IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO

     

    Senhor Primeiro-Ministro, Excelência

     

    Tem o IRRITADO a maior das mágoas ao escrever-lhe esta cartinha.

    Vossa Excelência é uma pessoa séria. O seu governo é um governo sério. Tem arrostado corajosamente com a atmosfera de guerrilha, ideológica e totalitária da parte de uns, estúpida q. b. de outros, com a contestação das corporações que acham que a austeridade é boa para os outros, com o ataque, a propósito de tudo e de nada, por parte de comentadores, sindicatos e opiniões diversas. Os seus ministros são também pessoas sérias e corajosas, e mesmo a super-ministro Cristas, com o seu socialismo “democrata-cristão”, apesar das asneiras que já fez não é má pessoa e até pode ser que venha a safar-se.

    Posto isto, é natural que o objectivo desta seja defendê-lo, o que muito me honra.

    Ora a manutenção em funções do seu amigo Miguel Relvas é, indiscutivelmente, fonte de descrédito para si, para o seu governo e para o país. Não entrarei em considerações sobre as pessegadas em que se tem metido, já glosadas com o maior dos gozos pelos seus inimigos e por muito boa gente que, não sendo sua inimiga, acha o que o IRRITADO acha.

    Sejam quais forem as culpas ou não culpas do senhor Relvas, o facto é que não há uma só razão para o manter em funções. Que sejam amigos, muito bem. Mas a amizade pessoal não deve servir para segurar uma pessoa detestada e troçada por toda a gente, uma pessoa cujo “estatuto” se confunde cada vez mais com o do senhor Pinto de Sousa, quer dizer, é olhado como aldrabão e oportunista, não interessa se com razão (há tantas!) ou sem ela. Tem, também, dado mostras de similitudes de carácter com o Pinto de Sousa, o que devia abonar, imediatamente, em favor do seu regresso a outras funções, mais pacíficas, menos exigentes e menos expostas.

    Dizem que o senhor Relvas é indispensável, em termos partidários. Permita, senhor Primeiro-Ministro que lhe diga que, mesmo dentro do seu partido, as mais das gentes anseiam por vê-lo – ao Relvas – fora do governo. Não queira, senhor Primeiro-Ministro, que seja quem for tenha contra si e contra o seu partido os mesmos argumentos que tinha contra o PS nos indignos e aberrantes tempos do exilado do seizième.

    Há momentos na vida de cada um em que mais vale sacrificar um parceiro do que poder ser acusado de cobarde.

    É, antes de mais, pela sua dignidade pessoal que lhe peço acabe com esta horrível situação, já que o causador dela parece não ter um espelho lá em casa.

     

    Com os melhores cumprimentos

     

    IRRITADO

     

    8.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA BAIXEZA DE ALTAS GENTES

     

    Como é do conhecimento generalizado, um tal senhor Krugman tem sido, ao longo dos últimos tempos, uma espécie de guru pró-esquerda, antiliberal, feroz crítico de troicas & Cª, etc.

    Muito bem. Está no seu direito, é intelectualmente respeitável, quer se siga quer não as suas opiniões, as quais está longe do IRRITADO atrever-se a discutir.

     

    Há um mês ou dois houve, cá no sítio, umas universidades do Estado que resolveram distinguir o tal senhor com doutoramentos honoris causa. Doutoramentos por grosso e atacado, a revelar o respeito universitário português por tão insigne personalidade. Ou não?

    Vejamos.

    O homem veio, recebeu as becas, os bonés, as medalhas e demais parafernália das mui respeitáveis instituições, guardiões ilustres do saber pátrio. Houve discursos laudatórios, artigos nos jornais, transcrições, barulheira. Muito bem. Aceite-se sem comentários que o homem merecia tais e tão importantes homenagens.

    A culminar a sua estadia entre nós, o Primeiro-Ministro recebeu o Doutor propriamente dito e teve com ele uma conversa que se estima útil para ambas as partes. Tanto que, publicamente, o senhor Krugman veio tecer algumas considerações elogiosas sobre o nosso político, o mesmo tendo sido feito em sentido inverso. Daqui se prova que os dois homens, garantidos pelo politicamente correcto como separados por um fosso ideológico intransponível, souberam conversar e apreciar as respectivas ideias e posições, se calhar não tão opostas como conviria à nacional e tão esquerdófila bem-pensância.  

     

    Acontece que foram dados os direitos de publicação dos discursos produzidos durante os solenes actos de doutoramento a um dos académicos que tomaram a iniciativa de os realizar.

    Naturalmente, querendo homenagear a publicação a que se propunha, o académico em causa pediu ao Primeiro-Ministro que prefaciasse a obra. Nada mais natural. Alguém que, não sendo do mesmo meio, nem tendo, supostamente, ideias parecidas com as do doutor Krugman, tivesse proeminência política e ideológica era a escolha ideal. Nada melhor que o Primeiro-Ministro, cujo respeito por homenageado é público e notório.

    Aqui é que a porca torceu o rabo. Os magníficos reitores das universidades envolvidas nos doutoramentos (a UL, a UTL e a UN) recusaram-se a aceitar o tal prefácio. Tratava-se, segundo tão ilustres personalidades, de propaganda política e pessoal do Primeiro-Ministro e de quem para tal o tinha convidado, ainda por cima académico conhecido como militante do PSD e ex-ministro. O editor borregou pelas mesmas razões.

    Ou seja. O gato ficou com o rabo de fora. A razão dos doutoramentos nada tinha a ver com o reconhecimento do trabalho do homem. Era, muito simplesmente, pelo menos nestas brilhantes cabeças, uma jogada política para pôr em evidência um intelectual que não partilhava das receitas em vigor e, por conseguinte, a coisa não passava de uma jornada de propaganda contra o governo. Tratava-se de mera política, e da má.

     

    O tiro saiu pela culatra. O homem defendeu as suas ideias, mas, percebendo o que se passa, também defendeu o governo! Tanto trabalho, tanto dinheiro gasto e, afinal, o resultado foi nenhum, pelo menos em relação ao objectivo. A publicação do prefácio do senhor Passos Coelho seria a cereja no cimo de um bolo que tinha saído estragado! T’arrenego!, disseram os reitores.

    Mas a lição ficou dada pelo novo triplo doutor.

    Quem anda a fazer política não é ele, não é quem convidou o PM para escrever o prefácio, não é, no caso, o PM. De onde se poderia esperar política, ou politiquice, nada. De onde menos se esperava, lá veio ela: dos reitores, das universidades, do editor, tudo minha gente ao serviço da esquerda.

     

    Bonito!

