IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UM CANALHA!

     

    Um castelhano qualquer, se calhar movido pela frustração e pela inveja, disse que o Mourinho é um canalha.

    Não sei se o dito castelhano tem razão ou não. Não sei, nem me interessa lá muito saber o que o Mourinho anda a fazer no império castelhano.

    Mas vêem-me à tona do bestunto as últimas tão cândidas declarações do nosso primeiro-ministro.

    Veio o tipo dizer, com a maior das inocências, que, se não há governo maioritário, ou coligações, ou acordos parlamentares, tal se deve a terceiros, uma vez que ele, Pinto de Sousa, fez tudo o que estava ao seu alcance para que houvesse.

    É sabido que o senhor Pinto de Sousa, para além de ser um mentiroso compulsivo, não faz a menor ideia do que é vergonha nem conhece a palavra “escrúpulo”. Juntando a isto uma lata estanhada, aí temos o nosso homem.

    Parece, no entanto, que nada disto chega para justificar as declarações em apreço.

    A expressão do castelhano parece-me mais adequada. Um canalha!

     

    14.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • HÁ LIMITES PARA TUDO?

    Há dias, ia o IRRITADO na A5 a pensar na vida, eis que o realejo da viatura desata a reproduzir uma canção do Sinatra. Sendo um “sinatreiro” antigo e feroz, o IRRITADO pôs-se à escuta. Quanto mais escutava, mais irritado ficava. É que não era o Sinatra a cantar, era outro tipo qualquer, um assassino desapiedado das boas canções do grande Frank.

    Com os ouvidos a arder e a irritação a perturbar os reflexos, o IRRITADO esperou para ouvir o nome do dito assassino. Era o Carlos do Carmo!

    O IRRITADO nada tem contra o Carlos do Carmo. É certo que não é uma figura simpática, é um tipo convencido e algo pedante. Mas é filho de uma grande fadista e é, ele mesmo, um fadista de alguma qualidade, afinadinho q.b.

    Mas, que diabo, pôr-se a dar cabo do Sinatra ao mesmo tempo que diz admirá-lo… pôr-se a ganhar umas massas com corruptelas da música do homem… que diabo, há, ou devia haver limites! 

     

    14.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

    Por várias vezes tem o IRRITADO tecido considerações sobre a maior e mais cara aldrabice de todos os tempos: o aquecimento global e a culpa que, nele, cabe à humanidade.

    Trata-se de assunto que tem feito correr rios de tinta – ainda que a “tinta” dos “não crentes”, “negacionistas” e  quejandos não mereça, as mais das vezes, eco nas parangonas dos media.

    Não sendo a vastidão do tema compatível com o espaço de um blog como este, o IRRITADO tenta hoje contribuir para esclarecer os seus leitores de forma clara, sem entrar em considerações complicadas. Com a devida vénia, traz ao seu conhecimento alguns elementos esclarecedores. 

     

     

     FIGURA 1

     

     

     

     

    É certo que as temperaturas estimadas dos últimos 11.000 anos podem não ser de uma absoluta fidelidade ao real, uma vez que não há delas medições directas. Os cálculos são feitos via estudo de cores dos gelos ditos eternos, dos anéis de árvores fósseis, milenares ou seculares, etc. A sua fiabilidade é suficiente para que se tenha uma noção clara de que, nos últimos oito milénios, a tendência geral é para o arrefecimento do globo, não para o contrário. O gráfico começa na altura em que a Terra emergiu da Grande Idade do Gelo.

    Podemos dizer que 11.000 anos têm algum significado na vida do planeta, o que não se passa com recentes “certezas”. De notar a subida das concentrações de CO2, que começou há cerca de 600 anos, altura em que não havia as actividades humanas que hoje são acusadas de o produzir. Assim, se se quisesse encontrar “culpados” teria que se recorrer a outros “arguidos”… Outro dado esclarecedor  que este quadro nos dá é o mostrar que, se as temperaturas subissem de acordo com as concentrações de CO2 talvez se pudesse relacionar directamente uma coisa com a outra. Manifestamente não se pode.

     

    A linha preta refere-se às variações de temperatura, a cinzenta às concentrações de CO2.

    (segundo G. Bond et al e Parrenin et al.).  

     

     

     

    FIGURA 2

     

     

     

     

     

    Um longo e significativo declínio de temperaturas entre 2002 e 2009. Sete anos de arrefecimento global. As previsões, electronicamente viciadas, do IPCC (International Pannel on Climate Change) da ONU – cone ascendente – vão no sentido inverso do que veio a acontecer na realidade – traço a negro.

    Fonte: Science and Public Policy Institute.

     

     

    FIGURA 3

     

     

     

     

    Temperaturas versus CO2 (1998/2008). Como é evidente, as temperaturas do decénio – linha negra – contrariam brutalmente as “previsões” dos “crentes”. Os níveis de CO2 – linha cinza – sobem quase na razão inversa das temperaturas, tornando totalmente erróneas as teorias do “consenso científico” sobre o aquecimento global, coisa que nunca existiu a não ser na cabeça do senhor Gore et al.

    Fonte: MSU (Metheorological Service of the United Kingdom). 

     

     

     

    FIGURA 4

     

     

     Aqui temos o gráfico das temperaturas da baixa troposfera medidas por satélite a partir de 1979. Mais uma vez a verdade a trair os fabricantes de teorias catastróficas. Sem comentários.

