O dr. Augusto Ferreira do Amaral, pessoa que terá, como todos nós, os seus defeitos, não conta entre eles com o de ser mentiroso ou aldrabão. Se, ainda por cima sob juramento, garantiu ao Tribunal o que garantiu sobre a controversa personalidade do senhor Pinto de Sousa, o que ele disse corresponde à verdade que conhece.
Ficou assim ainda mais evidente que os bodes expiatórios que estão a ser julgados por extorsão outra coisa não devem ser senão isso mesmo: bodes expiatórios. Foram destinados a esconder o que devia estar am causa, servindo para estender sobre a praça pública a cortina de fumo indispensável a manter a ilusão: o julgamento de um assunto que é um não assunto, ou não é o verdadeiro assunto.
O dr. Ferreira do Amaral para nada precisava de dizer o que disse. Bem pelo contrário, arrisca-se a, por ter dito a verdade, levantar diversas fúrias, senão alguma vingança das gentes socretinas que por aí andam e que são capazes das mais rebuscadas tropelias a fim de manter bem no fundo este iceberg, um dos muitos que o tempo em que andavam na mó de cima nos deixou.
O IRRITADO tira o chapéu ao ilustre advogado.
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O dr. Daniel Proença de Carvalho foi uma figura interessante dos tempos da luta contra o comunismo. Chegou a ser director do “Jornal Novo”, grande instrumento de dignificação de uma imprensa à altura maioritariamente serventuária do processo anti-liberdade que estava em curso. Foi adepto da AD, foi presidente da RTP, era tido por apoiante de Sá Carneiro e das reformas que propunha. Depois… depois fez-se com outros poderes, apoiou o PS e o BE, o Costa e o Fernandes, para além de outras inimagináveis atitudes de “pluralismo intelectual”. Não se sabe se estas reformas da personalidade têm a ver com a idade se com a moralidade do senhor. Acabou a estranha viagem, como não podia deixar de ser, como advogado do seu amigo Pinto de Sousa, não se sabendo em que estação se apeará a seguir.
O IRRITADO não tira o chapéu ao ilustre advogado.
22.3.12
António Borges de Carvalho

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