Como se não nos chegasse a crise, os impostos, o desemprego, o cinto a apertar todos os dias, o governo, a oposição, o Presidente, o Tribunal Constitucional, a troica, etc., temos agora mais uma manifestação da desgraça e do ridículo nacional.
É que rezam os órgãos de “informação”, Portugal vai, orgulhosamente acompanhado pela Croácia, Chipre e Marrocos, candidatar a “dieta mediterrânica” a “património da humanidade”.
O IRRITADO não faz a mais pequena ideia do que tal coisa quer dizer, embora, pelos exemplos conhecidos, seja levado a crer que se trata de coisas que não interessam a ninguém, mas que alguém acha de uma importância vital.
O que, no caso vertente, é de estranhar e constitui uma ofensa inominável à nossa cultura geral e gastronómica, é entrarmos num “clube” de gente que, connosco, pouco ou nada tem a ver.
Dando de barato que Portugal, geograficamente, nunca foi nem será um país mediterrânico, que, historicamente, pouco ou nada tem a ver com o Mediterrâneo e o que fez de notável foi safar-se dele, há que perguntar o que tem a nossa cozinha a ver com a da Croácia, com a de Chipre ou com a de Marrocos. Alguma vez, na Croácia, se fez pèzinhos de coentrada? Os Cipriotas sabem o que é uma chanfana? Os marroquinos fazem trouxas de ovos? Os portugueses bebem uzo, comem aquelas sardinhas miseráveis do Mediterrâneo, deleitam-se com cus-cus ou kebab?
Tenham juízo! A nossa dieta não tem nada a ver com a dessa gente, para além do uso de azeite, coisa que, hoje em dia, também é comum na Suécia ou no Reino Unido. É preciso nunca se ter sujeitado a comer pratos gregos, “delícias” croatas, ou comida árabe, para ter alguma coisa a ver com a, aliás respeitável, tradição dietética desses países. Que diabo, basta chegar a Badajoz para perceber que, melhor ou pior, a comida pouco tem a ver com a nossa. Com é possível que haja gente que, dieteticamente se “gemine” com tais países, levando quem não nos conhece a pensar que, por aqui, se come de maneira parecida?
Que monumento de ignorância, de falta de amor próprio, que mar de parvoíce!
25.5.13
António Borges de Carvalho

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