IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A MORAL REPUBLICANA EM ACÇÃO

 

 

Acho que sim. Acho que a dona Ana Sara e o senhor Baptista Bastos têm carradas de razão. Pois se havia a oportunidade de arranjar um andarzito dos bons por um preço baratucho, porque não candidatar-se? Porque não usufruir de tão boa oportunidade? Quem atirará a primeira pedra?

Eu não.

 

Entram na coisa outros argumentos.

A dona Ana Sara, coitadinha, vivia numa casa de porteira. Ela, que era enfermeira, vivia numa casa de porteira! Valha-nos São Pancrácio! Ainda por cima era socialista de esquerda! Não podia ser! E vereadora! Que vergonha! Então, se o Presidente da República tem um palácio e o Primeiro-Ministro um casarão, ela, vereadora, coitada, não tinha um T2 no centro da cidade? Hemos de convir que não podia ser! Não se conformava com a moral republicana!

E o senhor Bastos? O senhor Bastos é um criador cultural! Então não é obrigação do Estado e das autarquias dar aos criadores culturais a devida retribuição pelo seu contributo para a cultura do povo? Valha-nos Santa Grumecinda! Ainda por cima o homem é do PC, um defensor dos desprotegidos e dos explorados pelo capitalismo e pelo imperialismo. E vivia num andar a cair aos bocados, como tantos que há por esse país fora, vítimas inocentes dos desmandos dos proprietários que não cumprem a sua função social de pagar a habitação do povo! Não podia ser. Não se compaginava com a moral republicana!

 

A renda que o senhor Bastos pagava à câmara é desconhecida, um assunto privado, como disse o intelectual em causa. Um assunto de Estado, direi eu. Ninguém tem nada com isso, e muito bem. Junta-se a moral republicana à moral comunista.

Já no caso da dona Ana Sara, a renda, em 2007, era de 140 euros, o que nos faz imaginar o que seria vinte anos antes. De inteira Justiça! A senhora é tão séria que, quando voltou à vereação, como juntava à reforma de três mil e tal euros por mês o ordenado de vereadora, que não sei quanto é mas sei que não é nada mau, entregou o andar à proprietária. Veja-se a honestidade, a decência, o respeito pela coisa pública, a moral republicana a funcionar em prol do povo! E, apesar da miserável perseguição de que tem sido vítima, a honestíssima senhora não se demite! Não! Continua a servir o município e o povo de Lisboa! A moral republicana no seu melhor.

Meus senhores, vejam bem, além de tudo isto, a senhora declara, com a autoridade moral que temos que lhe reconhecer, que, daqui por diante, casas só por sorteio: vai-se à Casa da Sorte, compra-se um bilhete e, se sair aquele número, venha de lá a casinha! Não é lindo! Não merece o céu?

 

Entretanto (foi para isso que a coisa estalou), é processado o Dr. Santana Lopes e a dona Helena. A Lopes da Costa, que a outra é socialista. Dois canalhas que nunca pediram uma casinha à câmara! Os outros (os socialistas e os comunistas) ficam de fora, não são processáveis. Se fossem, tratar-se-ia, evidentemente, de uma cabala, como no caso da Casa Pia! Era o que faltava!

 

Isto da moral republicana tem as suas regras. Parece que o mundo judiciário já as percebeu.

 

5.10.08

 

António Borges de Carvalho


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