IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PATA NA POÇA

     

    SEPIIIRPPDAACS*, ao tornar pública a sua indignação por, alegadamente, haver quem o queira meter no caso BPN, perdeu uma bela ocasião para estar calado.

    Toda a gente sabe que há vários tipos do PSD metidos naquilo, e que, alguns, se “fizeram” nos tempos de glória do Primeiro-Ministro Cavaco Silva. Mas também está no baralho o grande “gestor” Coelho, que é do PS. A avaliar pelo tremor que atravessa as hostes socialistas, não deve ser o único.

    Toda a gente sabe que SEPIIIRPPDAACS não é “homem de negócios”. Jamais seja quem for pensou que o senhor pudesse estar envolvido em trafulhices.

    A partir do comunicado da Presidência, esta convicção fica abalada.

     

    É o velho caso da mulher de César: não basta ser séria, há que parecê-lo.

     

    SEPIIIRPPDAACS é sério, e parece-o. Não precisa de dizer nada. Quando se sente na necessidade de dizer que o é, está, implicitamente, a confessar que não o parece.

    Na “alma” de cada um, cria-se esta terrível inquietação: se não parece…

     

    24.11.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    *Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva.

     

     
  • SEXOMANIA

     

    Assisti ontem ao que, sem sombra de dúvida, foi o mais repugnante programa de televisão da história.

     

    Uma “estreia” no “serviço” público de televisão. A nossas expensas, fornecido pela RTP2.

     

    Um sexagenária oxigenada e esgrouviada entrevistava três meninas e três meninos, qual delas mais a feia, qual deles o mais bronco. Uma das pequenas usava umas botas de plástico branco, com saltos de meio metro, que fariam a inveja do guarda-roupa de qualquer pornógrafo.

    Todos os entrevistados davam claros sinais de iliteracia. A sexagenária, por seu lado, requebrava-se em gestos, muito fina, as mãozinhas a ondular, com o ar de quem está a falar das coisas mais sérias deste mundo, da forma mais séria deste mundo.

    Qual era o tema? Sexo! Mas não era um sexo qualquer. Instados repetidamente pela sexagenária, os meninos e as meninas foram unânimes: a juventude deve começar no truca-truca o mais cedo possível, e de forma “democrática”, isto é, as meninas truca-trucam com quem quiserem, quando quiserem. Os meninos também. Ter amigas ou amigos para o efeito, todos ao mesmo tempo, é uma maravilha. Tanto faz que os amigos das meninas sejam meninas como meninos. Tanto faz que os amigos dos meninos sejam meninas como meninos. Os desejos são para satisfazer, desde que haja parceiro. Se não houver, não faz mal. A masturbação resolve o problema. Até há quem a prefira. A pornografia, considerada pelo mais moderado dos meninos (um esteta!), como coisa em que se deve apreciar sobretudo “a arte”, é óptima para quem precise, ou prefira, masturbar-se. Casamentos de homossexuais, como é evidente, também fizeram a unanimidade dos meninos e das meninas.

    Nada de contraditório, que nisto de rebaldaria não há quem seja contra.

     

    A sexagenária rebolava-se no “écran”, com indisfarçável gozo. Gozo “intelectual”, como é de ver.

     

    Há questões que podem ser sérias e interessantes, se tratadas com alguma “altura”.

    Mas o primitivismo, a ignorância, a ausência de dignidade, a total falta seja de que parâmetros for, a negação do contraditório, não devia poder ocupar tempo de antena, muito menos em “serviço” público. Enfim, uma demonstração da mais miserável miséria intelectual. O canal da Play Boy, ao pé daquilo, parece a Academia das Ciências.  

     

    Ou me engano muito, ou não há “autoridade” que se ocupe destas matérias, nem “provedor do telespectador” que se pronuncie.

     

    24.11.08

     

     António Borges de Carvalho

  • ENGENHARIAS CAMARÁRIAS

     

     Há quatro dias, a CML precisava de cinco milhões de euros/ano para o genial projecto das bicicletas. O PSD chumbou a coisa por se tratar de um balúrdio absolutamente injustificável.

    Ontem, a CML fez saber que vai pôr as bicicletas na mesma à disposição do povo. Só que, com certeza por pia intercessão de São Pancrácio Malacueco, desta vez é de borla, ou seja “sem encargos para a autarquia”!

    Admitindo, como hipótese de trabalho, que não foi milagre de São Pancrácio, hemos de convir que a engenharia financeira da câmara costo-fernando-rosética é de tal maneira genial que converte cinco milhões em zero de um dia para outro!

    Dizem eles que são os anunciantes,mais quem ganhar o concurso(?), quem vai pagar a despeza.

    Qualquer coisa me faz desconfiar que alguém tem que pagar ao concorrente vitorioso, o qual, em princípio, não é parvo. Quem? A malta, os munícipes, nós, o povo, directamnte ao parceiro comercial da CML, ou à CML, através de impostos, se o concessionário tiver problemas. Se as contas do Costa estavamcertas, são uns cinco milhões oque vamos pagar. Se não estavam certas, o Costa preparava-se para nos sacar mais cinco milhões, sendo a culpa das bicicletas.

