IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


VERDADE REPUBLICANA

 

 

Se houvesse um mínimo de vergonha, a data aziaga do 5 de Outubro de 1910 seria tão comemorada como a da batalha de Alcácer Quibir, ou menos. Há coisas que a mais elementar decência devia evitar, coisas que as autoridades, se tivessem autoridade, teriam, como o poeta, pudor de contar seja a quem for.

Deve ser por isso que contam uma história inventada, em que os biltres das alfurjas de Lisboa passam a heróis, e em que os que traíram o Rei, isto é a ordem constitucional democrática em vigor há setenta e seis anos, são elevados à categoria de impolutos cidadãos.

Como o que contam não corresponde à verdade, tanto faz, podem contar o que lhes vier à cabeça.

 

À Juventude, o Irritado recomenda a leitura dos jornais do tempo da I República. Talvez os encontrem na Internet. As opiniões do Irritado sendo suspeitas, haverá que se documentar. Alguns republicanos também merecem ser lidos. Por exemplo os Doutores César de Oliveira e Pulido Valente. “O Sindicalismo e a Primeira República” e “O Poder e o Povo”, respectivamente, dão-nos uma noção aproximada dos brilhantes resultados do cinco de Outubro: prisões arbitrárias, repressão sindical, manifestações desfeitas à paulada, proibição de partidos políticos que não agradassem ao poder, jornais fechados, censura, bombas, assassinatos no meio da rua e em casa das pessoas, etc. Os erros e defeitos políticos do regime constitucional monárquico foram aplicados, correctos e aumentados, pela I República, a começar pela lei eleitoral, tida por “celerada” pelos republicanos antes do cinco de Outubro e recuperada pelos mesmos, quase tim-tim por tim-tim, depois dele.

 

*

 

No cinco de Outubro SEPIIIRPPDAACS discursou diante de um batalhão da GNR, de uns dignitários, de uns funcionários e de quarenta cidadãos, deles cinco veteranos da carbonária, vinte e dois maçons e os restantes apanhados ao engano nas confusões do trânsito.

Se não era bem assim, não andaria longe. A televisão, apesar dos esforços dos respectivos realizadores, técnicos e jornalistas, não conseguiu esconder esta “multidão”.

 

O discurso de Sua Excelência foi uma diatribe monumental contra o governo. Sem o acusar de nada, SEPIIIRPPDAACS acusou-o de tudo. Os comunistas (PC+BE) acharam pouco. Os outros (PSD+CDS) acharam bem, mas não repararam que o discurso era contra o governo. O senhor Pinto de Sousa não deu por nada, ou seja, assobiou para o ar.

 

E tudo continuou como dantes, na “verdade” republicana em que vegetamos.

 

6.10.08

 

António Borges de Carvalho


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