IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • NOTÍCIAS DO MANICÓMIO


    O IRRITADO é capaz de já ter contado esta história. Mas, já que volta a vir a propósito, repita-se, pelo menos em parte.

    Há uns doze ou treze anos, o IRRITADO foi ver o que se estava a passar em Foz-Coa. Para além de outras manifestações da indignação popular contra a decisão do PM Guterres de abandonar a barragem a favor dos bonecos ditos pré-históricos, num restaurante da vila, a respectiva proprietária, perguntada sobre o assunto, respondeu:

    – Olhe, meu amigo, só lhe digo que, se aqui entrar a gorda que é a “chefa” dessa gente, ponho-lhe veneno dos ratos na sopa!

     

    Pois a tal senhora, dita gorda para melhor identificação, veio agora lamentar-se no jornal sobre os brilhantes resultados da sua acção. Passo a citar:

    (agora) a coisa “talvez não (fosse possível), porque as pessoas estão mais cépticas”;

    “aquilo que era a visão de transformar a zona, não (foi um sucesso)”;

    “O museu… não atingiu os efeitos esperados”;

    “O museu (tem) cada vez mais dificuldades do ponto de vista logístico e as estrututuras ficaram um pouco aquém”;

    “Não se conseguiu dinamizar o comércio local”;

    “Quinze anos depois, estamos na mesma”;

    “Não sei o que se passa, do ponto de vista arqueológico no Coa”;

    “faltam relatórios, participação em colóquios, etc.”.

     

    Cumprimentos à senhora.

    Nunca é tarde para confessar as nossas asneiras. O Guterres, muito mais culpado que ela, devia fazer o mesmo, entregando-se de seguida à GNR com o objectivo de expiar o seu crime.

    Facto é que, quinze anos passados, segundo a própria promotora da coisa, às gravuras ninguém liga. Lá estão, como sempre estiveram. Para os colóquios científicos, não há inscrições. O museu foi um “flop”. Está arruinado. A zona não ganhou um cêntimo com a coisa. O comércio local continua como estava.

    Em resumo, a senhora diz que “estamos na mesma”. Neste particular, erra, como errou em tudo no passado. É que não estamos na mesma. Gastámos uns quinze milhões só nas obras do museu, pagamos outros milhões em salários, manutenção, etc. Tudo para que ninguém, nem mesmo os arqueólogos, ligue às tais gravuras, para que se tenha erguido um elefante branco com que ninguém se preocupa, para que os habitantes da região, para além de ter perdido centenas de empregos, não vejam um tostão do que lá se enterra todos os dias.


    Se o socialismo guterrista tivesse dois dedos de testa, em vez de ter fabricado a desgraça que fabricou à nossa custa, podia perfeitamente ter chegado a um acordo com a promotora da barragem no sentido de custear a obtenção de um acervo de exemplares ditos pré-históricos e de os guardar numa instalação adequada e não luxuosa. Quantos milhões se pouparia? Pelo menos as centenas deles que já estavam gastos na construção da barragem, mais os que o elefante branco consumiu, mais o que ganha a maralha que por lá anda a esfregar o rabo nas cadeiras, isto para além da ausência da electricidade que lá se geraria e que contribuiria muito mais parao bem estar da região, daria emprego aos locais e não aos tipos que vêm da cidade mamar na teta do elefante.

    Muito devemos ao socialismo. O Pinto de Sousa, em matéria de doidices paranóicas – para dizer o menos – teve um bom e eficaz mestre.

     

    22.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • HOMENS E RATOS


    O dr. Augusto Ferreira do Amaral, pessoa que terá, como todos nós, os seus defeitos, não conta entre eles com o de ser mentiroso ou aldrabão. Se, ainda por cima sob juramento, garantiu ao Tribunal o que garantiu sobre a controversa personalidade do senhor Pinto de Sousa, o que ele disse corresponde à verdade que conhece.

    Ficou assim ainda mais evidente que os bodes expiatórios que estão a ser julgados por extorsão outra coisa não devem ser senão isso mesmo: bodes expiatórios. Foram destinados a esconder o que devia estar am causa, servindo para estender sobre a praça pública a cortina de fumo indispensável a manter a ilusão: o julgamento de um assunto que é um não assunto, ou não é o verdadeiro assunto.

     

    O dr. Ferreira do Amaral para nada precisava de dizer o que disse. Bem pelo contrário, arrisca-se a, por ter dito a verdade, levantar diversas fúrias, senão alguma vingança das gentes socretinas que por aí andam e que são capazes das mais rebuscadas tropelias a fim de manter bem no fundo este iceberg, um dos muitos que o tempo em que andavam na mó de cima nos deixou.


    O IRRITADO tira o chapéu ao ilustre advogado.

    *

    O dr. Daniel Proença de Carvalho foi uma figura interessante dos tempos da luta contra o comunismo. Chegou a ser director do “Jornal Novo”, grande instrumento de dignificação de uma imprensa à altura maioritariamente serventuária do processo anti-liberdade que estava em curso. Foi adepto da AD, foi presidente da RTP, era tido por apoiante de Sá Carneiro e das reformas que propunha. Depois… depois fez-se com outros poderes, apoiou o PS e o BE, o Costa e o Fernandes, para além de outras inimagináveis atitudes de “pluralismo intelectual”. Não se sabe se estas reformas da personalidade têm a ver com a idade se com a moralidade do senhor. Acabou a estranha viagem, como não podia deixar de ser, como advogado do seu amigo Pinto de Sousa, não se sabendo em que estação se apeará a seguir.


    O IRRITADO não tira o chapéu ao ilustre advogado.

     

    22.3.12


    António Borges de Carvalho

  • GREVE GERAL


    No momento em que o IRRITADO dá largas a esta irritação, reina o caos nos transportes públicos e, por consequência, também nos privados. Os apaniguados do comunismo sindical, os privilegiados das empresas públicas e quejandos, sempre os mesmos, estão a dar cabo da vida aos seus concidadãos, tarefa em que são especialistas diplomados.

    Os camaradas Louça e Arménio já se encontraram na rua. Caíram nos braços um do outro em doce contemplação da sua obra. Seja qual for a quantidade de grevistas, nas bocas deles a greve será sempre um formidável sucesso.

    Entretanto, uma sondagem com umas cinco mil respostas, dava, há meia hora, o seguinte resultado: adeptos da greve, 19%, inimigos da greve, 75%, pessoas que desistiram de irtrabalhar por falta de transporte, 6%.

    É certo que estas coisas não merecem uma confiança total. Mas ainda é mais certo que a esmagadora maioria dos portugueses abomina a coisa.

    No entanto, os tais 19% são o que o Louça, o Jerónimo e o Arménio precisam.

    Não são, nunca foram, adeptos de maiorias. O que conta são as “vanguardas”, as “vanguadas organizadas” que lideram. Isso de maiorias é coisa para “perpetuar a dominação”. Uma vez criadas as “condições objectivas”, uma vez vencidos  o “imperialismo”, o “capitalismo”, a “democracia burguesa” e outras manobras da “classe dominante”, então o “povo” ganhará em definitivo a luta de classes e o socialismo triunfará. maiorias não são precisas para nada.

    Não foi isso que o Arménio proclamou assim que tomou posse da chefia da organização, em nome do Jerónimo? A luta é de tal ordem que ele até tolera a presença do Louça ao mesmo tempo que pensa em cortar-lhe a cabeça logo que se ponha a jeito.

    Mais ou menos números, mais ou menos percentagens, mais ou menos adesões, que importa? O triunfo está sempre garantido, porque o que interessa é o que nós dissermos.

    As maiorias que se lixem.

     

    22.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • SOCIAL-FILOSOFIA PORTUGUESA

     

    Os empregados dessa coisa abominável que dá pelo nome de RTP fizeram, através de um porta-voz cujo nome não escreverei, uma declaração verdadeiramente paradigmática.

    Ficámos a saber que os tais empregados, por unanimidade dos respectivos sindicatos, deliberaram entrar em peso na greve dita geral, convocada pela central comunista CGTP.

    Isto, a não ser que, como segue:

    Dentro de 48 horas, lhes seja garantido que:

    a)   Nunca jamais em tempo algum seja quem for será despedido;

    b)   Nunca jamais em tempo algum seja quem for será mandado mudar de local de trabalho, a não ser que lhe apeteça;

    c)   Nunca jamais em tempo algum seja quem for perderá o seu glorioso vínculo à empresa;

    d)   Nunca jamais em tempo algum seja quem for será objecto de quaisquer toques no respectivo salário, designadamente os que foram aplicados aos empregados públicos e pensionistas.

     

    O tal porta-voz, em meia dúzia de frases, sumarizou o virtuoso pensamento que anima a generalidade das classes privilegiadas. A sociedade deve-lhes emprego, inamovibilidade, irreversibilidade e pagamento garantido seja em que circunstância for. Uma receita infalível para a ruína, a paralisia do país e da economia e a glória dos “trabalhadores”.

     

    Uns fulanos que vivem à custa dos impostos dos outros, que custam aos outros enormes fortunas em “compensações” por um serviço público que não prestam ou prestam mal aos outros, que têm salários muito superiores aos dos outros, acham-se no “direito” de ser mais que eles! Senão… greve geral. Pois.

     

    É claro que se trata de política, e da mais reles.

    Mas também é claro que o governo tem culpas no cartório. Ao isentar da crise uma série de nababos, directa ou indirectamente seus assalariados, meteu a pata numa poça bem suja e abriu uma caixinha de surpresas do caneco.

    Ou há moralidade ou comem todos. Já que não comem todos, os tipos da RTP chegaram à conclusão que fazem parte dos que não comem. A coisa, como se compreende, tem a sua lógica. E a culpa é do governo.

    Não se passa o mesmo com uma série de ilustres corporações, juízes, militares e quejandos, cuja “solidariedade” para com os outros e o país se expressa na obrigação do Estado de os isentar de sacrifícios?    

      

    Aqui temos a Nação e a gente que trinta e tal anos de socialismo constitucional construíram. “Direitos” e mais “direitos”. Obrigações, nem uma. Solidariedade obrigatória, sim, mas desde que não toque na fímbria das vestes de cada um. Pertença cívica, claro, mas sem chatices. Uma sociedade “estável”, isto é, que não se mova, isto é, paralítica.

     

    Mais difícil que sair do imbróglio financeiro em que nos meteram e que, a cada cavadela, dá mais minhoca, é alterar a filosofia social que foi instilada nas pessoas e que impede a saída da verdadeira crise, que é a crise da “moral” com que fomos educados.

    Deve tratar-se da moral republicana, na douta opinião dos sampaios desta vida.

     

    18.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CRITÉRIOS

     

    O IRRITADO referiu-se aqui há tempos ao caso de um tipo que cessou a sua “colaboração” com uma empresa pública, por alegada “censura” de um chefe às ordens do Relvas.

    Sabe-se o que foi a indignação geral. Os jornais, as televisões, até o Parlamento, mostraram a revolta que lhes ia na alma. A esquerda entrou num frenesim, a direita fechou-se em copas, o que quer dizer que concordou com a esquerda. O “censurado” tornou-se de um dia para o outro um herói, num profissional de excepção, um escritor célebre, etc.

     

    Pois bem, acontece com o Crespo – aquele da SIC Notícias – exactamente o mesmo. O homem escreveu um artigo qualquer, de que o sinistro Ricardo Costa, irmão do não menos sinistro António e manda chuva do “Expresso”, não gostou.

    Para que o não acusassem de censura, publicou o dito artigo, mas fê-lo seguindo-o de uma insuportável arenga, julgo que “da redacção”, a qual, bem espremida, outra coisa não conseguiu a não ser confirmar o que no estava na base do artigo do Crespo. Destinava-se a arenga a “justificar” o “despedimento” do articulista.

    Veja-se agora o que sucedeu a seguir. Nada. Nem indignação, nem acusações de censura, nem artigos nos jornais, nem notícias nas televisões, nem um só deputado interessado no assunto, nem a esquerda em transe, nem a direita a sair de copas, nem o Crespo passou a herói. Nada.

