IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • SOARES, O GREGO

     

    Atendendo aos brilhantíssimos resultados obtidos pela Grécia em consequência originalidade política e social com que acatou as regras de auxílio financeiro que se comprometeu a cumprir, o dr. Mário Soares veio, do remanso do dourado gabinete que o próprio aluga ao Estado para o próprio se instalar, decretar que isso de acordos não é para cumprir, e que o PS tem a estrita obrigação de des-assinar os acordos que negociou e assinou.

    Em clássica inspiração, certamente por Zeus determinada, o nosso Grego disse de sua justiça. Veja-se a profunda coerência que o rei dos deuses lhe instilou nas meninges: ele que, com a grandeza dos iluminados, chamou por duas vezes o FMI às lusitanas plagas, ele, que chamou Hernâni Lopes, por exemplo, para aplicar os draconianos projectos da dona Teresa Minassian, ele que, no auge do sacrifício pela Pátria, chegou ao ponto de lançar impostos retroactivos, ele, republicano, socialista e laico, vem agora condenar não só os que executam programas do tipo dos que tanto acarinhou, vem dizer que não cumpram, que borreguem, que mandem a troika à fava!

    Mais esclarecido parecer é difícil de imaginar.


    Tudo , porém, se justifica. Ele sabe, não como dizem as eleições por essa Europa fora, que “o povo europeu não quer isso (a Europa de mal a pior)” e que o mesmo povo “sempre defendeu uma Europa social e não uma Europa liberal”. No douto parecer de Soares, o Grego, o povo europeu (que povo?) não votou, não escolheu governos, não formou maiorias. Nada quis. Ele, Soares, o Grego, é que sabe o que o povo europeu quer. O que o povo europeu quer é o que Soares, o Grego, determina que ele quer! Mais Estado! Mais controlo! Mais autoridades, mais regulamentos, mais funcionários, mais entidades, mais fundações, mais impostos, mais, mais, mais. Nada de liberalismos. Estado. Seja ele os Estados nacionais, seja o mega Estado de Bruxelas. Que importa que os povos europeus estejam controlados até ao tutano por regulamentos, directivas, espartilhos, leis, leisinhas e leisetas? É preciso mais! Soares, o Grego, determina que, se o Estado social passar a ser sustentável, então “o desenvolvimento da Europa desaparece”.

    Por cá, o governo, que fez uma acordo com os sindicatos democráticos, “não dialoga com os sindicatos”. O governo, que passa a vida a (tentar) explicar-se, “não dialoga com o país”. Crime dos crimes, o governo,que passa a vida a responder, no Parlamento, às mais rebuscadas questões, “não dialoga com o principal partido da oposição”. Por isso, o principal partido da oposição deverá, o mais depressa possível, rasgar os acordos que firmou, não por causa dos ditos, mas para fazer oposição, para dar cabo do governo.

    Que importa que a Europa se prepare – toda a gente sabe, menos Soares, o Grego – para lançar, com êxito ou sem ele, programas para a economia e o emprego? Que importa que seja evidente que o governo está a fazer contas e recontas para se poder apresentar com alguma credibilidade à execução de tais programas? Que importa que, para tal, seja preciso demonstrar capacidade para acesso a eles e que isso implique uma disciplina tão férrea como a que Soares, o Grego, aplicou noutros tempos? Nada.

    Para Soares, o Grego, não importa. O que importa é que o governo dure pouco, que a credibilidade do país caia no esgoto do socialismo – como se lá não estivesse já – e que o poder regresse às mãos dos seus. É isso o importante. O resto são cantigas neo-liberais, não é?    

     

    9.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • PROTECCIONISMO


    Um conselho do IRRITADO aos que “acusam” o governo de ultraliberal: leiam a entrevista, no “Expresso”, da ministra da agricultura e de mais não sei quantas coisas.

    Não há melhor exemplo de ânsia proteccionista.

    Não há melhor exemplo de como a chamada democracia cristã se aproxima do socialismo dito democrático.

    Não há melhor exemplo da total ausência de mentalidade liberal que impera no país.

    A propósito da magnífica promoção do Pingo Doce, a senhora, em vez de dizer que, a haver alguma ilegalidade, será do pelouro de quem o tem, desata numa sanha controleira, anuncia uma data de novas leis, tipo big brother do comércio, propõe-se garrotar a liberdade contratual de entre trabalhadores e patrões e entre parceiros comerciais, tudo a propósito de altas moralidades, de “protecção do mais fraco”, de abusos de posição, num delírio digno de tempos que já lá vão. Não se pode ser mais anti-liberal.

    O que pode levar a senhora a alinhar com os raivosos protestos da extrema-esquerda e do socialismo segurista?

    O que pode levar a senhora a armar-se em dona da vontade das empresas e dos seus trabalhadores? Terá medo que lhe chamem liberal?

    Ou é mesmo, como acha o IRRITADO, visceralmente anti-liberal?


    Anos atrás, os chamados produtores (os “protegidos” da ministra) queixavam-se amargamente dos intermediários que se locupletavam com as margens que lhes eram “devidas” e que eram os culpados pelos preços exorbitantes que o consumidor final pagava. O Pingo Doce, como outros, acabou com os tais intermediários. Vai directamente à produção e acaba por vender mais barato ao consumidor do que se vendia noutro tempo.

    É claro que os produtores continuam a queixar-se que são “esmagados” por capitaistas sem escrúpulos, etc. Bullshit! Ninguém quer perceber que, se quer ganhar dinheiro, aumente a produtividade, melhore a qualidade, venda mais barato e ganhe na quantidade.

