IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • AINDA HÁ QUEM RESISTA

     

    Um senhor juiz do Supremo veio a terreiro, como jurista, acompanhar as teses de uma multidão de outros técnicos, que põem, com evidentes carradas de razão, em causa as teorias do Dr. Noronha do Nascimento acerca do processo “face oculta”.

    Se ainda há quem tenha dúvidas quanto à legitimidade das escutas que apanharam de “tabela” o senhor Pinto de Sousa em afirmações pelo menos polémicas, tais dúvidas ficam totalmente arredadas do espírito de quem tiver um mínimo de decoro. O “apanhado” foi o senhor Pinto de Sousa, não o primeiro-ministro, como muito bem alega o juiz Eduardo Maia (cf. bolgsinedie.blogspot.com).

    Por outras palavras, o “protegido” de Noronha do Nascimento não é o primeiro-ministro, mas o senhor Pinto de Sousa.

    O que vem confirmar, como é evidentíssimo, que, como o IRRITADO de há muito defende, tanto o PGR, ao não publicar o que é inconveniente para o dito cidadão, como o PSTJ, ao publicar o contrário, outra coisa objectivamente não fazem, do alto assento dos seus cargos, que não seja política, da indiscutível, da dura, da ferozmente limitadora do direito dos cidadãos a informações politicamente fundamentais e indispensáveis ao juízo da opinião pública.

     

    5.1.10

     

    António Borges de Carvalho
  • OUTRA VEZ O “CASAMENTO”

     

    É evidente que o Parlamento tem o direito formal de legislar sobre alterações o Código Civil.

    O problema é o de saber se tem o direito substancial, ou moral, de o fazer em todas as circunstâncias e em todas as matérias.

     

    O Código Civil enquadra relações sociais pré-existentes ou emergentes. Quando entra em futurologia, isto é, quando trata de enquadrar situações que o legislador considerou possíveis, ou prováveis, normalmente dá asneira. O legislador, neste caso, regulamenta situações que não existem, mas que pensa poder vir a existir. As mais das vezes a sociedade responde, não criando o que o legislador imaginou, mas enveredando por caminhos em que foi omisso. Perde o legislador, na ocasião, legitimidade substancial, ainda que, formalmente, as suas decisões não enfermem de tal vício. Não é difícil encontrar exemplos que ilustrem estas afirmações.

    Por outro lado, quando o legislador, em prosélita ânsia de prover regulação que alargue o que, ideologicamente, considera “direitos civis”, ou “igualdade”, arrisca-se a confundir realidades sociais que não são confundíveis, ainda que possam, em certos aspectos, ter legítimas consequências civis.

    É o que se passa com a história do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

    Dando como certa a existência de vidas em comum de tais pessoas, (não falo aqui da questão sociológica, ou fisiológica, ou médica, ou psicológica do assunto), é de admitir, coisa que o Código Civil talvez devesse prever, que vidas em comum geram interesses que a lei pode salvaguardar. Sem pôr em causa instituições, ou institutos jurídicos que, na nossa civilização, têm milhares de anos de sedimentação e que não podem ser substancialmente alteradas, sob pena de modificar a sua própria essência, ou seja, de as descaracterizar de tal forma que percam o significado ou a essência das razões que conduziram à sua existência e às suas mais básicas características.

    Consagrar o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo é, evidentemente, dar ao instituto do casamento um significado essencial completamente diferente do que hoje, e há milhares de anos, tem vindo a existir. Os contratos de casamento até agora celebrados transformam-se numa coisa em que de forma alguma se pode enquadrar a vontade dos que os celebraram. Passam a ser coisa de natureza diferente.

    Quando se fala em “reconhecer” aos homossexuais o “direito” que os heterossexuais têm, de se casar, dever-se-ia antes falar em negar aos heterossexuais o direito de conservar, das suas uniões, natureza pelo menos análoga à que tinham quando as celebraram.

    Não é legítimo que o Estado transforme, por decreto, nem a natureza nem as condições que comandaram a vontade de contratar de cada um.

    Nem por via parlamentar nem por referendo.

     

    Se o objectivo dos partidos de esquerda, à revelia da vontade de muitos dos seus eleitores, é o de confundir o que não é confundível, já o projecto do PSD (que, tecnicamente, há quem diga que é uma desgraça), meus amigos, podia ser um bocadinho mais inteligente, isto é, preocupar-se mais com os cidadãos e menos com os homossexuais.

    A chamada “União civil”, segundo o PSD, é um privilégio concedido aos homossexuais, não um alargamento dos direitos contratuais dos cidadãos como instituto de direito civil.

    Passo a explicar: é perfeitamente natural, e legítimo, que duas pessoas entendam viver em comum, que queiram daí tirar consequências civis e que tenham a noção de responsabilidade cívica suficiente para registar essa circunstância de forma a torná-la oponível a terceiros. Se se tratar de homossexuais, quem tem a ver com isso? Se se tratar, simplesmente, de pessoas que, por amizade, conveniência ou seja lá o que for, preferem viver juntas, quem tem a ver com isso?

    O que a sociedade, portanto o Código Civil, deve prever é que haja direitos e dependências de cada um dos que vivem em comunhão de tecto assumidos pelos mesmos como comuns, usáveis em juízo, oponíveis a terceiros e produzindo efeitos perante os mesmos.

    Reservar esta condição aos homossexuais é uma indecente descriminação dos restantes.

     

    Triste, no meio disto tudo, é que, de um lado ou de outro, toda a gente anda a reboque de uma minoria rebolona e barulhenta. Ninguém parece interessado em regular, com bom senso, as relações sociais existentes, protegendo a essencialidade dos direitos dos que já os têm, criando formas em que a barulheira se possa enquadrar e servindo a sociedade com instrumentos jurídicos fiáveis, seguros e claros, em vez de a descaracterizar, de ofender a maioria e de criar coisas que, em relação a uma respeitável e vetusta civilização, não passam, ou de ofensas graves, ou de patéticas fugas em frente.

     

    5.1.10

     

    António Borges de Carvalho
  • PERGUNTAS MALUCAS

     

    a.     Um tipo do PPD dos Açores apresentou um programa político em que anuncia a construção de túneis submarinos do Faial para o Pico e deste para São Jorge. Tem toda a razão. Se a Tatcher e o Miterrand fizeram o túnel da Mancha, por que carga de água não há-de o ilustre açoriano fazer o mesmo, mas a duplicar? Se o Pinto de Sousa ouve esta, é capaz de agarrar a ideia. Mais umas obras públicas malucas, sua especialidade de estimação, uma data de massa a girar, vinha a calhar. Porque não?

     

    b.    O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, zumba! (é como se diz pimba em zulu) casou-se com mais uma mulher, dona Thobeca Maliba. Fica com três esposas efectivas. Mas a Thobeca é a quinta: houve outra que deu à sola porque aquilo era um suplício, e outra ainda que se suicidou, coitadinha. No meio de grossa batucada, enfeitados com peles de tigre, lanças, chapeletas sem nome, sapatos de ténis e óculos escuros, os noivos comemoraram o feliz enlace. Julgo que aquele tipo que o PS foi buscar à filarmónica devia tomar a peito este exemplo e aproveitar a lei do “casamento” em discussão para larilar umas propostas polígamas e poliândricas. Uma notável oportunidade para alargar os “direitos” da rapaziada. Cada tipo da filarmónica teria direito a vários rapazinhos, bem como a fazer umas batucadas comemorativas. Não é?

     

    c.     Parece que o Estado recebeu da General Motors uns 18 milhões de euros quando a fábrica da Azambuja fechou. À altura, foi prometida ao município local uma participação de 908.000 euros no bolo geral. Dezanove meses passados e ainda anda o autarca azambujense de Herodes para Pilatos, ó tio ó tio, onde está o meu? O Estado é ou não é uma pessoa de bem?

     

    d. Os socialistas comunicaram ao mundo que “receiam” que a oposição “desfigure” o orçamento que se preparam para apresentar. É de pensar que a esmagadora maioria dos portugueses esteja à espera, com a maior ansiedade, que o desfigurem mesmo! É         que, com a “figura” desta gente já ninguém pode. Quem tem medo do “receio” dos socialistas?