    Fonte UAH Satellite

     

     

    FIGURA 5 

     

     

     

    Em complemento da figura precedente, aqui temos a comparação entre as temperaturas medidas à superfície (cada vez menos fiáveis porque influenciadas por inúmeros factores locais), segundo um dos grandes profetas ao serviço da ONU, o senhor James Hansen, e as fornecidas por satélite. A linha de cima é a de Hansen, a de baixo de satélite. É fácil verificar que os valores de Hansen estão, em média, nada menos de 4ºC acima da “concorrência”.

     

     

     

    FIGURA 6 

     

     

     

     

    A fechar estas informações, um interessante quadro de temperaturas dos últimos mil e cem anos, absolutamente insuspeito uma vez que produzido no âmbito do IPCC. A Idade Média – tempo em que o homem não tinha qualquer influência na produção de CO2 – conheceu um período muito quente, conhecido por Período Quente Medieval. Seguiu-se-lhe a Pequena Idade do Gelo, que se prologou até finais do século XIX. No século XX a temperatura global volta a subir, mas o dealbar do século XXI conhece novas descidas. O que isto tem a ver com o CO2 ou com a actividade do Homem é coisa que nem o mais arguto conseguirá perceber. 

    Fonte: J.T. Houghton et al., IPCC First assessment report, 1990 

     

     

    *

     

     

    Deixarei alguns comentários para mais tarde, dando aos meus leitores tempo para “digerir” estas informações e/ou procurar outras.

     

     

    13.11.10

     

    António Borges de Carvalho 

  • GAUDEAMUS!

    As minhas desculpas por voltar a um assunto recorrente nas iras do IRRITADO: os grafitti.

    Depois de ter pocalhonamente mandado borrar as paredes de um quarteirão da Fontes Pereira de Mello, a coisa continua noutros lados. O inimigo público que dá pela sigla CML dá tintas, escadotes, gruas, andaimes, todo o material necessário a merdificar as fachadas. Não sei se até dá umas massas aos borradores, a quem carinhosamente chama “artistas urbanos” ou equivalente.

     

    Estas brilhantes iniciativas tem a evidente vantagem de incentivar hordas de merdosos a pintar mais paredes por toda a parte. Deixa de haver qualquer justificação para lhes negar o direito de tal fazer. Pois se é a própria Câmara quem, a alguns, em vez de os punir até paga, que moral há para tratar de outra forma aqueles que, de sua conta e risco, fazem o mesmo?

     

    Não ficamos por aqui. O monstro estatal chamado Estradas de Portugal vai pelo mesmo caminho. Como está cheia de dinheiro, já gastou nada menos de 47.000 euros a esborratar o IC19, com o cullot de se gabar dizendo ser “a primeira concessionária a dignificar esta expressão artística conciliando-a com o ambiente rodoviário”. Como deve ter achado pouco os tais 47.000 euros, a EP anunciou que anda à procura de graffiters para gastar mais uns cobres.

     

    Longe vai o tempo em que a) havia dinheiro e b) se contratava artistas de renome para produzir esculturas, baixos-relevos, painéis de azulejos, etc. Agora, se calhar gastando o mesmo (quando se gasta dinheiro que se não tem, tanto faz ser pouco como muito), vão seguir-se vários troços da CRIL e, de acordo com a secção de “ambiente” da distinta empresa, a coisa é para continuar.

     

    Gaudeamus!

     

    11.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DA CACA CAMARÁRIA

     

    Quando vejo por aí as recorrentes notícias sobre a “impermeabilização” do solo em Lisboa, parece-me estar a ver uma fábula da minha quase infância.

    Centenas de vezes a mesma história, centenas de vezes os mesmos protagonistas, centenas de vezes as mesmas teorias repetidas à saciedade, os mesmos bonecos, a mesma preocupação “verde”.

    Com o triste advento político da sinistra figura do vereador Fernandes, um novo impulso foi dado à velha história.

     

    Ocorre perguntar porquê tanta preocupação com a “impermeabilização” e nenhuma com o saneamento básico e com o esgotamento das águas pluviais. Porquê ter as sarjetas entupidas ou enterradas nos asfaltos aldrabados que nos impingem antes das eleições? Porquê tanta demagogia com a mobilidade e nenhuma com as condições de circulação dos peões?

    À custa da permeabilidade, todos os dias se torce pés e tornozelos, todos os dias se parte pernas, todos os dias há pessoas a estampar-se nos passeios cobertos com a maldita calçada portuguesa – a fim de não impermeabilizar os solos! -, coisa de que não se cuida porque não é possível cuidar, já que não há, nem jamais haverá, um exército de calceteiros capaz de manter os passeios sem buracos nem altos e baixos nem pedras arrancadas.

    À custa permeabilidade dos solos, hectares e hectares de terrenos, no interior dos quarteirões, estão entregues ao lixo e ao mato, ou ocupados com barracas e barracões.

    Ao mesmo tempo que se mantém a cidade “permeável”, os efeitos que a cidade sente são o contrário do que tal permeabilidade promete. Sempre que cai uma chuvada mais forte, aí estão as caves inundadas, os bombeiros num virote, o pessoal a salvar os tarecos, não só em bairros degradados, mas no centro da cidade, nas avenidas novas, por toda a parte.

    Acresce que a “solução” que a CML, ó inteligência!, inventou para este problema foi a de, quando as condutas de águas pluviais estão prestes a estourar, ligá-las aos esgotos domésticos. O resultado é que, em vez de termos inundações de água da chuva, as temos de caca! 

     

    Fácil é concluir que a apregoada permeabilidade dos solos não resolve problema nenhum.

     

    Olho cidades com menos declives que Lisboa, portanto mais difíceis de drenar.

