IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DA DITADURA GLOBAL

     

    Vivemos os dias mais histéricos da moderna história da humanidade. Passados que são uns vinte anos de terror ecológico, a coisa estoira na Dinamarca, num fogo de artifício de ameaças e de pavor.

     

    A histeria politicamente correcta faz girar milhares de desgraçados e de vândalos que repescam, ignorantes e revoltados, as velhas teorias para-religiosas do fim do mundo, agora com pretextos “científicos”. Giram as boas almas, correctíssimas, que, mamando nos universais orçamentos, viajam, comem e bebem pelo mundo fora com a admirável desculpa de estar “a salvar a terra”. Giram “cientistas” pagos pela loucura universal da ONU para chegar a determinadas conclusões, mesmo que para isso tenham que manipular os próprios dados que inventaram. Giram governos à procura de mais impostos, que cobrarão para autorizar emissões de CO2. Giram “empresários” e “financeiros” a fazer contas às massas que vão encaixar nas compras e vendas dos direitos de emitir. Giram papalvos aos milhões, convencidos pela propaganda universal da universal catástrofe.

    Gira tudo minha gente.

    A Terra, essa, continua a girar, indiferente às aldrabices da humanidade.

       

    Como é possível?

    Como é possível que as rectas intenções de tanta gente que, a partir de meados do século XX, começou a preocupar-se com o ambiente, tenham dado nisto? Como é que inquietações tão genuínas como as que se levantaram sobre a preservação da diversidade genética, a conservação das espécies, a qualidade dos agentes ambientais – ar, água, solo, subsolo – tenham dado nisto? Como é que as multidões de oportunistas, de falsos ou bem pagos cientistas, de divulgadores de desgraças, de agentes económicos, de escritores e jornalistas, de políticos, de professores, de revoltados, de analfabetos, de díscolos, se uniram para aterrorizar a humanidade inteira, ainda por cima com o chantagista e falsíssimo argumento da “solidariedade” com os mais fracos arvorada em “objectivo global”.

     

    Quem ainda se preocupa com a vida dos ursos polares sabe que a espécie está cheia de saúde, que o derreter dos gelos lhe facilita a alimentação e que por isso… cada vez há mais ursos!

    Mas a onda correcta apregoa que não. O derreter dos gelos vai matá-los a todos!

     

    Quem ainda tem alguma noção do que pode ocasionar a liquefacção das calotas polares, sabe que ela nada ou quase nada tem a ver com a subida da temperatura do ar, mas com alterações das correntes marítimas, eventualmente devidas à conhecida mudança do ângulo do eixo da terra.

    Cais quê! É o CO2, é a humanidade que, formada por autênticos assassinos, enche a atmosfera de um produto que a faz aquecer!

     

    Quem leu meia dúzia de artigos decentes sabe que, na Terra, a temperatura já subiu e já desceu vezes sem conta, e em altas proporções, sem que emissões humanas de CO2, ou indústria, ou até humanidade.

    Nem pensar! É a humanidade, o capitalismo, o desenvolvimento, a criação de riqueza o que “destrói” o planeta!

     

    Quem se debruçou sobre os gráficos existentes (desde há bem pouco tempo…) das temperaturas do globo sabe que ninguém pode afirmar com rigor que a Terra está a aquecer, muito menos que está a aquecer de maneira catastrófica.

    Idiotas. O politicamente correcto manda acreditar que a Terra aquece, e de tal maneira que, daqui a um século ou coisa que o valha, a humanidade terá desaparecido!

     

    Quem, com honestidade, vê que, apesar dos gelos derretidos, o nível dos mares não subiu, acha que as preocupações da humanidade a este respeito são fruto de modelos matemáticos onde cada um introduz as premissas que entende e os factores de risco que inventa, e não de qualquer experiência concreta.

    Gente estúpida, que não interioriza os dados “irrefutáveis” do painel de cientistas da ONU!

     

    Quem, de sangue frio, vê na diminuição dos gelos polares a abertura de canais de navegação, a criação de novas oportunidades de progresso, de energia e de sustentabilidade, pensa que a humanidade, se algo perder com isso, muito mais ganhará.

    Trapalhões! Então não vêm que a evolução do planeta só trará catástrofes e que a culpa é da humanidade, uma vez que, se não fosse a humanidade, o planeta ficava como está per omnia secula seculorum?

     

    Quem acredita que a evolução do planeta se deve a razões cósmicas contra ou a favor das quais o homem nada pode fazer, acha que proteger os nossos bens naturais, muito bem, conservar a diversidade ainda melhor, limpar a atmosfera das nossas cidades, óptimo, encontrar novas formas de agricultura, mais produtivas e mais baratas, sensacional, encontrar e explorar novas formas de energia, de acordo…

    Que ideia! O que essa gente quer é atirar areia para os olhos dos demais, distraí-los da hecatombe universal que aí vem, dar cabo da agricultura através dos transgénicos, ignorar que, ou entramos na onda do “domínio” das alterações climáticas e da histeria global, ou estamos condenados à fome à extinção.

     

    O problema da histeria do “aquecimento” global e das alterações climáticas tem a ver com a extinção, sim, da humanidade, mas através da extinção da Liberdade humana. Dois exemplos cá do sítio:

    – O ilustre deputado europeu do PS, o (ex?) comunista Vital Moreira ameaça as massas dizendo claramente que não é lícito alimentar dúvidas sobre a gravidade do aquecimento climático, nem sobre a sua origem humana. E mais diz que há uma corrente negacionista, felizmente, para ele, minoritária;

    – O não tão ilustre deputado europeu comunista do BE, um tal Tavares, por seu lado, declara que quem for minimamente sério acredita na catástrofe, o que quer dizer que quem não acredita na coisa é, pelo menos, desonesto.

       

    Aqui temos o verdadeiro espírito do politicamente correcto. Não é lícito pensar de outra forma, quem o fizer é negacionista, leia-se criminoso, que é o que a palavra quer dizer. Além disso, não é sério, nem honesto, o melhor é pô-lo na prisão.

     

    Vêm o espírito da coisa? Se o Vital e o Tavares mandassem – quem diz que não virão a mandar? – passávamos a só poder ter pensamentos “lícitos”, sendo lícito o que eles acham que é lícito, a não poder ser “negacionistas”, sendo negacionista quem como eles não pensar, e a não ser sérios, porque os critérios de seriedade são os deles.

     

    A não ser que esta onda, como a do “buraco do ozono” (por causa dos frigoríficos e das lacas para o cabelo…), venha a desfazer-se na areia, e o mundo a ganhar algum juízo. Será possível?

     

    9.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • OBRAS SOCIAIS DA ESQUERDA

     

    Aqui há tempos, a rapaziada social comunista que, pelo menos em matéria de costumes, segue fielmente os ensinamentos do arcebispo Louça, embandeirou em arco com a magnífica ideia de “facilitar o divórcio”. No parecer da distinta cáfila, bastava o Adilson Nelsone declarar que já não queria mais a Tânia Vanessa, ou a Tânia Vanessa oficializar a feliz circunstância de já não poder mais com o Adilson Nelsone, para, pimba!, o divórcio ficar consumado sem mais formalidades. Ninguém pode ser obrigado a viver com quem chateia, e ponto final.

