IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • COSTA, A MÃE, A AVENIDA E A LIBERDADE

    O IRRITADO está preocupadíssimo com a situação a que o Costa levou a própria mãe. Segundo confessa, a Senhora queixa-se de já não poder ir à Avenida da Liberdade.

    Porquê? Por causa das “reformas” que o seu ilustre rebento introduziu na zona. Mas o rebento esclarece: “o meu objectivo é que as pessoas não vão lá de carro”. Nem a própria mãe, senhora com certeza de provecta idade!

    Segundo diz, instalou o caos na Avenida com um nobre objectivo: a defesa da “saúde pública”. É por isso, diz ele, que podemos ir à Avenida, “não podemos é ir de carro”.

     

    Tudo isto seria risível, se não fosse tão estúpido. Há muitos anos, ouviu o IRRITADO dizer a um dos mais ferozes apaniguados do Costa que, se continuassem a subir as cércias da avenida, todas as árvores morreriam. Passaram décadas, as cércias subiram, as árvores lá estão. Aliás, resistem muito melhor aos prédios e aos carros que à ausência de cuidado e tratamento por parte do Costa e da sua câmara. Porque não será o mesmo com as pessoas, é coisa difícil de entender.

     

    O homem quer que as pessoas andem de transportes públicos. Muito bem. O IRRITADO é um fan dos transportes públicos, e usa-os quando não há greve. Mas, se o Costa quer que as pessoas andem de transportes públicos em alternativa aos carros, então melhore os transportes públicos em vez de os pôr às voltinhas no Marquês. Então mude a sinalética do metropolitano, transporte mais complicado em Lisboa que em Londres ou Paris. Então faça alguma coisa para convencer as pessoas, sem precisar de lhes cercear a liberdade, ainda por cima na avenida da dita.

     

    Resta o absurdo de andar a apoiar a pululação de lojas e hotéis de luxo na avenida, e depois contar que os milionários que lá fazem compras vão de autocarro.

     

    O nosso Costa terá uma desculpa, uma vez que parece não ser doido. É que os seus mais próximos áulicos (Roseta e Fernandes, por exemplo) parecem não gozar do juízo todo.

     

    Só mais um pequeno apontamento. Para se “justificar”, o nosso homem, à semelhança dos camaradas Castro e Chávez, fez, à nossa custa, um discurso de duas horas! Muita gente deu à sola antes do fim. Mas todos foram para casa com noventa páginas de gabarolice, devidamente ilustradas com fotografias e gráficos. Valha-nos isso.

     

    8.6.13

     

    António Borges de Carvalho

  • BELMIRO DE AZEVEDO E O “PÚBLICO”

     

    Malveira da Serra, 8 de Junho de 2013

     

     

    Excelentíssimo Senhor Engenheiro Belmiro de Azevedo

    Excelência

     

    É Vossa Excelência um industrial e um comerciante de merecido renome. Felizmente, parece que não se dedica à especulação financeira, não anda a pavonear-se na “sociedade”, não usa exibir helicópteros, aviões, iates, carros de futebolista ou outras martigalas do género. Não se baixa perante governos nem anda de mão estendida à cata de dinheiro público. Parabéns.

     

    No seu poderoso grupo, tem Vossa Excelência um jornal que, apesar de privado, ostenta o estranho nome de “Público”. O jornal nasceu sob a batuta de um curioso esquerdóide, um tal Silva, que, noutros locais, ainda hoje maça as pessoas com os seus contorcidos raciocínios. Dada a relativa moderação desses primeiros tempos – que atribuí à influência de Vossa Excelência – o jornal, apesar de próximo do PS, manteve alguma independência. Depois, e em boa hora, resolveu Vossa Excelência substituir o Silva pelo Fernandes, o que muito contribuiu para o prestígio da marca, ainda que mantendo a porta aberta a influências plurais.

    Há algum tempo, porém, foi o jornal entregue a uma senhora que depressa o transformou, quase totalmente, em instrumento de eleição do socialismo nacional nas suas diversas vertentes e versões, ou seja, num mero porta-voz da oposição ao actual governo.

     

    Atente Vossa Excelência, por exemplo, na edição de hoje. Dando de barato o editorial – destinado a louvar a greve dos professores e a dizer que a mesma é culpa “caos” instalado pelo governo(!) – toda a opinião publicada vai na mesma onda: Pacheco Pereira, despeitado opinador e marioneta voluntária das organizações soaristas, dedica uma página inteira a descascar no líder do seu próprio partido, uma cassete já gasta mas que ainda mexe; a dona S.J. Almeida exerce as suas demolidoras e quase diárias funções; uma tal Joana e um César Israel Paulo(!) zurzem no Crato; os senhores Freitas e Estanque afinam pela extinção do estado “Social”, afirmado que se trata de objectivo de ouro do governo; o intolerável Junqueiro produz uma das suas habituais quão burras diatribes. Safa-se o MEC, que escreve sobre macacos propriamente ditos, de baixa estatura.

    Só falta pôr na rua o Fernandes, praticamente o único opinador que não toca o mesmo gramofone. A continuar neste caminho, pouco deve faltar.

    Isto no que diz respeito à opinião do jornal e à escolha de opinadores. Se Vossa Excelência se dedicar a ler as “notícias” terá, certamente, surpresas do mesmo jaez.

     

    Compreender-se-ia tudo isto sem dificuldade se, no seu livro de estilo, o jornal declarasse que se destina a defender o socialismo e apaniguados de todas as cores e feitios. Não enganaria o povo declarando-se democrático e pluralista. É comum nos países civilizados que os jornais tenham cor, daí não vindo mal ao mundo nem se enganando as pessoas. Sei que, por cá, tal não é uso, mas é um intolerável abuso que a coisa se pratique sem que seja declarada.

     

    Daqui venho fazer um humilde apelo a Vossa Excelência: se quiser manter o jornal nesta onda, mude-lhe o nome. Em vez de “Público”, designação em si absurda, chame-lhe “Diário Socialista”, “Correio da Esquerda”, ou coisa que o valha. Poderá, assim, a senhora directora continuar a sua prosélita missão sem enganar o leitor com falsos democratismos e pluralismos aldrabões. Essa gente que mostre a cara, raio!

    É evidente que Vossa Excelência, queira ou não queira, é o culpado da situação a que o seu jornal foi conduzido. Por isso que, em alternativa, lhe sugiro: ponha tal gente na ordem, a directora na rua, e o jornal nos varais.

     

    Disse.

     

    Com os melhores cumprimentos

     

    IRRITADO

     

    8.6.13

     

    António Borges de Carvalho

  • “CO-ADOPÇÃO”

     

    Para satisfazer a curiosidade de um estimado leitor, vem o IRRITADO dizer de sua justiça sobre o ingente e importantíssimo problema daquilo a que os prosélitos dos defeitos sexuais decidiram chamar coadopção, ou co-adopção.

    Há argumentos favoráveis com um certo peso, reconheça-se.

    O problema não é o que a lei proposta pelos missionários dos defeitos quer resolver. Porquê? Porque o problema não é esse. O problema é ter passado a ser obrigatório reconhecer, louvar e privilegiar os humanos defeituosos, alçar os seus defeitos à categoria de virtudes cívicas e, pior que isso, a uma inexistente igualdade que se projecta em termos de direito. A igualdade mal entendida sempre foi uma pecha da civilização e do exercício da Liberdade.


