IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA INDIGNAÇÃO

 

 

Nestas andanças electrónicas, e não só, damos conosco perante uma espécie de “movimento” informal criado por milhares de descontentes para quem, mais que encarar a realidade objectiva dos nossos dias, há que ficar pela simples condenação dos que acham culpados de todos os males que nos afligem.

Culpados haverá, mas nada se combate se gastarmos todas as nossas energias a odiar o que se combate.

Depois, há a generalização. Os “combatentes” pegam em exemplos, muitos deles “exemplares”, daí partindo para a classificação de tudo e mais alguma coisa como sendo parte do problema.

E ainda, o “remédio”. O remédio consiste em classificar tudo e todos que de algum poder disponham. São todos iguais, maus, ladrões, corruptos, mentirosos, safardanas. Correr com todos, prendê-los, aboli-los, sei lá.

A melhor maneira, pensa o IRRITADO, de proteger os maus, os ladrões, corruptos, os mentirosos, os safardanas, é dar-lhes esta benesse: misturá-los de tal maneira, que se percam no meio dos outros. Se assim são todos, assim nenhum o é!

É claro que os profissionais desta filosofia não fazem ideia do que quereriam a seguir a ter atingido os seus objectivos, sejam eles quais forem. Limpeza! Limpeza total, generalizada! Mais nada.    

Depois, depois, se calhar, é o caos. Daí a Fénix. Será?

Formam-se movimentos, primeiro mais ou menos informais, a seguir, que remédio, lá surgem os líderes. O discurso é fácil. Basta condenar! Depois logo se vê. Surgem os poujadismos, os partidos da ética e da moral (sinónimos repetidos à saciedade, a mostrar que os donos do pleonasmo não sabem lá muito bem do que falam), como o falecido PRD, ou outras coisas piores. Soluções, nem uma.

Do lado dos formais (os partidos) é mais ou menos o mesmo: o discurso fácil, se há males há culpados, o capitalismo, ainda melhor se for o “de casino”, os EUA, a dona Ângela, os laboratórios farmacêuticos, um exército de criminosos a que tudo o que é a odiada gente pertencerá. Soluções, nem uma. À excepção, é claro, da limpeza!

Como no tempo do Gonçalves. Partir os dentes à reacção e outros ditos imaginativos e inteligentes. Viu-se o que deu. Competências deitadas ao lixo, “fascistas” perseguidos, o dinheirinho, ou melhor, o dinheirão – havia-o por aí com fartura – foi-se para não mais voltar. Os “criminosos económicos”, fascistas por definição, tudo foi limpo. Numa palavra, foi-se a ditadura mas a democracia estava condenada a ir-se também. Por fim, hossana, aguentou-se. Mas o que estava estragado nunca se consertou.

Os partidos comunistas anseiam por voltar ao mesmo. T’arrenego!

O PS esbraceja, sem ideias, sem projectos, sem ponta por onde se lhe pegue. Cada dia que passa, a sua “obra” fica mais à vista.

Pode ser que a desgraça em que estamos metidos não tenha solução que não seja ir de mal a pior. Mas, se houver outra, não andará longe do caminho que isto vai seguindo. É mau? É péssimo. Mas venham os protestantes, os indignados, os políticos comunistas, os do PS, os comentadores dos jornais e da net, dizer, então, como é. Venha o bispo Januário bojardar porcarias. Venha quem vier, mas diga como deve ser. Para alem de parlapaté populista, para além das omeletas sem ovos.  

Quem quererá separar o trigo do joio? O remédio seria possível. Mas onde está a Justiça, que manda destruir provas, que mete os pés pelas mãos, que se entretem em tricas sindicais e em guerras intestinas, que não quer pagar nada e só quer que lhe paguem? Enquanto a Justiça for o que é, enquanto der os espectáculos que dá, então fomenta-se a razão dos comentadores catastrofistas, inquisitoriais e irrealistas.

Quem quererá, quem será capaz de pôr a Justiça na ordem?

 

14.6.12

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “DA INDIGNAÇÃO”

  1. Eis um brilhante “post”, dos muitos a que me habituou e que, nos ultimos tempos, se afastou (inexplicavelmente). Com efeito, a questão que coloca – “O remédio seria possível. Mas onde está a Justiça…”? – é lapidar. Obriga a profunda reflexão e, quiçá, acção.Na verdade, a politização da Justiça é assaz assustadora!

    1. Ora aqui está a retórica ressabiada que você sempre aqui despeja.Todo o mal do país,da europa e tudo á volta,é da exclusiva responsabilidade da esquerda.Um gajo pode ser de direita até á medula,mas não precisa de ser obtusamente obstinado.

