IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O PROBLEMA

 

O articulista Pedro Lomba, que o IRRITADO muito aprecia, vem a lume com uma proposta séria, mas inútil.

Refere o dito que, perante as mentiras do primeiro-ministro acerca do negócio PT/TVI, bem como com o que foi revelado e não desmentido do que disse nas escutas a Armando Vara, a única solução capaz de vir a satisfazer a legítima necessidade de esclarecimento público é uma comissão parlamentar de inquérito que esmiúce o que foi, efectivamente, dito pelo PM, e qual a real importância das suas já provadas mentiras ao Parlamento e à Nação. Na opinião de Pedro Lomba, uma comissão parlamentar pode obter, compulsivamente, a documentação que tem vindo a ser negada ao público, isto é, o teor do despacho que iliba o PM da presunção de crime, ou crimes, feita pelos juízes de Aveiro, bem como as partes das escutas que motivaram tal presunção. Argumenta o articulista, com carradas de razão, que, afastada que está a hipótese criminal, fica a questão política, e que esta não pode deixar de ser publicamente dirimida.

 

Se vivêssemos num país normal, seria este o caminho. Mas não vivemos. Estamos em Portugal, infeliz terrinha onde o primeiro-ministro tem o dom de passar entre os pingos de chuva sem se molhar, e mesmo o de ficar seco debaixo de uma cascata. Está provado à saciedade que o primeiro-ministro mente com contumácia, e que está, de uma forma ou outra, envolvido em inúmeras trapalhadas que a Justiça diz investigar e que os tribunais dizem julgar. De tudo se tem esquivado, resumindo-se a sua “defesa” à invenção de “campanhas negras”, de “poderes ocultos” que o perseguem, coitadinho. Nada de substancial que o safasse foi dito à Nação pelo PM. Nada. Os seus sequazes desdobram as campanhas negras em “espionagem política”, ou tentam virar o bico ao prego e atirar poeira para os olhos de cada um assacando culpas – de quê? – à oposição.

A verdade é que o PM tem vindo a triunfar sucessivamente, sem que a tal oposição exija, como devia, a sua demissão e regresso aos queridos projectinhos lá das Beiras.

Por outro lado, também é insofismávelmente verdadeiro que, se o PM não disse aquilo que os juízes de Aveiro dizem que disse, então seria do seu mais evidente interesse que as suas afirmações ao telefone fossem do conhecimento público. Quem não deve não teme. O simples facto de o PM se opor com unhas e dentes a que tais coisas venham a lume quer, evidentemente, dizer que, a tal respeito, tem telhados de vidro. O povo tem direito a ser governado por quem não tenha telhados de vidro, muito menos a colossal quantidade de tais telhados exibida desde sempre pelo PM.

Por isso, não há que indagar mais. Se o PM não quer que as suas conversas sobre a TVI, sobre o “amigo Oliveira” e sobre mais não sei quê, sejam conhecidas, isso equivale à “validação política” das escutas. Só lhe resta uma solução politicamente aceitável: ir-se embora.

 

Uma comissão parlamentar de inquérito será uma maneira de andar mais uns largos tempos a encanar a perna à rã e de continuar a paz podre em que vivemos, com gravíssimas consequências para o nosso futuro. Não há “estabilidade”, nem “governabilidade”, muito menos “transparência”, quando o primeiro-ministro anda a esconder à Nação o que a Nação tem o sagrado direito de saber.

Por tudo isto, a proposta de Pedro Lomba, por séria que seja, não serve para nada. O que poderia servir para alguma coisa seria que a oposição se unisse para correr com o homem usando os meios constitucionais à sua disposição, já que, neste momento, parece que o Presidente nada pode fazer. Não é preciso ir para eleições. O PS, para nossa desgraça, é certo, mas uma desgraça mais digna, pode nomear outro primeiro-ministro. Até pode ser que tenha nas suas hostes alguém com menos rabos de palha, menos telhados de vidro e menos esqueletos no armário. Alguém que possa ser parte da solução e não parte e fonte do problema. Mais propriamente, o PP é  o problema. Se o problema não se resolver, nada se resolverá.

 

Num momento em que o próprio FMI vem, em socorro dos portugueses, sugerir que com este PM não vamos a parte nenhuma, o que tolhe as oposições? De que estão à espera?