     

    *

    O IRRITADO é um fiel cliente do Pingo Doce, que vende bons produtos – os seus produtos brancos, em matéria de qualidade, metem toda a concorrência num chinelo – e mais barato que a generalidade dos demais. Em matéria de qualidade/preço não tem rival, nem de lonje nem de perto.

    Ainda por cima, fez a espantosa promoção do 1º de Maio, proporcionando às gentes a única verdadeira festa daquele dia. As outras foram, ou o formalismo requentado da sessão parlamentar, destinada, não a celebrar a Democracia e o direito das pessoas, mas a dar uma oportunidade de palco à oposição, ou a apropriação do dia pelas “massas”, na mesma óptica: apropriar-se da data, desunir, extravazar ódios, cacarejar slogans apodrecidos, aproveitar-se das dificuldades para fazer propaganda de ideias que a História e a moral há muito condenaram.

    Ainda por cima aproveitou para dar aos empregados as mesmas oportunidades que aos cliente e pagou-lhes como deve ser o 1º de Maio “laboral”.


    A raiva primária com que a esquerda “saudou” a iniciativa (é melhor que o povo pague mais caro, se pagar mais barato for obra dos que a esquerda primitiva – haverá outra? – odeia, por princípio e devoção) é, moral e humanamente, uma vergonha.

    Não é menos vergonha é que a senhora ministra aproveite a ocasião para ter um ataque de diarreia legislativa, persecutória e proteccionista.

     

    7.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • HOLLANDÓCRATES


    Os franceses – e nós com eles – estão metidos numa camisa de onze varas.

    Parece que o camarada Hollande vai ganhar. Na sua esclarecida boca uma panóplia de impossíveis, a fazer lembrar as patacoadas do nosso saudoso Pinto de Sousa, com quem, sabe-se lá, é capaz de se ter aconselhado no suave remanso da Rue Lauriston. É evidente que o fulano se dedicará a chatear meio mundo, a arruinar ainda mais a França e a faltar a todas e cada uma das promessas que anda a agitar com o seu arzinho de flor de estufa.

    E se ganhasse o Nicolau? O homem deixou-se arrastar nos malabarismos das estatísticas e das contas de somir do adversário e, dizem os comentadores de serviço, perdeu o debate. O homem, com os seus defeitos, é mais pessoa humana, mais normal que o delicodoce Hollandócrates. Mas não vai lá. E, se fosse, ganhar-se-ia com isso? Não interessa. É história.

    Quanto aos rapapés à dona Martine, ficaram empatados. A necessidade é muita, a dona Martine, horrível fascista, meteu-os no bolso.


    O problema é que a História não tem nada a ver com as histórias que contam. A História mostra que a França está, como todos nós, a caminho da ruína, que o socialismo está exangue, que a sociedade está anestesiada pelos hábitos de encosto que meteram na pele das gentes ao longo dos anos em que, servindo-se do Estado liberal, se dedicaram acondenar o liberalismo. Comunistas, socialistas democráticos, sociais-democratas, democratas cristãos, todos do mesmo lado, todos fervorosos inimigos do liberalismo, trataram, ao longo de quase setenta anos, de dar cabo da responsabilidade individual, de convencer as pessoas que têm o problema resolvido, que ganharão a vida façam o que fizerem, tudo isto mascarado e vendido como “direitos sociais”, a banha da cobra dos nossos tempos. O figurino foi mais ou menos o mesmo, as nuances serviram de raminho de salsa. Quando, por via tecnológica, chegou a globalização, ninguém percebeu o que se estava a passar. Adeus indústria, que coisas pesadas não são para europeu, adeus agricultura, que só vale alguma coisa à custa de subsídios, adeus pescas, que isso vai contra as espécies, e por aí fora. Em meia dúzia de anos, os BRICS aprenderam tecnologia, o dinheiro emigrou e, enquanto a Europa estrebucha e outros gozam as maravilhas que a Europa inventou, ainda andam por cá os hollandócrates & Cª a dizer que vão salvar o estado social (entre nós inventado pelo Prof. Marcello Caetano!).

    A oposição ao status quo é ocupada pelos que outra coisa não querem senão defender o staus quo, mesmo sabendo que o status quo tem os dias contados. Receitas revolucionárias, todas socialistas, da dona Marine ao canalha Otelo, há muitas por aí.

    A revolução útil, a que poderia acender uma lamparinazinha na escuridão, seria a revolução liberal, o Estado de direito propriamente dito.


    Nada disto se avizinha. O que vem aí é o Hollandócrates no seu pior, que melhor não tem. Ou, por milagre, o peripatético Nicolau. Tanto faz. O futuro é negro e não há lamparina nenhuma.

     

    3.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • AMIGOS DO POVO


    Em resultado das altas preocupações que os animam quanto ao bem estar do povo, os partidos comunistas desencadearam justa campanha de indignação contra o governo por causa dos 50% de desconto do Pingo Doce no 1º de Maio.

    Calcule-se a justa revolta destes exemplares amigos de todos nós, designadamente dos trabalhadores, dos desempregados, dos que mais precisam. Não propriamente, é claro, por causa das borlas dos tenebrosos capitalistas, que essas não fazem mal a ninguém, nem se perceberia o contrário. Trata-se, sim, da justíssima indignação do PC e do BE pelos muitos milhares de portugueses que foram para o Pingo Doce em vez de se juntar à gritaria que promoveram nas ruas das cidades, berraria evidentemente prejudicada pelos malandros, se calhar fascistas, que foram às compras em vez de se juntar às massas desfilatórias. Oportunistas sem vergonha! Em vez de ir passar o feriado a confraternizar com as procissões, contribuíram, com a sua sanha consumista, para tornar a iniciativas dos partidos no mijarete em que redundaram.