    Genial.

     

    À altura, uns bandos de reaccionários que ainda não foram eliminados pelo devir histórico desataram a protestar, que ia ser uma bagunça, que ia dar mau resultado, que ia haver um exponencial aumento da conflitualidade, que se estava a esquecer os problemas dos filhos e as questões patrimoniais, e por aí fora, num nunca acabar de incompreensão pelas “novas realidades sociais”, pelo “novo conceito de família"(!?), pela “natureza do amor”(!?) e pelos “avanços civilizacionais” de que o Bloco de esquerda é privilegiado arauto e os demais membros da tribo coerentes compagnons de route.

     

    Passado um ano e picos, aí está o resultado da genialidade da esquerda. Os tribunais estão a abarrotar de processos motivados por divórcios, ninguém se entende, os litígios são mais, mais frequentes e mais graves, etc.. Em resumo, tudo ao contrário do que diziam as “luzes”.

    A atrasada sociedade em que vivemos marimbou na “nova moral”, certamente republicana, e continuou, apesar de divorciada, a preocupar-se com os filhos e com o carcanhol.

    Ou seja, não soube agradecer o que a esquerda tinha feito por ela. Que gente!

     

    6.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • FIM AOS PANOS QUENTES!

     

    Andam as hostes indignadas com o comportamento do Pinto de Sousa e da dona Manuela no Parlamento. Dizem que assim não vamos lá. Que é preciso “estabilidade”, que os problemas que o país enfrenta são de tal ordem que é necessário abater bandeiras e dar à Nação a paz política indispensável para se sair da tremenda pessegada em que fomos metidos.

    Por estas ordens de razão, as almas não percebem nem aceitam que a dona Manuela e o Pinto de Sousa percam tempo a insultar-se.

     

    Postas as coisas nestes termos, as almas teriam toda a razão se estivéssemos numa situação normal, num país normal. Mas estamos em Portugal.

    O primeiro-ministro é incapaz de responder seja a que pergunta for da chefe da oposição, isto é, responder responde, mas alhos contra bugalhos, insultos, provocações e ordinarices. O primeiro-ministro não tem um mínimo de condições pessoais para o ser, não tem, nem merece, um mínimo de credibilidade, bem pelo contrário. Por outro lado, foi sob a sua batuta que a desgraça foi criada. Nada, absolutamente nada, indica que tenha ou possa vir a ter talento para inverter as tendências actuais.

    Por tudo isto, muito bem faz a dona Manuela quando o põe perante as suas malfeitorias, pessoais e políticas, as suas mentiras, as suas manifestações de desprezo pelos demais. Muito mal faz a dona Manuela em não ter começado há muito mais tempo a descobrir-lhe a careca, não ter, há muito tempo começado a exigir o resto da cabeça, todos os dias e cada dia com mais força.

     

    O Partido Socialista, o Presidente da República, os órgãos de informação, se querem prestar algum serviço ao país, têm que perceber que, com este primeiro-ministro não há solução para nada. O fulano, como homem, não presta, só nos desonra e envergonha. Como político, é um demagogo, um vendedor de banha da cobra, um ignorante e um provinciano dos maus.

    Tudo, a seu respeito, está politicamente provado: ineficácia, incapacidade para estimular a economia ou para libertar a sociedade das garras do Estado, total falhanço na redução da despesa pública, ausência absoluta de credibilidade pessoal, envolvimento contumaz nas mais variadas “histórias”, parlapatice infrene, desrespeito por tudo e por todos.

    Não interessa se cometeu crimes ou não cometeu crimes. Não é disso que se trata, não judicializemos a política. O caso Pinto de Sousa é um caso de brutal e indiscutível falhanço político, de brutal e indiscutível falta de merecimento pessoal para o cargo, tudo à vista de todos, tudo, aliás, provado em eleições.

     

    Não é a todos que cabe tirar disto as indispensáveis consequências políticas. Há órgãos para isso.

    Antes de mais, se ao partido socialista ainda restar alguma dignidade, deve ser ele próprio a pedir a demissão de Pinto de Sousa e a nomear um substituto que possa provocar a tal estabilidade e a tal governabilidade que todos parecem querer.

    Depois, cabe ao Presidente da República tomar as atitudes que, apesar de tudo, o seu cargo admite, sem para tal necessitar de recorrer ao golpe de estada, como, sem sombra de razão mas com o seu estúpido apoio, fez o seu antecessor.  

    Cabe à “informação” dizer a verdade aos portugueses.

    E cabe à oposição, saneada que seja a chefia do governo, abater bandeiras e tratar de nos salvar.

     

    Mais panos quentes é que não.

     

    6.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • UMA ALEGRIA

     

    Em mais uma manifestação de indiscutível sagacidade política, uma manada de tristes apoiantes do senhor Alegre, jeitoso poeta, organizaram uma jantarada para promover nova candidatura do prendado rapaz à Presidência da República.

    O Alegre fez-se caro, como compete. Que anda a pensar, a considerar, a consultar a sua consciência. Por outro lado, aproveitou para mandar “um telegrama” ao camarada Pinto de Sousa, informando-o que se está nas tintas, como da outra vez, para o apoio do PS. Pinto de Sousa, que anda para aí a espernear a ver se se safa de mais uma, não se mostrou interessado em responder ao telegrama. Mandou o absurdo Pereira dizer que era cedo.

     

    Enfim, pode ser que se embrulhem outra vez. O que, para o futuro da Pátria, se é que a Pátria tem futuro, não é mau de todo. Sobretudo se o Gama e o Cavaco deixarem de meter o pé na argola com tanta frequência.

     

    6.12.09  

     

    António Borges de Carvalho
  • O PROBLEMA

     

    O articulista Pedro Lomba, que o IRRITADO muito aprecia, vem a lume com uma proposta séria, mas inútil.

    Refere o dito que, perante as mentiras do primeiro-ministro acerca do negócio PT/TVI, bem como com o que foi revelado e não desmentido do que disse nas escutas a Armando Vara, a única solução capaz de vir a satisfazer a legítima necessidade de esclarecimento público é uma comissão parlamentar de inquérito que esmiúce o que foi, efectivamente, dito pelo PM, e qual a real importância das suas já provadas mentiras ao Parlamento e à Nação. Na opinião de Pedro Lomba, uma comissão parlamentar pode obter, compulsivamente, a documentação que tem vindo a ser negada ao público, isto é, o teor do despacho que iliba o PM da presunção de crime, ou crimes, feita pelos juízes de Aveiro, bem como as partes das escutas que motivaram tal presunção. Argumenta o articulista, com carradas de razão, que, afastada que está a hipótese criminal, fica a questão política, e que esta não pode deixar de ser publicamente dirimida.

