o problema do Meneses era o grupo parlamentar. Ao que o Correia respondeu com a verdade (alguém havia de dizer uma verdade, que diabo!): o Meseses não teve qualquer espécie de problema com o grupo parlamentar, o Santana portou-se sempre como um Senhor. Para o Crespo, porém, aculpa “tem que ser” do Santana. Até o camarada Teixeira ficou banzo com a insistência do homem.

     

    Hoje, a distinta imprensa que temos perde mais espaço a congeminar se o Meneses quer sair para sair ou quer sair para voltar do que com outra coisa qualquer. Parece que, para a distinta imprensa, importante é que não haja solução, ou seja, que o Meneses, cheio de falta de jeito, volte o mais depressa possível. Até já andam a fabricar uma “vaga de fundo”.

     

    Para os Crespos & Companhia, o mais importante é proteger o senhor Pinto de Sousa. Tudo o que possa perturbar a sua gloriosa caminhada para as eleições de 2009 é mal vindo. Se o PSD passar a ter um líder de jeito, é uma desgraça!

     

    António Borges de Carvalho
  • PARA TRÁS É QUE É O CAMINHO!

    Há dias, perante as bocas do FMI e do BP, dizia o governo que mantinha as suas autorizadíssimas previsões de crescimento económico.

    É evidente que ninguém acreditou no que o governo disse. A economia é como a meteorologia: o melhor é perguntar aos americanos.

    No caso, torna-se interessante verificar que, dos montes de fanfarronadas do governo, esta terá sido a de mais curta duração. Nem uma semana aguentou.

    Lá veio o senhor Santos às arrecuas, com o rabinho entre as pernas (nova especialidade do governo) dizer que, afinal, não é… pois, isto está mau, não é, pois, enfim, talvez tirar mais um pontinho ao IVA para estimular o consumo… aaaannn… não é, pois, pá, porreiro, eu, pois… enfim… as eleições…

    Vamos longe.

     

    António Borges de Carvalho
  • UM BOM PRETEXTO

    No Sábado, o semanário SOLcrates recebe nas suas páginas (várias), com rasgadas honras e monumentais parangonas, as bocas do mais antipático de todos os portugueses, ou seja, do semi-castelhano Saramiago. Das areias de Lanzarote, o homem despejará sobre nós os seus pesporrentíssimos ódios.

    Um belo pretexto para poupar 2,5 euros.

     

    ABC
  • PROBLEMAS DO MARXISMO-LENINISMO

    O camarada Jerónimo anda desvairado. Então não é que o rapaz dos bigodes fez um acordo com a ministra sem ter sob controlo a generalidade das massas? Desde quando é que o proletariado faz acordos com a burguesia sem ter sob controlo a generalidade das massas? Desde quando é que as vanguardas cometem erros na avaliação das condições objectivas da luta de classes em cada momento histórico?

    O camarada Jerónimo está a ler a “Doença infantil do comunismo” pela octogésima quinta vez. Ainda não conseguiu perceber nada. Se os sindicatos, sob a sua superior direcção, se deixaram ultrapassar por organizações lumpen, não será isso um grande passo atrás na marcha para os amanhãs que cantam?

    A teoria, explicou-lhe em tempos o camarada Cunhal, está certa, sempre certa. Não é preciso perceber. Sendo assim, pensa o camarada Jerónimo, se alguma coisa falhou foi porque a direcção das massas não esteve à altura dos desafios do devir histórico! Como foi possível que a linha justa dos professores se tenha deixado ultrapassar por reaccionários que não aceitaram a vitória esmagadora dos sindicatos e se atrevem a pôr em causa o discurso de vitória que o comité central redigiu e o camarada Jerónimo ensaiou ao espelho e tão bem soletrou perante o povo?

    É verdade que a ministra e o Pinto de Sousa ficaram completamente esbandalhados, deram o dito por não dito, meteram os pés pelas mãos, deram mais um ano de margem de manobra às massas, etc. É verdade que a esmagadora maioria das escolas aceitou o acordo do xarroco com a ministra. Mas também é verdade que isso de maiorias é uma fabricação da burguesia para enganar o proletariado. A maioria é o mais perigoso escolho na marcha triunfal para a vitória!

     

    Andará nisto a mão do Meneses?

     

    O Irritado solidariza-se com as inquietações e as hesitações teóricas e práticas do camarada Jerónimo. Que o São Carlos Mar(x)ques lhe acuda!

     

    ABC
  • INCURSÃO FUTEBOLÍSTICA

    O jogo SCP/SLB foi um espectáculo interessante. O Benfica jogou melhor na primeira parte, o Sporting dominou na segunda.

