Por várias vezes, o Irritado expôs as suas opiniões sobre a “avaliação” dos professores. É altura de passar das críticas às “propostas construtivas”, como soe dizer-se e exigir-se agora.
Que é que, afinal, nos diz se um professor é bom ou mau?
A resposta é simples: os resultados que obtem do seu trabalho, isto é, o sucesso dos alunos. O sucesso propriamente dito, não o sucesso que as manipulações estatísticas indicam. Poderá haver mais critérios mas, sem sombra de dúvida, este é o mais importante de todos eles.
Ora, num país onde quase não há exames, o sucesso de cada aluno é determinado por quem o ensina. Como é que se pode “medir” a qualidade do professor, se é ele mesmo quem classifica os seus alunos? Não pode, mas há solução.
Para avaliar o trabalho dos professores de forma minimamente credível, é preciso:
a) Que haja, pelo menos dois em dois anos, exames,
escritos e orais;
b) Que tais exames sejam feitos por examinadores
que nada tenham a ver, nem com a escola que os
alunos frequentam, nem com os professores que
os ensinaram.
c) Que os resultados obtidos sejam, pelo menos, 70%
do total usado para a classificação dos professores.
Tão simples quanto isto: exames para todos os alunos, os exames do Minho feitos por professores do Algarve, os da Madeira por professores dos Açores, e os resultados tidos em conta como deve ser.
Feita esta proposta, há que reafirmar algumas verdades indesmentíveis:
1. Os professores, ou quem os apascenta, não querem avaliação de espécie nenhuma;
2. Os professores, calões como os portugueses em geral, recusam tudo o que lhes dê trabalho;
3. As manifestações de professores (a perder estaleca, diga-se) são uma triste demonstração de manipulação e de demagogia;
4. O Ministério, mais que dirigido, é “formado”, aos mais diversos níveis, por burocratas ansiosos por mostrar serviço;
5. Como é hábito da função pública, “mostrar serviço” resume-se a complicar o mais possível a vida de toda a gente;
6. No meio da bagunça generalizada e descontrolada, a “solução” encontrada pelo Dr. A.J. Jardim é a única que pode dar algum resultado positivo; ou há moralidade ou comem todos.
16.11.08
António Borges de Carvalho
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