IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PENSADORES DA TRETA

     

     

     Nobre iniciativa, esta de uns intelectuais da brigada do reumático e de uma universidade do Estado, de organizar um congresso marxista.

    Sim, a crise em que vivemos, em si demonstrativa da capacidade de regeneração do capitalismo, é aproveitada para, ao neolítico das ideias, ir buscar, e repensar, coisas tão obviamente sinistras como o comunismo, a ditadura do proletariado e demais mitos do socialismo marxista.

    Que interessa que o comunismo só exista em países miseráveis e esclavagistas? Que interessa que a ditadura do proletariado nunca tenha existido nem possa existir, até porque, nos países com algum bem estar, nem sequer há proletariado? Que interessa que a análise marxista da economia e da história só tenha parido ditaduras, polícias políticas, censura, campos de concentração, etc.?

    Nada, não interessa nada. O que interessa a estes pensadores da treta é baralhar e tornar a dar, a ver se se convertem em guarda avançada de alguma revolução, a ver se conseguem arranjar um atalho qualquer para chegar ao poder, que exercerão sem limites, a bem do “homem novo”, escravo, e dos amanhãs que cantam ao som dos pelotões de fuzilamento.

    Eles, os Louças, os Portas mais velhos, os Jerónimos, os Vilarigues, etc., assitirão ao espectáculo no primeiro balcão.

     

    Marx tem um lugar nahistória das ideias. O seu pensamento é objecto de estudo. Também o são os resultados da aplicação delas.

    Quando esta malta pega outra vez no Marx, plena de pensamento, não está a filosofar, está a fazer política. É pena que haja uma universidade do Estado que se preste a estas palhaçadas.

     

    16.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • JORNALISMO ENGAGÉ

     

    O “Diário de Notícias”, servo fiel do senhor Pinto de Sousa, participa activamente na CNSMSL (Campanha Nacional dos Socialistas com Medo de Santana Lopes), campanha que, desde a “ameaça” da candidatura deste à Câmara de Lisboa, vem sendo desenvolvida em diversas frentes.

     

    Isto de imprensa “independente” é assim:

     

    A toda a largura da primeira página, aqui há dias, o DN “noticiava” que corriam na Procuradoria uns processos em que Santana Lopes era arguido dos mais terríveis crimes. Provou-se que era mentira. Mas o DN, em vez de, humildemente, se retratar, emenda a mão dizendo, ontem, que os processos existem, embora Santana Lopes não seja arguido de coisa nenhuma. É claro que o estúpido e malévolo “esclarecimento” aparece numa página perdida nos confins do jornal, sem nada a ver com o poderoso destaque que tinha sido dado à mentira e, mesmo assim, com um mar de insinuações a desvalorizar a verdade.

     

    O jornal privado chamado “Público”, apesar de tido como crítico do senhor Pinto de Sousa, também alinha no plantel da CNSMSL.

    Santana Lopes deu uma longa entrevista, que merece ser lida, a uma revista qualquer do dito jornal. Pois não é que a entrevista é “anunciada”, no “Sobe e Desce” da véspera, acompanhada dos mais soezes e primárias críticas, à pessoa, não à entrevista?

    Como as revistas dos jornais, normalmente, servem para pôr no eco-porco (por eufemismo eco-ponto), o que fica são as críticas. Não entrevista. Genial.

     

    O Costa e o Pinto de Sousa agradecem aos distintos jornais “de referência”.

     

    16.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • CULTURA PARA O POVO

     

    O boneco do governo, encarregado da cultura, informou a Nação de que está furioso com o dinheiro que o orçamento lhe dá. Coitado!

    Pensar-se-ia que, nestas circunstâncias e a fim de não se ver coagido a “governar” sem meios, o homem se ia embora.

    Não, o homem não se vai embora. Está de pedra e cal. Porquê? Porque a culpa não é do senhor Pinto de Sousa nem do senhor Santos, a culpa é dos que o antecederam na “pasta”. A começar pela sua antecessora, distinta cidadã que já se apressou a dizer dele cobras e lagartos, e a acabar em pessoas que lá estiveram há décadas e que, coitadas, a começar pelo senhor Roseta, nem percebem de que é que o homem está a falar.

    Feitas as contas, como os culpados de não haver dinheiro são outros que não o senhor Pinto de Sousa ou o senhor Santos, ainda menos o boneco, há que compreender que o homem, apesar da falta de taco, se sinta bem no poleiro.

     

    16.11.08

     

    ABC
  • LÓGICA SOCRAPÍFIA

     

     

    No fim do ano passado, os reformados da função pública tiveram a doce surpresa de ver os seus subsídios de férias e Natal descontados de uma contribuição para a ADSE, coisa que nunca tinha acontecido nem se tinha anunciado que viria a acontecer. Acresce, no que ao subsídio de férias diz respeito, que a taxa foi aplicada retroactivamente. Lindo.

     

    Perante os protestos das pessoas, logicamente, o governo veio dizer que se tratava de um equívoco e que a situação iria mudar.

    E, reconheça-se, com toda a lógica, mudou mesmo; agora não são só os reformados a pagar, são mais alguns, escolhidos a dedo.