    Tudo começou pelas uniões de facto, erigidas à categoria de uniões de direito, isto é, conferindo a quem não assume (não regista) a sua situação perante a sociedade os mesmos direitos, ou a mesma esfera jurídica que se reconhece a quem assume, perante terceiros, a sua situação. A partir desta entorse ao respeito pela segurança jurídica de terceiros, tudo passou a ser possível.

    Há direitos que são inerentes à pessoa humana. Outros que o não são. Para gozar de tais direitos há que declarar as alterações da esfera jurídica de cada um perante a sociedade. É de admitir, e proteger, que a vida em comum, com sexo ou sem sexo à mistura, possa ser fonte de direitos pessoais. Desde que, como é evidente, os unidos assumam a sua união (a registem), para que os direitos de terceiros possam ser protegidos. Confundidos os direitos inerentes com os que se podem adquirir, todas as confusões podem ser possíveis.

    Daí que as tendências mais regressivas da sociedade venham ao de cima e que se passe a achar igual o que o não é, ao ponto de estraçalhar instituições seculares como o casamento através da sua confusão com outros tipos de união quiçá merecedores de protecção jurídica, mas noutros termos, já que são de diferente natureza e provêm de diferentes origens.

    Tomado o caminho de uma “igualdade” tão falsa quanto espúria, abriram-se portas a tudo o que a seguir veio: o “casamento” entre pederastas ou entre lésbicas, os filhos com dois pais ou duas mães como se tal fosse possível ou até aconselhável, como anda a ser, etc., num mar de confusão e de negação das evidências.

    Sempre houve quem fosse o que hoje se chama homossexual, como sempre houve quem, como a gillette, cortasse dos dois lados. De um modo geral, tratava-se de gente discreta que, conhecedora dos seus defeitos genéticos, hábitos, perversões ou limites, vivia calmamente em sociedade e pouco ou nada perturbava a vida de cada um. De repente, houve quem começasse a fazer a propaganda da coisa. Acto contínuo, forças ditas progressistas (regressistas, na opinião do IRRITADO) tomaram tal bandeira com o habitual fim de desestabilizar as sociedades e as instituições, valendo-se de arremedos grosseiros de conceitos respeitáveis e de “interpretações” perversas de valores igualmente respeitáveis.


    A chamada co-adopção mais não é que um passo mais nesta desgraçada senda de aldrabices cívicas alcandoradas a altos níveis “morais” e jurídicos.

     

    6.6.13

     

    António Borges de Carvalho

  • ARTES PLÁSTICAS E PODER POLÍTICO

     

    Há coisas que fazem uma confusão dos diabos.

    Parece que um tal Pais do Amaral, fulano que conheço dos media, mas que nunca vi mais gordo e goza da minha soberana indiferença, tinha um quadro pelo qual lhe ofereceram uns milhões. Vendeu-o. O quadro terá ido para França.

    Por todos os lados se levantam vozes indignadas. Que não pode ser, que se trata de património inexportável, que o Estado devia impedir o negócio, etc. e tal. Mais. Que o governo, por decisão de um Viegas que parece que foi secretário de Estado, deixou sair a tela. Um horror, uma ofensa à Pátria, etc.e tal.

    Punhamos as coisas no sítio. Ninguém põe em dúvida que o quadro estava legitimamente nas mãos do tal Pais do Amaral. Era de sua indiscutida propriedade. Se o Estado, ou a nacional bem-pensância, não queriam deixá-lo passar a fronteira, então que o comprassem pelo preço oferecido pelos estrangeiros. Se não podiam comprá-lo, o que se compreeende, como é possível que tivessem legitimidade para impedir o proprietário de o vender a quem quisesse? Facto é que parece que a têm. Senão não teria sido precisa a autorização do Viegas, não é?

    Por outro lado, que diferença faz à Nação que a obra esteja em França ou nas paredes da sala do Pais o Amaral? Diferença, poderá fazer ao dito e aos amigos que lá iam a casa. À Nação, nenhuma. Pelo contrário. Entram uns milhões. Parece que o fulano gosta de investimentos, coisa que o governo adora, a oposição ama e toda a gente recomenda.

    Facto é que ninguém sabia da existência da preciosidade em causa. Facto é que tal preciosidade só passou a existir no momento em que o governo, o qual delendus est, decidiu autorizar a exportação, em nome não se sabe bem de quê. Facto é que isto de ter coisas boas, para além de terrível pecado, põe quem as tem sob a alçada de quem se acha no direito de as fruir sem pagar. Facto é que o Estado republicano e socialista e laico, não deve, na opinião dos nacional-pensadores, respeitar a propriedade de cada um, mas sim controlá-la, taxá-la, imobilizá-la, e até apropriar-se dela se lhe der na realíssima gana. Entre outras coisas, é disto que nos devíamos livrar.

     

    4.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • FOGO FÁTUO E NOVOEIRO

     

    Para abrilhantar uma sessão totalmente destituída de sentido ou influência, o casting, comandado por Mário Soares, descobriu uma estrela: o reitor Nóvoa.


    (Diga-se entre parêntessis que isto de reitores anda, q.b., muito por baixo, pelo menos desde aquelas diatribes lançadas por altura em que o ministro Gaspar suspendeu certas despesas durante uma semana. Houve um ou dois reitores que vieram à praça pública dizer que os alunos iam morrer de fome, coitadinhos, porque não havia dinheiro para pagar as cantinas! Por outras palavras, que os fornecedores de paparoca iam fechar a torneira por um atraso de dez dias nos pagamentos! A politiquice rasca, a demagogia primitiva destes reitores pôs a classe de rastos.)


    Para continuar, ou parar, a tendência, nada melhor que pôr o reitor Nóvoa, ilustre compagnon de route, a dizer de sua justiça.

    Era de calcular o que viria a acontecer se alguém “mais alto” não viesse. O discurso de Mário Soares serviria para agitar as massas, mas não tinha mais substância que a já estafada e inconsquente cassete do botabaixo. Não passaria daí, como não passou. As intervenções das organizações presentes, para além de afinar pelo mesmo diapasão, seriam inevitavelmente meras repetições das mais que repetidas agendas das respectivas organizações. Fatal. Foi mesmo assim.

    Daí que chamar um reitor seria arranjar alguma coisa de novo, ou de nóvoa, capaz de agitar as gentes com algo fora das cassetes do costume. Genial. O homem desempenhou o seu papel na perfeição. Parabéns. A assistência, percebendo ou não, vibrou. Que diabo, um tipo que vem “de fora”, que sabe falar, que até é capaz de saber português, era uma coisa nova, inédita, fantástica. E foi. Os basbaques aplaudiram, num frenesi, depois retomado pela imprensa e outros do género. O problema é que, espremido o limão da oração de sapiência, o homem disse coisa nenhuma. Outros termos, outros floreados, outra estilística, outra oratória. Já não é mau. Substância, zero!


    Vale-nos saber que a coisa já está devidamente esquecida. O reitor voltou para a universidade, dará por lá as suas lições académicas e politicoides, mas já ninguém sabe quem o homem é. Os fulanos dos partidos voltaram aos seus gabinetes, a obrigação está cumprida, a luta continua, a ver se, um dia, se ganha uns votinhos. Mário Soares foi para casa muito contente, e ainda bem – para ele.

    E assim se consumou a coisa. Fogo fátuo, parlapaté déja vu, inflamações várias, novoeiro.


