IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • UMA FESTA!

     

    Segundo a espantosa senhora dona Maria de Lurdes – mui ilustre presidente da Fundação Luso-Americana por obra e graça do senhor Pinto de Sousa – a monumental pessegada protagonizada por ela e por uma coisa a que se chamou Parque Escolar, empresa pública, foi uma festa, uma festa para o ensino, uma festa para os alunos, uma festa para a arquitectura nacional, uma festa para todos.

    Pois foi. Mas não para todos. Para ela, para os arquitectos, os engenheiros, os empreiteiros, os vendedores de equipamentos de luxo, para o senhor Pinto de Sousa e seus apaniguados e para mais não sei quantas coortes de profissionais, uma festaça, um regabofe.

    Para nós,não foi festa nenhuma, foi mais uma sangria de centenas de milhões.


    Há cerca de um ano, ia o IRRITADO a caminho do shoping de Cascais, eis senão quando deu com uma escola feita pela inigualável Parque Escolar. Ficou banzo. Aquilo não era uma escola, era uma manifestação de novo riquismo arquitectónico e construtivo, uma coisa digna de Beverly Hils. Achou um espanto, um  exagero, uma coisa própria de saloios e de exibicionistas.

    Mal sabia o IRRITADO a bronca que aí vinha. Mal sabia a guerra de números que ia andar por aí. Mal sabia, ainda que fosse fácil suspeitar, que a castanha havia de rebentar na boca de todos nós, já que os culpados devem estar para aí num porto de abrigo qualquer, em Paris, nos ateliers, nos gabinetes, no Parlamento, na FLAD e mais onde se estivar confortável.


    Quanto a nós, gastámos numa pequena parte do parque escolar mais do que gastaríamos a reabilitá-lo todo, em boas mas não inacreditáveis condições, coisas de ceaucescus ou estalines.

    Por isso, dona Maria de Lurdes tinha que desatar aos gritos, numa fuga para a frente digna da maior desconfiança: uma festa! Uma festa!

     

    11.4.12   

     

    António Borges de Carvalho

  • DEMAGOGIA


    Entre as relativamente poucas coisas certas que havia na Constituição de 76 estava a proibição do referendo.

    Julgo que em 87, lá arranjaram as coisas de tal maneira que o referendo passou a ser possível praticamente para tudo. Exceptuavam-se os tratados. Uma excepção certíssima. Só é pena que fosse excepção, não regra. Mesmo assim, era uma manifestação de uns restos de bom senso.

    Depois, já não sei quando nem porquê, a excepção deixou de o ser. O bom senso foi à viola.

    É nisso que estamos.

    O referendo é, quase sempre, uma arma perigosa. Os governos, os parlamentos, os presidentes da República, servem-se de tal instituto para atirar para as costas dos eleitores decisões que não têm a coragem de tomar no legítimo uso da legitimidade que lhes foi dada pelo voto. A verdade é que abdicam dela, assim ofendendo os eleitores e a democracia representativa, ainda por cima com o carimbo do recurso à “democracia” directa, isto é, proclamando que as decisões referendárias são as mais democráticas que imaginar se possa.

    Como se pode, por exemplo, referendar tratados como o de Lisboa ou o actual tratado europeu, como defende a demagogia da esquerda? Quantos eleitores, mesmo com alguma preparação teórica, saberão tomar posição perante impenetráveis e complicadíssimos textos? Quantos terão pachorra para os ler ou, lendo-os, para os decifrar, ou ainda, decifrando-os, estarão em condições de saber o que significam em termos de futuro? O referendo não passa de uma batata quente metida na boca dos eleitores e de uma desresponsabilização daqueles que tinham obrigação de legitimamente decidir, arcando com as consequências do que assinaram. Se o povo disser sim e os resultados forem maus, a culpa é do povo. Se disser não, a mesma coisa. Que raio de democracia é esta? Para que servem as eleições? Para que serve o poder legislativo? Para que serve o governo? Para passar culpas ou para tomar decisões e ser responsáveis por elas?


    Acerca do referendo, a demagogia é fácil, e fácil de vender aos incautos.

    Cuidado!

     

    11.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DE PERNAS PARA O AR

     

    Às vezes o IRRITADO suspeita que vive noutro planeta.

    Ontem, foi surpreendido com a notícia do cancelamento das indemnizações por fim de contratos a prazo. O que é isto?, perguntou-se o IRRITADO. É que, até por experiência própria, jamais lhe tinha passado pela cabeça que um contrato a termo pudesse ser objecto de indemnização. Não havendo despedimento, não há indemnização. O contrato acaba e  that’s it. Parece evidente. Mas não é. O fim de um contrato a prazo implicava – terá, agora, deixado de implicar – uma indemnização.

    Ou o mundo está – estava – de pernas para o ar, ou o IRRITADO está balhelhas de todo.


    Outra história surpreendente é esta das reformas antecipadas. A norma geral, ainda em vigor, reza que os portugueses se reformam aos 65 anos. Parece que as excepções deviam ser as respeitantes a situações de desemprego crónico e irremediável, a partir de uma certa idade, de incapacidade física ou equivalente. Mas não era assim. Quem não quisesse trabalhar mais, pedia a reforma e, mediante umas penalizações, ia para casa a bom recato, ou dedicava-se a novas tarefas, cujo rendimento somaria ao da reforma. Ou seja, havia uns portugueses que eram mais que os outros, ainda por cima por direito, iniciativa e conveniência própria.

    Parece que tal mama acabou. Um escândalo! Ainda por cima por via de uma lei que não foi anunciada com devida antecedência, discutida com os interessados, com o PC vestido de CGTP, com estes e com aqueles! Facto evidentíssimo é que, a percorrer-se tal e tão “democrático” caminho, surgiriam, em progressão geométrica, legiões de interessados a meter os papéis antes que a lei entrasse em vigor! E depois? Depois que se lixe, não é?

    Mais uma vez, o IRRITADO, velho, cansado e reaccionário, acha que está tudo de pernas para o ar. Ai de quem o quiser obrigar a pôr os pèzinhos no chão!       

