Podem os nuestros hermanos estar descansados. O senhor Sapateiro, ontem, no debate com o senhor Rajoi, garantiu ao povo que criaria dois milhões de novos postos de trabalho.
O socialismo é assim! Por cá, como somos mais pequenos, o socialismo ficou-se por uma promessinha de cento e cinquenta mil.
A avaliar pelos resultados, a coisa, em Espanha, vai dar em mais uns três milhões de desempregados, largamente compensados por uns cem mil novos empregos.
Os números não enganam, quem engana é o socialismo.
O senhor Crespo, grande defensor da língua portuguesa, disse ontem que “é preciso pôr um fim terminal à violência”. Antes isso. Se fosse um fim inicial era pior.
O mesmo senhor Crespo acha um escândalo que os adeptos do Benfica tenham, ao Domingo, “obrigado” a fechar a segunda circular. Num país onde qualquer manifestação, pequena ou grande, obriga a fechar artérias vitais para quem trabalha em dias úteis, compreende-se o horror do senhor Crespo. Se for o PC, o sindicato dos dentistas ou a semana académica, tudo bem. Se se tratar de futebol, tudo mal. Ora bolas para a bola… do senhor Crespo.
Em notável demonstração de portuguesismo, o novel escritor Paulo Catarro, no lançamento de um seu livro sobre não sei quê, afirmou que nele podem-se ler… não sei o quê.
Não cabe ao Irritado explicar ao senhor Catarro porque se diz pode ler-se, já que isto de sujeitos indeterminados, concordâncias, etc., é coisa que, certamente, o ultrapassa. Espera-se, ainda que seja altamente improvável, que os revisores da editora do senhor Catarro saibam alguma coisa do ofício.
Dona Edite, muito conhecida por, como o senhor Catarro, pôr no plural infinitivos impessoais, declarou, em nome dos eurodeputados portugueses do PS, o seu apoio incondicional ao senhor Sapateiro, nas eleições espanholas. É óbvio que, logo a seguir a este importantíssimo apoio ter sido divulgado em Espanha, o senhor Sapateiro subiu vertiginosamente nas sondagens. Outra coisa não era de esperar, dada a cósmica importância da dona Edite.
A Igreja Católica parece estar a proceder a mudanças de fundo na sua política externa. O número um da Cúria Romana apressou-se a apresentar, pessoalmente, as suas saudações apostólicas ao novo ditador de Cuba. Foi o primeiro “político” mundial a fazê-lo. Agora, o mesmo reverendíssimo senhor vai ao Azerbeijão, país muçulmano governado por uma horrenda dinastia de tiranos comunistas. Não se percebe bem porque há-de a Igreja, tão acusada, às vezes injustamente, de pactuar com regimes paranóicos e desumanos, se presta a estas coisas. A não ser que queira demonstrar a real existência do inferno.
Por critérios que a razão desconhece mas o orçamento consagra, o IMI vai aumentar. Assim: em 2008, 120 euros; em 2009, 135; em 2010, 150; em 2011, 165.
Mais um inestimável contributo do socrelfismo para o bem-estar do povo. Tanto mais, diz o governo, que se trata de um aumento progressivo, protegendo a carteira do cliente, por intermédio de uma generosíssima “cláusula de salvaguarda” que sobre todos lança a mão protectora do senhor Pinto de Sousa.
Gratias agamus tibi, ó grande benfeitor das gentes!
A DGV foi substituída ela ANSR e pelo IMTT. A ANSR, coitada, não pode mexer nos arquivos do IMTT, onde estão as multas do trânsito da DGV. Daí que o governo, numa genial inspiração, em vez de pôr o computador da ANSR em sintonia com o do IMTT, ambos ex-DGV, tenha resolvido contratar a ordem dos advogados para processar vinte mil tenebrosos cidadãos que não pagaram as multas (contra-ordenações!!!) do estacionamento. Saúde-se mais esta preciosa iniciativa das autoridades competentes. Em vez de pôr as coisas (os computadores e os funcionários)a funcionar, vai pagar outsourcing aos advogados.
Quanto ao que as siglas querem dizer, bem como para saber porque se fez mais esta brilhante “reforma do Estado”, queiram V.Exas contactar o “site” do governo. O Irritado não está para isso.
ABC

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