  2. Sr. Irritado, Portugal é um país sem juízo porque ninguém ajuíza /A> E não havendo juízo .</a> não há justiça. Diga-me onde está a ordem onde o Sr. Irritado quer colocar a justiça e qual o significado da palavra justiça que utiliza. Mais, diga-me quem no exercício do poder respeita essa ordem. E já agora, gostaria que me indicasse um só crítico da nossa praça que ajuizasse sobre o exercício da soberania pelo poder político. Alguém me poderá responder a estas perguntas: Como pretende um soberano fazer justiça não tendo tribunais judiciais soberanos para exercê-la? O SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA é uma ficção. Chama-se supremo, mas tem um tribunal superior! Diz-se de justiça, mas esta está capturada pelo poder político. É uma impossibilidade! Como consegue um povo ter direitos, quando a soberania os não protege e garante? Pelo contrário, os seus órgãos sacrificam de forma arbitrária os direitos de uns a favor de interesses e delitos de outros. A soberania alega e proclama que os direitos estão em conflito e confronto uns com os outros. Rouba a uns para benefício de outros. Proclama-se o direito de roubar! De que serve a uma sociedade criar direitos para lhes atribuir as características do arbítrio? Nos conflitos e confrontos, os direitos dos mais fracos serão sempre destruídos. Como quer um povo uma democracia assente num estado de direito, se não tem juristas capazes de lidar com o direito sem arbitrar (entortar)? Descaracterizam o direito, introduzindo a conflitualidade no seu seio. Depois, relativizam e arbitram. Como aspira um povo progresso e modernidade se apenas tem como alternativas escolher entre bandos de delinquentes contumazes que o tiraniza e rouba? Violam a Constituição e proclamam a sua delinquência como sendo um acto normal assumindo um ar sério e ingénuo!

  3. A dialéctica do Irritado em 3 etapas: 1. Os críticos: estou farto destes ressabiados da net! Esta canalha maldizente, que diz mal dos políticos em geral, e dos meus amigos em particular! Só sabem criticar, destruir; mais difícil é construir. Disso não são capazes. Canalhas! 2. A realidade(TM): é o caminho actual – o dos meus amigos. Esta é a realidade, não há caminho alternativo. E, a haver, ninguém sabe qual é. Temos que seguir este. 3. A Justiça: uns sindicalistas perigosos, o maior cancro do país. Mas não têm nada a ver com a política – e muito menos, com os meus amigos. Não, absolutamente nada: é um problema à parte. Quem separa o trigo do joio?, pergunta o Irritado. Pergunto: na CANALHA POLÍTICA nacional, haverá trigo?

  4. Esta semana o Irritado não falou do ‘Prós e Contras’. Caso o tenha visto, entende-se porquê: em vez de irritado, ficou todo contente. Não houve comunas e críticos para estragar a festa, apenas um amistoso grupo de (bem) instalados, que quase trocaram “high fives” entre as suas loas ao sistema. Para quem não viu, aqui fica o resumo: Os temas eram a austeridade, o euro, e a Banca. Para nos iluminar, a Fatinha convidou os Srs. António Borges (ainda há dias falámos dele), António Vitorino (o xuxa sinistro), Vítor Bento (o economista fetiche da “direita”), e Brandão de Brito (um teórico papa-tachos). Perante tais sumidades, a maralha não teve direito a pronunciar-se. O P&C costuma alargar o debate aos espectadores, mas desta vez ouviram caladinhos, e já foi um pau. Rapidamente se percebeu que entre as sumidades, não haveria debate algum: estavam todos de acordo. E o Irritado deve ter vibrado com todos, até com o xuxa Vitorino. Conclusões a retirar de todos os participantes, Fatinha incluída: – a austeridade é fatal como o destino; – o actual modelo financeiro e monetário não tem nenhum problema; – é natural que TODOS os países estejam endividados; – a Banca é o «motor da economia»; – resgatar bancos é bom, é inevitável, é o caminho. Ou seja, não houve contras, só prós. Será que estes senhores, e o Irritado, já viram este vídeo? COMPREENDER A DÍVIDA PÚBLICA EM POUCOS MINUTOS http://www.youtube.com/watch?v=f7cJ_ZBiU-I

    1. Nessa noite, não estava em casa. Se estivesse, é possível que tivesse visto o programa. E até admito, sem dificuldade, que o seu comentário seja adequado.Quanto à sua ciber-recomendação (julgo ser uma rábula francesa que já vi), trata-se de uns bonecos, talvez adequados (muita areia para o meu carro de mão) mas que, como de costume, não apontam para solução nenhuma digna desse nome.

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