    O problema é que o que vi com estes que a terra há-de comer, várias vezes repetido na televisão, faz pensar que o resultado foi algo estranho.

     

    Vejamos:

    – O Benfica meteu um golo em fora de jogo;

    – O Sporting meteu dois;

    – O golo do Benfica foi anulado;

    – Os do Sporting foram validados;

    – O guarda-redes do Sporting derrubou, com três toques “científicos” no pé, um jogador do Benfica que ia meter um golo;

    – O prémio, ou o castigo, desta brilhante jogada foi um cartão amarelo para o avançado do Benfica;

    – Em matéria de cartões amarelos, estamos conversados; a duplicidade, ou triplicidade de critérios foi mais que evidente.

     

    Nesta ordem de ideias, se as regras do jogo tivessem sido respeitadas, ou os critérios malucos tivessem sido utilizados de igual forma, o resultado mais provável seria, ou um empate, ou a vitória do Benfica por 4-3.

     

    Não sei se os árbitros são corruptos. Mas, se o não são, sofrem de visceral incompetência.

     

    Sugestão do Irritado: já que se importa tanta coisa, porque não importar uns árbitros ingleses da terceira divisão, a fim de pôr alguma ordem nesta porcaria?

     

    António Borges de Carvalho
  • JUSTIÇA CANINA

    Aqui há uns tempos, o Irritado, que é burro, atreveu-se a reclamar contra os simpáticos cãezinhos, de raças bem identificadas, que se dedicam à nobre tarefa de morder o respeitável público.

    À altura, um bichinho destes tinha comido uma velhota. Quando a GNR o caçou, já o pobre animal estava a palitar os dentinhos, junto ao cadáver da senhora. Nunca mais se ouviu falar no assunto. Não faço ideia do que se terá passado, mas presumo que a besta esteja a bom recato, junto à lareira, a roçagar nas pernas do dono que, comovidamente, lhe afaga o toutiço.

    Esta presunção tem razão de ser. Ora vejam:

    Há dois ou três dias, um inocente pittbul, quando o patrão abriu, por telecomando, o portão do jardim, atirou-se de rompante pela rua fora a fim de morder, diz-se, a bola com que uns rapazes jogavam. Com tanto azar, coitadinho, que, ao passar por um deles, lhe deu uma suave patada, o que, segundo os jornais, causou uns arranhões na pilinha e nos tomatinhos do estúpido indivíduo, que não tinha nada que andar para ali a jogar à bola.

    Pois bem, o caso teve seguimento judicial. Que diabo, estamos num Estado de direito! E sabem qual foi o resultado? O animalzinho, coitadinho, está em prisão domiciliária! Quando, daqui a uns dias, o seu extremoso proprietário abrir o portão, quem sabe se o luluzinho não come outra velhota, tão estúpida como o rapaz, ou como a outra que, por passar a uma porta qualquer, se encontra muito sossegadinha a fazer tijolo com uns bocados a menos.

    António Borges de Carvalho
  • OS MAIORES!

    A senhora e o senhor McCann não formam um casal que suscite qualquer sombra de simpatia.

    Se são, ou não, culpados da morte da filha, não faço a mais pequena ideia. Certo é que são especialistas em comunicação e em manipulação da opinião pública, que dispõem de importantíssimos meios financeiros, que utilizam profissionais de várias especialidades para comunicar as suas ideias, que dispõem de protecções a altíssimo nível, sabe-se lá porquê, que viajam em grande por toda a parte, que se permitem mandar os seus bitates a propósito ou a despropósito de tudo, etc.

    Nada disto infunde sombra de confiança, antes implica o contrário. Qualquer observador desinteressado é levado a crer que se trata de oportunistas sem escrúpulos, sedentos de fama, de propaganda, de visibilidade, tudo à custa do desaparecimento da pobre criança sua filha e de financiadores que transformam o drama numa forma de enriquecimento não só indevido, mas imoral.

    Por muito inocentes que estejam, é evidente o seu feroz empenho em desacreditar a Judiciária e o sistema de investigação português, os quais tiveram a “lata” de pôr as suas excelsas pessoas na lista dos principais suspeitos.

    Agora, a senhora meteu água, e meteu água a sério. Veio confessar que a filhinha se queixava do abandono a que era votada pelos pais. No propósito de, à trouxe-mouxe, meter escolhos na investigação, vem acusar a Judiciária de revelar o que terá confessado no inquérito – o tal abandono.

