O infeliz – não tenho pena nenhuma – candidato Alegre, já não tem palavreado que chegue, seja para condenar o rival, seja para convencer os seus camaradas a perder tempo a apoiá-lo.
A sua candidatura exige da outra “um mínimo de decência”. Brutal, não é? Cavaco é um indecentão. Como filosofia política, aí temos do melhor.
Indecente porquê? Porque nomeou, calcule-se, o Dr. Catroga para angariador de fundos. Então o alegrismo não percebe que, quando o maior angariador de fundos do país (honra lhe seja), o Dr. Nobre, nem para a renda da casa os arranja, havia Cavaco de ir buscar algum patarata?
A ausência de imaginação do infeliz Alegre é tal que acha um escândalo que o actual ocupante do Palácio Real de Belém tenha ido a uma sessão de propaganda no seu carro pessoal. É claro que, se o homem lá tivesse ido no carro do Estado, não deixaria o infeliz Alegre de lançar o seu poderoso anátema contra tal coisa. Assim: “o PR utiliza (na campanha) as suas funções institucionais”.
Mais. O infeliz estrondeia por aí sobre a criminosa atitude de o Dr. Catroga ter sido recebido no Palácio Real ocupado. Na opinião do infeliz, o PR devia ter-se metido no seu carro pessoal e ido encontrar-se com o outro no Martinho da Arcada.
Tanto disparate, tanto desnorte, chega a ser demais. Escanchado entre o PS e o BE, o infeliz não sabe o que há-de fazer. Diz disparates, em vez das habituais inanidades.
No cúmulo do patético, o infeliz queixa-se de não ter atrás de si, nas feiras e romarias, altos dirigentes do PS e do governo.
O homem não percebeu ainda que, para evitar a sua chegada ao poleiro, a malta vai votar no Cavaco nem que, como vez Cunhal com Soares, vote a fazer figas com os dedos da mão esquerda – ou da direita, no caso dos canhotos.
Isto de querer ser presidente não é como andar a dançar a conga com umas gordas, lá para Coimbra, a protestar contra a co-incinaração!
Mas não há nada a fazer. O infeliz não percebe.
7.11.10
António Borges de Carvalho

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