IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A CRISE, AS ORIGINALIDADES SOCRETINAS E A CONSTÂNCIA DO CONSTÂNCIO

 

Empurrados pelo partido democrático, primeiro com Roosevelt depois com Clinton, os americanos criaram uma série de produtos financeiros de duvidosa garantia.Tais produtos expandiram-se mundo fora. Como a bronca começou na América e como a América era (é) o cofre do mundo, o sistema acabou por estourar por toda a parte.

Gloriosamente, o governo português acha que a coisa, por cá, não terá os efeitos devastadores que tem noutras paragens.

É natural que quem não tem dinheiro, como é o nosso caso há mais de trinta anos, sinta menos os efeitos do estouro. Se alguma coisa nos protegeu, foi a tesura, não o governo…

 

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Em furiosa algazarra, os inimigos do capitalismo liberal,encabeçados pelos senhores Soares, Louça, Jerónimo & Alegre, embandeiraram em arco e acharam que, finalmente, se ia caminhar para um mundo onde o prestimoso Estado tomaria conta das finanças, da economia e da liberdade dos cidadãos.

Os fusíveis estouram porque a carga eléctrica é demais para eles, não porque a electricidade seja uma coisa indesejável. Mas os arautos do estatismo não percebem nada de electricidade.

 

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Nas trapalhadas bancárias em que o mundo está metido, várias têm sido as atitudes dos governos para salvar o sistema e minorar o sofrimento dos cidadãos.

Nesta matéria, Portugal é percursor de soluções novas. Depois de tomar atitudes mais ou menos paralelas às dos demais, confrontado com um problema novo, Portugal, genialmente, inventa uma solução original.

Um banco em dificuldades é nacionalizado pelo governo. Tais dificuldades não se devem a ter aceite garantias pouco sólidas, a ter posto a circular produtos mal engendrados, a por ter arriscado demais. Devem-se a ter sido ninho dos mais diversos crimes, reconhecidos e denunciados pela sua própria nova administração e, ao que parece, cometidos pela antiga com a cumplicidade dos accionistas.

Pareceria – é o que se passa quando os governos são inteligentes – que, na circunstância, o que haveria a fazer era deixar cair o tal banco (como o Lehman Brothers), com eventual protecção de certos depósitos e com a devida punição dos responsáveis. A sociedade – a odiosa sociedade capitalista – tem destas práticas de justiça, que são duras mas em que os crimes de uns não são pagos pelos demais.

O governo português não distingue entre práticas criminosas e gestões infelizes ou menos cautelosas.

No caso destas, de quem é a culpa? Por exemplo, se o crédito mal parado em Portugal disparar com redobrada força, de quem é a culpa? Dos bancos? Ou dos governos que empurraram os cidadãos para as mais insensatas alhadas, que arranjaram incentivos para a compra de casas em vez de ressuscitar o mercado de arrendamento? O mais pintado que responda. O dinheiro que o Estado desperdiçou em benefícios fiscais e subsídios, se aplicado na recuperação urbana, não teria relançado a habitação sem pôr as pessoas a tinir?

No que àquelas diz respeito a solução não pode, ou não deve, seguir critérios semelhantes. A regeneração do sistema começa por deixar cair quem dele não for digno, com eventual protecção, isso sim, dos que nada têm a ver com o assunto.

 

Mas, em Portugal, nacionaliza-se e pronto. O que está por detrás da crise não interessa. Quem tem o direito de gastar o dinheiro dos impostos é o governo. A nós, só cabe pagá-lo, e vê-lo sumir-se em asneiradas.

 

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A pessegada vai mais loge. O senhor Constâncio há anos que não regula bem. Nem da cabeça, nem na regulação propriamente dita.

Assim que o senhor Pinto de Sousa tomou conta disto, fabricou um “orçamento” putativo, destinado a amamentar a propaganda do governo. De tal forma que permitiu ao senhor Pinto de Sousa apregoar que tinha feito descer o défice nos anos em que o aumentou, zurzir o povo com impostos e continuar, paulatina e gloriosamente, a aumentar a despesa pública.

O senhor Constâncio usou, ou abusou, do prestígio da instituição a que preside, para criar uma das mais repugnantes aldrabieces políticas de que há memória em Portugal.

Se isto não é um crime público, não sei o que é um crime público.

O senhor Contâncio continuou a constar, constantemente, à frente do BP.

Sabia que havia bronca no BCP, mas nada fez. Sabia, há sete anos(!) que havia bronca no BPN, e deixou-se estar sossegado.

Não há quem não saiba disto. Vem, todos os dias, em todos os jornais.

Mas o senhor Constâncio continua a constar.

 

Porquê? Um dedo que adivinha diz-me que é por ser socialista.  

 

9.11.08

 

António Borges de Carvalho

 

ET. Hoje, Sábado, dou com a relação, publicada nos jornais, das mais altas figuras do BPN. Do impossível Machete ao industrial Coimbra, são todos próximos ou "internos" do PSD. Uma pergunta, que ficará sem resposta, me vem à ínvia mente: será que, se os tais senhores, ou o senhor Cadilhe, fossem da zona do PS, o banco teria sido nacionalizado, ou ter-se-ia adoptado a proposta da administração?


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