    E, como parece que os camaradas Jerónimo e Louça (ainda!) não têm autoridade soberana sobre o Pingo Doce e quejandos, vai de pôr as culpas para o governo, o Álvaro, dona Cristas e outros ferozes inimigos do povo.

    Muito bem! É assim mesmo, camaradas. Vão longe.

     

    3.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • ESPERANÇA

     

    A OCDE – a autêntica, não aquela inventada pelo senhor Pinto de Sousa – chegou à conclusão que os funcionários públicos portugueses são os que menos horas trabalham na Europa.

    Estranhamente, ou nem por isso, os alemães são os que trabalham mais horas!

     

    A OCDE faz contas a partir da legislação, como é óbvio, com férias, feriados, pontes e ouras martingalas oficiais. Se a OCDE contasse com os três dias do artigo xis, com as tardes do artigo i grego, com a semana da menstruação, com a licença para aborto, com as benesses do chefe, com as baixinhas à maneira do médico amigo ou do da caixa, etc., então quantas horas seriam?

    É claro que, já li não sei onde, segundo os sindicatos, o que interessa não é o número de horas de trabalho, mas a qualidade do dito. Pois claro. Deve ser por isso que quem progride na vida se está nas tintas para horários e trabalha as horas que for preciso sem alegar “direitos” especiais. Mas isso é outra história. Os que têm do trabalho a ideia de uma coisa a que se encostam, que foi ao que os habituaram, esses são capazes de reivindicar, de pleno direito, o pagamento dos cinco minutos a mais que esfolaram na semana passada.

    Aliás, é de pensar que o Arménio, o senhor Picanço, a dona Avoila et alia acham que os alemães são umas bestas e uns preguiçosos, já que levam tantas horas no serviço. Ao contrário do que se passa por cá, deve tratar-se de um trabalho de péssima qualidade! Temos “direitos”, que diabo!

     

    Se a crise tivesse solução, entendendo por solução o que nos permitiria voltar a viver como nos tempos gloriosos do PS mas sem ser à custa dos outros, talvez os sacrifícios de tanta gente (os funcionários são dos que menos fazem parte dessa tanta gente) contribuíssem para mudar os hábitos de trabalho da malta, para pôr alguma inteligência na cabeça dos sindicalistas e, passada a crise, talvez a sociedade portuguesa entrasse nos eixos.

     

    Wishfull thinking, dir-se-á. Mas ter esperança nunca fez mal a ninguém.

     

    1.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • LINGUADOS E SACOS

     

    Já imaginaram um linguado a comer sacos do Pingo Doce?

    Não imaginaram nem imaginam, porque os linguados não comem sacos do Pingo Doce.

    Pois bem, segundo a Quercus não têm razão. Comem sim senhor. A nobre organização, após aturados estudos, chegou à conclusão que os sacos de plástico são um pitéu para os peixinhos, os quais, na douta opinião desta malta, acabam por morrer com horríveis indigestões, vítimas de excesso de polietileno de baixa densidade no baço.

     

    O IRRITADO acha bem que as patroas passem a ir Ao Pingo Doce munidas de um leva-tudo para as comprinhas. Não acha mal que os supermercados deixem de dar sacos de plástico ao povo. Compreende que lançar ao mar uns milhões de toneladas de sacos de plástico é uma grave chatice para o mar e para os peixinhos. Isto, mesmo dando de barato que a esmagadora maioria de tais toneladas já são reaproveitadas e não deitadas ao mar.

     

    E se esta gente não tratasse os seus concidadãos como parvos, ignorantes e néscios, não seria muito melhor?

    Ou esta gente tem outros objectivos que não o de proteger os linguados?

        

    1.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • PERGUNTAS MACACAS

    1. Porque é que o poeta Alegre se recusou a ir à cerimónia da AR?
    2. Alguém o convidou?
    3. Se sim, a que título?
    4. Por escrever umas quadras?
    5. Por ser reformado da RDP?
    6. Por ser reformado da AR?
    7. Por ser velho?
    8. Por ser parvo?
    9. Por ter andado na Argélia a dar cabo da vida aos combatentes através da rádio?
    10. Porque é que a dona Assumpção não explica?
    11. Convidou ou não?

    *

    1. Porque é que toda a gente se desdobra a afirmar que o ex-PR Soares estava no seu pleno direito de não pôr os pés na sessão?
    2. Estava?
    3. Então a sua ausência não foi uma cavalidade, uma peixeirada, uma falta de respeito pelas instituições democráticas que diz defender?
    4. Porque anda o ex-PR Soares, pública a notoriamente, aos abraços ao Otelo (patrono de assassinos) e ao Lourenço (uma besta quadrada) em vez de ir à sessão?
    5. Então o incitamento ao golpe militar, à violência, à subversão contra a democracia, à rotura, não é crime?
    6. Ou só é crime se for feito pela extrema-direita, nunca se perpetrado por esquerdistas baratos, acéfalos ou desejosos de fama e glória a qualquer preço?
    7. O que andam a fazer os procuradores, a PJ, o sindicato dos magistrados?
    8. Não deram por nada?
    9. E aquela besta do Marinho Pinto, defensor oficioso e acharné do Pinto de Sousa?
    10. Será que o 25 de Abril garantia o socialismo, não a democracia?

     

    Tudo perguntas sem resposta?

    Não!

