Há longos anos, o IRRITADO apresentou, na Assembleia Municipal de Lisboa, uma “recomendação” à Câmara acerca da chamada calçada portuguesa.
Recomendava que fosse conservada tal calçada em locais emblemáticos e construída de novo noutros sítios de natureza semelhante ou afim. No resto da cidade, a calçada portuguesa devia, na opinião do proponente, ser simplesmente abolida e substituída pelos materiais em uso por toda a Europa.
Esta opinião justificava-se por diversas ordens de razões: não é possivel fazer a manutenção da calçada existente, não há artífices que o façam, não há dinheiro nem organização para a manter em condições, todos os dias se torcem pés pela cidade fora, todos os dias há senhoras e cavalheiros que se estampam nos passeios à pala de pedras soltas e de buracos na calçada, todos os dias há quem atire pedras a isto e àquilo, o aspecto de quase todos os passeios é deplorável, etc.
É claro que a recomendação do IRRITADO deve ter ido para o caixote do lixo da CML, e nunca mais se falou no assunto. A vergonha continuou a imperar, aliás apoiada “doutrinariamente” pelos defensores da permeabilidade dos solos urbanos, como se o problema fosse a impermeabilização e não a drenagem. Como se as demais capitais da Europa estivessem alagadas por ter os passeios impermeáveis!
Uma reportagem sobre este assunto apareceu, outro dia, num jornal qualquer, onde se descrevia, com pormenor, a situação que tanto irrita e prejudica Lisboa e os lisboetas.
Bem haja o repórter, ainda que tenha produzido um trabalho destinado à lixeira onde está, carcomida, a recomendação do IRRITADO.
27.3.12
António Borges de Carvalho

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