    O que continua é a vida, mais má que boa, mas que não tem nada a ver com estas celebrações. Nem com Mário Soares.

     

    3.6.13

     

    António Borges de Carvalho

  • PRIMAVERA TURCA


    Até há três ou quatro anos, costumava o autor destas linhas ser convidado para as chamadas “Conferências de Antalya sobre Segurança e Desenvolvimento”. Durante uns doze anos terá faltado a uma ou duas. Tudo se passava no tempo em que a democracia turca, ressuscitada após a ditadura dos anos 80, florescia, ainda que vigiada pelos militares. Estes, herdeiros privilegiados de Atatürk e da sua revolução democratizante, ocidentalizante e laica, munidos de constitucionais poderes, conseguiam manter à distância as tendências mais ligadas ao islamismo e a formas de legitimidade quiçá piores que as dos miltares. Foi assim que o partido do actual primeiro-ministro foi afastado, mesmo quando terá ganho umas eleições.

    Essas conferências, fosse qual fosse o tema que apregoavam, destinavam-se fundamentalmente a pôr alguns políticos e académicos ocidentais – europeus e americanos – perante o “direito” a que achavam que a Turquia fazia jus, de pertencer à CEE, depois UE. Lembro-me das inúmeras vezes em que procurei convencer os meus amigos turcos do falhanço dos seus objectivos, pelo menos pelo que ouvia nos discursos das várias personalidaes presentes, políticos, militares, académicos. É que, para além da “fé” democrátrica e ocidental, os discursos escorregavam sempre para questões que para os oradores, eram (e continuam a ser) inultrapassáveis: a questão grega, a questão curda, a questão arménia, a questão cipriota, por exemplo, tudo memórias, preconceitos e temas que diziam pouco aos presentes mas que os turcos (os moderados, os democratas!) não conseguiam dominar nem disfarçar, nem que fosse só para ocidental ouvir.


    Já o IRRITADO  estava definitivamente afastado das suas andanças turcas, o partido do actual PM acabou por se instalar no poder. Legitimamente, diga-se. O homem conseguiu dar uma imagem de moderação e, que diabo, ninguém tem nada a ver com a religião de cada um! Tínhamos por cá o exemplo da Democracia  Cristã que, sendo de base religiosa no plano dos princípios, tratava de política, não religião. Muito menos de impor fosse que religião fosse. Animados por tal exemplo e pouco dados a hegemonias militares, os ocidentais confiaram no senhor Erdogan.

    Veio a chamada primavera árabe, que toda a gente já percebeu ter sido rapidamente transformada em pasto de fundamentalistas, jiadistas e quejandos. Os ocidentais, a princípio, saudaram a viragem, crentes que os países dela protagonistas iam entrar em terreno de liberdade e legitimidade do tipo a que estamos habituados. Estulta ilusão. Assim como acreditámos, ou alguns políticos acreditaram, que era possível “exportar” a democracia para o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Tunísia, também a generalidade das nossas opiniões públicas embarcou na esperança de passar a ter interlocutores que pensassem de maneira parecida ou afim da nossa.

    O fenómeno chega agora à Turquia, o que é ainda mais inquietante que o que noutros teatros se passa. É que o retrocesso vem do poder instituído, que começa a mostrar a sua verdadeira face. As bebidas alcoólicas são reprimidas, as mulheres são encorajadas a voltar ao véu, os jornalistas são presos às centenas, o estado laico corre os maiores perigos e ataques. Há pancadaria nas ruas, é certo. Há quem resista. Mas o  mal está no poder, parece ser maioritário, e o ocidente arrisca-se a ver “borregar” o país que pensou poder ser o tampão ideal para indesejáveis investidas.


    Se se tivesse metido a Turquia na UE, se se tivesse afogado a Turquia nos regulamentos e nas idiotices de Bruxelas, talvez o senhor Erdogan não tivesse o topete que tem. Agora, é tarde. A primavera turca aí está, a saber a inverno.

     

    3.6.13

     

    António Borges de Carvalho

  • DEMOCRACIA SOÁRICA

     

    Como já aconteceu com o camarada Sampaio, o inigualável Soares acha que a legitimidade democrática se mede pelas sondagens, pelas manifestações de rua, pela falta de segurança dos membros do governo posta em causa pelas mesnadas sindicais e, é evidente, pela sua esmerada opinião. Ao ponto  de se atrever a ir buscar o Hitler como exemplo! Ao ponto de manipular rasca e aldrabofonamente as opiniões do pai do PM! Se a legitimidade democrática fosse isto, Soares jamais teria sido PM. Mas já se esqueceu disso. Deve ser da idade ou, na opinião do IRRITADO, da ruindade deo dono.

    Como é possível que um tipo se sirva da imprensa e que a imprensa e outros macacos da “informação” deixe que ele deles se sirva para espalhar “verdades” como as que propagandeia?  


    Talvez o IRRITADO  esteja enganado. Se calhar, se a esquerda unida do tal Soares chegasse ao poder, acabava a austeridade, acabava o desemprego, acabava a crise, os ordenados eram aumentados, acabavam as taxas moderadoras, os professores eram todos readmitidos ficando cada um com cinco alunos, os militares eram todos promovidos a general, os países estrangeiros entravam por aí dentro com investimentos de triliões, as férias do pessoal passavam a ser de três meses, importava-se mais umas centenas de milhar de tipos do leste e do terceiro mundo para fazer os trabalhos que já não são dignos dos portugueses, estes passavam a ter empregos de doutor, havia férias nas Caríbas para toda a canalha. Uma maravilha.

    Será que a larga fortuna do Soares dava para pagar isto tudo? Talvez não. Expulsava-se a troica, não se pagava nada a ninguém, e o problema estava resolvido.


    Soares é que tem razão, não é? Pena é que nem a aula magna tenha conseguido encher. Coitadinho!

     

    31.5.13

     

    António Borges de Carvalho   

  • COERÊNCIA


    Alguém fez o favor de me mandar estas declarações de Mário Soares quando era primeiro-ministro. Aqui vão, com algumas adendas do IRRITADO:

     

    EM AGOSTO DE 1983, O GOVERNO DO BLOCO CENTRAL,

    ASSINOU UM MEMORANDO DE ENTENDIMENTO COM O FUNDO

    MONETÁRIO INTERNACIONAL. OS IMPOSTOS SUBIRAM, OS

    PREÇOS DISPARARAM, A MOEDA DESVALORIZOU, O CRÉDITO

    ACABOU, O DESEMPREGO E OS SALÁRIOS EM ATRASO

    TORNARAM-SE NUMA CHAGA SOCIAL E HAVIA BOLSAS DE FOME

    POR TODO O PAÍS.

    O PRIMEIRO-MINISTRO ERA MÁRIO SOARES. 

    Dizia ele:

     

    “Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”.

    DN, 27 de Maio de 1984

    Se fosse hoje, dira: as manobras do capitalismo de casino, secundadas pelo governo, obrigam-nos a apertar o cinto.

     

    “Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”.

    DN, 01 de Maio de 1984

    Se fosse hoje, diria: O governo não tem sensibilidade social. Quer pôr os portugueses a fazer omeletes sem ovos.

     

    “Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.”

    JN, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: No estrangeiro, dominado pela Alemanha, há quem teça elogios ao nosso empobrecimento. Sabem que têm ao seu serviço um governo neoliberal, serventuário dos inconfessáveis interesses da plutocracia internacional.