    É de crer que, a breve prazo, o governo resolva a situação, pondo a pagar os que ainda ficaram de fora.

     

    Assim se faz a “justiça” do senhor Pinto de Sousa. A poder de tirania e de aldrabices. O socialimo no seu melhor.

     

    16.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • FUTEBÓIS

     

     

    O Irritado não costuma meter-se em futebóis. Mas gosta de ver uns jogos. Na televisão, como é evidente.

    Outro dia assistiu ao Sporting-Porto, para a taça. Como o Irritado é benfiquista, estava numa postura calma e independente, ainda que, confessa, se tivesse que torcer, torcia pelo Sporting.

    Foi um espectáculo degradante. Não por causa dos jogadores, mas por causa do árbitro. Não houve asneira que não fizesse. Penaltis por marcar, aos molhos. Cartões amarelos, a torto e a direito. Expulsões, foi vê-las. Livres, à toa, sem mais nem menos. Indescritível.

    Não pode dizer-se que o árbitro estivesse ali para beneficiar uma ou outra equipa. Estava ali para dar cabo do jogo, para alardear a sua estupidez, a sua incompetência, a sua ignorância, a sua cegueira, o seu absoluto desprezo pelos jogadores e pelas regras do jogo.

    Um escândalo. Uma porcaria sem nome.

    É evidente que, se a arbitragem fosse outra, o resultado do jogo teria sido completamente diferente. Não sei quem teria ganho, mas sei que o seria diferente. Tristemente, sem merecimento, o Porto acabou por ganhar pela simples razão que alguém teria que o fazer.

     

    Mais grave, porém, que esta inenarrável pantominice, foi que uma gente qualquer que terá por missão avaliar os árbitros achou que o fulano e os seus bandeirinhas eram uns tipos bestiais. E, em vez de correr com aquela gente da profissão, imediatamente, sem processo porque o delito foi flagrante e está registado em vídeo, moveu um processo a quem protestou contra a miserável incompetência dos fulanos.

     

    Não é só na justiça que não há Justiça. É por toda a parte, nesta pobre terra.

     

    16.08

     

    IRRITADO
  • TRÊS ANEDOTAS SEM GRAÇA NENHUMA

     

     LIBERDADE PARA O POVO

     

    Andamos nós preocupados com os juízes que, todos os dias, mandam em paz criminosos apanhados em flagrante delito, como aquele que andou aos tiros numa esquadra de polícia.

    Pelos vistos este tipo de procedimento está a espalhar-se, talvez por uma questão de “direitos humanos”.

     

    Ora vejam. No comboio, um tipo saca a outro uma pasta cheia de dinheiro. Pouco depois, é apanhado pela GNR.

    Segundo os jornais, o homem, na segunda-feira seguinte, ao contrário do que lhe tinha sido ordenado, não compareceu perante o juiz de instrução.

     

    Trocado por miúdos, agora não são só os juízes a mandar em paz os criminosos, os polícias já fazem o mesmo por sua alta recreação, certamente protegidos por alguma vírgula da lei.

     

    Imagine-se o diálogo entre o GNR e o ladrão:

    – Então o meu caro cidadão roubou a pastinha ao seu companheiro de viagem, não é?

    – Pois, de facto, enfim, sou um produto desta sociedade individualista, a minha prima dava-me pancada quando eu era pequenino, a minha avó metia-se nos copos, o professor de instrução primária não me ligava nenhuma, compreende? E ninguém me dava, nem dá, o apoio psicológico que mereço, a sociedade exclui-me… empurra-me…

    – Compreendo, meu caro senhor, compreendo muito bem. Eu também tive problemas parecidos… Bom, manda a lei que se preencham estas papeladas. Vamos a isto.

    ….

    – Ora bem, já está. Na segunda-feira, fará V.Exª. o favor de se apresentar ao juiz de instrução… compreende… eu sei que é uma maçada…

    – Com certeza, senhor guarda, cá estarei.

    – Bom, vá à sua vida e boa sorte.

    – Adeusinho, senhor guarda. Fique descansado, que eu também fico.

     

     

    AI EUROPA, EUROPA

     

    Isto de se ser membro seja do que for depende, nos países chamados livres, da vontade de cada um. Não se percebe por que carga de água há-de ser diferente entre os estados.

    Vem isto a propósito de um certo Klaus, presidente da Chéquia, que se confessa “dissidente” da União Europeia. Até foi à Irlanda conferenciar com os chefes do “Não” ao referendo sobre o tratado de Lisboa e incentivá-los contra qualquer diligência tendente a alterar a situação.

     

    A chamada Europa, como o Benfica, o PPD ou a ONU, é, ou devia ser para quem quer. Quem não quer, que vá bater a outra porta. Se os irlandeses e os checos são contra a União Europeia, que vão bugiar. Não é democraticamente aceitável que dois dêem cabo da vida a vinte e cinco. Não querem, paciência. Fecha-se as fronteiras, cria-se alcavalas alfandegárias para os seus produtos, os seus cidadãos passam a pagar vistos caríssimos se quiserem andar por aí, corre-se com os tipos do euro, se já lá estiverem, e pronto.

