IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DEMOCACIA DESCOLONIZADA

 

(transcrição ipsis verbis de doc. oficial angolano):


Boneco

República de Angola

Administração Municipal de Cambambe

Repartição de Educação

 

Assunto: Convocatória

 

         Esta repartição vem através desta, convocar a todos os professores e alunos deata escola a fazerem parte de uma marcha em apoio a candidatura de José Eduardo dos Santos a presidente da Republica nas eleições de 2012, no dia 23 do mês de Junho do ano em curso pelas 07 horas no campo da SATEC.


Obs: Ausência dos professores e alunos, aplicar-se-á sanções disciplinares de acordo com a lei em vigor.


Dondo, aos 22 de Junho de 2012

O chefe de Repartição


(gatafunho + carimbo)


João Baptista Junior

*

Antes de mais, cabe so IRRITADO manifestar o seu contentamento por verificar que, apesar do português macarrónico, o senhor Baptista ainda escreve Baptista e não Batista, isto é, ainda não foi contaminado, como o “Expresso” e outros, por esse abominável monstro de estupidez “científica”, política e linguística que é o acordo ortográfico.


Posto isto, reproduz-se o texto porque vale a pena mostrar aos leitores do IRRITADO que passam a vida a dizer que não vivemos em democracia o que é a verdadeira ausência dela, coisa de que, com certeza, já se não lembram.

Pode dizer-se que a nossa democracia funciona mal, que os partidos políticos não prestam, que a justiça é o que é, que há por aí muitos atropelos, etc.

Nos seus elementos formais e materiais mais importantes, a democracia existe em Portugal, e nem sequer está demasiado doente, apesar da Constituição e dos que a defendem como se fosse uma espécie de sharia – no que lhes convém, não no que à democracia se refere.


5.7.12

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “DEMOCACIA DESCOLONIZADA”

  1. Que sorte a minha!!!… Não me chamo Batista!!! (mas pelo “andar da carruagem”, lá terei um “Baptista” a mandar por aqui).No entanto (para o que verdadeiramente interessa), não tem por aí um corta-Relvas que me empreste?

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    O exercício do Irritado é educativo, mas temo que pouco eficaz. É que uma pessoa que vive numa barraca, pode sentir-se reconfortada por saber que há quem viva debaixo da ponte… mas, passada essa efémera satisfação, continua a viver numa barraca. Ou seja, como diz o povão, com o mal dos outros podemos nós bem. Note que teve de ir buscar um país africano, para fazer a malta sentir-se melhor. Quem irá buscar a seguir? A Eritreia? O Zimbabué? A Coreia do Norte? O problema não está na Democracia em si, está na maneira como aqui é aplicada, e nos agentes políticos que temos. Está nos partidos, nas pessoas dos partidos, e nas regras viciadas que criaram. Está na impunidade, no compadrio, na promiscuidade com os mamões deste país, na falta de respeito pelos contribuintes, na falta de vergonha na cara. Já aqui falámos em Democracia Directa, ou pelo menos mais directa do que esta, e o Irritado acha mal. Fala-se quase todos os dias em dar uma vassourada a este establishment político, com ou sem paulada, e o Irritado acha mal. Nem a RESPONSABILIZAÇÃO dos eleitos, e a sua vinculação às promessas eleitorais, lhe parecem viáveis. Logo, que propõe o Irritado? Quer-me parecer que propõe deixar tudo na mesma. E isso é inaceitável.

    1. O problema são vários, passe a sintaxe de pé quebrado.- O primeiro é que a alternativa à democracia é a ditadura;- O segundo é que a democracia não significa (ao contrário do que diz a Constituição) bem-estar, riqueza, saúde, etc., significa legitimidade;- O terceiro é que temos que viver com o que temos, não com o que gostaríamos de ter;- O quarto é que as alternativas democráticas que têm aparacido, cá e lá fora (poujadismo, peronismo, PRD e quejandos) são sempre piores do que o que estava, se o que estava era a democracia.Por isso, meu caro, não vale a pena ficar pela condenação moral de tudo e de todos, é preciso ir um bocadinho mais longe. Neste sentido, a primeira e a mais importante de todas as reformas seria uma nova Constutição, que fosse portuguesa e não “da República”, que fosse mais anglo-saxónica e menos afrancesada, que tivesse objectivos democráticos e não socialistas, que tivesse duas câmaras, sendo a segunda um travão àquilo a que chama “partidocracia”, isto é, em que houvesse limitações democráticas dos poderes, sem objectivos ideológicos armados em normas constitucionais. Essa é uma luta que valia a pena travar. De resto, como mais pintosdesousa menos pintosdesousa, com mais relvas ou menos relvas, não vale a pena gastar todas as energias a esbracejar moralismos, condenações e ameaças…Acabo com uma “declaração de interesses”, coisa muito na moda: é verdade que acho que o único caminho que pode levar a algum porto menos inseguro é o que este governo está a seguir. Talvez em Agosto isto fique demonstrado. Se a receita da troica não dá os resultados esperados, pelo menos tão depressa quanto seria de desejar, a culpa é da troica e do PS, não do governo que, coitado, às vezes um pouco trôpego, vai fazendo o que é possível, com uma seriedade a que ninguém em Portugal estava habituado.

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Não quero entrar num pingue-pongue, mas o seu problema são quatro: – a alternativa a esta “democracia”/partidocracia NÃO é uma ditadura, mas sim uma democracia autêntica – mais directa, que envolva os cidadãos nas escolhas mais importantes, e que responsabilize (finalmente!) os eleitos; – a nossa Constituição é uma mera declaração de intenções, tão bacoca quanto ultrapassada, usada e esticada conforme dá jeito, como a recente deliberação do TC deixou penosamente claro; – as alternativas não são apenas ditaduras – há e sempre houve democracias melhores, com representantes melhores; – o nosso maior problema, embora possa concordar com a nova Constituição e as duas câmaras, e outras em que provavelmente concordaríamos, é que a nossa CANALHA POLÍTICA NÃO AS QUER. E, até onde a vista alcança, não as vai querer. Ou seja: o nosso maior problema são os nossos partidos, os nossos políticos. A nossa PARTIDOCRACIA não é apenas um chavão, é uma realidade. As verdadeiras “forças de bloqueio”, o maior cancro deste país, não são os sindicatos, nem os magistrados, nem os esquerdalhas, nem os direitalhas, nem sequer os banqueiros, ou os mamões (passe o pleonasmo), ou outros interesses instalados: são mesmo os POLÍTICOS. Só os políticos têm o poder de fazer leis, de cobrar e gerir os nossos impostos, de atribuir subsídios ou benefícios fiscais, de assinar ou adjudicar em nosso nome. Deixamos tudo nas mãos dos nossos “representantes”. E somos “representados” por tachistas, carreiristas, arrivistas, medíocres, chulos, corruptos, trafulhas, e mafiosos. Os pederastas/pedófilos serão menos frequentes, mas também lá estão, e são acolhidos pela classe sem pruridos de maior. É uma classe bastante unida, apesar das aparentes diferenças de opinião, e de gostos. São os políticos que se vendem, e que vendem o país, aos “mercados” e a interesses internos e externos, que nos sugaram até à penúria em que estamos. Não estou a dizer que seríamos todos ricos e prósperos se não fosse por eles; estou a dizer que estaríamos certamente melhor, sem eles. E que a sua IMPUNIDADE é inaceitável. A raíz do problema está nos próprios partidos, e nas pessoas – no tipo de pessoas – que atraem. «Esbracejar moralismos, condenações e ameaças», é o MÍNIMO que podemos fazer. Se não fôssemos tão passivos e miseráveis, tão CORNOS MANSOS, há muito que teríamos feito mais do que isso. E hoje não se riam de nós em Paris ou Cabo Verde, nas EDPs e Galps e RENs da vida.

  3. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Os angolanos ainda são aprendizes em matéria do controlo das massas,no tempo de Salazar tambem se produziam documentos destes.Agora há mais sofisticação,a arregimentação da borregada agora faz-se subtilmente!!!

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