    A mulher afirma que disse isso no inquérito, e mais, que depois das queixas da filha “decidiu ficar mais atenta às crianças”. De tal maneira mais atenta ficou que, no dia da morte ou do rapto, as abandonou em casa para ir a uma jantarada com os amigos e recusou os serviços de baby sitting. É de presumir que, antes de ficar “mais atenta”, as abandonava todo o dia a chorar em casa, materializando-se as boas intenções através de um abandono mais suave: só à hora do jantar. Não restam dúvidas de que o famoso casal é culpado, mais que não seja de negligência parental. Não sei se é crime, mas, se não é, devia ser.

    É evidente que os McCann e o seu staff  usam e usarão todos os pretextos, por mais idiotas e rocambolescos, para cá não voltar. E têm razão, coitadinhos. Nunca se sabe o que a investigação pode dar. Nem se acabam no banco dos réus. Nem se vão parar ao xilindró. Mais vale prevenir que remediar. Se esses selvagens do Sul nos quiserem julgar, que o façam à revelia. Por cá (no UK), somos os maiores!

     

    António Borges de Carvalho
  • CITAÇÃO

    "Qualquer calceteiro iletrado percebe… que Marcelo, Pacheco Pereira e outros que tais fazem hoje mais pelo PS do que dez Vitorinos juntos."

    João Miguel Tavares, DN, 15.04.08

  • UM BANDIDO À SOLTA

     

    Vale a pena reproduzir, de um artigo de António Barreto sobre o livro “Holocausto em Angola”, de Américo Cardoso Botelho, a seguinte passagem de uma carta dirigida pelo Almirante Rosa Coutinho ao seu amigo Agostinho Neto, em Dezembro de 1974:

     

    Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis, sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos, para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela.

     

    Esta inenarrável porcaria, este crime hediondo, não merece comentários. Vale por si. Não é nada que não se soubesse, mas vê-lo escrito pode reavivar a memória ou despertar o sentido crítico dos que ainda têm alguma consideração pelos descolonizadores e pelos seus “ideais”, ou dos que ainda acreditam que, no PCP e no socialismo em geral há alguma réstia de humanidade.

     

    António Borges de Carvalho
  • MUCH ADO ABOUT NOTHING

     

    O ME chegou a acordo com o tipo dos bigodes à Sadam. Exulta o primeiro ministro, os áulicos cantam loas pelas arcadas, os cortesãos dançam nas barbacãs do Largo do Rato, o senhor Alegre faz uma ode comemorativa. Há quem diga que até o buraco do ozono se encolheu perante tal feito. Grande vitória do governo e do “diálogo social” que, à rasquinha, promoveu.

    Do outro lado, o tipo dos bigodes diz que o governo foi exemplarmente vencido pela rua, o senhor Jerónimo esganiça que a vitória é dele antes que o Meneses se adiante. O senhor Portas (Paulo) e o senhor Louça também dizem que ganharam. Ganharam todos.

    Perdemos nós.

    Perdemos meses a ver este filme, perdemos a vaga chance de ver os professores a ensinar e os meninos a aprender. Dá mais (euros, entenda-se) fazer barulho que ensinar. Q.E.D.

     

    A famosa avaliação passa a ser só a “auto-avaliação” (senhor director, sou o melhor do mundo!), a assiduidade (só faltei porque a minha sogra estava constipada, que diabo!), o “cumprimento do serviço distribuído” (se não fiz serviço foi porque não mo distribuiram!) e a participação em “acções de formação contínua quando obrigatórias” (se só fui a uma foi porque as outras não eram obrigatórias!).

    Veja-se o primor do acordo: dos critérios a utilizar na “avaliação”, nem um só se refere à qualidade do ensino, à preparação académica, à disciplina nas aulas, à prestação dos alunos. Ensinar para quê?

     

    Mesmo assim, o homem dos bigodes não ficou satisfeito. Na mais que improvável hipótese de algum “docente” ter más notas (quem as poderá ter, com estes critérios?), o remédio é simples: a avaliação não conta. Fica para o ano que vem! No ano que vem, logo se vê. Talvez mais uma manifestaçãozinha acabe com a “ameaça”.

    Para já, quem tiver a nota de “regular” (entenda-se, um tipo que disse mal de si próprio, que foi pouco assíduo, que não foi lá muito prestativo no serviço distribuído nem participou nalgumas acções de formação obrigatórias), verá o seu notável contributo para o ensino castigado com… a renovação do contrato! Os que obtiverem a classificação de “insuficiente”, pior que “regular”, não perdem o tempo de serviço, a não ser que, no ano que vem, continuem insuficientes, isto é, que os alunos sejam, durante pelo menos mais um ano, ensinados por um tipo “insuficiente”.