     

    Se vivêssemos num país normal, seria este o caminho. Mas não vivemos. Estamos em Portugal, infeliz terrinha onde o primeiro-ministro tem o dom de passar entre os pingos de chuva sem se molhar, e mesmo o de ficar seco debaixo de uma cascata. Está provado à saciedade que o primeiro-ministro mente com contumácia, e que está, de uma forma ou outra, envolvido em inúmeras trapalhadas que a Justiça diz investigar e que os tribunais dizem julgar. De tudo se tem esquivado, resumindo-se a sua “defesa” à invenção de “campanhas negras”, de “poderes ocultos” que o perseguem, coitadinho. Nada de substancial que o safasse foi dito à Nação pelo PM. Nada. Os seus sequazes desdobram as campanhas negras em “espionagem política”, ou tentam virar o bico ao prego e atirar poeira para os olhos de cada um assacando culpas – de quê? – à oposição.

    A verdade é que o PM tem vindo a triunfar sucessivamente, sem que a tal oposição exija, como devia, a sua demissão e regresso aos queridos projectinhos lá das Beiras.

    Por outro lado, também é insofismávelmente verdadeiro que, se o PM não disse aquilo que os juízes de Aveiro dizem que disse, então seria do seu mais evidente interesse que as suas afirmações ao telefone fossem do conhecimento público. Quem não deve não teme. O simples facto de o PM se opor com unhas e dentes a que tais coisas venham a lume quer, evidentemente, dizer que, a tal respeito, tem telhados de vidro. O povo tem direito a ser governado por quem não tenha telhados de vidro, muito menos a colossal quantidade de tais telhados exibida desde sempre pelo PM.

    Por isso, não há que indagar mais. Se o PM não quer que as suas conversas sobre a TVI, sobre o “amigo Oliveira” e sobre mais não sei quê, sejam conhecidas, isso equivale à “validação política” das escutas. Só lhe resta uma solução politicamente aceitável: ir-se embora.

     

    Uma comissão parlamentar de inquérito será uma maneira de andar mais uns largos tempos a encanar a perna à rã e de continuar a paz podre em que vivemos, com gravíssimas consequências para o nosso futuro. Não há “estabilidade”, nem “governabilidade”, muito menos “transparência”, quando o primeiro-ministro anda a esconder à Nação o que a Nação tem o sagrado direito de saber.

    Por tudo isto, a proposta de Pedro Lomba, por séria que seja, não serve para nada. O que poderia servir para alguma coisa seria que a oposição se unisse para correr com o homem usando os meios constitucionais à sua disposição, já que, neste momento, parece que o Presidente nada pode fazer. Não é preciso ir para eleições. O PS, para nossa desgraça, é certo, mas uma desgraça mais digna, pode nomear outro primeiro-ministro. Até pode ser que tenha nas suas hostes alguém com menos rabos de palha, menos telhados de vidro e menos esqueletos no armário. Alguém que possa ser parte da solução e não parte e fonte do problema. Mais propriamente, o PP é  o problema. Se o problema não se resolver, nada se resolverá.

     

    Num momento em que o próprio FMI vem, em socorro dos portugueses, sugerir que com este PM não vamos a parte nenhuma, o que tolhe as oposições? De que estão à espera?

     

    2.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SOCIALISMO PACÓVIO

     

    Pedro Ribeiro da Cunha, engenheiro dos a sério, gestor com carreira brilhante na área privada, foi nomeado pelo governo Presidente da Investfar, entidade detentora de uma das marcas portuguesas mais prestigiadas e internacionalizadas. Dir-se-ia que tal nomeação merecia aplauso, uma vez que se recrutava um homem que nada tinha a ver com a política nem vinha da colecção de gestores públicos que, desde as nacionalizações, tem vindo a gerir os tristes destinos das empresas que ficaram, ou caíram, nas mãos do Estado.

    Pedro Ribeiro da Cunha, que não precisava do “tacho” para nada, aceitou o desafio e impôs a si mesmo a tarefa de tentar salvar a empresa.

    Foi tentando o que lhe era possível. Mas, como a solução do problema dependia do Estado e como o Estado (um secretário de estado qualquer) não lhe ligava bóia, Pedro Ribeiro da Cunha demitiu-se. O tal secretário de estado nunca se deu ao trabalho de falar com ele, tendo-se dedicado a conversações várias com a presidente do sindicato do calçado.

    Sendo sabido que a maioria dos sindicatos dependem da CGTP e que a CGTP depende do PC, como é possível que o governo ande a negociar com os sindicatos, marginalizando a gestão? Não sabe que, para o PC, quanto pior melhor? Quer ouvir quem propõe as soluções ou quem quer arranjar mais problemas?

     

    Espero que o Engº Ribeiro da Cunha não caia noutra. Com esta gente, nada!

     

    2.12.09

     

    António Borges de Carvalho
  • ENTREGUES À BICHARADA

     

    Como se sabe, o Costa ganhou as eleições em Lisboa porque foi buscar a malta, tão bem pensante como nefelibata, da Roseta.

    Malta que começa a dar um ar da sua graça.

     

    O professor Nunes da Silva proclama que vai começar por fazer com que as reclamações dos munícipes sejam respondidas "no mais curto espaço de tempo". Como apresentei uma reclamação há uns três meses, e a renovei insistentemente, fico com a noção clara do que é “o mais curto espaço de tempo” na cabeça do grande vereador Nunes da Silva. 

    O homem está preocupado com o Bairro da Liberdade. A este respeito, a primeira grande obra da nova Câmara foi dizer que se trata de um problema de protecção civil, de um problema social, e de uma questão urbanística e de alojamento. Feita esta magnífica descoberta, o senhor vereador chega à genial conclusão de que é preciso fazer umas demolições. Outra coisa que era capaz de escapar ao bestunto do respeitável público.

    Ligado com esta questão, sabe Deus como e porquê, há, diz ele, o problema das saídas das escolas, que são uma chatice porque “o tráfego pára”. Não, meus senhores, o que é preciso não é proteger a saída das criancinhas, é arranjar maneira de as estúpidas criaturas não chatearem os passantes só porque, alarves, querem sair da escola. Como se resolve o problema? “Criando alternativas”, que “estão a ser estudadas”. Até há, imagine-se, alternativas “que já estão definidas”. Quais, como? Não se sabe. O que se sabe é que quem não se revelar tão alternativo como o ilustre vereador deseja, será objecto da maior “intransigência”. Cuidado, pessoal!

