Há uma carga de anos, a Argentina resolveu ocupar, manu militari, as ilhas Faulkland, território britânico. Teve a resposta que merecia. Dona Margarida Tatcher tratou de lhes meter as canoas no fundo e os calhambeques na sucata.
Uma ditadura sanguinária atacou uma democracia europeia, ignorou a vontade dos cidadãos (nem 1% dos habitantes das ilhas quer ser argentino), usou das armas sem declaração de guerra, procurou, através do facto consumado, cevar as urgências cleptomaníacas do General Videla e de sus muchachos.
Havia uma razão. Era preciso, para sustar a revolta popular, arranjar uma “causa”, criar um inimigo externo, escarafunchar no orgulho pátrio do pessoal para o manter nos varais.
Tantos anos passados, a viúva rica que manda na Argentina volta à carga. Um súbito ataque de xenofobia fá-la entrar em histeria nacionalista e pôr outra vez em causa a soberania e a claríssima escolha do povo das Faulkland.
Não contente, decide atirar-se aos espanhóis e expropriar a companhia de petróleos em que eles tinham investido. Nada de nacionalizações ou indemenizações. Expropriação! Deve ter aprendido com o MFA/PC cá do sítio.
Isto quer dizer que algo vai mal no reino da viúva. Quer dizer que tem que roubar aos outros para pagar o que deve. E quer dizer que, tal como Videla, quer manter o povo sossegadinho e entusiasmado, enquanto ela rouba e prevarica impunemente.
Inquietante, não é?
Mais inquietante é a reacção, ou falta dela, da chamada comunidade internacional. Que faz a União Europeia? Que faz a América do Sul? Que faz a ONU? Pouco ou nada.
Uma civilização que deixa de exigir respeito, se não está morta para lá caminha.
18.4.12
António Borges de Carvalho

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