    Paris, por exemplo. Em Paris ninguém se preocupa com a impermeabilização dos solos. Estão todos impermeabilizados, à excepção, naturalmente, dos jardins. Os prédios encostam-se uns aos outros, costas com costas, desde os tempos do velho Haussman. No meio, um pátio devidamente impermeabilizado, às vezes com uns canteiros de flores, não para permeabilizar mas para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Tudo devidamente drenado. Todas as semanas, todos os regueiros e sarjetas de Paris são percorridos por água bombada do Sena, para os manter abertos e desentupidos. As caves – quase não há prédios sem elas – não se inundam, por muito que chova.

    Isto quer dizer que o que falta a Lisboa não são passagens de águas para o subsolo através da permeabilidade, mas um sistema de escoamento capaz, capazmente mantido, inteligentemente gerido. São condutas à profundidade necessária. São sistemas de bombagem adequados. É manutenção, cuidado, inteligência, eficácia, em vez de demagogia. São jardins em vez de hortas “sociais”. Numa palavra, é respeito pelos munícipes e não por ideias tão idiotas quanto lunáticas e prejudiciais.

     

    Enfim, o que falta à cidade, na drenagem como em tudo o resto, é um mínimo de preocupação com os legítimos interesses de quem não serve para outra coisa que não seja pagar impostos e taxas sem qualquer retorno em serviços ou infraestruturas, das que são necessárias, não das que são boas para a propaganda e pouco mais.

     

    11.11.10

     

    António Borges de Carvalho

     

    PS. Infelizmente, não é só o poder costo-roseto-fernandesco que nos mete na fossa. Segundo os jornais, o CDS, na pessoa de um tal Monteiro, parece afinar por parecido diapasão.

  • INFORMAÇÃO PROLETÁRIA

     

    Duas pequenas observações sobre a manifestação da CGTP levada à rua no Sábado, com os cabecilhas do costume e os políticos de serviço à nobre causa da luta de classes ou coisa parecida, seguidos de numerosa cavalgada.

     

    1. Os jornais, em gigantescas parangonas, anunciavam que, do Marquês aos Restauradores, tinham desfilado 100.000 pessoas.

    Num desses jornais, um discreto cantinho, certamente sonegado ao controleiro de serviço, rezava que o professor Não-Sei-Quantos, da Universidade de Princeton, ou equivalente, especialista em contagem de multidões, se deslocara aos locais do desfile com um grupo de alunos. Feitas as contas pelo dito senhor e seus discípulos, a conclusão foi a seguinte: na gigantesca manifestação tinham participado cerca de 10.000 pessoas.

    A Polícia, certamente para não acicatar a justa fúria dos cabecilhas e da organização, recusou adiantar qualquer estimativa.

     

    Aqui temos um notável exemplo da “honestidade” com que o assunto foi tratado, quer pelos protestadores quer pela chamada “comunicação social”, ou desinformação social, como preferirem.

     

    2. A segunda observação diz respeito aos argumentos do caudilho das massas Carvalho da Silva, o qual, sendo certo que habitualmente evita usar termos conotados com a cartilha bolchevista, desta vez deixou escapar um sinal dos “princípios” que, lá bem no fundo, o animam. Disse ele que esta manifestação era “contra uma certa burguesia”.

     

    Gato escondido com o rabo de fora.

    Para a próxima escorregadela, se o Comité Central, entretanto, lhe não puxar as orelhas, o grande educador dirá “burguesia” em vez de “uma certa burguesia”. E, se os ventos correrem de feição, passará a falar na “ditadura do proletariado”, na “justa revolta das massas” e na “gloriosa revolução socialista”. Não se sabe, neste momento, onde é que ele irá buscar o proletariado. Mas, a continuar o consulado do senhor Pinto de Sousa, já estivemos mais longe de o ressuscitar. Nessa altura, a conversa dos “amanhãs que cantam” voltará à baila.

     

    9.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SOLUÇÃO DE CONTINUIDADE

     

    Ao ler o Expresso de ontem, saltou-me à vista esta informação:

    A escolha (do novo Chefe da Armada) é vista como uma solução de continuidade.

    Fui à procura, cheio de inquietação. Então o novo chefe ia dar cabo da obra do seu antecessor, entrando por caminhos contraditórios?

    Não. O que o plumitivo queria dizer era que a nomeação do novo CEMA era uma solução que dava continuidade ao trabalho do anterior. Exactamente o contrário do que a primeira página do Expresso dizia.

    Ignorância da língua? Consequências do acordo ortográfico? Da TLEBS? Do “ensino”? Nova filologia “expressiva”?

     

    À consideração de quem ler.

     

    7.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • NAS MALHAS DA INFELICIDADE

    O infeliz – não tenho pena nenhuma – candidato Alegre, já não tem palavreado que chegue, seja para condenar o rival, seja para convencer os seus camaradas a perder tempo a apoiá-lo.

    A sua candidatura exige da outra “um mínimo de decência”. Brutal, não é? Cavaco é um indecentão. Como filosofia política, aí temos do melhor.

    Indecente porquê? Porque nomeou, calcule-se, o Dr. Catroga para angariador de fundos. Então o alegrismo não percebe que, quando o maior angariador de fundos do país (honra lhe seja), o Dr. Nobre, nem para a renda da casa os arranja, havia Cavaco de ir buscar algum patarata?

    A ausência de imaginação do infeliz Alegre é tal que acha um escândalo que o actual ocupante do Palácio Real de Belém tenha ido a uma sessão de propaganda no seu carro pessoal. É claro que, se o homem lá tivesse ido no carro do Estado, não deixaria o infeliz Alegre de lançar o seu poderoso anátema contra tal coisa. Assim: “o PR utiliza (na campanha) as suas funções institucionais”.

