O camarada Jerónimo anda desvairado. Então não é que o rapaz dos bigodes fez um acordo com a ministra sem ter sob controlo a generalidade das massas? Desde quando é que o proletariado faz acordos com a burguesia sem ter sob controlo a generalidade das massas? Desde quando é que as vanguardas cometem erros na avaliação das condições objectivas da luta de classes em cada momento histórico?
O camarada Jerónimo está a ler a “Doença infantil do comunismo” pela octogésima quinta vez. Ainda não conseguiu perceber nada. Se os sindicatos, sob a sua superior direcção, se deixaram ultrapassar por organizações lumpen, não será isso um grande passo atrás na marcha para os amanhãs que cantam?
A teoria, explicou-lhe em tempos o camarada Cunhal, está certa, sempre certa. Não é preciso perceber. Sendo assim, pensa o camarada Jerónimo, se alguma coisa falhou foi porque a direcção das massas não esteve à altura dos desafios do devir histórico! Como foi possível que a linha justa dos professores se tenha deixado ultrapassar por reaccionários que não aceitaram a vitória esmagadora dos sindicatos e se atrevem a pôr em causa o discurso de vitória que o comité central redigiu e o camarada Jerónimo ensaiou ao espelho e tão bem soletrou perante o povo?
É verdade que a ministra e o Pinto de Sousa ficaram completamente esbandalhados, deram o dito por não dito, meteram os pés pelas mãos, deram mais um ano de margem de manobra às massas, etc. É verdade que a esmagadora maioria das escolas aceitou o acordo do xarroco com a ministra. Mas também é verdade que isso de maiorias é uma fabricação da burguesia para enganar o proletariado. A maioria é o mais perigoso escolho na marcha triunfal para a vitória!
Andará nisto a mão do Meneses?
O Irritado solidariza-se com as inquietações e as hesitações teóricas e práticas do camarada Jerónimo. Que o São Carlos Mar(x)ques lhe acuda!
ABC

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