IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AD HOMINEM?

 

O IRRITADO  tem sido espicaçado por vários críticos para se pronunciar sobre o Professor António Castelo Branco Borges, bem como sobre o “caso” Dias Loureiro.

Dizem que o IRRITADO só critica o socialismo em geral e o Pinto de Sousa em particular, que é um PPD invetrerado, que está feito com o governo, que não não é “independente”, para só citar os que se lhe dirigem em termos minimamente cordatos.


É facto que o IRRITADO, como já explicou várias vezes, não é independente. Tem ideias, procura ser coerente com elas e orgulha-se disso. Não é independente delas. Em relação a partidos, sim, é independente. Em relação ao governo também, ainda que considere que, com as suas fraquezas, este governo é, de longe, o melhor que a democracia noa pode dar, aqui e agora.


Posto isto, vamos ao Professor Borges.

Não tenho a honra de conhecer o dito senhor. Mas, de longa data, tenho tido oportunidade de conhecer as suas ideias e de ter algumas noções sobre a sua carreira e a sua pessoa. Foi capa das mais prestigiadas revistas de gestão deste mundo. Foi professor, depois reitor da mais célebre escola de gestão da Europa, tem altíssima “cotação” internacional, está muito acima da esmagadora maioria dos seus pares, desempenhou cargos ao alcance de poucos, e até, imagine-se, deu com a porta na cara da dona Christine Lagarde quando esta o chateou.

A alcateia anda para aí aos urros, que o homem quer baixar os salários às pessoas, que quer pôr tudo a morrer de fome, que quer transformar os portugueses em chineses, sem segurança social, sem saude pública, sem nada, que é um factotum do mais tenebroso capital, etc. e tal.

Porquê? Porque o homem disse a seguinte frase: “A diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro”.

Diga-se que o Professor António Borges não tem um “talento” político por aí além, isto é, diz o que pensa, não o que é mais conveniente a cada momento. Não fraseia o que diz de forma a que não possam pegar-lhe na palavra e torcê-la “à maneira”, a fim de pôr a malta a acreditar que ele disse o que não disse, aliás em nítida demonstração do que é uma das mais importantes qualidades do nosso “jornalismo” e do comentarismo do correcto: torcer a verdade sempre que tal seja excitante, trepidante, e venda jornais.

Leia-se o que o Professor disse: que a descida dos salários não é coisa que se deva encarar como política a seguir mas que, na situação de emergência em que a sociedade portuguesa se encontra, acabará por, inevitavelmente, acontecer. Quando a oferta é superior à procura, os preços baixam. Negá-lo seria, mais do que irrealista, estúpido. Disse mais. Disse que não é coisa que se encare como “perspectiva de futuro”, o que quer dizer que não defende baixas de salários para além do que já houve (no Estado), bem pelo contrário, considera que vão acontecer dado o estado das coisas, mas que não são nem podem ser coisa do Estado.

Compare-se o que o senhor disse com o que disseram que ele disse. Depois, digam-me quem tem razão: o Professor Borges ou os jornalistas, os comentadores ou o inevitável Presidente Cavaco.

 

Agora o Dias Loureiro.

Que se saiba, veio dos confins da província para Coimbra, tirou lá um cursito e acabou por desaguar em Lisboa, ministro do Doutor Cavaco sabe-se lá porquê. Rapaz esperto, talentoso, depressa se deslumbrou com a cidade, com esta mole de gente e de oportunidades, conheceu este mundo e o outro, movimentou-se por aí, não deixou má fama como ministro e, passado o governo, lançou-se a explorar as relações que tinha sabido cultivar, movimentando-se com à vontade em mundos em princípio mais ou menos vedados a tipos como ele. Muita gente assistiu à sua ascensão, muita gente disse “este gajo um dia espalha-se”, gente que o tolerava com bonomia q.b., com simpatia em doses, às vezes com amizade. Espalhou-se mesmo. Meteu-se na geringonça do BPN e da SLN, fez umas operações pouco claras ou muito escuras, arranjou um alçapão na casa de banho para esconder papéis e, como é sabido, acabou por ser corrido do Conselho de Estado e por andar por aí, mais ou menos à socapa, a ver se não dão por ele.

