IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • O GRANDE POLÍCIA

     

     

    O meritíssimo senhor Mário Mendes, novo super polícia (mais super que ele só o senhor Pinto de Sousa), mal tomou posse começou logo a querer rever tudo e mais alguma coisa. Quer dizer, em vez de começar por “policiar”, vai dedicar-se a fabricar uma nova série de regulamentos, papéis e mais papéis, vai alterar as competências dos seus subordinados, arranjar uma colecção de chatices, de resistências, de ciúmes, de ofensas, tudo resultando, como é evidente, numa confusão ainda maior que a que já existe. Mas ficará na história como (mais) um “reformador”.

    Este país está cheio de agentes públicos que não percebem que o que é preciso é obrigar à operacionalidade dos subordinados em vez de baralhar tudo e dar outra vez, e que acham que a melhor maneira, e a mais fácil, de se tornar úteis é fazer regulamentos e papeladas.

     

    O Irritado tem a infundada esperança de não ter razão e de estar a ser injusto. A ver vamos.

     

    11.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • VIVA O CONCUBINATO!

     

     

    O coprofufocasamento tem estado a ser criteriosamente propagandeado por todos os chamados meios de informação, para glória e proveito dos partidos comunistas.

    Até Universidade Católica (!), motivando o religioso embevecimento do senhor Jerónimo e do senhor Louça, já se encarregou de fazer uma sondagem destinada a chegar à conclusão que 47% dos portugueses não levam a coisa a mal.

    Hoje, o jornal privado chamado “Público”, por exemplo, dedica várias páginas à coisa, com ternurentas fufofotografias e convincentes textos.

    Ontem, a SIC Notícias tomou a seu cargo mais uma sessão de propaganda, onde um pau de virar tripas, fulana completamente espernéfica, histerizou, numa gritaia de falsete, as suas considerações jurídico-históricas (de história a rapariga não sabe a ponta de um corno, coitada), na intransigente, prosélita e fundamentalista defesa do “instituto” do casamento à sua maneira, isto é, do coprofufocasamento. Como todos os que, lá no fundo, sabem que não têm razão e que estão a defender o indefensável, a fulana usava a técnica do grito histérico, explorava a boa educação com que os demais lhe suportavam a virulência e, parvos, acabavam por a deixar massacrar o povo com a sua inqualificável “defesa dos direitos humanos”. A seu lado, um diáfano pederasta, encantado, sorria, quiçá a pensar no pecado de incongruência que cometia por estar a gostar daquela mulher. Mas era bem mais civilizado que ela, reconheça-se.

     

    Goste-se ou não, o coprofufocasamento vai acabar por ser aprovado. Vamos continuar a assistir a coisas destas, no parlamento, nos jornais, nas televisões, nos outdors do Bloco de Esquerda, por toda a parte.

     

    Resistir a isto? Não vale a pena. Está a dar e acabou-se. Que se lixe.

     

    O que não quer dizer que aqueles a quem a coisa não agrada não reajam.

    O IRRITADO propõe que se crie desde já um “movimento de massas”, tendente a minorar as consequências, para a dignidade de cada um da futura lei do coprofufocasamento.

    As pessoas que, sendo casadas à antiga, isto é, homens casados com mulheres e mulheres casadas com homens, deveriam divorciar-se, para que a sua união se não confundisse com a das fufas e dos pederastas. Eles e elas que ficassem casados. Os casais propriamente ditos passariam a viver em concubinato com o respectivo parceiro.

    A lei socialista do divórcio veio facilitar as coisas. Basta um dos membros do casal ir ao registo des-registar o “contrato”, e aí está. Não se preocupem com as consequências jurídicas e fiscais da atitude, uma vez que, se houver alguma chatice, poderão sempre dizer que vivem em “união de facto”, magnífica descoberta do socialismo na sua obra de des-responsabilização civil.

     

    Assim, nada de confusões: logo que a lei entre em vigor, quem passa a casar-se são os maricas e as fufas. O comum dos mortais institui o regime de concubinato, devidamente sacramentalizado pela religião ou pela consciência moral de cada um.

     

    As águas ficarão devidamente separadas, evitando-se confusões. Consagrar-se-á a diferença, que é uma coisa muito mais saudável que a “igualdade” concebida como está a ser.

    Proponham isto aos vossos amigos. Um grande movimento é preciso, não de protesto, porque não vale a pena protestar, mas de diferenciação e de dignificação de quem não alinha em trafulhices.

     

    11.10.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    ET. Na noite passada, mais um filme de propaganda da pederastia no "serviço público" de televisão (RTP1). A somar à valiosíssima publicidade da fufaria  que o mesmo "serviço" (RTP2) anda, há meses, a impingir às pessoas.

    12.10.08

    ABC

     
  • O KOSOVO E NÓS

     

     

     

     

    O autor destas linhas passou, por duas vezes, uns dias no Kosovo.

     

    É uma terra de contrastes. Uma economia predominantemente rural, pobre sem ser miserável, pequenas aldeias com casinhas mal construídas e alfaias obsoletas espalhadas a esmo à sua volta, uma gente mais ou menos simpática, dieta simples do tipo levantino, muitos legumes, saladas, pouca carne, carneiro intragável, mulherzinhas de lenço na cabeça a lembrar o Portugal de há cinquenta anos. As poucas cidades, mormente a capital, são um paraíso de cassetes piratas, CD’s, DVD’s e mais o que se possa imaginar, uma juventude com veleidades ocidentais, jeans, decotes, faixas da gaja, malta desempregada mais por opção do que por sina, bandeiras americanas e albanesas, uma confusão provinciana e primitiva.

    No meio disto, vêm-se magníficos Mercedes e BMW’s, as mais das vezes com carros de seguranças à frente e atrás. Há qualquer coisa de suspeito naquilo tudo, difícil de ajuizar. Serão mafiosos? Para nós, sim. Para os albaneses do Kosovo são heróis libertadores, fulanos que andaram nas montanhas a perseguir os sérvios e que, naturalmente, se financiaram para a guerrilha como habitualmente, se financiam as modernas guerrilhas: droga, tráfico de mulheres, comércio de armas… e que, muito naturalmente, prosseguem com as suas “naturais” actividades “económicas”.

     

    Não percebemos quem é sérvio e quem é albanês. Mas eles distinguem-se uns dos outros sem risco de erro. Como? Sei lá. Poderia pensar-se que as albanesas – muçulmanas – andavam de chador, as sérvias não. Nem pensar. As albanesas, apesar de pagas (cem dólares cada) para o usar por ONG’s sauditas, recebem a massa e borrifam no assunto. Nada, para nós, distingue uns dos outros. Mas eles conhecem-se e odeiam-se.

    No meio de Pristina há uma rua sérvia. Em cada extremo dela, um carro de combate das forças da NATO. As crianças sérvias que lá moram, para ir à escola, precisam de uma escolta militar armada até aos dentes. As donas de casa, para ir às compras, também. Nas traseiras dos prédios dessa rua há postos de vigilância permanente a observar as redondezas, com metralhadoras apontadas em todas as direcções.