    A coisa atinge os píncaros da loucura com a criação de uma “comissão paritária”, onde estará o governo e o tipo dos bigodes e seus amigos, os mais deles, diz-se, nomeados plo senhor Jerónimo. Tudo, mas, tudo, todos os documentos, estará à disposição dos comissários, aos quais é dado preparar as futuras negociações, prometidos para 2009. Tais negociações, como é óbvio, terão que resultar em mais umas abébias, sob pena de haver mais umas manifestações de desagravo por “ofensas à dignidade dos docentes”.

    Não vem nos jornais qual é o horário de trabalho de tais personalidades. Mas, para que não se ofendam outra vez, é-lhes dado retirar dele “oito a dez horas semanais(!!!) “para preparação das aulas”(!!!).

    Se acrescentarmos a isto que a espantosa “avaliação” incidirá, para já, sobre sete mil professores, ficando para depois – com certeza para depois dos trabalhos dos comissários – a que respeita aos outros cento e trinta mil, teremos o quadro, mais ou menos completo, da vera substância do grande triunfo de tanta gente.

    A montanha pariu um rato. A “valente” ministra meteu o rabinho entre as pernas. As parangonas “reformistas” foram por água abaixo. O senhor Pinto de Sousa ganhou uns eleitores.

     

    Vêm como toda a gente ganhou, menos o Zé?

     

    António Borges de Carvalho
  • PROFISSIONAL IGNORÂNCIA

     

    O SOLcrates publica uma interessante reportagem sobre uma próspera nova indústria que se dedica ao fabrico de trabalhos, estudos e relatórios, com o nobre fim de os vender a estudantes que não têm tempo, ou competência, para os fazer.

    É o novo “ensino” no seu melhor. Quando se passava as cadeiras através de uma prova escrita e de uma prova oral no fim do ano, e havia avaliações intercalares através de pontos e de discussões, os relatórios e os trabalhos eram motivo de valorização, mas não se passava ou chumbava em função deles.

    Agora é diferente. Uns trabalhinhos, que se compra em lojas especializadas ou que, para quem tiver pachorra, se arranja na Internet, são o core da avaliação. A existência destas facilidades deveria levar a que, mais do que antigamente, a avaliação fosse feita pessoalmente, professor e aluno cara a cara, sem hipóteses de aldrabices para além de umas cabulazitas ou de umas cunhas. Cais quê! Trabalhinhos, relatórios é que é bom.

    Diria que esta vai à atenção do poder, se o poder tivesse atenção a alguma coisa outra que não fosse a propaganda.

     

    Ainda a este respeito, é interessante ler o anúncio de uma das tais fábricas de produtos intelectuais. Reza assim:

    • Investigam-se Temas

    • Elaboram-se Trabalhos

    • Orientam-se Apresentações de Trabalhos

    • Elaboram-se Curriculum Vitae

    Nas quatro entradas, quatro vezes o predicado concorda com o complemento directo, não com o sujeito. Numa delas, dá-se um pontapé no cu do Latim.

    A isto chamam “Apoio ao ensino superior”.

     

    Imagine-se a qualidade dos produtos que a coisa comercializa.

     

    António Borges de Carvalho
  • NA ALMA, O DESPEITO

     

    O senhor V.J.Silva, autor de floreados comentários, comunica ao povo as suas opiniões sobre o ingente problema do noivado do senhor Coelho com o senhor Mota. A tal respeito, nada diz que qualquer burro não seja capaz de pensar. Até aqui, nada de novo. Mas, às caves do despeito, vai V.J.Silva buscar motivo de uma diatribe contra o “Público”. Aproveita para lançar, sobre o seu sucessor no jornal o terrível anátema de não ter tratado o assunto como ele, Silva, o teria feito, “noutros tempos”, os dele, em que se “contextualizava o acontecimento”.

    Ou seja, naqueles dourados tempos, em que ele, o maior, o Silva, mandava no “Publico”, as coisas teriam sido muito mais bem feitas. Après moi le déluge, pensa o Silva. A humanidade é composta por canalhas, à excepção de um Homem: o Silva.

     

    António Borges de Carvalho
  • NA CABEÇA, O ÓDIO

     

    O notável pensador comunista Miguel Portas expendeu, no SOLcrates, as suas doutas opiniões sobre o problema do Tibete. Disse o que toda a gente sabe: que a China massacra os reclamantes e que os reclamantes são a etnia que quer dominar as artes lá no sítio, contra os chineses e os muçulmanos. Até aqui, tudo bem.

    No entanto, às profundezas da alma, ou seja, ao ódio rebuscado que tem a tudo o que cheire a liberdade, vai MP buscar a razão primeira dos acontecimentos. A culpa de tudo é, para ele, da “ocidentalização” da China, isto é, da “liberalização(!) das relações económicas e comerciais posta em prática pelo regime chinês”. É isto o “que se encontra na raiz do protesto social”.

    Para compor o ramalhete filosófico, o pensador comunista vai buscar um relatório dos serviços secretos americanos, "datado de 4 de Abril de 1949”(!). Diz o tal relatório, se é que há relatório: “Não é o Tibete que nos interessa, mas sim a atitude que devemos adoptar em face da China”.

    Resumindo: a culpa é (a) de haver alguma liberdade económica e (b) dos americanos.

    Para os comunistas em geral, qualquer sintoma, por vago e mal feito que seja, de liberdade, económica ou outra, bem como a política externa americana, são os culpados de todos os males, até do visceral pó da maioria budista do Tibete aos chineses e aos muçulmanos.

    Que os comunistas em geral e o Bloco de Esquerda em particular são inimigos de toda e qualquer liberdade que se não enquadre nos ditames da cartilha, toda a gente sabe. Mas é bom que, de vez em quando, o confessem.

     

    António Borges de Carvalho
  • BEM PREGA FREI TOMÁS…

     

    Um senhor, de seu nome António Cluny, procurador-geral adjunto e, simultaneamente(!), presidente do sindicato dos magistrados do ministério público, é, como toda a gente sabe, uma das mais assíduas presenças na rádio, na televisão e nos jornais.

    O senhor pronuncia-se sobre tudo o que é lei, tudo o que é processo, tudo o que tem a ver com o sistema de justiça e, evidentemente, sobre tudo o que possa roçar a fímbria da beca dos doutíssimos colegas.

    Até aqui, tudo bem. É como o Carvalho da Silva, ou aquele tipo dos bigodes à Sadam e olhos de charroco que aparece mais vezes cá em casa do que a mulher-a-dias e que diz defender o “ensino”. É como o senhor Picanço e outras inevitáveis estrelas da televisão.

     

    Digno de nota é que o distinto magistrado, numa entrevista de quatro (quatro!) páginas a um diário, se insurge contra o “protagonismo” dos magistrados. Imagine-se. O  magistrado que mais protagonismo usa, a criticar tal prática!

     

    Bem prega frei Tomás…

     

    António Borges de Carvalho
  • A TROPA QUE SE CALE!

     

    “Não há nenhuma intenção do Ministério da Defesa em limitar os direitos dos militares… excepto aqueles de que voluntariamente abdicam quando abraçam a vida militar”.

    Este mimoso raciocínio foi expendido por um tipo – conheci-o há uns anos em Paris e fiquei certo de que se trata de um idiota – que é secretário do senhor Papuliano, ou Anaximandro, ou lá como é que o homem se chama.

    Quer o fulano, com isto, justificar mais uma medida do governo do senhor Pinto de Sousa, a qual, na melhor das hipóteses, faz lembrar o Estado Novo, a PIDE e outras veneráveis instituições do nosso glorioso passado. Segundo tal inteligantíssima medida, os militares na reserva ou na reforma ficam impedidos de divulgar as suas opiniões. As penas para os prevaricadores, presumo, vão da privação do fim de semana ao cancelamento do ordenado ou da pensão. Esta última ideia (diz-se) vai ser recebida com grande alegria pelo senhor Santos. Num instante, a criatura já fez as continhas aos euros que vai sacar à malandragem que se atrever a pronunciar uma conferência, dar uma entrevista ou publicar um artigo num jornal.

    Quer dizer, o idiota não percebe que há uma diferença entre a crítica pública da hierarquia, a desobediência ou a intervenção política tendente a pôr em causa a aceitação de ordens legitimamente dadas, e os contributos intelectuais dos militares para a formação da opinião pública, para a informação das políticas de defesa e segurança ou para outra qualquer faceta da governação, ou ainda para o mero comentário sobre política externa, crises internacionais ou episódios militares. À la limite, os militares na reserva ou na reforma não poderão, na opinião da inacreditável criatura, fazer crítica de cinema ou pronunciar-se sobre a crise do Benfica.

    Toda a gente vê, e percebe, e acha bem, que militares na reserva ou na reforma contribuam, com as suas bem informadas opiniões, para o esclarecimento das gentes, para o enriquecimento e elaboração intelectual de estudantes e professores, para as universidades, os institutos políticos, os think tanks da política em geral e da política de defesa em particular. Isto passa-se, aliás, em todo o mundo civilizado. Os militares devem ser disciplinados enquanto tal, e, uma vez “na peluda”, devem contribuir com o seu saber, feito de estudo e de experiência, para a sociedade de que fazem parte.

    Em Portugal, felizmente, há um número razoável de intelectuais militares, na reserva ou na reforma, que dão um importantíssimo contributo à Nação através das suas opiniões e propostas. Poderia talvez admitir-se que lhes fosse vedado instigar à indisciplina dos que estão no activo, ou aplaudir atitudes de manobrismo e de contestação às ordens da hierarquia ou do poder legítimo, como o passeio do Rossio ou outras alarvidades do género. Mas não é disso que se trata. O idiota quer fechar em casa os militares na reserva ou na reforma e proibi-los de existir enquanto cabeças pensantes.

     

    Quem ainda não percebeu o que se está a passar em Portugal no que à liberdade diz respeito, tem aqui mais um evidente exemplo da mentalidade, verdadeiramente totalitarizante, do senhor Pinto de Sousa e dos seus sequazes.

     

    António Borges de Carvalho
  • IRRITAÇÕES DE SÁBADO À TARDE

    COMEMORAR A TRAMPA

     

    O camarada Jerónimo vai fazer uma jantarada comemorativa das nacionalizações do 11 de Março, grande manifestação das mais amplas liberdades do camarada Cunhal.

    Por mim, acho bem.

    As consequências das nacionalizações e das barracadas que se lhes seguiram ainda hoje fazem uma profunda mossa na nossa vida colectiva. Foram, sem sombra de dúvida, o maior crime económico jamais cometido contra os interesses e o futuro dos portugueses. Os espanhóis, que conseguiram passar da ditadura para a democracia sem crimes deste tipo, que o digam. Ou nós que vejamos a diferença entre o que eles conseguiram a o buraco em que estamos metidos.

    O camarada Jerónimo vai beber uns copos à saúde dos crimes do seu partido. Pois que os beba, que chafurde à vontade na merda que criou. Só lhe fica bem. E ficaria bem a todos nós, sobretudo aos que ainda são capazes de confundir socialismo com democracia, se tirássemos, do jantar do camarada Jerónimo, as devidas conclusões. A primeira das quais será a de perceber que não vamos a parte nenhuma enquanto gente desta tiver a influência que tem na nossa vida colectiva.

     

    BUFARIAS

     

    Aqui há tempos, o Irritado irritou-se contra uma fulana qualquer, que ninguém elegeu nem se sabe quem é, a qual, a fim (diz ela) de promover a moralidade e os bons costumes, se pôs a fiscalizar as navegações dos deputados na Internet.

    Ao contrário do que, se houvesse democracia em vez de socialismo, seria de esperar, o governo não reagiu e o Procurador da República ficou quietinho. No fundo, tanto um como outro, gostaram da atitude da mulher. É o que significa o seu silêncio. E a mulher, em vez de ser liminarmente corrida, continua a fazer das suas no corredores do parlamento. Encorajada pelo êxito das suas moralizantes medidas, dedica-se agora a “escutar” o correio electrónico dos deputados.

    Será que correio electrónico não é correio? Será que a correspondência deixou de ser inviolável? Será que a Constituição deixou de existir? Será que já não é crime abrir os envelopes dirigidos a terceiros? Será que a PIDE está de volta?

    Parece que, para estas perguntas, há uma só resposta: sim.

     

     

    O LOBO E O CORDEIRO

     

    Os desgraçados que põem óleo fula nos depósitos dos carros não passam, no parecer do governo, de um bando de canalhas. Não, meus senhores, não se trata de estragar os automóveis, não tem a ver com o CO2, não se trata de desperdício de bens alimentrares. Trata-se, supremo crime, de fuga aos impostos.  Os tipos que põem óleo fula nos depósitos do gasóleo estão, objectivamente, a fugir aos impostos sobre os produtos petrolíferos! Embora não usem produtos petrolíferos! Ou seja, são culpados de fugir a impostos que não existem! Não, meus senhores, não é proibido pôr os motores a funcionar com óleo fula. O que é proibido é não pagar um imposto que não incide sobre o óleo fula que se usa!

    E não se diga que se trata de não estar previsto o funcionamento de motores com este simpático bio-combustível. O socialismo apoia os bio-combustíveis sem cuidar da desgraça que são para a humanidade inteira. Mas, para o “pensamento” triunfante, a existência de tais produtos só é admissível se… pagar impostos!

    Se não há impostos que se lhe apliquem, aplique-se-lhes uns impostos quaisquer.

    Se não foste tu, foi o teu pai, dizia o lobo ao cordeiro. Profético Lafontaine!

     

    GLOBETROTTERS

     

    Uma campanha publicitária de grande impacto, a custar milhões, vem informar os cidadãos sobreos crimes contra a humanidade que vêm cometendo.

    Explica a tal campanha: “se você der 15.000 voltas ao mundo, produz 31.000 toneladas de CO2”; e prossegue: “127.000 árvores levam 25 anos para anular 31.000 toneladas de CO2”.