     

    11.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • LIBERDADE E PLURALISMO

     

    Não haverá, entre os que nos são politicamente próximos, outro país tão pluralista como nós no que à informação diz respeito. Em Espanha, no reino Unido, em França e por aí fora, os jornais, independentemente da sua seriedade informativa, têm cara. Sabe-se que o ABC é conservador e que o El País é de esquerda. O mesmo com o Times e com o Guardian, ou com o Figaro e o Le Monde. Os jornais, e outros meios, chegam ao ponto de, legitimamente, declarar o seu apoio ao político A ou ao partido B na altura das eleições. Os reguladores, onde os há, dedicam-se a tratar de problemas outros (abusos, investigações ilegais, ofensas à privacidade, etc.), nunca ao “pluralismo” de pensamento ou de informação.

    Por cá, ideologicamente, os jornais são uma pessegada. O mesmo jornal é hoje da direita, amanhã de esquerda, segundo os humores ou os interesses do momento, do director ou do patrão. Por outras palavras, o pluralismo obrigatório falseia o pluralismo propriamente dito. É defensável que assim seja? Talvez.


    Mas não exageremos. O nosso regulador, uma “entidade” qualquer cujo nome me escapa, anunciou majestaticamente que vai fiscalizar o pluralismo das televisões privadas. Em que consiste tal fiscalização? Mais ou menos no que segue: a “entidade” verificará, ao segundo, se o partido A, que teve xis por cento nas últimas eleições, teve o mesmo xis por cento na televisão, se as fotografias, as entrevistas, os debates, os takes, o diacho, respeitaram ou não o tal xis por cento. E assim por diante, com o partido B e os outros.   

    Entenda-se isto enquanto se trata desse monstro ignóbil que é a televisão do Estado. Já que existe… proteja-se a desgraça de tal existência.


    Mas nos canais privados? Que é isto? Que liberdade é esta? Que tem a “entidade” a ver com a liberdade de informação, de expressão e de opinião? Que tem seja quem for a ver com isso? Amemos ou odiemos o canal A ou o canal B pelo que veiculam, não por causa do “pluralismo” cronometrado que uns tipos quaisquer  fiscalizam. Estes, já que existem, que se dediquem a fiscalizar ilícitos, informação falsa, ofensas gratuitas e evidentes, enfim, actos que estão devidamente tipificados na lei como crime.

    De resto, que tem a “entidade”, o Estado, seja quem for, a ver com a orientação editorial de cada canal?


    É sabido, porque evidente, que os canais de televisão, privados e públicos, são poderosas máquinas de estupidificação colectiva. Mas aí, meus amigos, nada a fazer. É outra questão. Poder-se-ia criar uma espécie de polícia para ajuizar desta matéria. Mas, felizmente, não vivemos no Irão nem nas arábias.


    E se os tipos da “entidade”, em vez de querer condicionar a informação fossem vender chuchas? Não seria melhor para todos? Não seria melhor para o pluralismo?

     

    10.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • COSTOFERNANDICES

     

    Agora que o rabinho que faltava ao túnel do Marquês foi, finalmente, aberto ao trânsito, é, mais uma vez, altura de perguntar ao Fernandes se já pensou em pagar o que deve à Câmara, aos lojistas, aos automobilistas, ao povo de Lisboa, quando e se faz tenção de pagar os muitos milhões que lhes deve pela paralisação das obras durante mais de oito meses.

    Este magnífico moralista, tão orgulhoso da sua “integridade”, este impoluto cidadão que até faz de polícia quando se trata de perseguir os seus corruptores, este emérito defensor das hortas sociais e dos contentores do Coelho, esta besta – opinião do IRRITADO, que não vem ao caso – lançou a providência cautelar que impediu a continuidade das obras, providência que, como não podia deixar de ser, foi considerada improcedente.

     

    Se você, meu caro leitor, interpuser uma providência cautelar que tenha por destino, como a do Fernandes, a improcedência, será, naturalmente, obrigado a pagar os prejuízos que a sua atitude causou a terceiros, bem como os danos morais, comerciais e financeiros, etc. que provocou.

    Mas, tratando-se de uma personalidade célebre como o Fernandes, ainda por cima de esquerda, ainda por cima ecologista, ainda por cima do Bloco de Esquerda, ainda por cima do PS, ainda por cima amigo do Coelho, ainda por cima… não lhe acontece nada!

     

    O homem não paga. Ninguém o processa – nem a Câmara, que pagou o prejuízo! – não paga nada, e ainda acha que é um grande homem e que fez muito bem à cidade!

    Não será, no entanto, o principal culpado. O o Costa é bem pior. Como presidente da Câmara e “defensor” dos interesses da cidade, não só coonestou a vil acção do Fernandes como pagou os prejuízos ao empreiteiro com o nosso dinheiro e, cúmulo dos cúmulos, albergou o Fernandes na sua candidatura e na sua vereação. A finalizar este brilhante comportamento, o Costa aparece, armado em herói, a inaugurar a obra que, por sua acção e dos seus, levou mais uns cinco anos a concluir.

     

    Que justiça é esta, que terra é esta em que os cidadãos pagam as maluquices de um tarado qualquer, vêm outro a louvaminhar-se pelo mal que causou e, ainda por cima, têm que aturar a “autoridade” de um e de outro?

     

    Responda quem quiser.

     

    7.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • TRAFULHICES CLIMÁTICAS

     

    Sensacional descoberta! Um grupo de cientistas chegou à conclusão, muito cara à ONU e muito querida para quem vive do dinheiro dela, que, de 1872 até hoje, a temperatura da água do mar, à superfície, subiu em média nada menos que 0,59 graus Co.

    Muito bem. É capaz de ser verdade.

    O pior é o que se segue. Sem se colocarem a ponta de uma dúvida, os tais cientistas, bem como a generalidade dos bem pensantes globais e dos politicamente correctos, dedica-se à nobre tarefa de acusar a humanidade de causar tal e tão calamitosa tendência.