     

    “Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”

    JN, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria:O governo, que os portugueses já condenaram com toda a razão, põe às suas ordens uns economistas bem pagos, para justificar a servidão ideológica a que nos sujeita e a fim de tentar convencer os portugueses de que a política de austeridade que está a ser seguida é necessária para Portugal.  

     

    “Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: O governo desta maioria já perdeu a legitimidade, política e moral, para fazer seja o que for, e continua, acolitado pelo presidente da República, a tentar convencer os portugueses que não há terapêutica possível para além desta austeridade injusta e desnecessária.

     

    “A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: E não nos venham com a desculpa da Europa para justificar os seus ataques ao estado social. A Europa, sob as ordens da Alemanha, o que quer é desgraçar-nos para dar o exemplo. O governo para a rua, já!

     

    “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”.

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: O governo é tão mentiroso que é capaz de dizer que os portugueses andaram a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos.

     

    “O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”.

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: Não nos interessa inverter caminho nenhum. As conquistas de Abril são para manter. Desde que não andemos às ordens da troica e saibamos correr com o governo, ultrapassaremos todos os nossos problemas.

     

    “[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”

    JN, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: O desemprego é mais um sinal das políticas erradas e neoliberais deste governo. O desemprego e os salérios em atraso são consequência directa dos erros políticos e sociais por ele cometidos. O estado tem que intervir onde for preciso, e é no desemprego e nos salários em atraso que tem que o fazer: Trata-se de problemas sociais, não das empresas.

     

    “O que sucede é que uma empresa quando entra em falência… deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade.”

    JN, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: As falências são mais uma consequência directa da submissão do governo às políticas financeiras da troica. Não se pode deixar falir as empresas. É para isso que o Estado serve, quando o Estado não é gerido por hordas de ultraliberais enfurecidos, a querer dar cabo do Estado que a Constituição informa e conforma. Abaixo o individualismo deste governo!

     

    “Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem o que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”.

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: O rigor e a austeridade não servem para outra coisa que não seja encher a barriga dos canalhas que nos emprestam dinheiro a juros especulativos. A consolidação é uma falácia para uso da demagogia governamental, por isso,vamos a caminho da bancarrota e do desastre!

     

    “Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”.

    1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

    Se fosse hoje, diria: As finanças têm uma política baseada nos impostos, o que é um erro clamoroso, próprio de gente que não parece viver neste mundo, ou que acha que os portugueses saõ estúpidos. Os novos impostos são inúteis e prejudiciais. É preciso, antes dce mais, acabar com o governo, depois logo se vê.

     

    “Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”.

    DM 19 de Fevereiro de 1984

    Se fosse hoje, diria: Posso garantir-vos que, a continuar a ser governados por esta gente, o desemprego será cada vez maior.

     

    “A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria: A CGTP, grande vanguarda dos trabalhadores, tem tido uma atitude verdadeiramente democrática e patriótica ao exigir a demissão do governo.

     

    “A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.”

    Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: A imprensa portuguesa tem um papel democrático extraordinário, na medida em que concorre activamente na destruição deste governo neoliberal, alinhado com a especulação financeira para destruir o estado social.

     

    “Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”.

    RTP, 31 de Maio de 1984

    Se fosse hoje, diria: Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes para ajuizar sobre a generalidade do descontentamento, com toda a justiça expressos em milhares de murais. Os seus autores deviam ser premiados

     

    “A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço”

    La Republica, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: A Associação 25 de Abril continua a ser um esteio do progresso social e da democracia, na medida em que se opõe à destruição do País levada a cabo por este governo.

     

    “As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”.

    Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

    Se fosse hoje, diria: Por culpa do governo, as finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”.

     

    “Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais”

    JN, 28 de Abril de 1984

    Se fosse hoje, diria: Este primeiro ministro subiu ao poder motivado por inconfessáveis interesses ppessoais, e serve-se dele para prosseguir uma agenda ideológica que não tem nada a ver com os interesses do país.

     

    “Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”.

    RTP, 1 de Junho de 1984

    Se fosse hoje, diria:Esta gente teve o desplante de publicar uma lei das rendas!

     

     “Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”.

    6 de Junho de 1984


    E não é que o fulano é mesmo capaz de julgar que as pessoas o acham um herói? Grrrrrr…

     

    29.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • DIETAS

    Como se não nos chegasse a crise, os impostos, o desemprego, o cinto a apertar todos os dias, o governo, a oposição, o Presidente, o Tribunal Constitucional, a troica, etc., temos agora mais uma manifestação da desgraça e do ridículo nacional.

    É que rezam os órgãos de “informação”, Portugal vai, orgulhosamente acompanhado pela Croácia, Chipre e Marrocos, candidatar a “dieta mediterrânica” a “património da humanidade”.

    O IRRITADO não faz a mais pequena ideia do que tal coisa quer dizer, embora, pelos exemplos conhecidos, seja levado a crer que se trata de coisas que não interessam a ninguém, mas que alguém acha de uma importância vital.

    O que, no caso vertente, é de estranhar e constitui uma ofensa inominável à nossa cultura geral e gastronómica, é entrarmos num “clube” de gente que, connosco, pouco ou nada tem a ver.

    Dando de barato que Portugal, geograficamente, nunca foi nem será um país mediterrânico, que, historicamente, pouco ou nada tem a ver com o Mediterrâneo e o que fez de notável foi safar-se dele, há que perguntar o que tem a nossa cozinha a ver com a da Croácia, com a de Chipre ou com a de Marrocos. Alguma vez, na Croácia, se fez pèzinhos de coentrada? Os Cipriotas sabem o que é uma chanfana? Os marroquinos fazem trouxas de ovos? Os portugueses bebem uzo, comem aquelas sardinhas miseráveis do Mediterrâneo, deleitam-se com cus-cus ou kebab?

    Tenham juízo! A nossa dieta não tem nada a ver com a dessa gente, para além do uso de azeite, coisa que, hoje em dia, também é comum na Suécia ou no Reino Unido. É preciso nunca se ter sujeitado a comer pratos gregos, “delícias” croatas, ou comida árabe, para ter alguma coisa a ver com a, aliás respeitável, tradição dietética desses países. Que diabo, basta chegar a Badajoz para perceber que, melhor ou pior, a comida pouco tem a ver com a nossa. Com é possível que haja gente que, dieteticamente se “gemine” com tais países, levando quem não nos conhece a pensar que, por aqui, se come de maneira parecida?

    Que monumento de ignorância, de falta de amor próprio, que mar de parvoíce!

     

    25.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • PALHAÇADAS

     

    Se calhar não vale a pena uma pessoa perder tempo com a bojarda do Tavares, Miguel Sousa. Mas a irritação é muita.

    O fulano não tem nada de estúpido. Não tem a quem sair estúpido, ainda que fique a uma distância cósmica de seus ilustres progenitores.

    De certa forma, é bem pior que estúpido: petulante, pesporrente, convencido, dono de uma data de verdades, senhor de uma ímpar capacidade para julgar terceiros do alto de um trono que fabricou para assento próprio, com laivos de Torquemada, espírito cunhaleiro, a tocar teclas, sempre as mesmas, que tangem as cordas de um politicamente correcto de cartilha e fazem inveja aos que gostam do poder absoluto.  

