Com acordo ortográfico ou sem acordo ortográfico, não há dúvida que o jornal “Expresso” é um dos mais notáveis e notórios defensores da língua portuguesa. Tomou, até, a iniciativa de fazer, por duas vezes, um concurso destinado a defendê-la. Gratias agamus Expressi! *
Aquando do primeiro concurso, o Irritado irritou-se. Pegou na caneta e escreveu ao ilustre arquitecto que mandava na coisa e agora manda no SOLcrates. Os textos que anunciavam o concurso eram um mar de pontapés na gramática! É evidente que o ilustre arquitecto não ligou bóia ao Irritado e continuou a sua obra.
Para quem se preocupa com a língua portuguesa, a leitura de jornais e a audição de rádios e de televisões é uma fonte de irritação permanente, dadas as toneladas de inacreditáveis asneiras que por lá florescem. Mas, ao menos, os outros não se armam em defensores da língua. Valha-lhes essa desculpa.
Ora o “Expresso”… o “Expresso”… vejam esta, de entre muitas:
Manuela Ferreira Leite acusou o PS de “quartar a liberdade das pessoas…” Assim. QUARTAR. Sic. Quartar!
Ou seja, segundo o “Expresso” e os dicionários, a senhora acusou o PS de se “desviar da linha num jogo de esgrima”, ou de “juntar quatro farinhas quando se está a fazer pão quartado”.
Se estes tipos não andassem armados em moralistas da língua, a coisa passava com uma gargalhada nervosa. Tratando-se de analfabetismo pedante, como se trata, é um nojo.
6.10.08
António Borges de Carvalho
*Latim bárbaro

Deixe um comentário