    Deslocado por Belgrado, um funcionário sérvio, cercado por fortes medidas de segurança, chefiava a secção de passaportes. Era um tipo simpático e dava-se bem com toda a gente. Um dia, confiante de si, iludiu a segurança e resolveu dar uma volta sozinho. Não andou mais de duzentos metros. Uma granada deu-lhe cabo do canastro.

    O bispo sérvio vive num mosteiro, a meia dúzia de quilómetros da capital. Escusado será descrever o aparato de tropa que o guarda e que o acompanha se quiser deslocar-se.

     

    A vingança dos albaneses por séculos de dominação, pela quebra da autonomia que Tito lhes tinha outorgado, pela limpeza étnica de Milosevic, não conhece limites. Os sérvios, minoritários e “na mó de baixo”, estão “pacificados”. Até ao dia da sua própria vingança, é o que, nas entrelinhas, acabam por confessar.

    Não se trata, penso, de um conflito religioso. É certo que os sérvios, mais por defesa que por fé, se agrupam à volta das suas igrejas e dos seus popes. Os albaneses, mesmo dizendo-se muçulmanos, andam longe de Maomé. Bebem álcool, comem chouriço e fornicam à vontade. Pode haver alguns centros de ortodoxia muçulmana mas, se os há, não são coisa que se note. Os ciganos, “romas” como por lá se diz, não contam. Dedicam-se à mendicidade e à pequena criminalidade, como é característico da etnia.

     

    A NATO interveio no Kosovo, à revelia das Nações Unidas, por questões humanitárias indiscutíveis. Note-se que o senhor Clinton não estava nada interessado no assunto. Acabou por alinhar por solidariedade para com os seus aliados, coisa que foi devidamente “paga” por estes quando Bush resolveu fazer o mesmo no Iraque. Se não fosse a ajuda americana, os europeus teriam deixado, na Sérvia e no Kosovo, dezenas de milhares de mortos. Mas, os mais dos europeus, nem no Afeganistão se lembram disso: mandam tropas a título simbólico, nada de riscos, que faz calos.

    Espera-se que a Europa não venha a precisar, da parte dos EUA, de retribuição desta “solidariedade”. E, ou me engano muito, ou, se o senhor Obama for eleito, bem pode a Europa tirar os cavalinhos da chuva…

     

    Na minha primeira viagem a Pristina eram ainda muito visíveis os resultados dos bombardeamentos americanos. Em frente do hotel onde estava – o único minimamente decente que havia à altura – via-se, do lado de lá da praça, num estado lastimável, um edifício destruído à bomba. Era a antiga sede da polícia de Milosevic. À sua volta, tudo intacto. A caminho dos barracões da NATO, uma série de antigos depósitos de combustíveis militares, estava arrasado. À sua volta, tudo intacto. E se os americanos não tivessem feito isto? Quantos soldados do senhor Chirac não teriam morrido para “conquistar” estas posições?

    * 

    Conheci relativamente bem um senhor, chamado Ibraim Rugova, um patriota Kosovar, pró-ocidental, líder das forças moderadas albanesas e moderador das que o não eram. Apreciei as intenções pacíficas do homem, ainda que duvidasse do seu sucesso, metido como estava numa tempestade de ódio. Tinha uma paixão sincera e honesta pelo seu povo. Guardava, numa sala da moradia onde tinha quartel-general, numas estantes de vidro, amostras dos solos, das pedras, dos minerais do Kosovo, e, com comovida paixão, oferecia pedaços da sua terra a quem o visitava. Aos que se interessavam por um futuro de paz e democracia na região, incutia alguma segurança, alguma confiança. Quando houve eleições, ganhou-as com larga margem. Mas veio a morrer bem cedo, vítima de cancro. De resto, as “autoridades” kosovares nascentes mereciam confiança nenhuma.

    *

    A independência acabou por chegar. As tais “autoridades” tomaram conta do “país”. Mas o ódio não foi aplacado. O Kosovo é um protectorado internacional e não deixará de o ser tão cedo, sob pena de novos latrocínios, novos atentados, novos ondas genocidas. Ninguém saberá como resolver o problema, porque o problema está no coração das pessoas, não tanto nos seus interesses. Neste caso, como em muitos outros, a verdade é extremista porque, como dizia o poeta “é no sentimento que ela está”.

    *

    Portugal acaba de reconhecer a independência do Kosovo. Uma atitude duplamente cobarde. Cobarde porque, confessamente, não foi fruto de nenhuma apreciação directa do problema, mas de uma postura de “Maria vai com as outras”. Cobarde porque, dando com uma mão, se tira com a outra: uma série de “prémios de consolação” à Sérvia, uma tentativa de lavar as mãos como Pilatos, na estulta pretensão de ficar de bem com uns e com outros.

    Portugal concertou posições com outros países europeus? Com certeza. Um sinal de que a concertação é possível. Como a Espanha e a Grécia ficam de fora, porque não se concertou com Espanha? Em relação a esta, Portugal “concertou” mais com a ETA que com o Reino.

    Não havia outra coisa a fazer? Talvez. Ninguém explicou, porém, quais seriam, para os nossos interesses, as consequências de outra atitude.

     

    Luz ao fundo deste túnel é coisa que não há. Outros problemas, mais urgentes, mais importantes, nos preocupam. Então porque entreter-nos a todos com isto, como se isto nos dissesse respeito?

     

    António Borges de Carvalho
  • ESTOU AQUI

     

     

    Onde estão os neo-liberais?, pergunta hoje o Presidente Soares, lá do assento etéreo onde subiu, ali, à rua de São Bento.

     

    O homem que teve a estupenda ideia de meter o socialismo na gaveta quando percebeu que a coisa o levava a parte nenhuma, o homem que defendeu a constituição de grandes grupos económicos, a quem, aliás, nunca faltou com prestimosa ajuda, acaba de descobrir que “o que está podre, a agonizar, é o capitalismo “.

     

    Ontem, ouvi o inefável camarada Octávio Teixeira, grande educador financeiro do PC e do Banco de Portugal, afirmar que “o capitalismo ainda não morreu”, só anda à rasca nesta fase do campeonato.

    No período mais “doutrinário” da sua existência, o Presidente Soares ultrapassa o grande educador financeiro do PC no diagnóstico que faz da situação: o capitalismo está podre, e agoniza. Quer dizer, está a morrer, vítima desse novo demónio que se chama “neo-liberalismo”. E ainda bem, pode ler-se nas entrelinhas do Presidente, eventualmente reconvertido ao socialismo puro e duro, reconversão de que a sua súbita paixão por Chávez  já fazia suspeitar.

     

    Aqui há tempos, o demónio era a globalização. Os soares, os saramagos e quejandos, burramente, gritavam contra ela, como se fosse possível pará-la.

    Depois, quando a globalização começou a dar frutos, quando países até aí miseráveis passaram, por conta dela, a “emergentes”, quando os preços das matérias-primas subiram e houve mais-valias que começaram a beneficiar os famintos, havia que arranjar outra origem para todas as desgraças: era altura de inventar um novo culpado. Desta feita, o “neo-liberalismo” foi o escolhido. O inimigo externo sempre foi o alimento dos que não olham a meios para fazer valer as suas “razões”.

