IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


INGOVERNABILIDADE

 

 

 

Desde que Pinto de Sousa tomou posse pela primeira vez, o país deixou de ser governado.

Os resultados estão à vista. E ainda estamos muito longe do pior.

 

O governo passou a ser uma máquina de propaganda do partido socialista, a administração pública transformou-se numa fábrica de mentiras usada pelo governo em cerimónias (quantas vezes várias para a mesma coisa) de apresentação disto e daquilo, quer houvesse ou não a intenção ou a possibilidade de fazer o que se anunciava. As finanças públicas passaram a ser alimentadas por impostos acrescidos e excessivos, as receitas usadas em reformas xoxas, em pagamentos a novas “entidades”, “autoridades”, “fundações”, numa loucura de disfarces para o aumento do número de  funcionários ao serviço do governo e do partido. As despesas mais violentas (olhem as estradas!) foram desorçamentadas para libertar as contas públicas de alcavalas e arranjar mais dinheiro para a propaganda. O famoso equilíbrio orçamental, baseado na mais hedionda falsidade, foi um fogacho que muito custou a muita gente, não ao governo. Os funcionários que usaram a liberdade que pensavam ter para criticar o governo foram castigados. Os empresários desalinhados sofreram as consequências da sua independência política. As empresas mais ou menos públicas passaram a servir o governo em vez dos interesses dos accionistas. A informação demasiado incómoda foi calada.

 

Por estas razões e muitas mais, quando hoje se fala de “ingovernabilidade” está a falar-se de uma espécie de continuidade socialista.

Só que, até às últimas eleições, o país não era governado porque o governo, sem desculpa, não governava. Agora, segundo diz o poder, não será governado porque o PS é bom e os outros são maus para ele, coitadinho.

 

Quando o ministro das finanças, que tinha proclamado que o código contributivo não aumentava os impostos, veio dizer que, sem código contributivo, o estado ia perder uma data de milhões, declarou com todas as letras que o governo continua tão aldrabão como sempre foi. De onde vinham os milhões que o estado perdeu quando o código foi chumbado? Da árvore das patacas? Ou dos bolsos de cada um? Se não provinha de impostos, donde vinha?

Mas o ministro das finanças disse mais. Que “assim não pode ser”, coisa que não pode ser interpretada de outra maneira senão como o abrir de uma porta para, ou o governo ou o ministro, se ir embora. Sendo a culpa, é evidente, de terceiros.

 

Depois, foi o que se viu. Na senda das “intrigas”, das “fugas de informação”, das “cabalas”, das “perseguições”, das ”forças ocultas”, das “campanhas negras”, o governo encontra na sua própria vitimização a razão de ser de todos os males deste mundo. Se há ingovernabilidade, a culpa é da oposição. O governo, santa alma, está “aberto a negociar" com todos.

 

Esta mentirosíssima vontade de abertura começou com a célebre ronda de audiências que o senhor Pinto de Sousa “concedeu” aos partidos políticos logo a seguir às eleições. Quando o senhor Pinto de Sousa se “oferece” para governar com o PC ou com o CDS, com o BE ou com o PSD, com a direita ou com a esquerda, ou com uma omeleta de direita com queijo de esquerda, ou vice versa, tanto faz, o que está o governo a dizer?

Que, ou só tem trampa dentro da cabeça, ou está a gozar com o pagode ou – será o caso – a preparar desculpas de mau pagador para o que der e vier, coisa em que é conceituado especialista.

O que jamais se poderá dizer com verdade é que o senhor Pinto de Sousa, ao fazer as tais reuniões, tinha qualquer objectivo de “governabilidade”. Aliás, ao mesmo tempo que as fazia, cá por fora a alcateia gritava que o governo tinha que governar com o programa do partido, não com os das oposições.

Ou seja Pinto de Sousa e o PS nunca quiseram aliados, propunham-se contratar criados, subordinados, factota, que os ajudassem a cumprir o programa deles.

Mais uma vez, o senhor Pinto de Sousa não se abriu a acordo nenhum, nunca o quis, o que fez foi chantagem com os outros, na esperança de, lançado o medo de uma crise política que ninguém quererá, continuar a (des)governar como até aqui.

 

Os governos de coligação são o pão-nosso de cada dia na maioria dos estados da chamada Europa. Os noruegueses, os holandeses, os belgas, por exemplo, nem se lembram de algum governo de maioria absoluta de um só partido, ou nem sabem o que isso é. E, nos países citados como noutros, nem sequer há essa coisa extraordinária que é o semi-presidencialismo à portuguesa. São, felizmente para eles, Monarquias Constitucionais. Não têm um Messias em Belém para servir de bode expiatório em caso de necessidade. Os partidos sabem que virão a governar em coligação quer queiram quer não. Sabem que os seus programas serão condicionados pelos daqueles com que se coligam para governar. Sabem que não pode ser de outra maneira.