    Por mais voltas que o homem dê – e está farto de as dar – é insofismável facto que chamou palhaço ao Presidente da República. Sem rodriguinhos nem “contextos” que o salvem. Flagrante crime público de injúria, como tal devidamente caracterizado no Código Penal. Se houvesse Justiça – com letra grande – seria julgado e condenado sumariamente. É, porém, capaz de não haver tal coisa. Uma chusma de opinadores, juristas(!), políticos, jornalistas et alia, desataram em doutas considerações ilibatórias, que tocam as raias da ignorância ou da loucura.

    O presidente da República tem sido alvo de acerbas críticas, umas acertadas outras não, umas objectivas outras fruto de preconceito e malquerença. Mas, que diabo, há limites, limites que a Lei contempla e o bom senso exige.

    Se a importantíssima criatura se safar desta, então, meus amigos, o país estará de tal maneira doente que, mesmo que saia da crise económica e financeira, ficará mergulhado numa crise mental e civilizacional de ciclópicas dimensões.    

    E já lá vão, perdidos, uns dez minutos.

     

    25.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • O CHEFE DA OPOSIÇÃO

    Voltemos ao Conselho de Estado. Não faltam por aí “bocas” sobre o que lá se passou, sobre as presidenciais intenções, sobre quem se “notabilizou” na reunião. Como nenhuma foi desmentida, parta-se do princípio que são verdadeiras.

    Sobre o “projecto” do Presidente, já se disse tudo, menos o que é provável. O provável é que o senhor, depois de muito batalhar, sempre a bater na rocha das ambições do PS, resolveu desistir da sua política de “consensos”. Não lhe valia a pena continuar a malhar em ferro frio. O PS recusa tudo o que não seja ser outra vez levado ao colo ao galarim, seja ao colo do Presidente, como fez com Sampaio, seja nos braços do CDS, que anda entretido com ameaças bacocas – para dizer o menos. Posto de parte qualquer compromisso, que seria melhor que um consenso, pensou o Presidente que talvez fosse possível encontrar, em termos de futuro, alguma réstia de patriótica objectividade. Não conseguiu. A “muralha de aço” lá estava para o impedir.

    Como é do conhecimento público, quem mais se assanhou contra tudo e mais alguma coisa, foi o trio Sampaio/Seguro/Alegre. Nada de surpreendente.

    Outra figura se “alevantou”, a merecer uns dizeres: o patrão do poder absoluto, do poder sem recurso nem fiscalização, um senhor que, até há pouco, era um desconhecido total e que, num golpe de génio, fez perceber ao povo quem manda: Sua Excelência o Presidente do Tribunal Constitucional, cujo nome o IRRITADO ainda não fixou mas cuja imagem o enche de pavor.

    Ainda há quem, por não ter outro remédio e insistir na dignidade das coisas, ache que os juízes são, por definição, independentes e apartidários. Cruel engano, desta vez demonstrado ao mais alto nível.

    O ilustre senhor dedicou a sua presença no Conselho de Estado a desancar, por escrito!, o governo e a ameaçá-lo de chumbar  toda e qualquer iniciativa que não fosse do seu agrado político. “Contundente intervenção”, “muito crítica da política do governo”, “interpelação directa ao Primeiro-Ministro”, rezam as notícias. Coisa inesperada e original, a demonstrar à saciedade que o TC não é uma instância judicial mas um corpo político alinhado com a esquerda radical. Isto na voz do seu mais alto representante.

    O tal juiz declarou há tempos que a Constituição contem “traços identitários”, que não serão perturbados pela “estridência do ruído externo”. Ficamos agora a saber que o socialismo faz parte dos nossos “traços identitários”. Ficamos a saber que vivemos numa democracia coxa, marreca, zarolha, garantida pelo Tribunal Constitucional, e que o socialismo não é uma doutrina política mas um elemento da nossa identidade. A nossa identidade, no parecer do magistrado em questão, não é, ou não é só o nosso nome, a nossa nacionalidade, as nossas ideias, a nossa maneira de viver e de estar, as nossas opiniões. Não, no parecer de Sua Excelência, o que nos identifica é o socialismo, o socialismo é constitucionalmente obrigatório e lá estará ele e os seus para zelar, sem apelo nem recurso, pela nossa identidade! T’arrenego!

    O douto jurisconsulto não deixou os créditos do socialismo por mãos alheias: criticou o PM com virulência, atirou-se ao discurso que ele fez depois das decisões de inconstitucionalidade, como se não fosse verdade que o TC causou ao país um problema até agora insolúvel, como se não fosse verdade que o PM tem todo o direito a dizer que não concorda com decisão, como se o TC tivesse sido imparcial, como se o “estado de emergência” com que toda a gente esgrime quando se trata de dizer mal do governo não estivesse, ele também – se calhar por engano – na Constituição! Está, mas quando se trata de fazer política de oposição, para que servem certas normas? Para nada. O que importa é acabar com este governo e pôr lá outro, que seja da nossa cor.

    Esta a independência do poder absoluto do TC, absolutamente demonstrado e confessado no Conselho de Estado.

    O oco, como toda a gente sabe, não passa de um rapazito ambicioso e primitivo. Ao Alegre já não há quem ligue. Sampaio está na prateleira, embora continue a ser pernicioso. Soares, por mais que esbraceje inconsequências, já não conta. O verdadeiro chefe da oposição, declaradamente, é o Presidente do TC, senhor de ciência certa e poder absoluto. Nós somos os parolos que aturam isto e que, muitos que não o IRRITADO, ainda acreditam que a Constituição presta para alguma coisa que se veja.

     

    25.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • CONSELHO DE ESTADO

     

     

    De forma praticamente unânime, os media e os controladores de opinião condenam o que chamam vazio da reunião de Conselho de Estado, bem como a oportunidade da sua convocatória e do seu tema. Ainda ontem, o IRRITADO, coitadinho, tremeu de medo com a super histérica diatribe da peixeira da TVI, que quase entrou em delirium tremens, vítima das suas próprias e descabeladas diatribes.


    Que interessa o chamado o chamado período pós-troica? Nada.

    Que interessa a anunciada nova arquitectura financeira da UE? Coisa nenhuma.

    Que interessa a projectada reforma da União Económica e Monetária? Nicles.

    Que interessa a União Bancária? Zero.

    Que interessam “os desafios que se colocam ao processo de ajustamento português no contexto das reformas em curso na Europa”? Coisa nenhuma.

    Que interessam os futuros “mecanismos de resolução de crises”? Nem a ponta dum corno.

    Que interessa debater a forma de nos movimentarmos, enquanto Nação soberana, em relação a tais projectos europeus? Não brinquem com o pagode.   


    E assim por diante.


    Que interessa, de facto e de “direito”, ao oco e ao bando de malfeitores políticos que julga comandar, aos tradicionais ódios mesquinhos do senhor Soares, à pesporrência idiota do poeta Alegre? Que haja eleições, já! Que nenhuma estratégia o país tenha para o futuro, outra que não seja submeter-se ao PS e aos ovos-no-cu-da-galinha com que vai entretendo as massas.

    Como, nesta altura das coisas, o PS não dispõe de um Presidenbte que o leve ao colo para o poder – o tempo do seu saudoso Sampaio, helas, já lá vai – o que interessa é negar o diálogo, seja para já seja para o futuro, é não se comprometer seja com o que for, é não consensualizar seja o que for, é repisar os argumentos da sua miserável cassete, a ver se os papalvos caem nas promessas – que nenhuma depende deles, todas de outrem. Assim, se falharem, a culpa é da Ângela, olaré.


