As manchetes dos últimos dias põem uma pessoa de rastos.
*
Por cá, ao contrário do que se possa pensar, não se trata de más notícias. É que parece estar a começar alguma coisa séria contra as trafulhices de toda a ordem em que o país se atolou nos últimos anos.
Prouvera que houvesse vontade, e meios policiais, jurídicos e judiciais para que a sociedade deixasse de achar que as trafulhices valem a pena. Precisávamos de “armas” de tipo anglo-saxónico, ou nórdico, para esta luta, em vez de continuarmos agarrados aos labirintos legais onde a justiça se enreda, verdadeiro espartilho napoleónico, complicado e ineficaz.
O IRRITADO, se fica de rastos com as notícias, quer ter, ainda que com parcas razões para tal, esperança numa reviravolta dos costumes judiciais que, sem pôr em causa valores fundamentais, antes reforçando-os e usando-os, possa separar o trigo do joio, rapidamente, com Justiça e força.
*
As noticias lá de fora são ainda piores.
Do G8, pouco ou nada sairá, para além de tempo perdido.
A Grécia precipita-se, imparável, num caos de consequências gigantescas.
A França, entalada entre o Sarkozy e o Hollande, arranjou um presidente que, para além de anúncios tresloucadas ou impossíveis promessas (não se preocupem, que não são para cumprir), apresentou um governo digno das urgências do Júlio de Matos. 34 ministros, sendo 17 machos e 17 fêmeas, como se tal pudesse ser critério. O IRRITADO não criticaria se fossem mais mulheres que homens. Não se trata, nem de longe, de misogenia. Puro bom senso.
Num frenesi mais ou menos paranóico, o governo do homem tem os mais extraordinários ministérios, coisa digna da imaginação dos aiatolas. A imprensa portuguesa, muito atenta a estes fenómenos, tratou de esconder a coisa. Um ministro para a “Revivescência Produtiva”. Outro, ou outra, para para o “Sucesso Educativo”. E outro “Francês e da Francologia” (nova ciência?). Para não falar do ministro das “PME, da Inovação e da Economia Numérica”. E isto, meus amigos, são só umas amostras do delirium tremens do fulano.
*
Entretanto, os apóstolos do “crescimento económico”, da extrema esquerda à extrema direita, passando por todas as outras cores, parecem estar a ganhar a sua batalha.
Conseguiram que não se fale noutra coisa. Crescimento!
A Merkel vai dizendo pois pois, e fica tudo na mesma.
E se a convencessem? Que fariam, ela e os demais? Possivelmente coisa nenhuma. É que ainda ninguém foi capaz, nem será, de dizer como se reactiva a economia de um continente que, vítima do mundialismo que inventou, deixou de ter sector primário digno de tal nome, abandonou a indústria pesada, exportou a indústria transformadora e se atascou num mundo de serviços e de custos sociais cuja sustentabilidade desbaratou.
Os extremos, da esquerda ou da direita, a mesma trampa. Propugnam o investimento público, como se houvesse uns tostões para isso. Os que não são extremos entretêm-se com “progranas”, “planos” e outras patacoadas.
Resumindo e concluindo: não se sabe se há alguma coisa a fazer ou se a civilização ocidental está mesmo a caminho do fim.
23.5.12
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário