IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • SINAIS DE BOM SENSO

     

    Sem medo do “escândalo”, o PM japonês mandou reactivar duas centrais nucleares. As boas almas, os apóstolos da involução e da ruína, devem estar por aí, inchados de indignação e ódio.

    E, no entanto, o homem tem carradas de razão. A sua obrigação como governante é dar aos seus cidadãos e à sua economia elementos de desenvolvimento, e deixar para trás os escravos da demagogia e do medo. A sua atitude é tão mais louvável quanto o Japão foi teatro, há bem pouco, de um desastre natural de gigantescas consequências, entre as quais um acidente nuclear altamente perigoso.

    À excepção de Chernobyl – vítima da incompetência totalitária do socialismo real(a) – não há memória, em sessenta anos de existência, de qualquer acidente que, proveniente do nuclear e não da Natureza, tivesse tido qualquer importância para a humanidade ou para o Planeta, cuja “salvação” faz correr rios de tinta e mares de dinheiro. Mesmo Fucoxima, com os seus horrores, não consta que tenha custado a vida fosse a quem fosse.

     

    Se a estes factos acrescentarmos que:

    – A energia nuclear é a mais limpa de todas as energias, de tal maneira que até os chamados ecologistas já não conseguem deixar de o reconhecer;

    – A energia nuclear é a mais viável de todas, em termos de custos/benefícios;

    – A tecnologia nuclear tem conhecido avanços que tornam a produção nuclear ainda mais fiável e mais barata;

    – O problema dos lixos nucleares está razoavelmente resolvido, e novos processos estão em curso de desenvolvimento,

     

    então teremos que não é inteligente, nem aceitável, a luta de tanta gente contra esta forma de obtenção de energia. Bem pelo contrário, é quase criminosa. Privar a humanidade de energia barata, fiável, constante, praticamente inesgotável, é o quê?

     

    Por cá – num país que até tem matéria-prima com fartura – depois de o “socialismo democrático” ter, solenemente, declarado que o nuclear “não está na agenda do governo”, depois de o mesmo governo se ter recusado a, sequer, discutir uma proposta de construção e exploração de uma central, a custos privados (sem PPP’s!), depois de se ter endividado o país por gerações para encher a paisagem de moinhos de vento e gadgets do estilo, de produção intermitente e a exigir o trabalho de centrais térmicas, continua a haver almas que se regozijam com o “avanço” do país em matéria de “energias renováveis”.

    Em matéria energética, perdemos pelo menos cinco décadas. Agora, mergulhados na crise, sem um tostão disponível, preparamo-nos para perder mais umas tantas. Isto enquanto a chamada Europa trabalha na melhoria dos processos tecnológicos e lança projectos de novas centrais. E, se falarmos dos BRICS, veremos do que a casa gasta, a inteligência a preparar o futuro.

    É evidente que, dado o estado das coisas, não se pode pensar no assunto. E, se se pensasse, haveria multidões histéricas a protestar, a junta de freguesia de Santa Pulquéria metia duas providências cautelares e a câmara de Castro Querelas acusaria o governo dos mais nefandos crimes. Sem falar, é claro, da chamada “discussão pública”, dos debates, populares e parlamentares, das comissões de inquérito e de mais não sei quantas barbaridades.

    O que vale é que, entretanto, há um ministério que manda tirar as gravatas para poupar no ar condicionado, o que nos enche de esperança, não é? Como no Japão, por cá também há bom senso. Hi hi.

     

    18.6.12

     

    António Borges de Carvalho

     

    (a) Cabe aqui lembrar a inesquecível chegada do Cunhal a Lisboa, vindo da Ucrânia, no auge da crise de Chernobyl. Nas doutas palavras do poderoso líder, não havia problema nenhum, só uma ligeira avaria do reactor. O cônsul de Portugal lá no sítio era um alarmista ao serviço do imperialismo, porque tinha aconselhado os estudantes portugueses que por lá andavam a voltar quanto antes para casa!

  • UM CARJARETE

     

    Carjarete é um neologismo cheio de significado. Trata-se de uma corruptela de mijarete, inventada por tipos como o IRRITADO, reaccionários e fascizantes díscolos, pelo menos na abalizada opinião dos camaradas Jerónimo e Louça, seus seguidores e compadres, género Fidel ou Tchichas (o grego, de quem o Louça é orago e guru).

    Pois não é que tal detestável gente juntou mijarete ao nome do camarada Arménio Carlos e inventou o carjarete? É de uma falta de respeito a toda a prova.

    Porquê tal invenção?

    Tudo tem a sua razão de ser. É que o camarada Arménio, cada cavadela cada minhoca. O homem tem o discurso mais bafiento de toda a Europa. Não é capaz de sair de uma dúzia de slogans ou respectivas glosas, a fazer lembrar as antigas cassetes do Cunhal, hoje penes do Jerónimo. Não dá duas para a caixa. Uma desgraça. E como cheira a bafio por todos os poros, a malta começa a fartar-se das suas arengas e, o que é pior, das suas convocatórias.

     

    Já poucos aparecem nas farras da CGTP. Desta feita (segundo os jornais) acentuou-se a tendência para só descerem a avenida os filiados do PC e, destes, só os mais velhotes e os do Sul, à excepção do Algarve. Devidamente espaçados, como manda a cartilha, os fiéis defuntos, perdão, os fiéis camaradas, quiseram dar a sensação das multidões doutros tempos, ocupando vinte vezes mais alcatrão do que se justificaria. Por outro lado (sempre segundo os jornais), as palavras de ordem não entusiasmaram fosse quem fosse. O préstito lá foi, tristemente, pela avenida abaixo, sem brilho nem – em futebolês – postura anímica. Um carjarete.

    O Carlos lá debitou as suas patranhas, o seu ódio à troica, à agiotagem da troica e a tudo o que mexe. Resultado: um carjarete!

    Dê-se, no entanto, o seu a seu dono. O homem tem azar. É perseguido pelas forças do capital monopolista, fascista, imperialista, etc..

    No primeiro de Maio foi o que se viu. O Pingo doce, força reacionária como tudo, resolveu dar umas borlas. A malta em vez de ir à avenida foi às compras. E o primeiro de Maio foi um carjarete.

    Desta feita, foi o Continente, tão reacionário como o outro. Pôs uns rebanhos de cabras a pastar no Terreiro do Paço sob o terno olhar do Costa e do Fernandes – outros reaccionários, no parecer do Arménio – e pronto, as massas, em vez de ir atrás das miúdas na avenida, foi atrás das cabras. Deixou a procissão para os velhotes, que já não têm guts, seja para as miúdas, seja para as cabras. Um carjarete!                 

     

    Coitado do Arménio!

     

    17.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • TRAIÇÃO!

     

    Esse grande inspirador do Seguro, esse gigante capaz de pôr a dona Ângela a borrar-se de medo, essa maravilha fatal da nossa idade que dá pelo nome de Hollande, esse homenzinho “normal”, com ar de professor de instrução primária à antiga, que nunca teve qualquer emprego na vida que não fosse andar agarrado às calças dos políticos e às saias da política, tornou-se, como é sabido, Presidente da République.

    Um homem de sorte, no jogo como no amor. As suas mulheres, que não são, ou foram, mulheres dele, mas simplesmente companheiras, ou camaradas, não são nada para deitar fora. A dona Ségolène era bem gira. E a não-sei-quantos-Weiller tem grande pinta.

    O pior é que a Ségolène queria mandar mais que o chefe. Foi corrida, apesar de já ter dado quatro filhos ao companheiro, ou camarada. Ora não querem lá ver! Armada em boa… rua!

    Vem a Weiller (Rotweiller?) e pumba! Apoia o inimigo do Hollande nas eleições de La Rochelle, só porque o adversário dele era a Ségolène. Já se viu mais casca do que isto? Que diabo, é pior que pôr os cornos ao homem. Ele que a levou à (i)legítima posição de Primeira Dama! A tipa entra no disparate, na traição, na ciumeira, no ridículo, e desta forma malandreca e peixeiral!

     

    Coitado do Hollande! O IRRITADO, que até nem deseja mal ao homem, solidariza-se. Corre com ela, ó Hollande, como fizeste com a Ségolène!

    Se não corres, não és homem não és nada.

     

    17.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA INDIGNAÇÃO

     

     

    Nestas andanças electrónicas, e não só, damos conosco perante uma espécie de “movimento” informal criado por milhares de descontentes para quem, mais que encarar a realidade objectiva dos nossos dias, há que ficar pela simples condenação dos que acham culpados de todos os males que nos afligem.

    Culpados haverá, mas nada se combate se gastarmos todas as nossas energias a odiar o que se combate.

    Depois, há a generalização. Os “combatentes” pegam em exemplos, muitos deles “exemplares”, daí partindo para a classificação de tudo e mais alguma coisa como sendo parte do problema.

    E ainda, o “remédio”. O remédio consiste em classificar tudo e todos que de algum poder disponham. São todos iguais, maus, ladrões, corruptos, mentirosos, safardanas. Correr com todos, prendê-los, aboli-los, sei lá.

    A melhor maneira, pensa o IRRITADO, de proteger os maus, os ladrões, corruptos, os mentirosos, os safardanas, é dar-lhes esta benesse: misturá-los de tal maneira, que se percam no meio dos outros. Se assim são todos, assim nenhum o é!

    É claro que os profissionais desta filosofia não fazem ideia do que quereriam a seguir a ter atingido os seus objectivos, sejam eles quais forem. Limpeza! Limpeza total, generalizada! Mais nada.    

    Depois, depois, se calhar, é o caos. Daí a Fénix. Será?

    Formam-se movimentos, primeiro mais ou menos informais, a seguir, que remédio, lá surgem os líderes. O discurso é fácil. Basta condenar! Depois logo se vê. Surgem os poujadismos, os partidos da ética e da moral (sinónimos repetidos à saciedade, a mostrar que os donos do pleonasmo não sabem lá muito bem do que falam), como o falecido PRD, ou outras coisas piores. Soluções, nem uma.

    Do lado dos formais (os partidos) é mais ou menos o mesmo: o discurso fácil, se há males há culpados, o capitalismo, ainda melhor se for o “de casino”, os EUA, a dona Ângela, os laboratórios farmacêuticos, um exército de criminosos a que tudo o que é a odiada gente pertencerá. Soluções, nem uma. À excepção, é claro, da limpeza!

    Como no tempo do Gonçalves. Partir os dentes à reacção e outros ditos imaginativos e inteligentes. Viu-se o que deu. Competências deitadas ao lixo, “fascistas” perseguidos, o dinheirinho, ou melhor, o dinheirão – havia-o por aí com fartura – foi-se para não mais voltar. Os “criminosos económicos”, fascistas por definição, tudo foi limpo. Numa palavra, foi-se a ditadura mas a democracia estava condenada a ir-se também. Por fim, hossana, aguentou-se. Mas o que estava estragado nunca se consertou.

    Os partidos comunistas anseiam por voltar ao mesmo. T’arrenego!

    O PS esbraceja, sem ideias, sem projectos, sem ponta por onde se lhe pegue. Cada dia que passa, a sua “obra” fica mais à vista.

    Pode ser que a desgraça em que estamos metidos não tenha solução que não seja ir de mal a pior. Mas, se houver outra, não andará longe do caminho que isto vai seguindo. É mau? É péssimo. Mas venham os protestantes, os indignados, os políticos comunistas, os do PS, os comentadores dos jornais e da net, dizer, então, como é. Venha o bispo Januário bojardar porcarias. Venha quem vier, mas diga como deve ser. Para alem de parlapaté populista, para além das omeletas sem ovos.  

    Quem quererá separar o trigo do joio? O remédio seria possível. Mas onde está a Justiça, que manda destruir provas, que mete os pés pelas mãos, que se entretem em tricas sindicais e em guerras intestinas, que não quer pagar nada e só quer que lhe paguem? Enquanto a Justiça for o que é, enquanto der os espectáculos que dá, então fomenta-se a razão dos comentadores catastrofistas, inquisitoriais e irrealistas.

    Quem quererá, quem será capaz de pôr a Justiça na ordem?

     

    14.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CRISE DE AUTORIDADE

     

    Uma criatura que dá pelo nome de Januário conseguiu, sabe-se lá porquê, chegar a altas posições em duas organizações em princípio respeitáveis: a Igreja Católica e as Forças Armadas.

    Na primeira, é bispo. Na segunda é Capelão mor, brigadeiro, ao que me disseram.

    Um profissional no activo, tanto numa como noutra. Dois chapéus, duas missões, nenhuma delas política.

    Tal indivíduo resolveu, por benesse de uma televisão qualquer, vir esgrimir opiniões políticas de uma forma o mais desastrada possível, ofensiva, primitiva, incongruente e espalhafatosa. Um parlapaté miserável.

    Nem um nem outro dos seus chapéus lhe permite meter-se em política, muito menos em politiquice idiota e repenicadamente primária.

    Por conseguinte, no que respeita às Forças Armadas devia o respectivo Chefe tê-lo mandado para casa sem mais explicações. Sem, sequer, lhe mover um processo disciplinar. Flagrante delito, julgamento sumário, aplicação imediata do regulamento de disciplina militar. Porém, nem julgamento houve, sendo suposto, por este e outros sinais, que deixou de haver regulamento, deixou de haver disciplina e que o Chefe é capaz de ser decorativo.

    A Igreja, essa, se tem cadeia de comando, não se vê qual, ou onde estará. Uma entidade que proclama ser sua missão salvar almas e fomentar a caridade cristã, fica muito quietinha quando um dos seus “príncipes” produz, publicamente, brutais asneiras e cavalidades.

    Como querem que este país entre nos eixos se a Justiça é o que é (um bando de sindicalistas) e se gente que se julgaria guardar ainda alguma autoridade interna dá espectáculos deste calibre?

     

    10.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • UM ANJO

     

    Do Eden tudesco, onde altas almas campeiam, desceu sobre nós, angélica, pura, casta, misericordiosa, a figura insigne desse espírito de eleição que se chama Constâncio. Sursum corda!

    Abrangente, constante, firme, formoso, cabelo pintado de preto a fim de se confundir com a humanidade, qual bíblica e inspiradora pombinha, lançou sobre nós, pobres, incautos e ignorantes mortais, a luz esclarecida e esclarecedora da sua formidável sabedoria.

    Ele que, inesquecivelmente, soubera inspirar a Nação com a manufactura de um conveniente e putativo orçamento – base e ânimo do saudoso governo do hoje filosófico emigrante que, em Paris, ilumina as almas gaulesas com o brilho da sua presença – desceu a visitar este jardim, assim nos honrando, inspirando e iluminando.

     

    E disse de sua justiça aquilo que aos vis quão infelizes ex-súbditos do glorioso parisiense, vítimas de endémica ignorância, jamais tinha ou teria ocorrido.

    É que, afinal, o Banco de Portugal, dirigido pela sua gigantesca figura, não sabia de nada do que se passava no BPN, ainda menos no BPP!

    Ele havia por aí, é verdade, vozes maldosas e desconfiadas a tecer aleivosias e a fazer denúncias. Mas a ilustre nacional instituição não ligava a aleivosias ou denúncias, por isso não tinha que saber de nada. Não era da sua competência!