     

    Vão chatear o caneco.

     

     

    LUTAS INTESTINAS

     

    Afinal, a culpa não é da Câmara, disse o Costa. É do governo. As obras que o Costa gostaria de licenciar para reabilitar a baixa – quarenta, que fartura – precisam de autorização do governo, diz ele. E diz mais. Diz que o governo não deixa pôr elevadores nos prédios da Baixa (?!).

    Ele, coitado, até queria fazer da Baixa uma “zona residencial”. Na tradição do Siza, que “recuperou” o Chiado sem fazer parques de estacionamento nos prédios, Costa prepara-se para não pôr elevadores porque o governo não deixa.

    Como medida fundamental para esta nova “zona residencial”, Costa propõe, em vez da construção de mais parques de estacionamento, que a Baixa passe a ser reservada aos peões, à Carris e aos carros dos moradores. Ou seja, propõe que o comércio deixe de existir, talvez à excepção de umas frutarias para os moradores, já que quem lá poderia ir com dinheiro para gastar passa a ir de popó ao Continente e à avenida.

     

    O governo, via terminal de contentores, já demonstrou à saciedade que se está nas tintas para a Câmara e para os interesses dos lisboetas. Só o senhor Costa é que ainda não percebeu que o senhor Pinto de Sousa está a ajudar a enterrá-lo, a fim de se livrar de um virtual concorrente.

     

    Se Lisboa não me preocupasse, até achava graça a estas guerras no seio desse grande inimigo público que é o Partido Socialista.

     

    ABC

     

     

     

     
  • ARMISTÍCIO

     

    Quando eu era um pequenote, por altura do São Martinho apareciam nas ruas umas senhoras a fazer um peditório para os combatentes. Quem desse alguma coisa era presenteado com um capacete pequenino, de folha, pendurado num alfinete. Punha-se na lapela com orgulho. Os miúdos adoravam. Punham o capacete na falangeta do polegar e pintavam uma cara na unha. Não percebiam lá muito bem o que era isso de combatentes, embora por vezes vissem na rua uns taradinhos que se chamavam gaseados.

    O costume perdeu-se.

     

    No Reino Unido, o capacete era substituído por uma poppy, papoila que, ainda hoje, não há britânico que se preze que não traga ao peito nesta altura do ano. Já não há combatentes da Grande Guerra, mas continua a havê-los de outras. A solidariedade dos povos das nações britânicas para com eles, todos eles, mantém-se inalterada.

    Por toda a Europa há comemorações do Armistício. Por toda a Europa, vencedores e vencidos se lembram, no 11 de Novembro, dos mortos, dos estropiados, dos gaseados e até dos desertores.

     

    Por cá, zero. O esquecimento a que os combatentes, os combatentes de todas as guerras, são votados, é um sinal terrível do estado a que chegámos, como povo e como nação.

     

    Ontem, a SIC fez uma larga reportagem sobre as comemorações. Vimos os franceses, os ingleses, os belgas, os polacos, unidos no mesmo respeito pelos que os defenderam. A mesma estação, em relação aos duzentos mil soldados mobilizados ou combatentes portugueses da Grande Guerra, nem uma palavra.

    Em Paris, no mais nobre bairro da cidade, há uma Rue des Portugais, que homenageia os nossos concidadãos que, bravamente, deixaram o seu sangue em terras francesas.

    Por cá, nem uma palavra, nem sequer uma imagem dos monumentos que, noutros tempos, lhes foram erguidos. Nos jornais “de referência”, nada. Do governo, zero. Do Presidente da República, népias. Do parlamento, um silêncio sepulcral.

     

    Será que o que nos fazia ser portugueses já não existe?

     

    11.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • GENTE CULTA E SÉRIA

     

    RTP1, 11.11.08, 20,30.

    O senhor secretário de estado da saúde, cujo nome me escapa, disse a uma jornalista que lhe perguntou qual era o valor das dívidas do ministério:

     

    – “Diria-lhe” (sic) que já disse.

    Encantada com a literacia do seu ajudante, a senhora ministra acrescentou:

    – Pois, o senhor secretário de estado já respondeu, na comissão, dizendo que ia fazer as contas.

     

    Exalte-se a grande qualidade linguística do senhor secretário de Estado, bem ao nível cultural do chefe.

    Exalte-se a precisão da informação da senhora ministra, com certeza também inspirada na capacidade parlapativa do senhor Pinto de Sousa.

     

    ABC
  • SOARAMA

     

     

     

     

    Hoje, 11.11.08, foi publicado mais um importantíssimo contributo do Presidente Soares para o futuro da humanidade. Quatro colunas de lugares comuns ditados pelo entusiasmo juvenil do articulista com eleição do senhor Obama.

     

    Na opinião do senhor Presidente, os seus conselhos, desejos e ilusões vão ser postos em acto pelo afilhado, o qual, por certo, não terá deixado de ler os vários programas de governo que o Dr. Soares já escreveu para ele.

     

    Não se sabe até onde irá o entusiasmo do nosso semanal opinador. No entanto, assinalemos que acha imperioso que o seu afilhado se não esqueça de pôr fim aos desmandos dos “neo-liberias”. Dos mesmos que, aqui há uns anos, apoiavam o Dr. Soares nas suas diligências para a “criação de grandes grupos económicos e financeiros”, para “acabar com os pobres”, e para outras nobres intenções que até fizeram escola, mais que não seja através da actual política do seu impagável partido.

     

    O presidente Soares quer que o senhor Obama acabe com as “duas cruentas guerras, excepcionalmente violentas, alimentadas por mentiras e por inconfessáveis interesses, pela arrogância do poder e pelo desrespeito pelos direitos humanos”.

    Pois. O Presidente Soares acha que, guerras, só as que tiverem o “aval da ONU”. Esquece que a “cruenta” guerra do Afeganistão tem mandato expresso da ONU. Talvez porque lhe convém, assaca tal guerra aos americanos, isto é, ao seu odiado Bush, personalidade que, além de tudo mais, comete o nefando crime de não ser da esquerda. Esquece que o seu afilhado Obama já afirmou mais do que uma vez que tenciona reforçar o contingente militar no Afeganistão, eventualmente com transferência de tropas do Iraque. Esquece que a Europa também já fez uma guerra, na ex-Jugoslávia, sem mandato da ONU. Esquece que a guerra no Iraque, se é “cruenta”, é-o por causa dos próprios iraquianos e não das tropas americanas, as quais, enquanto se tratou de luta de exércitos, foram, como na ex-Jugoslávia, o mais “clássicas” possível. Esquece que, se a guerra que a ONU conduz no Afeganistão, via NATO, é “cruenta”, é-o porque se enfrenta uma ameaça tresloucada de fundamentalistas, cuja justificação filosófica é o extermínio dos “infiéis” como o Dr. Soares, e cuja base económica é quase exclusivamente a produção de drogas, arma de destruição maciça como as demais.

     

    Ao falar de “direitos humanos”, Soares esquece também que Guantanamo e AbuGraib, em si eventualmente condenáveis, são brincadeiras de criança se comparados com as centenas de milhar de mortos, vítimas inocentes de bombistas suicidas e quejandos.

     

    O Presidente Soares, calcule-se, chega ao cúmulo de apontar baterias contra a “chamada” “democracia liberal” (as segundas aspas são dele), esquecendo que é essa a democracia em que vivemos, em que vivem os EUA e que foi, em tempos, defendida pelo próprio Soares. É a democracia que nasceu, à bordoada, em França, que foi evolutivamente criada pelos anglo-saxónicos e que até é defendida pelos “irmãos” do Dr. Soares, “filhos da viúva” como ele. A tal democracia não é, nem por sombras, uma coisa que Bush inventou “para impor ao mundo”, como diz, textualmente, Mário Soares.

     

    Na esteira daqueles de quem foi compagnon de route primeiro e adversário depois (agora não se sabe), Soares revolta-se contra “a hegemonia imperial americana”. O camarada Jerónimo não diria melhor.

     

    Soares esquece que as ideias que agora “cruentamente” condena tiraram da fome e da mais “cruenta” miséria incontáveis milhões de pessoas, na China, na Índia, no Brasil e até em África. Onde o leva a feroz cegueira ideológica de que está possuído!

    Sendo verdade que o sistema entrou em crise e que é necessário restaurá-lo, talvez noutros moldes, não o é menos que, sem ele, não havia, nem social-democracia na Europa, nem riqueza ou condições mínimas de sobrevivência fosse onde fosse.

    Nem o Dr. Soares teria direito a pronunciar-se, da forma irresponsável e irreflectida como o faz ou de outra forma qualquer.

     

    E mais não digo, ainda que houvesse muito mais a dizer.

     

    Felizmente, tenho a secreta esperança de que o senhor Obama marimbe nos esquerdismos desta triste Europa, e venha a ser uma espécie de Lula dos EUA. De momento, como já escrevi, não passa de um Pinto de Sousa com preparação académica.

     

    11.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • TAVARAMA

     

    Um dos mais ferozes esquerdistas da nossa praça, tão vesgo quanto o Jerónimo e sem dúvida o mais desagradável de todos, anda aflito com o facto de haver quem pense que o senhor Obama vai ser um Presidente moderado, ou seja, que não vai ser tão esquerdista como o senhor Tavares (Rui) desejaria.

    Informado por odiento primarismo, o homem queixa-se que o senhor Bush, quando ganhou as eleições pela última vez, não “estendeu a mão aos derrotados”. Ou seja, o senhor Tavares (Rui) põe as coisas de pernas para o ar. O que se passa é que, tanto McCain como Bush estenderam a mão aos vencedores, coisa que jamais os hoje vencedores fizeram, quando vencidos.

     

    Queixa-se o senhor Tavares de que, por cá, há muito quem não veja no senhor Obama o manancial de virtudes que ele lhe atribui. Acha que os tais, de cá, deviam, tinham a mais obrigatória obrigação de ajoelhar sem restrições nem dúvidas perante a intocável santidade do homem. O senhor Tavares (Rui) é mais obamista que o Obama. Nunca o Obama, ao ver-se ao espelho, se achou tão excelso como o senhor Tavares (Rui) o pensa. Para o senhor Tavares, quem não ajoelha fascinado perante o brilho intenso do senhor Obama, não devia sequer existir. Ou devia ser proibido de opinar.

     

    O senhor Tavares (Rui) fica felicíssimo porque o senhor Obama chegou onde chegou, vindo de onde veio. Mas não entende que, se tal foi possível, foi porque o regime político e social que do senhor Bush (a democracia liberal e capitalista, o governo limitado, tudo o que o senhor Tavares odeia) oferece tal oportunidade aos Obamas lá do sítio, coisa que jamais o esquerdismo dos Tavares ofereceu fosse a quem fosse. Não entende que a eleição de Obama é, não pela primeira vez, a negação da ideia esquerdista de que o sistema americano é “o sistema dos ricos”.

     

    Bom, encurtando razões, desejemos ao senhor Obama, e a todos nós, as maiores felicidades, a ver se os Tavares metem esta viola no saco e arranjam outra qualquer.

     

    11.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ABAIXO DE LACÃO, DE a) A o)

     

     

     

     

    Grande confusão se gerou ontem à noite entre as hostes televisivas, por causa do BPN.

     

    Não vale a pena ir a pormenores. Ficou provado que:

     

    a) Os accionistas, ao contrário do que diz o Lacão, não se recusaram a aumentar o capital, aqui há dois ou três meses;

    b) O Dr. Cadilhe, ao contrário do que diz o Lacão, aconselhou os accionistas a não o fazer porque, havendo fortes suspeitas de missdoings, tal não seria de bom senso;

    c) O Dr. Cadilhe, ao contrário do que diz o Lacão,  apresentou ao governo uma solução que incluía um aumento substancial de capital, em que o governo participaria com os accionistas;

    d) Os accionistas, ao contrário do que diz o Lacão, não se recusaram a ir ao aumento de capital com o governo, dentro do plano Cadilhe;

    e) O governo, ao contrário do que diz o Lacão, se aceitasse o plano, veria o seu (nosso) dinheiro remunerado;

    f) As propostas do Dr. Cadilhe, ao contrário do que diz o Lacão, não comportavam para o governo compromissos que não fossem compagináveis com as ajudas gerais que o governo prometeu ao sistema financeiro;

    g) As propostas do Dr. Cadilhe, ao contrário do que diz o Lacão, não se destinavam a colmatar as responsabilidades criminais de que se fala;

    h) O governo, ao contrário do que diz o Lacão, optou pela solução mais rápida e mais cara para o contribuinte;

    i) O governo, ao contrário do que diz o Lacão, aproveitou a oportunidade para se ver autorizado por lei a nacionalizar o que muito bem lhe apeteça, quando lhe apeteça, a propósito ou a despropósito;

    j) A nacionalização, ao contrário do que diz o Lacão, foi motivada pelos desmandos financeiros do BPN, não pela sua situação financeira;

    l) A regulação, ao contrário do que diz o Lacão, não precisa de mais meios, precisa é de não estar encostada à bananeira;

    m) O Dr. Constâncio, ao contrário do que diz o Lacão, falhou em toda a linha, e durante muitos anos e maus;

    n) O Dr. Constâncio, ao contrário do que diz o Lacão, já devia estar em casa, ajudando a respectiva esposa a regular as compras do supermercado;

    o) O governo, ao contrário do que diz o Lacão, não tem qualquer sombra de respeito pelo nosso dinheiro.

     

    11.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • EDUCAÇÃO NACIONAL

     

    Em mais uma grande demonstração da unidade da “classe”, os chamados professores desceram, ou subiram, a Avenida da Liberdade, em memorável coro de protestos.

    Há coisa de um ano, quando o governo cedeu miseravelmente,  e de que maneira, a outra marcha do mesmo estilo, o Irritado avisou a Nação de que o que estava em causa não era, nem por sombras, a avaliação, eventualmente estúpida, decretada pelo governo, mas toda e qualquer avaliação, toda e qualquer medida que pusesse a “classe” a trabalhar com alguma eficácia.

    Como se vê agora, o Irritado tinha carradas de razão. A “classe” recusa-se seja ao que for que ponha em causa o seu sossegado bem-estar.

    O governo, pelo seu lado, montou uma inominável farsa de exames sem qualidade nem valor, para poder apresentar resultados, quem sabe se para consolar a “classe”, coitada, que vinha a ser acusada de não ensinar, ou não saber ensinar os alunos.

    De nada serviu. Os professores, apesar de, por obra e graça do ilusionismo do governo, terem passado a ser óptimos, continuam a não estar dispostos a ver o seu suave rame-rame ameaçado seja pelo que for que os possa responsabilizar pela desgraça a que o ensino chegou.

     

    Dentro de dias, vão ver, o senhor Pinto de Sousa mete outra vez o rabinho entre as pernas e dá ordens à ministra para fazer umas reuniões. Pouco depois, virá mais um acordo que, como o último, visará repor tudo em banho-maria.

     

    Aos poucos, ou aos muitos, a “classe” ganhará terreno, os alunos continuarão tão ignorantes como eram e o governo propagandeará, mais uma vez, a sua profunda paixão pela “educação”.

     

    10.11.08

     

     António Borges de Carvalho
  • ESTRADAS DE PORTUGAL

     

     

    Como foi, à altura, sublinhado por inúmeros comentadores, a criação da empresa pública Estradas de Portugal e a subsequente celebração de um contrato de concessão entre ela e o Estado constituíram uma descarada desorçamentação de despesas, um truque, uma espécie de receita extraordinária, um disfarce do défice real com cosméticos de qualidade duvidosa.

     

    Agora, sua excelência um obscuro secretário de estado vem justificar, nos jornais, as contas deficitárias da empresa. Não do Estado, como é de ver. Um défice que, no dizer socrélfio do citado senhor, é coisa temporária, vai desaparecer a prazo. É que, diz o “governante”, daqui a 75 anos (prazo da "concessão") “o balanço global vai ser positivo”.

     

    Muito bem. Ficamos todos descansadíssimos. Os nossos tetranetos vão fartar-se de ganhar dinheiro com o negócio.

     

    Uma olhada à estrutura das despesas da EP:

    grosso modo, de um total de 804,9 milhões de euros, 83% são para “encargos com as SCUTS”, 10% para o “funcionamento”, e o restante para “outras despesas com parcerias público privadas”. É desconhecida a verba destinada, se é que há alguma, à manutenção da rede de estradas existente.

     

    Este extraordinário quadro

    (números fornecidos por sua excelência)

    revela-nos quanto nos custa

    (ou não custa, porque, como não está no orçamento do Estado, o senhor Pinto de Sousa deve achar, e com razão, que os parvalhões dos portugueses enfiam barretes destes)

    a tomada da decisão “social”, ou socialista, ou socretina, de não haver portagens nas SCUTS.

    É certo, ou quase, que as receitas das portagens não pagariam a totalidade das despesas, tal como as que a outras parcerias dizem respeito. Mas muitos milhões deixariam, como é óbvio, de sair dos nossos bolsos.

     

    Somados os 667 milhões que, só em 2009, as SCUTS irão custar, aos milhares de milhões que custarão nos anos seguintes, e aos outros milhares de milhões (quantos?) que o tresloucado plano de obras públicas do senhor Pinto de Sousa custará também, teremos uma fulgurante imagem do futuro que nos espera.

     

    Os culpados deste mar de asneiras já estarão a bom recato quando a parte mais violenta da hecatombe que se avizinha nos cair em cima da cabeça. Nessa altura dirão que a culpa é de quem lhes suceder. Entretanto, teimam na asneira, na irresponsabilidade e na demagogia.

     

    10.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ORTODOXIAS

     

    A RTP passou ontem o dia a falar na cena de pancadaria em que sacerdotes gregos e arménios lamentavelmente se envolveram na Igreja do Santo Sepulcro.

    Como é evidente, nem uns nem outros tinham razão.

    Mas não é isto o que me traz. Traz-me a “cultura geral” de que o “serviço” público dá mostras. Nas doutas palavras dos rêtêpês, tratou-se de uma briga entre “ortodoxos”.

    O Irritado, sempre preocupado com a cultura das massas, esclarece que os gregos, sim, são ortodoxos mas os arménios são católicos. Não são “romanos”, mas são católicos. Aliás, o “papa” deles é o “Katholicos”.

     

    À atenção do “provedor de telespectador”.

     

    10.11.08

     

    ABC
  • PARCERIAS PÚBLICO-PÚBLICAS

     

     

    Um contrato foi assinado entre a ARS, Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, e a HPP, Hospitais Privados de Portugal, entregando a esta a gestão do novo Hospital de Cascais durante 30 anos.

    O Tribunal de Contas aprovou o contrato.

    A HPP é uma “sociedade” detida pela CGD, Caixa Geral de Depósitos, cujo único accionista é o Estado.

    Por conseguinte, a HPP é do Estado. Por conseguinte o Estado fez um contrato consigo próprio.

    À maneira do que muito se critica ao sector privado, o Estado, com o ojectivo do lucro, cria “sociedades” que negoceiam com o próprio.

    O que aos privados o Estado assaca como uma espécie de inside trading, passe a comparação, pratica o Estado com a mesma calma e muito maior desfaçatez. Enquanto os privados, apesar de tudo, mantêm alguma transparência, uma vez que as participações accionistas são, não públicas mas publicadas, o Estado proclama que um negócio como este é “uma parceria público-privada”, em que a parte pública (o dono do edifício, que é o Estado) contrata com uma empresa de direito privado (que é do Estado, portanto pública) a gestão de um hospital que é da ARS, portanto público.

     

    Digo o Estado, com letra grande, mas quero dizer o estado a que o estado, com letra pequena (o governo do senhor Pinto de Sousa), levou o Estado, com letra grande.

     

    Não sou contra, bem pelo contrário, à entrega da gestão de unidades públicas a entidades privadas. Mas sou-o contra o mar de aldrabices em que o governo que temos nos vem mergulhando vai para quatro anos.