     

    Além detudo o mais, a rapaziada deve ser obrigada, mesmo pagando o aluguer do velocípede, a transportar publicidade à ZON, ao Viagra e às telenovelas da TVI.

    Noutro sinal de genialiade, CML descobriu que Barcelona, orograficamente falando, é igualzinha a Lisboa. Notável.

     

    O Irritado candidata-se, desde já, a ir de bicicleta do Saldanha ao Rossio. Para cima, o Costa que dê às pernas.

     

    23.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • APONTAMENTOS DOMINGUEIROS

     

     

    Grande notícia! O PC está a perder militantes! Nos últimos três anos foram uns 30% embora.

    De tal forma que, para encher a sala do congresso, aqui há tempos foi preciso passar de um delegado por cada cem sócios para um por cada setenta e cinco, e agora para um por cada cinquenta.

    Quando chegarmos ao um por um, tipo assembleia geral, então talvez isto passe a ser um país civilizado.

     

    *

     

    Uma ilustre jornalista (julgo que da SIC) declarou ontem que, segundo um alto especialista na matéria, em 1755 o terramoto destruiu o Cais das Colunas. Esqueceu-se de um pequeno detalhe: em 1755 não havia Cais das Colunas.

    Assim se informa o povo.

     

    *

     

    Uma doutora, com ares de catedrática, narizinho arrebitado, pose de lider de massas, declarou que, em inquérito realizado por especialistas, se chegou à conclusão que os jóvens “desaprovam” a violência entre namorados. Não, não foi lapso, a senhora, por várias vezes ao longo da sua alta prelecção, sublinhou tal “desaprovação”.

    O Irritado permite-se, humildemente, lembrar à senhora a existência do verbo reprovar.

     

    *

     

    O jornal Solcrates declara que o petroleiro que os piratas somalis roubaram está “atracado ao largo” de uma cidade qualquer do golfo de Aden.

    Seria de perguntar como é que se atraca ao largo.

     

    *

     

    O camarada Louça, em vibrante discurso, informou a Nação que o senhor Dias Loureiro mentiu e que o senhor Marta disse a verdade. Deve ter sido a polícia política do BE a fazer tal descoberta. Parabéns.

     

    *

     

    Pergunta a ignorância do Irritado porque é que os mamarrachos da Torralta em Tróia eram feios, desenquadrados, ecologicamente condenáveis e mereciam demolição, e os mamarrachos da Sonae são coisa de “interesse nacional”.

     

    *

     

    Dona Manuela,bem como a generalidade dos que “sabem”, declarou que as reformas não se podem fazer “contra” as “classes profissionais”.

    A verdade é que, como a experiência demonstra, as reformas só se fazem contra as classes profissionais, ou apesar das classes profissionais.

    Venha o mais pintado demonstrar o contrário.

     

    23.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • … AO INFERNO VAI PARAR?

     

    Lê-se no “Expresso” que o senhor Pinto de Sousa distribui computadores às criancinhas das escolas para mostrar na televisão, mas que, depois de retirados os jornalistas, pega nos computadores outra vez e leva-os consigo, para fazer a mesma rábula noutra escola qualquer.

     

    Se isto fosse verdade, e se vivêssemos num país civilizado, o senhor Pinto de Sousa já tinha sido liminarmente posto na rua, pelo parlamento ou pelo Presidente da República.

     

    Vivemos numa república em que um Presidente põe na rua um governo porque não gosta da cara do Primeiro-Ministro. Isto, com o apoio de quem viria a suceder-lhe.

    Quem lhe sucedeu, porém, deve achar muito bem que o primeiro-ministro engane as pessoas em geral e as criancinhas em particular, todos os dias, lhes tire o que disse que estava a dar, desinforme e tenha a vilania de, há quatro anos, insistir nestes métodos sem que nada lhe aconteça.

     

    Será que o Presidente Cavaco, na senda do seu ilustre antecessor, correrá com o senhor Pinto de Sousa quando deixar de gostar da cara dele?

     

    22.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • DESGRAVATAL PROGRESSISMO

     

    Uma distinta plêiade de cavalheiros, na presença do Presidente da República, do primeiro ministro e do Presidente da Comissão Europeia, reuniu na Penha Longa para tratar do ingente problema da globalização. Ninguém saberá o que discutiram, o que decidiram, se é que decidiram alguma coisa, nem se algum efeito prático ou teórico produzirá tal e tão nobre reunião.

     

    O que ficou à vista, para além de umas declarações anodinas do Dr.Barroso, foi a vestimenta dos craques.

    Alguém deve ter tido a brilhante ideia de dar ordens para que o trajo fosse informal. Daí, as importantes personalidades apresentaram-se de fato escuro, como se fossem jantar a Belém, mas… sem gravata. Todos camisa formal, nada de desportivismos, com o colarinho aberto, tipo compadre alentejano. O resultado prático desta cedência ao Louça, ao BE e ao PC, foi uma inesquecível imagem de um grupo de pirosos mal vestidos. Uma vergonha.

