IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


BICICLETAS

 

 

A maioria PSD da Assembleia Municipal de Lisboa chumbou um projecto da magnífica Câmara, que consistia em gastar 5 milhões de euros/ano em… bicicletas para o povo.

Trata-se, como já foi dito e escrito pelos plumitivos de serviço, de um atentado à “mobilidade”, à “saúde”, aos “interesses legítimos” dos lisboetas, mais uma asneira do PSD, verrinoso partido apostado em boicotar as iniciativas da excelsa Câmara Municipal socialisto-fernandisto-rosetista.

 

Troquemos as coisas por miúdos:

 

– Os cinco milhões de euros/ano serviam, segundo o projecto da Câmara, para comprar bicicletas, construir ciclo-vias e outras facilities para o povo;

– Lisboa, cidade das colinas, não tem condições internas para o trânsito ciclista;

– Não se imagina o dito povo a subir à Graça, ao Bairro Alto ou ao Castelo;

– Não se imagina o dito povo a fazer provas de montanha no Parque Florestal do Monsanto;

– Nos locais onde se pode andar de bicicleta (a beira rio, por exemplo) já anda de bicicleta quem quer;

– Outros locais onde se pode andar de bicicleta (o Campo Grande, por exemplo), não têm um mínimo de condições de segurança para que as pessoas possam andar de bicicleta, nem a Câmara com tal se preocupa;

 – Uma bicicleta pode custar, nas lojas da especialidade, cerca de cem euros, que podem ser pagos em três ou quatro prestações sem juros;

– A esmagadora maioria dos lisboetas que gostam, ou gostariam, de andar de bicicleta, apesar de empobrecida pelo socialismo em vigor, pode, se tal for seu desejo, comprar uma bicicleta;

– Há ciclo-vias (a da radial de Benfica, por exemplo) onde passa uma bicicleta por semana.

 

Dado o exposto, não se vê por que carga de água, ou com que utilidade, se propõe a Câmara gastar cinco milhões/ano, em bicicletas e vias, manutenção, acessórios, reparações, pessoal, etc.

Se eu quiser andar de bicicleta, o que às vezes, me acontece, ando. Se não quiser, não ando.

Para não sustentar demagogias, acho que vou deixar de andar, pelo menos em Lisboa.

 

A propósito, uma sugestão:

 

Já que tanto se fala em prédios degradados, em pessoas que vivem em casas a cair de podres, em fogos abandonados, em “repovoar” a cidade, porque é que a Câmara, em vez de chicotear os proprietários com impostos a dobrar ou a triplicar, não aplica os cinco milhões/ano a ajudá-los – há um século que são roubados pelo Estado – a recuperar as habitações que, a eles, dão prejuízo e, aos inquilinos, mau viver?

 

20.11.08

 

António Borges de Carvalho


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