     

    Será porque, num caso, a coisa dava pretexto para dizer mal do governo e noutro não?

    Será porque, num caso, se tratava de um tipo da esquerda, o qual, segundo a natureza das coisas, não pode ser “censurado”, e que, no outro, o objecto da “censura” não é conhecido por esquerdófilo nem era admirador do senhor Pinto de Sousa?

     

    À consideração de quem ler.

     

    18.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • MEMÓRIA HISTÓRICA

     

    Aqui há dias, a propósito da condenação do celebérrimo juiz Gazon, o IRRITADO escreveu um post em que, resumindo, dizia:


      a) É um crime ressuscitar as tropelias da guerra civil espanhola, passando por cima da lei da           amnistia;

      b)  É crime remexer num passado de que restam poucos responsáveis;

      c)  É crime pôr, nesta altura, a coberto da “justiça”, os espanhóis uns contra os outros, sem razão outra que não seja uma estúpida vingança:

      d) É crime ainda maior “processar” um lado da História e não o outro, sendo certo que, de ambos os lados, houve crimes horrendos;

      e) A História é para os historiadores, não para os juízes;

      f)  O juiz Garzon é vesgo e mal intencionado.


    Posto isto, julgo interessante publicar uma carta de que acabo de ter conhecimento, escrita em 2007, A JULGAR SEM PRECONCEITOS.

     

    *
    Carta escrita por un superviviente del 36.
    Realmente impactante.
    Lean y juzguen sin prejuicios:

    Sr. Don Santiago Carrillo Solares
    Madrid.- 06/06/07

    Creo que me conocerás. Yo sí te recuerdo mucho. Hoy soy vecino de Aranjuez, tengo 85 años. En el año 1.936 fui enterrador del cementerio de Paracuellos de Jarama.. También estuve en la checa de la ESCUADRILLA DEL AMANECER, de la calle del Marqués de Cubas nº 17 de Madrid, donde presencié los más horribles martirios y crímenes..

    También estuve en el Cuartel de la Guardia de Asalto de la calle Pontones, en la Puerta del Sol, donde tú, Santiago Carrillo, mandabas realizar toda clase de martirios y ejecuciones en las checas de tu mando. Yo soy Pionero, al que llamaban ‘EL ESTUDIANTE’, que llevaba la correspondencia a las diferentes checas a cambio de la comida que me dabas.

    ¿Me conoces ahora, Santiago Carrillo?

    ¿Te acuerdas cuando tú, Santiago Carrillo, acompañado de la Miliciana SAGRARIO RAMÍREZ y de SANTIAGO ESCALONA y RAMIRO ROIG alias ‘EL PANCHO’, en la era de Fuencarral, kilómetro 5, el día 24 de agosto de 1.936 a las 7 de la mañana, asesinasteis al Duque de Veragua y tú, Santiago Carrillo, mandaste que le quitaran el anillo de oro y piedras preciosas que llevaba? ¿Recuerdas que no se lo podías quitar y tú, Santiago Carrillo, ordenaste que le cortaran el dedo?
    ¿Te acuerdas, Santiago Carrillo, la noche que llegaste a la checa del Fomento, en el coche Ford, matrícula de Madrid 984, conducido por el
    comunista JUAN IZACU y los chequistas MANUEL DOMÍNGUEZ alias ‘EL VALIENTE’ y el Guardia de Asalto JOSÉ BARTOLOMÉS y en el sótano mandaste quemar los pechos de la monja Sor Felisa del Convento de las Maravillas de la calle Bravo Murillo, y así lo hizo ‘EL VALIENTE’ con un cigarro puro? Esto sucedió el 29 de agosto de 1.936 a las 3 de la madrugada.

    ¿Me recuerdas ahora, Santiago Carrillo?
    Con 24 años que tenías, ¡cuántos asesinatos cometiste!¡Cuánta sangre tienes derramada en España! No quiero molestarte más, Santiago Carrillo,CRIMINAL.
    Se despide de ti el enterrador de Paracuellos del Jarama, alias ‘EL ESTUDIANTE’, que presenció los martirios y asesinatos que tú, Santiago Carrillo, mandaste que se realizaran en España.
    ¡¡¡¡ VIVA ESPAÑA, MI PATRIA !!!!
    A este asesino criminal lo homenajean con todos los honores mientras el infame y asqueroso Peces-Barba dice que no han asistido ‘los malos’, en alusión a los miembros del Partido Popular.
    A este asesino criminal le cantan el Cumpleaños Felíz en vivo y en directo en el ‘programa radiofónico’ ‘La Ventana’ en la Cadena Ser.
    A este asesino criminal le aplaude toda la progresía Española de pleno:grupo PRISA, el ‘gobierno’, los comunistas, los nazis de ERC, PNV…, Maria Antonia Iglesias y demás fauna animalística.
    Y lo peor de todo: este ASESINO CRIMINAL no ha sido juzgado por sus crímenes y pasea libremente por la calle.


    ¿NO QUERÉIS MEMORIA HISTÓRICA?
    ¡¡¡ PUES TOMAD MEMORIA HISTÓRICA !!!

     

    15.3.12

     

    ABC

  • TRETAS

     

     

    A humanidade, sobretudo a parte dela dita ocidental, vive mergulhada em medos. O medo é um dos ingredientes mais preciosos do pensamento hodierno, para além de um negócio, de lucros chorudos para uns, de bem pagos postos de “trabalho” para outros, de colossal exploração “mediática” para tantos.

    Ora nos borramos de medo com a história das vacas loucas, ora estremecemos de pavor com a da gripe das aves, ora nos culpamos pela morte anunciada do planeta, ora achamos que vamos morrer cancerizados pelas centrais nucleares… e por aí fora.


    O cagaço é o mais precioso dos ingredientes para o domínio das pessoas.

    Tão condicionada está a humanidade pelo medo, que ninguém se lembra já que as vacas loucas pouco ou nenhum mal nos fizeram, que a gripe das aves foi um “flop” mais ou menos idiota, que o planeta tem outros planos e outros “timings” e se está nas tintas para o CO2 ou outras balelas, coisas incompatíveis com a nossa pretenciosíssima “influência letal”, que o problema de Fucoxima foi o de uma hecatombe natural de dimensões desconhecidas e pouco ou nada teve a ver com a segurança da central nuclear… e por aí fora.