    Sem prejuízo de fazer alguma injustiça, os únicos que trajavam com alguma decência eram Philipe de Botton e Ricardo Salgado. Casaquinhos desportivos, a dizer com ausência do pescoçal ornamento, camisas apropriadas.

    A reunião, como era de esperar, além de inconclusiva, foi uma demonstração do saloiismo visceral da nossa classe dirigente. Uma tentativa idiota de “dar uma de” progressista, se é que a ausência de gravata tem alguma coisa a ver com progresso.

     

    22.11.08

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. Viram a mesa onde decorreu a brilhante reunião? Nem na sociedade recreativa de Fortes Macucos, a tasca local apresentaria uma coisa tão miserável.
  • RICOS TESOS

     

    Anda por aí toda a gente escandalizadíssima com o pedido, pelo BPP, de um aval do Estado.

    Acredito que o tal BPP possa não ter direito à coisa. Ou preenche as normas que regulam tal concessão, ou não preenche. É tão simples quanto isto, ainda que, dado ser o Banco de Portugal a determinar o que vai suceder, a confusão ser de tal ordem que tudo se possa esperar.

     

    Fantástica é a razão número um apontada pelos comentadores, do inacreditável Rosas – aquele do cabelinho à menina de Odivelas – ao senhor Relvas, guru de vários Pêessedês.

    Dizem eles que, como o BPP é um banco de “ricos”, não tem direito a protecção, porque o dinheiro dos ricos não é coisa que se proteja.

     

    Viu-se o que se passou em resultado do PREC: nunca mais, em Portugal, houve dinheiro que se visse. Os ricos deixaram de ser ricos em Portugal e passaram a sê-lo lá fora, mandando para cá uns trocos de vez em quando. Agora, se se seguir os conselhos dos Rosas, Relvas e quejandos, a sangria do PREC terá continuidade. Até os trocos se vão embora.

     

    O dinheiro é de quem dele é legítimo dono. Uma coisa é esperar-se, até exigir-se, que tal dinheiro tenha efeitos multiplicativos na economia e no bem-estar da sociedade em geral, outra é lançar sobre ele os anátemas dos partidos comunistas em geral e dos estúpidos em particular.

     

    Se o BPP preencher as condições legais para o aval do Estado, pois que, com total objectividade, o aval lhe seja concedido. Se não preencher, que não seja concedido.

    Que vá à falência, se disso for o caso. As falências são um dos mais eficazes reguladores do sistema. Se as pessoas “entesarem” por ter investido mal, que entesem. Se for por ser ricas, não.

     

    Já agora, a título de apontamento, diga-se que os ferozes inimigos do BPP dizem que, para alé de “injusto”, o aval seria ilegal porque o banco em causa tem “uma quota de mercado ridícula”. O que só prova que, ou não há ricos em Portugal, ou que os ricos afinal não são tão ricos como a inveja do Rosas desejaria.

     

    22.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • UMA LIVRARIA A MENOS

     

    Por falar em falências, há uma que me entristece, e muito:a da Livraria Byblos. Tratava-se de uma iniciativa meritória e culturalmente importante. Representava aquilo a que o governo costuma chamar “iniciativa de ponta”, ou PIN.

    Só que há iniciativas de ponta e iniciativas de ponta. PIN’s e PIN’s. Ninguém viu o ministro da cultura comentar o assunto, muito menos dizer que o Estado ia pôr a mão por baixo da Byblos, a fim de evitar a falência. Por mim, acho bem, ainda que estranhe os critérios governamentais.

     

    Um pequeno acrescento. A Byblos, fazendo alarde da disponibilidade de inúmeras tecnologias de ponta, nunca teve um sítio na Net a funcionar a contento. Nunca teve um serviço decente de procura de livros que não fossem de fácil achadura. Nunca acompanhou os clientes nas suas procuras, se tais procuras dessem muito trabalho. Foi por isso que faliu? Não sei. O que sei foi que não deu seguimento a promessas que encheram de esperança uma data de gente.

     

    22.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ALIVIE O SEU STRESS

     

    Se quiser aliviar o stress queo aflige, clique aqui em baixo.

    Boas marretadas!

     

     

    http://sorisomail.com/email/1503/socrates-anti-stress-alivie-o-seu-stress.html

     

     

  • A LUTA CONTINUA

     

    Como era de prever, os recuos da ministra a propósito da monumental pessegada da “avaliação”, não surtiram qualquer sombra de efeito na distinta classe dos “professores”. O olho de xarroco dos bigodes, encarregado do assunto pelo PC, já veio mandar a senhora às urtigas.

     

    Calcule-se que ela tinha desistido de “definir metas” e até tinha dispensado os “professores de definir estratégias”. Queira isto dizer o que queira, facto é que “o critério dos resultados escolares e das taxas de abandono, tal como recomendado pelo Conselho Científico(?!) da Avaliação”, ficou sem efeito.