    Mais. O infeliz estrondeia por aí sobre a criminosa atitude de o Dr. Catroga ter sido recebido no Palácio Real ocupado. Na opinião do infeliz, o PR devia ter-se metido no seu carro pessoal e ido encontrar-se com o outro no Martinho da Arcada.

    Tanto disparate, tanto desnorte, chega a ser demais. Escanchado entre o PS e o BE, o infeliz não sabe o que há-de fazer. Diz disparates, em vez das habituais inanidades.

    No cúmulo do patético, o infeliz queixa-se de não ter atrás de si, nas feiras e romarias, altos dirigentes do PS e do governo.

    O homem não percebeu ainda que, para evitar a sua chegada ao poleiro, a malta vai votar no Cavaco nem que, como vez Cunhal com Soares, vote a fazer figas com os dedos da mão esquerda – ou da direita, no caso dos canhotos.

     

    Isto de querer ser presidente não é como andar a dançar a conga com umas gordas, lá para Coimbra, a protestar contra a co-incinaração!

     

    Mas não há nada a fazer. O infeliz não percebe.

     

    7.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • LÂMPADAS PARA O POVO!

    Uma notícia de jornal veio confirmar uma coisa que o IRRITADO já sabia há muito: as novas lâmpadas, que somos obrigados a usar da forma mais ditatorial que imaginar se possa, isto é, retirando as antigas do mercado, são uma inesgotável fonte de poluição, e da mais perigosa. Contaminam os solos com metais pesados e vão-nos custar uma fortuna em limpezas e reciclagens, para além da chatice de termos que nos livrar delas em condições “especiais”, como acontece com as pilhas e outros produtos do dia-a-dia.

    Quer dizer, para além de deixarmos de ter o direito de nos iluminar decentemente e de sermos obrigados a dar cabo dos olhos em ambientes de câmara mortuária, ainda passamos a ser canalhas envenenadores do ambiente se não nos dermos ao trabalho de tomar as medidas necessárias à destruição desta nova maravilha da tecnologia.

    A fechar esta irritação, é preciso acrescentar que as lâmpadas de incandescência são mais baratas (diz propaganda que duram menos), dão luz da boa, não fazem mal a ninguém, e podem ser descarregadas no lixo comum!

     

    Bonito!

     

    7.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • ACTIVIDADES SOCIO-CIRCENSES

     

    A gloriosa câmara socialista da capital anda a dar cabo de uma coisa chamada “Parque dos Artistas de Circo”, local onde viviam, nas suas Roulotes, inúmeros especialistas da arte circense.

    Parece que a coisa foi mais ou menos equiparada a um bairro clandestino de barracas e, por isso, submetida às carícias do camartelo municipal.

    Haveria várias soluções para este problema. A mais humana partiria do facto de estas pessoas, vivendo a maior parte da sua vida de forma nómada e em acampamentos, teriam o direito a fazê-lo até morrer, se assim o entendessem e mesmo que já estivessem fora de actividade. Nesta hipótese, o que o município, como faz com os parques de campismo – coisa com que o IRRITADO não simpatiza – devia fazer era proporcionar a tal comunidade as condições básicas de instalação (terreno), higiene, energia, jardinagem, limpeza e outros elementos para uma vida decente.

     

    Mas não. A solução municipal foi a de acabar com aquilo à cacetada, isto é, correndo com as pessoas para um bairro social, quer queiram quer não. Acresce que, de forma altamente “humanizada” a edilidade costo-roseto-frenandesca decidiu indemnizar as que recusassem tal extraordinária benesse! Até ontem, já lá iam 600 mil euros de indemnizações.

     

    O resultado desta política social, como é evidente, vai ser que os indemnizados vão levar as carripanas para outro sítio qualquer e continuar a sua vidinha como gostam, ainda por cima gastando uns largos milhares dos nossos euros, o que não deixará de lhes dar algum conforto.

     

    Porque é que há cidadãos a quem é dado, por mera recreação própria, o direito de viver em bem montados e caros parques de campismo, como acontece em Lisboa e em muitos outros sítios, e há outros a quem, não por razões lúdicas mas civilizacionais, tal direito é negado?

     

    Eu explico. É o Estado Social, seus burros!   

     

    7.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTAS AVULSAS

     

    SEGURANÇA NACIONAL

     

    Aqui há dias, o IRRITADO comentou o anúncio, feito pelas nossas inteligentes autoridades, do controle de fronteiras a ser reposto a partir de 15 de Novembro, por causa da cimeira da NATO. Disse o IRRITADO que se tratava de uma preciosa informação para terroristas e congéneres tratarem da vidinha, isto é, apresentar-se ao serviço antes que as fronteiras estivessem vigiadas.

    Modéstia aparte, o IRRITADO tinha carradas de razão.

    A prová-lo, andam polícias e autoridades várias, mais um senhor de idade que manda num observatório, não de estrelas mas de canalhas, a avisar o povo que já entrou no nosso território um sem número deles, dispostos às mais violentas manifestações de incurável estupidez.

    Estão a ver? Não era de caras que esta malta, avisada sobre as intenções da nossa “segurança”, assinaria o ponto antes que as fronteiras “ressuscitassem”?

    Parece que, afinal, a estupidez não é só apanágio dos terroristas/anarquistas/pêcês e quejandos…

     

     

    AÍ VEM ELE! AÍ VÃO ELES!

     

    O senhor Pinto de Sousa garantiu que não vai haver intervenção do FMI em Portugal.

    Na mesma ocasião, o mesmo senhor jurou que ninguém iria ser despedido.

     

    Ficamos assim a saber que o FMI está a caminho e que uma data de malta vai ser posta na rua. Uns vêem, outros vão.