    Vozes de tolos não chegam ao céu, o angélico Constâncio não tinha poderes investigatórios, não tinha nada que suspeitar, as contas que lhe apresentavam estavam certas, havia contabilidade escondida em Cabo Verde e na casa de banho do Dr. Loureiro, como havia o regulador de regular? Os maus pagavam juros acima da média, os maus faziam negócios duvidosos, os bancos estavam sujeitos a regulação, tudo isso é verdade, mas como podia o Constâncio saber? Ele não é polícia, pelo contrário, paira nas zonas etéreas onde só os escolhidos têm lugar, longe, nas plagas esotéricas onde só acedem os iniciados e a que os mortais não sobem.

     

    Obrigado, ó Constâncio, pela luz do teu espírito, pela nobreza do teu pensamento, pela inatacável lógica da tua nobre posição. Eu te saúdo ó maravilha fatal da nossa idade! Em nome dos ignorantes, dos néscios, dos desconfiados, dos parvos, que somos todos nós, eu te saúdo e te agradeço!

     

    Nada melhor que o 10 de Junho, dia da Pátria, para esta singela homenagem ao teu saber. Só é pena que não tenhas sido condecorado nesta ridente data, certamente por seres um anjo. É que os anjos não se condecoram. Veneram-se.

        

    10.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • AD HOMINEM?

     

    O IRRITADO  tem sido espicaçado por vários críticos para se pronunciar sobre o Professor António Castelo Branco Borges, bem como sobre o “caso” Dias Loureiro.

    Dizem que o IRRITADO só critica o socialismo em geral e o Pinto de Sousa em particular, que é um PPD invetrerado, que está feito com o governo, que não não é “independente”, para só citar os que se lhe dirigem em termos minimamente cordatos.


    É facto que o IRRITADO, como já explicou várias vezes, não é independente. Tem ideias, procura ser coerente com elas e orgulha-se disso. Não é independente delas. Em relação a partidos, sim, é independente. Em relação ao governo também, ainda que considere que, com as suas fraquezas, este governo é, de longe, o melhor que a democracia noa pode dar, aqui e agora.


    Posto isto, vamos ao Professor Borges.

    Não tenho a honra de conhecer o dito senhor. Mas, de longa data, tenho tido oportunidade de conhecer as suas ideias e de ter algumas noções sobre a sua carreira e a sua pessoa. Foi capa das mais prestigiadas revistas de gestão deste mundo. Foi professor, depois reitor da mais célebre escola de gestão da Europa, tem altíssima “cotação” internacional, está muito acima da esmagadora maioria dos seus pares, desempenhou cargos ao alcance de poucos, e até, imagine-se, deu com a porta na cara da dona Christine Lagarde quando esta o chateou.

    A alcateia anda para aí aos urros, que o homem quer baixar os salários às pessoas, que quer pôr tudo a morrer de fome, que quer transformar os portugueses em chineses, sem segurança social, sem saude pública, sem nada, que é um factotum do mais tenebroso capital, etc. e tal.

    Porquê? Porque o homem disse a seguinte frase: “A diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro”.

    Diga-se que o Professor António Borges não tem um “talento” político por aí além, isto é, diz o que pensa, não o que é mais conveniente a cada momento. Não fraseia o que diz de forma a que não possam pegar-lhe na palavra e torcê-la “à maneira”, a fim de pôr a malta a acreditar que ele disse o que não disse, aliás em nítida demonstração do que é uma das mais importantes qualidades do nosso “jornalismo” e do comentarismo do correcto: torcer a verdade sempre que tal seja excitante, trepidante, e venda jornais.

    Leia-se o que o Professor disse: que a descida dos salários não é coisa que se deva encarar como política a seguir mas que, na situação de emergência em que a sociedade portuguesa se encontra, acabará por, inevitavelmente, acontecer. Quando a oferta é superior à procura, os preços baixam. Negá-lo seria, mais do que irrealista, estúpido. Disse mais. Disse que não é coisa que se encare como “perspectiva de futuro”, o que quer dizer que não defende baixas de salários para além do que já houve (no Estado), bem pelo contrário, considera que vão acontecer dado o estado das coisas, mas que não são nem podem ser coisa do Estado.

    Compare-se o que o senhor disse com o que disseram que ele disse. Depois, digam-me quem tem razão: o Professor Borges ou os jornalistas, os comentadores ou o inevitável Presidente Cavaco.

     

    Agora o Dias Loureiro.

    Que se saiba, veio dos confins da província para Coimbra, tirou lá um cursito e acabou por desaguar em Lisboa, ministro do Doutor Cavaco sabe-se lá porquê. Rapaz esperto, talentoso, depressa se deslumbrou com a cidade, com esta mole de gente e de oportunidades, conheceu este mundo e o outro, movimentou-se por aí, não deixou má fama como ministro e, passado o governo, lançou-se a explorar as relações que tinha sabido cultivar, movimentando-se com à vontade em mundos em princípio mais ou menos vedados a tipos como ele. Muita gente assistiu à sua ascensão, muita gente disse “este gajo um dia espalha-se”, gente que o tolerava com bonomia q.b., com simpatia em doses, às vezes com amizade. Espalhou-se mesmo. Meteu-se na geringonça do BPN e da SLN, fez umas operações pouco claras ou muito escuras, arranjou um alçapão na casa de banho para esconder papéis e, como é sabido, acabou por ser corrido do Conselho de Estado e por andar por aí, mais ou menos à socapa, a ver se não dão por ele.

    Muita gente se interroga porque há-de ser o Oliveira o bode expiatório de tudo e mais alguma coisa, e porque ninguém toca no enxame que por lá andava, diz-se com foros de verdade, a sacar à tripa forra.

    E não é tudo. Quem vai às canelas do Constâncio, que tudo patrocinou? Quem se atira ao Teixeira dos Santos que, só à conta do BPN, fabricou o maior buraco público de que há memória? E o Pinto de Sousa, não tem nada com o assunto?

     

     

    Dias Loureiro deveria ser investigado e, com ele, essa malta toda. Nem todos serão culpados. Mas alguém, Dias Loureiro possivelmente incluído, devia pagar com a liberdade os milhares de milhões que desapareceram do orçamento sem mais nem menos.

     

    Para os que andam a chatear o IRRITADO por causa dos senhores acima referidos, aqui fica, preto no branco, o que o IRRITADO pensa.

    Não estarão de acordo, mas com o vosso acordo o IRRITADO não conta, nem dele precisa.


    Boa noite.


    8.6.12, às 00.30

     

    António Borges de Carvalho

  • LIXO, PRECISA-SE

     

    Uns rapazes, negociantes de lixos ditos perigosos, vieram queixar-se publicamente da falta de matéria-prima para o seu nobre mister.

    É que, dizem, andam para aí uns malandros a fazer concorrência desleal. Por outro lado, acham que há fulanos que guardam o lixo, não se sabe bem para quê, em vez de o entregar a quem de direito.

    Gravíssimo problema, pensar-se-á. Mais gente para o desemprego, os industriais do lixo falidos, uma desgraça!

    Mas não é bem assim. E tanto não é que os lixadores andam a exigir à administração pública mais cinco aninhos de contrato. Ora se, dada a falta de lixo, a coisa não é viável, e se estão a perder dinheiro, diria a mais elementar lógica que, com mais cinco anos a perdê-lo seria uma catástrofe. Ora como os lixadores, que se consideram lixados, não são uma associação de caridade, o que isto tudo quer dizer é que arranjaram um bom pretexto para ir ganhando umas massas durante mais cinco anos. Genial, não é?

     

    7.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • NAS MALHAS DA PREPOTÊNCIA

     

    O Professor Crato cometeu mais um crime, dos muitos quem lhe vêm sendo assacados pelos acusadores de serviço.

    Antes de mais, teve o desplante de fazer um despacho sem consultar previamente o bigodes do PC e as suas hostes. Coisa nefanda e censurável, a raiar o estilo do Estado Novo. Isto, quanto ao processo.

    Quanto ao conteúdo, que quer o tal Crato? É simples: dar créditos horários a quem provar merecê-lo, deixando a coisa de ser automática. Um escândalo!

    Depois, diz o Crato, é preciso dar mais autonomia às escolas, que passarão a poder actuar mais segundo as necessidades dos teatros lectivos em que estão integradas, e menos segundo as rígidas normas do poder central. Uma desgraça!

    A malta, que grita há anos por mais autonomia, só aceitava a autonomia que bem entendesse, não uma autonomia que parece ir prejudicar o automatismo dos euros a que têm “direito”, fazendo-os depender do desempenho das escolas, dos alunos e, é claro, dos destinatários finais dos créditos horários. Uma horrível injustiça.

    Segundo o bigodes, as horas são de quem tem direito a elas, como é evidente, nada tendo a ver com desempenho dos professores ou a autonomia das escolas.

     

    Somos levados a crer que, só quando o Jerónimo for primeiro-ministro, o Louça ministro-adjunto e o bigodes ministro da educação, a coisa entrará nos eixos e os euros nos bolsos de quem tem direito a eles, não é?

     

    7.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • ELOGIO DA CORRUPÇÃO

     

    Aqui há anos, o IRRITADO leu, de uma filósofa francesa, uma obra que tinha por excitante título “Éloge de la Corruption”*.

    A senhora quereria provocar a curiosidade do público sobre a sua obra. Com justiça e sucesso, na opinião do IRRITADO.

    Não se assustem. Entre outras matérias, o livro põe em confronto a corrupção propriamente dita com as formas que o politicamente correcto, ou a “moral” dominante, adoptam para, soit disant, a combater. Isto para concluir que muitas vezes são mais corruptas tais formas, pelo menos do ponto de vista dos princípios do estado de direito, do que a corrupção ela mesmo.

     

    Gostamos sempre de ler o que vem ao encontro do que pensamos. Foi o que aconteceu ao IRRITADO.

    Posta esta “declaração de interesses”, vamos ao que importa.

     

    O DN de ontem apresentava ao povo um senhor, de seu nome Morais (coincidência?), nada menos que vice-presidente de mais uma protuberância da nossa inteligentsia, a Associação Transparência e Integridade, certamente formada por altíssimas e inquietas figuras, prenhes de fervor e de princípios.

    Alvo do senhor, o Parlamento. Nada de original, já que se trata, por excelência, do bombo da festa .

    Começa o Morais por afirmar que “o Parlamento é um escritório de representação de empresas”. E não se fica sem apontar o dedo. Diz ele que o senhor Frasquilho (PSD) “trabalha na área da banca”, que o senhor Nunes (CDS-PP) “colabora num escritório de advogados ligado à EDP, que o senhor Pinto (PSD) é nada menos que “consultor de empresas ligadas também à EDP”. E acrescenta que o senhor Isaac (CDS-PP) “tem negócios em empresas ligadas ao sector agrícola”. A não ser a este último – que o Morais acusa de, via ministério da agricultura, “atribuir subsídios a empresas de que eles próprios (não se sabe quem são os outros) são gerentes” –  nada de concreto refere.

     

    Duas pequenas observações:

    – Os três primeiros são acusados de coisa nenhuma a não ser de ser quem são ou o de fazer o que fazem na “vida civil”;

    – Em relação ao quarto o Morais lança uma acusação sem especificar e insinua que há outros culpados;

    – Todos os “acusados” são deputados da maioria.

     

    Daqui se conclui que:

    – Os senhores que tanto excitam a tão preclara indignação do Morais, ao cero, são culpados de coisa nenhuma. São maus porque são o que são, não por ter praticado qualquer malfeitoria.

    – A “corrupção” é exclusivo do centro e da direita, sendo a esquerda constituída por impolutos e moralíssimos cidadãos, que não podem nem devem servir de exemplo ao senhor Morais

     

    Mas há uma luz ao fundo do túnel! É que, concede o nosso homem, há “deputados honestos”. A estes, a soberana autoridade moral do Morais atribui a alta missão de “separar as águas”. Ora como não andam, no Parlamento, uns tipos a separar as águas com um rodo gentilmente fornecido pelo Morais & Cª, hemos de concluir que, afinal, não há deputados honestos. O que nos dá a medida da alta inteligência do Morais e da profundidade da sua moral.

     

    Indo um pouco mais longe na exegese do pensamento do Morais, vemos que ele, à la limite, acha que, para se ser deputado é preciso nunca ter feito nada na vida, não ter trabalhado ou não trabalhar em qualquer empresa e, para levar a coisa aos píncaros, o deputado deverá, de preferência, ser analfabeto ou coisa parecida.

    Pensando bem, pensando à la Morais, como pode um diplomata ser membro da comissão de negócios estrangeiros? Como pode um engenheiro civil pertencer à comissão de obras públicas? Como pode um militar ter assento na comissão de defesa? Um médico na comissão de saúde? Corrupção! Crime! Um horror.  

     

    O IRRITADO sabe que quem faz o favor de o ler é capaz de estar a pensar que ele é membro da classe dos corruptos e defensor da sua actividade.

    É devida uma explicação.

    Numa sociedade civilizada, se alguém tiver conhecimento de um crime, v.g. de corrupção ou análogo, deverá informar quem de direito. Quem de direito investigará. Quem de direito acusará. Quem de direito julgará.

    Dir-se-á que há casos que, merecendo atenção, não integram o conceito, ficando-se por aquilo a que se poderia chamar “ilícitos políticos”, atitudes politicamente censuráveis, mas que não são do foro judicial. São política, não corrupção. Corrupção é crime que se pune criminalmente. Os “ilícitos políticos” punem-se politicamente.

     

    Ora os “morais” da nossa praça, verdadeiros torquemadas do século XXI – para dizer o mais suave – são a vera face da mais grave corrupção, que é a corrupção do espírito.

    Quem é o senhor Morais? Que autoridade tem para lançar anátemas e acusações? É ministro dos aiatolas? Se o senhor Morais tem elementos concretos para acusar quem acusa, que vá à polícia, ao PGR, que publique e document o que sabe nos jornais, que faça qualquer coisa de legítimo! E que faça o favor de perceber que é um tipo como outro qualquer, a quem nada nem ninguém conferiu o direito de se armar em juiz, em denunciante sem ter nada para denunciar, em bufo, em, em…

     

    Para os verdadeiros corruptos não há nada melhor que os Morais cá do sítio. Estes, como andam para aí a atirar o barro à parede, barro que não cola, nem deve nem pode colar, acabam por se tornar nos grandes encobridores da corrupção.

    Nada melhor para a corrupção e os corruptos que a floresta de confusões que esta gente cria, sítio ideal para a se esconderem atrás das árvores.

     

    7.6.12

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    * Marie-Laure Susini, Éloge de la Corruption, Fayard 2008

  • REGRESSO E COUVES

    REGRESSO

     

    Não, o IRRITADO não acabou. Tem andado numa espécie de hibernação, de bloqueamento, de espanto.


    Hibernou em relação aos assuntos do dia, da semana, do mês. Está farto de ouvir falar das secretas, do Silva Carvalho e do Relvas. Parece que meio mundo anda a querer entreter o outro meio com histórias da carochinha e guerras de tubarões assanhados uns com os outros. Não vale a pena pensar mais no assunto.

     

    Os brilhantes resultados da selecção de futebol fazem lembrar as velhas décadas durante as quais ir a uma fase final, mais do que improvável, era impensável. Os tipos mal se aguentam com a ignota Macedónia e caem como tordos perante a Turquia. Parecem o país, que andou uns anos a flautear sem para tal ter com quê, a fazer omeletas com o ovos dos outros e que, agora, mostra graves dificuldades para perceber que tem que meter a viola no saco e viver doutra maneira, já que quem pagava as contas se fechou em copas. Merece discussão?