    Antes de mais, será de perguntar se alguém já deu pela calamidade, ou antes, tem dado, como sempre desde que há gente, por diversas calamidades naturais, ora mais ora menos frequentes.

    Depois, já que a culpa da humanidade se deve à indústria e à vida moderna, que produz o negregado CO2 (com o CO não há problema!?), responsável primeiro pelo “aquecimento global”, poderemos, ingénua e ignorantemente, perguntar onde estava a indústria em 1872, que CO2 produzia, onde estavam os grandes produtores de tal coisa, a China, a Índia, o Brasil, que CO2 produziam os EUA, etc.

    Pouco CO2 se produzia em tais tempos, pelo que os cagaséssimos de grau que a temperatura das águas terá vindo a subir se devem tanto ao CO2 como o rabinho se deve às calças.

     

    A realidade é outra, bem mais comezinha. Em consequência das pretensões de governo global da ONU, são principescamente subsidiados todos os que, cientificamente!, contribuírem para o convencimento universal sobre as culpas do CO2 no aumento das temperaturas e sobre as culpas da humanidade na produção do CO2. Os cientistas que disserem o contrário bem podem clamar. Clamam no deserto que a moda gerou à sua volta.

    Outro poderosíssimo lóbi do tal aquecimento são os que, tendo visto a janela de oportunidade que a moda criou, se tornam milionários com o florescente negócio dos chamados direitos de carbono e outras lucrativas negociatas.

    Mais uma vez, com ingenuidade e ignorância, perguntar-se-á:

    1-   Há mesmo aquecimento global, já que ninguém provou sem margem para dúvidas?

    2-   Havendo aquecimento global, será ele próprio do ciclo do planeta, cujas temperaturas já subiram e já desceram milhares de vezes ao longo dos séculos e dos milénios?

    3-   Provado que está que os níveis de CO2 de produção natural já tiveram milhares de vezes subidas e descidas sem que tais flutuações tenham sido, obrigatoriamente, acompanhadas por correspondentes altos e baixos da temperatura, por que raio de carga de água é a humanidade culpada do que, alegadamente, está a suceder?

    4-   Medindo-se por milhões de anos a escala temporal da vida do planeta, que significado tem, para ele, um século e picos?

     

    E muito mais perguntas se poderia fazer, na certeza que não vale a pena. O mundo “esclarecido” – a começar pela Europa que parece apostada em se auto arruinar – gasta triliões dos contribuintes e trata de os convencer que é para seu bem. O mundo não “esclarecido”, a começar pelos EUA e pelos BRICs, está-se nas tintas para estas tropelias.

     

    Paga, Zé, que é o que a moda manda

     

    6.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • A QUADRUTURA DO TRIÂNGULO

     

    Ontem, os luminares da “Quadratura do Círculo”, pela voz esclarecida do Costa, chegaram à conclusão que estão mal sentados à volta da mesa, isto é, que o Pacheco e o Costa deviam estar de um lado, o Xavier do outro.

    O IRRITADO não tem por costume concordar com as arengas socrapífias do Costa. Desta vez, porém, não podia estar mais de acordo. O Pacheco usa o programa para dar largas à sua “independência de espírito”, zurzindo o governo e prestando ao PS serviços de inestimável valor e prospectiva utilidade.

    Assim sendo, para o equilíbrio geo-político da mesa, deviam seguir o conselho do Costa, a fim de que o triângulo, apesar de obtuso, não nos deixasse quadrados.

     

    6.4.12

     

    António Borges de Carvalho

     

    E.T. Diz o Costa que o governo e o seu fisco perseguem os pobres. Devia olhar para a CML, e começar por lá, para dar o exemplo! Veja-se ao espelho, gaita!

  • INTERESSE PÚBLICO


    Anulada que foi a permuta do Parque Mayer com os terrenos da Feira Popular, é de fazer, ou repetir, algumas verificações e reflexões.


    Verificações

     

     

    Há uns dez anos que, tanto o Parque Mayer como o terreno de Entrecampos estão ao abandono, entregues aos ratos, às drogas, à maior das porcarias, uma vergonha urbana sem nome.

    Para o Parque Mayer, houve um sem número de projectos, um dos quais interessantíssimo mas posto à margem por razões políticas veiculadas pelos comunistas e pelo PS com o apoio activo dessa desgraça em figura humana que foi o Presidente Sampaio. Aos outros, sem rasgo nem valor, não se sabe o que aconteceu. Sabe-se que ninguém lá fez fosse o que fosse.

    Para os terrenos da feira popular, havia volumetrias já determinadas, bem como estudos prévios com pareceres favoráveis. Nada foi feito. Nada.


    Reflexões

     

     

    A célebre permuta foi objecto de avanços e recuos, politizada à saciedade. Os opositores políticos à câmara da altura, assim como fizeram os impossíveis para impedir a construção do túnel do Marquês, sem sucesso, usaram tudo o que tinham à mão para inviabilizar a permuta. Até que, não se sabe porquê, o PS deu a volta, ou foi convencido, ou teve um rebate de consciência – era demais! – e lá deixou passar a permuta na Assembleia Municipal.


    Depois… depois vieram o Costa, o Fernandes, a Roseta, o Salgado, e trataram de dar cabo da história. O IRRITADO não contesta que pudessem ter razões de fundo para virar o bico ao prego. Pelo menos, ganharam o processo, com razão ou sem ela.


    Mas o facto aí está. Tudo na mesma, e mais um calvário urbano pela frente, sabe-se lá por quantos anos. É de perguntar qual era o mais importante interesse público. O de deixar seguir o assunto, ainda que com algum prejuízo de curto prazo e sem expressão na despesa, vindo a recuperá-lo em IMI e em receitas do Parque Mayer em meia dúzia de anos, ou o de condenar a cidade ao vergonhoso espectáculo que duas zonas de potencial excelência dão aos munícipes e aos visitantes, a troco de uma espécie de vingança política contra a câmara anterior, ainda por cima tendo, à partida, aprovado tudo?

    Mais. À demanda não seria preferível a negociação? Não faltaria matéria para negociar!