 

Mas o senhor Pinto de Sousa não sabe nada que não seja ver-se ao espelho e achar-se uma tara. Não passa, no fim de contas, de um Quasimodo mental, um primitivo que nunca leu um livro nem fala francês. Só “inglês técnico”, e mal.

 

Ser-lhe-ia fácil, facílimo, fazer duas ou três coligações com partidos com ideias e projectos democráticos: PS/CDS, PS/PSD, PS/PSD/CDS. Pelo menos com o CDS, que não tem, ou ainda não tem, pretensões de alternativa, bastava acertar algumas regras programáticas, cedendo, é certo em várias matérias. Mas o que é uma coligação senão isso mesmo?

 

O senhor Pinto de Sousa não quer nada disso. Quer o poder todo. Todo. Como sabe que, assim, não vai lá, tratará de provocar eleições antecipadas enquanto o PSD não se reorganiza ou não ganha juízo, a fim de, em nome da governabilidade, ir buscar uma mão-cheia de votos à esquerda e outra ao PSD.

Em alternativa, é evidente que o senhor Pinto de Sousa está à espera que o Presidente da República se meta ao barulho, ou seja, meta a pata na poça de tal maneira que desapareça, do mar da nossa vida política, o último escolho em que, frouxa e duvidosamente, ainda pode haver algum resquício de salvação para os náufragos que continuam a não querer pertencer à medonha família do socialismo.

 

O resto é conversa.

 

16.12.09

 

António Borges de Carvalho

 

 

 


5 respostas a “INGOVERNABILIDADE”

  1. Avatar de Carlos Monteiro de Sousa
    Carlos Monteiro de Sousa

    Meu caro Irritado.boa noite.!Que grande texto!Como me aprazia escrever semelhante coisa!Caro Irritado,infelizmente (para mim) só me socorro do que escreveu o poeta : “Modelo meu tu és,mas oh certeza/Se te imito nos transes da ventura/Não te imito nos dons da natureza”!Não posso continuar.Um abraço,meu amigoCarlos Monteiro de Sousa

    1. Muito obrigado. Não mereço tanto.

  2. Avatar de manueldebraganca@yahoo.com
    manueldebraganca@yahoo.com

    Tudo verdades como punhos. Ia lendo o texto e pensava porque é que quase ninguém diz o que este primeiro-ministro verdadeiramente é e que resume tudo: um primário que não percebe nada de nada. Até ver a sua descrição do Quasimodo mental, um primitivo. É uma característica tão patente nele que me admiro tão raramente lhe seja apontada. Nisso (e em outros pontos) o seu texto é deveras invulgar.Oiço as patacoadas que o home de Vilar de Maçada solta na assembleia e surpreendo-me sempre no dia seguinte com o coro d os telejornais (e, sim, alguns amigos meus!) dizendo que “esteve muito bem”.É um feirante que não percebe de todo em todo o que é uma cimeira (a cena da venda do Magalhães, que passa no youtube é simplesmente confrangedora), não alcança o que é um orçamento (de tal modo o viraram e reviraram que hoje é uma coisa qualquer que se muda ao sabor das conveniências do momento, e até o nome lhe mudam), o que é a lei (o caso de ter fumado no avião, depois da saída da lei, e julgar que prometendo que ia deixar de fumar – é bem patente da inconsciência do cavalheiro).O homem do Eurojust a tentar coagir juízes revolta qualquer pessoa que queira acreditar na justiça. É gente deste jaez que comanda e decide.Já não posso ver o procurador geral, com cara-de-páscoa, a meter os pés pelas mãos, semana após semana, todos — nós e ele — a sabermos que mente descaradamente. Os socialistas sempre foram “dissolventes”, dando cabo de tudo por onde passam. Sócrates estragou por muitos anos o prestígio de que um goveno se deve rodear, para ter autoridade.É um conceito que este laparuço não alcança.

  3. Excelente e parabéns pelo texto.Espero que não apareça por aqui nenhum teceleiro, a descrever barbaridades ao serviço do sr Zé do Burro.Com um abraçoSou o Francisco Luiz

  4. Ja por varias vezes manifestei o meu total apoio aos seus comentarios. Aqui esta mais um excelente artigo.Gostaria de deixar aqui uma observacao: O Parlamento Canadiano e composto por 308 MP’S. Nas eleicoes de Outubro de 2008 os resultados foram os seguintes: CONSERVADORES 145 LIBERAIS 77 SOCIALISTAS (NDP) 37 BLOQ QUEBECOIS 48 INDEPENDENTS 1Existe um Governo minoritario em funcoes que trabalha full throtlle. Nunca se ouviu o Primeiro Ministro, Stephen Harper, lamentar-se por ter a minoria parlamentar. Warm wishes of a Merry Christmas and a Happy New Year.

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