    Depois, somos premiados com a revelação, de alto conteúdo político, de que o Costa “falhou”, leia-se não cumpriu, a promessa de acabar com o estacionamento em segunda fila. Na sua qualidade de vítima do estacionamento em segunda fila, o IRRITADO acrescenta que o Costa não só faltou à promessa como agravou brutalmente o problema fazendo as mais inacreditáveis asneiras a tal respeito. De qualquer maneira, é giro ver como os rosetistas vão criando argumentos para, quando acharem conveniente, dar com os pés ao Costa. Para o nosso vereador, mais uma vez, é preciso “criar alternativas”. Depois, aplicar “policiamento a cem por cento”. Cuidado, pessoal! Como a criação de alternativas, evidentemente, vai ser um programa de longo prazo, ficamos a saber que tudo vai ficar na mesma, ou pior. A EMEL continuará a proteger as segundas filas e a multar, imobilizar e rebocar as primeiras, os polícias continuarão à caça dos tipos que não pagaram o imposto enquanto as segundas filas vicejam debaixo do nariz deles. O sistema de repressão continuará a ser tão vilmente estúpido como é hoje, ou seja, vamos de mal a pior.

    No seguimento da já referida intransigência, o nosso homem, após tomar medidas que melhorem a circulação, vai “ensinar as pessoas” a utilizar “os eixos”, isto servido por “uma política de controlo absoluto de fiscalização”. Presumindo-se que o que o fulano quer dizer não é fiscalizar o controlo mas fiscalizar absolutamente as pessoas, ficamos a saber o que nos espera, em matéria de estupidez, falta de critério e de abusos da polícia. Cuidado, pessoal! O que vale é que isso de pôr os “eixos” nos eixos é tarefa a que os nossos netos talvez venham a assistir quando o Dr. Santana Lopes, ou equivalente, voltar ao poder.

    Em mais uma manifestação de repugnância pelo homem que lhe deu o lugarzinho, o professor acha que “o projecto em execução (na CRIL) é um verdadeiro crime”. E diz porquê. Se assim é, o criminoso, entre outros, é o Costa. Então o nosso professor colabora com criminosos, como o Costa? O vereador, impoluto rosetista que, de braço dado com essa flor do entulho que se chama Sá Fernandes, já “pediu uma audiência ao presidente das Estradas de Portugal” para “lhe manifestarmos (sic) a nossa mais viva oposição e repúdio por aquilo que está a acontecer”. Bonito. Então, se o que está em construção, bom ou mau, já o estava na altura das eleições, por alma de quem alinhou o professor com o Costa nas eleições? Para lhe vir chamar criminoso logo a seguir? Para, sendo parceiro político de um criminoso, tratar de salvar a face perante os enganados rosetistas? Sabe-se lá.

    Seguidamente, vem a tirada estatista/colectivista. As câmaras precedentes, com certeza a começar pela social-comunista do camarada Soares, fizeram contratos com uns horríveis privados para a construção de parques de estacionamento. “É preciso acabar com isto!”, acha o distinto engenheiro. Como? Fazendo a câmara os parques. Não mais permitindo que uns vis privados se locupletem com o subsolo da cidade e com as moedas dos cidadãos. Aliás, quando as concessões chegarem ao fim, vai tudo para a rua, garante o vereador. Muito bem. Esta promessa só será possível, avisa o IRRITADO, se não aparecerem o camarada Coelho e o Costa a prolongar as concessões por mais duzentos anos, como fizeram com os contentores. Coisa que o nosso vereador gostosamente engoliu a troco do pelouro.

    Bom, a Câmara vai construir “vários milhares de lugares para os residentes”. Maravilha! E vai construí-los “em estrutura”, diz o homem. Quer dizer, vão ser subterrâneos. Nada mais barato, nem mais socialista/rosetista, já que Santana Lopes os queria construir à superfície. O homem diz que há dinheiro para tudo, “desde que o estacionamento não seja encarado como um negócio”… do qual “há empresas que beneficiam imenso”. O brilhantismo deste pensamento ultrapassa a capacidade de comentário do IRRITADO. De qualquer maneira, a conclusão não pode deixar de ser que a Câmara se vai endividar mais para construir a coisa (se é que vai construir seja o que for), e depois, como não quer que haja “negócio”, vai arranjar mais um colossal buraco. Aliás, com o mesmo brilhantismo, este objectivo foi conseguido com a soviética EMEL. A acrescer a isto, o senhor advoga que os estacionamentos que a Câmara construir vão ser, “ou muito baratos ou gratuitos”, o que aprofunda exponencialmente o buraco. “Há um grupo”, diz o vereador, “que controla, directa ou indirectamente, 70% do estacionamento pago em Lisboa. E isto “é um perigo”. Que perigo? O da criação de um monopólio. Quem o criou, se é que existe? Se o ilustre senhor pensasse nisto duas vezes, se calhar continha-se.  

    O vereador acha que o Metropolitano, a Carris, etc., deviam ser empresas municipais, o que quer dizer que os cósmicos buracos dessas organizações em vez de ser imputados ao Estado passavam a sê-lo à autarquia. Pois. O senhor vereador, em vez de exigir que a Câmara seja tida e achada nas opções de transportes, quer a propriedade dos ditos. Uma vez tapados os buracos com o dinheiro dos impostos, assevera. Não antes. Notável. Quem os criou que os tape, diz ele. Donde se pode concluir que fomos nós que os criámos. Ao contrário das empresas estatais, as municipais não dariam “jobs for the boys”, diz ele. Wishfull thinking, diz o IRRITADO.

    O senhor é contra a extensão do metropolitano para fora de Lisboa. Trata-se, na sua opinião, de uma fonte de especulação imobiliária. Quer dizer, o homem deve ter descoberto opções para estes transportes, opções que não refere mas que são tais que não proporcionarão qualquer incremento da construção ao longo das suas linhas. O que, garantidamente, quer dizer que o nosso engernheiro descobriu a pólvora sem fumo.

    E muito mais haveria a dizer, se o IRRITADO não estivesse já cansado, e irritado, com estas patacoadas todas.

    Concluamos então, dizendo que estamos entregues à bicharada.

     

    30.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • EXPRESSIVA RESENHA, DE A a Z

     

    Olho para o suplemento de economia do “Expresso”, grande especialista em recados, que vem cheio de sérios motivos de reflexão. Demos uma rápida olhadela aos títulos.

     

    Primeira página:

    a)   Até ao fim do ano a CGD vai juntar mais 500 milhões aos 3.500 que já emprestou ao BPN;

    b)   Fuga de capitais atinge recorde este ano;

    c)   Agricultores têm razão de queixa*;

    d)   ZON vai receber capital angolano;

    e)   Orçamento confirmativo

     

    Páginas 2 e 3:

    f)    Não estou aqui para enganar ninguém*;

     

    Página 4:

    Publicidade

     

    Página 5:

    g) Vamos ao pote de mel?

    h) INOV CONTACTO ou algo a correr bem;

     

    Página 6:

    i)TAP: prejuízo passa €60 Milhões;

    j)     Mota Engil ameaça;

    l) Denunciar caloteiros;

    m) Cheques carecas;

    n) Recambiar os sogros para o hotel;

     

    Página 7:

    o) Para onde vai a economia?;

     

    Página 8:

    p) CGD põe mais 500 milhões no BPN (cont.);

    q) Manual de esquemas em 427 páginas;

     

    Página 9

    r) Angolanos vão entrar na ZON (cont.);

     

    Página 10

    s) Ministério Público dá gás ao caso BPP;

     

    Página 11:

    t) Fuga recorde para offshores (cont.);

     

    Página 14:

    u) Não se podem(sic!) perder 1.490 milhões**;

     

    Página 15:

    v) Mota Engil arrasa ponte da FCC;

     

    Página 16:

    x) 2009, um ano para esquecer;

     

    Página 17:

    z) Braço de ferro nas contrapartidas.