    Mas o impulso rasca da retaliação política foi mais forte que os interesses da cidade. O prejuízo que lhes foi causado por estes foi, está a ser, muito maior que o alegado mau negócio dos outros, mesmo que aprovado, como foi, noutro mandato, pelos adeptos destes!


    Segundo as notícias, parece que a procissão ainda vai no adro. É que o Costa já disse que, se os antigos (novos agora) proprietários do Parque Mayer não fizerem as obras que a câmara mandar, segundo os seus desejos e planos – uma desgraça! -, passará à fase seguinte, ou seja, à expropriação!

    Que se saiba, uma expropriação ou é para utilidade pública ou é ilegal. O que quer dizer que o Costa se prepara para transformar o Parque Mayer numa estrutura pública, por conseguinte sem fins lucrativos.

    É a loucura do socialismo autárquico levada aos píncaros. É o interesse da cidade levado à fossa.


    Uma última observação, destinada aos que, neste momento, estão a acusar o IRRITADO de estar a proteger um pato-bravo lá das berças, um tipo horrível, que até quis corromper o impoluto Fernandes. Não é verdade. Esse acabou por ser condenado e o Fernandes elogiado pelas suas manobras pidescas. O assunto está arquivado.


    Quanto à defesa do interesse público e autárquico, estamos conversados. Foi rigorosamente ignorado em toda esta miserável saga.


    5.4.12


    António Borges de Carvalho

  • ÉTICA MODERNA


    Uma coisa que dá pelo pomposo nome de Comissão de Ética, ou coisa que o valha, regurgitou o seu douto parecer sobre as barrigas de aluguer e a sua influência na felicidade das gentes, sobretudo na dos deficientes sexuais.

    Em relação às pessoas em geral, a tal procriação é recomendada, da seguinte forma: um casal propriamente dito, incapaz de procriar, manda fazer, a partir dos seus produtos biológicos, no laboratório, um zigoto, o qual é introduzido por um especialista nas entranhas de uma mulher com a qual o casal estabeleceu um contrato. Tal contrato reza que a mulher contratada parirá um filho que não é dela, mas dos donos do zigoto, o que parece relativamente normal, e até justo.

    Os tipos da ética acham que não. Na opinião destes moralistas da treta, a mulher contratada, depois de parir, pode ficar com a criança dos outros, ou seja, é eticamente autorizada a estar-se nas tintas para o contrato firmado.

    No caso dos deficientes sexuais a Comissão entra em paranóia ética. Os comissários, ou comissionistas, opinam que vale tudo, desde que os deficientes “utilizem meios próprios”. Fica por esclarecer que “meios próprios” tem um par de fufas ou uma parelha de maricas para este efeito. Mas, “eticamente”, todo o bicho careta tem direito a ter filhos. Sozinho (?), acompanhado, à vontade do freguês. É como pôr um cego a ir ao cinema ou autorizar um paraplégico a correr os cem metros, isto sem ofensa para os ditos.

    Se assim não for, os comissógrafos desde já informam que se está a ofender a Constituição.

    Não sei onde se vai buscar isto à Constituição. Mas, se lá estiver, então é a Constituição que nos ofende, não os que impedem os esta malta de ter filhos. Abaixo a Constituição!

        

    5.4.12


    António Borges de Carvalho

  • SETE PROBLEMAS DA PÁTRIA


    Vejamos os grandes problemas da nossa vida política nos vem apresentando, problemas que, segundo o partido socialista, os opinion makers, as televisões, os jornais e tantos outros formadores da opinião pública, estão na agenda dos dias.


    1 – Antes de mais, avulta essa magna questão de saber onde se vai pôr a “regra de ouro”. Na Constituição? Numa Lei orgânica? Na Lei geral? Num decreto? Numa portaria? A Nação inteira não cabe em si de ansiedade, à espera da solução que os pais da Pátria vão dar a este formidável problema. Ninguém sabe com exactidão o que seja tal coisa, ou como funcionará, ou se funcionará. Mas toda a gente tem consciência de se trata do principal problema do país.


    2 – Tão ou mais importante que esta é a questão de saber se o camarada Seguro vibrou uma golpada estatutária no seu próprio partido, como afirma o incontido e palavroso Marcelo, ou se não deu golpada nenhuma. Se deu à casca como um tarado, foi só por não ter mais nada que fazer? A Nação espera com ansiedade a resposta com que o esclarecido académico prometeu para Domingo.


    3 –  Estamos também mergulhados na resolução da formidável questão de saber como vão ser escolhidos os candidatos socialistas às autarquias e a outros empregos. Convenhamos que, tal como a regra de ouro ou a golpada, a coisa ocupa a primeira linha das preocupações dos portugueses.


    4 – Mal ficaríamos se não fizéssemos referência e esse luminar da nossa vida política que dá pelo nome de Isabel Moreira. Com sobeja razão: como é que a intragável magrizela, perita em parvoíces, causa tanta celeuma? Como é que o Seguro aguenta a tatuada criatura? Um mistério terrível, coisa que não pode deixar de ser comunicada à troica, a fim de tornar a lingrinhas objecto de uma reforma estrutural. Pensar noutras matérias será difícil para o povo. Que outra coisa será tão digna de atenção?


    5 – Na mesma ordem de problemas nacionais, temos o caso, verdadeiramente paradigmático, dessa grande figura da República que “se está marimbando para as dívidas e para a troica” e que  quer “pôr de joelhos os banqueiros alemães”. Mais um problema: o ilustre deputado demitiu-se do cargo que tinha no grupo parlamentar do PS! Mais importante, o quê? Quiçá só o problema da tatuada. Ninguém. Como poderão o PS, o país, o Parlamento, prescendir dos altos serviços do notável maluquinho?


    6 – A somar a tudo isto, os portugueses não podem deixar de tremer de emoção quando pensam que o Seguro está a tentar ver-se livre da influência de tantos e tão qualificados gigantes da nossa política, tais o inacreditável Lelo, o desbocado Santos Silva, o rapaz do beicinho à banda, o ladrão de telemóveis, o Paulo Campos, meu Deus!, o Sérgio dos preservativos, e tantos, tantos mais.