    Não se sabe o que pretende a organização que faz esta publicidade, nem quem a financia, nem que estudos levaram a tão surpreendentes conclusões.

    Não se sabe se é o seu automóvel quem produz as 31.000 toneladas de CO2, se você comete tal crime de avião, ou se se trata de produto do seu suor, no caso de dar as tais 15.000 voltas ao mundo a pé .

    Não se sabe se se trata só de números atirados à parede, ao calhas, a ver se colam.

    Não se sabe que árvores são prescisas, se macieiras se carvalhos, se outra coisa qualquer.

     

    O que se sabe, ou se sente enfiado pela cabeça abaixo, é que nem o super-homem deu 15.000 voltas ao mundo.

    O que se sabe é que a natureza produz muito mais CO2 que o homem, mesmo que cada homem dê 15.000 voltas ao mundo.

    O que se sabe é que há quem ande a ganhar dinheiro à custa dos papalvos que se deixam aterrorizar com estas patacoadas.

     

    BIODESGRAÇAS

     

    O camarada Louça diz que o camarada Pinto de Sousa, por apostar nos bio-combustíveis, está a condenar à fome os povos do terceiro mundo. É capaz de ter razão. Mas, pelo menos tão importante como isso, é o futuro que o senhor Pinto de Sousa prepara para todos nós.

    Não tarda, vai haver subsídios para culturas extensivas e intensivas de matéria prima biológica.

    Não tarda, os agricultores vão ser empurrados pelo senhor Pinto de Sousa para criar as bases físicas da calamidade.

    Não tarda, os habituais parceiros do socialismo vão perfilar-se, na bicha das prebendas, para receber os almejados “incentivos”.

    Não tarda nem alfaces produzimos.

    O camarada Louça espinoteia. E a direita? Está a dormir, ou anda entretida a fazer cada vez mais asneiras?

     

    UMA BOA NOTÍCIA

     

    O mais notável causídico/hoteleiro da nossa praça, nóvel socialista, próximo presidente da “entidade” que vai dar cabo da zona ribeirinha de Lisboa, saíu à liça para defender as opções empresarias do camarada Coelho. Em artigo no “Público”, a criatura defende e justifica tais opções. Muito bem. Aprovado por aclamação.

    O camarada Coelho é livre de aceitar os tachos que lhe oferecem. Que lhe façam bom proveito. Se o homem cumprir a promessa de se retirar da política, ficamos livres de um dos mais chatos demagogos da nossa praça, não mais teremos a desgraça de ouvir as suas patacoadas, não mais perderemos tempo com as justificações do injustificável em que o homem é especialista.

    O senhor Mota que o ature!

     

    António Borges de Carvalho

     

     
  • CRIANCINHAS, ATENÇÃO AO MOSTRENGO!

     

    Vós sois a melhor coisa do mundo. Sois também, desgraçadamente, uma das coisas de que se fala, pelas piores razões. Ele é os pedófilos, ele é os raptores, ele é a violência doméstica, ele é os professores a fazer greves em vez de ensinar, ele é o acordo ortográfico, ele é os tribunais que as arrancam aos que as amam, um nunca acabar de ameaças e perigos.

    Venho avisá-las de que um novo mostrengo se debruça agora sobre a vossa vida, não como o que “está no fim do mar” e que, “na noite de breu” se ergue “a voar”, mas outro, invencível, mais tenebroso que todos ao Adamastores, outro, que não tem “a boca negra e os dentes amarelos” nem a “barba esquálida”, nem figura que se mostre no ar, “robusta e válida, de enorme e grandíssima estatura”.

     

    Não, não tenham medo, como o Dias teve do Mostrengo. Tenham mais!

     

    O novo mostrengo é o fulano em que os vossos pais votaram (violência doméstica!), o mostrengo que mora na Rua da Imprensa à Estrela e tem a mania de ir buscar credibilidade ao nome do filósofo grego na mira de disfarçar a sua rebuscada e violenta iliteracia. Ele é como o abutre da Sophia, “alisa as penas” e “faz tornar as almas mais pequenas”.

    A rebuscada crueldade do novo mostrengo lembrou-se de vos atacar na vossa alegria de viver, nos vossos mais simples e inocentes prazeres.

    Atenção! Se lhes der uma moeda para tirar de uma máquina uma bola de plástico com uns brindes, ou um chocolate, um caramelo, um bombom, o vosso papá será considerado pelo mostrengo como estando a praticar um crime, um “jogo de fortuna e azar” punível com prisão e multa! Cuidado!