     

    e.    No processo “face oculta”, o PSTJ vestiu uma série de camisolas, intérprete autêntico da lei, seu aplicador, procurador público, julgador, político, informador, seleccionador de despachos, etc. Estamos ou não perante uma figura de extraordinária polivalência, um verdadeiro génio?

         

    5.1.10

     

    ABC
  • QUANDO A LEI NÃO INTERESSA

     

    O IRRITADO teve ocasião de, por diversas vezes criticar, tanto a desastrada nacionalização do BPN como a não menos idiota intervenção do Estado no BPP. Duas caríssimas decisões do governo, tendo o primeiro-ministro  o ministro das finanças como cabeças de cartaz. O desenrolar dos acontecimentos merece mais algumas considerações.

     

    Os milhares de milhões que estas duas alarvidades já custaram ao povo português nunca foram contabilizados fosse por quem fosse, se é que são contabilizáveis. Nem o espantoso Banco de Portugal se preocupa com o assunto, nem o Tribunal de Contas se interessa, se é que tem ou pode assumir competência para tal. O governo, por seu lado, ou não responde ao que se lhe pergunta, ou mete os pés pelas mãos, permanentemente convencido que as pessoas são parvas ou que é capaz de as fazer passar por tal.

     

    Do que se sabe, tudo não passa da mais tremenda incompetência nem da mais radical falta de respeito pelos donos do dinheiro, que são os contribuintes.

    Por exemplo, já se chegou à conclusão que os 600 milhões de “património” que “garantiam” a primeira injecção de dinheiro no BPP (450 milhões), não passam, afinal, de 150, ou coisa que o valha. O que se sabe é que quem aceitou o valor de 600 milhões foi o Estado, e quem o reduziu a um quarto foi quem tem credenciais para fazer avaliações.

    Os autores das brilhantes contas que o Estado fez coisa não se acusam, não pedem desculpa, não se arrependem, não são chamados à pedra e, se formos à procura deles, certamente terão deixado de existir. O verdadeiro culpado, o governo, esse considera-se acima de todas as críticas, proclama que os outros é que são maus e insiste na asneira, numa fuga em frente politicamente criminosa.

     

    Do BPN, ao certo, ninguém sabe nada. Ao incerto sabe-se que a CGD, ou seja, o Estado, ou seja, o povo, já lá enterrou uns milhares de milhões, talvez uns três mil. O BPN foi nacionalizado, mas ninguém sabe como nem porquê, nem se os accionistas foram indemnizados, nem por quanto, nem ao certo de quem é o banco hoje em dia, nem quanto vale, se vale, nem quanto deve, se deve, nem a quem, nem nada.

     

    O BPP e o BPN foram utilizados pelo poder e seus acólitos para, sob  anobre batuta do Dr. Soares (coitado) zurzir o capitalismo em geral e o chamado neo-liberalismo em particular, “a economia de casino” e uma série de “suspeitos do costume”, todos privados, deixando de fora as entidades públicas envolvidas no assunto por acção ou omissão, a começar pelo Banco de Portugal, tão culpado de “não ver” o que os outros faziam como estes de ter feito o que fizeram.

     

    As cartas foram víciosamente baralhadas a favor do poder socialista. As culpas são do sistema liberal, os culpados não são burlões nem maus gestores, são filhos do sistema, filhos de mau pai e de má mãe. Na sua expressão mais rasca, largamente insinuada pelos estrategas do poder, o culpado é o… PSD!

     

    Procurando esquecer esta última “interpretação” que, de tão porca, outra coisa não merece, vejamos o que o tal negregado sistema previu para estes casos, em duas vertentes.

     

    A primeira, prevê que os culpados das fraudes de que se fala sejam punidos, coisa que parece não ser do agrado, nem das autoridades políticas nem das judiciais. Tudo vai ser tão complicado e tão arrastado no tempo que, quando se chegar a um veredicto, se o vier a haver, ou não haverá culpados ou o assunto já não interessa a ninguém nem tem qualquer efeito prático. Esta primeira “arma” do sistema liberal não vai, por isso, ser usada. Já não foi.

    A segunda “arma” do sistema chama-se insolvência, falência, bancarrota. Quando os bancos deixam, sem solução à vista, de poder solver os seus compromissos, vão à falência, tendo os credores e os depositantes direito à divisão equitativa da massa falida, se a houver para dividir.

    Uma lei, que em Portugal existe como na generalidade dos países civilizados, prevê a existência de um fundo de garantia destinado a ressarcir, dentro de certos limites, os clientes dos bancos falidos sem ter que esperar para saber se, aos activos existentes, é possível ir buscar seja o que for.   

    Mas esta lei não foi aplicada. O Estado foi capaz de gastar milhares de milhões para talvez vir a aguentar um banco (o BPN), mais umas centenas de milhões para talvez vir a segurar outro (o BPP), sendo que, naquele, o erário público se depauperou brutalmente e, neste, os clientes são quem está a pagar o socialismo. Se protestam, manda-se lá a polícia. Com uns empurrões e umas mocadas fica a questão resolvida. Aplicar a lei é que não. Trata-se de uma lei capitalista e liberal.

     

    Verdade é que, com ficou dito, o terrível liberalismo teria (tem) em si mesmo as leis que resolvem, dolorosamente, é certo, este tipo de problemas. O socialismo não tem solução para nada que não seja fazer demagogia com o dinheiro que os eleitores lhe confiaram para gerir.

     

    Às vezes, mesmo dentro de uma família unida, torna-se legítimo interditar quem malbarata os seus bens, por incompetência, por incapacidade intelectual, por manifesta desonestidade.

    Ao nível do (nosso) Estado, porém, normas normas destas se não aplicam. Podem os políticos ser à vontade incompetentes, incapazes ou desonestos – uma das três, duas das três ou três das três – que podem continuar a fazer as asneiras que lhes vierem à cabeça sem que nada nem ninguém lhes caia em cima.

     

    3.1.10

     

    António Borges de Carvalho
  • HÁ DESPACHOS E DESPACHOS

     

    Talvez pareça mal a muita gente que o IRRITADO, meia dúzia de dias depois de ter denunciado as aleivosias do director do DN, volte à carga acerca do seu editorial de ontem, talvez a mais pífia e mais servil forma de acabar o ano com um mal disfarçado panegírico do chefe.

     

    Pegando no despacho do PSTJ, ou em parte dele, proclama o fiel servidor do PM, em título, “Ilibado tarde demais”. Quem? Pois quem havia de ser, o chefe, Pinto de Sousa de seu nome. Ilibado de quê? Das histórias do “face oculta” (as outras histórias já não interessam?…, já morreram?). Ilibado por quem? Pelo mais alto dos juízes, que por acaso é baixote.

     

    Considera o tal director que:

    a)   Postas as coisas nos termos em que o PSTJ as pôs, acabou-se, o senhor Pinto de Sousa está ilibado, e pronto;

    b)   O juiz de Aveiro que achou suspeitas as conversas dos amigalhaços Vara e Pinto de Sousa é uma besta (PSTJ dixit);

    c)   O senhor Pinto de Sousa está, evidentemente, ao abrigo de toda e qualquer suspeita;

    d)   Por conseguinte, trata-se do mais impoluto dos cidadãos, merecedor de todos os encómios, a quem a sociedade deve desculpas por ter arrastado o seu augusto nome na lama durante tanto tempo.

     

    Evidentemente que estes arrazoados engagés têm, para um observador imparcial, o defeito e, para o seu autor, a qualidade de esconder o essencial. O essencial é saber o que levou o juiz de Aveiro que a dizer o que disse.

    Porque, das duas, uma: ou o PSTJ tem razão ao considerar que, nas conversas entre os amigalhaços, não havia o mais recôndito sinal, a mais leve poeira, nada, mas nada, que pudesse levar à mais ínfima das suspeitas, e então o juiz de Aveiro é maluco, ou quem é maluco é o PSTJ. Maluco, ou protector do chefe, como o Marcelino.

