IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PROGNÓSTICOS SOARISTAS

     

    Com uma alegria sem limites, o Presidente Soares anunciou ao povo a grande novidade: o senhor Obama vai ganhar as eleições.

    Dele espera o Presidente Soares as maiores maravilhas ainda que “não para já”.

    O senhor foi descobrir o que eu, e tanta gente, anda à procura há meses e meses: a ideologia, a política, as medidas que o senhor Obama propõe. Julgo que descobriu muito mais do que o que o homem terá dito, em entrelinhas várias, e até desconfio que o Dr. Soares pôs na boca do homem o que o próprio gostaria que ele fizesse.

    Se acreditarmos que o senhor Obama vai aceder aos desejos do nosso comentarista político, poderemos ficar contentes ou não. Mas saberemos o que se vai passar, isto é, que o senhor Obama, tendo lido o artigo de hoje do Dr. Soares no Diário de Notícias, vai agir em conformidade e obediência.

     

    Não faço a mais pequena ideia do que será melhor para nós, se o Obama se o McCain.

    De qualquer maneira, vistas as coisas daqui, parece que o Obama é uma espécie de Pinto de Sousa em versão universitária.

    Por outro lado, para quem não gosta do senhor Bush, o raciocínio lógico deveria ser o de preferir McCain. É que o homem tem tido tanto trabalho para convencer as pessoas de que não é um continuador, que terá que adoptar políticas diferentes se quiser cumprir as promessas.

     

    Isto, note-se, é dito antes de se saber quem ganha. Daqui a uns meses já poderemos avaliar se o Irritado teve razão, ou seja, se estamos mergulhados em blá blá, tipo Pinto de Sousa, ou em grande ansiedade por causa das novidades do senhor MCain.

     

    Entre os dois, venha o diabo e escolha.

     

    António Borges de Carvalho
  • RIR COM OS NERVOS

     

    "Mailado" por um amigo

     

    Minuta de carta para o gestor de conta

     

    Dear Sir

    In view of current developments in the banking market, if one of my checks is returned marked "insufficient funds", does that refer to me or to you?

    Yours faithfully

    3.11.08

    ABC
  • UMA QUESTÃO DE CUSPO

     

    Um dos resultados nefastos de uma democracia mal entendida tem sido, ao longo dos anos, a sindicalização de profissões que deveriam distinguir-se por uma postura mais consentânea com a dignidade, a especificidade, a posição e a influência social das suas funções.

    Os médicos, os professores, os magistrados, os polícias, comportam-se como se fossem electricistas, estivadores, serralheiros ou almeidas da câmara. Nada do que corre mal é de sua responsabilidade. Tudo o que corre bem corre a seu crédito. Culpa alguma lhes cabe do mau funcionamento das instituições a que pertencem. Cada agente merece bom salário, respeito, consideração e regalias, parecendo que nada tem a dar em troca à sociedade.

    Os médicos fazem greves como se de agulheiros se tratasse. Os professores, meu Deus, é o que se sabe, nenhuma responsabilidade lhes cabe seja no que for, não dão aulas de substituição, não querem ser avaliados. Os magistrados multiplicam-se em declarações sindicais paralelas ou afins às dos motoristas da Carris.

    Em suma, as classes que deviam servir de exemplo, que se suporia interiorizarem responsabilidades sociais de topo, comportam-se como aquelas a quem tais responsabilidades não são exigidas.

    A sociedade, como é lógico, perde referências. As “elites”, “proletarizadas”, deixam de o ser. O tecido social esfarrapa-se.

    Não contesto que a todos e cada um dos elementos de tais perdidas elites caibam direitos e devam receber da sociedade a consideração, o respeito e a justa retribuição pelo seu trabalho. Já os meios que utilizam para defesa de tais direitos, sendo iguais, quiçá mais violentos e retumbantes, que os dos demais, não são compagináveis com a dignidade que dizem pretender conservar. Colocando-se em pé de igualdade com outros quando os seus mais ínfimos privilégios estão em causa, não só cavam a própria sepultura enquanto elites, como põem em causa estruturas fundamentais ao funcionamento da sociedade civil.

     

    Desgraçadamente, a coisa chegou aos militares. Passado o consulado de Paulo Portas, que conseguiu alguma “pacificação”, voltámos à guerra aberta entre os militares e o governo. Os meus ouvidos nem queriam acreditar quando um secretário de estado – um diplomata penteadinho e oco – declarou que não havia problema de espécie nenhuma e que o governo trabalhava, como é normal, com as chefias militares em harmonia e cooperação. Dois dias depois, o chefe do estado maior declara que não senhor, que há problemas, e dos graves. Mais ou menos na mesma altura, outro general, com grande influência nos media e com altas responsabilidades políticas e pessoais, vem ameaçar as instituições: ou se portam bem ou se arriscam a uma golpada. Perguntado se não haveria exagero nas suas palavras, respondeu que nada tinha a tirar nem a acrescentar e que já tinha gasto a saliva que tinha a gastar com o assunto. Isto é, reafirmou a hipótese da golpada. Uma questão de cuspo.

    Comparados com esta atitude, o “passeio” no Rossio e as sargentadas e tenentadas do costume são brincadeiras de crianças. Há, ao mais alto nível, militares insubordinados,  irresponsáveis e impunes.

    O Ministério da Defesa, como o país em geral, é dirigido por incapazes. Toda a gente o sabe. Mas daí até os generais ameaçarem a liberdade das pessoas com intentonas, vai uma distância cósmica. Daí até o general Eanes fazer pública demonstração de solidariedade com os “golpistas” a distância não será tão grande, mas é assutadora.

    Parece que, se os motoristas da Carris, os despedidos dos texteis, os metalúrgicos ou os magistrados tivessem armas, justo seria que fizessem golpadas ou que ameaçassem fazê-las.

     

    O vírus está por toda a parte. Como se recupera a textura social de um país que chegou onde nós estamos a chegar é coisa que nem o mais sábio saberá dizer. 

     

    2.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • DA PIOLHEIRA INFORMATIVA

     

    O Irritado irritou-se com a forma como a entrevista da dona Manuela à SIC Notícias foi “recebida” pela imprensa do dia seguinte. No entanto, dada a hora indecentemente tardia em que tal entrevista foi transmitida, deu o Irritado o benefício da dúvida aos dois jornais “de referência” que costuma ler. Esperou mais um dia, perguntando a si próprio se não teria sido injusto.

    Mais uma vez, porém, tinha carradas de razão.

    O DN de ontem refere-se ao assunto na página 18, página par, note-se. O jornal, em vez de relatar a entrevista e as mensagens políticas da senhora, dedicou-se a um esquema de sugestões críticas e de implícitas insinuações. Para um jornal que, há uma semana, tinha dado cinco páginas, primeira incluída, ao senhor Pinto de Sousa, é obra. É, como o Pulido dizia ontem no jornal privado chamado “Público”, uma demonstração clara da subserviência jornalística ao poder e do sucesso da central de informção do governo.

    O dito jornal privado, por seu lado, referia, na página 8, página par, note-se, uma intervenção da senhora no lançamento de um livro, artigo ilustrado com uma fotografia do senhor Mendes e ladeado por um destaque, a vermelho, intitulado “PSD em queda”, com o retrato dela. A entrevista, essa, era referida num parágrafo a propósito de umas bocas do inenarrável Silva Pereira sobre o assunto. Afinal, o dito jornal privado, tido como crítico do governo, age com os mesmos “critérios” do DN, isto é, mostra tanta subserviência ao poder como o seu congénere.

    O “serviço” público de televisão acompanhou os jornais na sua obra de ocultação da informação e de distorção da verdade. Como era, aliás, de esperar, dado o comportamento “independente” do senhor Santos e da sua socretina trupe.

    Nos outros canais não sabe o Irritado o que se passou. Mas não édifícil de imaginar.

     

    Que país este, de felizes escravos do socialismo!

     

    1.11.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. Antes de publicar este Post, trouxeram-me o “Expresso” de hoje. Na primeira página, uma “boca” diz-nos que essa horrível criatura que dá pelo nome de Judite de Sousa (será prima do Pinto pelo lado do Sousa?) informou o PSD de que só admitirá a dona Manuela nos estúdios públicos depois da “definição das candidaturas autárquicas”. Isto é, o “serviço” público de televisão determina a seu bel prazer – ou a bel prazer do senhor Pinto de Sousa – quando, como e em que condições dará tempo de antena ao líder da Oposição! E mais, escolhe, não um momento em que tal líder se possa perfilar enquanto tal perante a opinião pública, mas outro em que impõe o “tema” das eleições autárquicas, porque sabe que, nesta matéria, a senhora enfrenta contestação interna, com os Marcelos e os Pachecos à perna, mordidos de inveja por causa da candidatura do Dr. Santana Lopes à CML.

    E mais. O “Expresso” põe o senhor Pinto de Sousa no “pódio”, porque “uma só entrevista rendeu vários dias”, constituindo a “arte de multiplicar os pães”. Dona Manuela, por seu lado, fica na posição inversa, porque “várias entrevistas numa só semana e a mensagem não passa. Falta de jeito?”

    Pergunta o Irritado: porque é que a mensagem da senhora não passa? A resposta é de uma simplicidade cristalina:porque os “expressos” deste pobre país não a fazem passar, a não ser em comentários que, as mais das vezes, correspondem a leituras enviesadas do que ela disse. Se os órgãos de “informação” entrevistam a senhora à meia-noite, no cabo, e não retomam a entrevista nos dias seguintes, é evidente que não se trata de falta de jeito da visada, mas de pura malevolência dos tais órgãos. Ou, como é evidente, do militante servilismo dos mesmos em relação ao poder socialista.

    E mais. O “Expresso” dedica exclusivamente ao PSD a página “Oposição”. De duas formas significativas. Sem jamais referir o que, na verdade, a senhora disse, dedica-se o jornal do “militante nº1” a tecer os mais judiciosos comentários sobre o que andam a fazer os marcos antónios, os meneses e quejandos. Em conclusão, vaticina alegremente o fim da senhora, já, ou mais daqui a bocadinho.

    E, ó maravilha!, um terço da página é preenchido com um artigo da autoria do senhor Silva Pereira, alter ego do senhor Pinto de Sousa e ministro (onde chegámos!) não sei de quê. Sua Excelência dedica-se a demolir a senhora, ignorando, pura e simplesmente, todas as suas ideias e propostas. Ninguém poderá reclamar, já que, emboa verdade, ninguém sabe o que ela disse. As ideias e propostas da senhora não vêm escritas em parte nenhuma, nem são repetidas, como as parlapatices do senhor Pinto de Sousa, dias a fio, por jormais, rádios e televisões.

     

    Que raio de democracia esta!

     

    ABC

  • DA NACIONAL PRESCRICIONARIDADE

     

     

    Os relatórios sobre o acidente na linha do Tua referem, ainda que de forma suave, o estado, verdadeiramente miserável, em que se encontrava o troço de via onde o combóio se espetou.

    Ao Irritado, como a qualquer cidadão, bastou olhar as fotografias de tal troço, publicadas na imprensa, para chegar à mesma conclusão. A evidência (travessas esfareladas, fixações fora do sítio, balastro arruinado, etc.) era de tal ordem que pode dizer-se que os responsáveis pela manutenção da linha foram apanhados em flagrante delito de negligência, de incompetência e de desrespeito pala vida dos passageiros, com consequências homicidas.

    Os relatórios dizem que o acidente revela falta de conservação (mais que manutenção, simples conservação) da linha, podendo “originar uma elevada probabilidade de pôr em risco a segurança da circulação”. Mas os “responsáveis” da Refer apressaram-se a argumentar que “as fotos denotam situações que na realidade não são tão preocupantes”. Note-se, sem mais comentários, o rigor técnico desta alegação.

     

    Em resumo, podemos ficar descansados. Daqui a largos anos, depois de mais dezóito comissões de inquérito terem emitido as suas esclarecidas opiniões, depois de as companhias de seguros se terem safo de pagar indemnizações, depois de sete tribunais terem emitido doutos acórdãos, o mais provável é que o assunto tenha morrido mergulhado nessa maravilha fatal da nossa idade que se chama prescrição. Todos continuaremos em paz, os mortos com os mortos, os vivos a tratar de outros assuntos, mais interessantes que este insignificante fait divers.

     

    1.11.08

     

    Antóno Borges de Carvalho
  • SURSUM CORDA!

     

    Dona Manuela, finalmente, saiu da casca! E de que maneira!

     

    Ontem, desgraçadamente às onze da noite e num canal de cabo (deveria ser em prime time e em sinal aberto – para não dizer no “serviço” público de televisão, a senhora disse de sua justiça de forma clara, incisiva, afirmativa e séria. Delineou o que a diferencia, em filosofia de base e em propostas, da fanfarronada socialista que nos vem arruinando.

    Esteja-se ou não de acordo com o que propõe, facto é que a senhora mostrou uma raça, um vigor, uma distância em relação à demagogia e ao propagandismo do senhor Pinto de Sousa, que demonstram à saciedade que estamos perante uma alternativa sólida, credível e possível.

    O Irritado não subscreve muito do que ela disse. Mas saúda com entusiasmo o estilo, a força, a clareza, a recusa da facilidade e da demagogia, coisas que podem, e devem, abrir novos horizontes à política em Portugal.

     

    Julgo que ficaram criadas as condições para que a trupe dos pachecos, marcelos, meneses & Cª perceba que algo de importante se está a passar e se deixem de parvoíces. Se esta gente for chatear outro, Dona Manuela tem todas as condições para unificar o partido e para encetar um caminho que nos livre do senhor Pinto de Sousa e seus amigos por muitos anos e bons.

     

    Mal ficaria se não dissesse uma palavra sobre os entrevistadores: que miséria! Pensar que um deles é director de um órgão de informação económica e outro chefe da economia de uma estação de televisão é tão confrangedor que quase apetece emigrar.

     

    A ver vamos agora as diatribes dos camaradas SS (Santos Silva), VC (Vitalino Canas), SP (Silva Pereira) e quejandos. Se forem do tom habitual só servirão para os enterrar e à sua verborreia parlapatona.

     

    Sursum Corda!

     

    30.10.03

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. (não confundir com Partido Socialista) Tenho à minha frente dois matutinos “de referência”). O jornal privado chamado “Público" mancheta que o governo vai continuar a exigir o IVA adiantado. “O Diário de Notícias” parangona as zangas do Louça e do Fernandes.

    Assim vai a “informação” em Portugal.
  • TANTO FAZ

     

     

    Uma coisa abominável que se chama Conselho Nacional para a Educação, ou coisa do género, acaba de propor o fim dos exames até ao nono ano.

    Como os nove anos são obrigatórios, argumenta a dita coisa, tanto faz fazer exames como não fazer. Nesta ordem de ideias, os exames são uma perda de tempo e de dinheiro. A sua ausência, além disso, poupa trabalho à nobre classe dos professores, que têm ao dito um ódio de morte.

    Tanto faz estudar como não estudar. Tanto faz ser bom aluno como médio ou mau. Tanto faz que os professores ensinem como que não ensinem. Tanto faz que os alunos os insultem ou batam, como que não os insultem nem batam. Tanto faz que cheguem mais além como que não cheguem. Tanto faz que fiquem bem preparados como que não fiquem. Tanto faz tanto faz.

     

    Os exames, para os intelectuais da treta que têm por ofício mandar bocas avulsas sobre a “educação”, devem ser uma inútil violência que se exerce sobre as meninas e os rapazinhos. Não será de admirar, no entanto, que o tipo dos bigodes aplauda, em nome dos sindicatos, e que o governo adopte a repulsiva proposta.

    Já nada espanta, nesta terra de burros profissionais que querem aplicar aos outros a sua brutal ignorância.

     

    Um apontamento: conheço vários casos de ucranianos e russos, estabilizados em Portugal, que mandam os filhos para a terra quando chegam à idade escolar. Não os sujeitam ao “ensino” que temos, aos “pedagogos” que temos, aos “professores” que temos, aos “programas” que temos.

    Fazem eles muito bem. O problema é que nem isto mete um grão de vergonha que seja na cabecinha desta gente.

     

    30.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • “JUSTIÇA” POR CONTA PRÓPRIA

     

    O bando de perigosos inúteis que dá pelo nome de Greenpeace atacou mais uma vez em Portugal. Uns navios-fábrica viram os hélices acorrentados e foram cercados por botes cheios de bandidos proclamando de acusações vária ordem.

    Parece que a polícia “identificou” os canalhas e terá apreendido um ou dois botes.

     

    Os indivíduos desta organização terrorista dedicam-se a uma actividade por demais universalista: investigam (são polícias), acusam (são juízes de instrução) julgam e condenam (são magistrados judiciais), e aplicam as penas (são carrascos).

    Assim, é muito mais simples que de costume: quando se não gosta ou se desconfia de qualquer coisa, para quê recorrer às autoridades? Para quê provar o que se diz e justificar o que se faz? Para quê estar à espera de processos, que são morosos e caros, e de juízes, que são uns chatos? Para quê pagar a advogados, que são uns chupistas?

    A justiça por conta própria é muito mais prática e, além disso, parece que paga bem, dado o número crescente de idiotas que há no orbe.

    Em boa verdade, a não ser pela verificação da existência de tais idiotas, não se percebe onde vai o bando arranjar meios para aplicar a sua "justiça". Os tipos têm navios, aviões, equipamentos diversos, o diabo a quatro pelo mundo fora, coisas que custam fortunas e, às vezes, não são fáceis de arranjar.

     

    À hora do fecho dos jornais de ontem, apesar de a Polícia já ter adoptado “medidas” (identificar os biltres e mandá-los em paz), os navios ainda não tinham sido desacorrentados.

    Sem, sequer, admitir melhor opinião, o Irritado propõe que este tipo de acções passe a ser objecto de intervenção das Forças Armadas, a fim de impedir, de forma exemplar e radical, as actividades dos “gangues verdes”. Se levarem com umas granadas nos chanfalhos talvez não voltem a utilizar meios violentos de sabotagem e ameaça nem a pôr cá os pés.

     

    É evidente que este último parágrafo não passa de wishfull thinking  do Irritado.

    Os tipos são uma organização “legal” que tem por missão “salvar o planeta”, “chamar a atenção” das pessoas para os problemas que as (não) afligem, participar, nobremente, na formação do terror universal sobre o nosso futuro, coisa tão do agrado dos senhores Soares e Gore. Merecem, por isso, a admiração das gentes, a doçura dos polícias, a “compreensão” dos intelectuais. Até porque isso do Estado de Direito não passa de uma diabólica invenção do capitalismo para enganar a humanidade e a conduzir às maiores desgraças.

     

    Mas, caros amigos, não tenham ilusões. Se deverem uns tostões às finanças ou derem um par de pontapés ao drogado que roubou, de esticão, a carteira da vossa estimável patroa, os mesmos adeptos do Greenpiece ressuscitam o Estado de Direito de um momento para o outro e caem-lhes em cima que nem uns danados.

     

    Aos polícias, aqui deixo uma mensagem de apoio. Fizeram muito bem. Se tratassem mal os camaradas do Greenpeace metiam-se em trabalhos, processos, inquéritos, trapalhadas imensas e intermináveis.

    Olhem bem este exemplo: há quem processe os polícias que abateram os bandidos de Campolide por “homicídio voluntário e premeditado”. Portugal prepara-se, assim, para demonstrar que, por cá, a vida dos reféns é menos importante que a dos sequestradores.

     

    Senhores guardas, juizinho! Quando o Greenpeace voltar, batam-lhe a pala!

     

    29.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • O CCAP

     

     O CCAP, coisa “científica”, “técnica”, “consultiva” e “autónoma”, inventada pelo governo, é um “conselho” que se dedica à ingente tarefa de supervisionar a propalada “avaliação” dos nobres membros da classe dos professores. Ou seja, o CCAP avalia a avaliação, é o avaliador dos avaliadores que avaliam os avaliados. Compreende-se.

    A coisa é de tal maneira especiosa que a presidente do CCAP, antes de o pôr a não funcionar, decidiu dar à sola. Vou para casa, venha a reforma. Fez ela muito bem.

     

    Veja-se a alta qualidade da douta estrutura: um presidente, cinco professores titulares em exercício, cinco representantes de associações científicas e pedagógicas de professores, sete individualidades de “reconhecido mérito” e três elementos do conselho das escolas.

    Esta salganhada reuniu em Julho. O sindicato do bigodes não gostou, o que não tem nada de especial porque o sindicato odeia tudo. Uma reunião marcada para Setembro ficou em águas de bacalhau. Nunca mais houve reuniões, o que se pode ficar a dever, ou ao medo que o bigodes mete, ou à falta da presidente, ou a ordens do governo para poupar nas senhas de presença.

     

    Facto é que um outro senhor também deu à sola, aproveitando para fazer declarações de alto significado. Por exemplo:

    – “Quem está no Conselho, está mesmo”. Notável, o amigo banana não diria melhor;

    – “É da natureza de uma estrutura destas que as suas recomendações possam, ou não ser seguidas”. Lapidar.

    – O CCAP corre o risco de se tornar num órgão “inútil”. Corre o risco?

     

    28.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • PRÓS E CONTRAS

     

    O Excelentíssimo e Ilustríssimo Arquitecto Vereador Manuel Salgado, competentíssimo e coerentíssimo ajudante do presidente Costa, como já tinha sido da dona Maria José, apareceu nos “Prós e Contras” da RTP, alardeando a sua profunda preocupação com o repovoamento de Lisboa, com a situação dos inquilinos dos bairros históricos e com a reanimação do mercado de arrendamento.

     

    O Arquitecto, bem nascido mas com generosa alma socialista, ainda não percebeu, coitado, que as pessoas que saíram da cidade já não voltam, isto é, que o senhor Isaltino e quejandos não só lhes arranjaram casa fora da cidade com providenciaram para que os empregos também se fossem embora.

    Ainda não percebeu, coitado, que o NRAU, nos resultados do qual – socretinice oblige – está esperançadíssimo, não produziu nem produzirá efeitos de espécie nenhuma, isto é, que uma lei feita não para relançar o arrendamento mas para sacar impostos jamais será aceite pelos respectivos destinatários.

    Ainda não percebeu, coitado, que não haverá recuperação urbana que se veja enquanto o Estado, a Câmara, seja quem for, não reconhecer que, se não há dinheiro para tal é porque o Estado, há quase um século, põe os senhorios, obrigatoriamente, a fazer de fornecedores de habitação pro bono e que é este, e não outro, o ponto de partida seja para o que for.

    Ainda não percebeu, coitado, que terá que ser o Estado a prover, com o dinheiro que extorquiu, à tal reabilitação urbana.

    Ainda não percebeu, coitado, que não há IMI’s a triplicar, ou posses administrativas, ou obras coercivas que valham.

    Ainda não percebeu, coitado, que, enquanto houver alguma liberdade, as pessoas não alinham em catracas camarárias destinadas a arruiná-las ainda mais.

     

    O senhor arquitecto vereador socialista, companheiro de bancada do Fernandes – o que diz quase tudo – nem sequer ouviu as sociólogas e os agentes económicos que com ele estavam na televisão e que, claramente, vituperaram a situação que se vive, não só nos bairros chamados históricos mas também nas avenidas novas (prédios dos anos 30, 40, 50, etc) em Benfica (prédios com quarenta anos ou menos) e por toda a cidade, onde os senhorios têm saldos de “exploração” cronicamente negativos.

    Nem sequer ouviu que a morte, sim, a morte dos inquilinos é a única luz ao fundo do túnel do arrendamento e que, mesmo assim, como os ditos não morrem todos ao mesmo tempo, para colocar um prédio em condições para um arrendamento minimamente actualizado é preciso aos senhorios esperar anos e anos, depois ir aos bancos buscar o dinheiro que o Estado lhes roubou e pagá-lo com língua de palmo, na estulta esperança de que, um dia, a sua propriedade valha alguma coisa ou renda algum líquido.

    Nem sequer ouviu falar da monumental diferença entre a renda que paga um jovem casal por um quarto com serventia de cozinha e retrete (350 euros) e a que paga o filho, o neto, a amante de um inquilino falecido há vinte anos por um andar de dez assoalhadas na Avenida da República (100 euros).

     

    O autismo visceral e o socialismo “moral” que destruíram Lisboa está cada dia mais presente na cabeça, no coração, na alma de quem (des)governa a cidade. A sociedade resiste como pode. Abandona-a, vai à procura de outros mundos. Depois, vêm os salgados & companhia desbocar-se com projectos tontos e com mais injustiças e mais trafulhices legislativas.

     

    Um apontamento final, sob a forma de pergunta: alguém percebeu as doutas explicações do senhor secretário de estado não sei de quê sobre como vai funcionar o sistema dos fundos que o governo quer criar e que a CGD, mesmo sem saber como, já se prontificou a lançar? Dou um doce a quem tiver percebido. A coisa é de tal maneira labiríntica que até parecia que o senhor Louça tinha razão, o que é uma contradição nos termos e pode confundir muita gente.

     

    28.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • SOARES AO ATAQUE

     

    Felicíssimo, o Presidente Soares decretou ontem, com o devido ponto de exclamação, “o fim do neo-liberalismo!”.

     

    Saúde-se a coragem do homem que, anos atrás, metia “o socialismo na gaveta”. Nessa altura, quem sabe, estaria ansioso por acompanhar as reformas de Tatcher e Reagan, que deram ao nosso mundo uma era de progresso e bem-estar sem precedentes, enquanto as economias socialistas minguavam até à exaustão.

     

    Queixa-se da “globalização neo-liberal”, que levou à emergência de novas economias e ao crescimento, também sem precedentes na nossa idade, de regiões imensas onde a miséria e a fome grassavam sem limites.

    Queixa-se das desigualdades na distribuição da riqueza, e tem razão. O socialismo seria muito mais justo na distribuição da miséria.

    Esquece-se de que as Fanny May e as Freddie Mac foram genial invenção da esquerda, há muitos anos, e que a “bolha” que pariu do big bang financeiro, tem origem nas políticas sociais da esquerda, há poucos anos, para conquistar o voto negro e hispânico.

    Há mais razões para o que está a suceder, como é óbvio e qualquer observador independente dirá. Mas a sofreguidão socialista de aproveitar a oportunidade para demonstrar, por absurdo que seja, as suas “razões”, cega os intelectuais do género do Presidente Soares e enche-os de preocupações serôdias com o ambiente e outros temas que pareceriam merecer melhor abordagem.

