IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O RELATÓRIO

 

 

Uma das muitas estatais inutilidades em que estamos mergulhados sem haja sinal de alguém, seja quem for, querer acabar com elas, é a chamada ERC, dirigida por Charlemagne, isto é, Carlos Magno em versão almadense.

 

A coisa lá vai vivendo e, às vezes, há quem queira pô-la a fazer alguma coisa. Foi o que aconteceu com o caso Relvas contra umas fulanas do “Público”.

Como o relatório emitido pela distinta coisa não acusou o Relvas de qualquer hediondo crime, erguem-se abalizadas vozes, às catadupas, contra o Carlos Magno, contra a ERC, contra a “governamentalização” da nobre instituição, a partidarização dos “reguladores”, o diabo a quatro. O relatório é uma bambochata, os tipos do PPD lá metidos, a começar pelo Magno, estão “feitos” com o governo, etc. e tal.

Haja alguém que defenda o relatório.

Vejamos.

As tipas do “Público” não podem provar as acusações. O Relvas não pode provar que as acusações das tipas são falsas. As tipas, que começaram por não publicar o que o Relvas não queria que se publicasse, acusam o Relvas de não querer que elas publicassem o que não publicaram, isto sem ceder a nenhumas pressões. O Relvas foi dando uma no cravo outra na ferradura, meteu os pés pelas mãos, etc. As tipas também. A heroína despediu-se ou foi despedida. Estão a perceber? Eu também não.

No meio desta pastelada toda, o relatório, afinal, é a única coisa decente. Que diz ele? Que o Relvas se portou pessimamente, que as tipas mais ou menos. O que o Relvas fez, ou terá feito, não foi manipulação tentada, ou “pressão”, quanto mais não seja por falta de provas. Nesta ordem de ideias, a ERC não tem jurisdição na matéria.

Tudo isto está certo. O que a ERC fez foi, primeiro, classificar as investidas do Relvas de forma dura e claríssima. Depois, considerar que não tinha competência estatutária para tomar fosse que atitude fosse. Finalmente enviou o relatório para a única esfera competente: a política.

É na esfera política que está o problema. Era na esfera política que devia ter havido decisões.

Quando Passos Coelho se atravessou a defender o seu importante amigo – o que, como amigo, lhe fica bem – cometeu um erro colossal.

É que, no meio da pessegada, uma só atitude certa haveria: convencer o Relvas a tomar a decisão “pessoal” de sair do governo. Compreende-se que, por muitas razões, fosse difícil para ambos. Mas não havia outra coisa a fazer. As consequências de o manter vão ver-se a médio prazo, e vão prejudiciais para o governo e para todos nós.

 

Enfim, o que está feito está feito. Mas não me venham dizer que a culpa é do relatório. A ERC portou-se bem, fez o que podia, mesmo sabendo, sem margem de dúvida, a tempestade que a seguir viria, o gozo dos comentadores, as tremendas acusações dos tipos do PS – os mais adestrados manipuladores de opinião de todo o mundo civilizado – a indignação das almas castas e puras sempre prontas a fomentar a cizânia.

 

Nada disto quer dizer que o IRRITADO apoie, agora, a existência da distinta organização que dá pelo nome de ERC. Ela, como a como tantas outras das suas congéneres, nunca devia ter nascido.      

 

23.6.12

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “O RELATÓRIO”

  1. Ou seja: a ERC não presta, mas o “relatório” foi o possível, dentro das circunstâncias. E o Relvas devia ter-se demitido, mas não se demitiu, paciência. E o Passos jamais o devia ter defendido, mas defendeu-o, paciência. Acresce que o Passos jamais o devia ter nomeado, mas nomeou, paciência. É isto, não é? Só que a malta já vai perdendo a paciência. E não é preciso ser «casto e puro», nem do PS, para ver que este pulhazito tachista – o Relvas – é o porta-estandarte da falência moral deste Governo.

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