    Porque, meus senhores, o que o PSTJ diz não é que o juiz de Aveiro interpretou mal uma ou outra frase das conversas ouvidas, mas que, em tais conversas, não havia fosse o que fosse que pudesse ser interpretado de uma maneira ou de outra. Assim. Zero. Nada.

     

    No fundo, do que se trata?

    Trata-se de esconder do público o que levou a esta pessegada toda. Se o PM tivesse a consciência tranquila seria o primeiro a exigir que as partes das suas conversas que foram interpretadas em Aveiro como suspeitas viessem a lume para esclarecer as pessoas. Como tem movido céu e terra para que de nada se saiba, passa a ser objecto das suspeitas do país inteiro, dividindo-se as pessoas entre as que dizem que suspeitam, as que suspeitam mas não dizem e as que são pagas ou “engatadas” para negar as suspeitas, marcelinos e quejandos.

      

    Trata-se de reconhecer aos portugueses o direito que têm ou deviam ter de, perante indisfarçáveis factos, poder tomar uma opinião política, não jurídica ou judicial, sobre o indivíduo que vem há anos e anos exercendo o poder, quase diria todo o poder, em Portugal.

     

    Trata-se de haver despachos cujo teor convém ao primeiro-ministro, que são públicos, e despachos menos agradáveis ao mesmo senhor, que são secretos.

     

    Trata-se assistirmos a uma descarada quão evidente manipulação da informação, levada a efeito, com evidente intenção política, pelos mais altos responsáveis da justiça, ao serviço do governo.

     

    Se não é verdade, é o que parece, e o que parece…

     

    1.1.2010

     

    António Borges de Carvalho
  • COMEMORAR A REPÚBLICA, OU DA HISTÓRIA DE PANTANAS

     

     

    Aqui há dias ouvi o Dr. Mário Soares afirmar que o regime em que vivemos é o da segunda república, não da terceira. Perguntado sobre a razão de tal e tão estranha afirmação, o ilustre senhor referiu que o Estado Novo, enquanto ditadura, não tinha sido uma república.

    Este tipo de “pensamento” é conhecido e reconhecido em várias cabeças, com os rapazes do Grande Oriente à frente.

    Se eu fosse o entrevistador do Dr. Mário Soares perguntar-lhe-ia se achava que o General Craveiro Lopes era filho do Marechal Carmona e se o Almirante Tomás tinha sido gerado no ventre da dona Berta Craveiro Lopes. Isto, para ajudar o lustre cidadão a demonstrar que o Estado Novo foi uma monarquia.

    Estas ideias mais ou menos tontas partem do princípio que uma república é democrática por definição. O que contraria frontalmente a verdade, uma vez que deixam de o ser uma enorme quantidade de repúblicas por esse mundo fora, que de democráticas nem o nome.

    Mais interessante seria perguntar ao ilustre político como é que os seus adeptos se preparam para comemorar os cem anos da república, ao mesmo tempo que dizem que os quarenta anos do Estado Novo não foram vividos sob uma república.

    E também gostaria que o grande laico, republicano e socialista nos esclarecesse se acha de um regime que se chamava república portuguesa, que hasteava a bandeira da república – não a da Nação – que utilizava o hino da república como emblema do Estado, que tinha um presidente da república, não era uma república. Então o que era?

     

    A posição desta gente a este respeito é uma desonestidade intelectual como outra qualquer, com a agravante de ser ensinada nas escolas.

    Vivemos, é evidente, na treceira república, não na segunda, que acabou há 35 anos.

    Como é que, “pensando” como esta gente, é possível comemorar os cem anos de uma coisa que se diz ter sessenta! Venha o mais pintado, e explique.

     

    Já agora, sendo absolutamente inequívoco que a primeira república foi uma monumental vergonha cuja consequência natural foi a segunda, a que o Dr. Soares não aceita como tal, e que a terceira… a ver vamos, seria de perguntar ao grande socialista o que é que, afinal, ele e os seus amigos têm para comemorar?

    Como é que ele e os seus amigos se preparam para gastar milhões e milhões a festejar os 100 anos de uma coisa que começou por ser uma vergonha (16 anos), que deu em ditadura (40 anos) e que, com alguma, pouca, qualidade, existe apenas há 35?

     

    Faz-me lembrar, ao quadrado, o grande dirigente algarvio, senhor Bota, que, aqui há uns anos, publicou um opúsculo que se chamava “No Décimo Aniversário de Doze Anos de Poder Local”…      

     

    29.12.09

     

    António Borges de Carvalho   
  • BIRRAS E ALDRABICES

     

    As recorrentes birras da clique “governante”, seja contra a oposição seja contra o Presidente da República, evidentemente instigadas e elogiados os seus actores pelo primeiro-ministro, pedem uma pequena reflexão sobre a leitura que deve, ou devia ter sido feita dos resultados eleitorais.

     

    Pela primeira vez na III República, um primeiro-ministro no poder perde a maioria absoluta de que dispunha.

    Desta realidade, o primeiro-ministro e o seu partido extraem duas leituras opostas:    

    Na primeira, o primeiro-ministro e o PS trataram de comunicar à Pátria a estrondosa vitória eleitoral que tiveram, e a sua intacta legitimidade para governar;

    Na segunda, o líder do PS, generosamente, informou que ia “consultar” os partidos parlamentares, a fim de saber das possibilidades de cooperação que teria com cada um deles.

     

    Por um lado, a afirmação da “totalidade” do poder e da legitimidade. Por outro, o aparente reconhecimento de que as coisas tinham mudado.

    É evidente que a segunda leitura, como está provado, não passou de teatro, em que o primeiro-ministro usou os partidos como marionetas, na exclusiva intenção de vir a assacar-lhes a culpa de não haver, da parte deles, qualquer “abertura”.

    O primeiro-ministro que, acima e para além de tudo, é um primitivo sedento de poder, julgou que os partidos e o eleitorado iriam “compreender” a sua “recta” intenção. Desde a primeira hora, há cinco infelizes anos, que este homem parece achar que os demais são parvos, tratando-os como tal.

     

    Leiamos nós, sinteticamente, os resultados das legislativas:

     

    – Todos os partidos cresceram, à excepção do PS, que encolheu;

    – Dos partidos da oposição, dois há que fariam maioria absoluta com o PS – o PPD/PSD e o CDS-PP.

     

    Isto quer dizer, em termos de democracia representativa:

    – Que os eleitores estavam fartos de ver o PS a governar sozinho

    – Que os eleitores apontavam, claramente, os partidos com quem o PS devia negociar uma solução de governo.

     

    Isto é tão evidente que não pode ser objecto de discussão. Se o PS quisesse encontrar uma solução estável ou, pelo menos, que garantisse a tão proclamada “governabilidade”*, o que tinha que fazer era ler o que nas urnas foi escrito.

    Mas não o quis fazer. Com a óbvia, estulta, estúpida e pouco democrática intenção de guardar o poder só para si, fabricou a comédia das “audições” aos demais, como se não soubesse que o acordo com uns seria impeditivo do acordo com outros.

    Conseguiu o seu estúpido objectivo: governa sozinho. Na claríssima intenção de vir a vitimizar-se se as coisas lhe não correrem de feição. Pondo as culpas, como faz imparavelmente desde o primeiro dia, seja aos demais, seja, qual cereja em cima do bolo dos coitadinhos, ao Presidente da República.

     

    O problema é que as aldrabices, manipulações e acusações do primeiro-ministro e dos demagogos de serviço não são problema deles, que não têm consciência democrática, nem sentido de Estado, nem respeito pelos outros. É de todos nós, mergulhados que estamos, como nunca, no plano inclinado da miséria, da insolvência, da ausência de liberdade. E sem saber como se sai disto. Só sabemos que, com esta gente, não saímos.

     

    29.12.09

     

    António Borges de Carvalho  

      

    * Neologismo inventado pelo PS.
  • VIAGEM A UM MUNDO ROTO

          

     

    Olhem para isto:

     

    Veremos se o Presidente se atreve a vetar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, inscrito no programa do governo eleito. Não é uma questão menor. Trata-se de saber se estamos numa democracia parlamentar europeia ou na Venezuela.