    Eu sei, eu sei que não percebeis, que não vos é dado perceber. Eu sei que vós tínheis uma alegria enorme ao ver sair o Nodi e um carrinho da bola de plástico, que desejáveis um chocolate maior do que o da vossa prima mas não ficaveis tristes se não o tivésseis, eu sei, eu sei. O mostrengo também sabe, mas está-se nas tintas. O que anima o mostrengo é poder sacar dos bolsos do vosso papá, em multas, as moedinhas que ele, cheio de carinho, gastava nas bolas de plástico e nos furinhos.

    Tende paciência. Procurai esquecer. Como sois jovens, talvez consigueis um olvido rápido e quase indolor.

    Mas não vos habitueis a esquecer, senão pode acontecer-vos como aos vossos pais: ficar, inertes, às ordens do mostrengo.

     

    António Borges de Carvalho

     

     
  • PINOTAOS

    Líderes como Pinochet e Jintao têm pontos comuns. Ambos fazem crescer a economia dos seus países. Ambos escolhem uns parceiros económicos que, dando ao seu regime uma falsíssima faceta liberal, lhes permitem falar de progresso e de justiça. E ambos conseguem o tal progresso alicerçando-o em milhares de mortos, em prisioneiros políticos, em ausência de liberdade e de legitimidade, em forças armadas e policiais corruptas e servis, em jornalismo condicionado ou amordaçado.

    Isto passou-se no Chile, passa-se na China.

     

    Na Europa, fia mais fino. Os candidatos a ditadores têm que conter as garras, com medo de ser incompreendidos pelos estrangeiros. Mas escolhem na mesma os seus parceiros, deixam, ou provocam, que lhes chamem liberais quando são a mais cínica versão do socialismo, “libertam”, da sociedade civil, quem lhes for útil, tomam conta de bancos, põem sequazes em altos postos da economia privada, perseguem os contribuintes, apertam tarrachas com “autoridades” e “entidades reguladoras” de tudo e mais alguma coisa, invadem a privacidade de cada um, escutam telefonemas, lêem os SMS’s dos cidadãos, promovem e premeiam a delação e o bufismo, deitam o sigilo bancário para o lixo, proíbem as pessoas de fumar e de comer bolas de Berlim, cruzam dados como lhes apetece, processam os contribuintes com razão ou sem ela…

     

    Protegidos pela máscara que a Europa fornece, escondem-se os que, se não fosse a Europa, Pinochets e Jintaos gostosamente seriam.

    Deixo aos leitores a tarefa de descobrir de quem falo.

     

    António Borges de Carvalho
  • UMA BENGALINHA

     

    Anos atrás, uns senhores, probos e sérios, convidaram-me para um movimento político que estavam a lançar. Tratava-se de um grupo com origem no CDS, democratas cristãos, católicos praticantes, tidos por “freitistas”. Considerei o convite uma honra.

    Fui a várias reuniões, aprendi algumas coisas, cooperei na redacção de alguns textos programáticos, etc.

    Até que. Até que percebi que o movimento tinha como objectivo número um integrar as listas do PS (Guterres) para as legislativas. Nessa altura, como é óbvio, escrevi uma carta desligando-me do movimento. Socialismo não, ainda menos com o aval da “Igreja”.

    E lá entrou para o parlamento a senhora Carneiro e um rapaz cujo nome esqueci. Não sei o que aconteceu ao rapaz. A senhora ainda por lá anda, a espernear inútil e ingloriamente contra o aborto e outros progressismos sociais da clique do senhor Martins.

    Serviram os meus amigos, como é evidente, de bengala “religiosa” e “centrista” para o socialismo guterrista.

     

    O senhor Marques, célebre pela incursão marítima em Timor na companhia do General Doutor Eanes, aparece agora com uma nova iniciativa, sequência lógica da dos meus amigos e em evidente ligação com eles. O movimento não tem ideologia que se entenda, usa chavões tipo “esperança”, “justiça social”, “coesão”, etc., situa-se fora da esquerda e fora da direita (onde?), propugna uma “política de pontes” (!), e vai passar a partido político. Já anda, aliás, a reunir as assinaturas necessárias. A imprensa, a rádio e a televisão dão-lhe alto destaque, o senhor Marques vai aparecendo aqui e acolá fazendo as suas lenga-lengas com a “devida” cobertura informativa.

     

    É evidente que se trata de um reforço da bengalinha do senhor Guterres, desta vez oferecida em bandeja humanista ao senhor Pinto de Sousa. Para além disto, ou seja, para além do cavalete que levará mais um ou dois deputados para São Bento em 2009, não se sabe o que quer o senhor Marques. Se calhar não quer mais do que isso.

    Lá vai o senhor Pinto de Sousa compensar, com as sacristias marquistas, as abébias que anda a dar à sofreguidão da esquerda.

     

    António Borges de Carvalho