     

    Os jornais e que tais continuam a preferir vender papel, uns com os anúncios “relax” e todos com a primeira patacoada excitante que achem agradar à malta, considerada esta como ignara e analfabeta, aberta ao primeiro conto do vigário que lhe ponham à frente do nariz. É mais do mesmo, não acham?


    O primeiro-ministro, a “troica”, as “agências” e mais uns tantos informam que as coisas não estão tão mal como seria de temer, pelo contrário, e que, a prazo incerto, isto até pode ser que melhore. Não vale de nada. A filosofia dos jornais e que tais, como de outros mais, impõe que o governo “não sabe comunicar”, o que implica que, se comunicar, ou comunicou mal ou não devia ter comunicado.


    O que está a dar são as más notícias, os buracos, as frases bacocas do Seguro e do Borrinho, as bojardas do Louça, as tiradas do estalinismo travestido de democrata que o Jerónimo vende, os raciocínios privilegiados do Pacheco, para quem vale tudo para dar cabo dos seus: em vez de mudar de clube, raio! Isto para não falar do socialismo endógeno da dona Cristas e das suas iniciativas, tal a pessegada do arrendamento e outras brilhâncias.

     

    Tudo isto bloqueia o IRRITADO. Espanta-o, põe-no em hibernação.

    É demais, e o que é demais passa da conta. Não vale a pena.


           

    COUVES


    Falemos pois de outra coisa, essa digna de menção: a genial cooperação entre o Costa, o Belmiro e o inacreditável pidocrata Fernandes.

    O Terreiro do Paço transformado em emanação da PAC. Lindo!

    A este repeito, vale a pena transcrever a esclarecedora carta que um adepto, de seu nome Imaginário Prognata, escreveu ao Seguro. Aí vai:


     

    Senhor Secretário-Geral, Excelência

     

    Vem este seu criado, militante número 3827423 da Federação Urbana de Frielas, apresentar a Vossa Excelência e aos camaradas Costa e Fernandes os seus mais respeitosos cumprimentos pela iniciativa em boa hora tomada de espelhar no Terreiro do Paço a faina do país real, feito dos que labutam nos ridentes campos da Pátria, mourejando para que os alimentos nos cheguem à boca, aliás e neste aspecto por intermédio desse grande português que se chama Belmiro de Azevedo, o qual, ciente da sua responsabilidade social, põe à disposição dos lisboetas, a preços convenientes, inúmeros resultados de tal faina e de tal mourejo.

    Pedindo desculpa de tão longo parágrafo,fruto do entusiasmo com que escrevo,  passo a explicar o que, para além dos merecidos parabéns que lhe dirijo e aos seus, motivou a presente:

    Ainda há bem pouco, um tenebroso capitalista sediado na Holanda, cujo nome, por nojo, não escreverei, teve o desplante, o topete, a lata – perdoe-me Vossa Excelência o plebeismo – de pôr à venda, nos seus supermercados, tudo, mas tudo, com 50% de desconto. Desde que, como é óbvio, as pessoas comprassem mais que cem euros! Miserável exploração das dificuldades que o povo atravessa! A imprensa, e muito bem, não se cansou de referir a monumental ofensa que o gesto consubstanciou, tanto mais que ocupou com compras os tempo que muita gente, noutras circunstâncias,  dedicaria a desfilar nas ruas em vibrante contestação ao governo e aos seus desmandos.  A opinião socialista, do PC/BE ao Sousa Tavares, passando pelos mais esclarecidos membros do nosso admirável partido, não se cansou, igualmente, de vituperar mais esta vil manobra do capital monopolista e imperialista, concebida com o fim de esfregar na cara do povo o trapo sujo do seu arrogante poder.

    E é para que fique bem clara a diferença entre esta tenebrosa manigância e a generosa iniciativa da veneranda Câmara de Lisboa e do nosso estimado Belmiro, que me atrevo a vir à presença de Vossa Excelência.

    É que uma coisa é trazer ovelhas e porcos ao Terreiro do Paço, mais umas couves, uns frangos, uns pacotes de leite e uns chouriços, vendendo-os ao povo a preço justo, outra é ofendê-lo com descontos. Uma coisa é proporcinar aos alfacinhas o espectáculo, por certo fabuloso, dos porcos e das vacas a pastar à volta do cavalo do Dom José, acrescidos de umas toneladas de terra cheias de alfaces e similares, outra, nos antípodas desta nobre acção, é vender produtos por metade do preço marcado! De um lado, a ridente quinta camarária à disposição das gentes na mais nobre praça do país, do outro os portugueses em bichas intermináveis, sob a vigilância da polícia, ao mesmo tempo que se lhes infunde os mais vis impulsos cosumistas.

    Esta a diferença, Senhor Secretário-Geral, entre uma iniciativa eivada de ganância capitalista e neoliberal, como diria o camarada Soares, e essoutra manifestação de cultura popular e de solidariedade social que o nosso socialismo, auxiliado pela generosidade do camarada Belmiro, Homem com agá grande, oferece, com justificado orgulho, ao Povo Português!

     

    Bem haja Vossa Excelência, Senhor Professor Doutor António José Seguro, bem como as ínclitas figuras que, por proposta do nosso Partido, foram pelo Povo colocados no comando da Cidade.

     

    De Vossa Excelência atento, venerador e obrigado

     

    Imaginário Profeta

     

    PS. Viva o PS! Viva o Socialismo! Viva a República! Viva o Terreiro do Paço, finalmente transformado em Praça do Comércio!   

        

    5.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • FRASES LAPIDARES

     

    Há quem conte a velhíssima história de um lavrador que, ao ser avisado pelo seu capataz sobre os perigos, para uma determinada cultura, representados pelo equinócio, terá respondido:

    – Quem te diz que, este ano, vamos ter equinócio?

     

    Vejam agora este lead de um jornal de hoje:

    “Em 2013 e 2014, feriados civis a eliminar calham ao fim de semana. Já em 2015 é uma incógnita”.

     

    E esta, da dona Ana Gomes:

    “O nosso dever é ir falar com o diabo, se for preciso para pôr em cima da mesa soluções de esquerda”.

     

    Só mais uma, da dona Inês Pedrosa:

    “Ao contrário de Relvas, Sócrates nunca fez chantagem com a vida privada de um jornalista”. (v. outro post de hoje)

     

    Comentário: o lavrador teria desculpa…

     

    25.5.12

     

    ABC

  • INÊS PEDROSA E A VERDADE

     

    Sob o título “A verdade a que temos direito”, vem a epigrafada, ilustre intelectual da mais pura esquerda, brindar a respeitável canalha com a sua preclara quão preciosa opinião sobre o caso Relvas/senhoras do “Público”.

    É ela conhecida pelo talento literário que, soe dizer-se, lhe assiste, bem como pelo seu inefável feminismo, fervorosa homofilia, acendrado “progressismo” e outras qualidades que o IRRITADO não conhecerá, mas com que a Natureza não deve ter deixado de a favorecer.

     

    Posto isto, vejamos o que a senhora opina acerca do mais fenomenal problema da Nação: a guerra do Relvas contra as fulanas do “Público” e vice-versa.

    Começa a nossa opinante por nos informar que sempre houve “pressões sobre a comunicação social” feitas “por todos os governos”, e que fica muito contente quando vê “responsáveis de jornais desligarem (precioso português!) os telefones aos autores dessas pressões”.

    Para quem conhecer minimamente as relações entre uns e outros (políticos e jornalistas), esta tomada de posição da senhora quer dizer… nada.

    Acrescenta a senhora umas considerações sobre a “moral” do seu meio, o meio da “informação”, dando a impressão de viver noutro planeta, pouco sabendo sobre o que se passa na Terra. Não deixa, por isso, de informar que os jornalistas desobedientes receberam inúmeras visitas das Finanças por ter levantado o rabinho do selim. Presume-se que o seu bem-amado Sócrates fosse especialista na matéria…

    Refira-se ainda que a ilustre senhora acha que vivemos “no regime opressivo instaurado pelo discurso catastrofista sobre a crise”, o que faz com que vejamos que “as pressões se multiplicam”. Lapidar. Lapidar porque é sabido que a esquerda tem as soluções necessárias para acabar com a crise de um momento para o outro: investimento público, estado social alargado, salários “europeus”, tendencial pleno emprego, etc. E ninguém liga! Das profundezas de imperdoável estupidez, quantos portugueses perguntam à tal esquerda onde é que vai buscar o dinheiro para sustentar esse maravilhoso mundo? A isto a esquerda não responde porque acha que, como no tempo do PS, o discurso devia ser, sempre!, triunfalista, optimista, já que deve ser essa a verdade a que, na opinião da senhora, “temos direito”.   

    Mas não é isto que importa, ou pouco importa, vindo de quem vem. 

    A senhora não percebe por que é que, sendo certo que o Relvas ameaçou o jornal de black out e a jornalista de ver reveladas intimidades suas, não publicou imediatamente a notícia. Isto para concluir que não havia provas do acontecimento. Quem ler, dirá: terá mesmo acontecido? Mas quem escreve conclui que “ao contrário de Relvas, Sócrates nunca fez chantagem com a vida privada de um jornalista”. Como sabe ela tal coisa? A afirmação implica: a) que a senhora cha que as acusações feitas ao ministro são verdadeiras e, b) que também sabe que, no tempo do Sócrates, a chantagem era feita por outros meios, se calhar mais eficazes.

    Mais: depois de confessados estes conhecimentos, dona Inês Pedrosa diz que, se a conversa estivesse gravada “a gravação poderia, por si só, virar-se contra o próprio jornal”. Porque se tratava de uma gravação ilegítima, ou porque a gravação podia provar uma verdade que não correspondia às acusações insinuadas e às quais dona Inês dá a maior das credibilidades?

     

    Enfim, ninguém sabe, ou jamais saberá ao certo o que se terá passado. Ninguém, não? Dona Inês insinua que sabe, sem afirmar taxativamente que sabe. Formidável, não é? Pelo menos, é uma expressiva demonstração do que é a integridade e a fiabilidade do pensamento de esquerda quando posto à prova.

     

    O IRRITADO, que, como já disse, admira tanto o Relvas como as raparigas e os jornalistas do “Conselho” do “Público”, acha que dona Inês faz parte da maralha que anda a atirar areia para os olhos do povo e a distraí-lo do que lhe devia interessar.

    Será uma manifestação da “verdade a que temos direito”?

     

    Disse.

     

    25.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • A RTP, O RELVAS, AS SERPENTES, A DÍVIDA E OUTROS MAIS

     

     

    Ontem à noite, mergulhado em infeliz sessão de zapping, o IRRITADO deu a volta ao coiso e foi parar à RTP1.

    O que viu deixou-o na mais profunda depressão.

     

    Perante os gemidos, gritinhos e as reacções alarves (gravadas?) de uma assistência de mastrafonas loiras, um ser repugnante com ares de pessoa humana debitava graçolas, qual delas mais estúpida, mais ausente de humor, mais ordinária, mais mentecapta.

    Num cenário do mais repenicado mau gosto, o ser, possuído de peripatética importância, contribuía com afinco para a estupidificação da assistência e dos espetadores (sim, hoje em dia, por obra e graça do acordo ortográfico, os espectadores passaram a espetadores). Só que os espetadores não espetavam coisa nenhuma, pelo contrário, eram espetados nos olhos e nas meninges pelos dardos da baixeza moral, cultural e intelectual do que lhes era oferecido.

    Chamava-se a coisa “5 para a meia-noite”. Era, como se calcula, nada mais que uma manifestação de “serviço público”, daquele em que a RTP é tida por fabricante e especialista. Abaixo de hiena – cão é pouco – ou de trampa.

    *

    Uma hora antes, tinha o IRRITADO exponenciado a sua endémica irritação ao ouvir uma das boas novas em que a RTP é fértil: o Estado injectou, por estes dias, mais de 360 milhões de euros para tapar os últimos meses de buracaria do “serviço público” de televisão. Mais do que vão custar os juros da troica!

    *

    Mercê do primitivismo dos políticos e da ganância extrema e irresponsável dos chamados media, na última semana o país tem-se ocupado quase em exclusivo de uma guerra entre um ministro duvidoso e duas serpentes do “Público”. A oposição aproveita a boleia para exigir a demissão do ministro, para dar algo que fazer a uma coisa que nunca devia ter existido mas continua a existir, chamada ERC, ou lá o que é, para entreter os senhores deputados em mais uns inquéritos e para vender mais uns jornais à vilanagem.

    Verdade seja dita, não se percebe lá muito bem porque é que o ministro chegou a ministro, nem porque será que o senhor Belmiro pôs as jararacas no “Público”, proporcionando assim saneamentos gonçalvistas e uma queda de qualidade do jornal, cujo objectivo se não vislumbra.

    Os 360 milhões para a RTP quase não são notícia. O senhor ministro não é chamado à ERC, nem ao parlamento, para justificar porque deve o Estado endividar-se ainda mais para sustentar o monstro.

    Já passou, não é! Um fait divers sem importância.

     

    Importante é saber quem mentiu mais, se o ministro se as harpias. Vejam os intelectuais da “Quadratura do Círculo”. Quarenta minutos a debitar teorias sobre o caso, qual delas a mais rebuscada!

    *

    Com ministros destes (a Cristas é outra que tal), como pode andar o Tavares (Sousa), o Tavares (Rui), o Soares (Mário) e tantos outros, a acusar o governo de ser liberal?

     

    Com media destes, como se pode dizer que há informação?

     

    Com intelectuais destes, o que será ser estúpido em Portugal?     

     

    25.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DESGRAÇAS

     

     

    As manchetes dos últimos dias põem uma pessoa de rastos.


    *


    Por cá, ao contrário do que se possa pensar, não se trata de más notícias. É que parece estar a começar alguma coisa séria contra as trafulhices de toda a ordem em que o país se atolou nos últimos anos.

    Prouvera que houvesse vontade, e meios policiais, jurídicos e judiciais para que a sociedade deixasse de achar que as trafulhices valem a pena. Precisávamos de “armas” de tipo anglo-saxónico, ou nórdico, para esta luta, em vez de continuarmos agarrados aos labirintos legais onde a justiça se enreda, verdadeiro espartilho  napoleónico, complicado e ineficaz.

    O IRRITADO, se fica de rastos com as notícias, quer ter, ainda que com parcas razões para tal, esperança numa reviravolta dos costumes judiciais que, sem pôr em causa valores fundamentais, antes reforçando-os e usando-os, possa separar o trigo do joio, rapidamente, com Justiça e força.


    *


    As noticias lá de fora são ainda piores.

    Do G8, pouco ou nada sairá, para além de tempo perdido.

    A Grécia precipita-se, imparável, num caos de consequências gigantescas.

    A França, entalada entre o Sarkozy e o Hollande, arranjou um presidente que, para além de anúncios tresloucadas ou impossíveis promessas (não se preocupem, que não são para cumprir), apresentou um governo digno das urgências do Júlio de Matos. 34 ministros, sendo 17 machos e 17 fêmeas, como se tal pudesse ser critério. O IRRITADO não criticaria se fossem mais mulheres que homens. Não se trata, nem de longe, de misogenia. Puro bom senso.

    Num frenesi mais ou menos paranóico, o governo do homem tem os mais extraordinários ministérios, coisa digna da imaginação dos aiatolas. A imprensa portuguesa, muito atenta a estes fenómenos, tratou de esconder a coisa. Um ministro para a “Revivescência Produtiva”. Outro, ou outra, para para o “Sucesso Educativo”. E outro “Francês e da Francologia” (nova ciência?). Para não falar do ministro  das “PME, da Inovação e da Economia Numérica”. E isto, meus amigos, são só umas amostras do delirium tremens do fulano.


