Uma coisa que dá pelo pomposo nome de Comissão de Ética, ou coisa que o valha, regurgitou o seu douto parecer sobre as barrigas de aluguer e a sua influência na felicidade das gentes, sobretudo na dos deficientes sexuais.
Em relação às pessoas em geral, a tal procriação é recomendada, da seguinte forma: um casal propriamente dito, incapaz de procriar, manda fazer, a partir dos seus produtos biológicos, no laboratório, um zigoto, o qual é introduzido por um especialista nas entranhas de uma mulher com a qual o casal estabeleceu um contrato. Tal contrato reza que a mulher contratada parirá um filho que não é dela, mas dos donos do zigoto, o que parece relativamente normal, e até justo.
Os tipos da ética acham que não. Na opinião destes moralistas da treta, a mulher contratada, depois de parir, pode ficar com a criança dos outros, ou seja, é eticamente autorizada a estar-se nas tintas para o contrato firmado.
No caso dos deficientes sexuais a Comissão entra em paranóia ética. Os comissários, ou comissionistas, opinam que vale tudo, desde que os deficientes “utilizem meios próprios”. Fica por esclarecer que “meios próprios” tem um par de fufas ou uma parelha de maricas para este efeito. Mas, “eticamente”, todo o bicho careta tem direito a ter filhos. Sozinho (?), acompanhado, à vontade do freguês. É como pôr um cego a ir ao cinema ou autorizar um paraplégico a correr os cem metros, isto sem ofensa para os ditos.
Se assim não for, os comissógrafos desde já informam que se está a ofender a Constituição.
Não sei onde se vai buscar isto à Constituição. Mas, se lá estiver, então é a Constituição que nos ofende, não os que impedem os esta malta de ter filhos. Abaixo a Constituição!
5.4.12
António Borges de Carvalho

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