      

    As soarais confusões são por demais evidentes.

    Dois exemplos:

    – O presidente Soares elege as nacionalizações ocorridas na Irlanda como sinal claro da morte do capitalismo. Esquece-se de que a Irlanda, feliz ilha onde a esquerda não medra, foi (ainda é) o maior sucesso económico e social da integração europeia. Um sucesso liberal, ou “neo-liberal”, se se quiser.

    – O Presidente Soares acusa “o capitalismo norte-americano, na sua fase financeira-especulativa”, ou seja, nos mandatos Bush, de todos os males. Esquece que quem “inventou" o subprime foi o senhor Clinton, não o senhor Bush. O sistema entrou em crise, não por ser demasiado “especulativo”, mas por ser demasiado “social”, isto é, porque o capitalismo liberal foi, por via política, levado a sair da lógica que lhe é própria.

     

    Para o Presidente Soares, a recessão atinge “a França, a Irlanda, a Holanda, talvez a Espanha…”.

    Fatal paranóia ideológica. Os países atingidos, na pena esclarecida de Soares, são todos governados à direita.

    Para ele, a Espanha, que tem a esquerda no poder desde o ataque de cobardia colectiva lá levou o Sapateiro, e que, por consequência, de há muito se afunda a passos largos, “talvez” seja atingida. Só “talvez”.

    Sarkozy, bombo da festa soarista, é um dos principais culpados da desgraça.

    E Portugal? Portugal não entra na lista soarista dos atingidos, com certeza por mor da política económica do senhor Pinto de Sousa. Não é dito, mas fica nas entrelinhas.

     

    Há que reconhecer que a presente crise dá, aos inimigos do liberalismo (o "neo-liberalismo" não sei o que é) um magnífico mote para as mais violentas críticas e para as mais variadas “análises” filosófico-políticas, das quais a soarista é das mais primitivas e das menos informadas.

     

    Mas, neste país de pacóvios, o artigo de Soares vai ficar, por uns dias, a fazer escola.

     

    Quando, com Bush, com McCain ou com Obama, os Estados Unidos saírem da fossa, a Europa dos teóricos como Soares, alimentada por preconceitos ideológicos e por solipsismos nacionalistas, talvez descubra, tarde e más horas, a solução para os seus problemas, nunca se esquecendo, como é de timbre, de que a culpa é dos Estados Unidos, do capitalismo e do “neo-liberalismo”.

     

    Nunca é demais repetir, àqueles que ainda prezam a Liberdade apesar de intelectualmente torcidos por complexos de esquerda e por baias ideológicas, que nunca houve tal coisa sem capitalismo, embora já tenha havido, e haja, capitalismo (capitalismo socialista!) sem que haja Liberdade.

     

    Onde estão os “neo-liberais”?, titulava hoje o Presidente Soares. Posso responder-lhe: “neo”, não sei, mas liberal, aqui tem um. Sabe porquê?

    Porque gosto dessa coisa de que, quando lhe faz jeito, o senhor diz que também gosta: a Liberdade.

     

    7.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • BOYS

     

    Já há uns dias circulava, nos mentideros da política, a história daquilo que talvez seja o mais grave escândalo do socialismo socrélfio: o terminal de contentores de Alcântara.

    Falou-se, á boca cheia e com a propaganda do costume, na grande obra que o estado socretino iria realizar na zona. Túneis ferroviários, requalificação urbana, “abrir” o rio aos cidadãos, etc. blá, blá, blá.

    A Câmara Municipal de Lisboa não era tida nem achada para a coisa. Os planos do governo não tinham nada a ver com os da CML.

    O senhor Costa não esteve presente na cerimónia em que o desbocado Lino, na presença do senhor Pinto de Sousa, anunciou urbi et orbe (leia-se para RTP ecoar), mais esta grande realização do governo.

    A “revolta” do senhor Costa ficou-se por aí. Deve ter sido aconselhado a calar-se como um rato, o mesmo acontecendo ao caloteiro Fernandes e á grande líder dos Cidadãos por Lisboa, dona Helena. O poder é o poder, o resto são cantigas.

     

    Facto é que, diziam os mentideros e veio a confirmar-se, a “abertura” do rio aos cidadãos se consubstanciou num mega terminal de contentores laboriosamente negociado com a empresa para a qual, cirurgicamente, tinha há pouco sido designado um novo líder: nada menos que o número dois do PS!

    Podiam pôr os contentores em vários outros locais. O estuário é largo e tem mais espaços. Setúbal agradecia a coisa. Em Sines estão milhares de milhões enterrados á espera de oportunidades. Cais quê? Nem pensar. A coisa tinha que ser colocada num local onde já havia uma concessão, a fim de evitar concursos públicos (que chatice!). Era só “alargar” a concessão, em espaço e em tempo, e estava feita a coisa, ou seja, estava realizado o primeiro grande triunfo do senhor Coelho na sua excelsa e eficaz qualidade de CEO. Para as más-línguas, ficava explicada a razão da nomeação deste extraordinário “gestor”, muito conhecido, como tal, lá em casa, isto é, no Largo do Rato.

     

    Qualquer empresa privada, da tasca da esquina à grande indústria, antes de gastar dinheiro consulta o mercado à procura das melhores condições. O estado socialista não pratica esta regra básica. A regra básica é a do favorecimento dos boys. Doa a quem doer.

     

    Mais um exemplo da moral republicana.

     

    8.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • DA COMPETÊNCIA ELECTROTÉCNICA E JURÍDICA

     

    Uma criança foi electrocutada por um poste de EDP. Passou uns dias no hospital, e ficou com eventuais sequelas para o resto da vida.

     

    Estes são os factos. Vejamos as consequências:

     

    a)    Segundo o relatório dos técnicos da EDP, feito a pedido do Ministério Público, "dentro do poste havia um cabo mal isolado";

    b)    Segundo o Ministério Público, ao encostar-se ao poste, o rapazito terá feito oscilar a coisa; já que, e passo a citar, “ao abanar o poste, o voltímetro digital apresentava valores descontínuos”;

    c)    Dadas estas circunstâncias, o distinto e douto Ministério Público concluiu que a culpa foi do rapaz.

     

    Daqui se conclui:

     

    a)    Os postes da EDP têm, no interior, cabos mal isolados, o que é perfeitamente legítimo e tecnicamente irrepreensível;

    b)    Os postes da EDP estão tão bem fixados ao terreno que abanam se uma criancinha de sete anos se agarrar a eles, o que também é de uma legitimidade e de um rigor técnico acima de qualquer crítica;

    c)    A criança electrocutada deveria ser enviada, por uns anos, para uma casa de correcção, a fim de aprender a não se encostar a postes da EDP.

     

    Assim vai a Justiça em Portugal.

     

    8.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • DOS MALEFÍCIOS DO SOCIALISMO

     

    Segundo os jornais, à grande manifestação organizada pela dona Helena contra o abandono do património edificado de Lisboa assistiu um número indeterminado de pessoas, chegando os dedos de uma mão para os contar. Como o Irritado é generoso, faz a coisa por cima: estavam lá cinco pessoas. Daqui se vê o entusiasmo com que a população alfacinha correspondeu à brilhante iniciativa, bem como a confiança do povo na eficácia das ideias da senhora.

     

    O que não quer dizer que não haja prédios abandonados ou a cair por todos os lados, e que isto não seja um grave problema.

    Se acreditarmos no que diz o movimento da dona Helena, haverá em Lisboa 60 mil andares vazios (?!). Haverá 322 prédios da Câmara abandonados, e uns 60 do Estado. Por contas nossas, só a Câmara e o Estado terão, no seu património, uns 3.000 andares abandonados.

    Ora como a Câmara, nas palavras da dona Helena, já gastou 500 mil euros em obras coercivas, a primeira pergunta que o cidadão pode fazer é esta: por que raio de carga de água é que a Câmara, em vez de andar a encravar os proprietários com obras coercivas, não aplica o dinheiro nos andares e prédios de sua propriedade? Porque não avança a dona Helena com uma moção para que comece a ser a Câmara a dar o exemplo? Não seria melhor do que andar a juntar cinco gatos-pingados na rua para vir nos jornais?

     

    O problema, meus amigos, é sempre o mesmo: o socialismo. O socialismo que, desde os negros tempos da I República vem destruindo o património, público e particular, hoje agravado pela monumental estupidez do governo do senhor Pinto de Sousa, que pariu essa monstruosidade terceiro-mundista do NRAU?

    O culpado não é o socialismo do Afonso Costa, do Salazar, do Vasco Gonçalves, do Mário Soares, do Pinto de Sousa?

    Não é esta recusa sistemática de reconhecer a origem do problema, o que causa a degradação de que a dona Helena e os seus cinco apoiantes se queixam?

    Porque é que se põe as questões de pernas para o ar e se persegue os espoliados em vez de ser o espoliador a pagar os prejuízos?

    Porque é que se diaboliza os cidadãos, em vez de encarar as questões de frente?

    Porque é que, em nome do “social” da “cidade” dos “direitos” (de quem?), não se procura ir ao fundo da coisa e, a partir daí, tentar uma solução mais ou menos consensual e, pelo menos, praticável?

     

    António Borges de Carvalho
  • NO MELHOR PANO…

     

     

     

     

    Dona Leonor Beleza, personalidade merecedora da maior consideração, resolveu mancomunar-se com o poder sem que, para tal, tivesse vantagem ou razão.

    Então não é que decide lançar a primeira pedra do prédio da Fundação Champalimaud com um tijolo em cima de um robot, possivelmente para agradar á modernidade saloia do senhor Pinto de Sousa, na augusta presença deste, e com a sua pedreiral colaboração?

    Como é possível que a presença de um fulano responsável por uma série de horrorosos projectos, atentatórios da dignidade de vilas e cidades, dignifique o lançamento da primeira pedra de uma coisa que se presume vir a ser uma intervenção positiva e bela?

    Admita-se, porém, por uma questão de boa vontade em relação à senhora.

    Admita-se, até, que se erija o prédio num local controverso, obrigando diversas entidades a trafulhar a lei. Como é sabido, as leis, em Portugal, são feitas para ser ultrapassadas, ou porque são estúpidas, o que não é raro, ou porque são inconvenientes, isto dependendo da influência daqueles a quem não convêm.

    Admita-se. É normal.

     

    O que não é normal, nem se pode admitir, ou compreender, é que a coisa apareça associada ao centenário do cinco de Outubro. A senhora planeou a inauguração de forma a coincidir com tal data, expressamente a associando às comemorações da implantação desse horror que foi a I República.

     

    O que pensaria o Fundador desta peregrina ideia? Tenho a fundada impressão de que, se fosse vivo, iria, a correr, arranjar outro presidente para a sua obra.

    Na dúvida, a senhora deveria, por uma questão de respeito e dignidade, escolher outra data qualquer.

     

    7.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • AÍ ESTÃO ELES!

     

     

    Há para aí um ano, o Irritado opinou que a história da avaliação dos professores tinha acabado em mijarete, isto é, que depois de a ministra ter recebido ordens do senhor Pinto de Sousa para claudicar como uma desgraçada perante a arruaça dos fulanos, jamais haveria qualquer avaliação digna desse nome. À altura, a senhora não aproveitou para, demitindo-se, se livrar das politiquices do chefe. Agora, ou recupera a espinha, ou vai levar com a ressaca das inenarráveis cedências que fez à “classe”.

    Os chamados professores, apesar de ter conseguido transformar a avaliação numa farsa, adiar o processo e passar, no futuro, a intervir nele (os avaliados a avaliar-se!), aí estão outra vez na rua, aos gritos, a fim de preparar o que aí vem e a pôr, desde já, a ministra nos varais da rua.

     

    Desta vez, meus amigos, a coisa vai ser ainda mais séria e, a “avaliar” pela tendência que o senhor Pinto de Sousa tem para o rabo entre as pernas quando a coisa corre mal, a avaliação tem os dias contados.

     

    7.10.08

     

    António Borges de Carvalho

     
  • VERDADE REPUBLICANA

     

     

    Se houvesse um mínimo de vergonha, a data aziaga do 5 de Outubro de 1910 seria tão comemorada como a da batalha de Alcácer Quibir, ou menos. Há coisas que a mais elementar decência devia evitar, coisas que as autoridades, se tivessem autoridade, teriam, como o poeta, pudor de contar seja a quem for.

    Deve ser por isso que contam uma história inventada, em que os biltres das alfurjas de Lisboa passam a heróis, e em que os que traíram o Rei, isto é a ordem constitucional democrática em vigor há setenta e seis anos, são elevados à categoria de impolutos cidadãos.

    Como o que contam não corresponde à verdade, tanto faz, podem contar o que lhes vier à cabeça.

     

    À Juventude, o Irritado recomenda a leitura dos jornais do tempo da I República. Talvez os encontrem na Internet. As opiniões do Irritado sendo suspeitas, haverá que se documentar. Alguns republicanos também merecem ser lidos. Por exemplo os Doutores César de Oliveira e Pulido Valente. “O Sindicalismo e a Primeira República” e “O Poder e o Povo”, respectivamente, dão-nos uma noção aproximada dos brilhantes resultados do cinco de Outubro: prisões arbitrárias, repressão sindical, manifestações desfeitas à paulada, proibição de partidos políticos que não agradassem ao poder, jornais fechados, censura, bombas, assassinatos no meio da rua e em casa das pessoas, etc. Os erros e defeitos políticos do regime constitucional monárquico foram aplicados, correctos e aumentados, pela I República, a começar pela lei eleitoral, tida por “celerada” pelos republicanos antes do cinco de Outubro e recuperada pelos mesmos, quase tim-tim por tim-tim, depois dele.