    Não é possível, na Europa democrática, imaginar uma organização tão centrada no umbigo com este PS do oco. Para haver um regime digno do adjectivo democrático é preciso que haja uma qualquer base nacional comum que escape aos interesses partidários. Com esta gente, zero! É a trica política pela trica política, até que a corrosão que a demagogia provoca dê os seus frutos. Mal da gente, nós, que tal gente alimenta.


    O IRRITADO não é, como muitas vezes tem dito, um admirador do Presidente Cavaco Silva. A não ser por exclusão de partes, como é legítimo pensar que acontece com a maioria dos seus eleitores. Mas não pode deixar de reconhecer que o homem tem feito os possíveis por evitar uma crise políca de consequências inimagináveis, tem feito o que está ao seu alcance para trazer o PS à razão e à responsabilidade, coisas que, ao oco e seus sequazes, claramente não assistem.

    Vencido na sua cruzada a favor de um compromisso qualquer que minorasse os perigos que aí estão, tentou, com esta reunião, encontrar uma estratégia nacional para o futuro que se avizinha, até porque, segundo é voz corrente, em tal período é possível que o PS possa estar no poder, sendo útil para todos que a preparação de tal período fosse desde já objecto de discussão e compromisso. Objectivo baldado! Se havia no Conselho de Estado quem quisesse discutir o tema, foi calado ou ignorado. Lá estavam os conselheiros do PS para boicotar tudo o que pudesse vir a ser útil. Nem consenso, nem compromisso, nem discussão, nem estudo, nem coisa nenhuma.


    O que interessa àquela gente é uma boa crise, real (por obra e graça do Portas), ou fictícia, fabricada pelo PS e apaniguados. Tudo o resto é fantasia da “direita”.

    Portugal, o que é isso? O que existe é o PS!

    Triste Pátria que tais filhos tem!

     

    22.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • CARTA ABERTA À MALTA QUE TEM CAROÇO

     

    Exmos Senhores


    Atenção ao Nauru! Sabem o que é? O IRRITADO também não sabe, nem se dá ao trabalho de procurar o Nauru na internet para poder fingir que sabe.

    Facto é, porém, que o tal Nauru, segundo prestimosa informação da inteligentíssima Comissão Europeia, é, ex aequo com as Maldivas, o sítio do mundo financeiramente mais opaco (95% de opacidade!).

    Por conseguinte, ó vós que andais à rasca para safar o caroço que em boa (ou má) hora, puseram a salvo, lembrem-se do Nauru e agradeçam a informação à prestimosa e inteligentíssima Comissão Europeia.


    O conselho, vindo de quem vem, é gratuito e, para já, eficaz.


    Cumprimentos caroceiros


    IRRITADO


    22.5.13

  • PAROLE PAROLE

     

    O novo líder da UGT, rapaz façanhudo, bigodaça tipo Sadam, teve há dias, à saída de uma reunião com o CDS, uma saída cheia de razão. Mais ou menos assim: O dr.Portas garantiu-nos que não ia haver mexidas nas pensões, cabendo-lhe encontrar solução financeiramente equivalente. Muito bem! Não da parte de Portas, que está calado que nem um rato, mas do tipo da UGT, que o responsabilizou, o que é mais que justo. O homem criou a polémica, agora que se desenrasque, isto é, que descubra a solução!

    Por outro lado, verifica-se que Portas se comprometeu com o governo a apresentar as suas ideias sobre a reforma do Estado. Passos deve ter-lhe conferido tal missão – que ele aceitou –  a fim de não vir a vê-lo desatar aos gritos e a inventar mais “linhas vermelhas”. Muito bem.

    Só que… só que, nem solução para a história das pensões, nem propostas para a reforma do Estado. Zero!


    Portas anda a passear pela Venezuela, imitando o Pinto de Sousa. Desta vez, como o IRRITADO a seu tempo previu, foi até lá ver se cobrava alguma coisinha dos milhões que o Chávez devia e que o Maduro era suposto pagar. Quando o socialismo fizer, como por cá, a Venezuela bater no fundo – já esteve mais longe disso – vai ser bonito para os empresários portugueses que foram na cantiga do Pinto de Sousa e, agora, na do Portas. Vai ficar tudo a tinir. Muito gostaria o IRRITADO de não ter razão nesta matéria. Mas as esperanças são menos que poucas.


    Quanto ao que se espera do Portas, isto é, quanto às suas mais imediatas, urgentes e evidentes responsabilidades, continuamos à espera que tire o coelho da cartola. Ou é só bèco-bèco?

     

    21.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • O TRABALHO É BOM PÓ PRETO!


    Aqui, onde mora o IRRITADO, há 10 apartamentos, todos ocupados por gente da classe média.

    Em todos os apartamentos trabalha pessoal de serviço doméstico, a saber: quatro brasileiras, uma angolana, duas santomenses, uma de algures na Ásia central, uma de nacionalidade desconhecida e… uma portuguesa. O homem da limpeza da escada também é português, mas velhote.

    Toda esta “força de trabalho” é remunerada muito acima do salário mínimo. Todos os patrões pagam a segurança social sem nada exigir aos assalariados.

    Dos grandes agricultores que o IRRITADO conhece, que são poucos mas talvez representativos, não há um só que não tenha ao serviço mais romenos, moldavos, etc., que portugueses. Todos dizem – não se sabe se é verdade – que pagam pelo menos o salário mínimo e a SS e, em muitos casos, alimentação e casa, acrescendo, às vezes, prémios de produção.

    Que quer isto dizer? Com tantos sociólogos que por aí andam, não há um que ensaie uma explicação, talvez porque a explicação fosse “inconstitucional”: trata-se de um problema de “direitos” sociais, não é?

    Vistas as coisas por um leigo nestas complicadas matérias, a explicação é que os portugueses andam armados em europeus ricos, isto é, deixaram de aceitar trabalhos menos “dignos” – como se houvesse trabalho sério sem dignidade! – e acham que esses trabalhos são “bons para o preto”, como diziam os preguiçosos do antigamente.

    Uma portuguesinha de jeans e “faixa de gaja” acha óptimo trabalhar numa loja qualquer por trezentos euros por mês, mas detestaria aspirar a casinha do patrão. Que diabo, trabalhar faz calos! Um licenciado numa porcaria qualquer jamais se sentaria ao volante de um tractor, apanharia nabiças ou se ocuparia de coisas “menores”, óptimas para romenos e ucranianos.


    Sei que estas considerações são dignas de causar inúmeros pruridos de indignação. Sei que o desemprego é um flagelo social e um encargo incomportável para uma economia periclitante. Sei que é muito feio e muito incorrecto observar os fenómenos supra, pejando-os de “malévolas” insinuações.

    Mas que há, na nossa sociedade, traumas e ilusões sociais tão más como os problemas reais, disso não pode haver dúvida.