    No entanto, basta que uns tipos, umas vezes sérios outras não, lancem hipóteses mais ou menos histéricas, para que milhões de infelizes deixem de comer iscas de vaca, outros milhões gastem fortunas na compra de “Tamiflu” e de desinfectantes para as mãos muito mais caros que o sabão azul e branco, para se criar o comércio de “emissões” que os europeus pagam com língua de palmo enquanto outros, e muito bem, borrifam no assunto, para tremebundar a bempensância instituída e pôr mutidões nas ruas gemendo e ululando de medo por causa dos “desastres nucleares”… e por aí fora.


    Quanta gente vive à custa dos lucros do medo, a começar pela ONU e seus assalariados déspotas do clima e outros exploradores da crendice humana, com os seus alertas de pandemia e de desgraça, a continuar nas inacreditáveis balelas de Quioto ou nos “avisos” de Fucoxima, tudo com repercussões financeiras de astronómico valor, como a venda de medicamentos inúteis ou de “direitos” de carbono?

    Quanta gente, afanosamente, a ganhar o dinheiro sujo do terror, quantos governos a embarcar nos mais variados embustes, a arruinar os seus povos em nome da “humanidade”, do planeta, da saúde?

    É neste mundo que vivemos. Estas são algumas das questões de fundo que impedem as sociedades, sobretudo as ocidentais, as nossas, de olhar o futuro, mergulhadas que as levam a estar em anquilosantes medos, tão caros quanto estúpidos.


    Que fazer? Sei lá!


    15.3.12


    António Borges de Carvalho

  • BACORADAS


    O hediondo Basílio, do alto da pesporrência balofa que o caracteriza, declarou há momentos que o Secretário de Estado que ontem se demitiu o fez por não se ter aguentado com “interesses instalados”.

    Não se sabe se a nojenta criatura, excepcionalmente, diz a verdade. Pode ser que sim, pode ser que não.

    Não é isso o que, para o caso, interessa. Interessa sim perguntar quem instalou os tais interesses (Mexias, Pimentas & Cª), quem lhes deu o poder de que dispõem, quem se comprometeu a pagar-lhes mundos e fundos arruinando a Nação, quem celebrou contratos leoninos com tais interesses, quem sobrecarregou uma Nação inteira com uma chusma de taxas, taxinhas, taxetas e taxonas, destinadas a sustentar os tais interesses. Quem?

    Que moral tem o horrendo Basílio e quejandos para vir acusar o governo de ceder aos poderes fundados e alimentados pelo líder e pai espiritual dos basílios desta terra, o homem que ele admirou e serviu como um cão de fila – e ainda serve – sem jamais ter tido uma palavra sobre os interesses que o chefe protegia à custa do contribuinte, antes acompanhando com o maior dos desvelos e dos aplausos os desmandos, as aldrabices, as trafulhices do fabricante de desgraças actualmente a viver dos rendimentos em Paris?


    Nenhuma moral, nenhuma razão, nada de humanamente compreeensível. Bacoradas.

     

    13.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • PRESIDÊNCIA E PRESIDENTE

     

     

    Durante a I República nunca houve sufrágio universal para a eleição do Presidente.

    Durante a II República passou a haver, mas, depois do cagaço que o Delgado pregou ao Estado Novo, voltou-se ao “Colégio Eleitoral”, desta vez cuidadosamente escolhido.

    Veio a III República. Apesar de maioritariamente admiradores da Primeira, os da Terceira decidiram que, para se distinguir da Segunda, os Presidentes passariam a ser eleitos por sufrágio popular.

    Para justificar a decisão, empurrados pela vertente castrense do poder da época, os constituintes de 76 puseram o governo a depender do Presidente. A coisa correu mal. Pessimamente. Daí que os constituintes de 82 tivessem parlamentarizado o semi-presidencialismo nacional e pusessem o governo a depender o parlamento. Esqueceram-se de fazer o mais importante, que seria, já que o Presidente perdia o mais importante dos seus poderes, alterar o sistema eleitoral e fazer como fazem todas as democracias ocidentais – eleger o Presidente no Parlamento, criar uma câmara alta, etc. A França é excepção, mas o sistema francês é um semi-presidencialismo presidencialista, quase à americana.

     

    Assim nasceu o sistema político em que vivemos. O Presidente não tem poder, mas tem poder, o Presidente não pode, mas pode. Não é por acaso que, em todas as campanhas presidenciais se discute quais são os tais não-poderes ou poderes. Daí, uma série de disparates e de invenções: dupla legitimidade, cooperação estratégica, magistratura de influência, presidências “abertas”, presidências “fechadas”… cada um inventa o que lhe dá na gana, à procura de “espaço” que ninguém sabe se tem ou se deixa de ter.

    Da oposição presidencial (Soares) ao golpe de Estado (Sampaio) e aos olhos fechados (Cavaco), tem valido tudo. Tudo, menos lógica política, menos funcionamento do sistema, menos estabilidade, menos prestígio das instituições, menos banal inteligência, mais egoísmo protagonista dos titulares, mais sacrifício dos interesses das pessoas a favor das conveniências eleitorais das “personalidades”.

     

    A Presidência, numa palavra, não passa de uma infeliz palhaçada política. Há alturas, muitas, em que o Presidente, na sua ânsia de afirmação, parece, ou mais que parece, outra coisa não representar que não seja a si mesmo.

     

    Não se sabe onde é que o Doutor Cavaco Silva foi buscar a obrigação do governo de informação prévia ao Presidente sobre tudo e mais alguma coisa. A que artigo da Constituição terá ido buscar este “poder”?

    Não, não estou a defender o senhor Pinto de Sousa, que tem todos os defeitos que o Doutor Cavaco Silva lhe imputa e muitos, muitos mais e mais graves. Estou a dizer que a tal informação prévia pode ser uma atitude de cortesia, mas não é um imperativo constitucional.