    Mas a mesnada do xarroco não está pelos ajustes. Nem pensar. Acaba a avaliação, e acabou-se. Ou então, a luta continua.

     

    A senhora prometeu reduzir as aulas observadas de três para duas, só se realizando a terceira se o professor a avaliar assim o entender. A canalha, via xarroco, já respondeu: nem pensar, a luta continua.

     

    Numa de simploplex, a ministra resolveu propor a diminuição da papelada, acabar com a “definição dos objectivos individuais”, com a “aplicação das fichas de auto-avaliação(!?)”, e não sei com quê mais. O xarroco disse que não a tudo. A luta continua.

     

    É evidente que, quando se abdica da avaliação dos professores pelos resultados obtidos, avaliação feita por terceiros em exames (sem exames não há avaliação de espécie nenhuma), acaba-se com qualquer avaliação digna desse nome.

    O governo, via “autoridades” “científicas” e idiotas políticos tipo Silva Pereira, fabricou uma inacreditável pastelada, uma recreação para burocratas e inúteis. No outro extremo, o xarroco, o PC, o BE e o Alegre, cientes da grande oportunidade que é dada à rua pela brutal incompetência do governo, aproveitam para pôr em causa todo e qualquer princípio de autoridade, próprio da Democracia.

     

    Se não são iguais são parecidos. Uns, fabricam as “razões” dos outros. Os outros, ao serviço dos que espreitam oportunidades para pôr em causa muito mais que aquilo que as “razões” lhes oferecem, embandeiram em arco, e vai disto.

     

    A direita, vítima da sua tradicional estupidez, não se põe de fora.

     

    A luta (contra todos nós) continua. Incompetência e revolução de braço dado.

     

    21.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • SANTA INTELIGÊNCIA!

     

    Ontem, a propósito da dona Manuela, o Irritado referiu-se à crise de neurónios que o CDS atravessa. A crise de neurónios continua. Merece até que nos deixemos de eufemismos: trata-se de pura estupidez.

    Desta vez, o CDS vem insurgir-se contra o facto de as notas e o abandono dos alunos ser um dos critérios da avaliação dos professores.

    Assinale-se a colaboração do CDS, seja com o governo – para quem tal critério é coisa de segunda – seja com os sindicatos e quejandos – que simplesmente não o querem.

     

    Parece que há uma conspiração nacional contra a educação, ou a instrução, como se dizia antigamente. A finalidade única da monumental estrutura do ministério da educação, a formação e instrução dos alunos, nada tem a ver com os seus resultados.

     

    Excluindo estes, o que fica?

    Fica a pessegada do costume. Os alunos que não sabem nada, são vítimas inocentes de uma sociedade individualista, consumista, em crise de valores. Os professores que não ensinam coisa nenhuma são o bombo da festa da mesma sociedade, do “centralismo”, do “neo-liberalismo”, etc. Só falta dizer que a culpa da ignorância e do insucesso é do George W. Bush.

     

    Ninguém tem a responsabilidade, nem a culpa, seja do que for. Por isso, os resultados do ensino não contam para outra coisa que não seja para as estatísticas. Estas, devidamente manipuladas, servem a toda a gente.

    Já se sabe que é esta a atitude do governo e dos chamados professores que, gostosamente instrumentalizados pelos condotieri do costume, se dedicam a ser contra tudo o que mexer com a doce paralisia em que gostosamente vivem.

    Já se sabe que o governo, que pariu um “sistema de avaliação” que é das mais rebuscadas parvoíces de que há memória, não passa da outra face da mesma moeda.

    Já se sabe que os partidos comunistas assistem, felicíssimos, à porcaria que por aí vai.

     

    O que não se sabia, nem se podia imaginar, era que o CDS a afinasse por diapasão semelhante. Brada aos céus.

     

    Que Santa Engrácia os ajude!

     

    20.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • O CRIME DO PADRE BASTOS

     

    A começar pelo senhor Pinto de Sousa, passando pelo presidente Sampaio, e com milhares de aficionados, multiplicam-se as manifestações desportivas “de massas”, corridas, corridinhas, corridetas, a pé, de bicicleta, seja lá como for, que a “saúde” é que é bom e, dizem, depende de tais actividades.

    Nada contra. Quem corre por gosto não cansa.

    O pior é que manda o politicamente correcto que sejam postas à disposição dos tais aficionados instalações de utilidade pública, como estradas, ruas, pontes, etc. Aos aficionados não chegam os estádios, as matas, os descampados. Só correm no asfalto, que é mais cómodo.

    A polícia, que, nos dias normais terá por missão regular a fluidez do tráfego nessas infra-estruturas, transforma-se em perseguidora de quem as quer utilizar, e em protectora dos corridistas. Os outros que se lixem. Que esperem. Que cheguem atrasados onde quer que vão. Nesses dias, tudo se inverte. Com enorme entusiasmo, refulgentes de alegria, os corridistas dão cabo da vida ao cidadão comum e são capazes de achar que, como o seu “saudável” exemplo, estão a prestar um serviço à comunidade.

