IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SINAIS DE BOM SENSO

 

Sem medo do “escândalo”, o PM japonês mandou reactivar duas centrais nucleares. As boas almas, os apóstolos da involução e da ruína, devem estar por aí, inchados de indignação e ódio.

E, no entanto, o homem tem carradas de razão. A sua obrigação como governante é dar aos seus cidadãos e à sua economia elementos de desenvolvimento, e deixar para trás os escravos da demagogia e do medo. A sua atitude é tão mais louvável quanto o Japão foi teatro, há bem pouco, de um desastre natural de gigantescas consequências, entre as quais um acidente nuclear altamente perigoso.

À excepção de Chernobyl – vítima da incompetência totalitária do socialismo real(a) – não há memória, em sessenta anos de existência, de qualquer acidente que, proveniente do nuclear e não da Natureza, tivesse tido qualquer importância para a humanidade ou para o Planeta, cuja “salvação” faz correr rios de tinta e mares de dinheiro. Mesmo Fucoxima, com os seus horrores, não consta que tenha custado a vida fosse a quem fosse.

 

Se a estes factos acrescentarmos que:

– A energia nuclear é a mais limpa de todas as energias, de tal maneira que até os chamados ecologistas já não conseguem deixar de o reconhecer;

– A energia nuclear é a mais viável de todas, em termos de custos/benefícios;

– A tecnologia nuclear tem conhecido avanços que tornam a produção nuclear ainda mais fiável e mais barata;

– O problema dos lixos nucleares está razoavelmente resolvido, e novos processos estão em curso de desenvolvimento,

 

então teremos que não é inteligente, nem aceitável, a luta de tanta gente contra esta forma de obtenção de energia. Bem pelo contrário, é quase criminosa. Privar a humanidade de energia barata, fiável, constante, praticamente inesgotável, é o quê?

 

Por cá – num país que até tem matéria-prima com fartura – depois de o “socialismo democrático” ter, solenemente, declarado que o nuclear “não está na agenda do governo”, depois de o mesmo governo se ter recusado a, sequer, discutir uma proposta de construção e exploração de uma central, a custos privados (sem PPP’s!), depois de se ter endividado o país por gerações para encher a paisagem de moinhos de vento e gadgets do estilo, de produção intermitente e a exigir o trabalho de centrais térmicas, continua a haver almas que se regozijam com o “avanço” do país em matéria de “energias renováveis”.

Em matéria energética, perdemos pelo menos cinco décadas. Agora, mergulhados na crise, sem um tostão disponível, preparamo-nos para perder mais umas tantas. Isto enquanto a chamada Europa trabalha na melhoria dos processos tecnológicos e lança projectos de novas centrais. E, se falarmos dos BRICS, veremos do que a casa gasta, a inteligência a preparar o futuro.

É evidente que, dado o estado das coisas, não se pode pensar no assunto. E, se se pensasse, haveria multidões histéricas a protestar, a junta de freguesia de Santa Pulquéria metia duas providências cautelares e a câmara de Castro Querelas acusaria o governo dos mais nefandos crimes. Sem falar, é claro, da chamada “discussão pública”, dos debates, populares e parlamentares, das comissões de inquérito e de mais não sei quantas barbaridades.

O que vale é que, entretanto, há um ministério que manda tirar as gravatas para poupar no ar condicionado, o que nos enche de esperança, não é? Como no Japão, por cá também há bom senso. Hi hi.

 

18.6.12

 

António Borges de Carvalho

 

(a) Cabe aqui lembrar a inesquecível chegada do Cunhal a Lisboa, vindo da Ucrânia, no auge da crise de Chernobyl. Nas doutas palavras do poderoso líder, não havia problema nenhum, só uma ligeira avaria do reactor. O cônsul de Portugal lá no sítio era um alarmista ao serviço do imperialismo, porque tinha aconselhado os estudantes portugueses que por lá andavam a voltar quanto antes para casa!



6 respostas a “SINAIS DE BOM SENSO”

  1. As vantagens da energia nuclear são inegáveis, mas as populações que vivem perto das centrais (existentes ou projectadas) não parecem mais tranquilas por causa disso, nem particularmente felizes com a sua presença. Já se esperava que o Irritado colasse Chernobyl ao regime comunista, mas não há sistemas perfeitos, qualquer central ou máquina ou tecnologia pode falhar, e os técnicos que lá trabalhavam não seriam nenhuns palermas com foices e martelos. Quanto a Fukoshima, os efeitos de um acidente, como sabe, manifestam-se ao longo de muitos anos. Neste tema, tal como noutros muito diferentes, como a compaixão por certas minorias (com os ciganos à cabeça), a questão é sempre a mesma: isso é tudo bonito, mas quer ter isso à sua porta, no seu bairro, no bairro dos seus filhos e netos? Se sim, se acha bem e está disposto a tal, então é coerente. Não se pode é atirar com isso para Santa Pulquéria, ou outras distâncias (falsamente) “seguras”, porque os habitantes de lá também têm filhos e netos.

    1. Começo por lhe dizer que, se me pusessem uma central nuclear à porta, talvez me incomodasse, mas de um ponto de vista estético. De resto, ficava muito satisfeito por ver o meu país tomar uma decisão acertada. É verdade que as populações em geral, vítimas da demagogia pseudo ecológica e comercial com que são metralhadas todos os dias, não têm esta posição. É verdade. têm medo. Estou em crer que os meus filhos pensam da mesma maneira. Os meus netos ainda não, mas, se o avô durar mais uns anitos, hão de ser esclarecidos também. As “populações”, borraram-se de medo com as vacas loucas, a doença das aves, e com outras máquinas de aldrabice e de fabricação de dinheiro. Não se deixa de andar de autocarro, de avião, de comboio, porque já morreu uma data de gente dessa forma, não é?

  2. Não é a primeira vez que o irritado se atreve a palrar sobre energia nuclear.Ignorante na matéria,fá-lo só ideologicamente.Ou seja;regra geral as várias esquerdas são reticentes á energia nuclear,logo o irritado fica como peixinho na água.Era previsivel que viesse a proposta do tal sr Patrik Monteiro,(parece que agora falido)para fazer uma central nuclear a custo zero para o erário publico.Para que é que o país queria a porra da central nuclear?O nosso problema com a importação de petróleo é para os veiculos,porque paracriar energia electrica,em breve seremos auto suficientes com as energias renováveis.Fica por provar se a energia nuclear sairia mais barata,e não é verdade que os lixos tóxicos não sejam ainda um sério problema.Por fim,se um dia fizerem uma central nuclear no país,que seja na quinta da marinha,não chateiem os gajos de santa Pulqéria!!!

  3. «Miguel Relvas ilibado pela ERC» – Expresso Não é o Irritado que passa a vida a dizer que estas entidades (como a ERC) não servem para nada? Está a ver como servem?? (desculpe, não resisti)

    1. Esta não vem a propósito, mas é interessante. Como o Bastos me lê com regularidade, deve saber a minha opinião sobre os vários actores desta ópera bufa.estamos, pois, de acordo.As minhas opiniões, a este respeito, mantêm-se iguais.

      1. Podemos estar de acordo quanto ao Relvas, mas o Irritado não retira daí quaisquer ilações sobre o Sr. Passos, ou sobre este Governo – o tal muito «transparente», que ia «dar o exemplo». Já eu, retiro. E confirmam a opinião que já tinha.

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