     

    Esta bela frase, de um homosexualismo fundamentalista é produto das intelectualíssimas meninges de uma senhora que, não tendo nada de estúpida, tem muita esquerdofrenia metida nos neurónios. As suas prosas habituais são disso claro sinal. Trata-se de dona Inês Pedrosa, nascida em Coimbra em 1962. Consta que publicou várias obras, obras que o IRRITADOteve o cuidado de não ler.

     

    A acima transcrita frase merece algumas considerações, a fim de que se possa avaliar das repenicadas farfalhices do cérebro da ilustre senhora.

     

    Primeiro: se o “casamento” em causa estava no programa do partido que resolveu formar um governo minoritário contra a evidente vontade dos eleitores, o seu contrário estava, indisfarçável e indisfarçado, na personalidade do Presidente da República, que foi eleito com muito mais votos que o tal partido. A qual deles recorrer, quando se põe uma dúvida quanto à legitimidade da iniciativa? Dir-se-á que se trata de um problema constitucional. A absurda enormidade do nosso semi-presidencialismo leva, como é evidente, a este tipo de situações.

     

    Segundo: a senhora, por propositada ignorância e por demagogia engagée, resolve escrever que, se o “casamento” for aprovado, somos uma democracia parlamentar europeia, se não o for somos discípulos do camarada Chávez.

     

    Esclareçamos:

    a)    Em Portugal, país europeu, não há uma democracia parlamentar. O regime é semi-presidencialista. O parlamento e o Presidente têm a mesmíssima origem eleitoral;

    b)    O único regime semi-presidencialista da Europa é, com certas diferenças em relação ao nosso, o francês. Em França não há casamento de Chiquinhos com Zézinhos, nem de Tânias com Vanessas. Há outra coisa, de diferente natureza, que se chama PAC, e que é muito bem vista pela esquerda local;

    c)    Nos restantes regimes parlamentares europeus, o que se verifica é que, nuns, há o tal “casamento”, noutros não. Nuns há coisas do género do PAC francês, noutros não;

    d)    Os regimes parlamentares europeus onde não há tal “casamento” são largamente maioritários.

     

    Não consta que qualquer dos regimes referidos em d) tenha alguma coisa a ver como o esquerdista Chávez, da Venezuela.

    Por conseguinte, se o nosso Presidente der à esquerdófilo-demagógica iniciativa o destino que a dona Inês prevê, ou seja, “se atreva”(!!!) a vetá-lo, estará no seu direito e representará cabalmente pelo menos a maioria que o elegeu, não a minoria que o governo representa.      

    A atitude da dona Inês, essa sim, representa bem uma mentalidade venezuélica, ou chavista, quando tem o topete de vituperar o Presidente no caso de ele se “atrever”(!!!) a não concordar com ela. Como é evidente, a postura da dona Inês é a mesma do primeiro-ministro que temos e que a senhora defende. É também a postura normal do seu (dele) íntimo amigo e detentor de padrão ideológico, o cassanho Hugo Chávez.

     

    Se a dona Inês fizesse parte do escol de ignorantes e demagogos que o senhor Pinto de Sousa tanto admira, como o Ricardo e o Sérgio, para só citar dois, compreender-se-ia os seus dislates. Mas tratando-se de figura notória da nossa inteligentsia, não se pode compreender nem aceitar tanta aldrabice, tanto disparate, tanto desplante, nem tanta desonestidade.

     

    27.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • DESPACHO SECRETO

     

    Julgava o IRRITADO que um despacho, como uma sentença, como uma escritura, eram documentos públicos.

    Pelos vistos, julgava mal.

    O senhor procurador-geral da República é de opinião diversa. Os seus despachos, quando convém, são secretos. Mesmo quando se trata de pôr à disposição dos cidadãos os argumentos ou acontecimentos que levaram órgãos legítimos do poder judicial a achar que o primeiro-ministro cometeu crimes. Os portugueses têm o DIREITO de conhecer o que levou uns magistrados a tal conclusão e outros à conclusão contrária. Admita-se que os segundos têm razão. Admita-se que o primeiro-ministro é o cidadão impoluto que proclama ser. Então, com que direito se esconde tais “provadas” qualidades?

    Não se trata de saber se o primeiro-ministro cometeu ou não cometeu crimes. Trata-se de reconhecer aos cidadãos o direito, que têm ou deviam ter se vivêssemos num estado de direito, de conhecer as razões da Justiça, que são públicas por natureza uma vez tomadas.

    O senhor procurador-geral da República envolveu-se nas mais ridículas e contraditórias declarações, chegando ao ponto de dizer que, respeitando os cidadãos, tornaria públicos os factos que levaram à actuação da Justiça. Porque não o fez? Mesmo que não publicitasse a matéria de facto (as escutas) não seria (não é?) obrigado a dar à estampa o seu despacho? O despacho não é publicado em nenhum órgão oficial? Como é que um despacho que dá por “transitado” um assunto não é público?

    Perguntas talvez estúpidas, ou próprias da ignorância do IRRITADO.

    Talvez. Mas, de certeza, motivadas por atitudes que revelam o mais radical desrespeito pela dignidade dos cidadãos e a mais inacreditável subserviência do poder judicial ao poder político.   

     

    27.12.09

     

    António Borges de Carvalho

     

    NB. A este respeito, leia-se o artigo ontem publicado no DN pelo Prof. Paulo Pinto de Albuquerque, sob a epígrafe “Mistério insustentável”.
  • ESCANDALEIRA

     

     

     

    Os “capitais estrangeiros” que, dada a “confiança internacional” que o Portugal socretino merece (no esclarecido dizer do ministro das comunicações), vão ser investidos na ZON pela dona Isabel dos Santos, “empresária” angolana, vão ser financiados pela Caixa Geral dos Depósitos, banco ao serviço do dito Portugal.

    Nem investimento estrangeiro, nem confiança, nem nada. É tudo mentira. E, como é conhecida a prontidão como os angolanos costumam pagar o que devem, nem sequer se pode alegar que se trata de um negócio da CGD como outro qualquer.

    Se a CGD emprestasse os 164 milhões ao IRRITADO, ou a outro tipo qualquer? Não seria mais seguro? Os dividendos da ZON não dariam para pagar o empréstimo, mais os juros? As acções da ZON não dariam para garantir o capital? Afinal, que confiança é essa? Que capitais estrangeiros são esses? Nem uma coisa nem outra. Estupidez, subserviência e aldrabice, é o que é.

    Uma escandaleira que só em Portugal não faz cair o governo.

     

    27.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • OFENSAS

     

    O mais inacreditável de todos os jornalistas ao serviço do PS, um tal Marcelino, serventuário do “amigo Oliveira” e director do órgão de protecção do senhor Pinto de Sousa, além arauto de correspondência particular de colegas seus com o fim de dar as eleições a ganhar ao amigo do patrão, veio a lume expondo a sua verdadeira natureza e a de quem nele manda.

    Com base num relatório da Marktest, firma famosa pelas suas esclarecidas sondagens, revolta-se, indignado (admita-se que com eventual razão) contra os que acusaram o seu chefe político de ter desviado publicidade de uns jornais para outros. Revolta-se, igualmente, contra notícias –  palavra que põe entre aspas – publicadas sobre a situação financeira do grupo que serve, o do “amigo Oliveira”. Para, afinal, chegar à conclusão, devidamente embrulhada, que tal situação é o que as notícias rezavam!

    Tudo isto, enfim, faz parte da fidelidade aos amos, o político, que lhe paga indirectamente com elogios rasgados, e o empresarial, que lhe paga directamente, em dinheiro. Compreenda-se.

     

    De notar são os primores de linguagem de que se serve para adjectivar os seus “inimigos”. Estes, segundo ele, escrevem com “absoluta falsidade”, “desonestidade intelectual”, ignorância, “critérios”… de “pobre e medíocre rosário”, “terrorismo”, “manipulação”, “infâmia”, “intriga”, “falsidade” outra vez, “infâmia” outra vez, “terrorismo empresarial”, “oportunismo político”, “campanha vil”.