     

    Vem isto a propósito de um padre, de seu nome João Bastos, com oitenta e um anos de idade que, instado pela GNR a parar para que os corridistas pudessem divertir-se, não quis parar, nem parou, porque tinha os fiéis à espera dele para a missa.

    O velhote meteu-se pela estrada, devagarinho, para não perturbar as correntes e ululantes massas. A GNR catrafilou-o. Anda cá malandro! A coisa acabou no tribunal, o velhote foi condenado a pagar 360 euros de multa, porque tinha perturbado os corridistas.

     

    Nestes dias de privilégio corridista, está tudo de pernas para o ar: quem quer usar as infra-estruturas para o fim para que foram criadas, lixa-se. Quem as utiliza para se divertir à custa de quem delas precisa é um herói, merecedor dos maiores encómios e da devida protecção das autoridades.

    Dir-se-á que se passa disto um pouco por todo o mundo. O que, para o Irritado, quer dizer que, em todo o mundo, a porcaria é a mesma.

     

    20.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • BICICLETAS

     

     

    A maioria PSD da Assembleia Municipal de Lisboa chumbou um projecto da magnífica Câmara, que consistia em gastar 5 milhões de euros/ano em… bicicletas para o povo.

    Trata-se, como já foi dito e escrito pelos plumitivos de serviço, de um atentado à “mobilidade”, à “saúde”, aos “interesses legítimos” dos lisboetas, mais uma asneira do PSD, verrinoso partido apostado em boicotar as iniciativas da excelsa Câmara Municipal socialisto-fernandisto-rosetista.

     

    Troquemos as coisas por miúdos:

     

    – Os cinco milhões de euros/ano serviam, segundo o projecto da Câmara, para comprar bicicletas, construir ciclo-vias e outras facilities para o povo;

    – Lisboa, cidade das colinas, não tem condições internas para o trânsito ciclista;

    – Não se imagina o dito povo a subir à Graça, ao Bairro Alto ou ao Castelo;

    – Não se imagina o dito povo a fazer provas de montanha no Parque Florestal do Monsanto;

    – Nos locais onde se pode andar de bicicleta (a beira rio, por exemplo) já anda de bicicleta quem quer;

    – Outros locais onde se pode andar de bicicleta (o Campo Grande, por exemplo), não têm um mínimo de condições de segurança para que as pessoas possam andar de bicicleta, nem a Câmara com tal se preocupa;

     – Uma bicicleta pode custar, nas lojas da especialidade, cerca de cem euros, que podem ser pagos em três ou quatro prestações sem juros;

    – A esmagadora maioria dos lisboetas que gostam, ou gostariam, de andar de bicicleta, apesar de empobrecida pelo socialismo em vigor, pode, se tal for seu desejo, comprar uma bicicleta;

    – Há ciclo-vias (a da radial de Benfica, por exemplo) onde passa uma bicicleta por semana.

     

    Dado o exposto, não se vê por que carga de água, ou com que utilidade, se propõe a Câmara gastar cinco milhões/ano, em bicicletas e vias, manutenção, acessórios, reparações, pessoal, etc.

    Se eu quiser andar de bicicleta, o que às vezes, me acontece, ando. Se não quiser, não ando.

    Para não sustentar demagogias, acho que vou deixar de andar, pelo menos em Lisboa.

     

    A propósito, uma sugestão:

     

    Já que tanto se fala em prédios degradados, em pessoas que vivem em casas a cair de podres, em fogos abandonados, em “repovoar” a cidade, porque é que a Câmara, em vez de chicotear os proprietários com impostos a dobrar ou a triplicar, não aplica os cinco milhões/ano a ajudá-los – há um século que são roubados pelo Estado – a recuperar as habitações que, a eles, dão prejuízo e, aos inquilinos, mau viver?

     

    20.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • UMA M…. PORCARIA

     

    Sempre achei que a política é uma actividade nobre. Melhor dito, que a política pode ser uma actividade nobre. Ás vezes, porém, sinto-me empurrado para pensar que a política é uma merda.

     

    Olhem para isto:

     

    Ouvi a dona Manuela, ontem, na televisão dizer umas frases que objectivavam criticar as atitudes sobranceiras, desagradáveis e autoritárias do governo do senhor Pinto de Sousa.

    A senhora falou claramente, para quem a quisesse ouvir. Depois, lançou uma piada, cujo inequívoco sentido é este: para o senhor Pinto de Sousa e seus áulicos, o melhor talvez fosse abolir a democracia durante seis meses, para poder fazer o que quisessem sem que ninguém os chateasse. Trata-se, como é evidente, de uma expressão com graça, caricaturando a situação em que, afinal, todos vivemos, e utilizando para tal uma adequada metáfora.

    Dona Manuela tem carradas de razão, como é evidente. 