    Por outro lado, bem pode o Presidente clamar que o seu entendimento da Constituição lhe não permite dissolver a Assembleia quando não gosta do governo, ao contrário do que entendia o golpista Sampaio. Cavaco terá razão, mas tal não justifica que tenha deixado, sem um queixume, sem uma crítica, sem um alerta nacional, o tal Sousa e a sua horrenda camarilha governar o país num mar de asneiras, de escândalos, de rabos-de-palha, de inexorável caminho para a ruína. Vir agora assacar ao tenebroso Pinto de Sousa os defeitos que toda a gente conhece, é o mesmo que condenar-se a si próprio por tê-los aguentado durante seis anos, caladinho como um rato. Tarde piou, e mal.

    Bem pode o Presidente Cavaco Silva queixar-se de quem o acusa de ter sacrificado os interesses de Portugal e dos portugueses à sua reeleição. Ninguém acredita, porque é essa a verdade objectiva.

     

    O regime não funciona a contento, porque não pode funcionar a contento. O auto-culto da personalidade, as legitimidades híbridas e as confusões quanto ao que a cada um compete jamais deram bom resultado.

     

    10.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • URGÊNCIAS

     

    Há menos frequência nas urgências dos hospitais. Não há órgão de informação que não fale nisso, que não diga que a culpa é do governo, das taxas moderadoras, do caneco a quatro.

    Tenho à frente uma “infografia” sobre o assunto. Segundo ela, de 2005 a 2010, havia, em média, uns seis milhões e quatrocentos mil recursos às urgências. Em 2011, tal número desceu para cinco milhões cento e tal.

    Eis demonstrado o ataque feito pelo governo aos cidadãos, via taxas e outros malefícios!

    Vista a coisa com um bocadinho mais de detalhe, verifica-se na tal infografia que o número relativo a 2011 não inclui as urgências dos hospitais de São João, da Universidade de Coimbra, do Baixo Vouga, de Tondela Viseu e de Leiria Pombal. Tratar-se-á de pequenas casas de saúde sem influência nas estatísticas? Parece que não. O que, evidentemente, invalida toda a argumentação sobre os malefícios do governo.

    Se acrescentarmos a isto que, a vir a confirmar-se haver menos frequência nas urgências, tal descida se pode dever a um vasto número de razões que pouco têm a ver com taxas, e ficaremos, mais uma vez, convencidos que em nada do que nos dizem podemos acreditar sem contra prova.

     

    10.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • LIXEM-SE!

     

    O governo anda para aí a isentar de sacrifícios uma chusma de privilegiados: a canalha da TAP, especialista em greves malucas, os burocratas da CGD, os trutas do BdP…

    O IRRITADO protesta veementemente contra este tipo de medidas, que privilegia uns, que já eram ultra-privilegiados, em detrimento dos outros.

     

    Muito se fala por aí na “solidariedade” dos “trabalhadores”.

    Porém, quando se trata de ser solidário, a coisa só funciona se não mexer no bolso dos “solidários”. Se mexer, que se lixe a “solidariedade”! Que se lixem os outros! Que se lixe o país!

     

    Não se percebe o que passou pela cabeça do governo para dar a si próprio um pontapé deste calibre. Seja o que tenha sido, que passe depressa.

     

    10.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • CUIDADO COM O TECLADO

     

    Farto de pagar fortunas a um dentista “clássico”, o IRRITADO, ao ver num centro comercial uma loja de dentistas, achou que era uma possibilidade de se livrar das gigantescas facturas do seu fornecedor habitual.

    Ora vamos lé experimentar. Entrou, e disse à menina que queria fazer uma limpeza aos dentes de baixo. A menina procedeu à identificação do paciente, nome, morada, email, telefone, uma data de coisas.

    Passados uns dez minutos, foi o IRRITADO metido num gabinete onde estava uma jovem baixota, mais ou menos feia – a “doutora” – e uma louraça, estilo alterne – a “enfermeira”.

    Após a colocação do habitual guardanapinho, a “doutora”, munida do instrumental da ordem, debruçou-se sobre o IRRITADO. Tinha a coisa que serve para tapar a boca (dela) descaída. Pôs-se ao trabalho. A boca (dela), que respirava direitinha ao nariz do paciente – devia ter o nariz entupido – cheirava a cano que tresandava. O IRRITADO passou a “senhor António”, você para aqui, você para ali.

             Ao contrário do que é seu hábito, conteve-se. A miúda é uma desgraçada qualquer, está a ver se ganha uns cobres, deixa-a ser primitiva.

    Finda a sessão, dirigiu-se ao balcão e pagou cinquenta euros pela coisa. Cheio de vómitos provocados pelo bafo, quis sair dali o mais depressa possível.

    Eis senão quando, surge um matulão de bata branca, algum “doutor”, pensou o IRRITADO. O homem convidou-o a sentar-se num cubículo e, do alto de uma secretária de executivo, disse de sua justiça. Você precisa de uns dentes novos, coisa que faremos da melhor vontade. Acrescentou a descrição técnico-científica das obras a realizar, tipo reabilitação urbana, cirurgia, parafusos, colas, moldes, o diacho. O IRRITADO, humildemente, perguntou quanto custava tal e tão alta aplicação da mais moderna cirurgia.

    Uns quinze mil euros, disse o calmeirão.

    Conteve-se mais uma vez. Nem pense!, balbuciou.

    A personagem, imperturbável, começou então a explicar que, para obviar às dificuldades financeiras do IRRITADO, tinha à disposição um programa, patrocinado por uma sociedade da especialidade, a qual, mediante a assinatura de um empréstimo, providenciaria o dinheiro, sendo este pago em 48 meses, com 17% de juros. Uma pechincha!

    O IRRITADO conteve-se outra vez. Disse que ia pensar, e saiu pela porta fora a todo o galope.

    Quando chegou a casa foi ver-se ao espelho. Pela módica quantia de cinquenta euros mais uns “vocês” e uns “senhor António”, mais uns bafos no nariz, os dentes estavam tão castanhos como antes do “tratamento”.

    Conclusão: tratava-se de um negócio financeiro, tipo conto do vigário.

