IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


FUTEBOLADAS

 

 

O IRRITADO pouco percebe de futebol. Conta-se pelos dedos – das duas mãos – as vezes que foi assistir a um jogo de bola a sério.

Por isso, as suas desculpas pelo que o traz. O que o traz não é fruto dos profundos conhecimentos que ocupam, quase em exclusivo, tantas e tão ilustres almas que por aí vicejam, mas de mera observação de um indesmentível facto, observado, sem espaço para dúvidas, por milhões de pessoas.

 

Nas barbas do bandeirinha (hoje pomposamente chamado “terceiro árbitro – quem será o segundo?, ou “árbitro assistente”), um jogador marca um golo ilegal. Não há quem tenha dúvidas sobre o assunto. O bandeirinha estava mais bem posicionado que qualquer outro mortal para ver a coisa. Tinha, além disso, mais obrigação de a ver que todos os tais mortais. Mas “não viu”!

Não foi um “erro” qualquer: resolveu-se com ele quem venceria o jogo e, se calhar, o campeonato. Um escândalo de colossais dimensões.

Numa primeira observação, diga-se que não é tolerável que não haja forma de emendar o tal “erro”.

Numa segunda, comente-se um escândalo ainda maior. Há quem, supostamente letrado nestes assuntos, garanta tratar-se de um fulano “experiente… habituado a estar em grandes palcos de futebol internacional… um dos melhores árbitros assistentes portugueses”. O mesmo intelectual da bola adianta que o trafulha “não vai ficar afectado por críticas tão violentas” (as de um treinador). “É um homem muito forte psicologicamente”, adianta o sábio.

Interrogado pelos jornais, o bandeirinha escusou-se: “não vou dizer nada sobre essa matéria”, afirmou.

O IRRITADO não duvida do arcaboiço psicológico do biltre. Pelo contrário, acha que o homem é fortíssimo. Tal força, aliada aos seus “profundos conhecimentos” da matéria, explicam bem o que se passou. O homem, como toda a gente, sabe o que fez. Porque o fez, com certeza também sabe. Nós somos livres de imaginar porquê, o que não nos causa trabalho de maior. A “força psicológica” explica também o seu silêncio. Nada de dar à casca. Faz lembrar o camarada Soares quando o Mateus publicou o livro.

 

Aqui há tempos, julgo que pela primeira vez, houve um tipo destes que pediu desculpa por um erro cometido.

Este, de nada vai pedir desculpa, talvez porque não cometeu qualquer erro. Pelo contrário, acertou na mouche.

 

4.3.12

 

António Borges de Carvalho



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