     

    Palavras para quê?

     

    30.11.09

     

    ABC

     

    *Estas são do ministro da agricultura. Que melhor apreciação do trabalho do seu antecessor! E que inspiração esta do homem da banha da cobra!

    **Esta é do secretário de estado não sei de quê. Parece que, afinal, este governo está apostado em dizer que o anterior era uma cambada de aldrabões, e que este, com o PM a dizer o contrário do que dizia há 3 meses, continua a sê-lo.
  • ORGULHO NORTENHO

     

    Gosto muito do Norte, e também do Porto, sua alegada “capital”, coisa que o Norte não aceita mas vai consolando o ego da tripeiragem.

    Adiante. Vem isto a propósito da indignação do pessoal por causa de umas governamentais negociações tendentes a pôr em Lisboa aqueles horríveis aviões que fazem um banzé do caneco e que ainda não mataram uma carga de basbaques porque não calhou. Têm toda a razão. Pela minha parte, Deus queira que fiquem lá com aerotraques e que lhes faça bom proveito.

    O que não se percebe, nesta matéria (como se diz agora), é por que carga de água tem o governo a ver com o assunto. Dir-se-ia que o problema é da Câmara do Porto e da de Gaia. Por outras palavras, o que isto quer dizer é que o centralismo socrapífio é tal, que até se mete em divertimentos municipais.

    Também não se percebe que os autarcas do Porto e de Gaia andem para aí aos gritos, que são os privilégios da capital, que os querem roubar, e que e que e que. Até falam em pontes a mais em Lisboa, eles que, e acho muito bem, têm uma multidão das ditas. E auto-estradas por todos os lados. Este ciúme, tão mesquinho como idiota, é talvez a mais triste característica da malta do Porto.

    O IRRITADO acha que os referidos autarcas, em vez de andar para aí com argumentos meio parvos, deviam era protestar contra a intromissão do governo, dizendo-lhe que se está a meter onde não é chamado.

     

    30.11.09

     

    António Borges de Carvalho

     

     

     
  • GENTE FINA

     

    O incrível Marcelo Rebelo de Sousa acha que o juiz Ricardo Cardoso deu, no “Prós e Contras”, uma abada ao Dr. Marinho Pinto. E comenta que “um homem que teve a coragem para julgar os casos das FP25 e da Emáudio não se assusta nem com dez bastonários juntos”.

    É uma opinião, quiçá respeitável. Deveria o seu autor, no entanto, acrescentar que, no caso FP25, quem se lixou foram os arrependidos e que, no caso Emáudio, ninguém se lixou.

    Ficava o povo mais esclarecido.

     

    A respeito do citado programa, sublinhe-se a sanha, verdadeiramente desproporcionada, quase louca, com que o bastonário defende tudo o que possa ser conveniente para o senhor Pinto de Sousa, e a mixórdia intelectual, quase paranóica, que faz, sem se calar, entre o que é político e o que é judicial, com o evidente objectivo de deitar areia para os olhos de cada um. Ao princípio do mandato julgava-se que este homem era independente, ou que actuava como tal.

    Enganou-nos a todos.  

     

    28.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • DA SINDICALIZAÇÃO DOS MAGISTRADOS

     

    Um doutíssimo reformado do Tribunal Constitucional veio a lume defender o “direito fundamental” dos magistrados a organizar-se em sindicatos, como todos os outros cidadãos. A argumentação do ilustre senhor é tão óbvia, tão imediata, que dá para a classificar como primária e para suscitar dúvidas sobre a qualidade dos nossos juízes, pelo menos enquanto “classe”.

    Como bem refere o ex-juiz, quem queira defender o direito ao sindicalismo judicial tem à disposição centenas de documentos e de exemplos, desde a Constituição às mais diversas declarações, da ONU ao Conselho da Europa, do amigo banana ao senhor de Lapalisse. A demonstração é fácil. Tão fácil que não devia fazer parte da douta intervenção do juiz em causa.

     

    O problema não é do de saber se os magistrados, como quaisquer outros cidadãos, têm ou não têm direito – positivo – a organizar-se em sindicatos para defender os seus interesses profissionais. O problema está resolvido. Têm.

    Trata-se de saber se os magistrados são cidadãos como quaisquer outros. Não são. Os poderes que têm e que sobre os demais exercem tornam-nos diferentes e são claramente incompatíveis com reivindicações sindicais, com a luta contra o patronato, com a greve e com tantas outras demonstrações sociais e políticas que fazem parte da panóplia de objectivos dos sindicatos. A tão apregoada, e tão abusiva e extensivamente interpretada “independência” dos magistrados, só por si, demonstra à saciedade a diferença fundamental entre eles e os demais, militares incluídos. É que, em todas as profissões, as pessoas são responsáveis e devem ser responsabilizadas pelo que fazem ou deixam de fazer no exercício das suas funções. Os magistrados não. Quando investigam e, sobretudo, quando julgam, não são responsáveis nem podem ser responsabilizados pelas sentenças que proferem, as quais dependem da Lei e da forma como cada juiz a interpreta e aplica ao caso concreto. Se a decisão de uma instância modificar a da instância anterior, tal não significa que esta seja punida por ter julgado de outra forma.

    É certo que, ainda há pouco, um juiz foi castigado por delito de opinião profissional. Mas isso deve-se, como toda a gente sabe, a uma criminosa intervenção legislativa do poder socialista para favorecer um dos seus, intervenção que, em total ausência de dignidade, houve magistrados que acolheram e reflectiram disciplinarmente. Trata-se de um episódio grotesco, que nada quer dizer em relação à essência da profissão dos magistrados.

     

    Sendo diferentes dos demais, fazendo parte do poder (sem ser eleitos, o que lhes confere particulares obrigações morais, sociais e políticas), não podem, ou não devem, organizar-se como os outros. Que criem “ordens”, destinadas a velar por um código de deontologia profissional, a acreditar os profissionais, a criar esquemas de protecção social, vá que não vá. Associar-se sindicalmente, é não só não ter a noção da natureza do seu mister, como reduzir o poder de que, por mandato da sociedade, dispõem, ao simples exercício de uma profissão como outra qualquer.

     

    É certo que o entendimento moderno da igualdade coloca o conceito entre aspas. A “igualdade” dos nossos dias é fonte das maiores iniquidades e das mais terríveis confusões. Os magistrados serão iguais às outras pessoas enquanto cidadãos, mas substancialmente diferentes enquanto profissionais da soberania.

     

    O ilustre magistrado que é motivo próximo destas linhas defende os contributos dos sindicatos para “a denúncia dos males na administração da Justiça e da feitura da Lei”, para a cooperação “nas tarefas do legislador”, “empenhando-se na sociedade civil" e "promovendo o conhecimento”, isto revelado em várias publicações.      

    Dando de barato estas nobres tarefas, tal como alegadas pelo ilustre juiz (criticá-las daria para considerações bem mais longas…), não são elas nada que a uma “ordem” não pudesse fazer, mas coisas que estão a léguas do que a um sindicato compete. Os sindicatos da construção civil não se pronunciam sobre as normas de aplicação do ferro no betão. Nem os da construção naval sobre a espessura das chapas dos cascos dos navios. Se os magistrados estão organizados sindicalmente, isto é, se assumem para si a mesma natureza dos pedreiros ou dos soldadores, não têm, enquanto tal, qualquer sombra de competência para “denunciar os males na administração da Justiça” os defeitos “da feitura da Lei” ou, menos ainda, para cooperar nas “tarefas do legislador”.  

     

    As consequências lógicas – que as pessoas em geral tiram da existência destes sindicatos e de alegações como as deste senhor – são que os magistrados, afinal, são tipos como os demais e que, como tal, não merecem qualquer consideração especial.

    O que equivale a dizer que, para além de todos os problemas que os magistrados enfrentam, que serão deles e são nossos, há a relevantíssima questão social de revelar que, sindicalizando-se, são os próprios magistrados a considerar-se e ao poder que detêm com dignidade muito inferior àquela com que deviam, naturalmente, impor-se à sociedade, isto é, agem em quebra da sua necessária proeminência social, do respeito a que deveriam fazer jus e do poder que a sociedade lhes confiou.

     

    28.11.09

     

    António Borges de Carvalho

     

     

  • PENA CAPITAL

     

    Aos confins do Norte, foi o senhor Pinto de Sousa repescar um dos mais ignaros demagogos da colecção para dele fazer líder parlamentar. O homem tem-se exprimido em sucessivas bojardas, pronto que está para demonstrar, a quem achava que o senhor Santos Silva era um trauliteiro desbocado, que é muito mais trauliteiro e muito mais desbocado que ele.

    Para o tonitruante palrador já não chegam as “campanhas negras”, nem as conspirações das “forças ocultas”, nem os “assassinatos políticos”, nem as “condenações na praça pública”. Agora, no palrar idiota do fulano, quais carrascos, os tipos das forças ocultas preparam-se para a “decapitação política do governo e do PS”.

     

    Devo deixar dito, para que duvidas não restem, que não é preciso estar filiado nas forças ocultas nem ter sido contratado por nenhuma campanha negra para desejar ardentemente que o senhor Pinto de Sousa seja mandado para casa, já que é notório que, pelo deu pé, não vai. É o caso do IRRITADO, que não é oculto e não faz nada de negro nem decapita ninguém, por muito que lhe apeteça. O IRRITADO jamais dará ao senhor Pinto de Sousa a honra de advogar que seja decapitado no Rossio, tipo Maria Antonieta. Mas lá que ficaria, como a esmagadora maioria dos portugueses, felicíssimo se o homem fosse chatear ou aldrabar outro, isso ficava com certeza.

     

    28.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • PROBLEMAS DO GADO VACUM

     

    Uma manada de vacas aceitou um convite para ir a uma festa dada por um milionário desconhecido. Prestaram-se, até, a apresentar-se a um casting, que as seleccionou segundo as características do físico de cada uma.

    Para desilusão da vacaria, o milionário desconhecido era o senhor Cadáfi, dito pederasta convicto pela má-língua internacional. Quer o seja quer não, ficaram as vacas a chuchar no dedo. Nem convites para dançar, nem para umas sessões de fotografia em cuecas, nem para uma selecção para um filme pornográfico, nem para acompanhantes do milionário em viagens de negócios à volta do mundo, nem para deputadas de um partido qualquer. Nada. Elas, que iam dispostas a tudo, vestidas para matar, ansiosas por dar o corpinho ao manifesto, acabaram por arrastar as minissaias, os decotes, os saltos altos e as faixas de gaja pela porta fora, depois de ouvir uma prelecção de islamismo primário e de ter amargado horas para obter um autógrafo do palhaço num grosso volume do Corão.

    Pena é que a manada tenha sido de voluntárias italianas, cidadãs de um país civilizado, tão ávidas de se vender como as centenas de gajas, às vezes bem boas, que, todos os dias, enchem as bancas dos jornais portugueses com as bem pagas memórias das respectivas cuecas.

    Apesar da geral desilusão da vacaria, há por aí outras más-línguas que, quem sabe se por conta do fulano, garantem que houve umas três ou quatro que, à boa maneira muçulmana, tiveram a sublime oportunidade de aquecer os lençóis da tenda do ditador do deserto. Grande amigo, aliás, do senhor Pinto de Sousa. 

     

    28.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • QUE PAÍS É ESTE?

     

    Enquanto a Justiça vai dando o seu cada vez mais degradante espectáculo, o crime vai fazendo o seu caminho.

     

    Se não, vejamos.

     

    As almas socialistas, ou algumas almas socialistas, proclamam a inegável existência de terríveis crimes: ele é o assassinato de carácter do primeiro-ministro, ele é a ESPIONAGEM política por obra da polícia e dos magistrados, ele é a DECAPITAÇÃO não sei de quem não sei por quem, ele é o Dr. M. Soares a dar tratos à moleirinha para demonstrar a existência destes crimes e de mais alguns, um nunca acabar de malefícios, e ninguém se importa!

    Os magistrados de Aveiro acham, para além de qualquer dúvida, que o primeiro-ministro é suspeito de vários crimes. Que país é este?

    Então desconfia-se assim do primeiro-ministro? Que país é este?

     

    As outras almas estão preocupadas com outras coisas.

    Os mais altos magistrados do país, depois de andar à trolha nos jornais sem contenção nem vergonha, fizeram as pazes na base de considerar que os tipos de Aveiro são umas bestas e uns atrevidos. Que país é este?

    Os mesmos altos magistrados nem sequer percebem que, objectivamente, estão a atirar bóias de salvação ao primeiro-ministro. Que país é este?

    Também não percebem que, não dando conhecimento a quem de direito (nós) das escutas que tudo motivaram, ainda menos dos doutos despachos que redigiram para safar o primeiro-ministro, estão, por um lado, a desacreditar-se e às suas funções e, por outro, a dar aos portugueses a certeza de que há coisas que insistem em esconder. O que, como é evidente, dá às almas a certeza certezinha de que o protegido dos altíssimos magistrados é o que as pessoas, há muito, pensam dele. Que país é este?

    Um tal Mota, suspeitíssimo de andar a fazer pressão, com certeza atmosférica, vê o respectivo processo no jazigo da Maçonaria nos Prazeres, ou noutro sítio tão silencioso quanto esse. Que país é este?

    No mesmo local deve descansar o processo Freeport. Já lá estão a universidade do primeiro-ministro, a Cova da Beira, as assinaturas de projectos suspeitos, ou as assinaturas suspeitas de processos, e mais não sei o quê. Que país é este?