    *


    Entretanto, os apóstolos do “crescimento económico”, da extrema esquerda à extrema direita, passando por todas as outras cores, parecem estar a ganhar a sua batalha.

    Conseguiram que não se fale noutra coisa. Crescimento!

    A Merkel vai dizendo pois pois, e fica tudo na mesma.

    E se a convencessem? Que fariam, ela e os demais? Possivelmente coisa nenhuma. É que ainda ninguém foi capaz, nem será, de dizer como se reactiva a economia de um continente que, vítima do mundialismo que inventou, deixou de ter sector primário digno de tal nome, abandonou a indústria pesada, exportou a indústria transformadora e se atascou num mundo de serviços e de custos sociais cuja sustentabilidade desbaratou.

        

    Os extremos, da esquerda ou da direita, a mesma trampa. Propugnam o investimento público, como se houvesse uns tostões para isso. Os que não são extremos entretêm-se com “progranas”, “planos” e outras patacoadas.

    Resumindo e concluindo: não se sabe se há alguma coisa a fazer ou se a civilização ocidental está mesmo a caminho do fim.

     

    23.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • NUMEROSA CAVALGADA

     

    Aqui há dias, numerosa cavalgada apeou-se à porta de São Bento em fremente alarde de indignação pela diminuição de subsídios de que foi vítima a nobre estirpe dos chamados cineastas, gente que, diz o povo ignaro, deveria ser conhecida por Brigada dos Chatos.


    Diminuir os subsídios? Então, ó burros, não vêem que a cultura é intocável? Não vêem que se trata de produtores culturais e que sem produtores culturais não há cultura e, não havendo cultura, não há país? Carradas de razão. Ainda por cima, dada a estupidez endémica do povo, não se vende bilhetes para as obras dos cineastas. Donde se conclui  que, ou o Estado lhes paga a brilhantíssima existência e as extraordinárias obras ou deixa de haver maneira de brindar o povo com as suas inigualáveis produções. E aquelas dezenas de pessoas que ainda compram bilhetes para a elas assistir? Ficam ao abandono, ou sujeitas a ir ver porcarias feitas no estrangeiro, com terríveis consequências na balança de pagamentos da Pátria?

    Se o Papa não tivesse pago ao Miguel Ângelo, havia Capela Sistina? Que aconteceria ao Mozart, se não fossem uns arquiduques a sustentá-lo, apesar das intrigas do Salieri?

    Isto não se mete pelos olhos dentro?

    Então como se pode compreender que os nossos miguéis ângelos e os nossos wolfgangs do nimas vejam diminuídos os seus sacrossantos proventos? Então esses insignes produtores de cultura são atingidos pelos cortes orçamentais como se fossem meros cidadãos, esses sim, a merecer todos os cortes e mais alguns, já que não compram bilhetes para o cinema nacional?

    Que tem a numerosa cavalgada a ver com a escumalha? Porque há-de a numerosa cavalgada ser objecto dos mesmo cortes a que a vilanagem está sujeita? Como pode isto acontecer num país que se diz civilizado?

    É certo que há produtores culturais que nunca receberam benesses do Estado, e que se encheram de euros. Olhem o Lobo Antunes, olhem o Saramago e tantos outros. Pediram dinheiro para a esferográfica ou para o computador? Esses não contam, como é evidente.


    *


    Hoje, o ciberespaço anda indignadíssimo com a demissão dos líderes do cinema e do audiovisual, certamente adeptos da numerosa cavalgada, a quem o Secretário de Estado, cínico!, teceu inúmeros elogios e se apressa em substituir.

    Intolerável!


    Acresce que um tipo, talvez inimigo da mumerosa cavalgada, veio ontem à TV declarar que os cortes (33%!) que foram feitos à Casa da Música, do Porto, iriam ser ultrapassados sem problemas de maior, mercê da gestão cuidada da organização e dos apoios que continuaria a receber dos seus habituias contribuintes privados, nacionais e estrangeiros.

    Ora um tipo que não se queixa, que vai em frente, que não mendiga, que não se acha mais que os outros, merece alguma consideração?

    Certamente.

    Mas não da numerosa cavalgada.       

     

    17.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • IMIMAMA

     

    Se houve imposto que, muito antes da crise, da bancarrota, da troica, etc., vinha aumentando de forma substancial, tal imposto foi o IMI. As câmaras foram autorizadas a aplicar aumentos, salvo erro até 30% (!), competindo-lhes servir-se da parlamentar benesse segundo os seus altos critérios.

    Todas aumentaram o IMI, umas com mais suavidade, outras à bruta.

    Parece que já ninguém se lembra disto. Pelo contrário, a coisa está esquecida, e esquecida de tal maneira que, por todo o país, as autarquias reclamam em altos gritos que, se o Estado quer sacar-lhes 5% do IMI, ou seja, mais 3% que o habitual, é um roubo, uma injustiça, ficam arruinadas e, sobretudo, impedidas de desempenhar a sua nobre missão de cobrar taxas sobre tudo o que mexe, incluindo as castanhas assadas e similares, para fazer rotundas e piscinas, centros culturais, museus da treta e outras pomposas infraestruturas, as mais delas ou desertas ou redundantes. Se o Estado gasta milhões a cobrar o IMI, indo entregar o carcanhol às autarquias, que mais não fizeram que aumentar a taxa, isso cabia perfeitamente nos anteriores 2%, não é? Pois. Se calhar é.

    O IRRITADO, que usa confundir o conceito de autarquia com o de inimigo público, é suspeito nesta matéria, pelo que aceita que se dê o devido desconto a estas tão maldosas declarações.

    Mas confessa a sua inveja em relação a certos sistemas que, para reconhecer a existência de uma autarquia, é preciso saber se se trata de uma comunidade auto suficiente para o desempenho das funções que lhe são atribuídas. Daí, dá-se o contrário do que acontece por cá. As autarquias cobram os seus impostos e as suas taxas, acrescidos dos impostos e taxas estaduais ou regionais (quando for o caso), e ainda dos impostos e taxas nacionais, tudo devidamente descriminado em facturas e documentos afins. Isto é, as autarquias cobram impostos para entregar ao Estado, não o Estado para entregar às autarquias. É capaz de ser melhor sistema.

    De qualquer maneira, é de assinalar a patriótica reacção das nossas autarquias perante os 3% que lhes querem tirar. As autarquias são “soberanas”, competindo ao Estado pagar tal “soberania”, mesmo que não tenha dinheiro para tal.

    A austeridade é precisa para toda a gente, menos para os atingidos por ela! É a mentalidade generalizada.

    O governo já cometeu asneiras que cheguem ao isentar certos macacões. Olhem os controladores aéreos que, para sustentar a nobre tese que a austeridade não é para eles, se entretêm a fazer greves que nos custam milhões!         

    Esperemos que, desta vez, as autarquias levem com os pés, que bem o merecem. A mama do IMI não só tem efeitos desastrosos no chamado “ordenamento do território”, como se tornou na principal receita desta malta. Aprendam a governar-se com menos, que é o que toda (ou quase) a gente não pode deixar de fazer.

     

    13.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CONSPIRAÇÕES

     

    O IRRITADO tinha, muito seriamente, pensado não se meter mais na história das chamadas “secretas”. Mas o bombardeamento é de tal ordem, que se torna difícil não dar pela coisa.

     

    As teorias da conspiração são aos pontapés. Ao ponto de se achar que a segurança da Pátria está em causa, que há desrespeito pelo segredo de Estado, que, mais tarde ou mais cedo, a Alcaida nos vai saltar em cima, aviões a cair, mortos nas ruas, o diabo a quatro. Admita-se a aflição de tantas e tão bem informadas almas. O tal Silva Carvalho é suspeito dos mais hediondos crimes, atrás dele um tal Vasconcelos, uns trutas que mandam naquelas coisas, o governo, o ministro-adjunto, quem sabe se o PM, este ou o anterior. Já se põe a questão da demissão de um e, a avaliar pelo crescendo de “bocas” e de altas deduções, parece que, se calhar, o melhor seria mandar o PM para casa, novas eleições, sabe-se lá que mais.

     

    Se calhar é tudo verdade, se calhar não é.

     

    Facto é que ninguém se cala. Os serviços ditos secretos deixaram de o ser, para se tornar numa organização tenebrosa, vendedora de segredos de Estado, agência de informações comerciais e não sei mais quê.

    A coisa não vai parar, pelo menos enquanto as pessoas não deixarem de comprar jornais à pala do assunto.

     

    Por mero exercício de retórica, façamos uma conspiração ao contrário, incompetentes que somos para conjecturar, mas reivindicando o direito de o fazer.

    Há longo tempo, é público e notório que o senhor Balsemão arranjou uma inimizade mortífera com o senhor Vasconcelos, possivelmente por causa de turras em relação ao seu periclitante conglomerado empresarial. Não será estúpido pensar que isso tenha sido determinante, ou tenha tido forte influência na cruzada anti-Vasconcelos lançada pelo “Expresso”, após “cuidada” “investigação jornalística”.

    Apesar de o inefável tipo do MFA/PS encarregado de vigiar estas matérias ter vindo à tona informar que não havia nada de suspeito naquela coisa toda, a tempestade continuou e foi tomando colossais proporções. Já há não sei quantos arguidos, não sei quantos suspeitos, não sei quantas acusações, não sei quantos advogados, não sei quantos magistrados que parecem não fazer outra coisa, buscas, violações de correspondência, espionagem electrónica, uma data de “serviço”. Muito bem.

     

    Vejamos agora as acusações que têm vindo à baila.

    A primeira refere-se a umas informações que o tal Silva Carvalho terá passado ao tal Vasconcelos sobre uns cavalheiros russos que queriam vir até cá fazer negócios com ele. Tratar-se-ia de saber se era gente de confiança ou se não andariam metidos com as máfias, as tríades e outras meritórias organizações, se tinham meios financeiros etc. Alguma destas matérias podia ser segredo de Estado? É evidente que não. Pode alegar-se que aos serviços secretos não compete obter informações comerciais. Mas não deixa de ser evidente que muitas das informações obtidas têm, ou podem ter interesse comercial sem deixar de ser obtidas por quem são para outros fins.

    Segundo crime objecto de acusação é o que se refere a outras informações do mesmo tipo, com eventual importância económica, incluindo para a respectiva “diplomacia”.

    Terceiro crime. Parece que o Silva Carvalho, ou alguém por ele, terá ilegitimamente penetrado numa factura da Optimus. Aqui sim, se for verdade, há mesmo crime. Deve, porém, tratar-se de coisa menor, se tivermos presente a entrada do Diário de Notícias no email de um tipo a propósito do qual desencadeou uma campanha com demolidores e bem sucedidos resultados políticos. Ninguém se chateou com o assunto. E, no entanto, houve violação, aliás confessa, de correspondência, seguida da sua pública utilização na intriga política. Porque há-de o actual caso (o da factura da Optimus) merecer tanto escândalo e tanta reprovação, se um caso similar deu lugar a coisa nenhuma que não fosse a descredibilização política de alguns por tais e tão ilegítimos meios? Não há moralidade nem comem todos!

    Quarto crime. O senhor Silva Carvalho saiu da secreta para um belo tacho na organização do Vasconcelos. É estranho, mas toda a gente diz que a coisa não viola qualquer lei. Então porquê tanto alarido?

    Quinto crime. Parece que o Silva Carvalho mandou ao ministro-adjunto um plano de reestruturação dos serviços. Então o actual, ou anterior, encarregado da coisa, não pode, sem incorrer em crime, dizer ao governo, que nada lhe terá pedido, como gostava de ver a coisa organizada, ainda que com evidente interesse pessoal? Então os eventuais receptores de tal plano não podem ser chamados e ter opinião, nem que tal opinião seja não ter opinião, ou não ler, ou não ligar ao assunto?

      

    Resumindo e concluindo:

    O estardalhaço que para aí anda, ou serve para vender jornais, ou para entreter o pagode.

    Donde, a conspiração do IRRITADO é tão legítima quanto as outras. Guerras empresarias são guerras empresarias, e está para nascer quem diga que houve violação do segredo de Estado nas informações que circularam.

    A conspiração dos outros, e que outros!, também será legítima, mas cheira a tempestade num copo de água e a areia nos olhos, ainda por cima salgada.                  

     

    12.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA FILOSOFIA DO TRAQUE


    Já toda a gente ouviu falar nas quantidades astronómicas de CO2 que os descuidos vacuns provocam, a fazer concorrência a essa coisa hedionda que se chama humanidade.

    Ora como a filosofia oficial ainda não mandou matar as vacas, mas insiste nas terríveis culpas da humanidade no “aquecimento global”, havia que justificar por que carga de água há tanta gente a provar por a+b que, em inúmeras épocas, houve concentraçõe de CO2 superiores às actuais sem que houvesse indústria e até, céus!, em tempos em que nem humanidade havia. Acresce que não foi, ainda, possível provar, bem pelo contrário, que a tais concentrações correspondesse o tal aquecimento.

    Mas há que andar para a frente, que é o que a filosofia oficial impõe. Nesta ordem de ideias, vieram agora uns cientistas oficiais – presumo que pagos pela ONU e pelos vendedores de direitos de carbono – demonstrar que, se houve muito CO2 em recuadíssimos tempos, tal se ficou a dever… aos traques dos dinossauros!


    Maldita flatulência!

     

    9.5.12

     

    António Borges de Carvalho

  • A NOITE DOS MARRETAS


    Na passada 2ª feira assistimos, isto é, há quem tenha assistido, a uma cena verdadeiramento caricata nos “Prós e Contras” do chamado serviço público de televisão.

    Os tipos puseram frente a frente dois PPD’s reformados e dois comunistas, um no activo outro não sei. Grande representatividade da opinião nacional, na magnífica opinião do serviço público!

    Foi o fim da macacada.

    O Jerónimo, mais afeito a estas cenas, mostrou a habitual “equanimidade”, pôs a funcionar a disquete do costume e evitou bate-fundos. A compensar, foi-nos dada uma esclarecedora mostra das maravilhas do comunismo soviético, na boca de um velho fiel de Lenine, um tal Avelãs, bem conhecido em vários meios que se julgaria já passados à pequena história. De volta ao galarim por obra e graça da RTP, o indivíduo teceu as mais inacreditáveis e ditirâmbicas considerações sobre a tirania bolchevista, e condenou com veemência o mundo ocidental. O camarada Jerónimo, prenhe da admiração e do deleite que as tiradas do tresloucado pitecantropus da política lhe provocavam, tinha os olhinhos a brilhar de admiração. Marretas, mas marretas a sério, a despejar balelas pescadas nas catacumbas do século vinte.

    O que é engraçado, sem ter piada nemhuma, é que os dois reformados do PPD passaram o tempo a dar razão aos bolchevistas. Minto, davam-lhes razão nos diagnósticos – coisa fácil de fazer, nos nossos infelizes dias – mas, com a desculpa de não estar ali para discussões iodeológicas, não se meteram em tais matérias, limitando-se a dizer que as “soluções” apontadas pelos marretas não eram exequíveis e deixando que ficassem no ar as bojardas do Avelãs.


    Quem tem medo compra um cão, diz o ditado. Se os PPD’s  não têm estaleca, comprem uns livros, desses que ensinam a discutir, e não nos sujeitem a estas sessões de “esclarecimento” promovidas pela RTP.

     

    9.5.12

        

    António Borges de Carvalho