     

    8.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA NOBRE CLASSE

     

    A noite de ontem foi desagradavelmente marcada pelas histórias dos médicos.

    Preocupadíssimos com a saúde dos portugueses, os respectivos sindicatos mandaram ao governo uma lista de uns vinte pontos que queriam ver satisfeitos. Nada de novo: progressão nas carreiras, aumentos de ordenado, e mais uma série de coisas, a maior parte delas a demonstrar tal profunda e patriótica preocupação.

    Desta vez, a Ordem dos Médicos decidiu alinhar com as exigências, ao mesmo tempo que confessava que o assunto fundamental era o dos aumentos, coisa própria dos sindicatos, na qual a Ordem não pareceria competente para opinar.

    Mas opina, e de que maneira! Em comunicado, a distinta organização, ora comandada por uma das mais sinistras figuras públicas do país, vem dizer que apoia a anunciada greve dos sindicatos, apelando ao ministro para que trate de reunir com a classe, a fim de “se chegar a um acordo que satisfaça as pretensões dos médicos”.

    Notável comunicado. Os médicos querem “dialogar”, desde que, à partida, o tal “diálogo” se faça com o objectivo de lhes fazer as vontadinhas! Se não houver tal garantia, a insigne classe não vê utilidade na coisa.

    “A greve é irreversível”, aconteça o que acontecer, informaram os sindicatos. Rabo de fora, gato de fora. Política pura, no seu pior.

     

    Segundo cálculos não desmentidos, quer pelos sindicatos quer pela OM, vão ficar por fazer umas 5.000 cirurgias e para aí umas 400.000 consultas, o que nos permite ajuizar, sem engano possível, sobre o esmerado empenho desta gente em fornecer cuidados de saúde às pessoas, com qualidade e prontidão.

    Parece que hoje, o ministro disse estar disposto a dar uns aumentos. Fez mal. Pessimamente.

    A malta a ver os rendimentos a baixar. Os furos do cinto acabados. E estes tipos, Hipócrates da treta, a exigir aumentos, promoções, carreiras, o diabo a quatro. O ministro a modos que a ceder.

     

    Pobre país que tal gente alberga.

     

    7.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • REGRESSO AO EURO


    O IRRITADO, que se lembre, não se pronunciou sobre o campeonato da Europa, nem tinha que se pronunciar porque pouco sabe de bola e só gosta de ver um jogo ou outro pela televisão. Aliás, dada a quantidade de filósofos na matéria, arriscar-se-ia aos mais inacreditáveis insultos – sem que, no caso, valesse a pena – se tentase imiscuir-se na “academia” de tantos intelectuais, filósofos, futebólogos e gente da melhor cepa que se dedica a esta intricada matéria.

    Mas – é este mas que motiva o post – há coisas que fazem uma confusão dos diabos.


    Acontece que alguém pôs à disposição do IRRITADO uma cópia da gravação do Portugal-Espanha que acabou por ditar a eliminação dos nossos.

    A partir da visualização do disco, o IRRITADO verificou a veracidade de algumas impressões que lhe tinham ficado ao ver a transmissão em directo. Tem pena de não ter skills electrónicos capazes de pôr à disposição dos leitores alguns fotogramas tirados do jogo e até algumas sequências do dito.

    Vejamos:

    Uma vez, um dos castelhanos pareceu cair, na grande área, em cima da bola. Aproveitou a ocasião para a ajeitar com a mão: isto é claríssimo no CD. Mas, para o árbitro e, se calhar, para os futebólogos, é coisa que nunca existiu. Noutro momento, outro castelhano, ao ver a bola disparada na sua direcção, protegeu o facies com os dois bracinhos, não fora a bola dar-lhe cabo das ventas. Isto na grande área, pois então. O árbitro não viu. Os futebólogos também não consta que tivessem visto. Acrescente-se que uns oitenta por cento das vezes que o Ronaldo se aproximou da baliza com algum perigo, as suas intenções foram travadas por monumentais sarrafadas, que foram quase sempre objecto da bonomia do árbitro.

    Tudo isto foi assim, e está documentado, filmado, pode reproduzir-se à saciedade. Devia ser escancaloso mas não é.

    Que o árbitro fosse incompetente, estivesse comprado, drogado, com a gripe das aves, ou outra coisa qualquer, bom, é o menos. Que o senhor Platini tenha achado tudo muito bem e de acordo com os seus evidentes desejos, bom, o que se há-de fazer? Que os nossos jogadores tenham aceite esta coisa toda sem um queixume, compreenda-se e elogie-se.

    O que choca é a bonomia dos futebólogos e quejandos, federação incluída, prontos a aceitar sem um grito esse “rei nu” que é a equipa castelhana quando a jogar contra os seus hermanos. Hermanos uma gaita!

    Estes filósofos todos estão “irmanados” na aceitação, sem uma palavra de protesto e de repulsa, desta monumental trafulhice que foi levar ao colo os castelhanos até à final.

    Aceite-se que ganharam nos penaltis, pois que o digam. Deviam dizer também que, não fora a anterior falsificação do resultado, os penaltis nem tinham sido precisos!


    Cambada!

     

    6.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • COBARDIA


    A troica prescreveu a reorganização territorial, com fecho de municípios e de juntas de freguesia. O inigualável Pinto de Sousa subscreveu, o PSD e o CDS aceitaram.

    É bom? É mau? O diabo que o diga.

    O IRRITADO acha bom, mas compreende os que acham mal. Defender capelinhas foi sempre uma das mais queridas e bem exercidas “competências” dos portugueses.

    O governo, infelizmente sob a batuta do Relvas, resolveu avançar, mas começou por recuar: deixou cair os municípios, quantos deles mais que inúteis, até contraproducentes, e ficou-se pelas freguesias. Começou pelo fim.

    Adiante.

    Como nem o minstro Relvas nem os partidos (clientèle oblige…) têm coragem política para entrar a matar nestas terríveis matérias, foi resolvido criar um dos habituais “grupos de trabalho”, desta vez pomposamente intitulado “Unidade Técnica para a Reorganização Aministrativa”, que acompanhará o processo de extinçao de freguesias. Para já, mais nada.

    Interessante é ver como a Associação de Municípios, a congénere das freguesias e o PS se recusam a participar na tal unidade técnica.

    É de ver. A rapaziada não está para ser extinta, mesmo que haja razões para isso. Recusa-se a “dialogar” – coisa que está na moda, pela qual passam a vida a gritar e que muito contribui para a nacional-paralisia. Normal. Coerente. Esta malta só dialoga sobre o que lhe convém, e a título imediato.

    Para o PS a narrativa é outra: não indicará qualquer nome para a coisa, porque discorda da “metodologia e da solução adoptadas”. Extraordinário espírito de cooperação e responsabilidade. O PS recusa-se a participar numa coisa destinada a discutir a solução e a metodologia a adoptar, porque já estão adoptadas! Se já estivessem adoptadas para que raio serviria a “unidade”? Lindo!

    Passo a explicar: por brilhantíssimos raciocínios socialistas os rapazes devem ter chagado à conclusão que a história das freguesias vai dar muito que falar, muitos protestos e muito descontentamento. Daí, o melhor é não se meter no assunto, tirar o cavalinho da chuva. O PS subscreveu a reforma com a troica, mas isso foi o outro! O Seguro não tem nada com isso, não é?


    Há quem chame a isto irresponsabilidade. Há quem diga que é oportunismo. O IRRITADO chama-lhe cobardia.

     

    5.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • TAUROMAQUIA


    Diz-se que amanhã serão votadas umas inicitivas legislativas dedicadas à tauromaquia. Faltava esta.

    Então, será assim: o BE quer proibir as corridas de touros na TV do Estado, dado tratar-se de espectáculos “susceptiveis de influirem (sic!) negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes”.

    Comovente esta preocupação do Bloco com a juventude. Seria de perguntar aos camaradas se a exibição de filmes de fufas e de pederastas, de paradas gay e de outras porcarias do estilo, contribui para formação da personalidade seja de quem for!

    Mais propõe a distinta trupe que seja impedido “o apoio institucional à realização de espectáculos que inflijam sofrimento físico ou psíquico ou provoquem a morte de animais”.

    E o palácio que a CML ofereceu às organizações de deficientes sexuais? Não causa sofrimento psíquico a tantos portugueses que têm vergonha na cara? Não causa sofrimento físico às meninas e aos rapazes que são aliciados para a deficiência? E as galinhas que foram mandadas matar (3 milhões delas, diz-se) porque a gaiola não tinha as dimensões necessárias e mais valia matá-las que mantê-las “infelizes”, segundo os critérios do politicamente correcto? Isto não impressiona o BE? Não o indigna? E as vaquinhas que, como as galinhas, vivem entaipadas uma vida inteira para que os camaradas do BE bebam leitinho e vivam felizes? Inúmeras questões do género se podia colocar, se valesse a pena chamar o BE a qualquer espécie de raciocínio lógico, v.g. não demagógico.


    Não há animais mais felizes que os touros de lide. Vivem em liberdade, alimentam-se em liberdade, correm felizes pelas campinas, são tratados com desvelo. Terão um fim menos feliz, mas não é isso que acontece a todos, homens e animais, por morte, natural ou não?

    Esta malta, que é capaz de fazer manifestações e arruaças em defesa da diversidade genética, da biodiversidade ou do que lhe queiram chamar, não sabe que, sem corridas de touros acabarão os touros? Esta malta, que é capaz de fazer correr rios de lábia por causa do desemprego, saberá quantos milhares de pessoas ficarão sem trabalho se se acabar com as corridas de touros ou se se deixar de lhes dar a protecção que, como bem cultural, merecem? Esta malta, que é capaz dos maiores insultos se vir dois tostões retirados do dinheiro dos impostos àquilo a que chama “cultura”, não é capaz de perceber que a equitação taurina nacional é parte importante da cultura do povo, ainda por cima, como a tauromaquia, interclassista, que penetra em todos os meios sociais e culturais em verdadeira igualdade? Esta malta não sabe, não quer saber que os dinheiros públicos destinados à criação de gado aplicados em touros de lide são uma parcela ínfima das verbas a tal destinadas pala UE, sem reflexo nas nossas contas públicas ou nos nossos impostos?

    Bem sei, bem sei, os camaradas só querem que a televisão não transmita e que não haja um tostão público para os animaizinhos.

    (Ainda) não propuzeram o a ilegalização das corridas! Pois não. Mas querem privar os portugueses, a maior parte deles, que gostam de touros, de os ver na televisão. “Direitos” para os touros, “desdireitos” para as pessoas.

    E os desafios de futebol? Então não se escandalizaram quando viram na telavisão o sofrimento do Cristiano Ronaldo, a levar sarrafada de morte dos castelhanos?  Porque não proibir também o futebol?

    E se fossem pentear macacos? Coitadinhos dos macacos, que não têm quem os penteie!


    A maralha do PC, pela mão da secção “ecologista”, inexistente partido que se intitula “Os verdes”, é um pouco mais contida. Pudera! O que aconteceria no Alentejo se o PC alinhasse nestas rábulas? Assim, o PC, como acha que “o fim das touradas não teria acolhimento ainda no nosso Parlamento” limita-se a querer acabar com as transmissões, por se tratar de um “espectáculo ilícito”. Esta nem de cabo de esquadra é. Então um espectáculo permitido e regulado por lei legítima é ilegítimo? O IRRITADO confessa a sua incompetência para entrar no rebuscado raciocínio dos “Verdes”, certamenente gerido pelo materialiso dialético e controlado pelo comité central. Nesta medida a sua opinião se calhar é “ilegítima”.

     

    Em todo o caso, aqui fica.

     

    5.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DEMOCACIA DESCOLONIZADA

     

    (transcrição ipsis verbis de doc. oficial angolano):


    Boneco

    República de Angola

    Administração Municipal de Cambambe

    Repartição de Educação

     

    Assunto: Convocatória

     

             Esta repartição vem através desta, convocar a todos os professores e alunos deata escola a fazerem parte de uma marcha em apoio a candidatura de José Eduardo dos Santos a presidente da Republica nas eleições de 2012, no dia 23 do mês de Junho do ano em curso pelas 07 horas no campo da SATEC.


    Obs: Ausência dos professores e alunos, aplicar-se-á sanções disciplinares de acordo com a lei em vigor.


    Dondo, aos 22 de Junho de 2012

    O chefe de Repartição


    (gatafunho + carimbo)


    João Baptista Junior

    *

    Antes de mais, cabe so IRRITADO manifestar o seu contentamento por verificar que, apesar do português macarrónico, o senhor Baptista ainda escreve Baptista e não Batista, isto é, ainda não foi contaminado, como o “Expresso” e outros, por esse abominável monstro de estupidez “científica”, política e linguística que é o acordo ortográfico.


    Posto isto, reproduz-se o texto porque vale a pena mostrar aos leitores do IRRITADO que passam a vida a dizer que não vivemos em democracia o que é a verdadeira ausência dela, coisa de que, com certeza, já se não lembram.

    Pode dizer-se que a nossa democracia funciona mal, que os partidos políticos não prestam, que a justiça é o que é, que há por aí muitos atropelos, etc.

    Nos seus elementos formais e materiais mais importantes, a democracia existe em Portugal, e nem sequer está demasiado doente, apesar da Constituição e dos que a defendem como se fosse uma espécie de sharia – no que lhes convém, não no que à democracia se refere.


    5.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • JUSTIÇA PARA OS PILOTOS!

     

    Mais uma vez vem o IRRITADO, comovido e grato, agradecer a essa nobre plêiade de portugueses de lei, os trabalhadores que, esforçados e mal pagos, costumam fazer à Pátria o subido favor de conduzir os aviões da transportadora aérea de Estado.

    Após aturadas negociações, os probos profissionais resolveram suspender a greve! Em nome da Grei, o IRRITADO agradece!

    Veja-se o alcance do nobre gesto. A TAP acabou por perder só 47.000 reservas e, concomitantemente, uns míseros 140.000.000 de euros.

    O IRRITADO propõe que a diferença entre os milhões efectivamente perdidos e os que estava previsto ser perdidos no caso de a greve se realizar, sejam levados a crédito dos patrióticos pilotos e entregues pela administração em cerimónia pública transmitida em directo por todas as televisões. Bem o merecem!

    Da mesma forma, deverão os hotéis, restaurantes, cervejarias, boites e similares mostrar o seu eterno reconhecimento pelo altruísmo dos nossos queridos pilotos, garantindo os primeiros, para eles, seus familiares, amigos e afins, férias gratuitas, na Páscoa, Natal e Verão, assim como todos os fins de semana ou equivalente, com pensão completa, bar aberto e acesso gratuito a todas as facilities. Vitaliciamente, como é óbvio.

    Fora destes períodos, todo e qualquer estabelecimento não hoteleiro deverá garantir às mesmas individualidades refeições gratuitas à la carte, com bebidas à descrição – bar aberto nos estabelecimento nocturnos – a título gratuito e também vitalício.

    E não será demais! No próximo 10 de Junho, Sua Excelência o Presidente deverá condecorá-los com a Ordem do Infante, concedendo-lhe a adequada pensão vitalícia, a quadruplicar aos sessenta anos.

     

    Seja feita Justiça!

     

    4.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA REVOLTA DAS MASSAS

     

     

    Qualquer coisa se passa em Portugal que escapa à capacidade de compreensão do IRRITADO.

    Temos, segundo os números oficiais, 15% de desempregados. A juventude é a “classe” mais atingida pelo flagelo. Quem tem emprego no Estado, ou quem dele depende mesmo não tendo sido seu funcionário, viu cortados dois meses de rendimento. Quem trabalha viu os impostos aumentar. Diz-se que, na saúde, as coisas não estão a melhorar. Os tipos de educação acham que está tudo mal (esses estarão sempre contra tudo e mais alguma coisa), etc.


    Dir-se-ia que a contestação aumentaria e assumiria formas e acções cada vez mais fortes e números cada vez mais impressionantes. Os sociólogos, psicólogos, politólogos, estatisticólogos  e outros ólogos esgrimiriam as mais rebuscadas explicações para o fenómeno, todas elas levando ao mesmo: a troica, a austeridade, a injustiça, o governo…


    E, no entanto, passa-se exactamente o contrário. Os sindicatos cada vez têm menos adesão às suas convocatórias. O PC viu-se obrigado a mudar de tática e a mandar fazer umas coisitas pontuais, tipo anarca, com meia dúzia de “combatentes” amestrados. O BE não mobiliza seja quem for. O PS não existe. Os indignados zangaram-se uns com os outros e desapareceram do mapa. Os desempregados, na melhor hipótese dos próprios, juntaram 500 protestantes. Os campistas da dona Roseta foram para a praia. E por aí fora.

    Os sociólogos, psicólogos, politólogos, estatisticólogos  e outros ólogos andam à nora para explicar o que se passa. Os canhenhos da academia e da demagogia devem ser omissos na matéria.


    Longe do IRRITADO atrever-se a “analisar” os acontecimentos ou não acontecimentos. Longe do IRRITADO tentar menosprezar o drama de tantos portugueses a quem a crise atinge de forma injusta e violenta. Longe do IRRITADO atribuir o que constata a qualquer coisa tipo “nossos brandos costumes”. Longe do IRRITADO dizer que tudo se deve à excelência do governo.

    Não tão longe do IRRITADO pensar que a generalidade das pessoas já percebeu que não é na rua que contribuirá para o fim do sofrimento geral, que não é o governo que, sem mudança da política europeia, poderá aliviar as condições em que se vive, que a vida, por muito bem que tudo venha a correr, não voltará a ser o que era.

    Ou será cansaço, desistência, acomodação?

    Onde está a democracia “participativa”? Onde os movimentos “sociais”? Onde a influência arrebatadora das mesnadas de intelectuais, demagogos, ecologistas, esquerdistas et alia que por aí vegetam?

    Será que os portugueses perceberam que a democracia liberal – a única que existe – com todos os seus defeitos, falhas, omissões e injustiças, ainda é o menos pior dos sistemas?


    O IRRITADO não sabe as respostas para estas questões.  Vai pensando no assunto, e é tudo.

     

    3.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • ELES AÍ ESTÃO!

     

    Bem ensaiada a cena de anteontem na Covilhã.

    O “povo” local veio para a rua insultar um ministro, fazer uma barulheira dos diabos, com porta-vozes bem industriados, indignação a rodos, alguma violência, ou pré-violência, e outros condimentos “espontâneos”, a cheirar a teatro que tresandam. O pobre do ministro aguentou aquela porcaria sem pestanejar e, mostrando coragem física e não só, dispôs-se a “dialogar”. Dirigiu-se aos vândalos e tentou falar com eles. Mas eles não estavam ali para ouvir outra coisa senão a si mesmos, aos seus insultos e ameaças. Estavam ali para criar bagunça e para ganhar tempo de antena, coisa que as nossas inteligentes televisões ofereceram em quantidades industriais.

    A coisa já está desmascarada. Toda a gente sabe que a foi organizada pelo PC através da sua agência, dita sindical, a CGTP.

    Aliás, o camarada Carlos já veio confirmá-lo, acompanhando as suas bocas com encómios à “acção de protesto” levada a cabo pelos seus bem treinados comandos. De uma coisa ficámos certos: não havia a ali povo algum, só um bando de profissionais de agitprop.  

    O comité central deve ter reunido com o camarada Carlos a fim de lhe dar ordens para mudar de estratégia:

    Ó camarada Carlos, está visto e revisto – até cientificamente provado – que, ou você não tem jeito para arregimentar multidões, ou a malta das multidões já está farta do esquema. Conclusão, camarada – segundo a infalível lógica do materialismo dialético – é que as condições objectivas para a revolta das massas se alteraram. Temos que passar a actuar em grupos mais pequenos e mais aguerridos. Por falta de clientela, acabou o tempo das manifestações pacíficas, ordeiras, enquadradas. Está aberta a porta para a verdadeira acção revolucionária! Vamos amedrontar a burguesia, os lacaios do capitalismo, o governo da reacção!

    Devo avançar para formas de luta violentas? Perguntou o Arménio.

    Não, camarada, ainda não. Vamos ameaçar, assustar, intimidar, sem entrar em vias de facto. Barulheira, falta de respeito, indignação a rodos, gritos, vernáculo q.b., etc. A violência virá a seu tempo. Para já, vamos pô-los a borrar-se de medo. Chega. Lá virá o dia em que as nossas vanguardas organizadas conquistarão o poder pela violência revolucionária! Como sabe, não há outro processo. Trate o camarada de saber a agenda dos tipos do governo e comece a meter-lhes uns cagaços. Percebeu, camarada Carlos?

    De repente, fez uma rara luz no espírito do Arménio. Pois é, pensou, com umas dúzias pessoas, faço um brilharete e ganho uma data de propaganda. Eureka!!!

    E foi assim que se organizou a bagunçada de ontem. Uns vinte ou trinta camaradas, alguns porta-vozes, e pronto.

     

    Fosse assim ou assado, o facto é que esta porcaria mostra uma mudança de tática do PC. Passaram à “acção de rua” por intermédio de “comandos revolucionários”.

    Extraordinária é a bonomia da chamada “informação”. Quando até o camarada Carlos confessa que foi o partido, via CGTP, o autor da proeza, há jornais – como o “Expresso”  – que sublinham que os serviços secretos “não pensavam noutra coisa”. Andavam para aí a avisar que o PC ia entrar nisto, calcule-se o disparate!

     

    2.7.12

     

    António Borges de Carvalho

  • SALVAR A PÁTRIA

     

    “Não acabava (o post anterior), quando uma núvem que os ares escurece / sobre nossas cabeças aparece. / Tão temerosa vem, e carregada / que põe nos corações um grande medo…

    Se Camões fosse vivo, talvez comentasse assim esse Adamastor de palhaçada que por aí se parangona, a anuciar a salvífica reunião de um “Congresso Democrático de Esquerda”.

     

     Duas observsções preliminares.

     

    1 -A esquerda, como a ditadura era tida por de direita – do ponto de vista da importância do Estado em relação aos cidadãos era tão de esquerda como a esquerda – tomou a “decisão” de publicitar que a democracia, por definição, é de esquerda, coisa que a história e a prática demonstram ser mentira, mas que, dado o atraso mental que caracteriza a esquerda deste país, continua a ser “fé dos crentes”. É a estupidez e a trafulhce ideológica em acção.

    2 – É sabido, e confesso, que a generalidade da esquerda anda à nora, sem saber o que fazer. Acha que a crise é “de direita”, normalmente aquela direita a que chama liberal, ou neoliberal(?), mafarrico eleito para justificar a crise, mas, como não tem uma só ideia com pés e cabeça para a ultrapassar, entretem-se a vituperar os seus inevitáveis resultados e a sonhar com o dia em que tais resultados façam cair o tenebroso governo “da direita”, coisa que proporcionaria aos da esquerda uma oportunidade de ouro de voltar a gastar o que não tem, mascarado de “despesas sociais”.

     

    O novo Adamastor, felizmente tão perigoso como o do Bartolomeu Dias, é chefiado pelo Carvalho da Silva, já que o PC, dessolidarizando-se da iniciativa, não podia deixar de lá meter os seus agentes ao mais alto nível, do dito ao inevitável Siza Vieira, tudo gente do melhor. Soma-se um virtuoso escol, da dona Manuela Silva, protuberância católica e progressista do defunto pintassilgismo terceiromundista , ao famoso Vasco Lourenço, de brilhante inteligência, a figuras famosas do PS, entre elas o tristemente conhecido Pedroso, o Sérgio Sousa Pinto, emérito distribuidor de preservativos, o inacreditável Pedro Nuno Santos, que só debita asneiras, a dona Catarina Mendes, o mais desagradável membro da classe política, a rapariguita que era chefe dos indignados mas que já se zangou com a organização, altas patentes do Bloco de Esquerda, et alia.

    Este distinto bouquet de cérebros da nossa democracia “não quer hostilizar ninguém” (Carvalho da Silva), entenda-se ninguém da esquerda radical, PC incluído, e que, como diria o Álvaro Cunhal, “congrega vastos sectores da sociedade”, “tudo gente inquieta capaz de construir alternativas” (José Reis – seja ele quem for).

    Louvável, não é? Podemos estar descansados.

    Além disto, segundo o Big Chief Carvalho da Silva, o movimento começa e acaba aqui, isto é, “não tem agendas futuras”, não quer transformar-se em partido político nem arranjar problemas seja a que partido de esquerda for. Nobre intenção. Lida a coisa como deve ser, o homem, por iniciativa própria ou por ordem do comité central, não quer ferir sensibilidades comunistas que poderiam não gostar destas liberdades. Além disso, longe do camarada arriscar-se a prejudicar a sua candidatura a PR, já apoiada por esse liuminar da democracia socialista em que Soares deu. Carvalho da Silva toma os seus cuidados: chamar o pessoal da filarmónica, aceitando os instrumentos que quiserem trombonar a seu favor. Como abertura da campanha presidencial, não está mal.

     

    Nesta ordem de ideias, os “democratas de esquerda” que se unem para salvar a Pátria mais não são que a sementinha de um projecto de poder. Já que lá não se chega por São Bento, que se chegue por Belém.

    O resto são as “soluções” do costume, ainda que com palavreado mais doce, para não espantar os pardais, mas a querer dizer o mesmo: a troica que se lixe, os credores que se encolham, a Merkel que vá mandar lá em casa, os mercados são bandidos, o Holande – até ver – é um herói, reformas aos 35 anos, 22,5 horas de trabalho por semana, um nunca acabar de consumo (para relançar a economia!), “direitos” sociais para todos, renegociar a dívida, pôr essa gente toda nos varais, nacionalizar a banca, um mar de receitas para nos levar às profundezas do inferno.

    Muito tem a Nação a a receber desta trupe. É de esperar que a Nação lhe dê a confiança que merece.

     

    28.6.12

      

    António Borges de Carvalho

  • GENTE DO MELHOR

     

    Todos nós, portugueses de lei, orgulhosos da Pátria que nos viu nascer e que tanto amamos, não podemos deixar de sentir um frémito de alegria e grata paixão pelos nossos concidadãos aéreos – controladores, pilotos, etc. – que, miseravelmente pagos, como é público e notório, se preparam para vigorosamente protestar contra os que os pisam com salários ridículos e trabalho insano.

    E, afinal, que mal têm as greves que se avizinham? Nenhum! Trata-se do legítmo exercício de um direito constitucionalmente protegido, gaita! Contas feitas, só vai prejudicar 440.000 passageiros, suas famílias, suas férias, mais os horéis, os restaurantes, os bares de alterne, etc., tudo gente que não merece consideração de nenhuma espécie – o que eleva o número de prejudicados directos para uns milhões, coisa de somenos, e custar, só às companhias, directamante, e aos nossos bolsos, indirectamente, a ínfima quantia de 55 milhões de euros. Tudo para proteger classes profissionais com trabalho precário e salários terceiro-mundistas, não é? Muito bem!

    Da sua humilde tribuna, o IRRITADO sente-se na obrigação de louvar tão nobres e patrióticas gentes. E, se os tubarões que querem comprar as empresas desistirem das suas intenções, então mais patriótica é a sua intenção. Serão menos umas centenas de milhões a passar a fronteira para o lado de cá, assim demonstrando a ganância infrene do capitalismo internacional!

    Hossana! Grandes portugueses!  

    Ganhar aos castelhanos da bola, esta tarde, será o que menos importa. Importante, sim, é reconhecer o alto serviço prestado à Pátria pelos anunciados grevistas, os quais, à la limite, perante o gozo da mais negra reacção, arriscam ir todos de uma assentada para a rua, em vez de ir um de cada vez! Mas fizeram o gosto ao dedo, não foi?

     

    27.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • PROBLEMAS ELEITORAIS


    Não se sabe bem quem é este Silva, que os médicos têm como bastonário. Mas, visto este e o dos advogados, a ideia que fica é que as distintas classes não estão, de um modo geral, ou maioritariamente, boas da cabeça.

    Os tipos, quando abrem a boca, como não entra mosca só sai asneira. 

    O Marinho é um tonto, um desbocado, um ditadorzeco, o que muito bem lhe fica, pelo menos na sua qualidade de defensor oficioso do senhor Pinto de Sousa. Agora, mais uma entre tantas, lembrou-se de duplicar as quotas dos advogados reformados, dando sinais evidentes das suas propagandeadas preocupações sociais.

    O Silva, esse é ouvi-lo, dia sim dia não, na televisão, a debitar críticas a tudo o que mexe. Menos aos médicos, claro. As duas últimas do agressivo clínico são de estalo:

    Primeiro, perante as notícias de dois colegas tidos por chefes de uma trupe que terá sacado 50 milhões em trafulhices com medicamentos, afirmou que, a confirmar-se, a coisa poderá motivar sanções que poderão ir “até à expulsão”. Por outras palavras, o carnavalesco esquerdóide admite conservar os trafulhas na profissão, caso se prove que o são!

    Segundo, como está muito preocupado com a defesa da qualidade do serviço nacional de saúde, vai, com tal objectivo, pôr a classe em greve! Calcule-se a qualidade do dito serviço durante os dias de greve dos médicos.


    É evidente que a Democracia não se destina a pôr os “melhores” no poder – quem poderá julgar, ou saber, quem são os melhores? –  mas sim os que têm mais votos. É por isso que, não havendo outro método, às vezes são eleitos tipos deste género.  

     

    26.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA TRISTEZA

     

    Há cabecinhas que não se percebe bem como funcionam.

    Dona Roseta, dizem as piores línguas, é uma fulana ridícula, patética, meia histérica, uma tonta, uma arquitecta que nunca arquitectou coisa nenhuma para além de arranjar maneiras de andar à tona. Como é natural, jamais o IRRITADO diria tais coisas acerca da pobre da senhora. Nem por sombras!

    A última investida de dona Roseta merece, porém, uma pequena observação. Então não é que se lembrou de acusar o Relvas de a ter querido obrigar a fazer um contrato com uma empresa onde trabalhava o Dr. Passos Coelho? A coisa, segundo explicou, passou-se há dez anos, era o Relvas secretário de Estado, ela bastonária dos arquitectos e Passos Coelho funcionário de uma empresa.

    Longe do IRRITADO acreditar ou deixar de acreditar na tremenda acusação. Mas atreve-se a perguntar por que carga de água é que a dona Roseta se lembrou da história dez anos depois, em vez de se ter queixado na hora? Porque guardou, nas catacumbas da sua excelsa alma, esta tremenda verdade? O que a moveu, na altura, a calar-se?

    O que a move a falar agora é fácil de adivinhar: a baixeza moral e política de uma infeliz mulher.

     

    24.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • FLOP!

     

    Trutas de cento e noventa países estiveram reunidos no Rio de Janeiro com o virtuoso objectivo de “salvar o planeta”. Correram uns milhões nas despesas públicas, uns milhares de tipos ganharam chorudas ajudas de custo, viagens em primeira classe, bons hotéis, boa comida, umas noitadas no Rio. Óptimo.

    Para quê? Rezam as notícias que para nada. Nadinha.

    Voltou a malta, orgulhosa e satisfeita, aos seus locais de origem. A coisa tinha sido um fracasso indiscutível, o que, ou me engano muito ou era o que se pretendia. O senhor Banquimune e a sua gente devem ter voltado tristes à Aple, já que não avançaram um milímetro na sua gloriosa marcha para o governo universal.

    As coisas são muito mais simples do que parecem. No fundo de cada um, à excepção da chamada “Europa”, há dúvidas sobre a antropogénese do “aquecimento global”, se é que há aquecimento global, se é que o CO2 é tão mau como se diz, se os burocratas da ONU e da “Europa” têm razão, ou se quem tinha razão era o Bush quando mandou o protocolo de Quioto às urtigas.

    Pelo menos por este motivo, por exemplo os BRICS, regurgitantes de dólares, acham que a “Europa”, tesa como um barrote, deve pagar os triliões que propõe que se gastem, ninguém sabendo bem para quê. O nosso problema é que a “Europa” parece mais disposta a gastar tal dinheiro do que em resolver os problemas reais em que se está a afogar.

    Ninguém será capaz de demonstrar aos BRICS e companhia por que carga de água devem pagar despesas cuja necessidade outros inventaram. É que os trutas da ONU descobriram um problema que ninguém sabe se existe mas que fomenta um negócio de triliões. Os tipos de Bruxelas aceitaram a “ciência” imaginada por burocratas, e trataram de vender ao mundo o que o mundo não quer aceitar. Trata-se, como diz a propaganda, de “desenvolvimento sustentável”. Pois. O pior é explicar aos outros o que é sustentável para gente que precisa de comer todos os dias. Se é sustentável, dizer às pessoas que, em vez de gastar em pão, devem gastar em “direitos de carbono” e noutras patacoadas saídas dos delírios dos políticos.

    Sustentar o quê? A humanidade ou a demagogia?

    O flop do Rio, afinal, foi o melhor que de lá podia ter saído.

     

    O IRRITADO recorda com saudade os tempos em que a sustentabilidade ecológica era defendida por gente séria, por idealistas sem objectivos políticos fundados em ambições ou justificação por aldrabices. O “ambiente” é hoje um negócio como outro qualquer. Pior que isso, é fundamento para chantagem sobre as pessoas, uma forma de domínio, um atentado aos verdadeiros direitos de cada um, uma prática terrorista, uma forma de acabar com aquilo que se diz defender: a própria sustentabilidade.

     

    24.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • COM CÃO OU SEM ELE

     

    Uma ilustre senhora, nada menos que presidente da câmara municipal de Silves e antiga chefe do PSD local, andou ontem nos jornais a lamentar a ausência do nosso estimado Álvaro na assinatura de um contrato de desenvolvimento turístico – 300 milhões de investimento na página xis, 250 na página ipslon, 2.000 postos de trabalho na página xis, mil e tal na outra. Enorme iniciativa, gigantesco interesse municipal e nacional.

     

    No tempo do exilado do seizième estaria lá o primeiro-ministro, o Jamais, mais 3 ministros, 14 secretários de Estado, 80 assessores, 22 secretárias, uma sala cheia, televisões, rádios, jornais, uma alegria, um nunca acabar de cumprimentos e salamaleques, um esplendor, discursos em barda, elogios à presidente e à vereação, 5 novas auto estradas e dois aeroportos anunciados ao mundo, uma jornada de gala, um triunfo!

    Hoje em dia, ninguém. A senhora viu-se obrigada a fazer queixa à Lusa, ou equivalente, para ter alguma notoriedade nacional. Que vergonha, meus senhores!

     

    Os empresários envolvidos no projecto, grandes promotores do desenvolvimento da Pátria, eram, são, nada mais nada menos que os brilhantes chefes de uma empresa chamada Galilei, sucessora da célebre SLN, proprietária do não menos célebre BPN.

    Muito bem.

    Por acaso, na véspera, os ditos senhores, bem conhecidos na nossa praça, tinham dito no Parlamento que, ao contrário do que se diz por aí, só devem ao Estado uns míseros 170 milhões, mais uns tantos por aí. Pode perguntar-se onde vão desencantar os 300 milhões para o projecto de Silves numa altura de crédito escasso e tendo a ficha de informações que não devem deixar de ter. mas isto são detalhes sem grande importância.

     

    Agora, pensemos nas consequências da ausência do estimado Álvaro na cerimónia.

     

    Como não pôs lá os pés, anda a ser criticado pela presidente, pelos jornais e outros que tais.

     

    E se lá tivesse ido? Imagine-se a onda de contestação, o Tavares, o Pacheco, o Seguro, o Marcelo, o Jerónimo, mais umas centenas de fulanos preocupados com a honra do país, dos povos, da própria “Europa”, zurziriam o Álvaro com as suas abalizadas opiniões: o governo está feito com a Galilei, com o BPN, com as falcatruas, as corrupções, as off-shores, o caneco. O ministro tem que cair, tem que cair já, nem mais um minuto no poder! O louça exigiria a imediata formação de uma comissão de inquérito, a Roseta faria queixa à Procuradoria, o sindicato dos juízes poria o caso no Eurojust, e por aí fora, etc. e tal. A coisa dava para duas semanas a vender jornais.

     

    Com cão ou sem cão, tanto faz.

       

    24.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • O RELATÓRIO

     

     

    Uma das muitas estatais inutilidades em que estamos mergulhados sem haja sinal de alguém, seja quem for, querer acabar com elas, é a chamada ERC, dirigida por Charlemagne, isto é, Carlos Magno em versão almadense.

     

    A coisa lá vai vivendo e, às vezes, há quem queira pô-la a fazer alguma coisa. Foi o que aconteceu com o caso Relvas contra umas fulanas do “Público”.

    Como o relatório emitido pela distinta coisa não acusou o Relvas de qualquer hediondo crime, erguem-se abalizadas vozes, às catadupas, contra o Carlos Magno, contra a ERC, contra a “governamentalização” da nobre instituição, a partidarização dos “reguladores”, o diabo a quatro. O relatório é uma bambochata, os tipos do PPD lá metidos, a começar pelo Magno, estão “feitos” com o governo, etc. e tal.

    Haja alguém que defenda o relatório.

    Vejamos.

    As tipas do “Público” não podem provar as acusações. O Relvas não pode provar que as acusações das tipas são falsas. As tipas, que começaram por não publicar o que o Relvas não queria que se publicasse, acusam o Relvas de não querer que elas publicassem o que não publicaram, isto sem ceder a nenhumas pressões. O Relvas foi dando uma no cravo outra na ferradura, meteu os pés pelas mãos, etc. As tipas também. A heroína despediu-se ou foi despedida. Estão a perceber? Eu também não.

    No meio desta pastelada toda, o relatório, afinal, é a única coisa decente. Que diz ele? Que o Relvas se portou pessimamente, que as tipas mais ou menos. O que o Relvas fez, ou terá feito, não foi manipulação tentada, ou “pressão”, quanto mais não seja por falta de provas. Nesta ordem de ideias, a ERC não tem jurisdição na matéria.

    Tudo isto está certo. O que a ERC fez foi, primeiro, classificar as investidas do Relvas de forma dura e claríssima. Depois, considerar que não tinha competência estatutária para tomar fosse que atitude fosse. Finalmente enviou o relatório para a única esfera competente: a política.

    É na esfera política que está o problema. Era na esfera política que devia ter havido decisões.

    Quando Passos Coelho se atravessou a defender o seu importante amigo – o que, como amigo, lhe fica bem – cometeu um erro colossal.

    É que, no meio da pessegada, uma só atitude certa haveria: convencer o Relvas a tomar a decisão “pessoal” de sair do governo. Compreende-se que, por muitas razões, fosse difícil para ambos. Mas não havia outra coisa a fazer. As consequências de o manter vão ver-se a médio prazo, e vão prejudiciais para o governo e para todos nós.

     

    Enfim, o que está feito está feito. Mas não me venham dizer que a culpa é do relatório. A ERC portou-se bem, fez o que podia, mesmo sabendo, sem margem de dúvida, a tempestade que a seguir viria, o gozo dos comentadores, as tremendas acusações dos tipos do PS – os mais adestrados manipuladores de opinião de todo o mundo civilizado – a indignação das almas castas e puras sempre prontas a fomentar a cizânia.

     

    Nada disto quer dizer que o IRRITADO apoie, agora, a existência da distinta organização que dá pelo nome de ERC. Ela, como a como tantas outras das suas congéneres, nunca devia ter nascido.      

     

    23.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • SENILIDADE UMA OVA

     

    Muitas têm sido as interpretações dadas às espantosas opiniões desse irrefragável português que dá pelo nome de Soares (Mário).

    As mais caridosas atribuem os pontapés opinativos do senhor à sua provecta idade. 

    Convenhamos que não será fácil encontrar outra explicação. Como é possível que um homem que meteu cá o FMI duas vezes, venha vituperar a mesma gente, ainda por cima chamada pelo seu partido? Como é possível que o único governante europeu dos últimos cinquenta anos a lançar impostos retroactivos, aumentando os demais e desvalorizando os salários como jamais aconteceu, tudo em nome da saúde das contas públicas, se entretenha a dizer as mais repenicadas enormidades contra aqueles que, metidos pelo seu partido num imbróglio pior que os dele, em matéria de austeridade nem os calcanhares lhe roçam?

     

    O notável cidadão não faz a coisa por menos: apela à “insubordinação popular contra as imposições da troica”, cujos funcionários, “uns tecnocratas que ganham rios de dinheiro”, transformam o país em “protectorado”.

    A diferença entre Soares (Mário) e os tecnocratas deve ser que ele, coitado, como é sabido, passa a vida a apertar o cinto enquanto eles se repoltreiam em “rios de dinheiro”. E, em relação ao governo, a diferença é que, no tempo dele, não senhor, estava cá o FMI, o escudo passava a valer metade, o nosso cinto apertava-se como nunca, mas não se tratava, não senhor, de um “protectorado”.


    Tal como aconteceu com a senhora que o fez perder, miseravelmente, as eleições para a presidência do Parlamento Europeu e que ele, grande defensor dos direitos da mulher, se apressou a classificar de “dona de casa”, vem agora clamar que está na hora de a dona Ângela “voltar para a Alemanha de Leste e se fazer esquecer”.

     

    Compondo o seu colorido ramalhete, o nosso geronte de estimação afirmou – grande malha! – que terá “muito prazer” em apoiar o Carvalho da Silva, isto é, o PC, se aquele se candidatar à presidência da República!

    É claro que o Carvalho da Silva, contentíssimo, aproveitou para lançar mais uma louca e despudorada diatribe contra tudo o que não seja a cassete do PC, com  apelos à democracia “social” e coisas do estilo.

    Para o IRRITADO, ouvir um comunista a defender a democracia é o mesmo que ouvir uma ratazana a cantar o Rigolleto.

    Pelos vistos, o Soares (Mário) está, outra vez, com as ratazanas. E não me venham cá dizer que é por estar velhinho.    

     

    21.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • INFILTRAÇÕES


     

    O IRRITADO tem vindo a fazer os possíveis por denunciar dona Cristas, inacreditável ministra de uma data de coisas.

    Várias vezes tem dito que, na sua opinião, o governo, infelizmente, tem pouco de liberal, ou de “neoliberal”, como diz quem não sabe ou finge não saber nada destas coisas.

    Não poderá dizer-se, por outro lado, que o governo é socialista. Todo ele? Não! A dona Cristas é disso um exemplo evidente. Quiçá usando inspiração da “doutrina social da Igreja” de que é membro, dona Cristas, pelo que faz, obriga-nos a presumir que se trata de uma infiltação do socialismo radical num governo que o não é.  Bom seria que o Dr. Portas desse por isso e a metesse na ordem.


    Conhecida antes de mais pela ridícula história do ar condicionado e das suas evidentes relações com as gravatas dos funcionários e com a poupança de energia (!!!???), dona Cristas entrou em produção socializante.

    Ele foi essa desgraça em forma de lei, a que se chamará NNRAU (novo novo regime do arrendamento urbano), uma pessegada que não resolverá problema nenhum e criará muitos, dada a preocupação “social” que o anima e que coloca, mais uma vez, às costas dos particulares as funções sociais – leia-se gatunas – do Estado.

    Ele foi a abertura, sem mais nem menos, à exploração de terras, a fazer lembrar o PREC.

    Ele foi a criação de uma taxa dita da “qualidade alimentar” – não lhe chega a ASAE e os seus desmandos.

    Ele á a “nacionalização” completa da gestão da Casa do Douro, num grau de nem o Marquês de Pombal se lembraria.

    Ele é a defesa da posse compulsiva de propriedades… e por aí fora, não valerá a pena ir mais longe.

    Diga-se em abono da senhora que é coadjuvada, inspirada, não sei se desculpada, pela presença, a seu lado, do tristemente célebre Campelo, homem que, e muito bem, já foi ostracizado pelo CDS por causa da traição dita do queijo limiano, coisa que de nada lhe serviu mas foi um bombom para o PS.

    O mistério da recuperação deste parvo pelo Dr. Portas e pela coligação é uma das mais impenetráveis atitudes políticas da maioria, ainda que ninguém lhe dê uma linha.


    Enfim, Dr. Passos Coelho, fora isto uma carta e teria a humilde intenção de chamar a atenção de V. Exª para esta toupeira do PS (ou do BE, ou do PC?) nas fileiras do seu exército.

     

    21.6.12

     

    António Borges de Carvalho

  • UM PATRIOTA

     

    O celebérrimo deputado socialista dos Açores – de lá corrido por indecente e má figura – que foi apanhado em flagrante delito a roubar gravadores de som em pleno parlamento, foi acusado de “atentado à liberdade de imprensa”. Não de roubo!

    É pena que as ideias da ministra da justiça ainda não estejam em vigor. Se estivessem, talvez o homem tivesse sido julgado e condenado sumariamente pelo que fez às escâncaras.

    No PS, pelo contrário, em manifestação do mais alto respeito pelas instituições e pelo Estado de direito, o homem foi promovido. Como cidadão de indiscutível proprobidade, é vice-presidente do grupo parlamentar.

    Algo me leva a crer que, se o PS tivesse, para nossa desgraça, ganho as eleições, a esta hora seria ele o ministro da justiça.

     

    21.6.12

     

    António Borges de Carvalho