Lembro-me dos terríveis tempos em o PS assestava baterias contra os orçamentos do PSD/CDS. Havia operações altamente controversas, havia receitas extraordinárias (que horror!), havia truques de cirurgia financeira, tudo para conseguir que o défice não ultrapassasse as normas do Pacto de estabilidade.
As operações da Drª. Manuela (a do City e a dos fundos de pensões, por exemplo) talvez fossem controversas, mas toda a gente as conhecia. As receitas extraordinárias, essas, eram de uma transparência a toda a prova, gostasse-se ou não. O défice, o propriamente dito, também era do conhecimento dos cidadãos, e nunca atingiu as “metas” do guterrismo.
Com o advento do senhor Pinto de Sousa, os tempos mudaram. O controle orçamental passou a ser uma boutade. À partida, pela primeira na história da humanidade, o banco central* fabricou um défice putativo, destinado a "justificar" tudo o que desse na cabeça ao primeiro-ministro.
A partir daí, valeu tudo.
Aumentou-se brutalmente os impostos. A economia, mergulhada em propagandas e mediatismos, definhou. Continuou a haver as anteriormente maléficas receitas extraordinárias, só que, desta vez, devidamente disfarçadas e não chamadas pelo nome.
Agora, o povo dá por si com um orçamento em que, gloriosas, figuram as mais altas despesas públicas de sempre (47,8% do PIB!!!). Mais uma vez, a coisa vem disfarçada. Como a UE admite umas contas feitas de outra maneira, não é exactamente assim. Mas, contas feitas com o sistema dos anos anteriores, que são o termo de comparação, é assim mesmo (+2,2%).
Encolheu, dizem, o número de funcionários. Reformou-se, dizem, o Estado. E, vejam lá, a despesa aumentou!
Onde nos levará esta “gestão” enganosa dos nossos dinheiros, é coisa que nem vale a pena imaginar, a fim de mantermos alguma bonomia.
O que vale a pena começar a imaginar desde já, é como vamos pagar os aumentos (mais uma vez!) do IRS (em média, +0,4%), do ISP (+3,4%), do imposto sobre veículos (+16,9%!!!), sobre o tabaco (+6,5%), sobre o álcool (+11,9%), do imposto de selo (+7,8%)…
Coisa interessante seria saber como é que o governo, prevendo um abrandamento da economia e uma diminuição do consumo, consegue ir buscar mais 3,4% ao… IVA! Da mesma forma se pode perguntar como é que aumentam as receitas dos outros impostos ligados ao consumo se, como eles dizem, não se aumentam os impostos.
Que milagres serão estes?
Será que vai ser lançado algum "pogrom" brutal contra as pessoas e as empresas, sacando-lhes a massa quer a devam quer não? Não se vê outra hipótese. Brutalizados, os cidadãos reclamarão. O taco ser-lhes-á devolvido daqui a uns anos, sem juros, por outro governo qualquer. A maioria, porém, com medo das consequências (inspecções, penhoras, ameaças, etc.), não reclamará. A massa, legitimamente ou não, ficará nas mãos do governo. Genial!
À laia de cereja em cima do bolo, diga-se que as classes média e “alta” dos pensionistas verão o “aumento” que o socialismo socretino lhes “dá” não chegar para o aumento do IRS, para não falar da inflacção.
Continuamos, tristemente, a caminho do terceiro mundo, o que acaba com as ilusões de muita gente, IRRITADO incluído.
Enquanto vamos apertando o cinto, o socialismo continuará, orgulhosamente, a alimentar-nos de propaganda.
16.10.08
António Borges de Carvalho
* Não sei quem disse que o Dr. Constâncio devia devolver cinco anos de ordenado, mas estou inteiramente de acordo. Não só pelo orçamento putativo e à la manière, mas também pela “supervisão” do BCP e pela forma genial como previu a presente crise.

Deixe um comentário