     

    9.11.08

     

    António Borges deCarvalho
  • UNS PATRIOTAS

     

     

    O Dr. Barroso encontrou um novo inimigo. Não, não se trata de um esquerdista checo,  de um ecologista francês ou de um nacionalista italiano. Trata-se da dona Ana Gomes, que acusa o homem das piores malfeitorias.

    Toda a gente sabe que o Dr. Barroso não é, exactamente, um génio. Mas também sabe que tem levado a água ao seu moínho sem guerrinhas nem parvoíces.

    O ataque da dona Ana, em mais uma demonstração de desiquilíbrio mental, fica a dever-se, com certeza, ao acendrado patriotismo da senhora.

     

    Por falar nisto, lembram-se do “Expresso” da semana passada parangonar que os antecessores de Barroso o criticavam acerbamente? A coisa não passou. Era mentira. E lá vem o “Expresso”, honra ou cagaço lhe seja, dizer que se tinha enganado. Será que também o “Expresso” foi vítima inocente de acendrado patriotismo?

     

    8.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • JUDICIALISMO SERÔDIO

     

     

     

    Um senhor de 90 anos, outro de 94, um de 92 e outro de 93 estão na berlinda para ir parar ao chilindró por iniciativa do vice-rei de Castela, senhor Garzon.

    O homem não pára. Sedento de protagonismo mediático, anda à pesca de esqueletos com setenta anos, a fim de, à custa deles, ressuscitar ódios fratricidas que se julgava ter sido enterrados há trinta e tal.

    Toda a gente sabe o horror que foi a guerra civil espanhola. Toda a gente sabe que, de parte a parte, se cometeram inomináveis crimes. Toda a gente sabe que, não o esquecimento, mas a “morte” do ódio, tem proporcionado paz civil às gerações que se seguiram à queda do franquismo.

    À excepção de meia dúzia de saudosistas, à esquerda e à direita, toda a gente percebe que é do mais legítimo interesse da sociedade espanhola considerar a guerra como passado a historiar e não como coisa a projectar no futuro.

    Mas, ao serviço da meia dúzia de saudosistas estúpidos, o senhor Garzon não pára. Vasculha valas comuns, sem respeito, nem pelos cadáveres, nem pelos interesses da reconciliação das novas gerações, que já era considerada adquirida.

    Se, para que todos os jornais falem nele, o senhor Garzon vier a meter uns velhinhos na cadeia e a, com isso, pôr de novo em acção adormecidas letais divisões, aí teremos um triunfador dos direitos humanos, por certo merecedor do aplauso da dona Ana Gomes e do senhor Alegre.

     

    9.11.08

     

     

    António Borges de Carvalho
  • A CRISE, AS ORIGINALIDADES SOCRETINAS E A CONSTÂNCIA DO CONSTÂNCIO

     

    Empurrados pelo partido democrático, primeiro com Roosevelt depois com Clinton, os americanos criaram uma série de produtos financeiros de duvidosa garantia.Tais produtos expandiram-se mundo fora. Como a bronca começou na América e como a América era (é) o cofre do mundo, o sistema acabou por estourar por toda a parte.

    Gloriosamente, o governo português acha que a coisa, por cá, não terá os efeitos devastadores que tem noutras paragens.

    É natural que quem não tem dinheiro, como é o nosso caso há mais de trinta anos, sinta menos os efeitos do estouro. Se alguma coisa nos protegeu, foi a tesura, não o governo…

     

    *

    Em furiosa algazarra, os inimigos do capitalismo liberal,encabeçados pelos senhores Soares, Louça, Jerónimo & Alegre, embandeiraram em arco e acharam que, finalmente, se ia caminhar para um mundo onde o prestimoso Estado tomaria conta das finanças, da economia e da liberdade dos cidadãos.

    Os fusíveis estouram porque a carga eléctrica é demais para eles, não porque a electricidade seja uma coisa indesejável. Mas os arautos do estatismo não percebem nada de electricidade.

     

    *

    Nas trapalhadas bancárias em que o mundo está metido, várias têm sido as atitudes dos governos para salvar o sistema e minorar o sofrimento dos cidadãos.

    Nesta matéria, Portugal é percursor de soluções novas. Depois de tomar atitudes mais ou menos paralelas às dos demais, confrontado com um problema novo, Portugal, genialmente, inventa uma solução original.

    Um banco em dificuldades é nacionalizado pelo governo. Tais dificuldades não se devem a ter aceite garantias pouco sólidas, a ter posto a circular produtos mal engendrados, a por ter arriscado demais. Devem-se a ter sido ninho dos mais diversos crimes, reconhecidos e denunciados pela sua própria nova administração e, ao que parece, cometidos pela antiga com a cumplicidade dos accionistas.

    Pareceria – é o que se passa quando os governos são inteligentes – que, na circunstância, o que haveria a fazer era deixar cair o tal banco (como o Lehman Brothers), com eventual protecção de certos depósitos e com a devida punição dos responsáveis. A sociedade – a odiosa sociedade capitalista – tem destas práticas de justiça, que são duras mas em que os crimes de uns não são pagos pelos demais.