 

2.12.09

 

António Borges de Carvalho


4 respostas a “O PROBLEMA”

  1. A asfixia da democracia Uma das formas mais eficazes de asfixiar uma democracia é destruir a credibilidade dos políticos lançando junto dos cidadãos a desconfiança quanto às sua intenções e credibilidade. Uma boa parte dos golpes dos golpes de Estado usam este tipo de argumentação para legitimar o afastamento dos políticos eleitos pelo povo.Quem pretende destruir uma democracia tenta lançar o descrédito nas instituições democráticas e nos políticos eleitos, as primeiras são desnecessárias, os segundos são inúteis, incompetentes, corruptos e desnecessários. Em sua substituição propõe-se uma entidade acima de suspeitas, pura e casta dos males da democracia, nuns casos são uma qualquer casta que se julga acima dos males da sociedade, em regra um grupo corporativo com hábitos castrenses. Noutros casos surgem os partidos puros onde militam gente pura e honesta, acima dos males do mundo.Já quanto à metodologia para lançar um golpe de Estado as tácticas mudam, os coronéis da América Latina resolvem o problema ao tiro, os fascistas europeus eliminaram as instituições democráticas por organizações corporativas supostamente preocupadas com o bem comum, os maoistas lançaram o livros de citações de Mao para ensinarem os revolucionários de todo o mundo a conquistarem o poder, os comunistas europeus elevaram o leninismo a teoria científica da conquista do poder. Mais recentemente surgiram alguns candidatos a ditadores que recorrem ao referendo como solução para contornarem ou eliminarem os mecanismos constitucionais que constituem obstáculos ao poder autocrático.As ditaduras existem porque há quem considere que as suas ideias são superiores mas que por não serem compreendidas pelo povo não são as escolhidas para decidirem o futuro do país. Não faltam por aí incompreendidos, desde ex-dirigentes do MRPP que não se cansam de lutar contra os moinhos que ele próprio elege ao Medina Carreira que desde há vinte anos que que assegura que o país irá à falência no ano seguinte, sem esquecer o Jerónimo de Sousa ou o Francisco Louçã que estão convencidos de que têm solução para todos os males da sociedade.Nos últimos tempos surgiu uma nova estratégia, talvez porque as últimas eleições legislativas foi uma desilusão para os que estavam convencidos de que um primeiro-ministro não escaparia a tanta desgraça pessoal, nacional e internacional, desde vagas sucessivas de difamação e suspeitas pessoais, a boicotes e manifestação até à maior crise financeira internacional de que há memória.Afinal o o caso Freeport não foi suficiente para destruir a credibilidade do poder eleito democraticamente, era necessário aumentar a dose e eis que ela aparece logo a seguir, nem se preocuparam com o facto de a Constituição impedir que o país vá a votos nos próximos meses. Como os nossos militares aprenderam as regras democráticas porque foram eles próprios que as introduziram no país foi necessário que outras vacas sagradas tenham decidido intervir usando a sua suposta superioridade moral para higienizar o país dos políticos que eles consideram que devem ser eliminados.O que muita gente anda a fazer é asfixiar a democracia, tentando eliminar adversários políticos recorrendo à difamação ou, pior ainda, lançando o descrédito nas instituições eleitas e nos que são eleitos. Pouco importa o estado do país, as adversidades económicas que enfrenta, o que importa a esta gente é conquistar o poder a qualquer custo, nem que isso signifique destruir a democracia.Publicada por Jumento

    1. Se o seu texto se refere ao nosso triste presente, não me surpreende que seja subscrito por um Jumento. Ainda bem que não é o meu leitor Tecelão o autor da coisa, o que me daria um desgosto.Tentar disfarçar a falta de estatura pessoal do senhor Pinto de Sousa para o cargo que ocupa através de uma catastrófica teoria do golpe de estado é, pelo menos, absurdo. Quem se sente bem com o PM que temos, sente-se bem com canudos à la manière, com projectos de escarro, com suspeitas de despachos esquisitos, com mentiras ao Parlamento, com manobras de destruição da liberdade de informação, etc., etc., tudo provadíssimo, ou seja, convive alegremente com os esqueletos do armário do senhor Pinto de Sousa. Bom proveito.

  2. Avatar de Carlos Monteiro de Sousa
    Carlos Monteiro de Sousa

    Bom dia,meu caro Irritado.Excelente texto,excelente raciocínio.Gostava de comentar o que o sr Tecelão escreveu mas o meu caro amigo,com a sua resposta,retirou-me qualquer veleidade de dizer -sem recorrer ao insulto- que o sr Tecelão talvez precise de se empenhar mais nas aulas de compreensão de textos escritos.Isto,porque acredito que o sr Tecelão ainda está a estudar!Se assim não for,aconselho-lhe vivamente a voltar à escola pois ainda está a tempo de poder dar opiniões com alguma utilidade.CumprimentosCarlos Monteiro de Sousa

    1. Então sr Monteiro,em que cadeiras é que acha que me deva matricular?

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