Muita gente se interroga porque há-de ser o Oliveira o bode expiatório de tudo e mais alguma coisa, e porque ninguém toca no enxame que por lá andava, diz-se com foros de verdade, a sacar à tripa forra.

E não é tudo. Quem vai às canelas do Constâncio, que tudo patrocinou? Quem se atira ao Teixeira dos Santos que, só à conta do BPN, fabricou o maior buraco público de que há memória? E o Pinto de Sousa, não tem nada com o assunto?

 

 

Dias Loureiro deveria ser investigado e, com ele, essa malta toda. Nem todos serão culpados. Mas alguém, Dias Loureiro possivelmente incluído, devia pagar com a liberdade os milhares de milhões que desapareceram do orçamento sem mais nem menos.

 

Para os que andam a chatear o IRRITADO por causa dos senhores acima referidos, aqui fica, preto no branco, o que o IRRITADO pensa.

Não estarão de acordo, mas com o vosso acordo o IRRITADO não conta, nem dele precisa.


Boa noite.


8.6.12, às 00.30

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “AD HOMINEM?”

  1. A honestidade intelectual não é, certamente, uma das caracteristicas do Irritado!Paciência, enganei-me…

  2. Já agora, fale sobre o “coiso” do Álvaro.

  3. AD HOMINEM? A sua argumentação assim parece.

  4. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Apesar do seu último parágrafo, louvo e agradeço o fair play do Irritado. —————— Temos então o Sr. Borges das privatizações, e das declarações infelizes. Ninguém duvida que é um economista/gestor de sucesso: comprovam-no, mais do que as capas de revistas, os cargos (e salários) de topo que vai abichando, com uma regularidade impressionante. Já o que lá fez, e faz, é mais misterioso – como é habitual nestes papa-tachos. Um jornalista do Le Monde (Marc Roche), autor de um livro sobre o Goldman Sachs, classifica exactamente como «mistério» o que lá faria o Sr. Borges. Consta também que não terá batido com a porta na cara da Sra. Lagarde, mas sim o inverso. Relendo as declarações originais, tenho de dar razão ao Irritado: foram, usando um termo caro ao Sr. Borges, “alavancadas” para chocar o público. Pegaram numa parte e omitiram a outra. Funcionou lindamente. Mas só funcionou tão bem, e aqui o Irritado não toca, devido aos rendimentos obscenos do autor das declarações – agora também pagos pelos contribuintes. E quanto nos custa o Sr. Borges? Não sabemos, o Governo não revela. É a nossa boa e velha “democracia representativa”: o Sr. Borges, em que ninguém votou, aterra num certamente belo tacho, sem ninguém perguntar nada aos pagantes – e sem sequer lhes revelar quanto custa! Assim vale a pena pagar impostos. E o mais importante: o Sr. Borges tem no currículo um dos maiores responsáveis pela crise, a Goldman Sachs, e continua metido até ao pescoço na “Banca de Investimento”, ou seja, a canalha mais chula, agiota e amoral de todo o casino financeiro. Estas sanguessugas prosperam com a miséria alheia, com especulação pura e dura sobre as dívidas soberanas, e com a aquisição hostil de tudo o que é público, passando a servir os seus interesses exclusivos – e os seus lucros obscenos. E é este senhor, este capataz da agiotagem criminosa, que vem supervisionar as privatizações? Seria como nomear, em 1945, Hermann Göring para supervisionar a reconstrução da democracia na Alemanha. —————— Quanto ao Sr. Loureiro, a descrição do Irritado não anda longe da verdade, mas falta realçar o seguinte: o Sr. Loureiro é a imagem escarrada de certo baronato do PPD. Representa a falência moral deste partido, no período Cavacal e pós-Cavacal, tão bem quanto Oliveira e Costa ou Duarte Lima. E foi este mafioso, que só poderia enganar um cego, considerado, por “quem de direito”, digno de ser Conselheiro de Estado! E só saiu do CE, bastante depois de rebentar o BPN! (Bom, pensando nos restantes elementos do CE – Chulares, Sampaio, Jardim, César, Alegre, Menezes, etc. – se calhar, nem estava lá a mais… se calhar até estava na companhia certa. Mas adiante.) O que podemos aprender com o Sr. Loureiro? O que já sabíamos: em Portugal, o crime compensa. Compensa quando se roubam milhões e não tostões; quando se pertence à canalha política, e ao CENTRÃO PODRE; quando se têm compinchas e aliados nos altos cargos do Estado, da “Justiça”, e das ordens beatas e de avental que as dominam; quando se conhece os podres de tantos figurões, que se sabe que se ficará IMPUNE. Dias Loureiro é o paradigma do establishment tuga pós-25 Abril, dos partidos que temos, da “democracia” que temos, do status quo que o Irritado incensa e defende. Se fosse esquerdalha, o Irritado caía-lhe em cima; como não é, só fala dele a pedido.