    O governo português não distingue entre práticas criminosas e gestões infelizes ou menos cautelosas.

    No caso destas, de quem é a culpa? Por exemplo, se o crédito mal parado em Portugal disparar com redobrada força, de quem é a culpa? Dos bancos? Ou dos governos que empurraram os cidadãos para as mais insensatas alhadas, que arranjaram incentivos para a compra de casas em vez de ressuscitar o mercado de arrendamento? O mais pintado que responda. O dinheiro que o Estado desperdiçou em benefícios fiscais e subsídios, se aplicado na recuperação urbana, não teria relançado a habitação sem pôr as pessoas a tinir?

    No que àquelas diz respeito a solução não pode, ou não deve, seguir critérios semelhantes. A regeneração do sistema começa por deixar cair quem dele não for digno, com eventual protecção, isso sim, dos que nada têm a ver com o assunto.

     

    Mas, em Portugal, nacionaliza-se e pronto. O que está por detrás da crise não interessa. Quem tem o direito de gastar o dinheiro dos impostos é o governo. A nós, só cabe pagá-lo, e vê-lo sumir-se em asneiradas.

     

    *

    A pessegada vai mais loge. O senhor Constâncio há anos que não regula bem. Nem da cabeça, nem na regulação propriamente dita.

    Assim que o senhor Pinto de Sousa tomou conta disto, fabricou um “orçamento” putativo, destinado a amamentar a propaganda do governo. De tal forma que permitiu ao senhor Pinto de Sousa apregoar que tinha feito descer o défice nos anos em que o aumentou, zurzir o povo com impostos e continuar, paulatina e gloriosamente, a aumentar a despesa pública.

    O senhor Constâncio usou, ou abusou, do prestígio da instituição a que preside, para criar uma das mais repugnantes aldrabieces políticas de que há memória em Portugal.

    Se isto não é um crime público, não sei o que é um crime público.

    O senhor Contâncio continuou a constar, constantemente, à frente do BP.

    Sabia que havia bronca no BCP, mas nada fez. Sabia, há sete anos(!) que havia bronca no BPN, e deixou-se estar sossegado.

    Não há quem não saiba disto. Vem, todos os dias, em todos os jornais.

    Mas o senhor Constâncio continua a constar.

     

    Porquê? Um dedo que adivinha diz-me que é por ser socialista.  

     

    9.11.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    ET. Hoje, Sábado, dou com a relação, publicada nos jornais, das mais altas figuras do BPN. Do impossível Machete ao industrial Coimbra, são todos próximos ou "internos" do PSD. Uma pergunta, que ficará sem resposta, me vem à ínvia mente: será que, se os tais senhores, ou o senhor Cadilhe, fossem da zona do PS, o banco teria sido nacionalizado, ou ter-se-ia adoptado a proposta da administração?
  • PRIVATIZAÇÕES SOCIALISTAS

     

    Aqui há uns dois ou três anos foram privatizados os notários. Melhor dizendo, foi autorizada aos privados a abertura de escritórios de notariado.

    O negócio era, como toda a gente sabe, chorudo. Não faltou quem respondesse à nova oportunidade.

    Logo a seguir, porém, ou por causa do chamado “simplex” ou por divertimento administrativo, começaram a chover os cortes no negócio. Os distintos juristas da profissão viram o mercado encolher.

    Até aqui, vá lá. Os notários, em pouco tempo, contribuiram para o erário público com nada menos que 35 milhões de euros, o que quer dizer que, apesar de tudo, o negócio não é mau. 35 milhões é obra. Cumpriram.

    E o Estado, ou seja, o governo do senhor Pinto de Sousa? O Estado, como é de timbre, não cumpriu.

    Os notários, que precisam como do pão para a boca dos registos do Estado, e a quem o Estado, isto é, o governo do senhor Pinto de Sousa, tinha prometido a livre consulta de tais registos, nega aos notários o acesso às suas bases de dados.

    Agora, vêm os notários pedir de volta o seu belo dinheirinho, e com carradas de razão. É claro que jamais o verão e, se virem algum, será daqui a muitos anos e sem juros.

    É por estas e por outras que a “confiança” dos portugueses cresce todos os dias.

     

    8.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • INJUSTIÇAS CAPITALISTAS

     

     

    O proprietário do local onde funciona a sede do PC em Santiago do Cacém, ou coisa parecida, moveu àquela gente um processo de despejo. Segundo parece, o senhorio ganhou, ou vai ganhar a causa.

    Com toda a razão, o PC esperneia. Então o PC, que sempre pagou a renda a tempo e horas, vai ser despejado? O PC, que pagava a fabulosa quantia de 4,72 euros por mês, vai, assim sem mais nem menos, para o olho da rua? Que justiça é esta? Que democracia é esta?

    O Irritado, com a devida indignação, manifesta a sua solidariedade para com o PC, por mais esta manobra do imperialismo, do capitalismo e do neo-liberalismo, e propõe ao tenebroso senhorio que se contente com um aumento de renda, nos termos do NRAU, por exemplo para 5 euros por mês.

    Não foi para isso que o socialismo fez o NRAU?

     

    7.11.08

     

    ABC