     

    O IRRITADO, que tem muitas vezes dificuldades em encontrar palavras que definam o governo do senhor Pinto de Sousa, agradece as sugestões deste magnífico pintodesousista/oliveirista, as quais, em caso de necessidade, podem vir a suprir emergentes hesitações literárias.

     

    De notar ainda como este ilustre representante do poder socrélfio, se revolta por não ter sido objecto dos mais vivos e humildes pedidos de desculpa por parte daqueles que tiveram a ousadia de dizer coisas menos agradáveis ou verdadeiras acerca das nobres causas que serve. Ele, coitadinho, que é universal objecto do nojo e do escárnio dos jornalistas e jornais deste país pela forma indecente como contribuiu, via imperdoável crime, sem pudor nem respeito pelos princípios básicos da sua própria profissão, para, ilegitimamente, influenciar a favor do PS o voto de muitos milhares de portugueses.

     

    Não há maior ofendido que aquele que ofendeu.

     

    Last but not least, o homem considera-se uma celebridade “mundial”, por ter sido objecto de um processo em que lhe “são exigidos cerca de 5 milhões de euros”, isto por se julgar “um trabalhador livre” quando mudou de patrão. É evidente que o ilustre senhor não adianta nem quem o processou, nem as razões que este alegou para o fazer.

    Mais uma prova da altura moral e do pudor profissional deste grande líder de opinião, bem ao nível do seu chefe político em matéria de linguagem, bem ao nível do seu chefe político em matéria de argumentação. Nem se esqueceu, sabe-se lá porquê, de arranjar uma “campanha vil”. Não “negra”, mas “vil”. O artigo que publicou chama-se, significativamente, “Denúncia de Uma Campanha”!

     

    Tal mestre, tal aluno.  

     

    27.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • GINGLE BELL

     

    O IRRITADO deseja aos seus leitores, fiéis e infiéis, críticos e apoiantes, um Natal sem preocupações e um 2010 sem Sócrates

  • IGNORÂNCIA, ESTUPIDEZ, OU SÓ DESONESTIDADE?

     

    O primeiro-ministro brindou o Parlamento e a Nação com mais um desfiar de provocações, acusações, alarvidades, faltas de educação e de respeito, ameaças veladas ou não, tudo destinado a desestabilizar o funcionamento da III República e, simultaneamente, a afirmar o “seu” poder, em cacos por inanição, bem como total incompetência e estupidez crassa e saloia.

     

    Um pequeno exemplo disto tudo:

    Afirmou o senhor Pinto de Sousa que a abolição do PEC “tira”, pelas contas do governo, cerca de 800 milhões de euros de receitas de impostos. Mais adiante, em “resposta” ao PP, disse que a mesma abolição “é uma irresponsabilidade” porque se tratava de um imposto que representava 400 milhões de euros”.

    800 milhões? 400 milhões? Imposto?

     

    IGNORÂNCIA: o fulano não sabe que o PEC não é (não era) um imposto, mas sim um adiantamento sobre um imposto – o IRC – passível de confirmação ou devolução no futuro. Por isso, o PEC jamais teve influência na receita, só na tesouraria.

    ESTUPIDEZ: para as meninges do fulano 800 milhões e 400 milhões são uma e a mesma coisa.

    DESONESTIDADE: é a alternativa. Se calhar, o fulano não é tão estúpido nem tão ignorante como parece, é só desonesto. O que, aliás, já se sabia.

     

    Desonestidade que o faz achar muito bem que se venda a ZON à dona Isabel e muito mal que se venda a CIMPOR aos brasileiros.

    Desonestidade que o faz mandar desferir, e desferir ele mesmo, ataques idiotas contra o PR, só porque este se “atreve” a não incluir, nas suas prioridades como Chefe de Estado, o “casamento” de manuéis com joões e de fernandas com amélias. Quando se é visceralmente desonesto, vale tudo.

    DESONESTIDADE, ou ESTUPIDEZ, mas sempre abuso de confiança, que o faz dizer, e aos seus sequazes, que o “povo” “sufragou” tal “casamento” quando lhe deu 30% dos votos, e não sufragou o contrário ao dar mais de 50% ao Presidente.

    ESTUPIDEZ que o faz não perceber que é capaz de se lixar (praza a Deus!) com estes chorrilhos de barbaridades.

     

    Como o IRRITADO já opinou, ou o PS tem o bom senso de se livrar desta abominável criatura e do bando dos seus mais próximos, ou estamos metidos numa camisa de onze varas.

     

    24.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • DIZ-ME COM QUEM ANDAS

     

    Com fanfarra e charamelas, o governo, através da imprensa e do novel ministro das comunicações, anunciou mais um grande triunfo: a venda de 10% da ZON a uma senhora de nome Isabel dos Santos, pela módica quantia de 160 milhões de euros, com um goodwill de nada menos de 31 milhões. É obra!

    O IRRITADO, que é nabo e ingénuo, foi-se ao Forbes à procura da dona Isabel. Que diabo, uma senhora que faz uma comprita de 160 milhões tem que vir na lista!

    Mas não vem.

     

    Segundo as informações disponíveis, Dona Isabel, atenção!, não surgiu do nada para comprar 10% da ZON: é proprietária de cem por cento de uma empresa com sede em Malta (em matéria de IRC estamos conversados), a qual, que se saiba:

    – detém uma posição relevante (quanto?) na GALP;

    – tem investimentos na exploração/produção energética em Angola;

    – é accionista de referência nos bancos angolanos BIC e BFA, e nos portugueses BPI e BIC;

    – controla a maior cimenteira de Angola;

    – detém posições na Unitel e na TV paga de Angola.

     

    Como é que uma senhora tão jovem chegou a tais píncaros de poder financeiro?

    Deve ter pelo menos cinco MBA’s, oito cursos de gestão e nove de economia e direito. Ou então, quem sabe?, é uma self made lady que começou com um cabeleireiro no Roque Santeiro, abriu uma filial na Mutamba e uma mercearia na Restinga, donde passou a um supermercado no Cuíto, e assim por diante. Em alternativa, poderá ter casado com um multimilionário indonésio que fez o favor de morrer passados três meses.

    Usando um pouco de imaginação, e dada a ausência de dados sobre a carreira da senhora, é legítimo pôr estas hipóteses.  

     

    O mistério, no entanto, depressa se desfez.

    Dona Isabel, empresária!, é filhinha do Presidente Eduardo dos Santos, ex-bolchevista convertido ao mais ginasticado capitalismo. E esta?

    O papá ainda é vivo, portanto a dona Isabel ainda não herdou. No fundo, deve representar o papá. E onde é que o papá foi buscar o dinheirinho? Bom, a verdade é que não consta que o senhor alguma vez tivesse sido empresário, ou financeiro, ou banqueiro, ou seja o que for que, dentro dos limites da legitimidade, crie riqueza.

    Então?

     

    Então, deixo aos povos, português e angolano, a tarefa de imaginar onde foi a ilustre família presidencial buscar os vastos meios de que dispõe. Por mim, não imagino nada mais, dado, passe o vernáculo, a ter um certo amor ao coiro.

    No que me interessa, fica a enorme e indisfarçada alegria do governo português e o brilhosinho nos olhos do ministro das comunicações pelo magnífico negócio realizado. Chega.

     

    Les bons esprits se rencontrent.

     

    A moral republicana tem as suas exigências, sobretudo quando se trata de luta contra a corrupção.

     

    22.12.09

     

    António  Borges de Carvalho
  • DA MAFIA POLÍTICA

     

    O Dr. Sampaio, do assento etéreo onde subiu, contemplou a plebe e declarou:

     

    Tivemos eleições há três meses e ninguém no seu bom juízo pensa que vamos ter outras, como é óbvio.

     

    Aqui temos o que é o verdadeiro lançamento da campanha anti Presidente da República ora em curso por obra do partido socialista.

    O Dr. Sampaio, que já se esqueceu do golpe de estado que perpetrou, sem vergonha nem rebuço, quando quis correr com um governo maioritário que não lhe agradava, opina que o seu sucessor está maluco, se dissolver um parlamento em que um governo minoritário esbraceja, impotente, no miserável pântano em que, por obra do próprio, o país soçobra.

