Anulada que foi a permuta do Parque Mayer com os terrenos da Feira Popular, é de fazer, ou repetir, algumas verificações e reflexões.
Verificações
Há uns dez anos que, tanto o Parque Mayer como o terreno de Entrecampos estão ao abandono, entregues aos ratos, às drogas, à maior das porcarias, uma vergonha urbana sem nome.
Para o Parque Mayer, houve um sem número de projectos, um dos quais interessantíssimo mas posto à margem por razões políticas veiculadas pelos comunistas e pelo PS com o apoio activo dessa desgraça em figura humana que foi o Presidente Sampaio. Aos outros, sem rasgo nem valor, não se sabe o que aconteceu. Sabe-se que ninguém lá fez fosse o que fosse.
Para os terrenos da feira popular, havia volumetrias já determinadas, bem como estudos prévios com pareceres favoráveis. Nada foi feito. Nada.
Reflexões
A célebre permuta foi objecto de avanços e recuos, politizada à saciedade. Os opositores políticos à câmara da altura, assim como fizeram os impossíveis para impedir a construção do túnel do Marquês, sem sucesso, usaram tudo o que tinham à mão para inviabilizar a permuta. Até que, não se sabe porquê, o PS deu a volta, ou foi convencido, ou teve um rebate de consciência – era demais! – e lá deixou passar a permuta na Assembleia Municipal.
Depois… depois vieram o Costa, o Fernandes, a Roseta, o Salgado, e trataram de dar cabo da história. O IRRITADO não contesta que pudessem ter razões de fundo para virar o bico ao prego. Pelo menos, ganharam o processo, com razão ou sem ela.
Mas o facto aí está. Tudo na mesma, e mais um calvário urbano pela frente, sabe-se lá por quantos anos. É de perguntar qual era o mais importante interesse público. O de deixar seguir o assunto, ainda que com algum prejuízo de curto prazo e sem expressão na despesa, vindo a recuperá-lo em IMI e em receitas do Parque Mayer em meia dúzia de anos, ou o de condenar a cidade ao vergonhoso espectáculo que duas zonas de potencial excelência dão aos munícipes e aos visitantes, a troco de uma espécie de vingança política contra a câmara anterior, ainda por cima tendo, à partida, aprovado tudo?
Mais. À demanda não seria preferível a negociação? Não faltaria matéria para negociar!
Mas o impulso rasca da retaliação política foi mais forte que os interesses da cidade. O prejuízo que lhes foi causado por estes foi, está a ser, muito maior que o alegado mau negócio dos outros, mesmo que aprovado, como foi, noutro mandato, pelos adeptos destes!
Segundo as notícias, parece que a procissão ainda vai no adro. É que o Costa já disse que, se os antigos (novos agora) proprietários do Parque Mayer não fizerem as obras que a câmara mandar, segundo os seus desejos e planos – uma desgraça! -, passará à fase seguinte, ou seja, à expropriação!
Que se saiba, uma expropriação ou é para utilidade pública ou é ilegal. O que quer dizer que o Costa se prepara para transformar o Parque Mayer numa estrutura pública, por conseguinte sem fins lucrativos.
É a loucura do socialismo autárquico levada aos píncaros. É o interesse da cidade levado à fossa.
Uma última observação, destinada aos que, neste momento, estão a acusar o IRRITADO de estar a proteger um pato-bravo lá das berças, um tipo horrível, que até quis corromper o impoluto Fernandes. Não é verdade. Esse acabou por ser condenado e o Fernandes elogiado pelas suas manobras pidescas. O assunto está arquivado.
Quanto à defesa do interesse público e autárquico, estamos conversados. Foi rigorosamente ignorado em toda esta miserável saga.
5.4.12
António Borges de Carvalho

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