O Exmº Presidente da Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai tratar de arranjar maneira de actualizar as rendas das casas que a CML traz alugadas.
A arrancada socialista contra Pedro Santana Lopes foi, como é mais que evidente, um tiro no pé, uma vez que o que veio à baila foi o oportunismo, pleno de moral republicana, da senhora Brito, prontamente apoiada pelo senhor Costa quiçá em nome da mesma moral, e a situação do “património disperso” da autarquia, coisa de que o senhor Costa jamais se lembraria, não fora a bronca que lhe caiu em cima.
Haverá que perguntar ao senhor Costa como será possível “actualizar” as rendas dos inquilinos da CML sem actualizar as rendas dos demais inquilinos.
O senhor Costa é mais que os outros?
O senhor Costa não cumpre a lei mais estúpida de todos os tempos (o NRAU), mas os outros têm que a cumprir?
A CML tem o direito de receber uma compensação justa pelos arrendamentos que faz, mas os demais proprietários ficam excluídos de tal direito?
A lei é geral e abstracta, mas quando se trata do senhor Costa passa a ser particular e concreta?
Que raio de estado de direito é este, em que uns pagam rendas actuais ou prestações incomportáveis enquanto outros vivem refastelados nas borlas que a lei lhes dá, à custa dos senhorios?
E porque é que a CML se acha no direito de “actualizar” as rendas dos seus inquilinos, negando, por consequência, tal direito aos cidadãos e aos seus filhos e netos e bisnetos que há quase cem anos andam a ser espoliados pelos governos (à excepção do II governo da AD)?
E porque é que o senhor Costa, o senhor Pinto de Sousa e o senhor das finanças andam a ameaçar os espoliados com as mais violentas medidas caso não se arruínem para melhorar as casinhas de quem vive à custa deles?
Então o socialismo acha que alguém deixa degradar o seu próprio património por prazer ou masoquismo?
Porque é que o senhor Costa acordou agora para o problema do arrendamento, mas, quando estava no governo, colaborou activamente na inenarrável e fiscalmente oportunista burrice do NRAU?
O senhor Costa quer-se sangrar em saúde, mais à fantástica vereadora que o apoia e que acha que, eticamente (outra vez a moral republicana em acção), nada lhe pode tocar a fímbria das vestes?
Não será o cúmulo do socialismo que uma entidade pública socialista se sinta no direito de ir buscar uns dinheiros às rendas e que, aos privados na mesma situação, tal direito seja negado pelo governo socialista?
E ainda há quem diga que o PS governa “à direita! Idiotas!
A verdade, meus amigos, é que estamos a bater no fundo, no que à moral propriamente dita diz respeito.
14.10.08
António Borges de Carvalho

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