     

    Obrigado por tão sábias informações, senhor primeiro-ministro!

     

      

    JUSTA INDIGNAÇÃO

     

    O Bloco de Esquerda anda para aí a protestar contra a visita do senhor Hu-qualquer-coisa a Portugal.

    Isto de deixar entrar a concorrência não é próprio de um país que se preza!

     

     

     LITERACIA NACIONAL

      

    1 – Problemas do cilício

     

    A Ordem dos Médicos protesta, impante de indignação, contra a falta de triagem dos médicos que, vindos do Leste, se valem de uma lei qualquer para ser admitidos no exercício da profissão.

    Chega ao ponto, diz a organização, de haver uns fulanos que apresentam um documento, com carimbo de bom por cá aposto, “escrito em cilício”.

    Não se sabe se os tais fulanos são naturais da Ásia Menor, onde, há séculos se encontrava a Cilícia. Não se sabe se se tratará de masoquistas que se ciliciam e que defendem tal actividade como medida terapêutica. O que se sabe é que a Ordem dos Médicos deve ser ciliciosamente analfabeta.

     

      

    2 – Audições

     

     

     

    Segundo um jornalista, quiçá licenciado em rebuscadas matérias, o senhor Bob Geldof anda muito aborrecido porque andou a angariar uma massas durante 26 anos e agora a BBC o acusa de as ter malbaratado, ou coisa que o valha.

    Segundo o Geldof, diz o nosso jornalista, “o dinheiro angariado tem sido submetido a “audições meticulosas”.

    Compreende-se. Tratando-se de música, que é a especialidade do Geldof, até as contas são objecto de “audições”. Pelo menos é a opinião do nosso jornalista, que deve ter aprendido inglês na mesma escola do senhor Pinto de Sousa.

     

     

     3 – Front Populaire 

     

    Já este post estava escrito, eis que me salta à vista a citação de um pensamento expresso pelo Prof. Freitas do Amaral, conhecido especialista em transumância política.

    Diz ele: Não se impedem golpes com preceitos constitucionais, é com o povo na rua.

    Sujeito indeterminado, terceira pessoa do singular. O verbo concorda com o sujeito, não com o complemento directo.

    Eu sei que, nos nossos dias, este monumental erro é prática diária em jornais, televisões, rádios, e até há escritores que o cometem mesmo quando os seus livros são revistos por professoras doutoras deste tempo. Mas, que diabo, o Professor Amaral aprendeu estas coisas há muitas décadas! Não tem o direito de pontapear a gramática de forma tão primitiva. 

    Por outro lado, a frase, perdoavelmente coxa, tem uma segunda oração que muito deve inquietar os que ainda não deram pela transumância acima referida. O Professor apela ao front populaire para mudar preceitos constitucionais! É sabido que o sono da razão engendra monstros. Mas não o é que tão ilustre personalidade tenha a razão a dormir.

    (post editado em 7.11)

     

     

     

     

    PATRIOTISMO COMUNISTA

     

    O camarada Louça, sempre muito apoiado pela RTP através da sua intolerável directora dona Judite, declarou patrioticamente que, se houver uma moção de censura que possa revelar-se positiva para o PSD, deverá votar contra, a fim de manter o PS no poder. Isto com o argumento de que o PSD pode “fazer mal ao Estado”.

    Donde se provaria, se ainda fosse preciso, que esta gente não tem qualquer interesse em defender os portugueses, mas em defender um Estado quanto mais total melhor.

     

     

    CONTRATAÇÕES ACADÉMICAS

     

    Segundo o chefe dos reitores das universidades do Estado, estas continuam, ao abrigo de diversas disposições legais, a contratar pessoal, ao contrário do que se julgaria, dada a vigente austeridade. Acrescenta o mesmo senhor que não há problema, porque as universidades só estão a contratar “caso a caso”.

    Ficamos assim a saber que, em tempos mais folgados, as universidades do Estado contratam pessoas aos magotes.

     

     

    MAIS SEGURANÇA

     

    Sempre sempre ao lado do povo, cujos direitos defende, o governo resolveu reiterar, por omissão, uma lei qualquer que autoriza os manifestantes de rua a apresentar-se de cara tapada.

    Ou seja, ao mesmo tempo que andam para aí a avisar o pessoal sobre os díscolos que vão fazer os maiores distúrbios de cara tapada, o governo protege o direito de tal gente a fazê-lo. Exemplar!

     

     

    RESULTADOS PRÁTICOS DA POLÍTICA MUNICIPAL

     

    Como os pinta-paredes passaram a artistas apoiados, protegidos e financiados pela Câmara costo-roseto-fernandesca, a classe achou, e muito bem, que está, oficialmente, no direito de pintar as paredes da Sé, de São Vicente e de outros locais apropriados para dar largas à sua arte e às suas mensagens.

    O IRRITADO propõe aos distintos edis de Lisboa que, ao movimento alfacinha dos pinta-paredes seja concedida, em cerimónia protocolar e pública, a medalha de mérito da cidade.

     

     

    6.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • PRABENS À DONA GILDA

     

    Dona Gilma, mal eleita, já enfiava por um português inovador. Intitulou-se presidenta do Brasil.

     

    Compreende-se. Trata-se da escola da Dona Saramaga, que também quer ser presidenta da fundação que, por malfeitoria do Costa, se apoderou da Casa dos Bicos.

    Se o inigualável e inexplicável e abominável acordo ortográfico, tão amado pelo Expresso, actualizado pela dona Vilna, fizer escola, aí teremos o Doutor Cavaco presidento da República e o senhor Pinto das Gajas presidento do fêcêpê.