     

    21.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • DO AQUECIMENTO GLOBAL

     

    Maio, o mês das flores, o mês das andorinhas, os passarinhos a pipilar, felizes, por montes e vales, a Mãe Natureza a reviver, o Sol a brindar-nos com cálidos e suaves raios…  muito bonito, mas isso era dantes, antes do aquecimento global cair sobre nós com inclemências de granizo, gélidos ventos, humidades nos ossos, neves ressuscitadas em céus de tormenta…

     

    O nível do mar, segundo não se sabe quem nem como, subiu quase um milímetro nos últimos vinte anos por causa do degelo do Ártico, o degelo do Ártico por causa do efeito de estufa, o efeito de estufa por causa do CO2, o CO2 por causa da humanidade, a humanidade por causa dos combustíveis fósseis, os combustíveis fósseis por causa do capitalismo. O socialismo, por definição, não usa combustíveis fósseis, não cospe CO2, não tem efeito de estufa, não derrete os gelos do Ártico nem fez subir o nível do mar quase um milímetro nos últimos vinte anos.

    Pelo menos é o que dizem os grandes gurus do aquecimento global, entre nós altamente representados, por exemplo, pelo genial político-climatérico Viriato, homem de vasto saber e indómita coragem, sobretudo nos montes Hermínios. Calcule-se, escreve o sábio, que o nível de CO2 é hoje igual ao que era há 3.000 anos, ainda que só haja estatísticas desde 1958. Subiu, desde que é monitorizado, nada menos que cem partes por milhão, de 300 para 400 ppms! Estão a perceber? Porque terá então descido de 400 ppms para trezentos entre mil anos antes de Cristo para 300 ppms em 1958? É simples. Amenófis IV, ciente dos problemas que os bulldozers, os catrapilos, as máquinas das pedreiras, os camiões, enfim, toda a parafernália de meios utilizada na construção das pirâmides tinha na produção de efeito de estufa, mandou parar as construções, assim contribuindo para a salvação da humanidade. Tutankamon não era da mesma opinião, mas Cleópatra, por influência de Marco António, retomou a política da Amenófis, a qual, de forma retumbante, só viria a ser abandonada pela revolução industrial e pelo horroroso período capitalista que provocou, pondo a sobrevivência da humanidade em risco sem apelo nem agravo.

     

    Esta gente, ou anda a brincar com coisas sérias, ou comete pecado de orgulho quando afirma que o Planeta, enquanto tal, obedece aos seus ditames. Que pesporrência, que ilusão, que presunção!

     

    A ecologia é uma disciplina científica digna da toda a consideração. As preocupações de alguns sobre a qualidade do habitat humano são de uma legitimidade indiscutível. Tudo foi, porém, transformado numa ideologia política de cariz totalitário, com a concomitante tendência para decretar sobre tudo o que, de perto ou de longe, possa ser considerado como tendo alguma influência, fazendo-o por recurso, não à ciência propriamente dita mas a chusmas de pseudo-cientistas, burocratas, assalariados e políticos incapazes de ver um palmo à frente dos olhos. A ONU paga a funcionários políticos para demonstrar o que se convencionou ser “verdade”, seja ou não seja. Os que se apoderaram dessa verdade ditam as regras. Os políticos aceitam. Os homens de negócios aplaudem. E a humanidade está “aberta” a suportar os colossais custos da “libertação” do CO2, coisa de que a Natureza é o primeiro produtor e que ninguém sabe daqui a quantos milhões de anos – unidade em que se poderá medir a vida do planeta – terá influência que se veja em coisa que se veja.

     

    Entretanto, lá se vai ganhando a vidinha e tendo prestígio e influência, sem precisar de eleições e outras chatices do género.  

     

    19.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • FOR THE RECORD

     

    Segundo o Correio da Manhã de hoje. O PM, no seu regresso de Paris, viajou no mesmo avião que engenheiro relativo Pinto de Sousa.

    O PM viajou em económina. Preço: 165 euros.

    O relativo em executiva. Preço 702 euros.

    Acrescente-se: se o relativo faz a viagem todas as semanas, a fim de cacacrejar enormidades  na RTP, teremos, por ano, 702×52 = 36.504 euros.


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    15.5.13


    ABC

  • PLÁGIOS


    Há gente que ganha fama não se sabe bem porquê.

    Olhem o Colombo: quando partiu, não sabia para onde ia; quando parou, não sabia onde estava; quando chegou, disse que tinha ido onde nunca tinha estado. E, no entanto, é universalmente reconhecido como o grande descobridor do novo continente, a América (terá abicado a uma ilhota a que chamou Índia!). Mas a história e os castelhanos fizeram dele o grande “Almirante do Mar Oceano”. Enriqueceu que nem um doido. Ainda hoje a sua família, os Colon y Carvajal, vivem como príncipes, cheios de massa, e o mundo inteiro se curva perante o ingualável feito do marujo.


    É assim a História, ou a história.


    Vem isto à colação por causa de um nosso mini-Colombo: o ilustre, douto e mui influente advogado portuense que dá pelo nome de Miguel Veiga. Este famoso causídico parece ter estado numas reuniões com os fundadores do PPD, hoje PSD, ou PPD/PSD. Depois, nunca mais fez nada, ou seja, nunca se candidatou a nada, nunca exerceu cargos, nunca arriscou um milímetro do seu sossego por causa do partido ou do país. A não ser… a não ser quando alguém precisasse de uma “boca” mais ou menos destrutiva. O homem fez a vida negra ao Sá Carneiro, ao Balsemão, etc. Quando uma voz “autorizada” – porquê? – era precisa para chatear, das nortenhas alturas descia a voz de Veiga, a diminuir estes e aqueles.

    Não arrisca, não trabalha, não colabra, prega. E tem quem o ouça! No PSD!


    A brilhante personalidade é hoje objecto de notíca, algo diferente das habituais lições de moral em que é especialista. É que o acusaram de plágio. A Primeira Instância sentenciou “culpado”. A Relação absolveu-o. Tinha publicado um texto (50 linhas!) sem aspas nem itálico, começado pela frase Por mim, faço notar que, a que se seguia o texto em causa. No fim, acrescentava apud, seguido do nome do autor e da sua obra. Para o juiz da primeira instância, era evidente que a falta de aspas ou itálico, mesmo com o final apud, se destinava a disfarçar a autoria, uma vez que, como é evidente, o leitor não tinha forma de identificar o que era de sua autoria e o que não era. Plágio! A Relação achou que o apud era bastante, ainda que não se soubesse o que identificava. Inocente!

    A lisura intelectual do senhor ficou salvaguardada, limpa. Ainda bem. Rezam as crónicas, porém que, quando escrevia no “Expresso”, foi corrido por ter sido apanhado duas vezes a plagiar terceiros.


    Que interessa isto? Nada. A Relação acha-o inocente. O “Expresso” não o processou, e a coisa já lá vai há muitos anos. O douto senhor continua impoluto e prestigiado como merece!

     

    14.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • ALTA CULTURA


    Um tal Torgal, que assina como “cidadão democrata e professor catedrático aposentado da Universidade de Coimbra”, eventualmente parente e admirador do Bispo de mesmo nome, brindou-nos ontem com mais uma das suas esquerdófilas diatribes anti governo e anti regime. Os escritos do senhor, das raríssimas vezes que o IRRITADO os lê, nunca lhe mereceram comentários e continuarão a não os merecer.


    Só uma pequena anedota: o homem, na sua qualidade de catedrático, cheio de medo de que nos caia em cima… outro ‘fascismo‘, lembra aos ignorantes que se está a celebrar, neste ano, meio século do ‘Príncipe’ de Maquiavel.