    1. Bem dito.Ainda agora desliguei a televisão, enojado com a audição do Senhor Vitor Constancio (que lindo nome). Enojado por ouvir esse senhor dizer que não sabe de nada sobre o BPN, louvar o sistema de controle do BP (dos melhores do mundo e arredores, nas suas palavras). Mais enojado ainda por verificar que dizia isto tudo com uma cor tâo ruborizada … Pertencerá à «…pertence à canalha política, e ao CENTRÃO PODRE; quando se têm compinchas e aliados nos altos cargos do Estado, da “Justiça”, e das ordens beatas e de avental que as dominam; quando se conhece os podres de tantos figurões, que se sabe que se ficará IMPUNE.»?

    2. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      Esqueci-me de acrescentar: só fala do Sr. Loureiro a pedido… e com muito cuidado. É que o Sr. Loureiro vive sob um grande telhado de vidro, que cobre tanto o PSD como o PS e o CDS, e muitos políticos, empresários, e colunáveis da nossa praça. Quando se atira uma pedra… nunca se sabe onde cairão os estilhaços. Não é, Irritado?

  5. Avatar de daniel tecelao
    daniel tecelao

    Me espanto por só agora alguem reparar na desonestidade intelectual do irritado,e ainda há quem lhe dispense estima.Estima?

    1. Sim, estima: não conheço o Irritado de lado nenhum, e discordamos em muitas coisas, mas parece-me uma pessoa decente. Também prezo algumas (poucas) pessoas que aqui conheci, como o XXI e o (saudoso) Manuel. Infelizmente não posso dizer o mesmo de si, caro Tecelão. Sei que não é parvo, mas faz-se de parvo – e defende trafulhas. É o bombo da festa cá do sítio, e assume esse papel com indisfarçável gozo. Ou será a mascote? Algum dia temos de nos assumir, Tecelão. A vida é demasiado curta. Quando damos por isso, já fomos. É realmente a desonestidade intelectual do Irritado que lhe faz confusão?

      1. Avatar de daniel tecelao
        daniel tecelao

        Ainda bem que não lhe mereço estima.Há sentimentos que prefiro não partilhar com quem não conheço.Então eu é que defendo trafulhas?!Quais,onde e quando?Devolvo-lhe a simpatia sobre a parvoice,apesar de achar que você confunde bastas vezes a feira de Borba com o olho do cu!!!

          1. Avatar de daniel tecelao
            daniel tecelao

            Comparado com as alarvidades polidas que você aqui debita,dir-se ia que é uma bela frase,até pelo que encerra.

      2. Obrigado por este comentário. Há que ter gosto na controvérsia sem cair no estilo tecelão. Gabo-lhe a pachorra de dialogar com tal senhor, apesar de se tratar de um pobre de espírito, não dos bíblicos, mas dos verdadeiramente pobres .

        1. Olha quem fala de estilo!Acaso já avaliou o seu estilo?Claro que só vimos o cisco no olho dos outros.Logo você a fazer reparos ao meu estilo,quando você destrata tudo e todos que lhe cheire a esquerda ou que se assemelhe.Você não tem moral para comentar o meu estilo.Quando se refere a mulheres que não são da sua área politica fá-lo de forma desbragada,comportando-se como um grosseirão,vou-me repetir;a unica mulher que aqui tratou com urbanidade,foi a amante de Sá Carneiro!!!

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