    Há quem responda. Há quem tenha direito de antena, e bem pago, para tecer loas às ínclitas figuras, figurões e figuraços que marimbam na democracia e a defendem como património da esquerda militar, da esquerda civil, da esquerda tout court.

    Olhem a bruxa Gomes, olhem a colega (dela) Alves, olhem o odioso Oliveira, olhem os alarves Tavares e tutti quanti que por aí andam a infernizar as cabeças das pessoas, apoiados e bem pagos pela “informação”.

     

    1.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • OS VASCOS LOURENÇOS

     

    Ainda hoje me dá vómitos pensar que tive a desgraça de dormir umas noites no Regimento de Infantaria 1, em Abrantes, ao lado de um tal Aspirante Vasco Lourenço, à altura patriótico defensor do Império nos precisos termos definidos pelo doutor Oliveira Salazar. O homem fazia gala da sua preparação para o combate em defesa dos altos ideais da Nação e tratava com desdém a chusma de milicianos que o rodeavam, gente cheia de dúvidas, chateada com a mobilização, apesar de tudo pronta a ser fiel ao seu destino em vez de dar à sola não deixando que outros fossem parar a África em seu lugar. Gente que, de um modo geral, sabia de ciência certa que o status quo era impossível de aguentar e que alguma solução política devia ser encontrada que fizesse os impossíveis para respeitar a honra de Portugal, os interesses dos portugueses que mourejavam nas áfricas e a vida da generalidade dos africanos. Um bando de traidores, na esclarecida opinião de Vasco Lourenço.

    Quem havia de dizer que o jóvem Aspirante Lourenço viria a dar no que deu!


    Como é sabido, não carecendo de demonstração, em termos de consequências tão grave foi o imobilismo psicótico do governo ditatorial de então como o foi a forma estúpida, rasca e ultra ideológica  como os vascos lourenços trataram de  fazer, à trouxe-mouxe,  dumping dos territórios ultramarinos. Os vascos lourenços gabam-se de ter feito “justiça” à custa da destruição da vida de muitas centenas de milhar de portugueses, a quem chamaram “retornados” – muitos deles não retornavam, eram de lá e foram corridos à ponta da baioneta perante a indiferença de umas forças armadas reduzidas pelos vascos lourenços à condição de escumalha –  e de sabe-se lá quantos mortos (centenas de milhar) em dezenas de anos de guerras fratricidas entre os “libertados”. De tudo isto se orgulham os vascos lourenços, em vez de pedir desculpa aos ofendidos, alegando qualquer coisa tipo “ventos da história”.

    Consumada tal nobre tarefa, os vascos lourenços lá cederam à vontade de um país amachucado, mal-tratado, arruinado, e resoveram dar-lhe a cenoura da democracia. Correu-lhes mal: sete anos passados perderam a tutela da democracia e dos portugueses e foram, finalmente, com vasto acréscimo de estrelas, galões e ordenados, mandados para casa.  

    Mas não perderam a jactância, a sede de tutelar os portugueses, o pendor militarista, a ignorância crassa, a petulância, a patronização do Estado e do povo, a noção de que a democracia “do 25 de Abril” é, ou era uma, as decisões do povo só sendo válidas se de acordo com uma qualquer ideologia castrense, abusiva, indefinida e bonca.

    Hoje como ontem, Vasco Lourenço é uma besta quadrada, os seus seguidores a mesma coisa, o que fica demonstrado quando declaram que o governo já não é legítimo porque os vascos lourenços acham. Nem sequer, como o colega civil chamado Sampaio, se “baseiam” em sondagens. Declaram-no do altar em que se querem manter alcandorados, e pronto. Que raio é isso de democracia se os vascos lourenços não gostam?

    Na quse pífia – em relação a outras do género – manifestação de ontem, coisa que nem quantificaram para não passar por tal vergonha, o que demonstrado ficou foi o desprezo do povo em geral pela repetição bacoca de slogans que já pouco dizem seja a quem for que não pertença à obsoleta tribo que os vascos lourenços, os mários soares, os alegres, os arménios, os silvas, os jerónimos os louças e os pataratas integram.

    Felizmente, entre tanta desgraça, a esmagadora maioria dos portugueses está muito longe desta gente.

     

    26.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • O SOCIALISMO AO ATAQUE

     

    Muito preocupadas andam as gentes com a subida da Marine nas eleições francesas. Xenofobia, racismo, extremismo, fascismo, o diabo a quatro.

    Talvez tenham razão. Mas não em se preocupar.

    Indo um bocadinho mais longe, pergunte-se: de que fala a Marine, senão de socialismo? Um socialismo nacional, sem os rodriguinhos da “solidariedade” e de outros “valores” na moda dos outros socialismos. Socialismo puro e duro. Socialismo que cala fundo na mentalidade das pessoas, mormente das que procuram protecção, apoio, subsídio, estado social, as mesmas que votam na extrema-esquerda do Melenchon, malta sem emprego ou possuída de juvenis sentimentos de revolta, trabalhadores (30% dos que votaram na Marine!), tudo gente que precisa de confiar nalguma coisa e que, como tem pouco em que confiar, se entrega nas mãos do Estado, convencida pelos demagogos da direita ou da esquerda que é no Estado, não em si mesmos ou nos seus, que vão encontrar refrigério, protecção e… dinheiro.

    Foi assim com Mussolini que, pés bem assentes na chamada classe trabalhadora, marchou sobre Roma e se locupletou com o poder. Foi assim com Hitler, que, com apoio de massas da mesma natureza, se aproveitou do estertor da República de Weimar para ser eleito e fazer o que fez. Tudo em nome do socialismo. Foi assim com Lenine, com Castro, com Kim-Il-Sung… com argumentos rivais mas de natureza semelhante, isto é, argumentos socialistas.