    Condenando, com alguma razão, o grande bode expiatório da crise, a especulação, o Presidente Soares não hesita em rever-se nas sábias palavras do senhor Soros, sem dúvida o maior especulador de todos os tempos. E, apesar de reconhecer que o economista de esquerda que ganhou o prémio Nobel da economia (como se isso fosse um maior dos avais ás suas ideias) aplaudiu as medidas tomadas pelos governos ocidentais, o Presidente Soares descobre que “não chega”. Pois não. O problema não é esse, mas sim o de evitar o aproveitamento das circunstâncias para lançar algum “paradigma” socialista!

    O Presidente Soares premeia com o desprezo do silêncio as diligências e movimentações que, com uma velocidade espantosa, procuram um acordo global.

    O que importa, como ele diz, é que, a 4 de Novembro, se abram novos mundos ao mundo com a luz intensa que Obama lhe trará. Assim, para o Presidente Soares, a partir de Janeiro (quando o homem tomar posse), as coisas começarão a melhorar. O que até lá se fizer não passará de uma manobra dos “neo-liberais” para segurar o sistema.

     

    Não se lembra, porque para ele o importante não é resolver problemas mas aproveitar para virar à esquerda, que, se nada se fizer até lá, em vez de recessão teremos depressão.

     

    António Borges de Carvalho
  • UM CONSELHO AO PACHECO E CONGÉNERES

     

     

    O general Collin Powell, ilustre republicano, declarou o seu apoio a Barak Obama.

    Não interessam, para efeito deste post, as razões que o levaram a tal atitude. O que interessa é que foi uma atitude aberta, ou transparente, como se diz agora.

    O homem deixou de acreditar nas propostas do partido a que pertencia. Passou para outro. Também podia tornar-se independente, ou fazer outra coisa qualquer. Optou, e disse-o. Em vez de andar a vociferar cobras e lagartos acerca sua gente, foi-se embora. De forma pública, aberta, sem rodriguinhos nem disfarces.

     

    O IRRITADO recomenda esta atitude ao senhor Pacheco, ao senhor Sousa, ao senhor Meneses, ao senhor Alegre e a todos os que, do alto da sua “independência intelectual”,  fazem profissão da nobre atitude de cortar na casaca dos seus pares em vez de, ou lutar portas adentro pelas suas ideias, ou ir á vida como fez o Powell.

    O PSD e o PS são suficientemente grandes para que estes ilustres figurões tenham hipótese de criar alguma coisa de novo. Por consequência, grudam-se aos partidos como lapas venenosas e tratam de os demolir junto da opinião pública.

     

    De qualquer maneira, na hipótese de alguma moralidade política lhes entrar na cabeça, como na do Powell, o IRRITADO adianta uma proposta muito séria.:

    – O senhor Alegre ficaria que nem um molho de coentros no Bloco de Esquerda, na qualidade de aio do senhor Loiça;

    – O senhor Sousa daria enorme credibilidade ao PNR, podendo dizer mal de tudo e de todos sem ofender o partido nem fazer mal a ninguém;

    – O senhor Meneses iria para o PND, na dependência indirecta do senhor Monteiro, com o pelouro do extermínio dos sulistas.

     

    Aceites que fossem as propostas acima, os fulanos desempoleiravam-se, o que muito contribuiria para o nosso descanso espiritual e para a clarificação das coisas.

     

    Ah! É verdade, esquecia-me do principal. O Pacheco. O Pacheco, como o senhor Pinto de Sousa está farto dos pachecos que tem lá em casa, ficava no desemprego. Ia para a Reboleira, ou lá o que é, escrever a biografia do Pamplinas.

     

    Irritado
  • DAS DELÍCIAS DO PS, OU DOS DESMANDOS DO PACHECO

     

    Ontem, a chamada “Quadratura do Círculo”, com vasta propaganda prévia nos telejornais da SIC, foi palco de mais uma violenta diatribe do Pacheco contra Santana Lopes.

    Qual orçamento, qual carapuça! O que importava era, perante o sorriso melífluo e deliciado do Costa, aproveitar o tempo e a antena para “demolir” o homem.

    O Pacheco é o manjar preferido do PS. Sempre que o PSD ameaça deitar a cabecinha de fora, lá vem o Pacheco tratar do assunto. Alto e pára o baile! Não queriam mais nada?

     

    Note-se que o Pacheco informa que “nada tem de pessoal contra Santana Lopes”. Só está contra a candidatura dele à CML porque o homem perdeu as eleições… legislativas (depois de exemplarmente perseguido pelos diversos pachecos da nossa praça), e perdeu, em Lisboa, as eleições… para liderança do PSD. Portanto, conclui o Pacheco, é “um candidato perdedor”. Os tipos da concelhia de Lisboa, por outro lado, são uma gente detestável, que até gosta do Alberto João e, por conseguinte, a sua opinião não interessa e os seus votos a favor de Santana Lopes põem-se de lado.

     

    Na boa escola do PS, o Pacheco não hesita em mentir, baralhar e tripudiar.

    O PSD, sob a liderança de Santana Lopes, perdeu as legislativas. Qual seria o mais pintado que, em circunstâncias semelhantes, as ganharia? O Pacheco não explica. Mas não hesita em, abusiva a trafulhamente, as utilizar.

    Não explica, tão pouco, que do que se trata é das eleições em Lisboa. Ainda menos que o PSD isolado, as ganhou pela primeira vez com Santana Lopes à cabeça.

     

    Muito democraticamente, o Pacheco acha que o voto esmagador da concelhia de Lisboa não interessa, mas acha que, se a mesma concelhia votar a favor de outro qualquer, já interessa. Isto, se o outro qualquer for um dos nomeados do Pacheco: o senhor Borges, que, por muito mérito que o IRRITADO lhe reconheça, ninguém sabe quem é, o senhor Sarmento, que a mesma coisa, ou o senhor Coelho que, tal como Santana Lopes, foi batido em Lisboa pela dona Manuela.

     

    A sondagem efectuada, que dá Santana Lopes como único PSD com possibilidades de ganhar a Câmara de Lisboa, também não interessa ao Pacheco.

     

    Para o Pacheco, tudo serve, a torto ou a direito, por absurdo ou por pura perversão dos argumentos, para ser contra Santana Lopes.

    O Pacheco diz que os seus argumentos não têm nada de “pessoal”. Como acima demonstrado à saciedade, nada têm que não seja pessoal. Trata-se de puro ódio, melhor dizendo, da mais profunda e rebuscada inveja.

     

    O Pacheco é, assim, um verdadeiro manjar para o PS em geral e para o Costa em particular.

     

    Esperemos que o manjar se não transforme em maná, isto é, que a dona Manuela perceba que o que está em jogo é defender os interesses da cidade e do PSD, e não consolar as raivas do Pacheco.

    Se ela perceber isto, então veremos como o povo de Lisboa é capaz de saber escolher entre a paciência, a eficácia e a vontade de servir de Santana Lopes, a quem muito deve, e o dolce far niente do Costa ao serviço da sofreguidão do PS.