    Logo a seguir, o distinto senhor Mário Crespo fez umas observações mais ou menos calamitosas sobre o que a senhora disse – e que ele não percebeu – e pôs a falar essa impossível criatura que se chama Martins, ou coisa que o valha e que, para desgraça da verdade e do cavalheirismo, preside ao rebanho parlamentar do PS. O homem disse cobras e lagartos, provocando ao Crespo um sorriso de delícia. Que a dona Manuela queria acabar com a democracia, que não tinha dois dedos de testa, que, que, que.

    Hoje, os jornais “de referência” embandeiram em arco com o assunto. “Gafe”, “ironia falhada”, é o menos que chamam à coisa. O CDS, com uma solução de continuidade nas meninges, alinha. Os outros, sem tal solução de continuidade, alinham também. O Menezes, uma incontornável besta quadrada, tece injúrias e parece, valha-me Santa Engrácia!, que quer apanhar o comboio outra vez.

     

    Assim se fabrica uma “verdade”. Assim se faz política. Assim se faz “informção”.

     

    Hoje, não consigo senão estar com aqueles que acham que a política é uma merda, os jornais são uma merda, é tudo uma merda.

     

    Se a Santa Engrácia, minha padroeira, me acudir, amanhã estou melhor.

     

    19.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • O TEMPORA, O MORES!

     

    Tinha este escrevinhador acabado, coberto de glória, o primeiro ano do liceu, eis senão quando lhe declaram uma doença, muito comum à época, conhecida por “gânglios”, ou “primo-infecção”, enfermidade que era a antecâmara da tuberculose, ou coisa parecida.

    Imediatamente reduzido a uma inactividade forçada, foi tratado com os carinhos necessários. Ir às aulas, nem pensar. Estudar, não, que o médico não deixa. Nada de praia, nem cansar-se, nem brincar. Passou quatro meses com o pai, no campo, respirando o ar puro de matas e pinhais e tendo como mais cansativa actividade jogar com ele ao crapaud. Lia os livros do “Zé Fagulha”, grande detective daqueles tempos e, compulsivamente, dormia a sesta todos os dias, deitava-se com as galinhas e acordava o mais tarde possível. Feitas as contas, não foi desagradável nem lhe fez, em termos de futuro, diferença que se visse.

    A doença lá passou. No ano lectivo seguinte, voltou ao liceu. Os seus colegas do primeiro ano estavam no terceiro, ele entrou para o segundo. Foi chato, vê-los lá à frente, e ele, coitado, com os “putos”.

    Tinha “chumbado por doença”. Uma coisa triste, mas “normal”. Um tipo que não vai às aulas, seja lá pelo que for, não aprende. Como não aprende, tem que chumbar. Cristalino. Evidente.

     

    Descubro agora que o que me acontecia era ser vítima do fascismo totalitário. Que culpa tem uma pessoa de adoecer? E, se não tem culpa nenhuma, qual é a justiça de chumbar?

    A nova geração não come desta malga, como é óbvio. Passar é um direito, quer se vá às aulas quer não. Chumbar por faltas é uma violência absurda. Saber a matéria ou saber coisa nenhuma tem exactamente o mesmo significado e o mesmo resultado.

    É para este tipo de “educação” que o governo “trabalha”. Como os nove anos de escolaridade são obrigatórios, a única solução, acha o governo, é passar toda a gente, quer estude quer não estude, quer saiba quer não saiba. Exames? Que horror, que violência gratuita e imoral!

    Empurrados pela filosofia triunfante, os alunos fazem manifestações e dizem à televisão que faltar é uma necessidade, como ouvi ontem. Com que direito se exige aos pequenos que vão às aulas? Um “dirigente” – badameco de treze anos – afirmava, também ontem, que isso de “aulas de substituição” é uma inutilidade já que os alunos têm todo o direito de usar a seu bel-prazer as faltas dos professores. E chumbar por doença é a maior das vilanias.

     

    Presume-se que, dada a sua carreira académica, o senhor Pinto de Sousa se reveja, orgulhoso, neste tipo de “educação”, e esteja pronto a afirmar, já que é seu costume ser afirmativo, que tudo vai pelo melhor e que os alunos até sabem que dois mais dois são quatro.

     

    19.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • LES BONS ESPRITS SE RENCONTRENT

     

     

    O grande “democrata” e homem de letras José Saramago, para defender, citando alguém, os seus pontos de vista, não podia ter encontrado melhor pensador: nada menos que o camarada Adolfo Hitler.

    Tão socialista o citado como o citador.

    Diz o ilustríssimo prémio Nobel que, hoje em dia, os direitos humanos são “papel molhado”, tendo o Adolfo, nesta matéria, tido inspiração de monta, a merecer citação.

    Como os factos bem demonstraram e demonstram, o conceito de direitos humanos do senhor Saramago não dista muito do do senhor Adolfo Hitler. Tanto um como outro defendem o estado total e as vanguardas revolucionárias. Tanto um como outro queimam os livros que não interessam e são capazes do que for preciso para dar cabo de quem não gosta das suas ideias.