    Há formas mais mitigadas do socialismo – o chamado socialismo democrático – que, como entre nós ficou demonstrado à saciedade nos últimos dias, acham que a democracia acaba quando a vontade popular deixa de estar nas suas mãos.

    Na sua essência anti-humano, porque alicerçado na convicção de que a sociedade tem que ser “guiada” por um Estado omnipresente e omnicondutor, o socialismo consiste, essencialmente, na negação da liberdade individual. Mesmo quando dela faz bandeira.

    O socialismo democrático é muito bonito enquanto tem quem lhe pague as despesas. Por outras palavras, enquanto conseguir coabitar com economias ditas liberais e pactuar com os produtores de riqueza que eleger para se resguardar a si mesmo.

    Quando o dinheiro, vítima das armadilhas que o pensamento socialista criou, tende a acabar, ai Jesus que estão a acabar com a democracia! Que democracia? A que os socialistas inventaram e que, ou deu cabo do estado liberal ou o encheu de vícios.

    Mas o socialismo está em marcha triunfante. Está ínsito na regulamentarite aguda da Comissão Europeia, está metido no sangue de partidos ditos de direita, está encastrado na mente dos dirigentes políticos da Europa ocidental, de esquerda e de direita.

     

    A Europa ocidental soçobra cada vez mais depressa, enquanto a de Leste, que nem quer ouvir falar em socialismo, se vai safando e, apesar de tudo, crescendo.

     

    Criou-se o mito, ternamente acarinhado pelos mários soares & Cª, Igreja incluída, do pecado liberal ou, num prodígio de aldrabófona imaginação, neo-liberal.

    Por outras palavras, para a generalidade dos “pensadores”, a liberdade é pecado.  

     

    Sair disto, se fosse possível, seria a mais nobre das revoluções.

     

    25.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DEMOCRATAS MAS POUCO


    Aqui há uns anos, num livrinho (O Presidente de Nenhum Português – Oito diatribes, Europa América, 2001), o IRRITADO dedicou umas páginas ao tema “A Democracia é de Esquerda”, nas quais criticava quem pensasse ou agisse de acordo com a asserção do título.


    Onze anos depois, eis a confirmação do pensamento do IRRITADO. Os grandes democratas Mário Soares e Manuel Alegre, acompanhados pela malta do MFA, recusam-se a comemeorar o 25 de Abril, teoricamente causa e a fonte da democracia da III República.

    Desmascarada fica a ideia de democracia que, à altura e agora, passeava no esclarecido espírito desta gente. Para eles, a democracia e o socialismo (de esquerda) eram, e são, uma e a mesma coisa, como a sua atitude demonstra à saciedade, digam o que disserem para se “justificar”. Os factos demonstram a justeza da “diatribe” do IRRITADO,  há tantos anos dada à estampa.


    Não sendo o actual governo de esquerda, antes andando a tentar tapar os buracos que a esquerda abriu, o tão incensado 25 de Abril fica reduzido pelos seus mais ilustres defensores à sua verdadeira dimensão. O que o inspirou não foi a democracia tout court mas sim o socialismo, ainda hoje metido até ao tutano na Constituição da República – note-se, não é a Constituição Portuguesa, mas  “da República” – com as desgraçadas consequências que toda a gente conhece e sofre na carne e na bolsa.


    Esta gente e as suas atitudes de fundo, não só tem muito menos a ver com a democracia como há quem julgue, como tem a coragem, louve-se a coragem, de o demonstrar por actos.

    Grato pela demonstração.


    24.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • EM HONRA DE SUA MAJESTADE


    Alguns amigos do IRRITADO insistem, ou seja, desafiam-no para que escreva um post sobre a caçada de S.M. Juan Carlos de Espanha, partindo do princípio que a habitual defesa que o IRRITADO faz das instituições monárquicas lhe alimentaria alguma cobardia em relação ao assunto.

    O IRRITADO agradece o desafio.


    Aqui vai, numas dúzias de palavras, o tão desejado post.

    Os challengers do IRRITADO, seguindo com subserviência leonina a argumentação do cascalho jacobino de Espanha, aproveitam a caçada do Rei para pôr em causa a legitimidade, a utilidade, a dignidade da Instituição Real. Vade retro, Monarquia!

    Calcule-se o que diriam se o IRRITADO, perante alguma asneirada do Presidente da República, se pusesse aos gritos contra a existência de tal cargo. Não faria outra coisa!

    Dando de barato o oportunismo bacoco destes ideólogos, diga-se que S.M. Juan Carlos terá sido imprudente ao aceitar o convite para a tal caçada. Não porque fazê-lo fosse substancialmente mau, mas porque era previsível que o cascalho lhe saltasse às canelas e até que, na Pátria de Camões, houvesse quem aproveitasse para criticar, não o Rei que infelizmente não tem, mas para malhar na excelência da Instituição, como se o assunto lhe dissesse respeito.


    Calcule-se o que seria da Espanha, mosaico de nacionalidades e regionalismos, se não fosse uma Monarquia, se tivesse um Representante que não fosse independente de ideologias, de nacionalidades e de regionalismos, se não tivesse um Rei que, sem ser de ninguém, fosse simplesmente Rei de Espanha, testemunho de uma Histrória, de um território, de uma tradição, de uma cultura, de uma diversidade que se une, de uma forma de ser.

    O que seria do Reino Unido se não fosse a Monarquia Inglesa? Onde já tinha ido parar a Bélgica, se fosse a união de duas repúblicas?


