A maioria PSD da Assembleia Municipal de Lisboa chumbou um projecto da magnífica Câmara, que consistia em gastar 5 milhões de euros/ano em… bicicletas para o povo.
Trata-se, como já foi dito e escrito pelos plumitivos de serviço, de um atentado à “mobilidade”, à “saúde”, aos “interesses legítimos” dos lisboetas, mais uma asneira do PSD, verrinoso partido apostado em boicotar as iniciativas da excelsa Câmara Municipal socialisto-fernandisto-rosetista.
Troquemos as coisas por miúdos:
– Os cinco milhões de euros/ano serviam, segundo o projecto da Câmara, para comprar bicicletas, construir ciclo-vias e outras facilities para o povo;
– Lisboa, cidade das colinas, não tem condições internas para o trânsito ciclista;
– Não se imagina o dito povo a subir à Graça, ao Bairro Alto ou ao Castelo;
– Não se imagina o dito povo a fazer provas de montanha no Parque Florestal do Monsanto;
– Nos locais onde se pode andar de bicicleta (a beira rio, por exemplo) já anda de bicicleta quem quer;
– Outros locais onde se pode andar de bicicleta (o Campo Grande, por exemplo), não têm um mínimo de condições de segurança para que as pessoas possam andar de bicicleta, nem a Câmara com tal se preocupa;
– Uma bicicleta pode custar, nas lojas da especialidade, cerca de cem euros, que podem ser pagos em três ou quatro prestações sem juros;
– A esmagadora maioria dos lisboetas que gostam, ou gostariam, de andar de bicicleta, apesar de empobrecida pelo socialismo em vigor, pode, se tal for seu desejo, comprar uma bicicleta;
– Há ciclo-vias (a da radial de Benfica, por exemplo) onde passa uma bicicleta por semana.
Dado o exposto, não se vê por que carga de água, ou com que utilidade, se propõe a Câmara gastar cinco milhões/ano, em bicicletas e vias, manutenção, acessórios, reparações, pessoal, etc.
Se eu quiser andar de bicicleta, o que às vezes, me acontece, ando. Se não quiser, não ando.
Para não sustentar demagogias, acho que vou deixar de andar, pelo menos em Lisboa.
A propósito, uma sugestão:
Já que tanto se fala em prédios degradados, em pessoas que vivem em casas a cair de podres, em fogos abandonados, em “repovoar” a cidade, porque é que a Câmara, em vez de chicotear os proprietários com impostos a dobrar ou a triplicar, não aplica os cinco milhões/ano a ajudá-los – há um século que são roubados pelo Estado – a recuperar as habitações que, a eles, dão prejuízo e, aos inquilinos, mau viver?
20.11.08
António Borges de Carvalho

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