A gloriosa câmara socialista da capital anda a dar cabo de uma coisa chamada “Parque dos Artistas de Circo”, local onde viviam, nas suas Roulotes, inúmeros especialistas da arte circense.
Parece que a coisa foi mais ou menos equiparada a um bairro clandestino de barracas e, por isso, submetida às carícias do camartelo municipal.
Haveria várias soluções para este problema. A mais humana partiria do facto de estas pessoas, vivendo a maior parte da sua vida de forma nómada e em acampamentos, teriam o direito a fazê-lo até morrer, se assim o entendessem e mesmo que já estivessem fora de actividade. Nesta hipótese, o que o município, como faz com os parques de campismo – coisa com que o IRRITADO não simpatiza – devia fazer era proporcionar a tal comunidade as condições básicas de instalação (terreno), higiene, energia, jardinagem, limpeza e outros elementos para uma vida decente.
Mas não. A solução municipal foi a de acabar com aquilo à cacetada, isto é, correndo com as pessoas para um bairro social, quer queiram quer não. Acresce que, de forma altamente “humanizada” a edilidade costo-roseto-frenandesca decidiu indemnizar as que recusassem tal extraordinária benesse! Até ontem, já lá iam 600 mil euros de indemnizações.
O resultado desta política social, como é evidente, vai ser que os indemnizados vão levar as carripanas para outro sítio qualquer e continuar a sua vidinha como gostam, ainda por cima gastando uns largos milhares dos nossos euros, o que não deixará de lhes dar algum conforto.
Porque é que há cidadãos a quem é dado, por mera recreação própria, o direito de viver em bem montados e caros parques de campismo, como acontece em Lisboa e em muitos outros sítios, e há outros a quem, não por razões lúdicas mas civilizacionais, tal direito é negado?
Eu explico. É o Estado Social, seus burros!
7.11.10
António Borges de Carvalho

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