     

    *

     

    No cinco de Outubro SEPIIIRPPDAACS discursou diante de um batalhão da GNR, de uns dignitários, de uns funcionários e de quarenta cidadãos, deles cinco veteranos da carbonária, vinte e dois maçons e os restantes apanhados ao engano nas confusões do trânsito.

    Se não era bem assim, não andaria longe. A televisão, apesar dos esforços dos respectivos realizadores, técnicos e jornalistas, não conseguiu esconder esta “multidão”.

     

    O discurso de Sua Excelência foi uma diatribe monumental contra o governo. Sem o acusar de nada, SEPIIIRPPDAACS acusou-o de tudo. Os comunistas (PC+BE) acharam pouco. Os outros (PSD+CDS) acharam bem, mas não repararam que o discurso era contra o governo. O senhor Pinto de Sousa não deu por nada, ou seja, assobiou para o ar.

     

    E tudo continuou como dantes, na “verdade” republicana em que vegetamos.

     

    6.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • A MORAL REPUBLICANA EM ACÇÃO

     

     

    Acho que sim. Acho que a dona Ana Sara e o senhor Baptista Bastos têm carradas de razão. Pois se havia a oportunidade de arranjar um andarzito dos bons por um preço baratucho, porque não candidatar-se? Porque não usufruir de tão boa oportunidade? Quem atirará a primeira pedra?

    Eu não.

     

    Entram na coisa outros argumentos.

    A dona Ana Sara, coitadinha, vivia numa casa de porteira. Ela, que era enfermeira, vivia numa casa de porteira! Valha-nos São Pancrácio! Ainda por cima era socialista de esquerda! Não podia ser! E vereadora! Que vergonha! Então, se o Presidente da República tem um palácio e o Primeiro-Ministro um casarão, ela, vereadora, coitada, não tinha um T2 no centro da cidade? Hemos de convir que não podia ser! Não se conformava com a moral republicana!

    E o senhor Bastos? O senhor Bastos é um criador cultural! Então não é obrigação do Estado e das autarquias dar aos criadores culturais a devida retribuição pelo seu contributo para a cultura do povo? Valha-nos Santa Grumecinda! Ainda por cima o homem é do PC, um defensor dos desprotegidos e dos explorados pelo capitalismo e pelo imperialismo. E vivia num andar a cair aos bocados, como tantos que há por esse país fora, vítimas inocentes dos desmandos dos proprietários que não cumprem a sua função social de pagar a habitação do povo! Não podia ser. Não se compaginava com a moral republicana!

     

    A renda que o senhor Bastos pagava à câmara é desconhecida, um assunto privado, como disse o intelectual em causa. Um assunto de Estado, direi eu. Ninguém tem nada com isso, e muito bem. Junta-se a moral republicana à moral comunista.

    Já no caso da dona Ana Sara, a renda, em 2007, era de 140 euros, o que nos faz imaginar o que seria vinte anos antes. De inteira Justiça! A senhora é tão séria que, quando voltou à vereação, como juntava à reforma de três mil e tal euros por mês o ordenado de vereadora, que não sei quanto é mas sei que não é nada mau, entregou o andar à proprietária. Veja-se a honestidade, a decência, o respeito pela coisa pública, a moral republicana a funcionar em prol do povo! E, apesar da miserável perseguição de que tem sido vítima, a honestíssima senhora não se demite! Não! Continua a servir o município e o povo de Lisboa! A moral republicana no seu melhor.

    Meus senhores, vejam bem, além de tudo isto, a senhora declara, com a autoridade moral que temos que lhe reconhecer, que, daqui por diante, casas só por sorteio: vai-se à Casa da Sorte, compra-se um bilhete e, se sair aquele número, venha de lá a casinha! Não é lindo! Não merece o céu?

     

    Entretanto (foi para isso que a coisa estalou), é processado o Dr. Santana Lopes e a dona Helena. A Lopes da Costa, que a outra é socialista. Dois canalhas que nunca pediram uma casinha à câmara! Os outros (os socialistas e os comunistas) ficam de fora, não são processáveis. Se fossem, tratar-se-ia, evidentemente, de uma cabala, como no caso da Casa Pia! Era o que faltava!

     

    Isto da moral republicana tem as suas regras. Parece que o mundo judiciário já as percebeu.

     

    5.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ANALFABETISMO EXPRESSO

     

    Com acordo ortográfico ou sem acordo ortográfico, não há dúvida que o jornal “Expresso” é um dos mais notáveis e notórios defensores da língua portuguesa. Tomou, até, a iniciativa de fazer, por duas vezes, um concurso destinado a defendê-la. Gratias agamus Expressi! *

    Aquando do primeiro concurso, o Irritado irritou-se. Pegou na caneta e escreveu ao ilustre arquitecto que mandava na coisa e agora manda no SOLcrates. Os textos que anunciavam o concurso eram um mar de pontapés na gramática! É evidente que o ilustre arquitecto não ligou bóia ao Irritado e continuou a sua obra.

     

    Para quem se preocupa com a língua portuguesa, a leitura de jornais e a audição de rádios e de televisões é uma fonte de irritação permanente, dadas as toneladas de inacreditáveis asneiras que por lá florescem. Mas, ao menos, os outros não se armam em defensores da língua. Valha-lhes essa desculpa.

     

    Ora o “Expresso”… o “Expresso”… vejam esta, de entre muitas:

     

    Manuela Ferreira Leite acusou o PS de “quartar a liberdade das pessoas…” Assim. QUARTAR. Sic. Quartar!

    Ou seja, segundo o “Expresso” e os dicionários, a senhora acusou o PS de se “desviar da linha num jogo de esgrima”, ou de “juntar quatro farinhas quando se está a fazer pão quartado”.

     

    Se estes tipos não andassem armados em moralistas da língua, a coisa passava com uma gargalhada nervosa. Tratando-se de analfabetismo pedante, como se trata, é um nojo.

     

    6.10.08

     

     António Borges de Carvalho

     

    *Latim bárbaro
  • COISAS DE IRMÃOS

     

    Nas palavras luminosas do seu magnânimo Grão-Mestre, o Grande Oriente Lusitano (Maçonaria) é nada mais nada menos que “um conjunto de lobbies com interesses distintos”. Gabe-se a sinceridade do senhor. Após a sua reeleição, porém, as coisas vão mudar. Grão-Mestre há só um, é ele e mais nenhum.

    Acho muito bem.

    O Grande Oriente passa a fundação. Nela se integrará o “património imobiliário” da maçonaria, hoje disperso, dedicando-se a organização à sua “gestão”. A fundação será, por obra e graça do secretário de estado Lacão (maçon), de utilidade pública, isto é gerirá o património sem pagar impostos. Para já, vai construir uma nova sede, na Graça, o que implicará, necessariamente, a “gestão”, ou seja, a venda da antiga, no Bairro Alto, à especulação imobiliária, o que deve render uns largos cobres. O GOL tomará, assim, medidas destinadas a “salvaguardar e valorizar todo o património”, “através de mecanismos jurídicos de protecção” e de “meios de gestão em moldes adequados aos tempos actuais, capazes de rentabilizar todo o património”. Para compor o ramalhete da “gestão”, a maçonaria abrirá uma IPSS, a qual, nas palavras do Grão-Mestre, vai “beneficiar do apoio da Segurança Social”.

     

    Ou seja, uma operação imobiliária que, para além de tax free, ainda vai beneficiar de uns apoios financeiros do Estado, obviamente com fins sociais…

     

    A malta não brinca em serviço.

     

    6.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ÓDIOS JUDICIAIS

     

     

     

     

    O meritíssimo juiz Dr. António Martins, mui ilustre presidente da “associação sindical” dos juízes e presença constante em telejornais e coisas do género, vem, em artigo publicado pelo “Diário de Notícias”, revoltar-se contra aquilo a que chama “canetas alugadas”. Dando de barato a conotação histórica da expressão, o que fica é que, na opinião do meritíssimo, andam para aí uns tipos que recebem dinheiro ou benesses pelo “aluguer” das canetas com que escrevem coisas abomináveis sobre a “classe” a que o meritíssimo pertence. Acusação grave, que devia ser concretizada com os nomes dos “alugadores de canetas”. Aliás, o meritíssimo acusa “outros” de “atirar lama”, acusando políticos de “corrupção”, “sem concretizar algum”. Como pode o senhor criticar noutros aquilo que o próprio faz?

    Noutra manifesta contradição, afirma o senhor que tais escrevinhadores mais não fazem que manifestar “ódios e opiniões pessoais”. Se os fulanos exprimem ódios e opiniões pessoais, então não precisam de “alugar a caneta” seja a quem for!

    Estas “condenações” gratuitas, saídas da caneta de um juiz, ainda que não “alugada”, têm que se lhe diga.

    Mas o meritíssimo retoma o argumento. Para ele, certos “ataques aos juízes” são “compensação de algo”. Ainda que lhe junte um ponto de interrogação, pior a emenda que o soneto. A acusação fica no ar, sem destinatários, sem que se saiba a quem dedica o senhor a sua “lama”.

     

    Note-se que uma das preocupações mais presentes no artigo é a de classificar o sindicato que comanda como “associação representativa dos juízes”. Esta expressão aparece no texto um número significativo de vezes, pretendendo inculcar no espírito dos leitores que o senhor representa todos os juízes. E eu que julgava que só podia representar os filiados na sua organização, eventualmente uma minoria dos ditos! E eu que julgava que havia, em Portugal, liberdade sindical!

    Os juízes, se se “sindicalizam” (!), é para defender os seus interesses profissionais, não para fazer doutrina legislativa. O sindicato dos pedreiros não se pronuncia sobre o número de baldes de cimento a meter na argamassa! Por definição, uma organização sindical não tem por missão pronunciar-se sobre as atitudes legislativas de quem de direito, a não ser aquelas que possam ter a ver, directamente, como os interesses da “classe”. Para aquele efeito, poderá (poderia) haver uma “ordem”, a qual, por definição, não se mete em questões sindicais. Não há ordem dos juízes e, se calhar, ainda bem que não há. O que não quer dizer que os sindicatos se atribuam missões que lhes não competem.

    Se o senhor não fosse chefe sindical, ou como tal se não apresentasse, teria todo o direito de se pronunciar sobre o que muito bem entendesse, ainda que lhe fosse exigida contenção, bom senso e curialidade, qualidades que não fazem parte da filosofia discursiva do senhor. Assim, não. Ainda menos insistindo em que está a representar todos os juízes, assacando a todos os colegas as responsabilidades da linguagem que usa e do ódio que destila pelos “alugadores de canetas”.

     

    E lá vem, mais uma vez – a mentira repetida acaba por se tornar verdade… – a confusão sobre a independência dos juízes. Independência entendida “sindicalmente”, não “jurisdicionalmente”, isto é, entendida como privilégio, não como condição de prestação de Justiça.

    Os juízes são independentes, prerrogativa jurisdicional que significa não poderem (não podiam!)(*) ser responsabilizados pelas suas decisões, havendo, para as infirmar, várias instâncias judiciais. Mais nada. Nadinha. É (era!)(*) a chamada “irresponsabilidade” judicial.

     

    O meritíssimo pode até ter razão nalgumas das observações que faz sobre a multiplicação de asneiras legislativas do poder político em vigor.

    Não pode, isto é, deontologicamente não devia poder, dedicar-se a diatribes virulentas, que são privilégio intocável do Irritado e similares, mas não dos juízes que se respeitam a si próprios e à profissão que têm.

     

    30.09.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    (*) "podiam!" e "era!" antes dos casos Pedroso e Pinto da Costa. Mas contra estes pontapés na (verdadeira) independência dos juízes não se pronuncia o ilustre magistrado.

  • A CAUSA DAS COISAS

     

    O menos que se pode dizer da “análises”, mais ou menos socialistas, que por aí lemos sobre a crise financeira que começou nos Estados Unidos com a “quebra” da Freddie Mac e da Fannie May, é que relevam, ou de ignorante demagogia, ou de oportunismo sem escrúpulos.

     

    Não acredito que muitos dos “analistas” que sobre o assunto se têm debruçado não saibam o que está na origem dos problemas. Sabem, mas como são politicamente engagés, têm que aproveitar a fácil oportunidade de condenar o “neo-liberalismo”, o liberalismo tout court, o senhor Bush, a economia ocidental, o mercado e, por consequência, os valores da democracia e da liberdade, económica e não só. Tais valores “como é óbvio”, são os culpados de tudo, a eles se somado os especuladores, o sistema bolsista, a falta de regulação e outros suspeitos do costume.

     

    Ora a criação daquelas entidades, nascidas do New Deal de Roosevelt, correspondeu às preocupações sociais de que os anti-liberais dizem, ou usam, fazer bandeira, e não a quaisquer medidas liberais ou “neo-liberais”. Como, em época de crise, não era dado ao americano comum ter crédito, por falta de liquidez bancária, o governo federal criou os instrumentos sociais que as duas organizações “culpadas” representam. Em duas palavras, o governo comprou créditos aos bancos de forma a permitir-lhes ter uma intervenção mais “social”. É claro que, injectada liquidez, por um lado a economia reagiu favoravelmente, por outro os preços das casas (principal objecto dos créditos) subiram.

     

    É simples. Não foram as medidas “liberalizantes” do senhor Bush quem causou a crise, mas as opções “socializantes” do senhor Roosevelt que atingiram o ponto de rotura. Retiradas do mercado as instituições mais ou menos públicas que sustentavam o que sustentável já não era, a cascata de dificuldades financeiras tornou-se imparável.

     

    Não é por acaso que as medidas “estatizantes” que o senhor Bush propôs ao Congresso foram adoptadas com muito mais entusiasmo pela esquerda que pela direita. Em Portugal, tais medidas foram, quase unanimemente, consideradas como demonstração inequívoca do mau funcionamento do capitalismo liberal, que as tornou inevitáveis, e não como intervenção destinada a evitar as consequências sociais indesejáveis, ainda que a longo prazo, da intervenção do estado no sistema.

     

    Depois… depois foi a gritaria contra a desregulação dos mercados, entregues à ganância e à ausência de escrúpulos dos operadores. Sendo evidente que a ganância e a falta de escrúpulos existem (onde não as há?), é-o também que, ao contrário do que dizem os “analistas”, não há país no mundo onde a regulação e a fiscalização sejam mais exigentes e eficazes que nos EUA.

    Toda a gente o sabia, mas os “analistas” deixaram de o saber de um momento para o outro. O que está a dar está a dar, e é disso que vivem os “analistas” e a política socialista em Portugal.

     

    28.09.08

     

    António Borges de Carvalho
  • BOCAS DE FIM DE SEMANA

     

     

     

     

     

     

    PÉROLAS DE CULTURA

     

    O elegante ministro da cultura que temos informou o orbe sobre as suas intenções de reformular o ensino do português no estrangeiro, uma vez que os alunos “não querem o português literário”.

    Esta inteligentíssima medida consubstancia o brilho ofuscante da filosofia cultural do socretinismo.

    Uma vez que os alunos estão fartos do Camões e do Eça, para já não falar do chatérrimo Saramago, vai daí o melhor é perguntar-lhes o que desejam. É o português à la carte.

     

    Assim, o tuga tem bué da fixe, né ó meu?

     

    29.09.08

     

     

    ARQUEOLOGIA REVOLUCIONÁRIA

     

    O Irritado tem chamado várias vezes a atenção do respeitável público para o facto de os partidos comunistas, ainda que naveguem nas águas da democracia e digam ser a favor dela, respeitar os direitos humanos, etc. blá blá blá, continuam a ser exactamente o que sempre foram: adeptos do maior horror político que, para além do nazismo, o século vinte produziu.

    Às vezes, porém, foge-lhes a boca para a verdade, ou seja, a verdade dos factos vem desmentir a o cínico falazar do dia-a-dia de tal gente.

    Vejamos. Uma das “teses” aprovadas pelo comité central do PC para aprovação no congresso diz textualmente que há uma “importante realidade” na vida internacional, importante porque desempenha um “papel de resistência à nova ordem imperialista”. Tal realidade é integrada pelos “países que – tal como o PC – definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista”. Tais países são: “Cuba, China, Vietname, Laos e Coreia do Norte”.

    Em poucas palavras, eis o ideal do PC.

     

    O atrazo mental das “teses” é tão gritante, tão violento, tão primário, tão rascamente patético, que causa erisipela intelectual ao mais insensível.

    O comité central atira-se como um leão aos “revisionitas”, aos que perderam a “consciência de classe”, etc., anatemisando os que, na URSS, terão dado abertura ao “capitalismo” e ao “imperialismo” e parado a marcha para o socialismo nos países de Leste.

    Sobre o senhor Estaline o comité central não diz uma palavra. Mas, já que todos os outros são traidores, fácil é concluir que a falta de elogios a tal figura se deve a uma perigosa cedência ao politicamente correcto. Estaline continua a ser a referência do PC.

     

    Ou seja, mutatis mutandis, o que o PC quer é que surja, entre nós, um líder que, guardadas as devidas proporções, mande matar uns quinhentos mil reaccionários.

     

    Nisto se vê a arqueologia ideológica dessa gente e, muito pior do que isso, o nosso atrazo como sociedade. Um país onde gente desta, no século vinte e um, tem dez por cento dos votos, não é país não é nada.

     

    Alguma coisa, afinal nos distingue do resto da Europa. Somos os maiores!

     

    28.09.08

     

    CHINESICES

     

    A tenebrosa ASAE tem feito, como toda a gente sabe, uma autêntica razia em feiras, mercados, tascas, restaurantes e tudo o que é comércio.

    Só não foi capaz de descobrir que o leite e produtos lácteos chineses estão embargados pela UE desde 2002.

    Foi preciso os próprios chineses, atascados em criancinhas mortas, virem confessar ao mundo a “qualidade” de tais produtos, para que a ASAE desatasse a apreendê-los.

    Mais uma demonstração da competência técnica e do civismo da organização, bem como do desvelo do governo do senhor Pinto de Sousa no que à nossa qualidade de vida diz respeito.

     

    28.09.08

     

     

     

     

     

    MORALISMOS

     

    O senhor Marques Mendes, diante da nata da política nacional e incensado por uma esmagadora campanha de propaganda, lançou um livro com os seus conselhos para o nosso futuro.

    Segundo confessou, acima de tudo, está preocupado com a “ética”.

    Faz lembrar os negros tempos em que, com igual proclamada preocupação, o general Eanes lançou o defunto PRD. Também era a “ética” o leit motiv da organização. Vê-se no que deu. Um saco de gatos a morder-se uns aos outros, sem ética nenhuma.

    Também o dr. Mário Soares anda numa de “ética”. Desta vez não é uma “ética” qualquer, é outra, muito mais misteriosa: a “ética republicana”. Venha o mais pintado descobrir de que se trata. Deve ser a “ética” da Carbonária, da carrinha da morte do Granjo, ou desse promotor da bagunça e da politiquice que se chamou Afonso Costa.

    Tal como sucedeu com o PRD e sucede com Soares, a “ética” proclama-se, não sendo indispensável praticá-la.

    Foi esta “ética” que fez o senhor Mendes correr com Carmona Rodrigues da CML, e entregá-la ao Costa e ao caloteiro (e não só) Fernandes. Note-se que, destes, tanto um como outro tinham, previamente, aprovado o negócio que serviu de “argumento” ao senhor Mendes para “defenestrar” Carmona. Foi esta “ética” que fez o senhor Mendes aplaudir, se bem que em culposo silêncio, o golpe de estado do senhor Sampaio.

    De “éticas” destas não precisamos para nada.

     

    Ao contrário do que se passava com a mulher de César, para ser ético é preciso sê-lo, não basta proclamá-lo, nem parecê-lo.

     

    28.09.08

     

    PRIMEIROS SOCORROS

     

    Foi chumbado oprojecto de lei do CDS que se destinava a introduzir uma cadeira de primeiros socorros no curriculo do ensino secundário.

    Toda a gente sabe que se ensina, no secundário, uma série de coisas que não interessam a niguém.

    Toda agente sabe que, do ponto de vista higiénico, se ensina os meninos a dar umas trancadas com preservativo, e as meninas a não se esquecer da pírula. Primeiros socorros para quê?

     

    27.09.08

     

    JUSTA INDIGNAÇÃO

     

    As federações de pederastas e apaniguados, cujos votos o Bloco de Esquerda queria capitalizar através da lei do respectivo “casamento”, revoltaram-se contra a iniciativa. O tiro saiu pela culatra da espingarda do camarada Louça. Hi hi.

    Trata-se, no douto parecer do patrão duma dessas coisas, de uma pretensão “altamente eclesiástica”. E esta? Há que esclarecer: ao empurrar os pederastas e quejandas para o “casamento”, o senhor Louça mais não faz que distrair as pessoas da excelência das “uniões de facto”.