    Ora Maquiavel, considerado o fundador da moderna ciência política, nasceu em Florença em 1469 e morreu na mesma cidade em 1527. Terá escrito “O Príncipe” por volta de 1516.

    Façam as contas…

    Se os nossos catedráticos escrevem assim, como não desculpar a ignorância dos alunos?

     

    10.5.13

     

    António Borges de Carvalho

  • DA “INFORMAÇÃO” EM PORTUGAL

     

    Ontem, via um habitual comentador do IRRITADO, a quem devo um obrigado, foi-nos dado ler uma notícia que vale a pena e que a seguir se transcreve na íntegera, sobre uma intervenção do Dr. Gaspar em Bruxelas, “a única voz dissonante na apresentação do documento azul da CE para o aprofundamento da união monetária”.

    Tal intervenção desmente todas as acusações que ao dito ministro têm sido feitas sobre a sua “insensibilidade social”, a sua “ignorância dos factos”, a sua “ditadura das finanças”. A leitura é esclarecedora e revela um novo approach do governo aos problemas do país e da Europa. Tal approach não será tão novo quanto isso. Não havia era ambiente para o declarar. Houve que criar tal ambiente. A verdade é que, se o governo português começasse a espernear, como querem os seus críticos, sem ter criado condições para tal, não só não seria opuvido como se arriscaria a não conseguir nenhum dos seus (nossos) objectivos e a não conseguir “aguentar” a pressão dos credores. O tão criticado bom aluno, esmagado pela acerba, exagerada e pouco esperta crítica interna, tem, serenamente, conseguido modificar a opinião externa sobre Portugal e criar condições para começar a fazer “exigências”.

    Quando o IRRITADO leu a notícia, publicada no ionline, pensou que o caso iria ribombar na nossa “informação” escrita, televisiva e radialista. Ia haver manchetes, comentários, editoriais, etc.

    Que ideia tão estúpida! Nem ontem nem hoje, nem, é de pensar, nunca mais, a posição do homem teve o mais leve resquício de impacto ou mereceu fosse que referência fosse. Os jornais, as televisões, as rádios, não a referiram, não a comentaram. Um silêncio sepulcral.

    À noite, a dona Manuela e mais não sei quantos “sábios”, tipo Pacheco, Costa, boneca velha da TVI, etc., trataram de se debruçar sobre a história dos cortes nas pensões, coisa que já toda a gente sabia que não ia por diante, nem se sabe se alguma vez foi pensada para tal ou para servir de trocos nas negociações e para dar ao dr. Portas oportunidade de fazer mais uma das suas rábulas.


    Posto isto, e sem outros comentários, aí vai:


    Ministro das Finanças foi a única voz dissonante na apresentação do documento azul da CE para o aprofundamento da união monetária


    Vítor Gaspar revelou ontem uma nova faceta em Bruxelas, não a do aluno bem-comportado da troika, mas a de um ministro das Finanças finalmente atento aos problemas do impacto da austeridade na economia. Embora satisfeito com o sucesso da colocação da primeira emissão nos mercados de dívida pública portuguesa a 10 anos, reconhece que o desemprego é um problema irresolúvel, a não ser que seja posto em marcha um programa de políticas activas de emprego.
    Mais. Na intervenção que fez durante a apresentação do documento azul da Comissão Europeia para o aprofundamento da união económica e monetária, até se permitiu lançar algumas alfinetadas ao seu amigo Schäuble, lembrando–lhe que também ele tem um Tribunal Constitucional alemão que o incomoda, avisando-o que também ele pode não estar livre dos problemas acrescidos sentidos por Portugal face aos seus credores na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do OE deste ano.
    Ao seu lado estava Olli Rehn, o comissário responsável pelos Assuntos Económicos, que ainda há bem pouco tempo disse na City londrina “não estar seguro que o próprio Keynes seria keynesiano nos dias de hoje”, embora ele tenha a certeza de o ser. Chegou a citar um artigo de Milton Friedman publicado na “Time” na década de sessenta onde o Nobel da Economia defendia que “por um lado, somos todos keynesianos, e por outro lado, ninguém o é”.

    Mais do mesmo  O certo é que a apresentação do novo documento elaborado pela Comissão Europeia, que defende um aprofundamento do federalismo, pelo menos na zona euro, não originou discursos radicalmente diferentes nem da parte do presidente da Comissão Europeia, que abriu o debate, nem do comissário para os Assuntos Económicos, nem mesmo do presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, que já depois de eleito teve de alterar o currículo oficial para retirar a menção a um mestrado que não tinha feito. 
    Embora sem referências específicas à austeridade, a tónica dos discursos foi toda para o rigor das contas públicas, o cumprimento do programa de reformas e a consolidação das finanças públicas. A política de Bruxelas, representada por Rehn, manteve-se fiel a si própria, defendendo o equilíbrio fiscal sem qualquer flexibilidade para os Estados membros, longe das políticas keynesianas defendidas por Gaspar, e sem nenhuma menção específica à espiral recessiva que o actual enquadramento económico tem provocado em toda a zona euro. 

    Desalinhado Novidade, novidade, foi o discurso do ministro das Finanças português, que defendeu que “a fragmentação financeira que existe actualmente exacerba o custo associado ao ajustamento e funciona como um choque de competitividade negativo para o pais sob ajuda externa”, acrescentando que a “UE tem de respeitar o que eu considero um princípio: permitir aos Estados que assegurem aos seus cidadãos os direitos sociais que estes exigem”.  

    Doc estratégico O presidente da Comissão Europeia abriu a sessão de apresentação pública do trabalho de Bruxelas   sobre o aprofundamento da zona euro com uma frase de Benjamim Disraeli: “A mais perigosa das estratégias é tentar ultrapassar um abismo com um salto de duas passadas”. Especificando que foi o que aconteceu desde que estes Estados-membros aprofundaram a união monetária, deixando a economia para segundo plano.
    É precisamente o que a Comissão pretende agora contrariar, através de um plano pormenorizado para uma União Económica e Monetária efectiva e aprofundada, sem contudo avançar com uma calendarização especifica ou medidas detalhadas.
    No essencial, Bruxelas quer que seja reforçada a supervisão orçamental e aprofundado o controlo sobre a política económica dos países que utilizam a moeda única, mas sempre dentro do quadro dos actuais tratados. “As alterações devem ser ponderadas apenas no caso de uma medida indispensável da UEM não poder ser tomada dentro do actual quadro”.
    Nos próximos seis a 12 meses, o grande objectivo é a construção da união bancária, a melhoria da coordenação das políticas, a adopção de uma decisão sobre o próximo quadro financeiro plurianual e a criação de instrumentos de convergência e competitividade. A regulamentação financeira e a supervisão financeira, no sentido de haver uma única regulamentação e um só mecanismo de supervisão é outro dos objectivos estabelecidos no documento, com um aprofundamento do intercâmbio de informações entre as autoridades de supervisão acerca dos bancos e a disponibilização de instrumentos comuns de prevenção e tomada de medidas comuns para fazer face a problemas na fase mais precoce possível
    Mais concreta parece ser a decisão sobre uma nova representação externa da área do euro, com base num processo a desenvolver em duas fases: a primeira, o grupo de países deve ser reformulado, de modo a reagrupar não só os Estados desta zona, mas também os Estados-membros que venham futuramente a integrá-la. Em paralelo, a obtenção do estatuto de observador no directório executivo do FMI. 

     

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    10.5.13


    António Borges de Carvalho