    7 – Mal ficaria ao IRRITADO se acabasse esta resenha dos mais importantes problemas dos portugueses se não citasse o infausto acontecimento de que foi alvo o camarada Louça. Preparava-se o grande líder comunista para ia a Atenas dar aos gregos da extremíssima esquerda a luz do seu pensamento, designadamente o seu sentido aplauso pelos motins, cocktails molotov, incêndios, escavacações de automóveis e outras altruístas acções levadas a cabo com indesmentível civismo pelos camaradas helénicos. Os controladores aéreos alemães, certamente às ordens da fascista Merkel, paralisaram o aeroporto de Munique com o objectivo de impedir o Louça de dizer as suas palavras de apoio aos díscolos de Atenas e de lhes manifestar a sua admiração, estima e indefectível camaradagem. Cabe aos portugueses revoltar-se perante tal manifestação das mais repressivas tendências, não acham? 


    Assim nos entretemos. Pelo menos, é o que a oposição, os opinion makers e os media propõem à nossa consideração.

    Muita falta nos fazem o António José da Silva e as suas “Guerras do alecrim e manjerona”, ou o Guilherme Shakespeare e o seu “Much ado about nothing”.

     

    4.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • AUTARQUIAS


    Tradicionalmente, os municípios eram fruto de cartas de foral em que o Rei (o poder político) reconhecia a “independência” de uma localidade cujos “homens bons” tinham capacidade de se auto governar e deixar de ter certas obrigações em relação ao poder dos nobres e do clero da região. As freguesias coincidiam com as paróquias, não tinham a ver, directamente, com o poder político.

    O sistema foi funcionando até que a revolução dita liberal e os seu formalismos napoleónicos decidiu tudo centralizar, transformando o poder local em mero prolongamento, ou alavanca, do poder político. Reorganizou-se os municípios, e as freguesias, com o tempo, deixaram de ser resultado das comunidades paroquiais.

    O esquema assim criado foi prolongado pelas duas primeiras repúblicas com uma ou outra alteração.

    A terceira república, em que os partidos muito dependem das suas secções locais, cedeu a inúmeras pressões, algumas com razão de ser, outras fruto de conveniências várias.


    Esta evolução, assim referida com rasa simplicidade, foi criando milhares de entidades autárquicas, não viabilizadas pelos interessados, mas dependentes do poder central, objecto de leis parlamentares, com poderes derivados da conjuntura política central e mais formados a partir dos interesses dos partidos que das conveniências das populações.

    O chamado poder autárquico transformou-se em correia de transmissão dos diversos poderes e partidos políticos, pasto de equilíbrios partidários e colossais consumidores de dinheiro público, sem correspondência com os interesses e com as capacidades meramente locais de gerar meios. As autarquias deixaram de ser fruto da espontânea vontade dos interessados, ou fruto, principalmente, de sustentabilidade auto gerada. Assim se foram transformando em capelinhas, cujo objectivo é manter-se enquanto tal e auto justificar-se, não por referência a interesses reais mas pela guarda a todo o custo das estruturas, das cliques e dos poderes e poderzinhos instalados.

    Dir-se-á que é um assim regra por toda a Europa. Dir-se-á que se trata de um fruto da democracia.

    A verdade, porém, é que, com qualidadees e defeitos, a nossa organização autárquica se transformou numa miríade de pequeníssimas, pequenas e médias organizações, todas dependentes do Estado, quase sempre inviáveis, muitas delas mais  com efeitos folclóricos que com quaisquer outros.

    A troica viu isso. Aliás, há muito que muita gente o via, sem coragem para mexer fosse no que fosse.


    Se há erro na política autárquica deste governo é o de não ir tão longe quanto seria de desejar. Pior, é o de querer reformar de acordo com as populações. Não haverá uma única que esteja de acordo. Então, e o “nosso presidente”? E os “nossos  vereadores”? E o tudo à “nossa porta”?

    As pessoas deixaram, ou tendem a deixar de se organizar. Habituaram-se a que alguém as organize. O fim de milhares de fregusias e de alguns concelhos poria milhões de pessoas a trabalhar para resolver os seus problemas comunitários, sem estar à espera do subsídio, do presidente ou das coortes de “autarcas” que enxameiam, polulam e poluem por toda a parte.

    Desfilaram em Lisboa uns  milhares de pessoas, convertidos em 200.000 por uma imprensa tão estúpida quanto imaginar se possa, exigindo a sua freguesiazinha. Tudo boa gente, sem dúvida. Os infiltrados não seriam tantos como se possa pensar. Tudo gente que achava estar a defender os seus interesses, os interesses da sua mini pátria. Tais interesses são legítimos, a forma como levaram as pessoas a defendê-los é que não.


    Não se sabe onde irá parar a reforma do Relvas, sobretudo se ele se puzer com conversas. Há coisas que têm que ser e que têm que ser sem conversas. Ou aproveitam a desculpa da troica, ou estão feitos ao bife.


    2.4.12


    António Borges de Carvalho

  • NOTÍCIAS DA DINAMARCA

     

    Apareceu nos jornais uma fotografia da ministra das finanças da Dinamarca em conversa com o colega germânico. A fulana, indigna posição, estava de joelhos, ou de cócoras, perante o manda chuva europeu, assim se amachucando, e ao seu país. Uma serva da gleba diante do senhor feudal!

     

    Em Copenhaga, os camaradas Frag Lousarg e Jeronymus Sousansen, logo seguidos pelo líder da oposição Antonius Josefus Segurggard, manifestaram a sua repulsa pelo servilismo da imprudente mulher e fizeram apelos desesperados ao povo, cuja soberania, disseram, foi assim irremediavelmente posta em causa.

    Anteontem à noite, no seu programa diário na TV, o célebre jornalista Marioloff Crespinsen também fez notar a insuportável atitude, demonstrativa da mais radical subserviência.

    A antiga e orgulhosa nação treme, indignada, com a afronta. Vitupera a atitude da criatura, bem como se revolta contra o facto de o feroz tudesco Schäuble não se ter posto de pé para falar com uma senhora.