    Manifestamente, a “imprudência” real não tem inportância nenhuma, nem ensombra a dignidade do que Juan Carlos tem, nas horas graves, feito pelo seu país.

    Os reis têm defeitos, ou cometem erros, como todos os seres humanos. Se se tratar de erros graves, que ponham em causa a dignidade da Instituição que encarnam ou do próprio país, lá estão os parlamentos democráticos – que os “sagraram” – para os julgar, ou até apear, se for caso disso.


    Pôr am causa a Instituição Real porque não se gosta de uma caçada é de uma cobardia sem nome.


    Por fim, para aqueles portugueses que aproveitaram o mote para criticar a Casa Real espanhola, por ser cara, aconselho comparem os seus custos orçamentais com o que nos custam os okupas do Palácio Real de Belém, os passados mais o presente. Comparem os números. E comparem, também, a utilidade de um e dos outros.   

     

    23.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DEFEITO OU FEITIO?

     

    Anda para aí um clamor dos diabos acerca das candidaturas a juiz do Tribunal Constitucional apresentadas pelos partidos.

    Duas delas puseram os cabelos em pé à nacional bem-pensância.

     

    O primeiro argumento é o de que os partidos, com direito a tal, apresentaram nomes separados em vez de uma lista pré-cozinhada entre eles, como era hábito, tradição, praxe, uma data de belas coisas. Como se fosse diferente concertar uma lista, em vez de se não opor aos nomes queridos pelos outros! O comum dos cidadãos acha que é a mesma coisa. Estão concertados e acabou-se.

     

    O segundo argumento diz respeito às personalidades apontadas, ou a duas delas.

    A que foi avançada pelo PSD sofria do enorme defeito de não ser especialista em direito constitucional. Houvesse ou não razão da parte dos indignados, o candidato mandou-os à fava e retirou-se da liça. O PSD apresentou outro, e acabou-se a história.

    Já o homem do PS é, indiscutivelmente, uma patada na poça de todo o tamanho. Apresentado como juiz, verificou-se que não tinha, sequer, direito a tal qualificativo (se calhar é tão juiz como o Pinto de Sousa era engenheiro). Apresentado como personalidade isenta, verificou-se que foi secretário de Estado, lugar onde não terá primado por demonstrar isenção ou categoria intelectual, para dizer o menos.

     

    Resumindo, parece ter havido alguma falta de critério nas escolhas feitas. Mas só o PS, teimoso como um asno, mantém a sua. O que leva a concluir tratar-se de pecha da nobre agremiação. Não é o senhor Ricardo Rodrigues figura de proa do grupo parlamentar, vice-presidente ou lá o que é, presidente de comissões, porta-voz de vez em quando, etc.? Um fulano que, dizem as más-línguas, deixou uma data de rabos-de-palha lá pelos Açores e que, quando lhe fazem perguntas chatas, rouba os gravadores dos indiscretos?

     

    Dir-se-á que todos os partidos têm nomeado fulanos que não merecem os lugares que ocuparam. É verdade. Só que as respectivas tropelias foram cometidas depois de ser nomeados, não antes.

    O que leva a pensar que, no PS, estas trapalhices não são defeito acidental, mas irreparável feitio.  

     

    Uma última observação, talvez um tanto lateral ao tema dos nomeados. É que a nacional bem-pensância descobriu também, numa espécie de inspiração – tipo descobrir a pólvora – que se estava a partidarizar o TC. Que diabo, três juizes, em treze!, eleitos pelo Parlamento, provindos de nomeação de três partidos diferentes, correspondem a alguma partidarização?

    Se os bem-pensantes e os “correctos” fossem buscar a partidarização a outro lado talvez não perdessem tempo. Nem nós com eles.  

     

     22.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA DECISÃO URGENTE

     

    Há vários anos que muita gente, com carradas de razão, pede ao Presidente da República e aos últimos três governos que ponham fim ao mandato do Procurador Geral da República.

    Compreende-se que os governos do PS não tenham querido fazê-lo, dada a fiel protecção prestada pelo dr. Pinto Monteiro ao primeiro-ministro e aos seus desmandos. Agora, já não se compreende tão bem, mesmo tendo em conta que o governo se não tenha querido sujeitar ao coro de virgens ofendidas que se ergueria para condenar a “partidarização” do assunto.

    Facto é que as trapalhadas do titular do cargo foram mais que muitas, a ponto de minar por completo a confiança pública de que o cargo deveria gozar. As últimas aldrabices do senhor, pronta e fundamentadamente denunciadas pela Ministra da Justiça, deveriam ser suficientes para o mandar, rapidamente, para casa.

    É difícil encontrar uma pessoa com o perfil exigido para o cargo. Mas, que diabo, não haverá melhor no mercado?

     

    19.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • RUI TAVARES


    Ligo o computador. Levo na cara com a nomeação do senhor Rui Tavares para o cargo de vice-presidente da comissão anti-corrupção do Parlamento Europeu.

    Um tipo, politicamente desconhecido, que foi eleito às costas do Louça e que, depois de uma longa quão ridícula série de peixeiradas, se zangou com ele e deu o grito do Ipiranga, um tipo que, apesar disso, não largou o lugarzinho que deve ao outro, mantendo-se em passeatas pelo mundo com as belas ajudas de custo da ordem e o chorudo ordenadinho do parlamento, vai ser número dois na luta contra a corrupção!