    Vindo ainda relativamente longe o período em que o Presidente terá poder de dissolução, o espantoso e completamente desavergonhado senhor vem, desde já, prevenir a Pátria que, se o actual Presidente fizer o mesmo que ele fez – mas com muito mais razões – é porque perdeu o juízo. Mais uma demonstração da “isenção”, da “independência”, da “atitude construtiva” que sempre foi timbre do Dr. Sampaio.

    O IRRITADO não sabe se o Presidente deve dissolver o Parlamento ou deixar o governo cair de podre.

    Mas sabe que atitudes como esta do Dr. Sampaio configuram aquilo a que se pode chamar uma postura politicamente mafiosa: ou fazes o que eu quero ou perdeste o juízo.

     

    Na “implementação” (como soe, infelizmente, dizer-se) da campanha aberta pelo socialista Sampaio, avança o socialista Pinto de Sousa com evidente manifestação da sua profunda natureza carroceira.

    Andando pelo país a badalar propaganda, atrasa-se e manda dizer ao Presidente que prefere andar na propaganda a respeitar o compromisso assumido para uma reunião em Belém. Para dar mais cor à coisa, diga-se que essa audiência, por bondade do Presidente, tinha sido agendada para momento que mais convinha ao carroceiro.

    Noutra monumental falta de educação, integrando mais uma acção da campanha socialista contra o Presidente e manifestando a radical ausência de sentido de Estado que anima o carroceiro, o mesmo tinha faltado à posse os conselheiros de Estado, órgão consultivo do Presidente.

    É evidente que o Presidente não gostou, nem podia gostar, destas monstruosas afrontas. Não é preciso ser jornalista, nem ser de intrigas, para perceber isto. Mas, quando os jornais o disseram, salta a maralha da campanha da máfia socialista, aos gritos que o Presidente é que é o mau da fita. O senhor Pinto de Sousa, emérito aldrabão como é público e notório, assume angelical postura. Pudera, se os peões de brega tinham recebido ordens para atacar e já o andavam a fazer, não precisava de se preocupar mais com o assunto.

     

    Destaque-se a performance de dois dos referidos peões:

     

    Um deles, que dá pelo nome de Lelo embora se chame Ribeiro de Almeida, em mais uma demonstração do alto valor intelectual que o caracteriza, disse:

    O Presidente, nas coisas em que intervém, tem uma postura interventiva.

    Veja-se a inteligência, a lógica, a clarividência desta afirmação. Na opinião deste piadético, grande dirigente das massas socialistas, o Presidente deveria intervir de forma não interventiva, isto é, sem intervir. Se intervém intervindo, então está tudo estragado!

    Um mafioso, tão parvo e tão primitivo, que, se calhar, só devia intervir na campanha de forma não interventiva, ou seja, sem intervir. À atenção do senhor Pinto de Sousa.

     

    Passarão mais qualificado é um tal Sousa Pinto (será primo do Pinto de Sousa, mas invertido?), rapazola com ar de sacristão, estrénuo defensor do mariquismo militante, distribuidor incansável de preservativos na universidade e na Caparica, ex-presidente da impagável juventude socialista – coisa abominável cujo pensamento político, historicamente, se reduz a questões provenientes de desvios sexuais – resolveu ofender-se porque o Presidente declarou que as prioridades do país não incluem o “casamento” de larilas com larilas nem de fufas com fufas.

    Quem ouvisse o Presidente com ouvidos de ouvir, acharia isto uma verdade nua e crua, uma evidência tão evidente, passe o pleonasmo, que até o amigo banana era capaz de a dizer.

    Mas o Sousa Pinto não acha. Para ele o tal “casamento” está à frente de tudo. Que interessa a crise ou o desemprego comparados com a rabichagem? Nada.

    Muita falta nos faz, neste momento histórico, a sagacidade libertária da Natália Correia!

    O rapaz acusa o Presidente de se estar a “intrometer” na agenda política do PS, pondo “em causa a oportunidade do diploma (do “casamento”) e as prioridades do governo e do PS, que constam no programa eleitoral que foi sufragado pelos portugueses”.

    Lapidar! Que melhor confissão do que são as verdadeiras prioridades do PS! Que melhor demonstração das mais fundas preocupações de tal gente!

    No paleio do badameco, o Presidente está a “contribuir para a dramatização da vida política nacional”. O representante de uma organização que anda há mais de um mês a não fazer outra coisa senão dramatização, vitimização, desculpabilização, etc., vem virar o bico ao prego acusando terceiros dos seus próprios pecados.

     

    Mais bandalheira, mais mafiosismo, não sei se será possível.

     

    O IRRITADO não é, nem de longe, o que se chama um admirador fiel do Presidente da República. Mas, tratando-se de pessoa que deixa os socialistas a cósmica distância moral, sente-se na obrigação de lhe não negar a razão e o direito de dizer o que disse, bem como de se ofender com as carroceiradas desta gente.

     

    22.12.09

     

    António Borges de Carvalho        
  • DOS NOBRES FEITOS DO “ZÉ”

     

    Rezam as crónicas que o Costa anda para aí a espernear por causa de um tribunal arbitral que sentenciou a CML a pagar aos empreiteiros do túnel do Marquês a módica quantia de 23 milhões de euros. Negociações, reclamações, lamentações, discussões, enfim, parece que a coisa talvez se possa resolver com uns 18 milhõezecos. Esta irrisória verba tem duas origens: os trabalhos a mais e… os prejuízos causados por um tal Fernandes, auto-proclamado “Zé”, antigo pendura do Louça e actual sócio do Costa, fulano que nem estofo tem para trabalhar no lixo, quanto mais para vereador.

    Computados os prejuízos que o “Zé” nos causou, entre paralisação da obra e danos causados a terceiros, somos capazes de ultrapassar os dez milhões.

     

    Se eu requerer uma providência cautelar, se o juiz a decretar e se se vier a provar que eu não tinha razão, ninguém porá em dúvida que eu devo à outra parte, por danos e prejuízos de toda a ordem, a importância dos mesmos acrescida das devidas indemnizações.

     

    Então, e o “Zé”? O “Zé” não só não paga nada como anda para aí a gabar-se do que fez. E ninguém lhe vai à mão! Nem o Costa, que poderia e deveria ter alguma dose decência no corpo acaba com a sociedade, nem os cidadãos, que tantas vezes se movimentam por dá cá aquela palha, fazem nada, nem há para aí nenhum procurador de Justiça que lhe caia em cima.

    Nada.

    Ninguém.

     

    As alminhas comovidas, do Presidente da República ao Pinto de Sousa, passando pela generalidade da classe política – até o Preto anda na festa – tudo minha gente anda empenhadíssimo no nobre combate à corrupção. Um molho de leis vai ser produzido, sendo de garantir que cada uma será pior e mais inútil que a anterior. No fim, a classe política em geral ajeitará as melenas ao espelho, encantada consigo própria pelo seu triunfante combate legislativo.

    Entretanto, a dona corrupção, patroa da maison close de tantos e tão gostosos pecadilhos e de não menos lucrativos pecadelhos, ficará exactamente na mesma, feliz e contente. Mais uma vez, os proclamados combatentes da moralidade pública (republicana!) foram complicar a forma em vez de tratar do conteúdo, isto é, das causas da corrupção.

     

    No meio desta borrada, os mais corruptos de todos, à frente dos quais o “Zé”, sujeito e predicado da pior de todas as corrupções que é a corrupção moral e a fuga em frente perante os estragos causados, andam para aí, caloteiros e pidescos, a pavonear-se nos salões do poder. 

     

    20.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • INGOVERNABILIDADE

     

     

     

    Desde que Pinto de Sousa tomou posse pela primeira vez, o país deixou de ser governado.

    Os resultados estão à vista. E ainda estamos muito longe do pior.