     

    17.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • UM FUTURO DO MELHOR

     

    Lembro-me dos terríveis tempos em o PS assestava baterias contra os orçamentos do PSD/CDS. Havia operações altamente controversas, havia receitas extraordinárias (que horror!), havia truques de cirurgia financeira, tudo para conseguir que o défice não ultrapassasse as normas do Pacto de estabilidade.

    As operações da Drª. Manuela (a do City e a dos fundos de pensões, por exemplo) talvez fossem controversas, mas toda a gente as conhecia. As receitas extraordinárias, essas, eram de uma transparência a toda a prova, gostasse-se ou não. O défice, o propriamente dito, também era do conhecimento dos cidadãos, e nunca atingiu as “metas” do guterrismo.

     

    Com o advento do senhor Pinto de Sousa, os tempos mudaram. O controle orçamental passou a ser uma boutade. À partida, pela primeira na história da humanidade, o banco central* fabricou um défice putativo, destinado a "justificar" tudo o que desse na cabeça ao primeiro-ministro.

    A partir daí, valeu tudo.

    Aumentou-se brutalmente os impostos. A economia, mergulhada em propagandas e mediatismos, definhou. Continuou a haver as anteriormente maléficas receitas extraordinárias, só que, desta vez, devidamente disfarçadas e não chamadas pelo nome.

     

    Agora, o povo dá por si com um orçamento em que, gloriosas, figuram as mais altas despesas públicas de sempre (47,8% do PIB!!!). Mais uma vez, a coisa vem disfarçada. Como a UE admite umas contas feitas de outra maneira, não é exactamente assim. Mas, contas feitas com o sistema dos anos anteriores, que são o termo de comparação, é assim mesmo (+2,2%).

    Encolheu, dizem, o número de funcionários. Reformou-se, dizem, o Estado. E, vejam lá, a despesa aumentou!

     

    Onde nos levará esta “gestão” enganosa dos nossos dinheiros, é coisa que nem vale a pena imaginar, a fim de mantermos alguma bonomia.

     

    O que vale a pena começar a imaginar desde já, é como vamos pagar os aumentos (mais uma vez!) do IRS (em média, +0,4%), do ISP (+3,4%), do imposto sobre veículos (+16,9%!!!), sobre o tabaco (+6,5%), sobre o álcool (+11,9%), do imposto de selo (+7,8%)…

     

    Coisa interessante seria saber como é que o governo, prevendo um abrandamento da economia e uma diminuição do consumo, consegue ir buscar mais 3,4% ao… IVA! Da mesma forma se pode perguntar como é que aumentam as receitas dos outros impostos ligados ao consumo se, como eles dizem, não se aumentam os impostos. 

    Que milagres serão estes?

    Será que vai ser lançado algum "pogrom" brutal contra as pessoas e as empresas, sacando-lhes a massa quer a devam quer não? Não se vê outra hipótese. Brutalizados, os cidadãos reclamarão. O taco ser-lhes-á devolvido daqui a uns anos, sem juros, por outro governo qualquer. A maioria, porém, com medo das consequências (inspecções, penhoras, ameaças, etc.), não reclamará. A massa, legitimamente ou não, ficará nas mãos do  governo. Genial!

     

    À laia de cereja em cima do bolo, diga-se que as classes média e “alta” dos pensionistas verão o “aumento” que o socialismo socretino lhes “dá” não chegar para o aumento do IRS, para não falar da inflacção.

     

    Continuamos, tristemente, a caminho do terceiro mundo, o que acaba com as ilusões de muita gente, IRRITADO incluído.

    Enquanto vamos apertando o cinto, o socialismo continuará, orgulhosamente, a alimentar-nos de propaganda. 

     

     

     

     

    16.10.08 

     

     

    António Borges de Carvalho

     

     * Não sei quem disse que o Dr. Constâncio devia devolver cinco anos de ordenado, mas estou inteiramente de acordo. Não só pelo orçamento putativo e à la manière, mas também pela “supervisão” do BCP e pela forma genial como previu a presente crise.  
  • O PORTUGUÊS NO LIXO

     

     

    Diz uma velha anedota que Dom Afonso Henriques, para segurar a independência, chamou os académicos do Reino e encomendou-lhes a concepção de uma língua tal que, fronteiras adentro, todos percebessem o castelhano, e que, do lado de lá, ninguém a entendesse.

    Não terá sido assim, mas a verdade é que o resultado foi o mesmo. Não há falante de português que não perceba, e não fale, senão castelhano, pelo menos portulhano. Os falantes de castelhano, por sua vez, não percebem patavina do que nós dizemos.

     

    É evidente, e só não o vê quem não quiser, que o português está a ser alvo de inúmeros ataques, dos quais o acordo ortográfico não é o menor.

    Português para quê? Pois se o inglês é a língua universal, se, nos Estados Unidos, há milhões de falantes de castelhano, o português fica, residualmente, como língua de alguns africanos e de meia dúzia de asiáticos (o Brasil vai deixar de contar, como se verá abaixo).

    Estamos habituados a ouvir isto, ainda que, como é natural, nos desgoste ver as nossas autoridades a deixar correr o marfim ao mesmo tempo que propagandeiam em sentido contrário.

     

    Isto para assinalar uma nova machadada na língua, vinda do lado de lá do Atlântico, pela mão do Presidente Luís Inácio da Silva. Não contente com o acordo ortográfico, que outra coisa não é senão uma segunda independência do Brasil, o senhor Lula vai introduzir o castelhano como língua obrigatória do ensino oficial. Ou seja, uma vez linguisticamente independente, o Brasil não perde tempo, e toma as medidas necessárias para acabar com o português, ainda que a longo prazo.

    Se é mais que evidente que os brasileiros não precisam para nada de aprender castelhano uma vez que, melhor ou pior, já o entendem, a nova medida do senhor Lula outro significado não pode ter.

    Talvez se pudesse compreender esta surpreendente atitude se houvesse reciprocidade, isto é, se, por acordos internacionais, os países castelhanófonos da América do Sul introduzissem o português no seu ensino com a mesma dignidade que o Brasil vai dar à língua deles. Como não há reciprocidade nenhuma, o objectivo do senhor Lula não pode ser senão o de menorizar a nossa língua, almejando a sua extinção como grande objectivo do século XXI.

     

    Aqui temos, gritante, a primeira grande consequência dessa traição à… língua que é o acordo ortográfico.

     

    A ver vamos a reacção, ou a falta dela, da CPLP, do Instituto Camões e de outras inutilidades que para aí vegetam.

     

    15.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • DO TERROR QUE SANTANA INFUNDE, OU A ALCATEIA OUTRA VEZ AO ATAQUE

     

     

    Não é preciso ser muito inteligente, nem era precisa a sondagem que o PSD mandou fazer, para que toda a gente percebesse que o único membro daquele partido capaz de ganhar as eleições em Lisboa é o Dr. Pedro Santana Lopes. Trata-se de coisa de tal maneira evidente, que só os politicamente vesgos ou os odientos por profissão podem pensar o contrário.

    A obra que Pedro Santana Lopes fez em Lisboa só não foi tão longe como podia ter ido porque as perseguições políticas conseguiram travá-lo em muitas coisas.

    Se não fosse a odiosa relutância do Dr. Sampaio, a estas horas o Parque Mayer já tinha o casino, e as obras iriam de vento em popa.

    Alguém duvida?

    Se não fosse a inveja mais primária, impiedosa e miserável, a estas horas Lisboa teria um projecto Ghery em construção, como teve Bilbao, com a colaboração de todas as forças políticas e económicas, projectando a cidade para píncaros até então desconhecidos.

    Alguém duvida?

    Se não fosse a perseguição policiesca do senhor Fernandes e do social-comunismo camarário, essa obra ímpar e fundamental que é o Túnel do Marquês estaria, com muitos meses de antecedência, a funcionar em pleno.

    Alguém duvida?

    Se não fosse a vilania rasca da oposição, mesmo da que aprovou a permuta da feira popular (o PS e o BE) para a vir a condenar meses depois, alguém duvida que a monstruosa vergonha dos terrenos de Entrecampos – um oceano de sucata, de dejectos, de porcaria de toda a espécie, de ratazanas cheias de doenças, de baratas, de cobras – seria hoje um estaleiro de obras e uma esperança de qualidade para a cidade.

    Alguém duvida?

    Com Santana Lopes, os contentores do senhor Coelho, em vez de se preparar, com o apoio do senhor Pinto de Sousa, para tapar o rio, estariam a mudar-se para a outra banda, ou para Setúbal, ou para Sines.

    Alguém duvida?

    Não fora o boicote do social-comunismo, a estas horas os serviços da câmara funcionariam melhor, como já funcionavam (e deixaram de funcionar), sem estar mergulhados nas aldrabices do “Simplis” e companhia.

    Alguém duvida?

     

    Os lisboetas em geral não duvidam. Mas a intelectualidade do PSD sim.

    Os marcelos, os pachecos, os menezes andam num virote.

    Não ouço o Marcelo na RTP, porque não quero ser enganado. Não leio o Marcelo no Sólcrates pela mesma razão. Não leio as bojardas do Menezes por respeito pela minha própria – ainda que limitada – inteligência. Às vezes lá leio e ouço (ainda) o Pacheco, não sei porquê.

    Mas sei o que vão mexericando, pelo que leio nos jornais.

    Nunca nenhum deles se lembrou de acusar de populismo o mais populista de todos os políticos da III República, ou seja, o senhor Pinto de Sousa. Mas já andam para aí a dizer que, com o Dr. Santana Lopes, “voltará o populismo”.

    Se o populismo é dizer coisas que se sabe não poder realizar e alardear promessas para pura propaganda, então, se há alguém que não é populista, o Dr. Santana Lopes é esse alguém. O que prometeu, cumpriu. O que ficou por cumprir, a ele se não deve.

     

    O frisson que a sua eventual candidatura provocou na bem-pensância nacional é a imagem clara do terror daqueles que nunca fizeram nada, ou que nunca foram capazes de fazer nada, sequer de ganhar uma eleição, têm em relação aos que lutam, dão a cara, dão o coiro, para fazer alguma coisa por nós.

     

    14.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • MAIS MORAL REPUBLICANA

     

     

    O Exmº Presidente da Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai tratar de arranjar maneira de actualizar as rendas das casas que a CML traz alugadas.

     

    A arrancada socialista contra Pedro Santana Lopes foi, como é mais que evidente, um tiro no pé, uma vez que o que veio à baila foi o oportunismo, pleno de moral republicana, da senhora Brito, prontamente apoiada pelo senhor Costa quiçá em nome da mesma moral, e a situação do “património disperso” da autarquia, coisa de que o senhor Costa jamais se lembraria, não fora a bronca que lhe caiu em cima.

     

    Haverá que perguntar ao senhor Costa como será possível “actualizar” as rendas dos inquilinos da CML sem actualizar as rendas dos demais inquilinos.

     

    O senhor Costa é mais que os outros?

    O senhor Costa não cumpre a lei mais estúpida de todos os tempos (o NRAU), mas os outros têm que a cumprir?

    A CML tem o direito de receber uma compensação justa pelos arrendamentos que faz, mas os demais proprietários ficam excluídos de tal direito?

    A lei é geral e abstracta, mas quando se trata do senhor Costa passa a ser particular e concreta?

    Que raio de estado de direito é este, em que uns pagam rendas actuais ou prestações incomportáveis enquanto outros vivem refastelados nas borlas que a lei lhes dá, à custa dos senhorios?

    E porque é que a CML se acha no direito de “actualizar” as rendas dos seus inquilinos, negando, por consequência, tal direito aos cidadãos e aos seus filhos e netos e bisnetos que há quase cem anos andam a ser espoliados pelos governos (à excepção do II governo da AD)?

    E porque é que o senhor Costa, o senhor Pinto de Sousa e o senhor das finanças andam a ameaçar os espoliados com as mais violentas medidas caso não se arruínem para melhorar as casinhas de quem vive à custa deles?

    Então o socialismo acha que alguém deixa degradar o seu próprio património por prazer ou masoquismo?

    Porque é que o senhor Costa acordou agora para o problema do arrendamento, mas, quando estava no governo, colaborou activamente na inenarrável e fiscalmente oportunista burrice do NRAU?

    O senhor Costa quer-se sangrar em saúde, mais à fantástica vereadora que o apoia e que acha que, eticamente (outra vez a moral republicana em acção), nada lhe pode tocar a fímbria das vestes?

     

    Não será o cúmulo do socialismo que uma entidade pública socialista se sinta no direito de ir buscar uns dinheiros às rendas e que, aos privados na mesma situação, tal direito seja negado pelo governo socialista?

     

    E ainda há quem diga que o PS governa “à direita! Idiotas!

     

    A verdade, meus amigos, é que estamos a bater no fundo, no que à moral propriamente dita diz respeito.

     

    14.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • JORNALISMO

     

     

    Um bom exemplo do jornalismo que se pratica em Portugal é a manchete do “Sol” – que o Irritado, com carradas de razão, trata por Sólcratres. Diz a coisa que “Governo envolve Ferreira Leite nos submarinos”, segundo-se “aval da líder do PSD, como ministra das finanças, à compra de Paulo Portas vai custar 700 milhões no défice de 2010”.

    Este paleio inculca no espírito de quem o lê a sensação de que a compra dos submarinos é um acto de banditismo, assim como se Ferreira Leite tivesse, ela mesmo, aprovado a compra de cinquenta virgens de quinze anos para divertimento dos dirigentes do CDS.

    Ao longo do tempo, seguindo a boa técnica leninista, a propaganda socretina tem vindo a propalar a não necessidade dos submarinos, ao mesmo tempo que instila suspeições sobre o processo. O Sólcrates trata, prestimosamente, de continuar este serviço. Não só a tal compra foi um erro, como, lá bem no fundo (não se diz, mas parece subliminar), dona Manuela está envolvida num negócio de contornos menos claros. Pelo menos, e isso é evidente, o Sólcrates, dizendo para se sangrar em saúde, que a iniciativa é do governo, textualiza a evidente incompetência da senhora, que assumiu compromissos que vieram comprometer o futuro de todos nós.

    A coisa é tão bem urdida que ninguém poderá dizer que o Sólcrates “caluniou” a senhora: lá para o fim da peça, o jornal confessa que dona Manuela reduziu drasticamente a despeza prevista, que a compra foi “começada” por via de lei do governo socialista de Guterres, e que o problema financeiro surgiu em 2006, por virtude de uma mudança de regras contabilísticas imposta por Bruxelas. É preciso ler até ao fim para perceber de quem é a culpa de se ir inscrever a despesa no orçamento de 2010. Para a generalidade dos leitores, que lê os títulos e pouco mais, o que fica é que o governo, com carradas de razão, vai atacar a senhora por causa dos submarinos.

    Jornalismo?

     

    Na página 4, lê-se este mimoso título; “Sócrates dá a volta à crise”. Um destaque científicamente calculado para nos dizer que o primeiro ministro resolveu o assunto, só faltando subtitular que, por cá, devido à maravilhosa inteligência do senhor Pinto de Sousa, já não há crise nenhuma.

    Na página 5, nos que estão na mó de cima, lá vem o senhor Pinto de Sousa, que, “no momento de reagir, fê-lo mais uma vez com rapidez e retomando a iniciativa política”. Maravilhoso, o senhor Pinto de Sousa!

    Na mesma página, nos que estão na mó de baixo, lá vem a dona Manuela, a qual, em vez de mandar bocas sobre a crise, anda preocupada com o Kosovo. Horrível criatura,a quem o Sólcrates não reconhece quaisquer méritos, nem sequer o de saber mais de finanças que quatrocentos pintosdesousa ao quadrado!

    Jornalismo?

     

    13.10.08

     

    António Borges de Carvalho

     
  • A CI-MM-L E A REGIONALIZAÇÃO

     

     

    Lá para as bandas do Minho, as câmaras municipais resolveram criar uma associação a que deram o pomposo nome de Comunidade Inter-Municipal Minho-Lima.

    Trata-se, como é óbvio, de uma parvoíce como outra qualquer. Os municípios deviam associar-se para objectivos comuns, cada um se integrando nas associações que tenham interesse em função de tais objectivos, e não criar “comunidades” com fronteiras definidas e fins genéricos.

     

    A CI-MM-L (deve vir achamar-se assim) ainda não foi fundada e já está em guerra. Parece que a malta de Viana do Castelo não aceita os estatutos da coisa, esperneia, e até a vai referendar.

    A CI-MM-L tem, por isso, uma grandíssima utilidade. É que vem demonstrar, sem margem para dúvidas, a pessegada que seria essa coisa a que chamam “regionalização”: mais uma fonte de problemas, como se tivéssemos poucos. Se nem dentro do Minho, que é uma região mais ou menos definida geograficamente, os tipos se entendem e, antes de a coisa nascer, já andam a fazer contas a ver quem fica com que poder, imaginem o que seria a multiplicação destas palermices pelo país inteiro.

     

    É claro, reconheço, que, para a regionalização, há bons argumentos. Para cada região haverá um “governo”, uma “assembleia”, um “órgão de coordenação”, outro de “fiscalização”, ou o que lhes queiram chamar. O que quer dizer uma nova classe política, mais “dirigentes”, mais funcionários, mais secretárias, mais automóveis, mais eleições, mais…

    Ora isto virá a ter um efeito positivo no emprego, não é?

    Saber quem paga é pormenor dispiciendo, como nas auto-estradas, no aeroporto, no TGV e no terminal do Coelho, não é?

     

    11.10.08

     

    António Borges de Carvalho
  • AVALIAÇÕES DA TRETA

     

    No dia em que, por ordem do senhor Pinto de Sousa, a ministra da educação cedeu à gritaria dos bandos sindicais, isto é, dos partidos comunistas, o Irritado escreveu que a avaliação dos professores tinha acabado, que a monstruosa rebaldaria, a preguiça, a irresponsabilidade e o abuso iam continuar como dantes, e que a “classe” dos professores, a breve prazo, voltaria à carga, a fim de inviabilizar o que ainda restava do chamado processo de avaliação profissional.

     

    Quando o tipo do bigode e do olho de xarroco voltou aos monitores, o Irritado gritou “aí estão eles!” (post de 07.10.08), seguindo a previsão que tinha feito, facilmente, dir-se-á, uma vez que é preciso ser muito estúpido para não perceber o que viria a seguir.

     

    O que vinha seguir, aí está: o sindicato apresentou as suas “justas” exigências. A saber:

    – Os professores passam a participar na definição de todos 

      os seus objectivos de avaliação;

    – A supervisão do processo passa a ser feita pelos colegas;

    – Deixa de haver quotas para as melhores notas;

    – Os mais mal classificados deixam de sofrer com isso;

    – Todos os critérios de avaliação passam a ser controlados

       pelo avaliado;

    – Todas as classificações passam a ser feitas pelos

       próprios, sem intervenção de gente de fora;

    – As classificações de “regular” e “excelente” desaparecem,

      ficando só as de “muito bom”, “bom” e “insuficiente”;

    – As avaliações passam a ser feitas de quatro em quatro

      anos;

    – As notas mais altas deixam de ter influência na progressão

      na carreira;

    – O “insuficiente” deixa de poder ser motivo para rescisão

      contratual;

    – Os “insuficientes” passam a ser objecto de um plano de

      apoio.

     

    Como acima dizia, não é preciso ser muito esperto para perceber que, a ser aprovadas as propostas do sindicato, se passará a um sistema de total irresponsabilidade e absoluta impunidade.

    Se tais propostas não forem aprovadas, o bigodes arranja mais uma gritaria de tal ordem, que, passados uns dias, o senhor Pinto de Sousa se borra todo outra vez e a ministra, disciplinadamente, mete a viola no saco.

     

    Antes que se comece a gastar uma fortuna com avaliações que não servem para nada a não ser para que tudo fique na mesma ou pior, a única medida com algum sentido é acabar com a coisa em definitivo, e deixar correr.

     

    Para quem não tem coragem para matar coelhos, o melhor é não ir à caça.

     

    11.10.08

     

    António Borges de Carvalho