     

    Parece que anda para aí uma “entidade” qualquer a fiscalizar, multar e fechar tascas deste tipo. Ainda bem. Quanto ao IRRITADO, continua com os seus preciosos dentinhos, naturais e postiços, e vai juntar umas massas para uma limpeza no “clássico.

     

    10.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • ADENDA


    No seu post de ontem o IRRITADO induziu os leitores em erro.  Há que aditar algumas considerações.

    É que, afinal, o processo Freepot não trata de corrupção. Ninguém corrompeu, ninguém foi corrompido. Nada disso. O que se passa é que parece que uns fulanos pediram uns milhões a outros fulanos para dar a outros fulanos, tendo os últimos o poder de despachar favoravelmente um projecto mais ou menos esquisito.

    Dá-se o caso de os fulanos a quem os fulanos pediram o dinheirinho não se queixam de nada e, ao que parece – o processo foi arquivado no Reino Unido – não mandaram dinheiro nenhum.

    Ou mandaram e, nesse caso, seria preciso saber a quem foi entregue, o que daria azo a algo de interessante. Mas, na ausência de queixoso, na ausência de prova, restam suspeitas improvadas, pelo que o processo não faz sentido.

    Uma vez que o projecto mais ou menos esquisito foi aprovado, o processo faria sentido se os destinatários finais fossem identificados. Como não há destinatários, nem dinheiro, nem nada, resta um mijarete policial e judicial que não interessa a ninguém, para além dos dois infelizes que estão a ser julgados sem se saber bem porquê.

    Verdade é que uma coisa altamente suspeita é esvaziada de sentido e convertida num fait divers.


    Vejam lá se descbrem quem fica a rir às gargalhadas com isto tudo.


    9.3.12


    António Borges de Carvalho

  • TRABALHOS A MAIS


    Anda a “informação” satisfeitíssima com o caso da Parque Escolar. É que há quem diga que os 447% que o ministro Crato disse ter sido a “derrapagem” das obras, afinal é só de 329%.

    Uma tempestade num copo de água! Então o ministro “engana-se” em 118%? Aldrabão! Então 329% não é uma ninharia?

    Se você tiver um mindinho que adivinha, acrescido de dois dedos de testa e alguma memória do que foram os tempos do senhor Pinto de Sousa, deve, neste momento, estar a pensar que devem ter sido para aí uns 600%. Pelo menos.


    Imagine que chama um empreiteiro para lhe arranjar o bidé. O homem apresenta-lha um orçamento de 100 euros. No fim, a factura é de 500. O que é que você faz? Não quer pagar, como é evidente.

    Pode ter acontecido que o empreiteiro tenha ido ter com o porteiro lá do prédio, que o representa na execução dos trabalhos, e o tenha levado, mediante convincente argumentação, a aceitar que era preciso comprar mais uns parafusos e uns tubos de silicone, para que a casa de banho não ficasse a cheirar a cano.

    Neste caso, você está feito ao bife. Se o porteiro era seu representante e aceitou os parafusos e o silicone, mais a respectiva mão de obra, você vai ter de pagar.


    Mutatis mutandis, é capaz de ser o que aconteceu ao Crato. O porteiro foi-se embora, sabe Deus se com o resultado líquido da convincente argumentação do empreiteiro. Fechou na porta ao sair, e o homem (nós) está feito ao bife.


    Pode ser que não seja bem assim, mas lá que, apesar do silicone e dos parafusos, cheira a cano, isso cheira.


    8.3.12  


    António Borges de Carvalho

  • HÁ QUE SE LIXE E HÁ QUEM SE SAFE


    O IRRITADO não é um admirador da Quercus nem das suas habituais teses.

    No entanto, ao ver dois infelizes (oportunistas, claro, mas infelizes) a ser julgados por causa dos crimes associados com o caso Freeport, não pode deixar de se solidarizar com o manda chuva da Quercus, que veio “lamentar” que “os outros” não sejam julgados também.


    A coisa tresanda que se farta a bodes expiatórios. Aliás, é de estranhar mais esta originalidade da justiça portuguesa: há dois tipos a ser julgados por corrupção activa sem que haja corruptos passivos. Se não corromperam ninguém, por que carga de água estão a ser julgados? Por más intenções?

    Se corromperam, parece que competiria à acusação indicar, e acusar, os que eles corromperam. Ou não?


    Será que esta moeda tem só uma face? Eis mais uma brilhantíssima invenção do nosso nobre sistema, ou esquema.


    8.3.12  

    António Borges de Carvalho

  • LUTAS DE FRANGOS


    Andam para aí dois fulanos, armados em néscios (sê-lo-ão?), a esgrimir argumentos, a ver quem convence o povo que o outro é mentiroso, malandro, canalha, inimigo da liberdade e outras coisas que já não sei nem me interessa.

    Não se trata de polémica sobre seja o que for de interessante, sobre coisa que mereça a atenção das pessoas, caso em que as polémicas podem valer a pena.

    Duas criaturas convencidas da sua enorme importância, a ponto de se servir do espaço que vendem para vir à praça pública bolsar questiúnculas pessoais.

    Um, um tal Sousa Tavares, resolveu vender ao Dr. Balsenão a crónica do seu ódio a um tipo acusado de ter posto na rua um cronista que, à revelia das suas obrigações contratuais para com o patrão, vendia crónicas a terceiros e que, mercê do “saneamento”, passou de obscuro jornalista a herói nacional.

    Outro, um certo Luís Marinho, acusado de censura, de servilismo, de despedimento selvagem de um tipo que nem sequer era seu funcionário e mais não sei de quê, resolveu defender-se, invectivando alegadas aldrabices do Tavares, o qual, a seguir, se vem queixar de também ter sido “despedido” mas que, na opinião do Marinho, foi mas é pregar para outra freguesia, onde lhe pagavam mais.


    A pergunta é: o que tem o respeitável público a ver com estas porcarias?

    Nada, meus senhores, nadíssima. O Tavares usa o espaço que, a bom preço, vende ao “Expresso, para desencadear uma vingança pessoal. O Marinho tem as portas do “Diário de Notícias” abertas para acusar o outro disto e daquilo.  Vai daí, o Tavares responde que o outro é um aldrabão relapso e contumaz.