    A diferença é que os saramagos da nossa praça foram corridos do poder antes de ter ocasião para aniquilar “as forças reaccionárias”, como o Saramago propriamente dito fez no Diário de Notícias e teria feito em muitos outros sítios se para tal tivesse oportunidade. O Adolfo, esse, como os líderes/referência do Saramago (Estaline, Castro, Kim, etc.), chegou ao poder total. Foi o que se viu.

     

    Ouvir o Saramago, ou o Jerónimo, ou o Louça, a falar de direitos humanos é como ouvir um rato dos canos a cantar ópera.

     

    19.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • OBAMAL

     

    O presidente Obama começa mal.

     

    Ainda não tomou posse, e já entrou na demagogia. A campanha acabou, mas parece que o homem ainda não percebeu.

     

    Como primeira grande medida do seu mandato, Obama declarou que ia poupar aos contribuintes o dinheiro o ordenadinho da pessoa que poderia vir a ser contratada para tomar conta das crianças na Casa Branca. Em compensação, mete lá a sogra, a fim de exercer essas funções. Com isto, dá um sinal de popularuchismo, também chamado demagogia, uma vez que é totalmente indiferente que o Presidente dos EUA tenha, ou não tenha, uma nurse para as meninas, tenha, ou não tenha, a sogra a comer da malga da Casa Branca.

     

    A senhora Obama, por seu lado, e com o indispensável acordo do marido, publica a sua auto-biografia. Coisa que deve ser interessantíssima, como se calcula, e importantíssima para o futuro dos americanos em particular e da humanidade em geral.

     

    Esperemos que estes primeiros arroubos de congénita possidoneira não venham a constituir inspiração “filosófica” do mandato do homem.

     

    17.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • ANÁLISES ARQUITECTÓNICAS

     

     

     

    O famoso arquitecto director do “Sol”crates, com a sua incontornável capacidade de análise, resolveu analisar analiticamente o comportamento do impoluto governador do Banco de Portugal.

     

    Começa, com toda a justiça, por lhe gabar a “inteligência” e a “competência”. Depois, diz que é o homem é “um dos melhores economistas do país” e que até, coitado , é “bom demais”. Por isso, diz o arquitecto, leva “o estudo dos problemas até ao fim” e “não quer, de forma alguma, errar”. O que se passa é que “vacila”, no extraordinário escrúpulo de “analisar melhor”, a fim de não perder algum aspecto que “ não foi suficientemente explorado”, algum “ângulo que falta observar”.

    Por isso, diz o arquitecto, “com ele no comando, existe sempre o risco de se adiar uma decisão quando se impunha agir”.

     

    Pois.

     

    Gostava de saber porque é que o Dr. Constâncio não “vacilou”, não “hesitou”, não “analisou melhor”, não encontrou nenhum “aspecto” não “suficientemente explorado” , não estudou “o problema até ao fim”, quando elaborou, em meia dúzia de dias, o orçamento putativo que está na base de toda a política financeira do governo e que constituiu a mais indecente aldrabice instuitucional de que há memória na III República. Porque é que o Dr. Constâncio não usou a sua “inteligência”, a sua “competência”, a sua qualidade de “melhor economista”, quando se prestou a fazer e apresentar ao país tal comédia, como se se tratasse da maior das verdades e não de uma projecção, eventualmente errada, do que aconteceria se nada fosse feito, como quem diz, se o Sporting perder, não ganha?

    O orçamento putativo foi apresentado como inegável, incontrovertível e infeliz herança deixada ao senhor Pinto de Sousa pelo Dr. Bagão e peloDr. Santana Lopes. Donde se conclui, nos slogans que o Dr. Constâncio, à nossa custa, forneceu à propaganda governamental, que incompetentes eram o Dr. Santana Lopes e o Dr. Bagão, tendo o senhor Pinto de Sousa, coitadinho, herdado a situação espelhada no orçamento putativo, cuja encomenda, feita pelo governo, foi exemplarmente executada pelo Dr. Constâncio.

     

    Na douta opinião do arquitecto, o Dr. Constâncio só começou a pôr-se “numa inexplicávelmente subalterna poisição em relação ao ministro das finanças” quando “foi anunciada a nacionalização do BPN”.

     

    Ou seja, o que o arquitecto faz é safar o Dr. Constâncio de uma absoluta e completa subordinação ao governo, desde o primeiro momento, através do implícito branqueamento de uma atitude tomada para proporcionor ao senhor Pinto de Sousa as necessárias desculpas para actuar como actuou, isto é, para atirar para as costas de terceiros o ónus das medidas fiscais do governo.

     

    É certo que o arquitecto defende ou sugere que o Dr. Constâncio deve ir à vida, porque, na actual circunstância, não dá “ao sistema a confiança que este tempo de crise exige”.

    Trocadas as coisa por miúdos, o director do Solcrates vem fornecer ao senhor Pinto de Sousa o necessário apoio de opinião para se desfazer do hoje incómodo Dr. Constâncio, ao mesmo tempo que, via obliteração da vergonhosa farsa orçamental, põe o senhor Pinto de Sousa a salvo, haja o que houver.

     

    Do melhor, em matéria de “análise”, ou de “política a sério”.

     

    17.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • HORRENDOS VÍCIOS

     

     

    Contas apresentadas pelo “Expresso”:

     

    a)    Os fumadores pagam ao Estado mais de 1.000 milhões de euros por ano;

    b)    O Estado gasta com tratamento de doenças que, eventualmente, poderão ter sido provocadas pelo tabaco, 500 milhões de euros por ano;

    c)    O colesterol custa ao Estado, em tratamentos, 419 milhões de eurospor ano;

    d)    A obesidade, 310 milhões;

    e)    O álcool, 190 milhões.

     

    Daqui se conclui:

     

    f)      Os fumadores são, em mais de 500 milhões de euros/ano, contribuintes líquidos a quem o Estado devia, reconhecido, agradecer;

    g)    O colesterol, ou o que o provoca, também deviam ser taxados (gemas de ovos, carne de vaca, queijo…);

    h)    Por causa de g), devia, além disso, haver em todos os os restaurantes zonas livres de colesterol, isto é, de gemas de ovos, de carne de vaca, de queijos, etc., uma vez que os fumos da cozinha e os eflúvios da mão de vaca à jardineira podem provocar o chamado colesterol passivo;

    i)       Além disso, deviam ser imediatamente proibidos os doces conventuais, algarvios e alentejanos, dada a quantidade de gemas de ovos que utilizam, podendo ser, em alternativa, objecto de quinhentos por cento de imposto ad valorem, o mesmo se passando com o queijo da serra e demais produtos colesterologénicos;

    j)       Os gordos, segundo uma classificação a definir por portaria, deviam ver o IRS aumentado na proporção do peso a mais que tenham em relação às tabelas do governo;

    k)     Os bêbados, esses, como já pagam fortunas, deviam ser encarcerados e submetidos a desintoxicações compulsivas, sob pena de contra ordenação, multa e, em caso de contumácia, prisão maior;

    l)      O álcool deveria ser proibido em todos os locais públicos, podendo ser emitidas licenças especiais, a peso de ouro, para os estabelecimentos com mais de 2.000m2 de área, em zonas devidamente arejadas, a fim de evitar as bebedeiras passivas, por inalação dos arrotos dos bêbados.

     

    Aqui ficam estes conselhos, politicamente correctos e sem custos para o Estado. O problema é que, se o Santos lê isto, écapaz de aproveitar a deixa.

     

    16.11.08

     

    António Borges de Carvalho
  • PROPOSTA CONSTRUTIVA

     

    Por várias vezes, o Irritado expôs as suas opiniões sobre a “avaliação” dos professores. É altura de passar das críticas às “propostas construtivas”, como soe dizer-se e exigir-se agora.

     

    Que é que, afinal, nos diz se um professor é bom ou mau?

    A resposta é simples: os resultados que obtem do seu trabalho, isto é, o sucesso dos alunos. O sucesso propriamente dito, não o sucesso que as manipulações estatísticas indicam. Poderá haver mais critérios mas, sem sombra de dúvida, este é o mais importante de todos eles.

     

    Ora, num país onde quase não há exames, o sucesso de cada aluno é determinado por quem o ensina. Como é que se pode “medir” a qualidade do professor, se é ele mesmo quem classifica os seus alunos? Não pode, mas há solução.

     

    Para avaliar o trabalho dos professores de forma minimamente credível, é preciso:

     

    a) Que haja, pelo menos dois em dois anos, exames,

        escritos e orais;

    b) Que tais exames sejam feitos por examinadores 

         que nada tenham a ver, nem com a escola que os

        alunos frequentam, nem com os  professores que

        os ensinaram.

    c) Que os resultados obtidos sejam, pelo menos, 70%

        do total usado para a classificação dos professores.

     

    Tão simples quanto isto: exames para todos os alunos, os exames do Minho feitos por professores do Algarve, os da Madeira por professores dos Açores, e os resultados tidos em conta como deve ser.

     

    Feita esta proposta, há que reafirmar algumas verdades indesmentíveis:

     

    1.    Os professores, ou quem os apascenta, não querem avaliação de espécie nenhuma;

    2.    Os professores, calões como os portugueses em geral, recusam tudo o que lhes dê trabalho;

    3.    As manifestações de professores (a perder estaleca, diga-se) são uma triste demonstração de manipulação e de demagogia;

    4.    O Ministério, mais que dirigido, é “formado”, aos mais diversos níveis, por burocratas ansiosos por mostrar serviço;

    5.    Como é hábito da função pública, “mostrar serviço” resume-se a complicar o mais possível a vida de toda a gente;

    6.    No meio da bagunça generalizada e descontrolada, a “solução” encontrada pelo Dr. A.J. Jardim é a única que pode dar algum resultado positivo; ou há moralidade ou comem todos.

     

    16.11.08

     

    António Borges de Carvalho