     

    Dado tratar-se de uma democracia estabilizada (uma Monarquia!) parece evidente qua a senhora em causa tem os seus dias políticos contados, e muito bem.

     

    Roters, France Piss e Pusa

     

    Publicado por IRRITADO

     

    1.4.12

  • REGULAMENTARITE

     

    Rezam as crónicas que um grupo de maravilhosos cidadãos, preocupadíssimos com a imagem de Lisboa, anda para aí aos gritos contra as esplanadas, o mau gosto das esplanadas, a falta de limpeza das esplanadas, o mau serviço das esplanadas, etc. e tal.

    Nada a criticar. O IRRITADO está com eles de alma e coração.

    O pior é que tais cidadãos outra coisa não querem senão que a câmara aplique os regulamentos que regulam a coisa. Como sempre, o pior é a câmara.

     

    Uma amostra da “acção” da câmara no que respeita a esplanadas:

    Acabadas as magníficas obras que os privados fizeram, apesar da câmara, no Campo Pequeno, apareceu uma data de esplanadas à porta dos restaurantes da praça de touros. Todas elas eram de bom gosto, grandes e claros toldos, mobiliário decente, etc.

    Um dia, apareceu uma brigada municipal que mandou tirar aquilo tudo, aplicou multas, chateou os comerciantes e privou os munícipes da fruição das esplanadas.

    Tempos depois, as esplanadas voltaram ao sítio, com os mesmos chapéus de sol, as mesmas cadeiras, tudo igual. Desta vez, a câmara não chateou, o que leva a concluir que, para ela, o que era inaceitável num dia, passava a excelente assim que o alarve da fiscalização estivesse bem disposto.

    Houve também uns tipos que capricharam: fizeram grandes esplanadas, preparadas para receber clientes com chuva ou com sol, sofás, cadeirões, barbecus e mais não sei quê, desta vez de gosto discutível, mas constituindo uma mais valia para os cidadãos. Mais uma vez foi coisa de pouca dura. Os tipos tiveram que meter os tarecos num armazém, ou vendê-los ao desbarato, fecharam os estaminés e foram à vida.

    Se calhar, mais dia menos dia, os humores camarários mudam, sabe-se lá porquê, e a tralha volta a aparecer.

    Com gente desta não há nada a fazer.

     

    Os maravilhosos cidadãos acima referidos acham que o regulamento não é aplicado. Foram falar com o Fernandes. O Fernandes disse-lhes, coisa extraordinária, que andava a “negociar” com a associação dos tasqueiros. Ou é mentira ou dá-se o espantoso caso de a câmara ter que negociar para aplicar os seus próprios ditames. Do Fernandes, tudo se pode esperar.

    Vejamos agora, a título de exemplo, algumas maravilhas das directivas que a câmara aplica, ou gostava de aplicar, às esplanadas.

    As toalhas de mesa têm que ter uma cor única.

    Os chapéus de sol têm que ser de lona.

    Os chapéus de sol têm que ser de cor branco cru.

    Os menus não podem ser maiores que uma folha A4.

    Os porta-guardanapos terão que ser de inox.

    Daqui se conclui que a câmara não gosta de toalhas aos quadrados ou às riscas, mas poderão ser cor de burro quando foge.

    A câmara não quer saber se os chapéus de sol são bons ou maus, impermeáveis ou não, grandes, pequenos, redondos ou quadrados, desde que sejam branco cru e de lona.

    Os porta-guardanapos ou são de inox ou são proibidos. Nada de porta guardanapos de porcelana, nem que seja Vista Alegre ou de Saxe.

    Se o menu for maior que uma folha A4, pimba!

    Postas estas e outras exigências, verifica-se que a câmara se exime a examinar os projectos de decoração das esplanadas. Estas, mesmo horrendas, se cumprirem as normas acima e outras do estilo imaginativo do Fernandes, “verão a licença automaticamente passada”. Para quem conhece os “automatismos” da câmara, os deferimentos passivos e outras coisas pomposamente designadas por “SimpLis”, a licença automática deve ser coisa para levar dois ou três anos. Mas isso é pormenor.

     

    Uma última observação, agora acerca dos incomodados cidadãos: não contentes com a aceitação acéfala das normas da câmara que querem ver aplicadas, acham, por exemplo, que a bela esplanada do “Nicola” é grande demais(!). ou seja, são mais camaristas que a câmara. Ora bolas!

     

    1.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DES-SOCRATIZAR

     

    Quando Passos Coelho, aqui há uns meses, disse que não iria falar do passado, entendendo-se por passado o consulado do senhor Pinto de Sousa, é de presumir que estava a ser sincero.

    Mas afirmava o impossível: não se pode justificar o que se passa hoje sem recorrer ao que ontem se passou. Não se pode apertar o cinto da malta como se aperta sem dizer porquê.

    O porquê está em Paris Está também, estrebuchante e indignado, na tropa fandanga que o estudante rico e emigrado deixou nas bancadas do Parlamento: figuras tão ilustres como o inacreditável Lelo, como o do beiço à banda, como o ladrão dos gravadores e tantos, tantos outros.

     

    Por ter dito que faria o impossível, Passos Coelho é agora atacado com a alegação de estar a perseguir o Pinto de Sousa.

    Na estranha óptica da tropa fandanga, o senhor Pinto de Sousa, por definição, não pode ser objecto de ataques. E, se tais ataques tiverem boa base – a verdade – então ainda menos!

    A verdade, como é evidente, não faz, como nunca fez, parte da deontologia política da tropa fandanga. Para a tropa fandanga, a verdade é uma chatice, um mau hábito que põe em causa a democracia, pelo menos no esclarecido entendimento do pintodesousismo, alta expressão do socialismo democrático.