     

    O governo passou a ser uma máquina de propaganda do partido socialista, a administração pública transformou-se numa fábrica de mentiras usada pelo governo em cerimónias (quantas vezes várias para a mesma coisa) de apresentação disto e daquilo, quer houvesse ou não a intenção ou a possibilidade de fazer o que se anunciava. As finanças públicas passaram a ser alimentadas por impostos acrescidos e excessivos, as receitas usadas em reformas xoxas, em pagamentos a novas “entidades”, “autoridades”, “fundações”, numa loucura de disfarces para o aumento do número de  funcionários ao serviço do governo e do partido. As despesas mais violentas (olhem as estradas!) foram desorçamentadas para libertar as contas públicas de alcavalas e arranjar mais dinheiro para a propaganda. O famoso equilíbrio orçamental, baseado na mais hedionda falsidade, foi um fogacho que muito custou a muita gente, não ao governo. Os funcionários que usaram a liberdade que pensavam ter para criticar o governo foram castigados. Os empresários desalinhados sofreram as consequências da sua independência política. As empresas mais ou menos públicas passaram a servir o governo em vez dos interesses dos accionistas. A informação demasiado incómoda foi calada.

     

    Por estas razões e muitas mais, quando hoje se fala de “ingovernabilidade” está a falar-se de uma espécie de continuidade socialista.

    Só que, até às últimas eleições, o país não era governado porque o governo, sem desculpa, não governava. Agora, segundo diz o poder, não será governado porque o PS é bom e os outros são maus para ele, coitadinho.

     

    Quando o ministro das finanças, que tinha proclamado que o código contributivo não aumentava os impostos, veio dizer que, sem código contributivo, o estado ia perder uma data de milhões, declarou com todas as letras que o governo continua tão aldrabão como sempre foi. De onde vinham os milhões que o estado perdeu quando o código foi chumbado? Da árvore das patacas? Ou dos bolsos de cada um? Se não provinha de impostos, donde vinha?

    Mas o ministro das finanças disse mais. Que “assim não pode ser”, coisa que não pode ser interpretada de outra maneira senão como o abrir de uma porta para, ou o governo ou o ministro, se ir embora. Sendo a culpa, é evidente, de terceiros.

     

    Depois, foi o que se viu. Na senda das “intrigas”, das “fugas de informação”, das “cabalas”, das “perseguições”, das ”forças ocultas”, das “campanhas negras”, o governo encontra na sua própria vitimização a razão de ser de todos os males deste mundo. Se há ingovernabilidade, a culpa é da oposição. O governo, santa alma, está “aberto a negociar" com todos.

     

    Esta mentirosíssima vontade de abertura começou com a célebre ronda de audiências que o senhor Pinto de Sousa “concedeu” aos partidos políticos logo a seguir às eleições. Quando o senhor Pinto de Sousa se “oferece” para governar com o PC ou com o CDS, com o BE ou com o PSD, com a direita ou com a esquerda, ou com uma omeleta de direita com queijo de esquerda, ou vice versa, tanto faz, o que está o governo a dizer?

    Que, ou só tem trampa dentro da cabeça, ou está a gozar com o pagode ou – será o caso – a preparar desculpas de mau pagador para o que der e vier, coisa em que é conceituado especialista.

    O que jamais se poderá dizer com verdade é que o senhor Pinto de Sousa, ao fazer as tais reuniões, tinha qualquer objectivo de “governabilidade”. Aliás, ao mesmo tempo que as fazia, cá por fora a alcateia gritava que o governo tinha que governar com o programa do partido, não com os das oposições.

    Ou seja Pinto de Sousa e o PS nunca quiseram aliados, propunham-se contratar criados, subordinados, factota, que os ajudassem a cumprir o programa deles.

    Mais uma vez, o senhor Pinto de Sousa não se abriu a acordo nenhum, nunca o quis, o que fez foi chantagem com os outros, na esperança de, lançado o medo de uma crise política que ninguém quererá, continuar a (des)governar como até aqui.

     

    Os governos de coligação são o pão-nosso de cada dia na maioria dos estados da chamada Europa. Os noruegueses, os holandeses, os belgas, por exemplo, nem se lembram de algum governo de maioria absoluta de um só partido, ou nem sabem o que isso é. E, nos países citados como noutros, nem sequer há essa coisa extraordinária que é o semi-presidencialismo à portuguesa. São, felizmente para eles, Monarquias Constitucionais. Não têm um Messias em Belém para servir de bode expiatório em caso de necessidade. Os partidos sabem que virão a governar em coligação quer queiram quer não. Sabem que os seus programas serão condicionados pelos daqueles com que se coligam para governar. Sabem que não pode ser de outra maneira.

     

    Mas o senhor Pinto de Sousa não sabe nada que não seja ver-se ao espelho e achar-se uma tara. Não passa, no fim de contas, de um Quasimodo mental, um primitivo que nunca leu um livro nem fala francês. Só “inglês técnico”, e mal.

     

    Ser-lhe-ia fácil, facílimo, fazer duas ou três coligações com partidos com ideias e projectos democráticos: PS/CDS, PS/PSD, PS/PSD/CDS. Pelo menos com o CDS, que não tem, ou ainda não tem, pretensões de alternativa, bastava acertar algumas regras programáticas, cedendo, é certo em várias matérias. Mas o que é uma coligação senão isso mesmo?

     

    O senhor Pinto de Sousa não quer nada disso. Quer o poder todo. Todo. Como sabe que, assim, não vai lá, tratará de provocar eleições antecipadas enquanto o PSD não se reorganiza ou não ganha juízo, a fim de, em nome da governabilidade, ir buscar uma mão-cheia de votos à esquerda e outra ao PSD.

    Em alternativa, é evidente que o senhor Pinto de Sousa está à espera que o Presidente da República se meta ao barulho, ou seja, meta a pata na poça de tal maneira que desapareça, do mar da nossa vida política, o último escolho em que, frouxa e duvidosamente, ainda pode haver algum resquício de salvação para os náufragos que continuam a não querer pertencer à medonha família do socialismo.

     

    O resto é conversa.

     

    16.12.09

     

    António Borges de Carvalho

     

     

     
  • EMBUSTE

     

    O storyteller Tavares insurge-se, e com toda a razão, contra os diálogos surgidos na net e anunciados como transcrição das escutas das conversas particulares entre os senhores Pinto de Sousa e Vara. Na opinião do dito storyteller, trata-se de manobra de algum “chico-esperto” que, sob a capa do anonimato e dando largas às suas frustrações por não poder caluniar os senhores publicamente, prenhe de ódio contra as personalidades envolvidas fornece à opinião pública coisas falsas, para a confundir e para caluniar os rapazes. Daí a vigorosa reacção do storyteller. Pletórico de indignação, vitupera os anónimos autores da falsificação.

     

    O homem, diz-se e eu acredito, é um tipo inteligente. Tem a quem sair. É pena que, quando a cegueira política é muita ou muito bem provocada, as pessoas metam a inteligência na gaveta. Será o caso?

     

    Então não é que o conhecido opinioso acha que a falsificação se deve a inimigos dos amigos Pinto de Sousa e Vara?

    Então não é que acha que as bocas surgidas na net se destinam a confirmar as suspeitas da população?

    Então não vê que os diálogos foram fabricados com o intuito exactamente oposto?

    Então não vê que, para além de algum vernáculo destinado a excitar as massas, tudo aquilo não passa de uma lavagem das suspeitas?

    Que diabo! O leitor desprevenido não vai achar que, com uns palavrõezitos à mistura, a conversa fabricada diz precisamente o contrário do que anda por aí? Nem amigo Oliveira, nem influência de espécie nenhuma na história da Moura Guedes – tudo fabricação do Cebrian, que é uma besta e anda às turras com o Sapateiro – nem mentiras ao parlamento no caso PT, nem nada?

    Então não vê que, se as escutas fossem daquele teor, jamais juiz algum suspeitaria fosse do que fosse?

      

    Valha-nos Santa Quitéria! Será admissível que o “Expresso” dê honras de página impar inteira, naturalmente bem paga, a tamanho embuste, muito pior e muito mais grave do que as bojardas dos anónimos na net?

    Será possível acreditar que o storyteller tenha mesmo metido a inteligência na gaveta? Não será legítimo pensar que o fulano está mas é a satisfazer uma encomenda do senhor Pinto de Sousa ou do senhor Vara?

    Fica ao critério de quem me ler.

     

    13.13.09

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    PS. Exmº Senhor Tavares

          A propósito da sua diatribe docontra os bandidos que, a coberto do anonimato, se servem da net para fins impróprios, sou a informar que o IRRITADO está irritado mas não é nem jamais foi anónimo. Sempre assinou o que escreve. Na net como noutros suportes, “Expresso” incluído.

     

    ABC
  • NOSTRADAMUS DO SÉCULO XXI OU DA RESSURREIÇÃO DO BANDARRA

     

    Como toda a gente sabe, o senhor Al Gore, profeta da nova religião, decretou que a humanidade está, por culpa própria, a caminho de uma hecatombe universal. O concerto das Nações resolveu pagar a uns tipos para confirmar as profecias gorianas. Aterrorizando as massas com uma versão “científica” do apocalipse, vai-se pondo em marcha uma operação de financiamento de inúmeras actividades tendentes a aplacar a fúria do cosmos contra as malfeitorias humanas.

    Bem à maneira de Sodoma e Gomorra, na senda do dilúvio universal, mas sem valor simbólico, a religião goriana prevê para breve o cataclismo final. Isto, se os seus mandamentos não forem respeitados, quer dizer, não forem pagas pelas massas as massas que a nova “igreja” exige.

     

    Como toda a gente devia saber, por culpa dos equilíbrios e desequilíbrios cósmicos, a Terra vai acabar como tudo o mais: um dia deixará de existir, ou de existir como tal. Amanhã ou daqui a três mil pentaliões de anos-luz. Tanto faz. A humanidade é incompetente para prever tal fim, muito mais para o provocar, adiar ou aproximar. Mas o gorianismo, sedento de poder e de dinheiro, não tem a ver com isto. É um assunto de fé. Não confessado como tal, mas de fé na mesma. Não se discute.

      

    O nosso ilustre governo, como tantos outros apanhados nas malhas do novo pan-terrorismo místico-científico inspirado pelo senhor Gore – novo Nostradamus, genial Bandarra, emérito profeta – está preocupadíssimo com o assunto. Tratando-se de um país riquíssimo como o nosso, o governo prepara-se para dar à propaganda do senhor Gore a dízima que lhe é devida: trinta e seis milhões de euros, fora o que pingar em quotas de CO2.

     

    Não se sabe quanto tempo vai durar o gorianismo. Mas sabe-se que uns milhares de “fiéis” vão ficar ricos com a coisa. O senhor Gore, por seu lado, já está riquíssimo, mas ainda quer mais.

     

    As multidões, essas, são o que sempre foram. Sedentas de “causas” que as mobilizem, arranjaram a teima da “solidariedade com os pobres” para desculpar a crença nas crendices que lhes impingem. É evidente que os pobres só terão a perder com a pessegada das “culpas” de terceiros.

    Tratando-se de fé, que importam as evidências?

     

    13.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • NOTAS DE DOMINGO À TARDE

     

    BEM TRANSACCIONÁVEL

     

    Seguindo apelos do Presidente da República e de várias forças vivas da Nação, o governo prepara-se para exportar o Dr. Victor Constâncio, ao que parece, bem transaccionável* de alta valia. O ministro das finanças, feitas as contas aos milhões que o homem vai ganhar na estranja, aplicou-lhes um coeficiente de poupança realista e chegou à conclusão que, num mandato de três anos, a ilustre personalidade deverá repatriar pelo menos 84.722.897 euros. Mesmo descontando a isenção fiscal do BMW745I importado no fim do mandato, verifica-se que o Dr. Victor Constâncio continua a ser uma mais-valia para a nossa situação financeira, como já tinha sido na genial produção do orçamento putativo ao qual o senhor Pinto de Sousa deve cinco anos de poder, bem como na forma diligente e responsável como supervisionou a actividade bancária

     

    É de homens desta craveira que Portugal precisa.  

     

    *Neologismo recentemente inventado para exprimir o que gostaríamos de ter por cá.

     

     

    MEIAS VERDADES

     

    Na minha qualidade de crítico da senhora dona Maria José Nogueira Pinto, sinto-me autorizado a apresentar ao povo o meu veemente protesto contra a forma indecente como os media pegaram no caso do palhaço.

    É que não há português que não saiba que a senhora chamou palhaço a um tipo qualquer, deputado socialista. Mas a ninguém foi dado ser informado sobre o que o tal tipo disse que provocou a fúria da senhora.

    Conhecendo como conhecemos o estilo do senhor Pinto de Sousa, do senhor Santos Silva e de quejandos, pode legitimamente imaginar-se o estilo do seu apaniguado parlamentar. Assim, o mais provável é que a senhora, ao chamar palhaço à criatura, tenha pecado por defeito.  

    Assim não vale. Ou publicavam tudo ou não publicavam nada.

     

     

     

    LIMIANO ILHÉU

     

    Aí está. À semelhança do engº Guterres, o senhor Pinto de Sousa encontrou o seu queijo limiano para fazer passar o orçamento.

    A diferença é que o tipo do queijo não ganhou nada com a jogada e o Dr. Alberto João vai forrar 79 milhões.

    Tem a sua graça, não tem?

     

     

    DE NOVO, O GOULAG

     

    Depois do ilustre ex(?) comunista Vital Moreira ter avançado a tese do “negacionismo” para quem não acredita nas verdades “científicas” do aquecimento global e da sua origem humana, depois do deputado do partido comunista chamado BE Rui Tavares ter decretado que “não é lícito” ter opinião diferente da politicamente correcta, vem o senhor Daniel Oliveira, do mesmo partido, retomar a tese do criminoso “negacionismo” e lançar o anátema sobre os descrentes.

    Por outro lado, a dona Inês Pedrosa legisla no sentido de que as pessoas que não são a favor do “casamento” dos homossexuais deviam ser internadas num asilo psiquiátrico.

    Vêm o que está a acontecer?

    Se você duvidar do politicamente correcto veiculado por esta gente, pratica um acto “ilegítimo”. Se você “negar” a existência das verdades em que esta gente acredita, é um criminoso. Se você acha que isso de homens com homens e mulheres com mulheres não é casamento, esta gente manda-o o resto da vida para um hospital psiquiátrico, como nos doces tempos do camarada Estaline.  

    Vêm o que se passa?  

     

    ENERGIAS RENOVÁVEIS

     

    Parece que o admirável ímpeto do governo em matéria de aproveitamentos hidroeléctricos vai ser refreado pelo margaritifera margaritifera.

    Tal como o aquecimento global, a eventual extinção do margaritifera margaritifera ficará a dever-se à péssima qualidade moral do ser humano, apostado em dar cabo de preciosidades tais que o margaritifera margaritifera, desta vez mediante a construção de barragens, a extracção de inertes, a poluição e outras acções igualmente criminosas e ilegítimas.

    Assim, uma vez cientificamente determinado que o margaritifera margaritifera está presente no rio Beça, haverá que parar imediatamente a construção de uma barragem prevista para a zona. É preciso não esquecer que tal zona pertence, por direito próprio, ao margaritifera margaritifera.

    Ao que parece, surgiram por aí uns miseráveis a dizer que haveria que capturar o margaritifera margaritifera e recriar o seu habitat noutros locais, a fim de reproduzir a espécie e de poder proceder ao repovoamento do margaritifera margaritifera nos locais adequados para o margaritifera margaritifera.

    Nem pensar! – já disseram as autoridades aquáticas – esses gajos são os mesmos que queriam fazer um museu com os bonecos de Foz-Côa e continuar com a sua criminosa barragem, só por causa de umas dúzias de milhões de contos que já lá estavam gastos. Fascistas! O margaritifera margaritifera vencerá!

    Consta que o Green Peace vai mandar um vaso de guerra para o Rio Beça, a fim de evitar qualquer veleidade dos empreiteiros, conhecidos canalhas a soldo do imperialismo. Pode porém o Green Peace estar descansado e poupar os seus queridos milhões. Não vale a pena preocupar-se. O governo Pinto de Sousa, como o governo Guterres, são especialistas em deitar milhões ao lixo.

    Margaritifera margaritifera há só um, o do Beça e mais nenhum!

     

     

    13.12.09

     

    António Borges de Carvalho