Anda a “informação” satisfeitíssima com o caso da Parque Escolar. É que há quem diga que os 447% que o ministro Crato disse ter sido a “derrapagem” das obras, afinal é só de 329%.
Uma tempestade num copo de água! Então o ministro “engana-se” em 118%? Aldrabão! Então 329% não é uma ninharia?
Se você tiver um mindinho que adivinha, acrescido de dois dedos de testa e alguma memória do que foram os tempos do senhor Pinto de Sousa, deve, neste momento, estar a pensar que devem ter sido para aí uns 600%. Pelo menos.
Imagine que chama um empreiteiro para lhe arranjar o bidé. O homem apresenta-lha um orçamento de 100 euros. No fim, a factura é de 500. O que é que você faz? Não quer pagar, como é evidente.
Pode ter acontecido que o empreiteiro tenha ido ter com o porteiro lá do prédio, que o representa na execução dos trabalhos, e o tenha levado, mediante convincente argumentação, a aceitar que era preciso comprar mais uns parafusos e uns tubos de silicone, para que a casa de banho não ficasse a cheirar a cano.
Neste caso, você está feito ao bife. Se o porteiro era seu representante e aceitou os parafusos e o silicone, mais a respectiva mão de obra, você vai ter de pagar.
Mutatis mutandis, é capaz de ser o que aconteceu ao Crato. O porteiro foi-se embora, sabe Deus se com o resultado líquido da convincente argumentação do empreiteiro. Fechou na porta ao sair, e o homem (nós) está feito ao bife.
Pode ser que não seja bem assim, mas lá que, apesar do silicone e dos parafusos, cheira a cano, isso cheira.
8.3.12
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário