IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA REVOLTA DAS MASSAS

 

 

Qualquer coisa se passa em Portugal que escapa à capacidade de compreensão do IRRITADO.

Temos, segundo os números oficiais, 15% de desempregados. A juventude é a “classe” mais atingida pelo flagelo. Quem tem emprego no Estado, ou quem dele depende mesmo não tendo sido seu funcionário, viu cortados dois meses de rendimento. Quem trabalha viu os impostos aumentar. Diz-se que, na saúde, as coisas não estão a melhorar. Os tipos de educação acham que está tudo mal (esses estarão sempre contra tudo e mais alguma coisa), etc.


Dir-se-ia que a contestação aumentaria e assumiria formas e acções cada vez mais fortes e números cada vez mais impressionantes. Os sociólogos, psicólogos, politólogos, estatisticólogos  e outros ólogos esgrimiriam as mais rebuscadas explicações para o fenómeno, todas elas levando ao mesmo: a troica, a austeridade, a injustiça, o governo…


E, no entanto, passa-se exactamente o contrário. Os sindicatos cada vez têm menos adesão às suas convocatórias. O PC viu-se obrigado a mudar de tática e a mandar fazer umas coisitas pontuais, tipo anarca, com meia dúzia de “combatentes” amestrados. O BE não mobiliza seja quem for. O PS não existe. Os indignados zangaram-se uns com os outros e desapareceram do mapa. Os desempregados, na melhor hipótese dos próprios, juntaram 500 protestantes. Os campistas da dona Roseta foram para a praia. E por aí fora.

Os sociólogos, psicólogos, politólogos, estatisticólogos  e outros ólogos andam à nora para explicar o que se passa. Os canhenhos da academia e da demagogia devem ser omissos na matéria.


Longe do IRRITADO atrever-se a “analisar” os acontecimentos ou não acontecimentos. Longe do IRRITADO tentar menosprezar o drama de tantos portugueses a quem a crise atinge de forma injusta e violenta. Longe do IRRITADO atribuir o que constata a qualquer coisa tipo “nossos brandos costumes”. Longe do IRRITADO dizer que tudo se deve à excelência do governo.

Não tão longe do IRRITADO pensar que a generalidade das pessoas já percebeu que não é na rua que contribuirá para o fim do sofrimento geral, que não é o governo que, sem mudança da política europeia, poderá aliviar as condições em que se vive, que a vida, por muito bem que tudo venha a correr, não voltará a ser o que era.

Ou será cansaço, desistência, acomodação?

Onde está a democracia “participativa”? Onde os movimentos “sociais”? Onde a influência arrebatadora das mesnadas de intelectuais, demagogos, ecologistas, esquerdistas et alia que por aí vegetam?

Será que os portugueses perceberam que a democracia liberal – a única que existe – com todos os seus defeitos, falhas, omissões e injustiças, ainda é o menos pior dos sistemas?


O IRRITADO não sabe as respostas para estas questões.  Vai pensando no assunto, e é tudo.

 

3.7.12

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “DA REVOLTA DAS MASSAS”

  1. «Ninguém é mais escravizado do que aquele que julga ser livre sem o ser». Disse Goethe.O Sr. . Irritado pensa que vive numa democracia,O Sr. . Irritado pensa que vive num estado de direito.O Sr. . Irritado malha nos mais desgraçados e pobretanas.O Sr. . Irritado malha nos juizes.O Sr. . Irritado não ajuíza sobre o exercício da soberania pelos mandantes do seu clube que tiranizam e roubam o povo. Apenas a excepção Cristas.Enquanto os portugueses não olharem para os políticos como se detivessem a soberania e fossem déspotas esclarecidos o povo será sempre escravizado e roubado.

    1. And your point is ?!?!?!?!

      1. From Picaropt, ther’s no pointl, my friend, no point at all!

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Porque não se revoltam as pessoas? Também tenho pensado no assunto. Primeiro, há factores comuns a todas, em maior ou menor grau: 1. Inércia. Evitamos a mudança, pois é mais cómodo ficar na mesma. 2. Carneirismo. A malta vai botar o botinho, eu também vou. A malta não faz nada, eu também não faço. 3. Impotência. Sentimo-nos esmagados por forças maiores do que nós. Além disto, repetem-nos diariamente que a culpa foi nossa – não dos políticos, não da Banca, não dos mamões, mas NOSSA – e que temos de viver com as consequências. Depois, temos um país composto por: 1. Os mais velhos – os que já eram adultos no Estado Novo – viveram numa sociedade habituada a comer e calar. A maioria está reformada. Os bem reformados protestam por regalias perdidas, mas temem perder as que lhes restam. E os outros têm uma única prioridade: sobreviver. 2. Os intermédios – nascidos, digamos, entre 1955 e 1980 – dividem-se entre privados, desempregados, e funcionários públicos. Regra geral, os dois primeiros culpam os últimos, e os últimos são irredutíveis quanto às “conquistas de Abril”, embora pouco ou nada tenham feito por elas. Quase todos passam dificuldades, sobretudo os desempregados. 3. Os mais novos – nascidos nas décadas de 80 e 90 – são a geração da internet e dos telemóveis, das facilidades e cursos a pontapé. Muitos são “doutores”, e herdaram um país já sem sector primário ou secundário. Logo, pouco sabem (ou podem) fazer, com excepção do Facebook e de uns passeios “indignados” na avenida. ——————— Temos assim uma sociedade desigual e desunida, com raros interesses coincidentes, onde o egoísmo e o laxismo imperam. Uns cresceram no país submisso e bafiento do Estado Novo, outros na bandalheira e na pedincha pós-25/4 (é o meu caso), e outros já na ultra-bandalheira que se instalou, após governos sucessivos do Centrão. Todos aprendemos a ter respeitinho à “liberdade”, o próprio regime tem rituais para tal. A liberdade é: de tempos a tempos, deixam-nos ir botar o botinho; podemos queixar-nos à vontade; qualquer um é livre de ficar ou ir-se embora, desde que queira (e possa). As únicas alternativas, dizem-nos, são o fascismo de direita ou de esquerda. E todos, ou quase todos, estão à rasca. ——————— Creio que se somarmos tudo isto, concluímos que a Partidocracia vigente mantém-se não tanto por escolha racional, mas por mera falta de massa crítica, de energia, e de vontade. E podemos ir procurar causas até D. Afonso Henriques, mas a “bottom line” é que, aqui e agora, somos um povo miserável e acarneirado. Povos miseráveis e acarneirados não se revoltam – pelo menos, até sentirem fome a sério. Espero que não chegue a tanto, mas, a chegar, espero que os RESPONSÁVEIS sejam punidos. Da minha parte, já estão quase todos bem identificados.

    1. Avatar de daniel tecelao
      daniel tecelao

      Acresce dizer que no burgo tudo está orientado para a carneirada.As igrejas,os futebois,as telenovelas,os programas de TV,os opinadores de politica,a justiça,etc.etc.

  3. «Dêem-me um ponto de apoio que eu levantarei o mundo». Disse Arquimedes.O problema de alguns é que vivem agarrados a pontos que outros inventaram se recusam a reflectir sobre a realidade e não conseguem fazer outra coisa que rodopiar à volta do seu ponto.Eu sei que é difícil ajuizar procurar o direito e o justo. Encostamo-nos às nossas crenças que é mais cómodo. Quer o Passos quer o Sócrates foram tiranos que exerceram poder acima de qualquer direito. A República Portuguesa é um império de ladrões. Quantos empréstimos da troika valiam os prédios que estão a cair de podres nas zonas nobres das cidades. Quando um senhora que vive do seu salário é ameaçada para fazer obras de reparação nos elevadores (à custa do seu salário) está ou não a ser roubada pela soberania. Os portugueses são uns grandes pontos. Aposto cem contra um em que mais de 95% dos portgueses (inclui deputados, ministros, Presidente da República e outros de topo) não sabe:- O que é o Estado.- O que é um direito.Aqui deixo três perguntas de resposta múltipla aos pontos:Escolha da resposta verdadeira ou que melhor define.O direito é exercido pelo:a) Soberano.b) Súbdito.c) Cidadâo.O direito é sempre:a) Um benefício.b) Um sacrifício. A Lua é:a) Uma estrela.b) Um planeta.c) Um astro.Que tal os pontos responderem e fundamentarem.

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