    Há várias espécies de corrupção, a pior das quais é a corrupção moral, a deslealdade, a pendurice, coisas em que o Tavares, como acima demonstrado, é especialista. É claro que não é a esta corrupção que o especialista se vai dedicar. No entanto, em relação à outra, a financeira, como classificar o nomeado senão como agarradinho aos euros que o PE lhe paga, como se alguém o tivesse eleito por aquilo que é e não por alavanca do Louça?

    Tanto se fala em descrédito das instituições democráticas e tanto se contribui para ele.

     

    19.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • XENOFOBIA

     

    Há uma carga de anos, a Argentina resolveu ocupar, manu militari, as ilhas Faulkland, território britânico. Teve a resposta que merecia. Dona Margarida Tatcher tratou de lhes meter as canoas no fundo e os calhambeques na sucata.

    Uma ditadura sanguinária atacou uma democracia europeia, ignorou a vontade dos cidadãos (nem 1% dos habitantes das ilhas quer ser argentino), usou das armas sem declaração de guerra, procurou, através do facto consumado, cevar as urgências cleptomaníacas do General Videla e de sus muchachos.

    Havia uma razão. Era preciso, para sustar a revolta popular, arranjar uma “causa”, criar um inimigo externo, escarafunchar no orgulho pátrio do pessoal para o manter nos varais.

     

    Tantos anos passados, a viúva rica que manda na Argentina volta à carga. Um súbito ataque de xenofobia fá-la entrar em histeria nacionalista e pôr outra vez em causa a soberania e a claríssima escolha do povo das Faulkland.

    Não contente, decide atirar-se aos espanhóis e expropriar a companhia de petróleos em que eles tinham investido. Nada de nacionalizações ou indemenizações. Expropriação! Deve ter aprendido com o MFA/PC cá do sítio.

    Isto quer dizer que algo vai mal no reino da viúva. Quer dizer que tem que roubar aos outros para pagar o que deve. E quer dizer que, tal como Videla, quer manter o povo sossegadinho e entusiasmado, enquanto ela rouba e prevarica impunemente.

     

    Inquietante, não é?

    Mais inquietante é a reacção, ou falta dela, da chamada comunidade internacional. Que faz a União Europeia? Que faz a América do Sul? Que faz a ONU? Pouco ou nada.

    Uma civilização que deixa de exigir respeito, se não está morta para lá caminha.

     

    18.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • FANCIÚ

     

    Se eu fosse francês, em quem votaria?

    Magna questão. Poderoso dilema, trilema, tetralema!

    Os franceses são, nesta matéria, parecidos conosco, isto é, têm umas escolhas do diabo. Nada de miterrands, giscards ou degaules. Só malta da corda.

    O chevalier servant da dona Ângela, que quer pôr os beduínos na ordem e propõe austeridade?

    O prometedor-mór da República, que oferece reformas em barda, aos 60!, mais 60.000 empregos, etc.(onde é que já ouvimos disto?) tudo coisas que não vai ter dinheiro para pagar?

    O João-Cláudio Aldrabon, perdão, Malenchon, um tipo execrável, um currículo de comuna requentado, tipo Louça, que se proõe sacar os últimos milhões aos ricos para os espalhar até que se gastem?

    A dona Marina, a cheirar a facho que tresanda?

    Há outros, dos quais história alguma reza ou rezará.


    E agora? Se eu fosse francês em quem votaria? Talvez no Nicolau que, ao menos, tem uma mulher que pode ver. Ou no Holanda, coitado, a quem a Segolene fez a vida negra?

    Que destino o meu, como francês!


    Como sou tuga, o que me convém? Sei lá! Como não tenho voto na matéria, não vale a pena pensar mais nisso.


    Mau será, como foi entre nós, ganhe quem ganhar.

     

    18.4.12     

     

    António Borges de Carvalho

  • DO TRIUNFO DA TRAMPA

     

    Que poderia o Breivk querer com os assassínios que cometeu?

    Safar-se? Sabia muito bem que ia ser apanhado e que os brandos costumes da humanidade ocidental não lhe pagariam na mesma moeda.

    Obter algum ganho político? Ganhariam as ideias que lhe são caras? Certamente o quereria.


    O homem é uma merda, um esterco, um animal. Um animal que sabia que os defensores dos animais, quais inimigos das touradas, não matariam, antes alimentariam e tratariam para o resto da vida.

    O animal ganhou. A civilização ofendida paga-lhe o preço que ele queria lhe fosse pago. A civilização ofendida oferece-lhe primeiras páginas, fotografias, telejornais, dá-lhe mais publicidade que às macacas do cinema em cuecas ou os bonecos do desporto em anúncios de lâminas de barbear.

    O castigo do animal, se houvesse verdadeira justiça, seria o de passar os próximos cinquenta anos, ou mais, num buraco qualquer em que, sozinho, às escuras, num silêncio de jazigo, impedido de se suicidar, vivesse sem ver uma só das suas aldrabices assassinas ser citada, sem que uma frase sua fosse escrita num jornal, sem que o seu focinho fosse lembrado, esquecido, ignorado, como se não tivesse existido.

    Ao contrário, a sociedade que ele abomina e mata faz-lhe a maior das propagandas. As suas “ideias” são lançadas, como marés de trampa, sobre todos nós, isto é, a sociedade oferece-lhe, de mão beijada, o efeito que ele queria obter com os seus crimes.

    A besta deve estar contente. Cairam na esparrela! Algures, pensa ele e com razão, é provável que haja outros a ser influenciados pelo seu miserável “pensamento”. Consolação, “justificação”, para o que fez e que outro objectivo não podia ter.