    Mas o que é isto!? – diz o grande líder dos coprofílicos – então aos malandros dos heterosexuais é reconhecida a união de facto (ou seja, a irresponsabilidade civil, no parecer do Irritado) e aos homossexuais não? Assim, nem há moralidade nem comem todos, larila o tipo. Tem carradas de razão, não é?

    E acrescenta mais esta larilice, plenamente justificada: “é necessário que haja uma maioria sociológica e política para fazer aprovar qualquer alteração. Nessa altura, estas matérias deixarão de ser fracturantes”.

    Tem pilhas de razão, o notável líder das massas que atracam de popa. É que, se ficarmos à espera da tal “maioria sociológica”, bem podem os meninos e as meninas ficar à espera… Hi hi.

     

    27.09.08

     

     

    TABAGISMO

     

    Passados que são quase quatro anos de governo do senhor Pinto de Sousa, parece que, finalmente, há um português que tem alguma coisa para lhe agradecer. Trata-se de um canalha viciado que teve o desplante de fumar um cigarrinho na casa de banho de um avião da TAP.

    Foi apanhado pela tripulação. Uma criada de bordo, ao que consta filiada no PS, foi fazer queixa do nefando crime. No entanto, após o devido interrogatório, o comandante decidiu mandá-lo em paz.

    A funcionária queria que o avião aterrasse de emergência em Guantanamo, a fim de entregar o perigoso indivíduo à prisão dos terroristas. Mas nada conseguiu. O comandante, e muito bem, terá argumentado: se o primeiro ministro fuma nos aviões, e não lhe acontece nada, por que carga de água havíamos de entregar este desgraçado, seja aos carcereiros de Guantanamo, seja à cáfila dos fiscais em Lisboa?

    Consta que a criada de bordo foi fazer queixa ao Largo do Rato. O camarada de serviço disse-lhe que se calasse, que era melhor abafar a coisa, e que fosse em paz. Depois se trataria da promoção.

     

    26.09.08

     

     

    UMATEMPESTADE NUM COPO DE ÁGUA?

     

    Se os inimigos de SEPIIIRPPDAACS* o acusam de andar a fazer uma tempestade num copo de água com a história dos Açores (uma parvoíce colectiva doParlamento), porque raio não hão de fazer a vontade ao homem? Então, se não tem importância nenhuma, porque insistem? Se é indiferente, se tudo fica na mesma, porque se comprazem em agitar a água do copo?

    Algo me diz que anda aqui a mãozinha eleitoral do senhor Pinto de Sousa. Como quer que o seu agente nas ilhas ganhe as eleições, há que fazê-lo aparecer aos olhos dos ilhéus como um grande homem, um político sem medo, um achado a não perder. Se não houvesse eleições não valia a pena tanto falatório. Não é?

     

    26.09.08

     

    * Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa Professor Doutor Anibal António Cavaco Silva.

     

     
  • RASCA A SÉRIO

     

    Nas palavras cínicas da dona Paula Teixeira da Cruz, o Dr. Santana Lopes é “acusado” de um “crime”. Impróprias de uma pessoa que faz do direito profissão, estas duas bojardas merecem citação condenatória.

    Trata-se de manifestação do mais rasca dos ódios. Alinhando de alma e coração com os socialistas, aliás como sempre, dona Paula trata de demolir avant la lettre, a candidatura de Santana à CML.

    Para ela, que tem vergonha, e com razão, porque é uma vergonha, de dizer que não quer que o Dr. Santana Lopes seja o candidato, o melhor é valer-se, rasquíssimamente, da chamada ética mendista para se desculpar de andar a tentar condenar o seu próprio partido a oferecer, como Mendes fez, a CML ao socialismo paralítico, à inoperância, ao nefelibatismo bacoco e ao Fernandes.

    Não sei se a dona Paula é apoiante da dona Manuela. Não sei se, para além do PS, esta senhora é apoiante seja do que for.

    Daqui lanço um grito de alarme dirigido à dona Manuela: se a dona Paula for sua apoiante, doutora, corra com ela! Já! Com apoiantes destes, não vai a lado nenhum.

     

    25.09.08

     

    António Borges de Carvalho
  • CITAÇÃO

     

    De um artigo de jornal, mais ou menos assim:

     

    Se quiseres casar com alguma estabilidade, faz um contrato de trabalho com a tua noiva. Se quiseres facilidade para despedir, casa com a mulher-a-dias.

     

    Uma boa e sintética imagem das virtualidades da inteligência legislativa do socialismo.

     

    25.09.08

     

    Irritado
  • PORTUGALHICES

     

    Cavaco fala na ONU em português. As gentes embandeiram em arco. Que feito! Que coragem! Que extraordinária acção na defesa dos sagrados direitos da língua portuguesa!

    As pessoas nem dão por que o Amadinejá fala na ONU, desde sempre, na sua língua de trapos.

     

    A coisa atinge foros de loucura.

    O “Diário de Notícias” publica uma lista, que foi buscar a um site qualquer, sobre as “línguas da ONU”.

    Isto, para chegar à brilhante conclusão que o português é língua de comunicação de 177,5 milhões de pessoas. Só o Brasil tem mais de 190 milhões de cidadãos!

    O castelhano, indevidamente chamado “espanhol”, diz o DN, tem 322,3 milhões de falantes! Somadas as populações dos países “castelhanofones”, teremos para aí uns 260 milhões! Ou então o DN inclui neles as Filipinas, onde o castelhano é meramente residual, como o português em Goa ou em Macau. Ou então o DN anda a dormir na forma!

    O “chinês”, campeão do DN, não existe. O que existe é uma série de línguas chinesas. Além disso, nem a língua administrativa da China nem as outras são faladas fora do país, nada adiantando que seja língua da ONU ou que deixe de ser.

    O árabe, que o DN põe com mais falantes que o português, terá menos uns 30 milhões que a língua de Pessoa.

    Ao francês, coitadinho, o DN atribuiu 64,86 milhões de faladores, deitando para o lixo uns 80 milhõezitos.

     

    Enfim, nem o feito de Cavaco merece tantos encómios, nem os “encomiadores” têm a mais remota noção daquilo de que falam.

     

    25.09.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ESPADEIRADAS

     

    Por falar em língua, veja-se a benesse que o jornal privado chamado “Público” reserva aos seus leitores: nada menos que as aventuras de Blake e Mortimer. Muito bem. Se não tivesse a colecção completa, até comprava. Pensando duas vezes, se calhar até vou comprar para os meus netos.

    O primeiro livro que o jornal vai “oferecer” aos leitores, sabe-se lá por que critério, é “O Segredo do Espadão”. Logo à primeira, um pontapé na língua. É que, em francês, “espadon” quer dizer peixe-espada, peixe-serra, espadarte. Espadão, em português, quer dizer espada grande. O que não tem nada a ver com o texto. A única tradução correcta seria “espadarte”.

    Espera-se que a restante tradução não siga as tradições portuguesas nestas matérias. Mas, se atentarmos no título, a esperança vai à vida.

     

    Nada disto tem importância de maior. Mas é giro.

     

    25.09.08

     

    António Borges de Carvalho