    Que saudades dos tempos em que havia em Portugal polemistas de qualidade, boas cabeças, cultores da língua, gente interessante, produtiva e esclarecedora.


    Descemos muito!


    5.3.12


    António Borges de Carvalho

  • GRAFITI

     

    Li não sei onde um artigo sobre os esforços que uma cidade de um país civilizado faz para tratar o problema dos grafiti que lhe enxameiam as paredes. A tal cidade promove campanhas de sensibilização dos munícipes, persegue os bandos de pintores de paredes e gasta uns largos milhões para se lavar.

     

    Olho as paredes da minha cidade, os muros, os viadutos, até os monumentos. Por toda a parte as mais reles demonstrações de vandalismo pictórico. Coisas sem sentido, sem beleza, sem pensamento, sem arte de espécie nenhuma, um abuso, uma violência, uma ofensa à comunidade mesmo que, por absurdo, pudessem ter alguma qualidade.

     

    Fico com uma inveja dos diabos da tal cidade.

    Tanto mais que, na minha, há um Presidente da Câmara Municipal e um Vereador do pelouro que acarinham, facilitam e até financiam os vândalos da sua escolha, assim incentivando as práticas criminosas dos demais que, sendo igualmente vândalos, não são de sua escolha.

    Para perseguir, multar, prender os cagadores de paredes haveria que começar por cima, isto é, por considerar os seus protectores personnae non gratae e expulsá-los da cidade por incitamento ao crime.

     

    4.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • FUTEBOLADAS

     

     

    O IRRITADO pouco percebe de futebol. Conta-se pelos dedos – das duas mãos – as vezes que foi assistir a um jogo de bola a sério.

    Por isso, as suas desculpas pelo que o traz. O que o traz não é fruto dos profundos conhecimentos que ocupam, quase em exclusivo, tantas e tão ilustres almas que por aí vicejam, mas de mera observação de um indesmentível facto, observado, sem espaço para dúvidas, por milhões de pessoas.

     

    Nas barbas do bandeirinha (hoje pomposamente chamado “terceiro árbitro – quem será o segundo?, ou “árbitro assistente”), um jogador marca um golo ilegal. Não há quem tenha dúvidas sobre o assunto. O bandeirinha estava mais bem posicionado que qualquer outro mortal para ver a coisa. Tinha, além disso, mais obrigação de a ver que todos os tais mortais. Mas “não viu”!

    Não foi um “erro” qualquer: resolveu-se com ele quem venceria o jogo e, se calhar, o campeonato. Um escândalo de colossais dimensões.

    Numa primeira observação, diga-se que não é tolerável que não haja forma de emendar o tal “erro”.

    Numa segunda, comente-se um escândalo ainda maior. Há quem, supostamente letrado nestes assuntos, garanta tratar-se de um fulano “experiente… habituado a estar em grandes palcos de futebol internacional… um dos melhores árbitros assistentes portugueses”. O mesmo intelectual da bola adianta que o trafulha “não vai ficar afectado por críticas tão violentas” (as de um treinador). “É um homem muito forte psicologicamente”, adianta o sábio.

    Interrogado pelos jornais, o bandeirinha escusou-se: “não vou dizer nada sobre essa matéria”, afirmou.

    O IRRITADO não duvida do arcaboiço psicológico do biltre. Pelo contrário, acha que o homem é fortíssimo. Tal força, aliada aos seus “profundos conhecimentos” da matéria, explicam bem o que se passou. O homem, como toda a gente, sabe o que fez. Porque o fez, com certeza também sabe. Nós somos livres de imaginar porquê, o que não nos causa trabalho de maior. A “força psicológica” explica também o seu silêncio. Nada de dar à casca. Faz lembrar o camarada Soares quando o Mateus publicou o livro.

     

    Aqui há tempos, julgo que pela primeira vez, houve um tipo destes que pediu desculpa por um erro cometido.

    Este, de nada vai pedir desculpa, talvez porque não cometeu qualquer erro. Pelo contrário, acertou na mouche.

     

    4.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA HIGIENE PÚBLICA

     

    Quando eu era rapaz, havia, no Bairro Alto porta sim porta sim, e noutras paragens porta sim porta não, umas casas de “meninas”, raparigas à altura conhecidas pelos ternos epítetos de “tias”, ou “manas”.

    Tais estabelecimentos eram licenciados pela ditadura. As profissionais eram objecto de vigilância higiénica e assistência médica, entravam de baixa quando ofereciam perigo para a saúde pública, etc. Tinham, além disso, a mais estrita obrigação de providenciar os meios e produtos necessários à salvaguarda da higiene dos clientes.

    Do ponto de vista da saúde pública, a coisa funcionava mais ou menos.

    Mais tarde alguém, já não sei se durante a segunda república se durante a terceira, o negócio foi mandado fechar, por atentar contra a moral pública. Muito bem.

    O problema é que o comércio não deixou de existir e de prosperar a olhos vistos. Hoje são os jornais quem se encarrega da propaganda legal(?) da prostituição, são os prédios onde moram criancinhas os locais onde se operam as transacções e, mesmo com a proliferação dos antibióticos, as doenças propagam-se, tendo-se acrescentado a SIDA ao respectivo cardápio, o que não é coisa de somenos. À publicidade dos jornais junta-se a “sociedade de informação”, isto é, a internet, os telemóveis, etc.

     

    Vai daí, umas irmãzinhas da caridade, juntamente com uma associação qualquer, propuseram que se criasse, na Mouraria, uma facility destinada a receber as profissionais e a cuidar delas, de forma a não darem cabo da saúde, delas e dos clientes.

    É evidente que tal proposta mereceu o imediato repúdio de quem de direito. Bordéis? Não, nunca mais! Os mesmos que propagandeiam a homossexualidade, com o seu cortejo de miséria social e higiénica, os mesmos que defendem que isso do casamento é coisa do passado, a não ser para os ditos, os mesmos que acham que o serviço nacional de saúde é para todos, esses mesmos, ficam horrorizados com a ideia das irmãzinhas.

     

    Vá-se lá perceber o “progresso”!

     

    4.3.12

     

    António Borges de Carvalho

  • DA FABULOSA HERANÇA

    Muita gente diz cobras e lagartos do sr. Mexia, que mexe nos nossos bolsos, que é um tubarão, um gatuno.
    Mas ele não será mais que um tubarãozinho, ou um gatuninho, se for. O que ele é, em boa verdade, é um very successful business man (em chinês não sei como se diz).
    Senão, vejamos um exemplo, feito por alguém credível, da formação de uma factura de electricidade no valor de 116 euros:


    Custo da electricidade…………………………34,00

    Taxa RTP/RDP…………………………………..6.80

    Harmonização tarifária Açores/Madeira………1,60

    Rendas por passagem de cabos de alta

    tensão para Municípios…………………………5,40
    Compensação de Operadores – EDP, Tejo

    Energia e Turbo Gás ………………………….16,10
    Investimento em energias renováveis………26,70

    Custos de funcionamento da Aut.da

    Concorrência e da ERSE……………………….3,70

    Soma…………………………………………..94,30
    IVA……………………………………………..21,70
    Total…………………………………………..116,00

    Comentários ou análises? O quadro é simples. Nós é que somos tansos.
    Se não, vejamos:

    Diz-se que os impostos, para entrar em vigor, só com leis do Parlamento. Nenhuma das posições da factura (à excepção do IVA, que as outras parcelas incham), passa pelo Parlamento. Por isso, não se trata de impostos. Evidente, não é? Genial!
    Em consequência, ninguém pode queixar-se de impostos exagerados (no caso da factura da EDP), e há que dar o benefício da dúvida: trata-se de pagamento de “serviços” prestados pelo Estado, não de impostos.
    Os serviços têm que ser pagos, não é? Dá-se o caso, estranho q.b., de, habitualmente, ser suposto cada um pagar os serviços que contratou. Se não os contratou, não tem que os pagar. Mentira!
    Dir-se-á, com toda a razão, que você tem um contrato com o Estado, com base no qual este lhe presta serviços por troca dos impostos que você paga. Mentira!
    O Estado serve-se dos impostos para umas coisas. Para outras, você tem que pagar por fora. Certamente, você julga que o dinheiro que lhe sai do bolso para impostos é o igual ao que lhe sai do bolso para “serviços” (as chamadas taxas), sendo, para si, tudo a mesma coisa. Mentira!  
    Se nem você nem os seus legítimos representantes jamais contrataram a construção de florestas de moinhos de vento,

    se você, ou quem o representa, jamais foi tido nem achado para a formação das multidões de entidades, autoridades e outras alarvidades criadas nos útimos anos,

    se você detesta a RTD/RDP e coisas no género,

    se você está farto de pagar a solidariedade com os insulares e até acha que os continentais são quem, nesta altura do campeonato, devia merecer a solidariedade das ilhas,

    se você pensa que os cabos de alta tensão têm que passar por algum lado e que a ninguém é legítimo ganhar dinheiro com isso, muito menos as câmaras municipais, que são poços de burocracia onde o seu dinheiro se afoga,

    se você é acha que não devia pagar nenhuma das parcelas da factura da electricidade que não têm nada a ver com electricidade,
    Você é uma besta, um, um sociopata, um sociófobo, um traste!

    Diga-se que, além disto tudo, você está habituado a ouvir falar no “défice tarifário”, coisa que você não percebe lá muito bem o que seja, mas que até é levado a crer que haverá que pagar. Daí, a sua incurável estupidez leva-o a pensar que a parcela “compensação de operadores” tem a ver com tal défice. Mentira!
    Você não faz ideia nenhum a que se deve tal verba. O IRRITADO, porém, sabe que o défice tarifário continua, muito sossegado, à espera do seu dinheiro.

    Na brilhante situação de que a factura da EDP é um pequeno sinal, vemos bem a herança que recebemos, seja do Marcelo Caetano – altura em que só havia a TV do Estado, e as rádios, excepto a do Estado, viviam à própria custa – , seja de alguns outros, e atingiu o climax com o incomparável Pinto de Sousa*. Foi ele que inventou os moinhos de vento para encher de massa uma data de gente que aproveitou, honra lhe seja, a torneira de dinheiro que ele abriu. Foi que inventou a ERSE e mais uma data de parasitas, como os dos combustíveis, coisas que servem para justificar o injustificável e que trabalham (?) a favor de tudo menos dos cidadãos. E muitas, muitas outras coisas, que o homem era um inventor acabado.

    E agora? Que fazer?
    Da sua humilde tribuna, o IRRITADO leva aos ouvidos do governo algumas dicas:
    – Acabar imeditamente com  RTP/RDP e adjacências, nem que, para tal, seja preciso demitir o ministro Relvas;
    – Pôr as regiões autónomas a pagar a electricidade que consomem, como acontece aos demais portugueses, seja qual for a opinião do Jardim ou do outro:
    – Acabar com os penduras das entidades, autoridades e outras alarvidades, que só prejudicam as pessoas e lhes prestam serviços negativos. Sem medo de os mandar para casa e sem ouvir a opinião seja de quem for;
    – Acabar, sem consulta prévia, com a imoralidade da mama das autarquias, que não param de querer sacar mais dinheiro todos os dias, indiferentes à crise e à demais administração pública;
     – Chamar o pessoal das renováveis e dizer-lhe que nem mais um moinho de vento – isto parece que já está dito, e ainda bem – e que, se são tão bons como apregoam, vão vender o peixe para a Patagónia ou para o raio que os parta onde lhes dêem subsídios milionários, os quais, em Portugal, vão ser reduzidos ao mínimo dos mínimos, ou, se possível, anulados.

    Senhores membros do governo, NADA pode justificar que, numa factura de electricidade, 70% não seja para… electricidade.

    Seguido o caminho que o IRRITADO sugere, talvez se pudesse fazer alguma Justiça, ajudar a relançar a economia e até, quem sabe, reduzir o défice tarifário, seja lá isso o que for!

    1.3.12

    António Borges de Carvalho

    *Nesta como em muitas outras matérias, a hecatômbica herança do senhor Pinto de Sousa é, de todas e de longe a mais pesada.