IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ARTES PLÁSTICAS E PODER POLÍTICO

 

Há coisas que fazem uma confusão dos diabos.

Parece que um tal Pais do Amaral, fulano que conheço dos media, mas que nunca vi mais gordo e goza da minha soberana indiferença, tinha um quadro pelo qual lhe ofereceram uns milhões. Vendeu-o. O quadro terá ido para França.

Por todos os lados se levantam vozes indignadas. Que não pode ser, que se trata de património inexportável, que o Estado devia impedir o negócio, etc. e tal. Mais. Que o governo, por decisão de um Viegas que parece que foi secretário de Estado, deixou sair a tela. Um horror, uma ofensa à Pátria, etc.e tal.

Punhamos as coisas no sítio. Ninguém põe em dúvida que o quadro estava legitimamente nas mãos do tal Pais do Amaral. Era de sua indiscutida propriedade. Se o Estado, ou a nacional bem-pensância, não queriam deixá-lo passar a fronteira, então que o comprassem pelo preço oferecido pelos estrangeiros. Se não podiam comprá-lo, o que se compreeende, como é possível que tivessem legitimidade para impedir o proprietário de o vender a quem quisesse? Facto é que parece que a têm. Senão não teria sido precisa a autorização do Viegas, não é?

Por outro lado, que diferença faz à Nação que a obra esteja em França ou nas paredes da sala do Pais o Amaral? Diferença, poderá fazer ao dito e aos amigos que lá iam a casa. À Nação, nenhuma. Pelo contrário. Entram uns milhões. Parece que o fulano gosta de investimentos, coisa que o governo adora, a oposição ama e toda a gente recomenda.

Facto é que ninguém sabia da existência da preciosidade em causa. Facto é que tal preciosidade só passou a existir no momento em que o governo, o qual delendus est, decidiu autorizar a exportação, em nome não se sabe bem de quê. Facto é que isto de ter coisas boas, para além de terrível pecado, põe quem as tem sob a alçada de quem se acha no direito de as fruir sem pagar. Facto é que o Estado republicano e socialista e laico, não deve, na opinião dos nacional-pensadores, respeitar a propriedade de cada um, mas sim controlá-la, taxá-la, imobilizá-la, e até apropriar-se dela se lhe der na realíssima gana. Entre outras coisas, é disto que nos devíamos livrar.

 

4.5.13

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “ARTES PLÁSTICAS E PODER POLÍTICO”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Falamos de Miguel Pais do Amaral? Mal o conhece? Curioso. Além de ex-dono da Media Capital, é o actual dono da “Quifel Holdings” – uma modesta chafarica nas Torres das Amoreiras, que controla grandes empresas de várias áreas, incluindo os inevitáveis “serviços financeiros” (estes sedeados em Londres, como convém). Mas não é curioso por isto; é curioso porque o senhor é também: – 2º «Conde de Alferrarede»; – filhote do «7º Conde de Anadia», descendente do Marquês de Pombal, de D. Pedro IV, dos Duques de (inspirar fundo) Schleswig-Holstein-Sonderburg-Beck, etc. etc.; – dono, por via familiar, de uma dose saudável de palácios. Julgava que tão aristocráticos atributos tornavam o Sr. Pais do Amaral, por óbvia afinidade de gostos e referências, num potencial compincha do Irritado… muito me enganava. —————— Enfim, o senhor lá decidiu então vender um quadro, talvez porque não dava com os cortinados novos, ou com o iate novo. Todos sabemos como isso é penoso. Só que, horror dos horrores, o Estado complicou-lhe a vida: chegou a um ponto em que ou lhe comprava o quadro, como o Irritado diz, ou permitia que o vendesse no estrangeiro. Num invulgar assomo de poupança, duplamente invulgar porque seria (como sempre) embarrilado por um mamão do regime em proveito deste, o Estado desistiu do quadro. E o bom do Pais lá o vendeu na estranja – por TRÊS MILHÕES DE EUROS. Nada mau, hã? Já dava para pagar 3 indemnizações ao Santana Lopes. Logo, tudo está bem quando tudo acaba bem… mais uma vez, um pobre e honesto contribuinte derrotou o Estado usurpador e socialista!

    1. É verdade. Não conheço o homem nem nunca o vi, a não ser nos jornais. Facto é que o meu apreço pela cultura não chega ao ponto de obnubilar o meu respeito pelo que é de cada um. O Estado é usurpador e socialista, como já o era no tempo do Salazar, que expropriava ou “propriava” a seu bel prazer. O que não aconteceu desta vez.Obrigado pela biografia do conde. Não o fazia especialista em linhagens, coisa que não sou nem me interessa particularmente. Quanto aos dinheiros do homem, que lhe façam bom proveito. Devem dar-lhe um trabalhão. Não invejo nem o critico por isso. Como escrevi, é-me totalmente indiferente. O património dele é dele, não meu, nem seu, nem do Estado. Só posso desejar que os tais 3 milhões sejam bem investidos, isto é, deem dinheiro e criem emprego. O resto são raivas, fantasias e odiosinhos de xaxa.

      1. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        Sim, conhecer as linhagens, saber quem é Conde ou Visconde do quê, é um tema que sempre me apaixonou. Daí o meu vasto conhecimento, e obrigado por reconhecê-lo. Herdei-o de meu pai, operário da construção naval: aos fins-de-semana, em vez de irmos jogar à bola e comer couratos, como os reles proletários lá do bairro, ficávamos em casa a estudar nobiliários. “Dom Duarte Pio”, perguntava-me ele, “é sobrinho de Teresa Teodora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança Dobrzensky de Dobrzenicz Martorell y Calderó, ou” – acrescentava com sorriso matreiro – “de Carolina Matilde de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg?” “De Teresa Teodora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança Dobrzensky de Dobrzenicz Martorell y Calderó… claro!”, respondia eu. Ambos sorríamos. E as tardes e noites voavam, repletas de fascínio e contentamento… Francamente, Irritado: não vê logo que é copy-paste da Wikipédia e outros sites? Quanto ao mamão do Pais, a maior trabalheira dele foi nascer em berço dourado. A partir desse grande mérito, tudo veio por acréscimo – sejam quadros ou lucros chorudos, certa e cuidadosamente depositados nas Ilhas Virgens ou na Ilha de Jersey, via Londres. São dele, e não do Estado? Serão; mas num país em que o cidadão comum é saqueado impiedosamente, e num grau bem maior, estes mamões são os últimos a poder lamentar-se. Pagam muito menos do que deviam.

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    P.S. Sem ironia, estranho não ter-lhe ainda lido nada sobre a “co-adopção gay”, que – não duvidemos – é apenas a antecâmara da última(?) “igualdade” ansiada pela classe: a adopção de crianças por homossexuais, sejam solteiros, unidos de facto, ou casados. O tema não o comove, ou simplesmente irrita-o demasiado até para o comentar?

    1. Tem razão. Irrita demais. Mas, quem sabe, talvez um dia…

  3. Parece que os factos terão sido algo diferentes. Talvez que um bom título para o que aconteceu seria Influência das decisões do Estado no valor das Coisa. Uns não podem construir mas outros passam a poder. Uns não podem exportar mas outros conseguem. É a vida.

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