    Anteontem, um tipo que matou a namorada e confessou o crime, foi pacificamente enviado para casa, já que o juíz ficou seguro da doçura do fulano, coitado, e do insofismável facto de ser incapaz de fazer mal a uma mosca.

    O crime parece compensar, ou não descompensar em demasia.

    Ao pé dos parágrafos de cima, este caso, é um fait divers. Mas é exemplo, um entre muitos. Que país é este?

     

    Infelizmente, este país é Portugal, o tal que deu mundos ao mundo e que foi, quase sempre, um país livre.

     

    “O nosso Rei é livre, e livres somos nós” – gritava o povo. O Rei assegurava o cumprimento da Lei e a unidade do Estado. Era livre e protegia a Liberdade do seu povo. Hoje, o rei – leia-se, o poder – é livre, mas alicerça a sua liberdade no desprezo pelos demais.

     

    25.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • MAIS UM CONTRIBUTO PARA A CLAREZA DA LEI

     

    A UMAR (União das mulheres não sei quê – cheira a PC que tresanda!), fez às gentes uma notável proposta: a criação do crime de “femicídio”. Sim, não estou ironizar, é mesmo “femicídio”. Antes de mais, uma demonstração de profundos conhecimentos filológicos.

    Para além da categoria intelectual demonstrada na formação da nova palavra, vê-se que as senhoras acham que homicídio quer dizer matar um homem.

    Alguém devia tomar conta deste assunto e mandar as raparigas tirar a 4º classe.

    Adiante.

    Para quem não entender, “femicídio” será o assassínio de mulheres que vivam – antes de morrer, claro – com quem as mata, subentendendo-se, evidentemente, um homem. As “umaristas” acham, como já disse, que o homicídio acontece quando um homem é assassinado e que a velha palavra uxoricídio está condenada pelos novos costumes da sociedade. Dizem as nobres senhoras que uxoricídio cobre apenas o que diz respeito a fulanas assassinadas pelo seu legítimo marido. Estando consagrada pela moral social a vida em comum – anglo-saxónicamente conhecida por living in sin, isto é, as uniões de facto, o homem (tem que ser um homem) que mata a mulher com quem não é casado, está impedido, coitado, de cometer um uxoricídio. Daí que as congregadas da UMAR tenham toda a razão em dizer que o nosso direito penal tem absoluta necessidade de criar o “femicídio”. Cristalino, não é?

    Nos casos, mais que improváveis, em que seja o homem ser morto, como resolver a questão filológica? Se homicídio serve para qualquer homem, se o homem for marido, ou namorado, ou coisa que o valha, como nomear o crime? Machocídio? Amantocídio? É de pensar nisto, minhas senhoras.

    Para as ajudar e lhes excitar a penal imaginação, o IRRITADO chama a atenção para mais alguns problemas sobre os quais o seu elevado espírito não deixará de reflectir.

    Quando o senhor Pinto de Sousa conseguir, finalmente, pôr os homossexuais a casar, como é que se resolve o problema? Se uma Lésbica casada com outra lésbica a mata, como se chamará o crime? Talvez “fufocídio”, mera sugestão do IRRITADO. Haverá ainda a complicada questão de saber se, no casal, a assassinada é mulher ou marido. Se for marido, como se chama o crime? “Batepratoicídio”? E se se tratar de outros pupilos do senhor Pinto de Sousa e do Louça? Como proporá a UMAR que se chame? Por um lado, levanta-se a importante questão de saber quem é quem no “casal”: ele (ela?) ou ela(ele?). Depois, levantar-se-á o problema da nomenclatura penal. Se o morto(a) for ele(a) como se poderá chamar ao crime? Maricocídio? Homossexocídio? Pederastocídio? E virado o disco? Se o(a) defunto(a) for ela(e) Panascocídio? Filarmonicocídio?

    É importante que as senhoras tenham presente que “homicídio” não é assassínio de um homossexual.

     

    Com estas prevenções, julgo que o mulherio da UMAR, sob a direcção do comité central, não deixará de brindar a Nação com a clareza e das suas distintas ideias e com a luz da sua inestimável inteligência.

     

    25.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • ANTÓNIO FIGUEIREDO

     

    António Figueiredo morreu. Soldado do império, admirador da inteligência, empresário de génio, lutador pela liberdade posta em causa pelos inimigos, dela e dele, António Figueiredo enfrentou os tempos novos empenhando-se em que fossem tempos de sucesso, o sucesso que o socialismo de esquerda impedia, sem sequer saber herdar o que, de reserva de progresso, apesar de tudo lhe tinha sido deixado pelo socialismo de direita.

    António Figueiredo viveu como um príncipe e trabalhou como um mouro. Seguiu sempre em frente, deu cem vezes “a volta por cima”, foi amigo de quem com amizade o tratou e votou à ignorância os que, com maldade ou sem ela, se lhe atravessaram no caminho. Não era de vinganças, seguia em frente.

    Sendo velho, morreu no auge da juventude, vítima do mar que sempre amou, como tinha amado os céus na sua carreira de “pilotaço”.

     

    Permita-se-me uma palavra sobre dias a que os comentadores e os panegiristas póstumos se não referiram. Li várias referências à sua passagem pela comunicação social como accionista do “Semanário” e ao empenho que teve em tornar o jornal uma arma liberal e livre, coisa que, em Portugal, trinta e tal anos depois de instaurada a liberdade de imprensa, ainda não houve. Saiu quando viu que tal não era possível – coisas que não contarei.

    Depois, tornou-se líder incontestado do grupo que adquiriu o “Século” e o antigo “Jornal Novo”, ao tempo chamado “A Tarde”.

    “A Tarde” nunca foi o que se chama um sucesso editorial. Mas, com o apoio desinteressado de António Figueiredo, foi importantíssima “arma” na luta contra o Bloco Central e na criação de condições para o que havia de vir a ser o período “cavaquista”. “A Tarde” foi sempre um jornal com cara, a cara da libertação da sociedade civil contra os desmandos morais e políticos do socialismo. Cara que, nem como máscara, há jornais que ostentem.

    Até ao fim, António Figueiredo sempre se orgulhou de ter apoiado “A Tarde” e quem fazia “A Tarde”, sem jamais se ter intrometido no que cada um escrevia, embora não se abstivesse de criticar aquilo de que não gostava sem jamais perseguir quem insistia em defender o que tinha criticado.

    “A Tarde”, como empresa, terá sido o maior flop da sua carreira. Um flop de que se orgulhou até morrer.

     

    Como vejo este passo da sua vida esquecido nos doutos comentários dos Marcelos Rebelo de Sousa, dos Pedros da Anunciação e de quejandos, aqui fica a recordação de um tempo em que, apesar de tudo, muito valia a pena, e de um homem que se batia pelo que valia a pena.