    A civilização dos “princípios”, dos “direitos”, das “justificações sociais”, não tem por princípios, direitos ou justificações sociais a mais leve consideração. Em nome deles, e de coisas a que chama “liberdade de informação”, dá-lhe o que ele exigiu que lhe fosse dado: nome, celebridade, adeptos.


    Um dia, quem cá estiver, verá este monte de merda a passear nas ruas, cumprida a pena, engordado e bem tratado pela civilização que condenou à morte. A trampa ganhou.

     

    18.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • COMPLICAGENS

     

    A seu tempo, o IRRITADO protestou energicamente contra o sistema de portagens adoptado para a ex-scuts.

    A coisa, basicamente, consistia em não haver portageiros, o que muito dizia quanto às preocupações com o emprego do governo de então. Depois, as “preocupações sociais” daquela gente resultaram na mais incrível pessegada em relação a quem paga o quê e como. Houve, como é evidente, uma série de negócios pelo meio, uma data de artistas (chapeau!) que se fartaram de vender equipamento, pilares, colunas, etc. e tal. Que diabo, tratava-se de um governo “moderno”, com ideias progressistas e inovadoras!

    Posta a coisa em marcha, verificou-se que não funcionava a contento fosse de quem fosse. Portugal, que dispunha de um invejável sistema de portagens, passou a ser uma selva de confusões.

    Agora, atingiu-se o climax. Os espanhóis e os demais, se querem entrar com o carrinho, têm que estar horas na bicha. Bem podem espernear que não há nada a fazer. Não há, sequer, umas maquinetas de moedas ou de cartões de débito! Sequer umas meninas que, a partir da sua cabine, sorriam aos estrangeiros, lhes dêem as boas-vindas e lhes saquem uns tostões. Genial.

    Tão mau como isto tudo é a medida anunciada por este governo de passar a cobrar as portagens do lado de lá da fronteira, o que equivalerá, primeiro, a passar as bichas lá para fora e, segundo, a pagar umas comissões aos espanhóis pelo serviço.

    Que lógica terá esta imaginativa solução é coisa que nem o Einstein perceberia.

     

    Mas Portugal é Portugal, não é? Querem melhor? Então sigam o sábio conselho do Primeiro-Ministro e vão chatear outro. 

     

    14.4.12

     

    António Borges de Carvalho

  • O TERRÍVEL PROBLEMA DE OLIVENÇA

     

     

    Anda muita gente aflita porque o alcaide de Olivença (uma besta, como é evidente) se prepara para comemorar o episódio do roubo dessa parcela do nosso território perpetrado há 200 anos.

    Todos sabem que, apesar de a tal se ter comprometido internacionalmente, os espanhóis jamais restituirão o que roubaram. Todos sabem que a palavra dos espanhóis, a este respeito, como a outros, não vale um traque.

     

    Todos sabem que em Olivença já não há portugueses, são todos espanhóis, e acabou-se.

    Todos sabem que este problema fronteiriço tem barbas e continua como às eras: os portugueses não reconhecem a soberania castelhana, os castelhanos borrifam nos portugueses.

    Todos sabem que o alcaide de Olivença (uma besta, como é evidente) resolveu fazer uma provocação gratuita, ou cara, se por cá houver ainda uns restos de orgulho.

    Como reagir? Vale a pena reagir?

     

    O IRRITADO permite-se fazer uma sugestão, talvez pouco patriótica mas cheia de bom senso e de sentido prático. Venda-se Olivença!

    Não se riam. Os Estados Unidos não compraram o Alasca? Os mexicanos não venderam a Califórnia? Não há outros casos do mesmo tipo? Que mal há nisso? Há erros e malandrices históricas que não têm remédio.

    Vejam bem. Nós temos ali um bem sem usufruto possível, agora ou daqui a cem anos. Os tipos de Olivença não querem ser portugueses, já estão aclimatados à castelhana bezerrada. Pois deixemo-los estar, recebamos uns milhões, a pronto ou a prestações, que bem precisamos deles. Resolvamos um problema fronteiriço que não interessa a ninguém, a não ser a quem quiser escarafunchar nesta vergonha. Ficaremos honestos como sempre e ajudaremos os espanhóis a disfarçar a sua desonestidade. Ainda por cima ganharemos uns cobres. Querem melhor?

     

    À atenção do ministro Portas.

     

    14.4.12

  • RENDIMENTOS

     

     

    Apesar de todos os abusos, o chamado RSI mereceria alguma consideração se fosse desenhado para minorar situações de carência extrema.

    No entanto, pelo que diz o “Sol”, recebia o RSI quem não tivesse mais de 100.000 euros em depósitos bancários. Será verdade? Valha-me Santa Aldegundes!

    Então um tipo com 100.000 euros a chocar no banco podia candidatar-se ao RSI e ver a sua pretensão deferida? Um tipo que tem em caixa 210 ordenados mínimos (17 anos de trabalho para muita gente)?

    O que é isto? Estava tudo doido, ou quê?

     

    O actual governo, ciente da monstruosa rebaldaria que isto era, resolveu tomar uma decisão corajosa: agora vai ser preciso ter “só” 25.000 euros a render, ou menos, para ter direito ao subsídio. Um tipo que tem em caixa 52 ordenados com que tanta gente tem que se governar (mais de 4 anos de trabalho) pode beneficiar, coitadinho, dos subsídios de sobrevivência do Estado?

    Bem sei que a emenda é melhor que o soneto… mas, que diabo, ou se trata de poisson d’avril ou continua tudo doido, até o Gaspar!

     

    Haja quem desminta o “Sol”, por favor!

     

    14.5.12

     

    António Borges de Carvalho