     

    Sim, meus amigos, ou há moralidade ou comem todos!

    Eu passarei a ser doento do meu médico, a minha mulher pacienta do dela.

     

    Tudo ficará no melhor dos mundos.

    Dona Telma, consta, nomeará um presidento para o Banco do Brasil, e uma presidenta para a Embraer.

    Dona Zelca, diz-se, é muito renitenta e muito obedienta ao Lulo.

     

    Que diabo, a língua evolui, progride, moderniza-se!

     

    Os ignorantes também têm direito a mandar!

    E não é só no Brasil…

     

    1.11.10

     

    António Borges de Carvalho

  • CARTA CHEIA DE SIGNIFICADO

     

    Recebeu o IRRITADO a seguinte importante epístola:

     

    “Excelentíssimo senhor IRRITADO

     

    Em meu nome pessoal e no do meu colega Monsieur de La Palice, venho protestar com todas as minhas forças contra o miserável plágio, que põe em risco os nossos direitos de autor e os nossos mais legítimos interesses e títulos de glória e fama, cometido pela Excelentíssima Senhora Deputada Europeia, Dona Edite Estrela, ao afirmar, sem citar a origem, o seguinte:

     

    Os Estados que têm mais dificuldades são os que precisam mais apoios.

     

    Muito agradeço dê a devida publicidade a este nosso veemente protesto.

     

    Com os melhores cumprimentos

     

    Amigo Banana”

     

     

    O IRRITADO atende gostosamente  ao pedido de tão ilustres intelectuais, tanto mais que já leu, ainda que em diagonal, a obra maestra da ilustre senhora, de seu título “Saber Escrever Saber Falar”.

     

    31.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • JUSTIÇA À MODA DA CASCALHEIRA

     

    Voltemos ao comunicado do Conselho da Europa, segundo o qual Portugal tem 294,9 profissionais da Justiça por cem mil habitantes, tratando-se do maior número registado em toda a Europa, à excepção da Itália. Apesar disso, o nosso país é o segundo pior no que se refere ao tempo que leva a encerrar casos pendentes.

    Acresce que os ordenados destes profissionais são quatro vezes superiores à média nacional, estando entre os mais bem pagos da União.

     

    Por aqui se pode aquilatar da justiça das reivindicações e dos indignados protestos dos nossos juízes, liderados pelo respectivo sindicato. Prenhe de indignação, o tal sindicato, segundo notícias de ontem, chega ao ponto de anunciar que vai deliberar sobre a sua adesão à chamada “greve geral”.

     

    O IRRITADO não estranha o comportamento desta gente, nem do seu sinistro líder. O que lhe faz confusão é que não haja um protesto por parte dos magistrados que ainda têm dignidade, dizendo que não se consideram representados por ela. É que, se ninguém reage, é legítimo chegar à conclusão que o sinistro demagogo e seus pares representam mesmo os juízes portugueses. Então, meus amigos, estamos o que se chama “feitos ao bife”.    

     

    31.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • DESONESTOS PENSAMENTOS

     

    Olho para infografia que anda pelos jornais e dou comigo com pensamentos sem dúvida ultra-incorrectos, destituídos de civismo e dignos da maior repulsa.

     

    Ao meio, numa grande bola, o retrato do senhor Godinho, ilustre sucateiro da nossa praça. Sucateiro? Não! Proprietário de indústrias ambientais!

    Em rodapé, um conjunto de figurões, o Vara, dois Penedos e um Lopes Barreira. Este, para quem não sabe, classificado como “gestor de empresas ligado ao PS”. Deve tratar-se de uma nova indústria.

    À volta, uma constelação de empresas – REFER, GALP, REN, EMEF, ENVC, Lisnave, EDP, IDD, EP – todas empresas do Estado, ou participadas pelo Estado, ou onde o Estado vai imperando (leia-se empresas onde o governo tem voz). Em cada uma delas um ou mais rapazes (uns trinta ao todo), dedicavam-se à nobre tarefa de arranjar negócios para o senhor Godinho, mediante, diz a acusação, algumas gentilezas propiciatórias.

    Na infografia que aqui tenho ainda não entra o Lino, célebre francófono politicamente formado nas escolas do PC, que até sabe dizer jamais (as declarações da dona Vitorina ainda não tinham produzido efeito quando a coisa foi publicada).

     

    Perante isto, assalta-me o espírito um pensamento perverso: o tipo do meio, o maior, o desconhecido industrial de Ovar, vai ser o vilão da fita. Vai apanhar um porradão. Os outros, rodeados de pelotões de advogados, apoiados pelo Grande Oriente, amigos do governo, vão, ou passar pela chuva sem se molhar, ou ser objecto de uns aborrecimentos sem importância de maior. Daqui a cinco anos, ou mais.

    Posto isto, a vil imaginação do IRRITADO prossegue nos seus ilegítimos e criminosos raciocínios. Ignorando o Código Penal, pôs-se a valorar os pecados desta malta, tal como descritos no despacho de pronúncia.

    O senhor Godinho é um homem de iniciativa, criador de uma empresa cujos serviços são essenciais à remoção e tratamento de indesejáveis resíduos, e empregador de uma data de gente. Os outros são, ou empregados do Estado ou coisa que o valha. Não são industriais, não contribuem para a qualidade do ambiente, não criam postos de trabalho. Nada, se comparados com o senhor Godinho.

