Maio, o mês das flores, o mês das andorinhas, os passarinhos a pipilar, felizes, por montes e vales, a Mãe Natureza a reviver, o Sol a brindar-nos com cálidos e suaves raios… muito bonito, mas isso era dantes, antes do aquecimento global cair sobre nós com inclemências de granizo, gélidos ventos, humidades nos ossos, neves ressuscitadas em céus de tormenta…
O nível do mar, segundo não se sabe quem nem como, subiu quase um milímetro nos últimos vinte anos por causa do degelo do Ártico, o degelo do Ártico por causa do efeito de estufa, o efeito de estufa por causa do CO2, o CO2 por causa da humanidade, a humanidade por causa dos combustíveis fósseis, os combustíveis fósseis por causa do capitalismo. O socialismo, por definição, não usa combustíveis fósseis, não cospe CO2, não tem efeito de estufa, não derrete os gelos do Ártico nem fez subir o nível do mar quase um milímetro nos últimos vinte anos.
Pelo menos é o que dizem os grandes gurus do aquecimento global, entre nós altamente representados, por exemplo, pelo genial político-climatérico Viriato, homem de vasto saber e indómita coragem, sobretudo nos montes Hermínios. Calcule-se, escreve o sábio, que o nível de CO2 é hoje igual ao que era há 3.000 anos, ainda que só haja estatísticas desde 1958. Subiu, desde que é monitorizado, nada menos que cem partes por milhão, de 300 para 400 ppms! Estão a perceber? Porque terá então descido de 400 ppms para trezentos entre mil anos antes de Cristo para 300 ppms em 1958? É simples. Amenófis IV, ciente dos problemas que os bulldozers, os catrapilos, as máquinas das pedreiras, os camiões, enfim, toda a parafernália de meios utilizada na construção das pirâmides tinha na produção de efeito de estufa, mandou parar as construções, assim contribuindo para a salvação da humanidade. Tutankamon não era da mesma opinião, mas Cleópatra, por influência de Marco António, retomou a política da Amenófis, a qual, de forma retumbante, só viria a ser abandonada pela revolução industrial e pelo horroroso período capitalista que provocou, pondo a sobrevivência da humanidade em risco sem apelo nem agravo.
Esta gente, ou anda a brincar com coisas sérias, ou comete pecado de orgulho quando afirma que o Planeta, enquanto tal, obedece aos seus ditames. Que pesporrência, que ilusão, que presunção!
A ecologia é uma disciplina científica digna da toda a consideração. As preocupações de alguns sobre a qualidade do habitat humano são de uma legitimidade indiscutível. Tudo foi, porém, transformado numa ideologia política de cariz totalitário, com a concomitante tendência para decretar sobre tudo o que, de perto ou de longe, possa ser considerado como tendo alguma influência, fazendo-o por recurso, não à ciência propriamente dita mas a chusmas de pseudo-cientistas, burocratas, assalariados e políticos incapazes de ver um palmo à frente dos olhos. A ONU paga a funcionários políticos para demonstrar o que se convencionou ser “verdade”, seja ou não seja. Os que se apoderaram dessa verdade ditam as regras. Os políticos aceitam. Os homens de negócios aplaudem. E a humanidade está “aberta” a suportar os colossais custos da “libertação” do CO2, coisa de que a Natureza é o primeiro produtor e que ninguém sabe daqui a quantos milhões de anos – unidade em que se poderá medir a vida do planeta – terá influência que se veja em coisa que se veja.
Entretanto, lá se vai ganhando a vidinha e tendo prestígio e influência, sem precisar de eleições e outras chatices do género.
19.5.13
António Borges de Carvalho

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