     

    Há muitas décadas, os soviéticos, sob a douta direcção do camarada Brejnev, decidiram des-stalinazar a União. Era insustentável, mesmo para uma sociedade privada de qualquer sombra de direitos, continuar a honrar, como se de um semi-deus se tratasse, um ditador carniceiro, talvez, com Hitler, o mais sinistro, o mais horrível de todos os monstros que a história e a ideologia geraram. Na Rússia e adjacentes, as coisas continuariam mais ou menos na mesma. Mas até aquela gente do PCUS foi capaz de pôr de lado o culto de Estaline.

     

    Por cá, é o contrário. Mutatis mutandis, o nosso impensável partido socialista não consegue libertar-se da sombra do horrível demagogo que o dominou e que arruinou a Nação e o seu povo. Menos humildes que o camarada Brejnev e seus sequazes, os socialistas nacionais insistem em não querer reconhecer os males que o seu ex-líder causou. O Seguro, coitado do Seguro, não consegue, por muito que lá no fundo queira, reconhecer publicamente a desgraça que o seu partido, sob o comando do Pinto de Sousa, espalhou aos sete ventos.

     

    É pena. A humildade, a contrição, a des-socratização do PS e do país seriam um sinal de dignidade democrática. Mas esta gente parece não saber, nem o que é dignidade, nem o que é democracia.

     

    31.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DIÁRIO DE NOTÍCIAS

     

    Vista de olhos ao jornal do amigo Oliveira, edição de ontem.

    Desporto, manchete: “penálti aos 90’ assombra vitória dos leões”. Calcule-se o assombro da dona Vitória, eventual leoa dos leões.

     

    Política: “Código laboral e revisão estatutária incendiam bancada”. Não se sabe o que acontece à bancada, já que a palavra que o descreve não existe.

     

    Forças Armadas: “Governo aprovou norma que permite a contagem do tempo de serviço congelado”. Percebeu? Não? Se o tempo está congelado, como é que se conta? O jornal explica: a frase quer dizer que não há efeitos retroactivos a Janeiro. Percebeu?

     

    E há mais, muito mais. Mas não vale a pena.

    Pelos vistos o Acordo Ortográfico, tão amado pelo amigo Oliveira e pela sua rapaziada, afinal fica bem ao jornal: mais analfabetismo, mais iliteracia, é difícil. Mas consegue-se!

     

    31.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • PROTESTOS DESPORTIVOS


    O IRRITADO protesta energicamente contra a publicação dos dados pessoais dos árbitros da bola. Persiga-se os culpados! Prenda-se essa gente! Meta-se na cadeia! Já!


    *


    O IRRITADO protesta com o mesmo vigor contra os árbitros, bando de “juízes” contra os quais qualquer recurso é improcedente.

    Ganha-se e perde-se jogos porque uma destas excelências se engana ou se “engana”. Milhões de pessoas vêm penaltis que não se marcam porque os “juízes” foram os únicos a não ver o que os milhões viram, milhões vêm golos metidos em fora de jogo que só os árbitros “não viram”, etc., um nunca acabar de tropelias, erros ou “erros” sem desculpa.

    Nenhum destes destruidores do futebol reconhece os seus melefícios, nunhum destes artistas da desgraça pede desculpa. Pelo contrário, chegam ao ponto de apresentar queixa contra quem se queixa. É como nas arábias, onde as mulheres violadas são apedrejadas e os violadores elogiados. As “autoridades” da bola são uma espécie de aiatolas que condenam quem lhes apetece, e só lhes apetece condenar quem se queixa, quantas vezes com carradas de razão. Contra estes semi-deuses da asneira a que chamam juízes, queixar-se é proibido! Estão acima e para lá de qualquer crítica.


    *


    Se a bola tivesse pernas, estava de pernas para o ar.  

     

    29.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • O OCO


    O camarada Seguro, seguro da sua alta inteligência, produz brilhantes ideias.


    Algumas, dos útimos dias:


    Só agora o governo mandou o contrato do TGV para o Tribunal de Contas!, disse ele com seu ar de crítica inocência. Quer dizer, na sua alta imaginação oposicionista, o governo manda o contrato “agora” e o TC pronuncia-se no dia seguinte! O pobre homem nem sequer sabe que o TC se pronuncia sobre o que lhe apetece ou lhe compete, independentemente do governo.

     

    Como alta questão que preocupa todos os portugueses, muito mais que a falta de dinheiro, o desemprego ou a saída da crise, a criatura elege, como tema de alta importância, saber se os limites do défice devem ficar na Constituição ou ser objecto de lei, não se sabe se orgânica se ordinária. Como o governo acha que a coisa (um disparate) deve ficar na Constituição, o homem acha que não. Ficamos com a certeza do contrário, isto é, se o governo quisesse pôr a coisa na lei, ele querê-la-ia na Constituição. Tem que mostrar que existe, que diabo!

     

    Mais uma demonstração da inteligentíssima opinião do inseguro paspalhão: dando expressão, julga-se, à opinião  socialista, opõe-se ferozmente aos exames da 4ª classe, hoje dita 4º ano: nada de exames, que o socialismo é pela liberdade de aprender, a qual implica, como é óbvio, o direto a ninguém saber se se aprendeu ou não.


    Oco, vazio, vão, para além de cretino, este rapaz.


    Sejamos sérios, porém. Antes este que os corifeus do socraldrabismo.

     

     

    27.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CALÇADAS, PEDRADAS E PATACOADAS


    Há longos anos, o IRRITADO apresentou, na Assembleia Municipal de Lisboa, uma “recomendação” à Câmara acerca da chamada calçada portuguesa.

    Recomendava que fosse conservada tal calçada em locais emblemáticos e construída de novo noutros sítios de natureza semelhante ou afim. No resto da cidade, a calçada portuguesa devia, na opinião do proponente, ser simplesmente abolida e substituída pelos materiais em uso por toda a Europa.

    Esta opinião justificava-se por diversas ordens de razões: não é possivel fazer a manutenção da calçada existente, não há artífices que o façam, não há dinheiro nem organização para a manter em condições, todos os dias se torcem pés pela cidade fora, todos os dias há senhoras e cavalheiros que se estampam nos passeios à pala de pedras soltas e de buracos na calçada, todos os dias há quem atire pedras a isto e àquilo, o aspecto de quase todos os passeios é deplorável, etc.

     

    É claro que a recomendação do IRRITADO deve ter ido para o caixote do lixo da CML, e nunca mais se falou no assunto. A vergonha continuou a imperar, aliás apoiada “doutrinariamente” pelos defensores da permeabilidade dos solos urbanos, como se o problema fosse a impermeabilização e não a drenagem. Como se as demais capitais da Europa estivessem alagadas por ter os passeios impermeáveis!

     

    Uma reportagem sobre este assunto apareceu, outro dia, num jornal qualquer, onde se descrevia, com pormenor, a situação que tanto irrita e prejudica Lisboa e os lisboetas.

    Bem haja o repórter, ainda que tenha produzido um trabalho destinado à lixeira onde está, carcomida, a recomendação do IRRITADO.  

     

    27.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DO PRESTÍGIO DA JUSTIÇA E DOS SEUS AGENTES

     

    Os nossos juízes – pobres de nós! – elegeram uma nova direcção para o seu sindicato. O novo condotieri da classe declarou as suas melhores intenções para recuperar o prestígio da mesma, bem como o da Justiça em Portugal.

    Os procuradores parece que fizeram, ou vão fazer, a mesma coisa.

     

    O IRRITADO permite-se dar um conselho a estas doutas corporações: se se querem prestigiar, comecem por acabar com os sindicatos.


    *


    Por falar em juízes, mal ficaria ao IRRITADO se não os condenasse pelo crime de queixa, isto sem saber se tal crime existe. Acusar não é com eles. Com eles é julgar. Para julgar, são independentes e irresponsáveis. Ora ninguém é independente ou irresponsável, muito menos os juízes, se se dedicar a julgar aqueles que acusou!

    Se isto não é crime, é, pelo menos, o mais desbragado e pernicioso pontapé na deontologia profissional, na independência, na própria e elementar natureza do poder de que dispõem.

    Pior ainda é que nem um só juíz venha a público demarcar-se da atitude do sindicato, o que nos garante que os juízes estão de rastos, que a Justiça está de rastos, que nós estamos de rastos.

    Que faltará espezinhar?    

     

    27.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CAUSAS SEM EFEITO


    O nosso douto Parlamento decidiu debruçar-se sobre o caso BPN.

    A maralha socialista, como é evidente, queria inquirir sobre a privatização – ainda não consumada – e os milhões que, na sua opinião, ficarão por pagar, ou seja, tinha esperança no que fosse pior para o PSD.

    Os tipos da coligação queriam inquirir sobre a nacionalização e os milhões que, a rodos, foram gastos com ela, já que tal seria o pior para o PS.

    Os fulanos dos dois e meio partidos comunistas não interessam para o caso, já que querem sempre o que for pior para nós todos.

    Resultado, andou tudo à trolha.

    Acabaram por chegar a um acordo mais ou menos coxo que ainda vai dar muito que falar. Foi preciso a Presidente ameaçar que lhes batia com a porta na cara se continuassem a portar-se mal.

    É de admitir que não chegarão a qualquer conclusão, ou que encanem a perna à rã, como aconteceu no inquérito ao caso TVI, cujo relator chegou à brilhantíssima conclusão que o senhor Pinto de Sousa mentiu com todos os dentes, mas não é mentiroso nenhum, antes pelo contrário.

    *

    Já não há quem não tenha percebido que a nacionalização do BPN, deixando de fora a SLN, não passou de um erro de dimensões colossais, coisa que não cabia fosse em que cabeça fosse que estivesse no seu pertfeito juízo. Coube noutras, como a do senhor Pinto de Sousa, coadjuvado pelo inacreditável Teixeira, o qual levou uma data de anos ao serviço do destrambelhamento mental do patrão e só se zangou com ele quando já estávamos todos a pão e laranjas.

    Depois, foi a loucura, a paranóia, a mania das grandezas, a mais brutal irresponsabilidade, para as quais nem explicação psiquiátrica é possível encontrar. A coisa custou, pelo menos, uns seis mil milhões. É obra!

    Entretanto, à excepção do senhor Oliveira Costa, que será julgado quando for – se calhar quando os nossos netos já tiverem pago os seus desmandos – o resto da rapaziada continua por aí na maior. Tudo obra do socialismo institucional.

    Agora, parece qe há umas almas caridosas que se propõem ficar com o cadáver do BPN, desde que nós tapemos o resto dos buracos e oferecendo ao governo uma gorgeta de quarenta milhões. Os rapazes do Durão Barroso parece que não gostam da solução. O IRRITADO também não gosta. Mas, no estado miserável em que o Pinto de Sousa e o Teixeira deixaram a coisa, qual a outra solução?

     

    Uma sugestão, aliás já proposta pelo IRRITADO, sem que ninguém, como é natural, lhe tenha ligado bóia:

    a)    Liquidar o BPN, pagar as indemnizações ao pessoal e cumprir a lei da segurança dos depósitos, coisa de cuja existência ninguém parece lembrar-se;

    b)    Pôr o Pinto de Sousa e o Teixeira a fazer companhia ao Oliveira Costa e solicitar ao Putin que lhes arranje um lugar vitalício a partir pedra na Sibéria.


    À atenção do governo, já que dos juízes & Cª outra coisa se não espera para além de trapalhadas e reivindicações.

    *

    Uma nota final, que muito ajuda à esperança que a comissão de inquérito infunde nos nossos corações. Diz ela respeito à nomeação do camarada Isaltino, perdão, Vitalino, para a presidência dos trabalhos.

    Um homem capaz de tudo e do seu contrário, de ser contra o trabalho temporário ao mesmo tempo que dirige, ou lá o que é, o respectivo lobby, ou lá o que é, capaz de justificar por a-b toda e qualquer asneira do seu bem amado chefe Pinto de Sousa, vai presidir à comissão que tem por fim desmontar os vandalismos financeiros do dito, na sua mais abortiva manifestação.

    Temos ou não razão para esperar maravilhas de mais este inquérito parlamentar?

     

    22.3.12

     

    António Borges de Carvalho