    O senhor Godinho, para fazer prosperar o seu negócio, criou uma rede de amigos, dele e do poder político-económico – uma contradição nos termos – e, com eles, à conta de caixas de robalos, dos propriamente ditos e daqueles a que as más-línguas chamam Mercedes-Benz e outros maldosos epítetos, pôs a tal rede a funcionar. A sua empresa prosperou, sem sombra de greves nem de salários em atraso. Por seu lado, o senhor Godinho deve ter-se enchido de carcanhol, o que, em si, não é crime nenhum, nem sequer de enriquecimento sem causa, já quem a causa é evidente. Também terá roubado umas sucatas, mais uma vez com ajuda de “informação privilegiada”, eventualmente propulsionada por robalos.

     

    Ora bem. Perante isto, o que pensa a incorrecta, pecaminosa e retorcida mente do IRRITADO?

    Pensa que o senhor Godinho é um malandreco do pior, mas que tem alguma utilidade, pública e privada.

    Pensa que ainda não viu escrito que os colegas do senhor Godinho, ditos sucateiros, se tivessem indignado ou queixado dos procedimentos “ligeiros” do seu concorrente.

    Pensa que é muito mais grave haver tipos que, sem fazer outra coisa senão puxar cordelinhos, beneficiem de tais puxanços.

    Pensa que o poder que age a soldo do senhor Godinho é ordinário e criminoso.

    Finalmente, pensa que é injusto que, sendo à sua maneira útil à sociedade, o senhor Godinho apanhe com a severidade do Código Penal no focinho, enquanto os demais se vão safando, ou safando mais ou menos.

     

    Mas que interessa a ínvia opinião do IRRITADO?

     

    30.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • SEGURANÇA À PORTUGUESA

    Vai haver, como toda a gente sabe, uma cimeira da NATO em Lisboa, salvo erro em 18 e 19 de Novembro.

    Vão aparecer por aí umas largas dezenas de altos trutas e craques globais, de Obama a Medvedev, de Merkel a… Pinto de Sousa.

    A coisa, como não pode deixar de ser, exige excepcionais medidas de segurança a fim de proteger aquela malta toda. Não nos podemos sujeitar a alguma bronca de dimensões excepcionais.

    Muito bem.

     

    Posto isto, vai o nosso inteligentíssimo governo e anuncia ao mundo, em comunicado do conselho de ministros, que o controlo de fronteiras será restaurado de 16 a 20 do referido mês.

     

    Ficam assim os ilustres terroristas interessados a saber que, se quiserem cá vir desempenhar as suas nobres missões, terão que chegar antes do dia 16.

     

    Consta que o camarada Bin Laden já mandou uma mensagem ao senhor Pinto de Sousa agradecendo penhorado a preciosa informação. Informação que, seguindo as NEP’s da benemérita organização que dá pelo nome de Alcaida, o senhor Bin Laden já teve o cuidado de comunicar a todas as suas células operacionais.

     

    30.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • O QUE ACONTECEU E O QUE VEM A SEGUIR

     

    Agora que a tempestade amainou (Passos Coelho já disse que o PSD vai deixar passar o vergonhoso orçamento do PS), talvez seja de recordar os últimos capítulos desta história.

    Os jornais de ontem, como sempre “fiéis” à verdade, escreviam nas linhas e entrelinhas que o PSD tinha acabado com as negociações por causa de 0,1 ou 0,25 por cento – consoante os craques que fizeram as contas – do défice.

    Já que há pouco quem o faça, o IRRITADO repõe a insofismável verdade.

    O Doutor Catroga chegou a acordo com o ministro das finanças. Esse acordo foi levado pelo ministro das finanças e pelo Lacão ao primeiro-ministro. Após mais ou menos quatro horas de reunião, por evidente ordem do primeiro-ministro, tudo voltou para trás. O primeiro-ministro jogava a sua última cartada para conseguir que o orçamento não passasse, e que as culpas, umas vezes sob a forma de esfarrapadas desculpas do governo, coitadinho, outras na pele dos mais ordinários ataques, pudessem ser assacadas ao adversário.

    Depois de, em Bruxelas levar o justo raspanete da dona Ângela, o senhor Pinto de Sousa, qual cordeirinho, reagiu às ordens da pastora alemã e declarou que a questão continuava em aberto. Isto no dia seguinte a o PSD ter reaberto a porta que o PS tinha fechado, ainda que sem estrondo já que a chamada comunicação social continua, e com razão, a ter medo dele.

    O Dr. Passos Coelho veio hoje dizer que se borrifava nas “boas” intenções do senhor Pinto de Sousa e que podiam contar com a porcaria do orçamento. O tiro, finalmente, saía pela culatra aos meliantes políticos do gang!

    Acabou a história.

     

    Que vem a seguir? É fácil prever.

    Depois inúmeras e chatérrimas discussões na especialidade*, o orçamento vai ser como o PS quer e, se as vítimas não fôssemos nós, seria bem feito.

    Na execução orçamental, como aconteceu com os PEC’s, o PS vai continuar a não cumprir compromisso de espécie nenhuma, a sorver dinheiro, a pedir dinheiro, a não ter dinheiro para pagar, a enterrar a Nação na trampa socialista.

    Até que chegue o FMI, coisa “abominável” que o senhor Pinto de Sousa, com a sua profundíssima ignorância e a sua indesmentível desonestidade, transformou na nossa única possível “salvação”.

    A esperança é que já não seja ele a cumprir os ditames que nos forem impostos de fora, já que, cá dentro, enquanto esta gente durar, nada se cumpre nem nada se resolve.

     

    29.10.10

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    *Mais uma vez, o IRRITADO aconselha o dr. Passos Coelho a dar ordens aos seus deputados para que não participem na discussão na especialidade. Abstenham-se na generalidade, e recusem-se a participar em mais conversas com gente que as não merece. Caso contrário, arriscam-se a que seja o próprio PS a chumbar o orçamento com a desculpa de que foi “desvirtuado” pelas alterações que a oposição lhe introduziu.

  • BREAKING NEWS

    Como era de esperar, as negociações deram em nada. Após 4 horas de espera, enquanto o Santos, presume-se, conferenciava com o chefe, o Doutor Catroga veio explicar tim tim por tim tim o que se passara: à última da hora o PS veio apresentar um “documento final”, “não negociável”, a sua última palavra. Perante isto, o Doutor Catroga, e muito bem, chegou finalmente a um acordo com o governo: nada mais há a negociar, bom dia meus senhores. Acabou.

    Tudo isto faz parte de um quase imperdoável excesso de boa-vontade por parte do PSD: sentar-se outra vez à mesa com gente que não quer, nem sabe, negociar, que nunca negociou, que sempre teve da política a noção do quero posso e mando, com maioria ou sem ela, que não tem palavra, nem dignidade, nem merece sentar-se à mesa seja com quem for e ainda menos com o PSD.

    Porquê? Porque é que o Santos, depois de umas horas com o chefe, recuou e deu cabo das negociações? Com quem é que aprendeu a chamar mentirosos aos outros, quando não pode deixar de ter consciência de pertencer ao mais mentiroso de todos os governos que já houve em Portugal, de obedecer ao mais mentiroso de todos os primeiros da história da Europa?

    Com quem havia de ser?

     

    As negociações mais não foram que uma nova manobra táctica do senhor Pinto de Sousa para atingir o objectivo estratégico que tão mal disfarça: o de fazer o PSD chumbar o orçamento.

    Para quê? Como é mais que evidente, para dispor de um ano ou quase para governar(?) com duodécimos, podendo atirar à cara do PSD todas as culpas das desgraças que nos vão continuar a acontecer e que, sendo da sua integral responsabilidade, serão, na sua boca, o primeiro argumento para se fazer reeleger.

     

    É preciso que o PSD se não deixe envolver nesta miserável e repugnante tramóia.

    Correndo o risco de se repetir, o IRRITADO pede ao PSD que se abstenha, que deixe a batata quente nas mãos do senhor Pinto de Sousa e da sua cáfila de aldrabões. Que anuncie o voto, na abertura da discussão parlamentar, com um violentíssimo discurso de denúncia e nojo,  que se cale a seguir – nem mais uma palavra! -, que não ponha os pés na comissão de finanças, que faça uns meses de “educação de adultos”, isto é que, publicamente, denuncie a traição orçamental e política de que o país está a ser vítima, coisa para que, infelizmente, não faltarão argumentos nem acontecimentos.

     

    Dixit.

     

    27.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • POSTURA CÍVICA

     

    Ontem. Nove da manhã. Ligo o computador. Primeira página do Sapo. Cheio de natural importância, o novo porta-voz do PS, digno sucessor de figuras tão distintas como o Vitalino e outro cujo nome não conseguiu constar, apresentava-se ao povo.

    Nas palavras proferidas por tão insigne rapaz adivinhava-se os extremosos sentimentos da organização que representa. Com carradas de razão, afirmava o fulano que não é legítimo que o Dr. Passos Coelho teça seja que considerações for tidas por menos elogiosas ao governo e ao seu magnífico chefe.

    Um bom princípio de função. O rapaz sabe o que diz. Se houvesse democracia neste país, a ninguém devia ser dado proferir críticas ao senhor Pinto de Sousa e sua gente, maravilhas fatais da nossa idade, como diria o Poeta.

    Tanto lhes devemos e ainda há quem não concorde!

    Infelizmente, deve pensar o rapazito, não há “ambiente” para meter essa gente na cadeia. 

     

    27.10.10

     

    António Borges de Carvalho

  • GENTE SINISTRA, CAUSAS IGNÓBEIS

     

    No mesmo dia em se soube que os juízes portugueses são, proporcionalmente aos ganhos dos portugueses em geral, dos mais bem pagos na Europa, e extremamente bem pagos nos mais altos escalões da carreira, a sinistra figura do presidente dessa coisa medonha que se chama ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses) aparecia a protestar contra a “descriminação negativa”, perdoe-se o pleonasmo, de que os dignos magistrados são inocentes “vitimas”.

    Quase simultaneamente, vinha a lume um relatório “europeu” que diz que “Portugal é dos piores a fechar casos pendentes nos tribunais”.

    Dois dias antes, um jornal referia o número de queixas de cidadãos contra juízes registado este ano pelo Provedor de Justiça: 146.

    Comentários para quê?

     

    A não menos sinistra figura do bigodaças da FENPROF anda pelo país a denunciar os “roubos e assaltos” de que a distinta classe dos professores é também inocente vítima.

    As contas são estas:

    Como é do conhecimento geral, depois de um ano de gritaria, os professores, sob as ordens do bigodaças, conseguiram sacar ao Estado (à cobardia do governo!) a módica quantia de 400.000.000 de euros.

    Havendo 150.000 professores, cabe em média a cada um 222 euros por mês (12 meses). Se, como consta, cada professor custa em média 1.500 euros ao Estado, teremos um aumento médio de 15%.

    Nada mau, dir-se-á. E ainda melhor se, vendo a função pública os salários reduzidos em 5%, para os professores tal redução é feita sobre salários aumentados 15%, o que significa que a redução, para eles, é menos que para os outros. Um vencimento de 100, para um funcionário qualquer, passa a 95. Para um adepto do bigodaças passa a 109,25.

     

    Dois exemplos de como são os que melhor estão os que mais protestam. Ou os que têm o PC por trás. 

     

    27.10.10

     

    António Borges de Carvalho