     

    21-11-09     

     

    António Borges de Carvalho
  • PRIVACIDADE E PUBLICIDADE

     

    Dona Cância, aproveitando a abertura de que dispõe no DN (órgão oficioso do PS que usa da mais radical imoralidade jornalística quando se trata de ajudar o chefe), veio a lume com uma artigalhada – o dobro do espaço habitual, que já é demais – revoltar-se, coitadinha, contra o facto de as autoridades encarregadas da moral (republicana) dos profissionais da coisa não terem dado o devido provimento aos seus protestos contra o surgimento, na imprensa,de gente que a “acusa” de ser “namorada do primeiro-ministro”.

    Trata-se, na opinião da ilustre plumitiva, de uma invasão da sua vida privada, um pecado sem nome. Há até, protesta com justa indignação, fotógrafos, a que chama paparazzi (quem é a senhora para se achar com direito a ser paparazzizada?), que a apanham, em locais públicos, na doce companhia do senhor Pinto de Sousa.

     

    Brada aos céus, não é?

     

    Não é, não senhor. Dona Cância é uma das mais ferozes defensoras da “liberdade contratual” entre homens e mulheres, mulheres e homens, homens e homens, mulheres e mulheres, e do mais que não me dou ao trabalho de imaginar. É uma acérrima prosélita das uniões de facto, dos namoros de alcova, de tudo o que, para ela, significa direito e respeito civil por tal direito.

     

    Dona Cância deveria tentar perceber que o senhor Pinto de Sousa, namorado ou não, é primeiro-ministro do saco de desgraçados em que transformou o país. E que, em todo o mundo civilizado, as pessoas têm o direito, esse sim, um verdadeiro direito, de saber do estatuto civil dos seus dirigentes. Ora se as uniões de facto, as ligações de alcova, os namoros de toda a espécie, são, na opinião da dona Cância, iguais ao estatuto civil de “casado”, tais ligações, no caso dos políticos, tendo igual dignidade entre si, devem ser, como é óbvio, do domínio público. Se o Presidente da República é casado, dúvida não resta que as pessoas têm o direito a saber que assim é, quer dizer, o facto de o Presidente da República ser casado ultrapassa largamente o limiar da sua respeitável privacidade. Toda a gente tem direito a conhecer da sua situação civil, o que não significa que tenha o direito a saber o que se passa em casa do senhor. Se a dona Cância, como os seus escritos postulam, acha que a sua ligação com o primeiro-ministro tem a mesma dignidade que o casamento do Presidente da República, com que direito protesta contra o facto de haver quem o diga e escreva?

    Terá, sem dúvida, tal direito, se o que dizem não for verdade. Mas se o é, não se trata de “vida privada”, não tem nada a ver com as festas que o Presidente da República faz, ou não faz aos netinhos lá em casa! Bem pelo contrário, é coisa tão pública como os projectos que o senhor Pinto de Sousa assinava lá nas berças.

     

    O que a dona Cância devia fazer era informar as pessoas sobre a situação “marital” do primeiro-ministro. São amantes, ou não? Aqui está uma questão de inegável interesse público e pouco de interesse privado.

     

    21.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • NOBLESSE OBLIGE

     

    O inenerrável Pinto da Costa veio a terreiro dizer que pensa de que o campo do Oliveirense não é digno de ser pisado pelos delicados pezinhos dos seus atletas. O feroz Jesualdo apoia incondicionalmente esta nobre atitude do caudilho. O FêCêPê, institucionalmente, coloca na net os protestos da mais elevada indignação por ver a sua requintadíssima gente na contingência de se ver obrigada a jogar à bola em tão inaceitáveis condições.

     

    Na cabeça das elites do FêCêPê, as autoridades da bola deviam ter estes casos em atenção e transferir o jogo do campo do Oliveirense para o Santiago Barnabéu, ou melhor, para o Old Trafford ou o Maracanã. Acho muito bem. É uma violência, uma indecência, realizar um jogo em condições tão miseravelmente precárias para a nobreza, a delicadeza, o nível, a cultura, a categoria social, global, universal, cósmica, do FêCÊPê.

     

    Das profundezas da sua plebeia e triste condição, o IRRITADO atreve-se a dar a tão insignes rebentos da Pátria um humilde conselho: se não querem sujeitar-se a tão terríveis ofensas, os FÊCÊPÊs deveriam retirar-se dignamente de uma competição em que entram adversários que, manifestamente, não são dignos de receber tão altas criaturas.

     

    Em alternativa, metam a viola no saco. Vão protestar para o caraças. 

     

    21.11.09

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. E não é que sua excelência o árbitro cancelou o jogo, alegando que estava a chover muito? Ora vêm como elas mordem? Como diria o propagandista Santos Silva, quem se mete com o Pinto da Costa lixa-se. Tudo se passa, como é evidente com a aristocracia de pernas para o ar, isto é, com a aristocracia socialista.
  • RATINGS E RANKINGS

     

    Em Portugal, a palavra classificação caiu em desuso. Não se é classificado, entra-se, umas vezes no ranking, outras no rating. A palavra ranking já não é só inglesa: segundo o dicionário deste computador, por exemplo, é portuguesa(!).

    Modernices.

     

    Vem isto a propósito, calculem, do excelentíssimo ministro das Finanças que temos. O IRRITADO assinala, com o mais genuíno júbilo, que este insigne governante subiu no ranking dos ministros seus colegas europeus, publicado pelo “Financial Times”.

    Pois é. Corações mão alto! Há dois anos, o senhor Santos era o pior de todos. Agora é 15º entre 19! Subiu na tabela classificativa.

    Injusto seria se o IRRITADO, que não se esqueceu de sublinhar o caso quando o homem era o lanterna vermelha, não o fizesse agora.

    A continuar na sua vertiginosa subida, se a criatura se aguentar no poder mais uns sete anos, passa para o meio da classificação.

    E nós para a sopa do Sidónio.  

     

    21.11.09

     

    António Borges de Carvalho
  • SOBRE O ALEGADO FIM DO BOLCHEVISMO

     

    A fim de podermos avaliar do estado de avanço intelectual em que se encontra o PC, a seguir repito a transcrição da opinião do “Avante” publicada no “Expresso” sobre o fim do bolchevismo e a queda do muro de Berlim.

     

    Diz um tal Casanova (nada a ver com o autêntico) no extraordinário jornal:

    Se há um balanço negativo do socialismo construído na União Soviética é o da derrota sofrida: a derrota é que foi negativa.

    Diz um certo Fonseca:

    O derrube do muro de Berlim não foi a vitória da liberdade, como agora se apregoou, mas sim a vitória da avidez consumista.

    Dizia eu que as tão inteligentes palavras do Casanova e do Fonseca eram motivadas pelo fim do bolchevismo. Falava, como é evidente, do resto da Europa, uma vez que por cá ele continua de boa saúde, já que temos nada menos que dois partidos comunistas com quase 20% dos votos.

    Somem a isto os 40% de votos do PS e pensem porque é que ainda há quem se interrogue sobre as causas profundas – e superficiais – da nossa pobreza…

     

    21.11.09

     

    António Borges de Carvalho